O que há de errado com a militância ateísta?

Ateísmo 2Para a maioria dos ateus no facebook é divertido compartilhar memes de humor religioso, falar de contradições na Bíblia e fazer piadas sobre pastores pentecostais. Mas existe algo intrigante quando se observa a constância dessas atitudes nas páginas ateístas: é que muitas pessoas não conseguem ir além disso e os que vão além em geral partem do humor para a agressividade. 

E não é incomum as páginas ateias fomentarem essas posturas. Para citar um exemplo bem conhecido, a ATEA, sua página no face resvalou para um radicalismo antirreligioso às vezes infantil e intolerante, como pode ser observado em alguns memes que são postados na página.

Quando uma pessoa deixa a religião, por exemplo, um jovem com idade entre 17 e 20 anos, em geral suas primeiras reações são o deslumbramento com novos conhecimentos que adquire, com a possibilidade de ser feliz sem precisar de uma fé sobrenatural e também uma revolta com a religião, a sensação de tempo perdido por tanto tempo numa igreja e o sentimento de raiva frente a acusações, juras de maldição ou até mesmo com pregações que agora passa a desprezar.

Esse jovem então sente a necessidade de falar de religião, fazer crítica, falar mal de Deus e encontra nas redes sociais milhares de pessoas que, como ele, despejam toneladas de humor ácido e ressentimento contra a fé que abandonaram. Essa é uma fase de profunda imaturidade intelectual e quando passam muitos anos com esse mesmo posicionamento a incultura toma de vez o lugar de qualquer saber. Muitos nunca leram os clássicos da filosofia moderna, nem Durkheim, Weber, Eliade, Joseph Campbell e outros sequer ouviram falar de Karen Armstrong, Jean Delumeau, Christopher Hill ou Rodney Stark.

Daniel Sottomaior é um exemplo de ateu inculto que passou da adolescência. Sua postura de frequentar programas televisivos e afirmar categoricamente que Deus não existe é contraproducente. Sottomaior nunca se coloca como um filósofo, um sociólogo, um historiador, um estudioso de religiões, ele é sempre o ateu que fala a mesma coisa: as religiões são irracionais e Deus é uma ilusão. É como um dogmatismo religioso às avessas.

Esse tipo de atitude pode provocar nos ouvintes religiosos uma dissonância cognitiva: diante do choque de uma afirmação categórica de que a religião é falsa e não há nenhum Deus, o ouvinte se coloca na postura defensiva. Esse discurso lhe causa desconforto emocional e cognitivo porque se choca frontalmente com suas convicções, que ele reafirma contra o que está ouvindo.

O ateu inculto toma a religião como uma espécie de mal que pode e deve ser erradicado e então decide atacá-la. Ele não é um intelectual, não compreende o que está atacando e então ataca irresponsavelmente. Ele retribui com a mesma moeda o preconceito que recebe de algumas pessoas religiosas e percebe as religiões a partir de estereótipos ou de leituras dispersas. Ao se recusar a compreender a religião em suas múltiplas facetas, antropológica, literária, histórica, o ateu inculto se torna presa da própria ignorância: a agressividade é sua única arma de defesa e ataque.

Não são poucos os ateus que não compreendem o valor literário da Bíblia e sua importância para a formação da cultura ocidental, não conhecem as diferentes linguagens ali utilizadas e frequentemente dão crédito a pesquisas de pouco valor acadêmico, como as que afirmam que Jesus Cristo nunca existiu. Reafirmam ainda um cientificismo novecentista, que traduz a linguagem verdadeira sobre o mundo ao passo que as religiões representariam as falsas interpretações.

Os únicos lugares onde a militância ateísta ainda pode ter alguma importância são os países muçulmanos, muitos dos quais punem a descrença com a morte. No Ocidente, a secularização e o desencantamento do mundo mudaram a própria pregação religiosa, que deixou de centrar seus discursos na salvação e no inferno para oferecer prosperidade e bem-estar.

Ainda restou o fundamentalismo que, apesar de ser uma posição minoritária, faz algum barulho. Mas o fundamentalismo, como diz Karen Armstrong, é antes uma defesa do que um ataque; é uma reação da religião frente a um temor de aniquilação. Se fundamentalistas tentam intervir na legislação, o que se pode fazer é reafirmar a necessidade da separação entre religião e política e não é preciso ser ateu para fazer isso, porque muitas pessoas e lideranças religiosas compreendem a importância do laicismo. No campo da ciência, as investidas dos criacionistas ocorrem há muito tempo e nunca foram muito longe, por isso eles frequentemente tentam apelar às leis para que sua cosmovisão seja ensinada nas escolas.

