O que Fukuyama realmente escreveu em “O fim da História…”

fim do comunismoO livro O Fim da História e o Último Homem, do filósofo Francis Fukuyama, completa vinte e cinco anos. Publicado em 1992, teve origem em um artigo intitulado O Fim da História?, publicado três anos antes, em 1989 na revista The National Interest. Poucas obras que vieram a público neste mesmo espaço de tempo causaram tanta celeuma quanto esta. Celebrada por alguns e odiada por outros, o mundo acadêmico não ficou indiferente a ela. Hoje, com uma leitura atenta da obra e um olhar mais acurado sobre o contexto, é possível inferir que Fukuyama não foi bem compreendido por muitos e possivelmente nem lido por outros tantos. Então, ainda vale perguntar: o que ele realmente escreveu ali?

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O governo e o legado de Mao Tsé-Tung – Parte II

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Cena de tortura em um comício durante a Revolução Cultural de Mao

Esse texto continua o anterior tomando por base a obra “Mao, a história desconhecida” de Jon Halliday e Jung Chang (Editora Companhia das Letras, 2006 – Clique aqui para ler a primeira parte do texto). Após a tomada do poder em 1949, o início do governo de Mao ocorreu sem grandes rupturas. Durante alguns anos a propriedade privada foi tolerada e mesmo a coletivização da agricultura somente ocorreu após meados dos anos 1950. Mas tudo isso foi uma jogada estratégica de Mao; ele queria primeiro consolidar-se no poder para depois instituir o terror como política de Estado. No entanto, logo em 1950 uma reforma agrária foi imposta pelo governo provocando um banho de sangue no país. Continuar lendo

O governo e o legado de Mao Tsé-Tung

Mao-Tse-TungNão concordo com a ideia de que, para ser moral, o motivo de nossa ação deve ser beneficiar os outros. A moralidade não tem de ser definida em relação aos outros […] As pessoas como eu querem […] satisfazer o próprio coração, e, ao fazer isso, temos automaticamente o mais valioso dos códigos morais. Claro que existem pessoas e objetos no mundo, mas eles estão todos lá somente para mim […] Pessoas como eu têm um dever somente para consigo mesmas; não temos dever para com outras pessoas […] Não sei do passado, não sei do futuro. Eles não têm nada a ver com a realidade de meu próprio eu. […] Estou preocupado apenas com meu desenvolvimento. […] Tenho meu desejo e ajo de acordo com ele. Não sou responsável perante ninguém.  Mao Tsé Tung Continuar lendo

O que foi o comunismo

comunismoEm última instância, todas as ideologias e doutrinas servem, consciente ou inconscientemente, à legitimação de ambições próprias, em que se integram interesses materiais e necessidades psicológicas, fantasias megalomaníacas individuais e coletivas, impulsos altruístas, energias criminosas. Gerd Koenen

Para quem quer começar a entender a história do comunismo, suas motivações, ideais, os crimes, as aproximações e diferenças em relação ao nazismo, o estrondoso fracasso e até mesmo por que, nos países que aboliram o comunismo, não houve grandes julgamentos de crimes contra a humanidade como no Tribunal de Nuremberg, o livro “Utopia do Expurgo: o que foi o comunismo”, de Gerd Koenen (Editora Unijuí, 2009), é uma excelente indicação. Continuar lendo

Cuba, o paraíso socialista

fidelNão são poucos os estudantes e professores universitários que ainda admiram e celebram Che Guevara e Fidel Castro como humanistas. Quando a blogueira cubana Yoani Sanchez veio ao Brasil, além de ter sido esculachada por alguns militantes de esquerda, ainda foi severamente criticada por variados meios jornalísticos de esquerda que associavam suas atividades de crítica ao regime castrista à CIA e sua consequente venalidade. Nenhuma dessas pessoas e desses meios jornalísticos se deu conta de que na terra de Fidel eles não teriam a mesma liberdade de opinião e manifestação que possuem no Brasil. Continuar lendo

Uma análise do livro “A linguagem de Deus”

a-linguagem-de-deusFrancis Collins é um autor que dispensa muitas apresentações. O fato de ter sido diretor do Projeto Genoma, estrategicamente colocado logo abaixo de seu nome na edição brasileira de “A Linguagem de Deus” publicada pela editora Gente (2007), já é um aperitivo para ler sua obra, independente do posicionamento religioso do leitor. O pretensioso subtítulo “um cientista apresenta evidências de que Ele existe” só pode fazer sentido, à primeira vista, para um crente. Além disso, o subtítulo também evoca uma preocupação crescente de muitos escritores cristãos nas últimas décadas: a de que a ciência pode fornecer provas concretas para existência de Deus. E há ampla demanda de consumidores religiosos desses manuais; não por acaso o livro de Collins se tornou um Best-seller. Continuar lendo

Pós-teísmo

Don CupittDesde a década de 50 nossa civilização ocidental passou por transformações culturais profundas. Chamamos isso genericamente de pós-modernismo. É um conceito bastante controverso, porém suficientemente sedimentado nas ciências sociais para ser simplesmente rejeitado. As mudanças ocorreram na arquitetura, arte, literatura, moda, economia, comunicações, transportes e mudaram substancialmente nossa percepção de mundo, as relações interpessoais e diluíram identidades baseadas em noções de território, nacionalidade, etnicidade, política e religião. Continuar lendo