Ocupações estudantis: muito hormônio e falta de maturidade

20161101_100846Juventude e imaturidade costumam andar juntas. Hormônios à flor da pele, pouca experiência de vida, pouca leitura, impulso para agir, falar, vontade de contestar. Tudo isso está misturado nas ocupações estudantis que vemos por todo o país. Jovens que dizem querer lutar por uma sociedade melhor. Mas há algo mais nisso, algo muito trágico.

Como mudar o mundo e transformar ou melhorar a sociedade? A história das ciências humanas e da Filosofia tem respostas variadas para isso. É por isso que nas humanidades lemos os clássicos: para dialogar com eles, compreender seu contexto, suas inquietações – que frequentemente também são nossas -, suas respostas a problemas complexos e, a partir deles, entendermos também nossos problemas e formularmos respostas para eles.

Isso requer sobretudo muitos anos de estudo, pesquisa, leitura, reflexão conjunta. Vida intelectual e militância política não se conjugam. A militância traz consigo a ideologia, os perigos do pensamento único, da partidarização do pensamento, por isso ideologia é o lugar do não-pensamento.

O discurso da menina Ana Júlia na Assembleia Legislativa do Paraná ajudou a incendiar esses movimentos. A menina, que logo se descobriu ser filha de petista, fez um discurso ensaiado e criticou questões complexas que não compreendia, como por exemplo, a PEC do teto. Das escolas de Ensino Médio, o movimento se propagou para as universidades. O principal ponto de reivindicação desses movimentos é a PEC e o “Fora Temer”. O Fora Temer se tornou apenas a expressão de um ódio político incontido frente à impotência do petismo para reverter o impeachment. E em relação à PEC estão errados.

A PEC do teto é uma medida para conter o desequilíbrio entre os gastos do governo e a receita, relacionada à dívida de três trilhões de reais que existe hoje, a mais elevada da história. É uma medida para evitar hiperinflação, calote da dívida pública e mais desemprego, ou seja, para impedir que o país caia em um caos econômico profundo, como ocorreu nos governos Sarney e Collor, há cerca de trinta anos. A PEC não congela gastos com educação básica porque a verba para o Fundeb não estará sujeita a ela. Além disso, o Ministério da Educação já tem o maior orçamento do governo federal. O prazo de vinte anos é uma forma de dar garantia ao mercado e aos investidores de que o Brasil tem comprometimento de longo prazo com a estabilidade da economia e a responsabilidade fiscal, por isso haverá retomada do emprego e do crescimento. Mas em dez anos haverá possibilidade de revisão dela.

Isso é necessário porque a economia brasileira ainda é dependente desses investimentos. Sem uma política de responsabilidade fiscal, o governo só terá as opções de não pagar a dívida, afastando investidores, ou emitir mais papel moeda, desencadeando um processo inflacionário. Ela não é um programa social, mas uma medida econômica de contenção da despesa pública. Sem isso, os investidores retiram seus capitais e o país vai à bancarrota, com suspensão de serviços públicos, programas sociais e mais desemprego. A PEC não congela na prática, mas estabelece um teto corrigido pela inflação do ano anterior. Isso significa que uma melhora do cenário pode levar o Congresso a aprovar mais verba para a saúde, por exemplo, ou para a educação. Também vai impedir que os poderes legislativo e judiciário tenham reajustes salariais muito acima da inflação, como já é de praxe.

O que há de trágico nas ocupações estudantis, especialmente nas universidades públicas, é que manifestam uma partidarização desses espaços. Isso é resultado da derrota do PT no impeachment, da desmoralização da esquerda por ter feito má administração e da capitulação fragorosa do petismo nas eleições municipais, marcando um divórcio entre a sociedade e as lideranças ditas progressistas.

Os estudantes que participam dessas ocupações pensam estar em maio de 1968, ou em nossa ditadura militar, mas seus ideais são muito menos nobres, mais pobres e até vazios de conteúdo. Em plena democracia eles trancam a universidade impedindo que professores e alunos que divergem deles continuem a ministrar e assistir suas aulas. Foi assim que aconteceu em um dos câmpus da Universidade Federal do Tocantins, por exemplo. A partir de uma decisão unilateral e arbitrária, a universidade, que deve ser um espaço público, foi privatizada por um grupo minoritário de estudantes, com apoio de vários professores petistas, e ninguém sequer pode entrar no campus sem a permissão desse grupo. A universidade então é descaracterizada: deixa de ser um espaço público e de estudos para se tornar a casa de uma claque.

