O discurso secreto de Kruschev e o fim do comunismo

Roy Medvedev
Roy Medvedev

A base do poder de Stálin não era o terror, mas todo o monopólio da informação

No artigo anterior, “Kruschev não mentiu sobre Stálin”, discuti algumas questões importantes sobre o discurso realizado por Nikita Kruschev, sucessor de Stálin, no vigésimo congresso do partido comunista da União Soviética em 1956, comentando alguns trechos de seu discurso à luz de alguns trabalhos recentes. Discuti ainda as ideias de Grover Furr, intelectual contemporâneo que afirma que todo o discurso de Kruschev foi uma mentira e Stálin não foi o tirano e assassino que ali é apresentado, e citei renomados historiadores cujas obras desmentem a tese de Grover Furr. O texto a seguir é de Roy Medvedev, um escritor russo que mostra a importância e o impacto que o discurso de Kruschev teve sobre a sociedade soviética e até mesmo sobre o colapso do regime, no início dos anos 1990. Continuar lendo

Kruschev não mentiu sobre Stálin

kruschevStálin morreu em 05 de março de 1953. Deixou para trás a herança sombria e desumana do maior Estado totalitário do mundo, com amplo uso de mão-de-obra escrava nos campos de trabalho forçado, desterramento de populações inteiras e milhões de mortos, a maioria inocente. Como um regime tão brutal pôde ter se mantido de pé por tanto tempo é algo que muitos historiadores têm tentado responder nas últimas décadas, especialmente com a abertura dos arquivos de Moscou a partir de 1991. Continuar lendo

Cuba, o paraíso socialista

fidelNão são poucos os estudantes e professores universitários que ainda admiram e celebram Che Guevara e Fidel Castro como humanistas. Quando a blogueira cubana Yoani Sanchez veio ao Brasil, além de ter sido esculachada por alguns militantes de esquerda, ainda foi severamente criticada por variados meios jornalísticos de esquerda que associavam suas atividades de crítica ao regime castrista à CIA e sua consequente venalidade. Nenhuma dessas pessoas e desses meios jornalísticos se deu conta de que na terra de Fidel eles não teriam a mesma liberdade de opinião e manifestação que possuem no Brasil. Continuar lendo

Stalin: Uma lenda fabricada sob medida

Joseph Stalin at Potsdam ConferenceEm 1856, escrevendo sobre a Revolução Francesa, Tocqueville observava: “Várias vezes, desde que a Revolução começou até nossos dias, temos visto a paixão pela liberdade extinguir-se, depois renascer, depois extinguir-se novamente e depois renascer; assim fará por muito tempo, sempre inexperiente e mal regulada, fácil de desencorajar, de assustar e de vencer, superficial e passageira”. Os historiadores costumam dizer que a Revolução Russa está para o século 20 como a Francesa para o século 19. As revoluções têm o mérito de acelerar o tempo, produzindo mudanças estruturais profundas e de longa duração. Em seu estudo sobre o Antigo Regime e a Revolução, Tocqueville observou que as noções desenvolvidas pelo novo regime não se coadunavam com a manutenção de instituições livres e com a paixão que aqueles que lutavam pela revolução demonstravam pela liberdade política. Mutatis mutandis, o mesmo pode ser dito sobre o golpe de Estado pelo qual os bolcheviques tomaram o poder em 1917. Continuar lendo

O orgulho de venerar um genocida

cristiano alvesA principal característica das pessoas que vêm aqui puxar uma discussão comigo é que rapidamente apelam para a calúnia e todo tipo de baixarias acreditando que, dessa forma, estão fazendo um grande debate. Não é possível discutir com alguém como Cristiano Alves sem afirmar categoricamente seu charlatanismo intelectual e seu fanatismo psicótico ao querer isentar os totalitarismos de esquerda do século XX de seu caráter genocida. Alguém que acredita que a ditadura stalinista ou mesmo o regime brutal da Coreia do Norte são marxistas, ou nunca leu Marx ou sonha em se tornar um ditador como eles com poderes para mandar milhões de pessoas para execução e trabalhos forçados em gulags.

E a evidência disso é esse comentário que Cristiano postou em seu próprio blog: Continuar lendo

O totalitarismo nacionalista da Coreia do Norte

coreia do norteA Coreia do Norte permanece o último bastião do totalitarismo stalinista no mundo. O regime marcado por veemente lavagem cerebral de seus cidadãos e completa inexistência de liberdades individuais, contém todos os ingredientes de subjugação das massas que o nazi-fascismo, o stalinismo e o maoismo trouxeram ao mundo: militarização, culto à personalidade, campos de trabalhos forçados para pessoas consideradas opositoras ao regime, controle estatal da vida privada, ausência de liberdade religiosa e ocultação da miséria social pela propaganda triunfalista do Estado. Continuar lendo

Cristiano Alves: um stalinista incurável

cristiano_alvesDesde que iniciei este blog, tenho recebido comentários agressivos dos mais variados tipos que se pode encontrar na internet: olavetes, ateus, evangélicos, alguns católicos, espíritas e stalinistas. Mas também tenho recebido e-mails de apoio de pessoas que elogiam a página e dizem estar aprendendo bastante com o conteúdo. Como tenho dito, essa é a parte gratificante do trabalho e que estimula a continuar.

Em geral, os críticos que vêm aqui estão mais interessados em fazer proselitismo para suas ideias do que qualquer outra coisa. Quando veem que não conseguirão, os argumentos são sempre os mesmos: “Você não é historiador”,  “tenho pena dos seus alunos”, entre outros. A preocupação dessas pessoas com o que ensino a meus alunos é muito curiosa: é como se, quem diverge deles, não deveria estar numa sala de aula. O medo de que opiniões diferentes sejam formadas desvela a consciência dogmática de quem quer a todo custo eliminar a divergência como algo capcioso. Já vivi essa experiência com espíritas, alguns evangélicos, olavetes e agora com um stalinista: Cristiano Alves, dono do blog “A Página Vermelha”. Continuar lendo