O ateísmo moderno tem cerca de trezentos anos de história e nasceu como uma postura negativa de crítica e combate à religião de Estado e à intolerância subjacente a essa condição. Hoje, porém, um ateu que ocupa seu tempo a fazer militância antirreligiosa e a ridicularizar a religião se prende a uma postura infantil anti-intelectualista como aqueles que tentam provar cientificamente o Gênesis.

O ateu militante em geral não saiu da condição juvenil de revolta contra a religião. O ateísmo está superado enquanto postura intelectual, não porque seja falso, mas porque não tem mais importância do ponto de vista científico. Ou seja, defender abertamente o ateísmo em qualquer meio científico não é mais algo ousado, é antes um discurso como qualquer outro. Já o neoateísmo ainda é válido por pontuar algumas questões sobre a relação por vezes ainda simbiótica entre religião e ciência, especialmente no caso dos Estados Unidos (por extensão, do mundo anglo-saxão) e atua principalmente no campo da neurociência e das ciências naturais.

Ser ateu no passado definia certo status intelectual, como no Iluminismo radical francês, na esquerda hegeliana do século 19 ou em Nietzsche, Freud, Darwin, Bakunin e outros. Mas o Iluminismo e a Revolução Francesa já fizeram o que deveria ser feito para que a religião fique confinada à esfera da vida privada no Ocidente. Quanto ao preconceito, isso pode ser atenuado no debate qualificado e com educação de qualidade. O esclarecimento dispensa a militância antirreligiosa porque suas ações se circunscreveram a outra época.

Qualquer postura que termine em fechamento ao diálogo vai ficar presa na armadilha do pensamento único, da voz que só ouve o próprio eco e vê nas demais inimigos potenciais. Quando você segue o caminho da pesquisa e da compreensão histórica esse tipo de militância se torna tão desnecessária quanto contraproducente.

Compreender historicamente a religião não significa abrir mão da crítica e as possibilidades de esclarecimento que se abrem com essa perspectiva não se fecham ao diálogo com uma alteridade nem se perdem na mera denegação a ela. Poucos ou talvez mesmo nenhum ateu que fica apenas na militância consegue perceber a importância disso.

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O que é ser ateu

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32 comentários sobre “O que há de errado com a militância ateísta?

  1. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 10/02/2016 / 6:44

    Maravilhoso seu texto professor,adorei!Como sempre,o senhoresto arrasou!Já havia comentado em um outro post sobre minha experiência com esses fanáticos ateus,que não querem estudar,nem ler,apenas debochar da religião,principalmente a cristã, por essa ser a religião majoritária do Brasil,mas o que o senhor propoe para a militância ateísta, como eles deveriam se organizar?Qual deveriam ser as pautas?O senhor falou em se abrir ao diálogo, mas é impossível dialogar com a maior parte dos evangélicos pentecostais e neopentecostais,pois já te consideram um pecador que vai para o inferno,só pelo fato de ser ateu,e nem é preciso ser ateu para receber essa condenação, basta ser de uma outra religião, ou mesmo cristão de outra confissão, como os católicos, que receberá a ameaça do Inferno,o senhor fala no texto que as igrejas neopentecostais abandonaram o discurso de salvação,pelo discurso da prosperidade na vida terrena,nesse ponto ,discordo um pouco,caso contrário não se fechariam ao diálogo com ateus e crentes de outras religiões, e não haveria esse forte discurso de homofobia ecoando pelas igrejas e chegando ao Congresso

    • Bertone de Oliveira Sousa 10/02/2016 / 11:56

      Gabriel a resposta a suas questões já está no próprio texto. Quanto à intolerância religiosa, veja meu texto “descristianizar a sociedade”.

      • Daniel 15/02/2016 / 21:31

        Professor, fugindo um pouco do tema, gostaria de saber se poderia nos listar livros da literatura clássica e de sua área que mais lhe marcaram no decorrer de sua vida e formação intelectual.

        Abraços!

