Artigo sobre a relação nazismo e socialismo é publicado em revista acadêmica

Os leitores que acompanham o blog já devem ter lido o texto Socialismo e Nacional-socialismo: a esquerda e a direita autoritárias do século XX. É um texto no qual discuto os equívocos das narrativas que situam o nazismo como fenômeno de esquerda. Embora essa informação seja básica para historiadores, devido à tendência irracionalista e anti-academicista de direita que tem crescido no país, várias publicações cheias de erros e sem qualquer rigor metodológico têm se espalhado em nosso mercado editorial trazendo falsas informações históricas como essa.

Anuncio aos leitores que meu texto foi publicado na Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, um periódico bem avaliado pela CAPES, com o título Nazismo, Socialismo e as políticas de direita e esquerda na primeira metade do século XX. O texto teve leves alterações para ser adaptado ao formato de artigo científico. Os leitores podem baixar, usar como material de pesquisa e indicar para outros acadêmicos que se interessem pelo tema.  CLIQUE AQUI  para acessar.

Esse artigo é produto das discussões que temos desenvolvido no blog e outros deverão vir. Lembro também aos que ainda não conhecem nosso perfil no Facebook, podem acompanhar nossas discussões, comentários, críticas, indicações de leituras. O perfil é um complemento do blog: https://www.facebook.com/bertonesousa

Alguém falou em luta de classes?

proletariadoLuta de classes é um termo central das relações políticas no Ocidente desde o século 19 e é impossível pensar nisso sem remetermos a Marx, ao Manifesto Comunista de 1848 e a outras obras suas e de Engels. Naquele contexto, a luta de classes dizia respeito ao antagonismo entre o proletariado e a burguesia e, seguindo a trilha dos socialistas franceses, Marx pensou esse conflito como uma etapa que levaria ao socialismo. Ora, o socialismo não representaria ainda o fim das diferenças de classes, mas a tomada de poder pelo proletariado e o fim de sua subjugação pela burguesia. Continue lendo

O conservadorismo e a História

Edmund Burke, eminente pensador britânico conservador do século 18
Edmund Burke, eminente pensador britânico conservador do século 18

Declarar-se abertamente conservador tem sido uma ação cada vez mais difícil na era da informação em que vivemos. Além do viés quixotesco que norteia suas ações, um conservador também possui um sério problema cognitivo: ele precisa rejeitar o caráter dialético da história e aceitar as mudanças apenas naquilo que mantêm de aparente, isto é, na medida em que não alteram a estrutura da pirâmide social. Por isso as revoluções e os movimentos sociais são a própria antítese da alma conservadora. Continue lendo

Os Estados Unidos e o golpe de 1964

golpe militarHá uma tendência fora da historiografia brasileira e que se espalha na internet através da extrema direita, de que não houve nenhum apoio do governo dos Estados Unidos ao golpe militar. Essa visão se apoia na crença de que a “operação Brother Sam”, como é chamada a operação de apoio logístico dada pelo governo americano aos golpistas, foi uma espécie de invenção da KGB, visão até hoje reproduzida pela intelectualidade universitária no país. Mas essa teoria da conspiração não se sustenta.

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Dez razões para não ter saudades da ditadura

ditadura1Estamos nos aproximando de meio século de início do regime militar. O Brasil possui uma historiografia excelente sobre o período que muitas pessoas infelizmente não conhecem ou não querem ler. Entre elas estão os organizadores da tal “marcha da família”, que, num desejo desesperado mais de aparecer do que qualquer outra coisa, mostram o nível alarmante de desescolarização e idiotia de muitos que se dizem de direita atualmente. Muitos, porque nem todos que se declaram de direita apoiam a ditadura e muito menos desejam seu retorno. Fascistoides, essas pessoas não têm nada de importante a apresentar ou a dizer, querem apenas que a polícia esteja em toda esquina restringindo suas liberdades; sua idade mental os revela como crianças a implorar pela autoridade coercitiva dos adultos sobre elas mesmas e sobre os outros. Hoje o portal UOL publicou uma matéria de Carlos Madeiro (link ao final da postagem) com o título “Dez razões para não ter saudades da ditadura”. Para quem não teve a oportunidade de conhecer e estudar com mais profundidade o período, vale a leitura:  Continue lendo

Teorias de conspiração: usos e abusos

illuminatiEm um ensaio sobre Escatologia, o historiador francês Jacques Le Goff disse que a proliferação de teorias sobre o fim do mundo (ou dos tempos) é resultado de uma história que não domina mais o futuro. Ele faz alusão às filosofias da história que, a partir de Hegel, adquiriram um sentido de apreensão do significado da história universal. As filosofias da história se desenvolveram no século 19 e são herdeiras do racionalismo iluminista, em que o passado caracterizado pela superstição religiosa e a ignorância seria suplantado, no futuro, pela ciência e sua capacidade crescente de aperfeiçoamento das habilidades humanas. O enredo da história deveria culminar com a liberdade humana e, para pensadores como Hegel e Fichte, essa liberdade estava vinculada ao Estado. Hegel desenvolveu uma concepção de história calcada em leis gerais e continuada, com nuances diferentes, pela tradição idealista alemã, o materialismo histórico de Marx e Engels e o Positivismo. Continue lendo