Escola sem partido

escola-3O estado de Alagoas foi o primeiro do país em que uma Assembleia Legislativa aprovou um projeto de lei que pune professores que opinarem em sala de aula sobre questões políticas, culturais, econômicas[1]. A lei é inspirada no projeto escola sem partido, que tramita no Congresso, de autoria do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF). Já houve debates no Congresso sobre isso e os autores do projeto já foram recebidos no Ministério da Educação do governo Temer. O que isso significa para a educação e para o país?

O projeto Escola sem Partido tem seis princípios. Vou elencar os principais: (a) Eles dizem que o professor não deverá promover suas preferências políticas, morais e ideológicas em sala de aula; (b) o professor não poderá fazer propaganda político-partidária, nem incitar os alunos a participarem de manifestações, passeatas e atos públicos; (c) em questões que envolvam teorias políticas e econômicas, o professor deverá apresentar as principais versões e teorias com a mesma profundidade.

Vamos analisar rapidamente esses princípios. Todos eles falam de “deveres” do professor. Os autores do projeto alegam que a Constituição não dá ao professor a liberdade de expressão, que os docentes devem se ater ao conteúdo de suas disciplinas, sem promover doutrinação nem valores morais, políticos e ideológicos que se choquem com os valores familiares dos estudantes. É nesse ponto que eles fundamentam o item “a”.

Mas há um erro nessa interpretação que eles fazem da Constituição, porque, além do artigo 5º da Constituição Federal garantir a liberdade de expressão, o artigo 206 garante a liberdade de ensino. Segundo o site Consultor jurídico[2], a interpretação que os autores do projeto fazem da lei está errada, pois nem o artigo 5 nem o artigo 206 podem ser evocados para proibir o professor de discutir algum tema em sala de aula; pelo contrário, o que esses artigos deixam claro é que a liberdade de ensino não anula a liberdade de expressão do professor. O link para esta matéria está no final desse artigo e o leitor pode conferir lá, a partir da fala de alguns juristas, que não há fundamentação jurídica para o que propõe o projeto Escola sem Partido. Como diz na matéria o jurista Lenio Streck: “Isso é tentar controlar os professores por intermédio da criminalização do pensamento”.

Aqui está demonstrada a inconstitucionalidade do projeto. Isso significa que os professores de Alagoas e de qualquer outro lugar onde esse projeto for aprovado, podem entrar com uma ação contra essa lei. Uma lei estadual não pode se sobrepor à Constituição Federal. É preciso, portanto, que os professores estejam atentos a isso e não se deixem intimidar por essa iniciativa.

Esse projeto pretende impor que o professor seja neutro em sala de aula e não faça doutrinação. Mas doutrinação é um conceito tão elástico que não cabe dentro de uma definição específica, principalmente nesse caso. Vejamos um exemplo: um professor de história que esteja discutindo o conteúdo do período entre guerras vai falar sobre a ascensão do fascismo e do nazismo. Ele vai situar historicamente essas ideologias e vai explicar para os alunos que eram ideologia de extrema direita. Então um deles pode levantar a mão e dizer que seu pai ensinou em casa que o nazismo e o fascismo eram de esquerda. Se o professor insistir em explicar para esse aluno o que era extrema direita, no outro dia os pais dele estarão na escola exigindo sua demissão por tentativa de doutrinação.

Tomemos outro exemplo: um professor de história está falando sobre o Brasil contemporâneo e chega no governo Lula. Ele então vai abordar sobre os programas sociais e a redução da pobreza. Um aluno levanta a mão e diz que esses programas sociais eram só esmolas para sustentar gente que não quer trabalhar e reeleger o governo. O professor responde dizendo que não é bem assim, que essas políticas sociais são de caráter socialdemocrata, políticas de redistribuição direta de renda. Ela então problematiza ou revisa o que é socialdemocracia e como o Bolsa Família, por exemplo, se relaciona com isso. Explica para o aluno os critérios do programa, que os filhos de beneficiários têm que estar matriculados em uma escola e que os objetivos não se limitam apenas a questões eleitoreiras. Ele pode até argumentar como essas políticas depois ficaram comprometidas por causa dos escândalos de corrupção e tenta mostrar para o aluno como é importante analisar essas questões separadamente. Ao chegar em casa, o aluno conta para seus pais que no outro dia vão pedir a cabeça do professor por doutrinação.