  2. Renato Rafael 10/02/2016 / 10:17

    Mais um excelente texto prof. Bertone ! Espero que muito desses “novos ateus”, possam lê-lo e refletirem sobre determinadas posturas frente ao tema religião ! Concordo plenamente com relação ao Sottomaior, já o vi em alguns programas, pensei que tratava-se de um sujeito com mais”bagagem intelectual”, porém o que vi foram alguns argumentos pífios sobre a religião em si e a existência ou não de deus, quando ele não partia para um sarcasmo barato !
    Prof. o senhor acha que essa tal militância de novos ateus, pode vir a tornar- se algo como uma religião, com regras e dogmas? E até que ponto os novos ateus com sua “pouca intelectualidade” e escárnio prejudicam quem de fato se considera ateu? Obrigado !

    • Bertone de Oliveira Sousa 10/02/2016 / 12:02

      Renato, já existem igrejas para ateus em alguns países. Eles pretendem não ter dogmas mas o fato de se reunirem em igrejas mostra que a religião não saiu deles. Não creio que isso prejudique os ateus mais maduros, até porque estes em geral são intelectuais que fazem pesquisa e atuam em diversas áreas e falam sobre religião e descrença de forma diferenciada, com erudição e de forma mais comedida.

      • Renato Rafael 10/02/2016 / 21:26

        Obrigado pelo esclarecimento ! Tem algum artigo ou matéria sobre essas tais igrejas? Pois soa muito contraditório essa postura de ateus !

  3. Pedro Mello 10/02/2016 / 22:22

    Excelente texto, professor! Não sei quem disse isso : “não se diga ateu se você não tem cultura para sustentar”. Acho tanto a religião, como o ateísmo temas fascinantes, mas que suscitam polêmicas acaloradas e infindáveis.Entretanto concordo que jovens se deslumbram e acabam se perdendo em um assunto tão denso e profundo.
    Abraços.

    • Antonio Carlos de Carvalho 12/02/2016 / 9:31

      Se, para ser crente, basta alegar possuir fé, por que o ateu deveria fundamentar seu ateísmo? O fato de que será chamado de “religioso fanático” às avessas? Ora, se ele não se melindrar com isso, quem mal terá? A meu ver, o motivo para alguém se dizer ateu será, eternamente, a não existência observável na prática de um deus, ou, em outras palavras, a sua inexistência.

  4. Servio 11/02/2016 / 10:14

    Um ótimo texto, pontual e cheio de uma vivacidade incrível. Sem objetar os diferentes pontos de vista e sem ofender a crença religiosa e atéia, sugere no texto como uma pessoa revoltada e inculta, seja qual for sua fé, pode descambar para a imaturidade intelectual, se não tiver o menor discernimento do que seja um bom diálogo e respeito pelas idéias alheias, que é a base de nossa civilização ocidental. Diferente do que no oriente médio, onde se você não rezar cinco vezes ao dia, poderá ser açoitado ou até denunciado a morte, Triste ver extremistas, que alugam o espaço que não é deles para obter o poder coercitivo em nome deles mesmos.

  5. Raphael 11/02/2016 / 16:04

    Texto muito bom e bastante verídico, Profº Bertone!
    Tornei-me ateu há mais ou menos dois anos e tenho observado uma infinidade de páginas ateístas no Facebook cujo conteúdo se resume basicamente a piadas e ofensas gratuitas se utilizando do argumento de que ideias podem ser atacadas sem dó nem piedade, e o resultado disso é que muitos teístas entram nessas páginas para ofender os ateus, e estes por sua vez respondem na mesma moeda, e no final das contas todos estão errados nessa história. Sinto falta de um espaço como o seu que esteja empenhado em divulgar informação de qualidade que sirva de esclarecimento tanto para o público ateu quanto o religioso.
    Raramente vejo algum conteúdo bom nas redes sociais, como uma palestra do Sam Harris ou do Leandro Karnal, por exemplo.
    Tudo bem um pouco de humor e crítica de vez em quando, mas ficar preso só a isso é uma armadilha intelectual.

    No mais, parabéns por mais esse texto e continue assim!

  6. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 11/02/2016 / 18:02

    Professor e o que o senhor acha de youtubers ateu como Pirula e Salatiel Junior?E de vídeos de humor com sátiras a religião como os Especiais de Natal do Porta do Fundos?