Eles dizem estar lutando por uma sociedade melhor, mas suas práticas contradizem explicitamente seu discurso. Pessoas que discordam e tentam falar a eles são silenciadas por gritos e palavras de ordem. Por outro lado, ao fechar a universidade e impedir a circulação de pessoas e as próprias aulas, não podem dizer que seu movimento é democrático. O discurso do golpe, repetido ad nauseam  no ambiente da universidade por meses instrumentalizou esses alunos para uma militância irrefletida, irresponsável  e autoritária. Com isso, pensam estar propondo outro modelo de sociedade, mas um modelo à sua imagem, o de uma geração de estudantes que não estudam, não suportam ser contrariados, são mimados e cheios de clichês ideológicos.

A maioria não leu o texto da PEC do teto (agora PEC 55), não buscou uma reflexão aprofundada sobre a questão, mas eles se tornaram ao mesmo tempo vítimas e agentes construtores de um marxismo prosaico e rasteiro a serviço de uma ideologia partidária, a partir da qual falam continuamente em empoderamento e alimentam desprezo por aulas, estudos e o diálogo. É a vontade de dirigir o mundo como se estivessem dirigindo um DCE. Sobram hormônios, falta reflexão, estudo, maturidade. Na falta de tanta coisa importante, absorver cartilha de partido se torna a atividade mais inteligente que muitos conseguem fazer. O recrudescimento desse patrulhamento ideológico está sendo extremamente nocivo a um ambiente que deveria estar voltado para a construção do conhecimento e o estudo.

As ocupações estudantis são reflexo do desespero de uma esquerda desnorteada buscando refúgio numa escalada autoritária de suas ações. Mas esse isolacionismo estudantil é contraproducente. Assim como Ana Júlia é filha de militante do PT, está claro a quem as ocupações nas universidades estão servindo em todo o país. Não é à sociedade, que alimenta a esperança de sair de uma crise aguda e desemprego alto trazidos por aqueles a quem esses estudantes apoiam. Não são os pobres, a esquerda não fala mais em seu nome. Nem são eles próprios, estudantes que, em última análise, esqueceram que se não estudam não podem falar como estudantes. Precisam assumir outra identidade.

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26 comentários sobre “Ocupações estudantis: muito hormônio e falta de maturidade

  1. Kamilla Fransozi 03/11/2016 / 22:30

    Meus parabéns professor, ótima produção.

    • Bertone Sousa 03/11/2016 / 22:41

      Obrigado, Kamilla e obrigado pelo apoio que você tem dado no fb.

  2. Wallyson Nasc. 04/11/2016 / 0:55

    Excelente texto! Parabéns

    #DesocupaUFT

  3. Carlos Seixas 04/11/2016 / 7:28

    Bom dia professor.

    A cada dia cresce meu respeito e admiração por seus textos expositivos e imparciais. Precisamos de mais educadores com essa lucidez e capacidade de leitura politica e social conforme a realidade não obscurecidos por ideologias mortas e já descontextualizadas.

    Um forte abraço,

  4. Daniela Matos 04/11/2016 / 7:31

    Ótimo texto…
    #desoculpaUFT

  5. Roberto 04/11/2016 / 8:24

    Caro Bertone,
    A história está infestada de movimentos intelectuais e, de fato, eles aquecem os movimentos sociais, mas as rupturas sempre ocorreram em situações onde “a turba se rebelou”, “as massas ficaram insanecidas”, “banqueiros quase liquidam os sistema financeiro”, movimentos espontâneos levam os politicos á reflexão”, etc, etc.

    Desculpe dizer, mas no meu ponto de vista tu estás tornando-se reacionário. Lembre-se do ditado, “não há como fazer os omeletes sem quebrar os ovos”. Se voce acha que os movimentos são inocentes e estão sendo manipulados, o que dizer da derrota do Aécio e todo o movimentos na assembléia para “fazer sangrar o PT” com o apoio da mídia que culminou com este infâme impeachment e este aprofundamento da crise que nos lembra a decada de 80 (a década perdida)

  6. Wagner Menke 04/11/2016 / 9:02

    Caro professor, peço licença pra discordar.

    O autoritarismo ao qual você se refere me parece nada mais do que uma reação a políticas baixadas de cima pra baixo sem o menor nível de diálogo com a sociedade. Entendo suas críticas e remorsos aos governos do PT, mas foram eles que acostumaram a sociedade a discutir e participar.