Recentemente, foi amplamente noticiado o caso de uma professora que foi obrigada a alterar a nota de uma aluna numa prova[3]. Ela elaborou a questão com um enunciado sobre a globalização e pediu para os alunos argumentarem por que o capitalismo fundamenta a lógica imoral da exclusão. Uma aluna respondeu que não concorda que o capitalismo fundamente a exclusão porque dá oportunidade a todos; disse ainda que o capitalismo não gera pobreza, pois quem faz isso é o comunismo, etc. A professora anulou a resposta e, após reclamação da mãe na escola, foi obrigada a considerá-la correta.

O caso dessa aluna evidenciou que ela não compreendeu o caráter sociológico da questão. Ao falar de exclusão, ela não evocava um juízo de valor, mas uma questão histórica, social. O ato de chamar a exclusão de “imoral” poderia ser pautado na própria Constituição ou na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, promulgada pela ONU, que afirma os direitos de todo ser humano à propriedade, a não ser submetido à escravidão, nem a tratamentos desumanos e degradantes, entre outros direitos. Além disso, o enunciado não estabelecia nenhuma comparação com o comunismo ou socialismo. A aluna associou a questão com o que ouve nas conversas em casa e isso produziu nela um problema cognitivo de confusão entre a análise de um fenômeno e a defesa de uma ideologia. A atitude ideológica aqui veio da parte da mãe, que se arrogou o direito de interferir no trabalho da professora, demonstrando que o problema cognitivo da filha veio de casa.

Aí está o grande perigo do projeto escola sem partido: ele instaura o terror no ambiente escolar, fragiliza ainda mais o professor através da vigilância e da intimidação. Qualquer aluno poderá apontar o dedo na face de um professor e dizer que ele será demitido se disser tal ou tal coisa, se ensinar determinado assunto de determinada forma. Trocando em miúdos: o professor perde inteiramente a autonomia didática e metodológica e fica submetido à ditadura de uma lei.

Na página desse projeto no facebook há vários relatos de pessoas que alegam se sentir lesadas por coisas que professores dizem e fazem em sala de aula. Em geral ou quase sempre eles denunciam o que chamam de “doutrinação marxista”: a bibliografia usada numa disciplina, os posicionamentos do professor sobre acontecimentos políticos, as críticas a determinados valores, etc. A partir de casos isolados de estudantes que se sentem prejudicados, inclusive universitários, cria-se um projeto de lei para impor a censura nos estabelecimentos de ensino. Às vezes, são casos de estudantes que não querem ler Marx porque não gostam dele, ou um cristão que odeia Nietzsche e vai usar esse mecanismo para intimidar um professor. Essa lei abre precedente para uma “caça às bruxas” com enes possibilidades.

Nos itens “b” e “c” dos princípios elencados acima, vemos também a inconstitucionalidade do que é proposto. Nenhum docente pode ser coagido a não convidar alunos para manifestações públicas. E sobre o ensino das várias vertentes de pensamento na área econômica, política e social, os livros didáticos já trazem esse conteúdo que deve ser abordado em sala de aula. É claro que compete ao professor abordar as vertentes de pensamento e seus princípios, mas também não pode ser coagido a não problematizar conteúdos. Por exemplo: sabemos que no século XIX o liberalismo, o anarquismo, conservadorismo e socialismo foram ideologias que ganharam força e tiveram fortes repercussões sobre os acontecimentos daquele contexto e do século XX. Se, após abordar essas vertentes de pensamento, um professor argumentar que o conservadorismo está na base do racismo científico, por exemplo, pode ser considerado um doutrinador. Em relação a assuntos como propaganda partidária, ideológica, cabe o bom senso e o diálogo, principalmente entre gestores e professores.

Não há critérios, não há limites para o que possa ser usado contra um professor para acusá-lo de doutrinação. Escola sem Partido é claramente um projeto político de direita, uma direita inculta, autoritária. É um projeto de coerção, de censura, antidemocrático, antiliberal. Há vários projetos de lei tramitando no país para proibir o ensino de evolução nas escolas, o ensino de questões de gênero e para tornar obrigatória a realização de orações antes das aulas. Escola sem Partido apenas se encaixa nesse conjunto de ações conservadoras que objetivam instituir um controle rígido e autoritário do ambiente escolar.

