A aposta de Pascal

blaise-pascal-15A religião é uma das mais poderosas forças culturais em toda a história. A crença em Deus ou deuses pode ser explicada por vários fatores e algo que a torna particularmente atraente é a necessidade de um pai, um vigia, um juiz e justiceiro, um vingador, um amigo benevolente. Deus pode assumir algumas ou todas essas características dependendo do contexto e das crenças assimiladas por um indivíduo desde a infância ou após um processo de conversão. Continuar lendo

Jesus ressuscitou? Para o conhecimento histórico, não

como-jesus-se-tornou-deusPara o conhecimento histórico, não é possível estabelecer nenhuma evidência acerca disso. E isso independe da fé ou descrença de qualquer pesquisador. A ressurreição “é uma questão fé, não de conhecimento histórico”, como diz Bart Ehrman no livro Como Jesus se tornou DeusContinuar lendo

Notas sobre religião

bibliaBÍBLIA. A narrativa da criação no Gênesis não é um relato histórico nem científico, é um poema, uma metáfora. Não existe uma teoria da criação na Bíblia. Por isso a Evolução não contradiz a Bíblia. Babel, o Dilúvio, a abertura do Mar Vermelho, as hierofanias (manifestações divinas) são todas narrativas poéticas, não históricas. A Bíblia não foi escrita a partir dos critérios de verdade de nossos atuais livros de história, critérios que não existiam na época que seus autores a redigiram, ela foi escrita para dar significado e identidade à comunidade hebreia. Seus cinco primeiros livros, o Pentateuco, foram escritos em épocas diferentes por diferentes autores e são versões modificadas de ensinamentos religiosos, tradições orais e familiares. Se você interpretar a Bíblia literalmente verá que ela não faz sentido porque não foi escrita para esse propósito. Se os professores de história e literatura não ensinarem isso aos jovens na escola, quem formará a opinião deles serão os Malafaias da vida. Continuar lendo

As fronteiras do secularismo

SecularizaçãoA secularização é um dos fenômenos mais importantes da modernidade. Desde o contexto de seu surgimento, está relacionada com a racionalização da política e com a perda progressiva de valores religiosos da vida humana. Compreender esse fenômeno é essencial para o entendimento de importantes questões em nossa época, que envolvem conflitos e tensões mesmo em países democráticos.  Continuar lendo

Intolerância religiosa, nossa velha conhecida

bíbliaMuitos ainda não conseguem perceber, mas a intolerância religiosa no Brasil vem crescendo silenciosamente e com visibilidade maior (embora ainda esporádica) na imprensa. Curiosamente, a maior parte dos gestos de intolerância vem de fiéis de religiões cujos líderes são os que mais reclamam de “perseguição religiosa” – contra eles próprios, é claro – e fecham os olhos e/ou desviam a atenção para ações que cerceiam outros credos e não credos. Continuar lendo

Religiões alienam e são irracionais?

religioesNão é muito raro vermos no ateísmo contemporâneo alguns posicionamentos que conduzem a interpretações reducionistas dos fenômenos religiosos. Por interpretação reducionista compreendo o pensamento que reduz a religião à intolerância e à supressão do pensamento científico e da liberdade de expressão, sem levar em conta as necessidades humanas e os contextos históricos e culturais em que os movimentos e fenômenos religiosos são produzidos. Richard Dawkins pode ser citado como exemplo, mas apenas por algumas colocações específicas (especialmente o apego dogmático de alguns de seus “admiradores no Brasil”) e não pela totalidade de seu pensamento, que possui lances de genialidade incríveis. Continuar lendo

A função social da religião em Durkheim

durkheim[…] a verdadeira função da religião não é nos fazer pensar, enriquecer nosso conhecimento, […] mas sim nos fazer agir, nos ajudar a viver. Durkheim

Grande parte das discussões entre ateus e religiosos na internet tem como pano de fundo a ignorância e mútua incompreensão. Da parte dos ateus, isso começa com a convicção de muitos deles de que as religiões são “irracionais”. As ciências sociais não trabalham com essa perspectiva. Elas são compreensivas. E as religiões, já reconhecia Durkheim, somente podem ser compreendidas historicamente. Desde o século 19, entendemos que fazer história é reconstituir contextos, épocas culturais, mentalidades. A história então monta o modelo do conhecimento das coisas humanas, que vai ser usado pela antropologia, economia, sociologia. Qualquer dimensão da ação humana deve ser entendida historicamente. Continuar lendo