    Tudo começou com a MP do Ensino Médio. Nela, o governo se propõe a modificar estruturalmente as diretrizes desse ensino sem nenhuma consulta à população. Também advém como ação preparatória à aquele projeto Escola Sem Partido, que dentre seus patrocinadores estão Alexandre Frota e aquela sub-celebridade dos Revoltados On-line, dois semianalfabetos que vocalizam os interesses mais conservadores e reacionários de uma parte da sociedade que não curte esse pensamento crítico que você apregoa aqui.

    Depois veio a PEC do Teto, e junto com ela a crença religiosa dos neoliberais de que o investimento vem a partir da “confiança” do investidor. Mais uma vez, sem nenhum debate, uma vez que uma corrente de economistas acredita que essa confiança só pode vir com a demanda. E se você parar pra pensar, pra que precisamos de uma PEC pra isso? Não basta apenas o governo cumprir suas metas fiscais? Precisa mesmo amarrar o país pra daqui a vinte anos?

    Apesar de você não ver problemas no congelamento dos gastos, que seriam atualizados pela inflação, cabe lembrar que o desemprego está aumentando. Um corte de demanda tenderá a agravá-lo, e cada vez mais as pessoas vão procurar os serviços públicos, notoriamente de saúde e educação, para satisfazer suas necessidades. Mais gente entrando e menos recursos pra bancar os serviços. Uma situação de caos se mostra no horizonte.

    O terceiro aspecto, que infelizmente não posso mostrar aqui, já que o WordPress não aceita figuras, é que as despesas primárias não tiveram um salto de patamar pra cima, fazendo crer que ela é a causa de nosso problema fiscal, mas sim que o que ocorre é que a receita pública caiu. E isso eu te provo com cálculo estatístico/econométrico de análise de séries históricas. Foi a receita que caiu e não a despesa que subiu. Assim, conter a despesa é uma fórmula errada, fadada ao fracasso.

    Muita gente discute exatamente isso: como reaver a receita pública. Combate à sonegação, taxação de lucros e dividendos, etc, eram proposições que estavam na mesa de negociação até a queda da Dilma e que agora não são sequer cogitadas.

    “Ah, mas o PT esteve por 14 anos no poder e não fez nada disso!”

    Primeiro ponto: Lula sequer precisou disso, pois se aproveitou de alta de commodities. Segundo, e daí? A gente critica essa inépcia desde FHC. E essa é uma crítica ao PT também. E naturalmente, uma crítica a Temer e sua PEC ineficaz.

    Então, por mais que não goste, essa é a tática que esse povo usa pra tentar ser ouvido, pra tentar um diálogo. E isso é assim no mundo todo. Vide o Occupy nos EUA e outros movimentos da mesma linha.

    Tem gente do PT no meio? É claro que tem. Como você disse, essa é chance deles de fazer oposição e continuar no debate. Isso deslegitima as ocupações? Na minha opinião, não.

    Também me tornei professor universitário nesse semestre, e sei que muitas pessoas que ali estão, provenientes de baixos estratos sociais e que, se tivéssemos tido 14 anos de governo do PMDB, nunca estariam na universidade pública, estão apenas lutando pra manter o pouco que lhes foi concedido nesses anos.

    Eles são apenas o reflexo de um – agora sim – um governo autoritário, que não dialoga e faz política de gabinete – e visto como ilegítimo, uma vez que o resto do mundo já reconheceu a farsa que foi o impeachment sem crime (que logo na mesma semana da troca de governo o Congresso legalizou a pedalada).

    Nós perdemos com esse impeachment. Apenas banqueiros, o setor mais financista da Fiesp e uns poucos oligarcas, que vivem de política clientelista, ganharam, juntamente com os grandes conglomerados de mídia, que levaram as pessoas ingênuas pra rua para participarem de uma farsa. Esse último ganhou dinheiro na forma de publicidade oficial em valores escabrosos, em plena suposta crise de despesas (ninguém entende como a publicidade oficial aumentou em 2000% só na Revista Caras…). Consegue explicar isso?

    Por essas e outras, espero que as ocupações aumentem.

    Grande abraço.

