Notas sobre a morte de Fidel

fidel-castro-mortoA morte de Fidel Castro escancarou para o país inteiro que a esquerda não se importa com democracia, não aprendeu muito com o fim do comunismo nem se sente envergonhada de sua incoerência retórica: fala tanto em democracia aqui mas defende lugares onde ela não existe. Com uma esquerda tão mequetrefe, não é de admirar que tenha gente conservadora vendo símbolo do comunismo até na bandeira japonesa. A miopia política e ideológica no Brasil é um problema ambidestro.

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Os cubanos têm educação de qualidade – dizem os defensores de Fidel –, mas outros países também têm e não precisaram sacrificar liberdades individuais em nome de uma suposta igualdade. Há cidades brasileiras com IDH melhor do que Cuba. A igualdade em Cuba é o nivelamento pela pobreza. De que adianta ter todas as crianças na escola e alfabetizadas se os cidadãos não podem usar de sua instrução para além daquilo que o Estado determina? As bibliotecas são reguladas pelo governo. As pessoas não leem o que querem, não publicam o que querem. A ditadura castrista não se limitou em apenas tolher a liberdade de imprensa, de associação e manifestação em Cuba; também destruiu sua capacidade de criar, inovar, empreender, de avançar. O maior exemplo disso é a arquitetura e infraestrutura do país que literalmente parou no fim da década de 1950.

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Cuba foi apenas mais um exemplo de como o socialismo produziu sociedades apáticas, com elevados índices de suicídio; sociedades onde o desejo humano de reconhecimento, essencial para a busca individual da felicidade, foi podado pelo Estado todo-poderoso. Em Cuba, a obediência servil da sociedade é recompensada pela libreta, a esmola em forma de cesta básica que o governo dá a seus cidadãos para sobreviverem, mas que não contém o básico para isso.

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A esquerda no Brasil, especialmente intelectuais, ainda elogiam o regime cubano por pura preguiça mental: não leem coisas novas e quando leem não compreendem. Esse excesso de ideologismo transformou nossa intelligentsia num balaio de clichês e reducionismos pré-1989.

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Fidel era um doce com estrangeiros, especialmente famosos no esporte, na arte e na política. Por isso era tão amado fora de Cuba. Quem não se afeiçoaria a uma figura tão gentil, movida pelos mais elevados ideais de justiça social? Dentro de Cuba, ele era um fuzil apontado para a cabeça de seus concidadãos, forçados a purgarem seus pecados sendo obrigados a ouvir seus sermões por horas a fio e não poderem reclamar do racionamento de comida e da servidão ao Estado.

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A imprensa está cheia de fotos de Fidel sorrindo e brincando com estrangeiros. Por que será que ele não fazia isso com cubanos? Milhares de cubanos comemoraram a morte do ditador em Miami. O que será que aconteceria se alguém fizesse isso em Cuba?

A morte do ditador parou o país. Bares, restaurantes e outros locais foram fechados. Comemorações de qualquer tipo (aniversários, etc.) estão proibidas. Mas… eles têm educação de qualidade!

Em Cuba, não ser castrista é equivalente a não ser muçulmano na Arábia Saudita.

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Fidel representava tudo o que há de mais retrógrado e autoritário na América Latina. A última vez que alguém tentou importar seu sistema social e político, a Venezuela de Hugo Chávez, o resultado foi retração econômica, aumento da pobreza, mendicância, desemprego e imigração em massa para países vizinhos. O bolivarianismo venezuelano não passou de uma versão populista recauchutada de uma tentativa de controle estatal da economia e personalismo.

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Não conheço um só intelectual brasileiro que defende Cuba e Fidel que tenha deixado sua liberdade aqui para viver em Cuba, ou que pelo menos desejasse isso. Mas sempre estão viajando para Europa e Estados Unidos. Isso prova que esses idólatras da ditadura cubana não são honestos no que defendem.

Por fim, deixo abaixo um vídeo breve onde Fidel é entrevistado por uma repórter norte-americana em duas ocasiões distintas de sua vida. Nas duas entrevistas ela faz a mesma pergunta sobre liberdade em Cuba. Veja as respostas do ditador e entenda o quanto ele se preocupava que em seu país ninguém contrariasse o governo.

