O governo e o legado de Mao Tsé-Tung

Mao-Tse-TungNão concordo com a ideia de que, para ser moral, o motivo de nossa ação deve ser beneficiar os outros. A moralidade não tem de ser definida em relação aos outros […] As pessoas como eu querem […] satisfazer o próprio coração, e, ao fazer isso, temos automaticamente o mais valioso dos códigos morais. Claro que existem pessoas e objetos no mundo, mas eles estão todos lá somente para mim […] Pessoas como eu têm um dever somente para consigo mesmas; não temos dever para com outras pessoas […] Não sei do passado, não sei do futuro. Eles não têm nada a ver com a realidade de meu próprio eu. […] Estou preocupado apenas com meu desenvolvimento. […] Tenho meu desejo e ajo de acordo com ele. Não sou responsável perante ninguém.  Mao Tsé Tung Continuar lendo

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Socialismo e Nacional-socialismo: a esquerda e a direita autoritárias do século XX

Stalin_HitlerEm um texto anterior, discuti algumas características do comunismo a partir do recorte temporal que vai do período da tomada do poder pelos bolcheviques na Rússia ao fim da era Stálin, tomando por base a obra do historiador alemão Gerd Koenen, “Utopia do Expurgo[1]“, uma importante referência para quem quer compreender historicamente o comunismo (clique aqui para ler o texto). Um ponto importante discutido na obra é acerca da relação entre comunismo e nazismo e a qual ele dedica dois capítulos (8 e 10). Portanto, esse texto tentará responder às seguintes questões: o que havia em comum entre nacional-socialismo e socialismo? Quais as diferenças? É possível falar que as duas ideologias se encontravam em campos opostos (direita e esquerda)? Se sim, então por que ambas professavam o socialismo e até fizeram um pacto de não agressão? Se não, então por que guerrearam até a derrota completa e extinção de uma delas? Continuar lendo

O que foi o comunismo

comunismoEm última instância, todas as ideologias e doutrinas servem, consciente ou inconscientemente, à legitimação de ambições próprias, em que se integram interesses materiais e necessidades psicológicas, fantasias megalomaníacas individuais e coletivas, impulsos altruístas, energias criminosas. Gerd Koenen

Para quem quer começar a entender a história do comunismo, suas motivações, ideais, os crimes, as aproximações e diferenças em relação ao nazismo, o estrondoso fracasso e até mesmo por que, nos países que aboliram o comunismo, não houve grandes julgamentos de crimes contra a humanidade como no Tribunal de Nuremberg, o livro “Utopia do Expurgo: o que foi o comunismo”, de Gerd Koenen (Editora Unijuí, 2009), é uma excelente indicação. Continuar lendo

O discurso secreto de Kruschev e o fim do comunismo

Roy Medvedev
Roy Medvedev

A base do poder de Stálin não era o terror, mas todo o monopólio da informação

No artigo anterior, “Kruschev não mentiu sobre Stálin”, discuti algumas questões importantes sobre o discurso realizado por Nikita Kruschev, sucessor de Stálin, no vigésimo congresso do partido comunista da União Soviética em 1956, comentando alguns trechos de seu discurso à luz de alguns trabalhos recentes. Discuti ainda as ideias de Grover Furr, intelectual contemporâneo que afirma que todo o discurso de Kruschev foi uma mentira e Stálin não foi o tirano e assassino que ali é apresentado, e citei renomados historiadores cujas obras desmentem a tese de Grover Furr. O texto a seguir é de Roy Medvedev, um escritor russo que mostra a importância e o impacto que o discurso de Kruschev teve sobre a sociedade soviética e até mesmo sobre o colapso do regime, no início dos anos 1990. Continuar lendo

Kruschev não mentiu sobre Stálin

kruschevStálin morreu em 05 de março de 1953. Deixou para trás a herança sombria e desumana do maior Estado totalitário do mundo, com amplo uso de mão-de-obra escrava nos campos de trabalho forçado, desterramento de populações inteiras e milhões de mortos, a maioria inocente. Como um regime tão brutal pôde ter se mantido de pé por tanto tempo é algo que muitos historiadores têm tentado responder nas últimas décadas, especialmente com a abertura dos arquivos de Moscou a partir de 1991. Continuar lendo

Cuba, o paraíso socialista

fidelNão são poucos os estudantes e professores universitários que ainda admiram e celebram Che Guevara e Fidel Castro como humanistas. Quando a blogueira cubana Yoani Sanchez veio ao Brasil, além de ter sido esculachada por alguns militantes de esquerda, ainda foi severamente criticada por variados meios jornalísticos de esquerda que associavam suas atividades de crítica ao regime castrista à CIA e sua consequente venalidade. Nenhuma dessas pessoas e desses meios jornalísticos se deu conta de que na terra de Fidel eles não teriam a mesma liberdade de opinião e manifestação que possuem no Brasil. Continuar lendo

Stalin: Uma lenda fabricada sob medida

Joseph Stalin at Potsdam ConferenceEm 1856, escrevendo sobre a Revolução Francesa, Tocqueville observava: “Várias vezes, desde que a Revolução começou até nossos dias, temos visto a paixão pela liberdade extinguir-se, depois renascer, depois extinguir-se novamente e depois renascer; assim fará por muito tempo, sempre inexperiente e mal regulada, fácil de desencorajar, de assustar e de vencer, superficial e passageira”. Os historiadores costumam dizer que a Revolução Russa está para o século 20 como a Francesa para o século 19. As revoluções têm o mérito de acelerar o tempo, produzindo mudanças estruturais profundas e de longa duração. Em seu estudo sobre o Antigo Regime e a Revolução, Tocqueville observou que as noções desenvolvidas pelo novo regime não se coadunavam com a manutenção de instituições livres e com a paixão que aqueles que lutavam pela revolução demonstravam pela liberdade política. Mutatis mutandis, o mesmo pode ser dito sobre o golpe de Estado pelo qual os bolcheviques tomaram o poder em 1917. Continuar lendo