    • Bertone Sousa 04/11/2016 / 12:12

      Wagner, a reforma do ensino médio era proposta de governo de Dilma, também seria imposta sem qualquer diálogo. Dilma também cortou bilhões da educação e seu ajuste fiscal baseado em aumento de impostos foi um desastre. Veja meus textos anteriores sobre o PT. Quanto aos gastos do governo com mídia e até a falta de diálogo, não é demais lembrar que Temer é o vice do PT, que gastava fortunas com propaganda e sites chapa-branca. Temer foi trazido ao governo por Lula, chefe do petrolão. Acorda.

      • Flavio Victor 04/11/2016 / 20:02

        Saudações, querido professor Bertone.

        Antes de mais nada, gostaria de deixar minhas congratulações ao trabalho que o senhor vem realizando. É uma honra ter a oportunidade de ler os seus textos, textos estes que já adicionaram muita coisa a minha erudição.

        Com a devida vênia, permita-me discordar de seu discernimento.

        Com o intuito de deixar o comentário o mais prazeroso possível, vou organizá-lo em blocos. Vamos lá.

        *”a reforma do ensino médio era proposta de governo de Dilma, também seria imposta sem qualquer diálogo”*

        Desde 2013, tramita no Congresso o Projeto de Lei 6840 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional para instituir a jornada de tempo integral, no ensino médio, dispor sobre a organização dos currículos do ensino médio em áreas do conhecimento e dá outras providências. Esse projeto já foi amplamente discutido e inclusive já pode ir ao plenário. O desígnio do ministro Mendonça Filho ao propelir uma Medida Provisória é deixar sua marca nesse governo, presumivelmente com interesses no pleito de 2018.

        *”Dilma também cortou bilhões da educação e seu ajuste fiscal baseado em aumento de impostos foi um desastre.”*

        Exatamente! A equipe econômica de Dilma, sob o comando de Joaquim Levy, promoveu o maior corte de orçamento da história! E o que aconteceu? Mais rombo. Dilma pediu um orçamento de R$ 90 bilhões negativos, mas o Congresso não aceitou. O novo governo solicitou um déficit de R$ 170 bilhões, com mais cortes, aumentos de salários para os amigos etc. E aceitaram de cara.
        As políticas de austeridade estão em descrédito no mundo e acarretando revoltas populares.

        https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion

        https://rccs.revues.org/5569

        http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/milhares-de-pessoas-protestam-em-londres-contra-a-austeridade-20150620170503732868.html

        *”Quanto aos gastos do governo com mídia e até a falta de diálogo, não é demais lembrar que Temer é o vice do PT, que gastava fortunas com propaganda e sites chapa-branca.”*

        Concordo. Consigo penejar um livro de 200 páginas sobre os erros do PT. Convém que não é fazendo coisas piores que chegaremos à melhor solução. Como o amigo Wagner ponderou, não foram as despesas que aumentaram, mas sim as arrecadações que minguaram. O correto a se fazer, como esperamos há anos, é uma reforma tributária. O nosso atual modelo tributário é “altamente regressivo, economicamente irracional e socialmente injusto”, nas palavras do Conselho Federal de Economia (contrário à proposta de congelamento dos gastos públicos). O Wagner já elucidou essa questão, o que torna prescindível reiterá-las aqui.

        Sucesso, professor Bertone!

      • Bertone Sousa 05/11/2016 / 17:58

        Favio, você e o Wagner não leram ou pesquisaram direito sobre a PEC. Veja lá, por exemplo, a explicação de como as despesas aumentaram, além da queda na arrecadação. É isso que torna a PEC uma medida necessária. O substitutivo do texto aprovado na Câmara também contém a explicação disso. Expliquei no texto porque uma política de controle nesse momento é necessária para o país voltar a crescer. Leia meu texto. Ele não é uma defesa do governo Temer, mas uma exposição didática dessa questão. Você e o Wagner também não sabem que em 2014 Lula pediu a Dilma para que ela nomeasse Henrique Meirelles como Ministro da Fazenda. E sabemos que Dilma não o fez.
        Isso significa que se Meirelles, que foi o homem de confiança do próprio Lula em seu governo, tivesse assumido a pasta ainda em 2014, um plano de teto de gastos teria sido proposto e efetivado. Isso poderia inclusive ter salvo o próprio governo Dilma, que degringolou para um aumento descontrolado de impostos, aprofundando a recessão e o desemprego. Temer tem cometido erros, mas a nomeação de Meirelles para a Fazenda foi talvez o maior acerto dele. A PEC é uma medida amarga, não é uma maravilha, mas é a medida amarga menos amarga para conter a crise nesse momento. As principais alternativas a ela são aumento de impostos e emissão de dinheiro, duas medidas que já foram adotadas e são ineficazes para manter os investimentos e fazer a economia andar.