Leia também: 

Cuba, o paraíso socialista

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25 comentários sobre “Notas sobre a morte de Fidel

  1. Maurício Guimarães 03/12/2016 / 22:54

    Prof.,

    É inegável a dificuldade de Cuba com cidadãos alfabetizados e com excelência em formação acadêmica? Não entendo essa contradição entre pessoas que alcançaram um bom nível intelectual e essa servidão atribuída ao povo cubano. Atribuo a Cuba uma das últimas revoluções sociais bem-sucedidas em curso para uma mudança para uma sociedade mais aberta no saudar desse milênio. Se entre tentativas de invasão e assassinato de seus líderes e território, um embargo econômico violento, atribuo a Cuba um exemplo de coragem de seu povo e sacrifícios em prol de um bem-estar social digno. Níveis de criminalidade baixíssima, escolaridade e saúde universais, e de boa qualidade, combate ao racismo e a misoginia, como exemplos de de evolua social. Ao passo que nossas periferias no Brasil de violência e filas para o mais básico atendimento de saúde, abandonadas, sem emprego, sem a menor assistência social e com suas crianças com desempenho escolar pífio, enquanto do outro lado nossas cidades aterrorizadas aprendem a cada dia a indiferença pelo povo encarcerado na probreza e incerteza… Todo esse cenário legítima a revolução cubana. O Haiti é aqui! Não somos livres nem soberanos em nossa indiferença.

    • Bertone Sousa 03/12/2016 / 23:08

      Maurício, é justamente contra esse tipo de raciocínio, que eu chamo de viciado, que tenho escrito sobre Cuba. Os índices sociais em Cuba não eram tão degradantes como o governo cubano tem propagandeado há meio século. Veja a esse respeito o texto de um diplomata brasileiro que repostei aqui no blog, “o mito da Revolução Cubana”, publicado originalmente numa revista acadêmica.
      Nós podemos combater racismo, violência e lutar pela redução das disparidades sociais sem ditadura, sem impor à sociedade o modelo personalista que Fidel impôs por tantas décadas. É inconcebível que a esquerda continue com essa fixação pela ditadura castrista em nome de índices sociais que não são tudo o que ela diz ser. Você chama de “bem-estar” digno uma sociedade que raciona comida, que trata médicos como escravos; não apenas médicos, mas virtualmente todas as categorias de trabalhadores?
      E aí entram erros de raciocínio como o que você expôs, de que não somos livres. Sim, somos livres, mas é claro que ainda há muitos desafios em termos de conquistas sociais que precisamos alcançar. Mas não significa que para alcançarmos isso tenhamos que defender ditadura. Temos cidades com escolas melhores que as cubanas, e como falei numa nota, com IDH melhores do que Cuba. Cuba estacionou no tempo e não existe muito além de pobreza socializada entre seus cidadãos. Enquanto isso, Fidel deixou uma fortuna de quase um bilhão de dólares, espalhados em bens dentro da própria Cuba, fora dela e contas no exterior. Está na hora de parar com essa idealização de Cuba que tanto contribui ainda para essa miopia da esquerda.

      • Maurício Guimarães 03/12/2016 / 23:18

        Lerei, professor, sua sugestão aqui no blog! Sou um homem do sec. passado ainda. Chorei com a queda do comunismo e tenho idealizações com uma sociedade mais igualitária. Mas, é possível que Cuba tenha sido uma das últimas sociedades a experimentar uma revolução bem-sucedida nesse tempo nesse contexto de guerra-fria. Certamente, hoje, queremos mais liberdade para Cuba e a criar utopias sem o autoritarismo de Fidel. Boa noite!

    • Gustavo Ibraim Ceron 04/12/2016 / 16:50

      Parabéns Senhor Maurício. Democracia não significa liberdade! Foi Abraham Lincoln quem definiu de forma intocável a palavra “democracia”. Ditadura também não significa opressão. Ditadura é a absorção do poder legislativo pelo executivo. O nosso Governo Militar manteve o legislativo suprimindo-o apenas por alguns meses. Durante esse período eu nunca fui molestado, nem apavorado com a bandidagem, tão pouco estarrecido com a orgia a custa do dinheiro público. Hoje eu vivo “democraticamente” dentro de uma gaiola, pagando impostos escorchantes e recebendo uma aposentadoria que não representa os investimentos que eu e meu empregador fizemos no passado, para garanti-la nos dias de hoje; eu não sabia que estava sendo enganado, investindo numa previdência geral, que assiste aos desvalidos, de maneira louvável é claro, mas com o dinheiro dos que contribuem mensalmente pensando na própria aposentadoria, mas na verdade estão recolhendo aos cofres da dita Previdência. A “libélula deslumbrada”, que assumiu o governo, está com o telescópio focado nas regras das aposentadorias e não na previdência. Provavelmente, não tardará, farão o mesmo com a saúde pública. É uma pena que não consegui colocar aqui a demonstração dos gastos com o Legislativo, mas a estimativa, desatualizada, é de R$ 11.021.236.800,00 anuais, com parlamentares de todo o Brasil, e de R$ 145.000.000.000,00 com todas as mordomias que eles usufruem. O Município de Serra da Saudade, com cerca de 815 moradores e 5 ruelas, tem 9 vereadores (legisladores) e 210 servidores públicos – um para cada 4 habitantes. O telescópio da libélula está desfocado e não permite a identificação dessas aberrações democráticas e de alta representatividade. A entidade responsável pela aposentadoria dos servidores públicos aqui de Campinas, minha Cidade, é SUPERAVITÁRIA e a Justica impediu o impréstimo dese superávit para pagamento do 13º salário dos funcionários (TV BAND CIDADE 10/11/16). Porque será que a federal tem ROMBO mesmo aplicando o “EFEITO PREVIDENCIÁRIO” que reduz as aposentadorias? Um Gen de Ex devidamente uniformizado, com o “trabuco” folheado a ouro sobre a mesa presidencial, resolveria nossos problemas apenas com um A.I. em folha de papel única. Deixo consignado aqui, que tenho absoluto respeito pelos demais comentários.