O mais importante a ser destacado: é um projeto elaborado por pessoas que não têm vínculo com educação, não têm formação como educadores, não são professores e ao mesmo tempo querem determinar os limites do que o professor deve dizer em sala de aula. Seus autores não compreendem nada sobre teorias de currículo, sobre teorias da linguagem, nada de sociologia e filosofia da educação. É um projeto de gente que fala em nazismo de esquerda, ideologia de gênero e comunismo petista; um projeto de quem quer levar a incultura dos youtubes de gurus de direita e guias politicamente incorretos para a escola através de censura.

Notas

[1]http://educacaointegral.org.br/noticias/alagoas-proibe-professor-opinar-nas-aulas-projeto-similar-tramita-no-congresso/

[2]http://www.conjur.com.br/2016-jun-23/proibir-professor-abordar-temas-sala-contraria-constituicao

[3]http://extra.globo.com/noticias/viral/menina-defende-capitalismo-em-questao-de-prova-leva-nota-zero-mae-questiona-escola-sem-partido-19380565.html

Leia também: 

Existe doutrinação ideológica nas escolas? 

Marxismo cultural ou a burrice ideológica de direita

Para quem é a história?

Anúncios

31 comentários sobre “Escola sem partido

  1. Alan 11/07/2016 / 22:54

    Uma estupidez sem tamanho. Bobagem pura. Favor me tirar desse mailing

    Enviado do meu Samsung Mobile da Claro

  2. WAGNER MENKE 11/07/2016 / 23:29

    A Lei vai proteger meus filhos da doutrinação cristã?!?!

    Parabéns meu caro, mais um excelente texto!

    • Bertone Sousa 11/07/2016 / 23:49

      Receio que para esse tipo de doutrinação ela não funcione, Wagner. Abraços.

    • Denilton Sant 11/10/2016 / 20:37

      Rapaz, pensei o mesmo, mas a leis afirma que a moral é inseparável da religião. Aposto que há mais doutrinação cristã que socialista.

  3. Roberto 12/07/2016 / 8:38

    pois é Professor, a lei procura falar sobre os limites. Agora imaginemos que, com o objetivo de disciplinar a lei, os congressistas cheguem a conclusão que é necessário penas rigidas para disciplinar o pensamento. Sabemos que no limite a expressão do pensamente só pode ser sufocado pela morte ou isolamento completo em masmorra. Consequentemente o autoritarismo pode chegar a conclusão que é necessario a pena de morte para proteger a sociedade destas ideiais. Aprovada a pena de morte, outro vai dizer que, aproveitando a flexibilização deste conceito chamado vida, o modo da pena tambem pode ser flexibilizado. O que seria o tcham em termos de pena de morte, disciplinadora e educadora? Queimar vivo em praça pública (ou então televisionado pois bilhões de pessoas gostariam de ter acesso ao “espetáculo”.
    Moral da estória: Pelo bem “moral” da sociedade, ser queimado vivo em público é a consequencia de uma lei que pretende controlar o pensamento. Puxa, a igraja então estava bem intencionada ao promover a “Santa Inquisição” !!!

  4. Magali 12/07/2016 / 11:40

    Oi Bertone tudo bem?

    Sua afirmação abaixo demonstra uma “opinião pessoal”… cuidado amigo, que logo terá um processo nas costas de um aluno incapaz de interpretar artigo por completo.

    Você já está vendendo a idéia que uma escola sem partido é claramente um projeto político de direita, uma direita inculta, autoritária. É um projeto de coerção, de censura, antidemocrático, antiliberal. kkkkkk

    Abraços

    Magali Parreira

  5. Carolina Vellozo Padilha 15/07/2016 / 22:49

    Fazem alguns anos que já acompanho a Escola Sem Partido e alguns de seus seguidores, uma teia que interliga Olavo de Carvalho, grupos de homeschooling brasileiros, cristãos ortodoxos, e outros do gênero. O movimento é sim ultraconservador, ultradireitista…

    Mas tenho algumas colocações a fazer sobre o tema.

    O movimento ESP vem a tempo preparando seu território através da cultura do medo colocando os “pais” contra “professores de esquerda”. A anos assisti um vídeo onde esses colocam várias questões, verdadeiras e não, onde muitos pais ficaram aterrorizados. A maioria das pessoas não possuem nossa visão de profissionais de educação, e se “deixam levar”, pois acreditam fielmente que protegerão seus filhos de influencias, principalmente ditas “anticristãs”.

