A postura inculta dos críticos do BBB

bbbNo livro Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil, Mary Del Priore inicia dissertando sobre a luta do colonizador europeu no Brasil contra a nudez dos nativos. Para o europeu, a nudez representava animalidade, bestialidade e era preciso afastar essas pessoas do pecado. O padre Anchieta deplorava o fato de as índias também não se negarem a ninguém. A nudez era condenada não somente nas pregações, mas na iconografia religiosa. Os pecadores eram representados nus no inferno.

Mesmo com todas as interdições religiosas, o processo civilizador que acompanhou a modernidade europeia  trouxe também uma crescente preocupação da mulher com o embelezamento e a sedução. Mas levou tempo para que a erotização do corpo rompesse o imaginário medieval. Ainda no século XVI, na esteira da Contrarreforma Católica, a vagina estava associada apenas à procriação e ao dom da maternidade e alguns pregadores a descreviam como porta do inferno ou entrada do Diabo. O prazer e o pecado andavam juntos. A própria figura feminina era vista como uma isca que o Diabo podia usar para desviar os justos da verdade; afinal, a mulher – acreditava a teologia cristã – trouxe o mal sobre a terra, foi ela quem cometeu primeiro o pecado original e acreditava-se que, após o Julgamento Final, elas ressuscitariam como homens.

O sexo sem procriação era prostituição e o ideal de pureza era a virgem, personificada na figura de Maria. Mulheres acusadas de adultério eram decapitadas na Inglaterra  e em Portugal os homossexuais (“sodomitas”, como eram chamados) eram queimados em praça pública. As reformas protestante e católica contribuíram muito para ampliação do controle da sexualidade e do comportamento social no Velho Mundo. Calvino, após chegar ao poder em Genebra, proibiu a dança, o teatro, as roupas “imodestas”, os jogos, a caça, as bebidas, as relações sexuais entre pessoas não casadas e proibiu até mesmo que os pais batizassem os filhos com nomes que não fossem de personagens da Bíblia. Mulheres solteiras que fossem descobertas grávidas eram afogadas.

No Brasil, as mulheres não desfrutavam de maior liberdade do que as europeias. No século XIX, a violência doméstica era constante nas relações conjugais e a mulher casada era desestimulada a se perfumar ou vestir-se de outra cor que não fosse preto. Os traços de beleza se perdiam rapidamente e os homens de melhor posição social costumavam ter mais de uma família. O adultério era uma prática corriqueira entre eles e a fidelidade no casamento era uma exortação dada principalmente à mulher.

A nudez total era vista como sinônimo de pobreza desde a época da colônia e a medicina do período (século XIX) passou a perceber o homossexual como um doente que carece de tratamento. Isso se superpôs à visão da Igreja do homossexual como pecador. Foi preciso mesmo o século XX para que ocorresse uma revolução na forma de se perceber o corpo. O desenvolvimento da indústria têxtil e da indústria cultural impulsionou o erotismo. O teatro e a moda também contribuíram, mas foi somente a partir da década de 60 que a “revolução sexual” transformou nossa percepção da intimidade, com a difusão do cinema e de revistas com o nu explícito, a crescente descoberta da sexualidade feminina (algo que devemos muito ao movimento feminista) e a desconstrução da imagem da mulher como um mero objeto passivo de satisfação sexual.

Isso infelizmente não aboliu a violência contra a mulher, mas trouxe a sexualidade para o debate público. Foi preciso também romper barreiras importantes, como o divórcio (legalizado no Brasil apenas em 1977) e a positivação da mulher no mercado de trabalho.

A sociedade do espetáculo se impôs à medida que os indivíduos passaram a ter mais tempo livre e mais opções de lazer no espaço urbano. O sexo aos poucos deixou de ser reprimido e disciplinado para fazer parte de um mundo que enfatiza o prazer, o instantâneo, o fugaz, o consumo. Para alguns, isso seria uma banalização do sexo, mas para outros abriu possibilidades de novas vivências, de abertura para o diferente. A destradicionalização dos costumes acarretou uma liberação dos corpos, proporcionando aos indivíduos uma liberdade que outras gerações não tiveram. O afastamento da religião para a esfera da vida privada a impediu de continuar impondo seus dogmas como normas de vivência social.

O indivíduo agora se vê interpelado por variados agentes que incentivam o consumo como meio para o prazer e a satisfação pessoal. Há maior abertura para a vida privada, para a sexualidade do outro. E aí entra a importância do reality show, como o BBB. No BBB vemos pessoas anônimas, como nós, convivendo numa casa por um prêmio milionário. O reality show não trata apenas de sexualidade, mas ela está ali presente, latente e frequentemente exposta. Em pleno século XXI, isso ainda choca a muitas pessoas. Elas então condenam o programa com base em discursos moralistas do tipo: “não acrescenta nada”, “é só promiscuidade”, “depravação”, “inversão de valores”, etc.