      • JOSE ROBERTO DE LIMA MACHADO 04/12/2016 / 23:29

        Os Militares são treinados para crises.Governam em “Estado de Guerra”, com tempo limitado. A Revolução de 64 ou Contra-golpe a implantação de um Regime Sindicalista/socialista, apoiada pela URSS através Cuba, foi uma atendimento ao apelo da cidadania(principalmente a Classe Média)visando impedir o avanço do Comunismo, que já detinha parte do poder do Estado.Tinha prazo até as eleições de 1965- restabelecimento da ordem.O que ocorreu, foi um “excesso” de “paternalismo” provocado pela “luta armada”, que precipitou os Atos Institucionais necessários a consolidação do Sistema Capitalista(só existe democracia no capitalismo).Havia uma “FARCS” brasileira, sendo criada no Norte do País.A Força Militar é a condição necessária para a “existência” de uma Nação(é ela que lhe dá identidade e garante-lhe a existência).A Nação, antecede o Estado, que é quando se organiza politicamente(quando outras instituições são criadas).Como tal, deve ser empregada pelos “nacionais/cidadãos”, sempre que o suas Instituições estiverem sendo ameaçadas, tanto externamente, quanto internamente.Nunca,e é isso que os anti-nacionais, querem fazer acreditar,confunda “Regime/Governo Militar”, com “Intervenção Militar”.O primeiro deve ser evitado a qualquer custo (não deram certo em lugar nenhum-Ex Japão até a II GM)o segundo,não deve ser descartado quando cessarem outros meios(necessitar retomar o poder a força).O governo pelo Poder Militar é desgastante e desestruturante para a própria Instituição, e não é almejada por nenhum profissional militar(só por para-militares e malucos).

  2. Pedro Sousa 04/12/2016 / 18:47

    Penso que esse debate acaba se tornando estéril, pois é conduzido por uma direita que odeia o comunismo, contra uma esquerda que idolatra um regime que parou no tempo.
    Tanto as tentativas de justificar a Cuba comunista, quanto as tentativas de desqualificá-la se perdem em argumentos porcos.
    A figura emblemática de Fidel Castro terá seu lugar na história, como tantas outras que vieram antes dele. Cabe a nós a visão sem paixão ou ódio, para traçarmos a sua importância naquele momento. O Fidel guerrilheiro não é o Fidel que governou.
    De resto, parabéns pelo texto , Professor!

    • JOSE ROBERTO DE LIMA MACHADO 04/12/2016 / 22:53

      Não existe solução fora do mercado.É a base da Civilização Humana. Talvez, após uma hecatombe,o socialismo seja necessário. Mas, só, até a primeira “onda” de desenvolvimento.

      • Pedro Sousa 05/12/2016 / 0:30

        Não existe solução fora da democracia.

  3. Marcus Canesqui 04/12/2016 / 22:20

    Professor, pesquisarei mas acho que um ex segurança de Fidel escreveu um livro contando como ele vivia no luxo. O Sr. Já ouviu falar?