    A “esquerda” tem sim uma relativa culpa nesse.
    Muitos de nós professores defendemos a democracia, a liberdade, mas não conseguimos enxergar algumas das nossas próprias contradições intelectuais. Um exemplo simples: ainda existem sim professores de História em todos os níveis de formação (fundamental até a graduação) que defendem a ferro e fogo as revoluções comunistas do século XX. Comparando o seu blog com outros professores universitários, fica bem claro que alguns continuam a enaltecer o PT, sem conseguir ao menos perceber que esse também tem culpa na construção da atual configuração politica nacional.

    Já no “chão” de sala de escola, percebo que alguma coisa não vai bem: alunos semi analfabetos, professores mau formados, professores desrespeitados, entre outros problemas. O movimento ESP sabe se aproveitar desses para indicar que a origem dos mesmos está ligada apenas a políticas de educação nacional, que ao meu ver, também tem certa culpa (certa, nunca exclusiva!)

    Tem mais uma questão : acho que não estamos sabendo lidar bem com essa “ameaça”. O movimento ESP não fica restrito ao “mundo intelectual”. E o movimento contra a ESP? São debates universitários, explicações de professores da área, mas como fazer com que isso alcance o entendimento de pessoas “comuns”?

    Professora Carolina

    • Bertone Sousa 16/07/2016 / 0:24

      Oi Carolina,

      muito pertinente sua contribuição. Esse é um assunto que realmente precisa ser discutido fora dos muros da universidade, precisa chegar à educação básica, num diálogo com gestores e estudantes, embora não da forma como propõe o ESP – que, aliás, não propõe diálogo algum. E, de fato, uma parte significativa dos professores de esquerda também continuam vinculados a pensamentos e a uma militância fora de tempo, algo que tenho criticado bastante aqui, e isso impede um debate mais qualificado. Além dos problemas citados por você, penso que a maior dificuldade para isso chegar a outras pessoas, incluindo pais de alunos, seja o fato de a polarização ideológica ter alcançado um nível altíssimo nos últimos anos, principalmente porque dos dois lados estão pessoas que ainda falam e acreditam em comunismo, ou que não conseguem pensar fora de questões partidárias. O grupo “historiadores pela democracia”, por exemplo, que defende aguerridamente o PT e a tese do golpe contra Dilma, conta com historiadores renomados e inspiram muitos professores pelo país a fazer uma militância política sem uma reflexão mais aprofundada de algumas questões.

  6. Lúcio Júnior Espírito Santo 28/07/2016 / 14:34

    Carolina e Bertone: eu defendo as revoluções comunistas, mas tb dou textos de Pondé e dou voz aos conservadores. Embora eu defenda Pol Pot, já deixei falar em minha sala um conservador defensor da intervenção militar e anti-gay.

    • Satangoss Espacial 04/08/2016 / 14:02

      Se você defende Pol Pot então você deveria procurar um psicólogo antes de procurar a vida de licenciatura.

    • Carolina Vellozo Padilha 04/08/2016 / 14:25

      Olá Lucio…

      Quando coloco a defessa como “ferro e fogo” me refiro aqueles que tendenciam a buscar amenizar as consequências negativas desses processos.

      Eu, particularmente, não vejo com bons olhos quaisquer forma de governo autoritário (desculpe se estou sendo ingênua ou até mesmo desinformada).

      Mas não entenda que sou conservadora, e acho que nem usaria textos conservadores em minhas aulas nesse momento, devido a imaturidade de meus alunos (como por exemplo os de Luiz Felipe Pondé). Logicamente que em sala de aula ao trabalhar, por exemplo a Revolução Russa, busco relaciona-la ao cotidiano dos “trabalhadores” russos e a participação “positiva” desses no processo, enfatizando que esses queriam e precisaram da “mudança”. Sobre esse tema gosto de trabalhar em sala um dos textos de Jacob Gorender, em seu livro Perestroika onde ele apresenta pontos sobre o socialismo russo e fim do mesmo.

      • Miguel Oliver 23/08/2016 / 16:43

        Ou seja professora, ao invés de mostrar os resultados, você mostra a boa fé? Diga-me, qual é a lição que seus alunos aprendem? E ao não mostrar o outro lado “no caso conservador”, não é exatamente isso a doutrinação ideológica?

  7. astrofilo1 31/07/2016 / 23:42

    Bertone, a respeito deste tema: qual é sua opinião sobre a obra “O Ópio dos Intelectuais” (Raymond Aron)? A obra esta sendo relançada no Brasil.

    • Bertone Sousa 31/07/2016 / 23:57

      Astrofilo, comprei recentemente essa nova edição da editora três estrelas. É uma análise importante e que permanece atual em vários aspectos.