Nas redes sociais, mal começa mais uma edição do programa e as condenações pululam. Esses lugares-comuns são repetidos à exaustão por pessoas de esquerda e direita, por religiosos e até mesmo ateus. Para além da hipocrisia, que aqui não explica nada, essa negativação semântica desvela ora uma incompreensão da cultura contemporânea, ora a permanência de uma mentalidade religiosa que vê na nudez e no sexo casual manifestações do pecado e que teme os comportamentos desvinculados das interdições religiosas. Esse pensamento também agrega a depreciação do homossexual como uma pessoa depravada, na medida em que parte do imaginário social conservador associa o BBB à homossexualidade ou à sua promoção. Com isso se repete o discurso higienista do século XIX do homossexual como um doente, alguém que deve ser apartado do convívio social para um tratamento e não admira que o ódio ao BBB se manifeste tão intensamente em um país onde muitos ainda querem falar em “cura gay”.

O ateu inculto, numeroso nas redes sociais, pode dizer que não acredita em pecado, mas seu discurso anti-BBB está imbuído de uma religiosidade contra a qual ele se revoltou mas que ainda pauta em alguns aspectos seu pensamento. Ele chama o programa de “alienação” (ignorando o uso inapropriado que faz dessa palavra), “lixo” e outros adjetivos pejorativos que em geral são os mesmos usados por muitos religiosos para desqualificarem o BBB como uma espécie de antro de depravação humana que nada acrescenta.

Ao falar que o programa “nada acrescenta”, o indivíduo inculto reproduz o pensamento de que aquilo que envolve sexualidade não serve para ser visto ou debatido. Às vezes, ele faz isso publicamente porque acha cult repetir uma crítica que sabe que terá aceitação imediata de um número considerável de seu círculo de amigos. Mas, em casa, ele pode logo depois se masturbar vendo um site pornô ou até o próprio BBB. Os conservadores gostam de falar de “família tradicional”, mesmo que esse conceito já não tenha relevância numa cultura que se afirma cada vez mais pluralista.

Além disso, muitos não vivem exatamente segundo o que acreditam ou pregam. Um exemplo é o caso de uma pastora de roupas longas que estava orando em línguas no culto e horas depois estava no motel com o amante tirando selfie de fio dental. Um caso e outro que cai na rede mostra a banalidade do caso. Há também o exemplo dos fiéis de uma grande igreja pentecostal que frequentam em peso um site de casos extraconjugais. Ou as igrejas cheias de homossexuais que têm vergonha de se assumirem, inclusive na Igreja Católica. Frequentemente, a crítica a uma suposta “degradação dos valores morais no BBB” é apenas a expressão de um ressentimento. É como se houvesse um sentimento de frustração por ver seus pecados íntimos, que se cometeu ou gostaria de cometer, expostos num reality show. O fato de pessoas muito religiosas viverem dessa forma evidencia os dilemas que enfrentam para conciliarem discursos de rigidez moral com seu desejo escolha do parceiro que quiserem.

Já os indivíduos de esquerda esperam de um reality show que tenha algo como aulas de sociologia marxista do início do século XX. Condenam o programa por reproduzir os valores da classe média. Elas não entendem que os valores da classe média são os mais buscados na sociedade, eles criam demandas de mercado, de individualização e de ascensão social. A TV segue essa tendência, ela não a cria. O reality show também abre espaço para formações sociais diversas, mas o crítico da esquerda quer um programa político como se fosse horário eleitoral; ele não entende que o entretenimento nos interpela como consumidores e repagina em micro-escala uma sociedade em que os indivíduos não se ajustam mais ao poder regulador das instituições coletivas, se mostram mais abertos e cambiantes em suas relações com o outro e onde sensualismo e desempenho são elementos-chave para o sucesso, como na vida cotidiana.

O BBB expressa a efemeridade das relações humanas e os interesses e estratégias no trato com os outros que amiúde escamoteamos para obtermos satisfação pessoal e sucesso. As formações de grupos e discussões para indicação de quem será eliminado nos reporta ao que Bauman chamou de “sociedade individualizada”, isto é, uma cultura em que a independência, a leveza e o desprendimento dos indivíduos são ostensivamente enfatizados, levando à formação de pequenos grupos de convício, ao mesmo tempo em que há desmobilização de resistências organizadas em torno de projetos coletivistas.