    • Bertone de Oliveira Sousa 11/02/2016 / 22:31

      Gabriel, como grupo de humor o Porta dos Fundos faz um trabalho legal quando grava piadas com religião. Lembrando que no texto não condeno o humor nem a piada com religião, mas aqueles que fazem isso pensando que com isso estão compreendendo alguma coisa de religião e, não sabendo diferenciar humor de uma postura intelectual compreensiva, caem no anti-intelectualismo. Não conheço todos os youtubers que falam sobre religião mas alguns que vi também tem uma postura de menino secundarista.

    • Éderson Cássio 11/02/2016 / 23:53

      Eu aprecio muito o Pirula, é um sujeito empenhado em informar e discute todos os temas baseado em pesquisa científica. É como um Carl Sagan amador. Talvez ele tire um barato leve vez ou outra, mas não tem o costume de ficar atacando por atacar.
      Vou dar uma olhada no Salatiel 🙂

  7. Cesar Marques - RJ 11/02/2016 / 21:07

    Não existem “igrejas ateístas”. O que ocorre é que confrarias de ateus denominam os locais onde fazem reuniões de igrejas, para tirar um barato.

  8. Carlos Wilker 12/02/2016 / 7:48

    Excelente texto. Além dessas posturas ingênuas e radicais, o que me entristece é a limitação sobre a tema da existência ou inexistência de Deus. Boa parte dos ateus aqui no Brasil só conhecem Dawkins, Harris, Dennet e Hitchens. Ignoram uma gama de estudiosos, que na minha opinião, são bem mais preparados.

    Nomes como Michael Martin, Theodore Drange, Keith Parsons, Paul Draper, Richard Carrier, Quentim Smith e Graham Oppy são desconhecidos.

    Quantos ateus conhecemos com capacidade de discutir a fundo os principais argumentos contra e a favor da existência de Deus? Conheço muitos ateus, mas poucos deles sabem debater argumentos como o argumento cosmológico, ontológico, teleológico, moral… alguns nunca ouviram falar em argumentos ateístas como o argumento da descrença e o argumento das mentes físicas. Normalmente se apegam a um discurso cientificista limitado ou críticas superficiais.

  9. Antonio Carlos de Carvalho 12/02/2016 / 9:26

    O ponto principal das discussões de ateus x crentes, não é o fato de que ela é improdutiva e de que nenhum lado convence o outro a mudar de ideia: quem muda, muda por si mesmo(a). O mais importante é que os fundamentalistas vão sempre tentar intervir na legislação, e que é preciso ser muito otimista para achar que a necessidade da separação entre religião e política é compreendida pela sociedade e pela maioria dos políticos. A meu ver, o discurso de que muitas pessoas e lideranças religiosas compreendem a importância do laicismo é apenas utópico. A maioria das pessoas sequer sabe o que significa laicidade e cada vez mais criam-se normas oriundas de políticos evangélicos ou similares que tem objetivos claramente fundados nos dogmas religiosos ou proibindo a produção de humor cujo tema sejam deuses e religião, sob pena de aplicação de multas. Os fundamentalistas vão sim, intervir na legislação nacional para que ela reflita o teor dos seus dogmas e crenças. Esse processo me parece meio inevitável.

  10. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 12/02/2016 / 12:06

    Professor Bertone acredito tbm que a militância ateísta deva ser voltar mais para o Oriente Medio islamico do que ao Ocidente Cristao,pq o iluminismo conseguir domar o cristianismo com a conquista do estado laico,hj podemos ser ateus livremente,sem que o estado incomoda,o máximo que padres e pastores dizem é que vamos para o inferno rss,mas como não acreditamos no inferno,foda-se eles por dizerem isso rss,eu acho que os ateus se acovardam mto diante do fundamentalismo islamico,poderiam ajudar a organizar um movimento ateísta no Irã, Arábia Saudita,o senhor acha isso possível? o mesmo pode se dizer a movimentos de minorias que são discriminados pelo cristianismo como as mulheres e os homossexuais,deveriam apoiar un movimento feminista ou LGBT no Oriente Medio,até pq o cristianismo já não representa uma ameaça real aos ateus,as mulheres e os homossexuais

  11. Pedro Henrique 12/02/2016 / 12:38

    Bertone, voce acha que o Brasil ficará de fora do processo de descrença? Uma vez que cada dia mais o numero de evangélicos militantes cresce e cada vez mais pautas retrógradas são passadas por seus lideres de cultos, eleitos com preceitos de por a lei sob o julgo da fé.