  8. ferrão 03/08/2016 / 3:46

    Olá professor Bertone.

    Sou professor de História do Ensino Fundamental aqui em Santa Catarina. O PT, PC do B, PSTU e outros os partidos de esquerda são odiados por aqui (basta consultar no site do Tribunal Eleitoral e ver as últimas votações desses partidos).

    Com base nisso, gostaria de saber o que é certo ensinar aos alunos com relação aos regimes comunistas? Olavo de Carvalho não tem razão em dizer que ele matou mais de 100 milhões de pessoas?

    Gostaria de lembrar que não tenho preferência política por partido algum nem ideologia, tampouco…

    • Bertone Sousa 03/08/2016 / 12:00

      Ferrão, o Olavo não conta, é um desescolarizado e limítrofe. Sobre o comunismo, veja meus textos aqui sobre o assunto no tema socialismo/comunismo.

    • Carolina Vellozo Padilha 04/08/2016 / 15:39

      Desculpe me “entrometer” na conversa. Mas me chamou atenção pelo fato de sermos professores em Santa Catarina.

      Quando vejo o professor perguntar o que é “certo ensinar”, eu entendo que o “certo” é partirmos do conhecimento científico acumulado pela pesquisa histórica, que vão desde as atuais interpretações sobre o processo e os clássicos de uma determinada época. Ontem mesmo assisti ao um vídeo bem interessante que enfatiza um pouco sobre a “educação histórica”. Veja o link: https://www.youtube.com/watch?v=hHgD0y8PqhA

      Olavo de Carvalho não é base para nada. Ele apodera-se de “fatos” até mesmo “verídicos” e justifica sua ideia. De forma alguma ele faz um trabalho “sério”.

      Sobre o trabalho com o comunismo, abordo esses temas no fim do 8o ano e durante o 9o ano.

      Tento primeiro trabalhar com a realidade econômica atual, baseada no capitalismo. Depois trabalho o conceito de capitalismo e um pouco de sua historicidade. Bem visto isso, pergunto: e se fosse diferente? alguém pensou em ideias diferenciadas do capitalismo? Dou início ao pensar o socialismo/comunismo a partir dos ideais marxistas, enfatizando que essas são ideologias construídas num determinado contexto histórico. Já no 9o ano, sempre destaco que os movimentos comunistas eram “baseados” nos ideais marxistas e que cada um se apropriou desses e, devido a características próprias, desenvolveram sociedades e ideais de viver baseadas no comunismo.

      Entendo que o aluno deve construir sua “consciência histórica”, onde ele seja capaz refletir que as ideologias partidárias são nada mais nada menos que permanências dessas formas de pensar a realidade, e de transformar ou não essa realidade, além de é claro, defender interesses de determinadas classes sociais. Sendo assim, uns são “comunistas”, outros “capitalistas”, e sendo “filhos” de sua época, formam duas próprias ideologias.

      • ferrão 31/01/2017 / 18:24

        Professora Carolina.

        Mas é isso mesmo que eu procuro passar aos meus alunos. Apresento os temas, Capitalismo e Socialismo (e suas mais variadas vertentes) e deixo aos alunos opinarem e eles mesmos desenvolverem as suas idéias…

        Quando você diz “consciência histórica” é aí onde eu queria chegar, pois apresentando as características de cada pensamento, deixo aos alunos seguirem as suas consciências.

  9. Satangoss Espacial 04/08/2016 / 13:54

    Inventei um método excelente de ganhar tempo: sempre verifico a opinião do Astrólogo e foragido de hospício Olavo de Carvalho sobre qualquer assunto. Se ele é a favor, eu sou automaticamente contra porque sei que é merda. Foi assim nesse caso, onde é possível encontrar hangouts no Youtube onde aquele arremedo de jornalista e filósofo de porta-de-banheiro “debate” sobre o Escola sem Partido com os mentores da iniciativa. Nada que venha desse antro de reacionarismo pode prestar.

  10. Sérgio Rodrigues 12/08/2016 / 16:18

    Escola sem Partido, no sentido Kentiano, seria o império da burrice e dos burros no Brasil!…

  11. Marcio LG 23/08/2016 / 17:56

    Oi Bertone. Trabalho em uma editora que concorre nos editais do PNLD do MEC. A doutrinação – via Base Nacional Comum Curricular – é escancarada. E se não nos adequarmos ao que é pedido nos editais, estamos fora! Estudei em universidade pública e sempre recebi apenas uma orientação ideológica (nitidamente esquerdista), por mim mesmo fui descobrir que o mundo era bem diferente daquilo. E tenho amigos professores de História que acham que está havendo, sim, um golpe no país.
    Sou contra censura, mas acho que o debate está interessante.

