A obsessão criacionista anti-Darwin

Charles DarwinO ano de 1859 marca um divisor de águas na história da ciência. Não que antes ninguém jamais tivesse proposto a hipótese da evolução das espécies, mas porque antes disso a evolução era apenas isso, uma hipótese. Após uma longa viagem observando, anotando e coletando evidências, Darwin a transformou numa teoria. A maioria das pessoas confunde hipótese com teoria. Quando falamos de uma teoria da evolução ou uma teoria da gravitação universal, por exemplo, não estamos falando de uma suposição científica; uma teoria se mantém verdadeira por conter princípios que não foram refutados. Apesar disso, não são poucos os teólogos, diletantes e líderes religiosos que não aceitam esse fato, pior, ainda pretendem que uma narrativa religiosa tenha caráter científico e descritivo.  Continuar lendo

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Uma análise do livro “A linguagem de Deus”

a-linguagem-de-deusFrancis Collins é um autor que dispensa muitas apresentações. O fato de ter sido diretor do Projeto Genoma, estrategicamente colocado logo abaixo de seu nome na edição brasileira de “A Linguagem de Deus” publicada pela editora Gente (2007), já é um aperitivo para ler sua obra, independente do posicionamento religioso do leitor. O pretensioso subtítulo “um cientista apresenta evidências de que Ele existe” só pode fazer sentido, à primeira vista, para um crente. Além disso, o subtítulo também evoca uma preocupação crescente de muitos escritores cristãos nas últimas décadas: a de que a ciência pode fornecer provas concretas para existência de Deus. E há ampla demanda de consumidores religiosos desses manuais; não por acaso o livro de Collins se tornou um Best-seller. Continuar lendo

Criação e Evolução: notas sobre um debate sem fim

charles_darwin_jovemQuando Charles Darwin publicou A Origem das Espécies em 1859 muitos líderes religiosos se sentiram profundamente ofendidos. Esse sentimento, porém, não era algo novo. Ele já existia há cerca de três séculos quando Copérnico e Galileu demonstraram que a Terra não é o centro do universo. Tanto Copérnico quanto Darwin, em épocas diferentes, puseram no chão duas crenças fortemente arraigadas na cristandade ocidental: a de que nós ocupamos um lugar privilegiado no cosmo, com o Paraíso logo acima e o inferno abaixo e a de que somos seres especiais, feitos à imagem e semelhança de um criador caprichoso e onipotente. Continuar lendo