    • Juracy 04/11/2016 / 16:45

      Caro Prof. Bertone, tb sou professor da UFT/Araguaína, mas de Física. Gostaria, se possível, que respondesse a parte em que o Wagner fala das despesas primárias e da arrecadação.
      Voltando ao tema da Dívida Pública (DP), pelo que notei, a DP do Brasil é em torno de 70% do PIB, e a nossa arrecadação em 2015 foi de 32,7%, i.e., a nossa DP é mais que o dobro da arrecadação. Vejamos a DP de alguns países:
      Japão, 229,2%
      EUA, 104,17%
      França, 98,2%
      Alemanha, 79,9%

      Se compararmos com esses países, não estamos tão mal. Porém, os juros da nossa DP são os maiores do mundo, isso que realmente preocupa.
      A auditora Maria Lucia Fattorelli, especialista em dívida pública, foi uma das auditoras da DP do Equador em 2007, onde encontraram diversos contratos irregulares, diminuindo a DP daquele país em 70%. Ela afirma que a nossa DP (que vem do período da ditadura) tem sérios indícios de irregularidades.
      Mais de 90% da nossa é DP é para bancos (brasileiros e estrangeiros), sendo que os 28 maiores bancos do mundo possuem ativos que somam 50.3 trilhões de dólares. A seguir vai o PIB (em trilhões de dólares, segundo o FMI) de alguns países: EUA (18,5), União Europeia (16,5), China (11,4), Brasil (1,8). Ou seja, os ativos dos 28 maiores bancos do mundo são maiores que o PIB somado desses 4 países citados.
      Ao meu ver, os nossos políticos, e meios de comunicação, não têm interesse em uma auditoria da nossa DP por causa do gigantesco poder desses bancos. Nessa conjuntura, quem vai pagar essa dívida será a classe média baixa, e não esses políticos irresponsáveis.
      Prof. Bertone, não seria interessante o povo exigir uma auditoria da nossa dívida pública? Nos moldes da auditorai do Equador?

      • Bertone Sousa 04/11/2016 / 19:58

        Juracy, isso até foi proposto no governo Dilma pelo PSOL. Mas ela barrou. Não acredito que isso seja feito a curto prazo.

      • Juracy 05/11/2016 / 11:12

        Prof. Bertone, todos os partidos (PT, PSDB, PMDB, etc) tem o rabo preso com esses bancos. A minha sugestão é que todos nos lutemos pela auditoria dessa dívida. Se o povo exigir arduamente tenho certeza que eles vão ceder. As manifestações precisam ter foco, e ao meu ver focar na auditoria da dívida pública é o caminho.

      • Andre Betrel 11/11/2016 / 11:30

        O problema é que auditoria da DP é considerado calote pelos mercados. Se o Brasil fizer isso, o índice de confiança de investimento daqui cairá drasticamente.

  7. Alan Crispim 04/11/2016 / 10:47

    Bom dia, Bertone.

    Há cerca de 3 meses descobri o seu blog e o considero o meu maior achado no que se refere a site/blog deste ano.

    Como sempre, mais uma bela análise do que está ocorrendo em nossa sociedade. A única coisa que me incomodou e que gostaria que o senhor me explicasse o porquê dessa opinião é a de dizer que “tais estudantes desse movimento não estudam”. Com base em que você diz isso? Não estaria generalizando as pessoas que lá estão?

  8. Marcus Caneschi 04/11/2016 / 10:49

    Adorei o texto e concordo que essa juventude mal sabe interpretar um texto no ensino médio, muito menos discernir sobre o que ocorre. Mas temos que concordar que a reforma do ensino médio imposta através de MP, foi uma decisão errada, ainda dizem que foi “amplamente discutida” por quem? Por educadores de gabinete? Que nunca entraram em uma sala de aula? Outra situação que me incomoda, é que essa proposta do teto vai afetar muito mais os pobres do que as elites, como sempre, o rateio será desigual. Vocês acham que o judiciário deixará de receber aumentos estrondosos? Não. Os funcionários de setores periféricos do funcionalismo público, esses sim, não terão aumento, como o caso dos funcionários da educação aqui em São Paulo que estão a três anos sem correção da inflação e defasagem de 125% em 18 anos, enfim, preparem-se.