  12. Marcelo 20/01/2017 / 14:23

    Professor, uma prima minha que veio me visitar hoje pela manhã é portuguesa de nascimento, vinte anos mais velha que eu. Veja só que tamanha coincidência. Todos reunidos aqui, esposa, filhos, avôs, sobrinhos, todos juntos para recepcionar a parente que veio de Braga, Portugal. Pois bem, após o café, convidei-a para ir ao meu quarto para mostrar a minha pequena biblioteca e as obras completas de Eça de Queiroz. E qual não foi a minha surpresa quando ela respondeu que não costuma entrar no quarto de nenhum “cavalheiro” sozinha, desacompanhada. Todos riram. Bom, não me importei. Respetei o modo de pensar dela, pois sou casado e ela, solteira. Chamei todo mundo para nos acompanhar. Veja que besteira. Enfim, um desses choques culturais. Lá, depois de uns trinta minutos de animada conversa, fui mostrar o meu PC a ela. Ela sentou-se e abriu o seu blog de História. Percorreu-o todo, pois ela também gosta de História. De repente, ela depara com o seu texto sobre a morte de Fidel Castro e o lê com atenção e interesse. E eu explico quem é o senhor e tudo o mais. Ela fica impressionada com a cultura histórica do professor Bertone bem como com seu brilhantismo. Depois, vai para os comentários e lê o post de um certo Marcelo descendo a ripa no Salazar. Seu semblante se fecha como numa noite de tempestade. Num acesso de raiva, ela dá um soco na mesa e o mouse cai e se espatifa no chão. Silêncio e perplexidade geral de todos à volta. “O que significa isso aqui”?-ela grita, me indagando, vermelha de cólera. Eu, atônito, balbuciando, respondo, sem pensar: “Fui eu, prima…” E ela: “É você esse Marcelo?” “Sim, prima…” “Então é você o autor dessa infâmia contra o pai espiritual de toda uma nação”, Antônio Oliveira Salazar”? “Sinto muito, prima. Desculpe-me, mas é a minha opinião. Aliás, não apenas a minha opinião, mas a de muitos historiadores e cientistas políticos, inclusive de Portugal”. Ela se levanta e mais louca e irada ainda, olha bem para mim com um misto de ódio e sarcasmo e diz: “Brasil nem chega aos pés de Portugal, viste? “Se vocês tivessem tido a ventura de serem governados por um santo homem como foi Salazar, vvocês, hoje, não teriam corrupção desenfreada, violência nas ruas, crise carcerária, massacres em presídios e sabotagens de aeronaves matando juízes que combatem corrupção”!(Referia-se à morte do ministro Teori Zavasque, ontem, no litoral de Parati, no avvião acidentado) Daí não pude me conter e rindo: “não seja ridícula, prima”! Teoria da conspiração não é exclusividade brasileira, mesmo”! E ela, mais nervosa ainda: “Biltre” Rebotalho! Pois fique sabendo que nós, portugueses, nutrimos o maior desprezo por vocês, brasileiros, vocês, sua cultura, seu futebol, sua literatura, seu cinema chinfrim, seu carnaval imundo e devasso, sua música decadente, tudo! Vocês deveriam voltar com a escravidão negra e a serem novamente uma colônia, não de Portugal, Deus nos livre, portugueses, mas uma reles colônia de Alemanha ou Estados Unidos”! Imediatamente pegou a bolsa e desembalou para porta, gritando, aos berros: “Viva Salazar! Vou para um hotel agora mesmo. Espero que exista um decente nessa pocilga de país”! Que priminha mais arrogante e reacionária! Está tudo gravado no meu celular. Nostálgica do fascismo”

    • Bertone Sousa 20/01/2017 / 15:28

      Marcelo, essa foi uma cena realmente grotesca. Toda a cordialidade e comportamento pudico da moça desapareceram num estalar de dedos. Não podemos evitar que as pessoas tenham seus ditadores de estimação, só podemos nos afastar delas, mas no seu caso ela felizmente já fez isso por você.