  4. JOSE ROBERTO DE LIMA MACHADO 04/12/2016 / 22:49

    Sinceramente, não acredito nesta “qualidade” da educação cubana.Pois, se assim o fosse,uma educação nos moldes ocidentais, com acesso livre a todas as fontes, o regime não resistiria tanto a uma “contra-revolução”. Talvez, uma educação centrada nas doutrinas socialistas/comunistas, culto a personalidade e ciências exatas, biológicas e sociais, básicas(Materialismo ciêntifico do Hengels, etc). A “educação/doutrinação” é “fundamental”, a partir de uma segunda geração pós-revolução, para a consolidação do regime(lavagem cerebral-eliminação da geração anterior).Deve estar sendo confundida com o “acesso”.Aí, claro, 100% deve ser doutrinada/estudar, sob pena de punição.Nesses regimes, todos se alimentam,tem moradia, saúde, educação e segurança. O problema é o valor/qualidade dessas benesses:fila para ração,uma moradia para dez famílias,etc.Não deve haver problema de “obesidade”(rsrsrs).Entretanto, enquanto era sustentada pela antiga URSS, tinha uma vida semelhante a dos países socialistas da Europa(o que não era grande coisa para o padrão ocidental).Uma Sociedade de Insetos(abelhas,formigas,…)sem o mel.

  5. JOSE ROBERTO DE LIMA MACHADO 04/12/2016 / 22:54

    O Fidel Guerrilheiro não era Comunista.

  6. JOSE ROBERTO DE LIMA MACHADO 04/12/2016 / 23:37

    Parabéns, Professor Bertone Souza, pela sua clara,concisa e objetiva explanação.Digna de um historiador cientista.Sem o “visgo” e “lente” dos ideários colorários que limita e distorce a realidade, impedindo a construção da verdadeira cultura desenvolvedora de civilizações.

  7. Rosyanne Rodrigues 05/12/2016 / 7:52

    Não tenho a mínima condição de rebater à altura os comentários diametralmente opostos colocados aqui, isso, por falta absoluta do preparo necessário.
    Mas sei que a opressão em Cuba não justifica o nivelamento por baixo que o ditador Fidel impôs.
    A pobreza e a estagnação falam por si sós.
    Por outro lado, entendo que não vivemos uma democracia no Brasil. Democracia com o abismo social que há? Liberdade, quando a maioria não tem o que comer? Liberdade? Sem saneamento básico, saúde e moradia? Liberdade? Liberdade, quando apenas algumas pouquíssimas cidades têm IDH melhor que Cuba?
    Governo militar? Quem teve alguém morto pela ditadura verde sabe o que isso significa…..
    Coloquemos os óculos. Tiremos a miopia que nos impede de enxergar o mal que os governantes têm feito ao próximo, semelhantes que são e somos em tudo.
    Com o fim da era Fidel (e não Castro, porque o irmão sobrevive), espero que Cuba se desapegue da revolução cubana, que lá atrás pode até ter cumprido o seu papel, mas o poder inebriador que tomou conta de Fidel o impediu que seguisse sua função de trazer paz e prosperidade ao povo cubano….
    Da mesma forma, espero, sinceramente, que surja no Brasil um governante comprometido e justo (será que existe?), que tenha vontade de fazer justiça social, respeitando as liberdades individuais, mas proporcionando ao povo os valores necessários e imprescindiveis a uma vida digna.
    Não tenho muita esperança, mas esse é o meu desejo.

    • Bertone Sousa 05/12/2016 / 11:24

      Rosyanne, você precisa entender melhor o conceito de democracia.

  8. lucemiro1405 05/12/2016 / 18:31

    Bertone, o seu problema é que vc é muito unilateral. A realidade é sempre mais complexa e vc não capta.

    Há em Cuba, recentemente, uma tendência a revalorizar Fulgencio Batista. Ele foi ditador, mas durante certo tempo foi progressista. Ele esteve à frente de uma revolta de sargentos, ele era de origem operária.

    E outra: ele teve apoio do partido comunista cubano durante certo tempo, que funcionou na semi-legalidade como PSP.

    En la mayor parte de este recorrido, Batista tendrá el apoyo silencioso o explícito de un impensado pero nada despreciable aliado: el antiguo Partido Comunista de Cuba (PCC). Las lamentables posiciones de los comunistas estalinistas durante todo este período, influenciados por los constantes virajes de la Internacional Comunista, trajeron graves consecuencias al movimiento obrero cubano. Durante la revolución del ‘33, mantuvieron una posición ultraizquierdista (acorde a la posición “clase contra clase” de la Komintern) negándose a hacer ninguna política de frente único con los sectores de la pequeña burguesía, politizados y movilizados. A partir de 1934, cuando la revolución y los sectores medios ya estaban en retroceso, impulsaron la política de frente popular, buscando burgueses progresistas con quienes hacer acuerdos políticos. Lo peor vino después de 1938, cuando decidieron apoyar a Batista, a quien ahora le veían rasgos “democráticos” y antifascistas. En 1939 el PCC volvió a la legalidad y cambió su nombre por el de Partido Socialista Popular (PSP). Finalmente en 1943 los comunistas ingresaron con dos ministros al gobierno de Batista, quien para entonces se había alineado con los aliados y declarado la guerra al Eje en la Segunda Guerra Mundial.

    http://www.laizquierdadiario.com/Cuba-Fulgencio-Batista-en-el-poder?id_rubrique=2653

  9. Paulo 11/12/2016 / 20:27

    Não precisamos de um general para salvar o país da crise, como desejam algumas viúvas da ditadura, também não precisamos de uma revolução aos moldes da castrista. É necessário a esquerda parar e pensar e ressignificar o socialismo, com uma roupagem democrática e com desenvolvimento econômico.