    • Bertone de Oliveira Sousa 12/02/2016 / 13:29

      Pedro, as pessoas sem religião já são o terceiro maior grupo no Brasil. Mas claro que católicos e evangélicos ainda abocanham um número imensamente maior. Mas ainda não dá pra dizer aonde isso levará.

  12. Gabriel Telles Lins G. Taveira 15/02/2016 / 14:51

    Bravo, professor! É excelente a sua iniciativa neste espaço.

  13. Alan 18/02/2016 / 21:45

    Bertone, você diz no texto que “No Ocidente, a secularização e o desencantamento do mundo mudaram a própria pregação religiosa, que deixou de centrar seus discursos na salvação e no inferno para oferecer prosperidade e bem-estar”. Eu achei interessantíssima a colocação. Você conhece alguma literatura de hoje em dia de inspiração weberiana pra falar sobre o processo de adequação de algumas religiões ao âmbito da economia?

    Inclusive, tem alguma loja física onde eu posso comprar teu livro ou é só pela internet?

    Valeu!

    • Bertone de Oliveira Sousa 18/02/2016 / 22:50

      Alan, essa é uma questão que discuto no meu livro. É basicamente pela internet, inclusive é melhor porque no site da editora você ainda pode parcelar em 4x sem juros e com desconto.

  14. Marcelo Monteiro 24/02/2016 / 3:14

    Prezado Professor Bertone, peço licença para discordar de alguns pontos. Em primeiro lugar, existe bastante conteúdo ateu nas redes sociais que não utiliza do humor ácido nem destilação de ódio, e sim, apresenta idéias para reflexão, citando inclusive importantes pensadores. Vejo que boa parte da motivação para o ateísmo é derivada do ceticismo, ou seja, não faz sentido acreditar naquilo para o qual não existem boas evidências, e esse é um ponto que vale a pena ser defendido. Outro ponto é que, se uma organização ateísta vende camisetas e pede contribuições e filiações, não está se assemelhando a uma organização religiosa, pois são métodos de organização adotados por vários tipos de entidades, como ong’s, partidos políticos, etc. Sobre a sua crítica da falta de compreensão dos ateus sobre a importância da religião do ponto de vista histórico e cultural, me pergunto se essa mesma contribuição não poderia ter sido concedida à humanidade através do humanismo secular, sem a necessidade de crenças infundadas, histórias absurdas, ameaças de vida eterna no inferno, além de algumas práticas nem um pouco decentes. Para finalizar, discordo que a militância ateísta só faça sentido em países que punem os ateus com sentença de morte, pois o preconceito, a violência, o bullying, a inimizade e o desprezo de que são alvo os ateus neste país também destroem um pouco a vida, e por isso não deixa de ser reconfortante encontrar nas páginas ateístas pessoas que tiveram a coragem de assumir suas posições. Obrigado pela atenção.

    • Bertone de Oliveira Sousa 24/02/2016 / 13:49

      Caro Marcelo, leia meu texto seguinte, “O ateísmo como fenômeno datado”. Não se combate preconceito com militância antirreligiosa mas com foco em educação de qualidade. Ficar querendo provar que religião é ilusão é uma atitude infantil e inculta. Primeiro porque religião não é ilusão e, segundo, porque o ateísmo foi uma tendência de outra época.

  15. eduardo o santo 01/04/2016 / 12:58

    cara estou deslumbrado com o seu texto,ao tempo que estou me sentindo uma verdadeira anta:como pode de forma magistral ,traduzir aquilot que penso e sinto.Em outras palavras,aquilo q nao conseguia me exprimir,vc de forma simples e facil o fez
    Nao conhecia seu trabalho nem o seu blog ,parei aqui por acaso,mas foi simplesmente esclarecedor.
    Parabens e peco autorizacao para explorar todo o seu trabalho aqui exposto
    abracos

  16. Alan 23/12/2016 / 3:00

    Muito bom o texto, imparcial, sem xingamentos ou ofensas desnecessárias. Mas aconselho 3 leituras de críticas religiosas intelectualmente perfeitas e cirurgicamente precisas: 1- Chistopher Hitchens “Deus não é grande”; 2- Richard Dawkins “Deus, um delírio”; 3- Sam Harris “O fim da fé”, meu ateísmo e pensamento crítico coerente sobre religiões foi moldado por esses três livros, e te indico como forma de preencher as lacunas no seu texto, que, embora eu tenha dito “muito bom o texto”, as lacunas sobre o que é o ateísmo crítico me deixaram um pouco incomodado.

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