  13. Marcelo Pires Natorp 20/01/2017 / 22:29

    Sim, professor Bertone. Parece algo assim inacreditável, maluco mesmo. Até porque essa prima minha, já com seus 66 anos, mas aparentando ter uns 30 ou 40, nunca se casou ou teve namorado. Lá em Portugal ela foi freira carmelita por cinco anos, mas renunciou ao carmelato devido a uma doença nos olhos chamada ceratocone, que a deixou praticamente cega dos 23 aos 33 anos. Embora tenha cura, mediante cirurgia, essa doença ocular não tinha nenhuma perspectiva de cura em Portugal daqueles tempos, devido ao atraso da medicina de então no país ibérico. Assim, um tio em comum nosso que morava em São Paulo teve a iniciativa de trazê-la para o Brasil para operá-la no Instituto Hilton Rocha, em Belo Horizonte, o melhor do Brasil na época, com o próprio professor Hilton Rocha. Assim, a cirugia foi um sucesso e ela voutou a enxergar melhor que antes.Isso foi em 1983. Ela voutou para Portugal em 1985 e assim, por mais de trinta anos ela nunca esteve aqui no Brasil, ou melhor, até a semana passada, quando decidiu, abruptamente, visitar os parentes brasileiros, daqui de Campinas e sul de Minas. Até então, ela e nós, pricipalmente eu, nos comunicávamos exclusivamente via Internet, e-mails, celular. Eu sempre a achei um tanto estranha, com variações bruscas de humor e temperamento. Mas, como sou muito pelo respeito às diferenças humanas, sempre deixei para lá. No geral, ela e eu, particularmente, nos dávamos muito bem um com o outro. Sempre a convidava para vir ao Brasil para reencontrar os parentes que tanto a ajudaram na cirugia que lhe devolveu a visão, sobretudo o tio dela, Sebastião Pires, já falecido, que tanto contribuiu para sua felicidade. Ah, ela sempre se mostrou muito agradecida, mas, em vir aqui agradecer, pessoalmente, jamais! Meu tio e dela, faleceu em 2002. Ela não veio ao Brasil para o velório. E nunca foi por falta de tempo ou dinheiro, porque ambos ela tem de sobra: é solteira e rica. É dona da maior indústria de rolhas do mundo. Rica? É milionária! Essa fábrica de rolhas, que ela herdou dos pais, meus tios por parte de mãe, fica nos arredores de Lisboa, com mais de 50 subisidiárias espalhadas por Portugal e Espanha. Ela tem 30 fazendas de cortiças, que lá os portugueses chamam de quintas, pequenas propriedades rurais, tomadas de árvores que fornecem a cortiça para a fabricação das rolhas para garrafasde vinho, azeite e outros. A mansão onde mora em Braga é a maior da cidade, com vinte quartos, vinte suites, sauna, quadra de jogos, três piscinas imensas, heliporto, uma coleção de carros de luxo que dá inveja ao Collor, um jatinho que fica no hangar da cidade. Sem falar nas propriedades que ela tem nos EUA, Espanha, Grécia, França, e aqui no Brasil, também, onde ela detesta botar os pés. Ela é a mulher mais rica de Portugal, sem dúvida alguma. Uns 4 bilhões de euros, ou mais ou menos uns 12 bilhões de reais. E tudo graças a quem! Alguém que ela nutre um verdadeiro fervor fanático, que muito auxiliou sua corrupta família( lamento dizê-lo, pois são meus falecidos tios maternos, os Pires Saldanha). Mas, apresso-me para exclarecer uma coisa, professor Bertone: essa minha prima, hoje, bilionária, até 1990 era mais pobre que eu, pois a pobre menina, até aquele ano desconhecia completamente que era herdeira de uma imensa fortuna, cujos pais, falecidos em 1971, eram donos da maior rolheira da Europa e, hoje, a maior do mundo. E como ela descobriu tudo? Fica para o próximo post, pois é uma longa e rocambolesca história, algo do arco da velha! Ou do arco do velho: o velho Salazar! Tudo começõu na década de 1940, com uma subterrânea relação entre o ditador e os meus tios maternos. Gordas subvenções, uma ajudinha aqui, outra ali, um empurrãozinho camarada do velhinho acolá! Uma história compriiiiida, no melhor estilo novelesco da TV Globo! Ah! Minha irada prima salazarista, fascista até a medula, quem a conhece que a compre! E o jatinho ficou devidamente guardadinho no aeroporto de Viracopos, aqui em Campinas. Ficamos sabendo que ela foi para um rsorte deluxo com um bando de empresários italianos do ramo de vinhos finos. Vai abrir mais um punhado de fábricas no norte da Itália.

