A Igreja, a República e a sociedade

papaConstitucionalmente a República brasileira é laica, mas a sociedade não. A sociedade é profundamente religiosa. Isso é  tanto uma herança de nossa formação histórica como também uma evidência do malogro do projeto iluminista no hemisfério Sul do globo.

O Iluminismo não foi um movimento antirreligioso, mas em diversos momentos foi anticristão por motivos muito compreensíveis para o século 18, especialmente na França: a Igreja representava a ausência de liberdade de pensamento, a Inquisição e era um dos pilares do Antigo Regime. O Iluminismo tinha um projeto de educação universal por meio da qual os homens se tornariam autossuficientes, aprenderiam a fazer uso de sua razão guiando-se unicamente por ela. Kant, Rousseau e Helvetius foram arautos desse novo paradigma. Continuar lendo

Quem precisa do papa?

Escândalos de corrupção, pedofilia e acobertamento dos sacerdotes criminosos: nada disso abalou significativamente a imagem da Igreja entre seus fiéis pelo mundo. Mas por que deveria? Coisas piores foram feitas no passado: apoio ao fascismo, silenciamento em relação a genocídios. Numa era em que a informação está a alguns cliques da maioria das pessoas e em que as liberdades democráticas proporcionam a possibilidade de estilos de vida libertários, ainda não faltam multidões para aplaudir lideranças religiosas e até considerá-los como super-humanos dotados de dons sobrenaturais. Continuar lendo

(Des)caminhos do pontificado de Bento XVI

Bento16O pontificado de Bento XVI foi polêmico do início ao fim: o ex-presidente da Congregação para a Doutrina da Fé (nome atual do antigo Tribunal do Santo Ofício, ou da Inquisição), conhecido por julgar e expulsar da Igreja o teólogo da libertação Leonardo Boff e por ter sido conselheiro e braço direito de João Paulo II, Joseph Ratzinger ascendeu ao cargo máximo da Igreja com o estigma de ter participado da juventude hitlerista durante aqueles tenebrosos anos da Segunda Guerra Mundial. Continuar lendo