  9. Danilo 04/11/2016 / 11:20

    Professor, o senhor trata essa PEC como unica alternativa, mesmo sabendo que existe outras maneiras de arrecadação, como a taxação das grandes fortunas, uma reforma tributária e até mesmo diminuição das regalias dos políticos. E quanto aos estudos do IPEA? já deu uma olhada? não vai haver congelamento mesmo? educação e saúde estarão protegidas? ou o IPEA está agindo ideologicamente?

  10. Francisco Sousa 04/11/2016 / 11:27

    Nossa!!! Como você tem fans, cara. Quanto a PEC do teto, você apenas repete o que o governo afirma. De qualquer modo, vamos ver se a taxa de desemprego diminui.

  11. Wagner Rabêlo 04/11/2016 / 11:48

    Parabéns Bertone, excelente texto. Está mais do que na hora de colocar esses mimadinhos autoritários em seus respectivos lugares. Vamos trazer de volta o estudo sério para dentro das universidades. Abraço.

    • Bertone Sousa 04/11/2016 / 15:18

      É uma tarefa árdua nesse momento, Wagner. Mas a crítica precisa ser feita às ações policialescas desses grupos.

  12. JOSÉ ROBERTO DE LIMA MACHADO 04/11/2016 / 11:52

    Muito Bom!…PARABÉNS!…objetivo,fundamentado e claro.Pôs nu o real protagonista dessa agressão ao “Estado de Direito/Democracia”.As “máscaras” estão caindo o tempo todo.

  13. Edson Silva 04/11/2016 / 12:18

    Só ingênuos acreditam em política. Como não sou um deles, e não acredito em Deus, mula sem cabeça, fada madrinha e cegonha, como poderia acreditar em política sendo que a mesma é feita por essa espécie deturpada, cruel, egoísta e que se intitula homo sapiens sapiens? Só pode ser piada…

    • JOSÉ ROBERTO DE LIMA MACHADO 05/11/2016 / 13:10

      A Política é fundamental na espécie humana.Talvez, o grande diferencial.Não haveria a civilização, sem a mesma. O problema está nos “eleitores” que se deixam enganar/corromper. Será, que já não está na hora de aperfeiçoarmos o processo(UPGRADE). Uma “habilitação” para eleitor(CURSO DE CIDADANIA).A responsabilidade da “escolha” dos nossos líderes precisa ser “valorizada”.É uma questão de vida ou morte de uma Nação.Pior ainda, da sua “qualidade” de vida e construção/evolução de um povo.

  14. JOSÉ ROBERTO DE LIMA MACHADO 05/11/2016 / 21:51

    Por que não nos unimos, principalmente a Classe Média, verdadeira espinha dorsal de um país, deixamos de lado esse negócio de “esquerda” e “direita”, que a muito não faz mais sentido, e lutamos para o fim desse “modelo” de política. Podemos começar apoiando os jovens da “Lava a Jato”.Poucos países tiveram tamanha oportunidade. Não sejamos tão vaidosos a ponto de impedir uma “verdadeira” autocrítica. O Cidadão construindo o Estado a sua semelhança e necessidade.E não o inverso. Acredito que tudo começa por esse conceito.Chega de “Grandes Líderes,Salvadores, Jararacas e etc”.O “Culto a Personalidade” é coisa de inseguros e incapazes, que só resultou em regimes/governos totalitários.

  15. Marcus Caneschi 20/11/2016 / 13:17

    Olá professor. temos que fazer alguma em relação a lei da terceirização. Se essa aberração for aprovada regrediremos 100 anos de conquistas trabalhistas conseguidas com muito esforço. Todos sabem que os terceirizados são um dos elos mais fracos da corrente trabalhista, pois trabalham mais e ganham menos que na média de outros seguimentos. Essa conversa mole de diminuição de custos e aumento da competitividade e redução de preços de produtos, é pura mentira. Como sempre eles aumentarão seus lucros a custa da retirada de direitos dos trabalhadores. Como diria Chomsky, a CNI está tentando tirar sua parte do fardo de suas costas e repassar para o trabalhador. E quem é o pato nessa história?

  16. SEP Palmeiras 14/12/2016 / 9:10

    O crescimento e o envelhecimento populacional vão gerar uma pressão tão grande no orçamento que duvido que esse novo regime fiscal dure 20 anos. 20 anos de crescimento real zero nos investimentos públicos para uma população cada vez mais velha e maior. Não há nenhuma chance do novo regime fiscal durar todo esse tempo.

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