    • Bertone Sousa 20/01/2017 / 23:03

      Marcelo, está explicado porque ela morre de amores por Salazar a ponto de ter agido com você daquela forma. Geralmente pessoas assim não costumam tolerar visões políticas que as contrarie, primeiro porque o deslumbramento pelo fascismo já é parte do pensamento único que caracteriza essa ideologia e, segundo, porque pessoas assim, bem-sucedidas por uma longa linhagem familiar, gostam desses ditadores não por questões intelectuais (o fascismo é anti-intelectualista, é importante lembrar) mas por terem se beneficiado com esses regimes. Agora que a extrema direita começa a crescer novamente dos dois lados do Atlântico, a tendência é que pessoas simpáticas a regimes autoritários, mesmo não sendo ricas como ela, se multipliquem por lá e por aqui.

  14. Marcelo Pires Natorp 21/01/2017 / 1:11

    O senhor tem toda razão, professor Bertone. Mas, obrigado pelo senhor ter permitido o meu desabafo aqui neste seu espaço cutural, tão raro na Internet, com toda essa qualidade, e também, tão generoso. Todavia, as minhas intenções para com a prima lusitana sempre foi as mais sinceras, de minha parte e dos meus. Não sou rico, mas o que tenho me proporciona uma vida confortável, para mim e minha família. Nunca, nunca pedi nada para ela, e não foi por orgulho. Simplesmente porque nunca nescessitei de tal ajuda, pois o que tenho já me basta. E ela também nunca ofereceu nada. Graças a Deus. Ela é solteira, não tem ninguém. Uma amiga nossa, que mora na cidade do Porto, Portugal, no ano passado nos disse que ficou sabendo, por fontes fidedignas, que a prima já deixou pronto o seu testamento, deixando toda sua imensa fortuna, 50% para obras de caridade e os outros 50%, para os bisnetos e trinetos da governanta do velho fascista Salazar, que o acompanhou por toda a vida, desde 1933, até sua morte, a famosa Dona Maria da Encarnação, sua fiel escudeira…Uma santa senhora! seus mais de dez descedentes merecem a dinheirama que irão herdar da biliardária magnânima! Que façam bom proveito dos bilhões desviados dos cofres públicos de Portugal! Ou pelo menos uma boa parte deles. Imaginem, e o ditador é tido até hoje como honesto e probo, mais reto que um prumo de pedreiro! Dizem que ele morreu pobre. Até pode ter sido mesmo. Porém, os seus amigos que denunciavam vizinhos, amigos e familiares à temida PIDE, a polícia secreta do regime, ah, esses não morreram pobres! Professor, até parece inveja minha, dor de cotovelo, mas não é. Desejo que a prima rica e fascista seja feliz, até onde ela o puder, pois tenho a mais absoluta certeza, pelo que estive detidamente analisando em seu comportamento aqui nesses últimos dias, de que ela, com toda sua grana, definitivamente não é feliz! Ela apenas quer aparentar ser feliz. A uma certa altura do almoço de domingo, nos disse, com toda empáfia e rasgos de vaidade idiota: “Sabiam vocês que acabo de adquirir uma Ferrari Lamborgini, no valor de 3 milhões de euros”? Dito essa tolice, logo caiu num silêncio profundo, quase melancólico. Disse aquilo apenas para nos humilhar. Uma pobre coitada, que nada no dinheiro, compra Deus e o mundo, mas não é feliz nem um pouco em seu íntimo. Como ter raiva ou inveja de uma criaturinha dessas? Rica, solitária e infeliz. Já vi uma estátua enorme do seu “Paizinho Espiritual”, o fascista Salazar, bem diante da porta principal de seu palacete, um monstrengo de mármore enfeitando seus magníficos jardins. É rica, é fascista, é psicopata. E outra coisa: é racista até o rastro. Em todas as suas fábricas de rolha não existe um negro ou mestiço sequer! Nem das ex-colônias da África. Pelo menos 80 por cento de seus funcionários e operários são brancos puros, ou de Portugal ou de outros países, como Itália, Inglaterra ou Espanha. E OUTRA coisa, professor, para encerrar: ela adora repitir o velho lema de Salazar, quando alguém lhe indaga por que ainda não se casou, já que é riquíssima e não é tão feia, pelo contrário, é até bonita e vistosa: “Orgulhosamente só”!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s