Por que não existe mais comunismo nem comunistas

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Cuba, China, Coreia do Norte. Esses são os primeiros nomes que vêm à mente de algumas pessoas quando dizemos que não existe mais comunismo no mundo. Mas a afirmação de que não há mais comunismo tem um peso histórico que vai além dos rótulos desses três países.

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TROTSKY

trotskyNestes cem anos de Revolução Russa, Trotsky continua a ser um dos personagens mais venerados pela esquerda. Isso se deve em parte às suas divergências de Stálin acerca da Revolução Mundial e em parte ao fato de ter sido vítima dele num atentado contra sua vida. Também se deve ao fato de Trotsky ter sido um hábil orador e excelente escritor, mas o fato é que seu papel na Revolução foi bem menos inspirador do que parte da esquerda política acredita. Continuar lendo

Socialismo é coisa de museu

adeus-leninO que sobrou do socialismo do século XX foi basicamente Cuba e Coreia do Norte. Cuba vive uma transição lenta para o capitalismo e a Coreia continua na mesma onda há décadas: usa seu programa nuclear para barganhar ajuda humanitária dos países desenvolvidos. Na China, o Partido Comunista abriu mão do socialismo há muito tempo para se manter no poder. Em nenhum desses lugares existe mais movimento socialista com pretensões expansionistas nem seus governos têm qualquer interesse para expandir seu modelo social para fora de suas fronteiras. Não há mais nada no mundo que se assemelhe a um Comintern. Não existe mais socialismo. Continuar lendo

Os cem anos da Revolução Russa

União-SoviéticaO dia 12 de março de 2017 marca o centenário da Revolução Russa em nosso calendário (pelo calendário Juliano, adotado pela Rússia na época, essa data foi 27 de fevereiro). A Revolução de Fevereiro, como ficou conhecida, teve um viés democrático e foi liderada por socialistas moderados – os mencheviques. Ela aconteceu de forma mais ou menos espontânea, iniciando com greves e motins que tomaram a capital russa, Petrogrado, naquele dia. Logo depois o governo do czar foi deposto e um Governo Provisório foi instituído. Era o primeiro capítulo de um dos eventos que definiram o século XX.

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O governo e o legado de Mao Tsé-Tung – Parte II

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Cena de tortura em um comício durante a Revolução Cultural de Mao

Esse texto continua o anterior tomando por base a obra “Mao, a história desconhecida” de Jon Halliday e Jung Chang (Editora Companhia das Letras, 2006 – Clique aqui para ler a primeira parte do texto). Após a tomada do poder em 1949, o início do governo de Mao ocorreu sem grandes rupturas. Durante alguns anos a propriedade privada foi tolerada e mesmo a coletivização da agricultura somente ocorreu após meados dos anos 1950. Mas tudo isso foi uma jogada estratégica de Mao; ele queria primeiro consolidar-se no poder para depois instituir o terror como política de Estado. No entanto, logo em 1950 uma reforma agrária foi imposta pelo governo provocando um banho de sangue no país. Continuar lendo

O governo e o legado de Mao Tsé-Tung

Mao-Tse-TungNão concordo com a ideia de que, para ser moral, o motivo de nossa ação deve ser beneficiar os outros. A moralidade não tem de ser definida em relação aos outros […] As pessoas como eu querem […] satisfazer o próprio coração, e, ao fazer isso, temos automaticamente o mais valioso dos códigos morais. Claro que existem pessoas e objetos no mundo, mas eles estão todos lá somente para mim […] Pessoas como eu têm um dever somente para consigo mesmas; não temos dever para com outras pessoas […] Não sei do passado, não sei do futuro. Eles não têm nada a ver com a realidade de meu próprio eu. […] Estou preocupado apenas com meu desenvolvimento. […] Tenho meu desejo e ajo de acordo com ele. Não sou responsável perante ninguém.  Mao Tsé Tung Continuar lendo

Socialismo e Nacional-socialismo: a esquerda e a direita autoritárias do século XX

Stalin_HitlerEm um texto anterior, discuti algumas características do comunismo a partir do recorte temporal que vai do período da tomada do poder pelos bolcheviques na Rússia ao fim da era Stálin, tomando por base a obra do historiador alemão Gerd Koenen, “Utopia do Expurgo[1]“, uma importante referência para quem quer compreender historicamente o comunismo (clique aqui para ler o texto). Um ponto importante discutido na obra é acerca da relação entre comunismo e nazismo e a qual ele dedica dois capítulos (8 e 10). Portanto, esse texto tentará responder às seguintes questões: o que havia em comum entre nacional-socialismo e socialismo? Quais as diferenças? É possível falar que as duas ideologias se encontravam em campos opostos (direita e esquerda)? Se sim, então por que ambas professavam o socialismo e até fizeram um pacto de não agressão? Se não, então por que guerrearam até a derrota completa e extinção de uma delas? Continuar lendo