  10. JOSE ROBERTO DE LIMA MACHADO 13/12/2016 / 0:19

    Socialismo é Estado/Governo.Capitalismo é Empreendedorismo, o Estado/Governo como gestor das funções básicas e viabilizador do Cidadão habilitado a competição.Homens dono do seu próprio destino/nariz.

  11. RENATO RAFAEL 29/12/2016 / 7:19

    Bom dia profº Bertone ! Nas minhas andanças neste blog, acabei por ler esse artigo só hoje !
    Gostaria de perguntar ao senhor, o que leva, e o que há por trás desses idólatras, intelectuais que defendem Fidel, Cuba e tal regime? Obrigado !

    • Bertone Sousa 29/12/2016 / 10:03

      Renato, o pensamento de esquerda no Brasil foi em grande parte formado pelo Partido Comunista. É um pensamento hierárquico, dogmático, centralizador. Essa idolatria a Cuba e Fidel ainda carrega muito disso.

  12. Marcelo 19/01/2017 / 13:30

    Mas, professor Bertone, e Salazar, em Portugal, que governou a pequena nação lusitana, por 36 anos, com mãos de ferro, com polícia secreta e tudo, a famigerada P.ID.E., e, mesmo assim, foi eleito “A Personalidade do Século”, pela maioria esmagadora dos portugueses em 2014, nos 40 anos da Revolução dos Cravos, que libertou o país do semi-fascismo chamado salazarismo? Pelas barbas de Camões! Pois, pois!

    • Bertone Sousa 19/01/2017 / 14:56

      Marcelo, mas uma coisa não justifica outra. Muitos russos ainda consideram Stálin a maior personalidade do século. Alimentam aquela ideia de grandeza que Stálin personificava, a despeito das milhões de vítimas que seu regime fez. Alimentar o culto a um ditador porque outra sociedade faz o mesmo com outro ditador é se nivelar numa postura mental e intelectual infantil.

  13. Marcelo 19/01/2017 / 18:14

    Pois bem, Bertone, sou um severo crítico de ambos os lados do Atlântico: a ditadura castrista, à esquerda e a ditadura salazarista, à direita, cada uma pior que a outra. o povo, em certos momentos de crise e abandono, sente a necessidade ou de um “pai” ou a necessidade de um “messias” que, no caso da sociedade portuguesa, nos dias atuais, é bastante sugestivo, quando podemos evocar o mito do sebastianismo. E Salazar foi justamente esse “messias”, esse homem providencial que, após tamanha desordem, desde o Regicídio de 1908, a instauração da República e, por fim, o advento da Ditadura Militar de 28 de maio de 1928, pôs termo àquele caótico estado de coisas, na economia e na política, culminando, exatamente na nomeação de Salazar como Ministro das Finanças pela Ditadura e, finalmente sua ascensão ao poder, como Primeiro Ministro,em 1932, permanecendo como ditador todo poderoso até seu afastamento, por doença, em 1968 e sua morte, em 1970. Sei que o professor sabe da história toda, melhor que eu. Apenas gostaria que o senhor explicassse aos demais leitores as circunstâncias bizarras que levaram Salazar ao afastamento por doença, pois eu já seido caso! Quanta ironia do destino! Que azar, Salazar! Se não, ele poderia ter ficado no poder mais uns anos, até ser varrido da Península,junto com o seu cogênere espanhol, o Generalíssimo Franco!

  14. Marcelo 20/01/2017 / 9:13

    Errata: a DitaduraMilitar em Portugal, que foi um prelúdio do Estado Novo implantado por Salazar em 1932, teve seu início em 28 de maio de 1926, e não em 1928, como escrevi abaixo. Perdoe-me, professor Bertone, por fugir do tema do presente artigo. É a minha paixão pela História.

  15. Marcus Canesqui 18/05/2017 / 12:50

    O embargo dos EUA foi a maior desculpa para manutenção da pobreza e repressão para o povo cubano.

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