Para Bauman, a individualização não é uma escolha, mas um destino, isto é, não há como escapar do jogo individualizante no qual se é interpelado a todo instante a fazer escolhas. O reality show também desvela nossa opção pelo hedonismo e o espírito festivo e, como diz Lipovetsky, nos mostra como os discursos normativos acerca da moral já não conduzem nosso estilo de vida.

Ora, todos esses elementos também podem ser encontrados em outros programas de TV, mas talvez nenhum outro seja tão repudiado quanto o BBB. Fala-se de “vulgarização da mulher”, como se a mulher que escolhe uma relação casual fosse menos digna do que outra, casada, ou a mulher que se embriaga fica com outra pessoa numa festa no sábado à noite, curtindo o momento e deixando de lado as câmeras, perca sua dignidade nesses atos. A forma como a mulher pode se apresentar, livre, desprendida, assusta numa cultura patriarcal que, mesmo com a liberalização das últimas décadas, ainda prefere entender a mulher como um ser biológico programado para o casamento e a procriação e entende a nudez televisionada como uma bestialidade.

Por outro lado, quando se critica o programa por sua suposta “falta de conteúdo”, esquece-se que seu conteúdo, como entretenimento, reside na mediação que faz entre nossa vida cotidiana e o jogo que ali é disputado. É possível que o crítico se sinta incomodado porque se sente representado ali e, na verdade, o BBB nos representa sem todas as interdições a que nos vemos limitados quando esquecemos o quanto participamos de vários jogos na vida social.

O indivíduo inculto que vocifera contra o BBB mantém em sua formação social a consciência de pecado que busca criminalizar a sexualidade, o amor livre e até mesmo a busca narcisista do sucesso que fazemos no dia a dia – o BBB nos lembra das transgressões ocultas, dos pensamentos impuros tão condenados nos púlpitos das igrejas e pela consciência social que tem medo da liberdade de escolha. Se a transgressão for mostrada sem a pregação sobre o pecado aciona o superego de todos os crentes. O ateu inculto é pego nisso como um camundongo na ratoeira. O indivíduo de esquerda, cristão até a alma, embora ele próprio possa não saber disso, apela a expedientes ideológicos maniqueístas – a demonização da emissora que transmite o BBB. A sexualidade – nossa e alheia – ainda incomoda. As pessoas querem ver e veem mas publicamente reprovam. Em casa, quando não estão em sites “proibidos” têm sonhos eróticos e poluções noturnas. O corpo e a mente cobram o preço dos desejos reprimidos, por mais que na igreja e nas redes sociais se fale contra eles.

Segundo Lipovetsky, vivemos uma época de pós-moralidade que não é sinônimo de imoralidade. Ao contrário, ideais éticos continuam a ser cultivados; o individualismo não os suprimiu, apenas levou ao desaparecimento uma moral incondicional. Além disso, não fomos arrastados para um caos social, uma anarquia de costumes, como alguns conservadores catastrofistas gostam de anunciar. A liberação individual e a liberação sexual que a acompanha não anularam a importância da responsabilidade individual, que também continua a ser valorizada. A mídia, por outro lado, não tem um poder de massificação ilimitado nem de imposição de comportamentos como facilmente se coloca no senso comum.

Lipovetsky também positiva a mídia por seu papel na sacralização da autonomia individual, no amor ao corpo, aos prazeres e à felicidade privada, ao mesmo em que atua no sentido da dissolução do rigorismo moral.  O BBB traz em seu bojo essas características e a ojeriza ao programa é pautada, de forma consciente ou não, pelo medo e a incompreensão dessa pós-moralidade.

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39 comentários sobre “A postura inculta dos críticos do BBB

  1. João Jose Negrão 25/01/2016 / 0:23

    Nem o Bial – que também é um sujeito culto, foi um repórter destacado de Internacional – faria uma defesa tão ‘sofisticada’ da banalidade que é este BBB. Bertone adota a falácia do espantalho e reduz a crítica ao programa a um moralismo pequeno-burguês. Defesa semelhante vale para o Casos de Família ou aí nosso articulista já acha ‘populista’ demais?

      • Gabriel Telles Lins Gonçalves Taveira 07/02/2016 / 13:10

        Bertone, faça o que fizer, mas não pare de publicar nesse blog.

  2. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 2:53

    Excelente texto professor,mas com exceção de Jean Wyllys,brilhante intelectual,professor universitário, e um excelente parlamentar,que não se envolve em escândalos de corrupção e defende os direitos humanos,não vi outros participantes de BBB,que ao deixarem a casa,usaram sua fama para realizar boas contribuições para a sociedade brasileira,posso citar a Grazi Massafera,uma boa atriz,assim como a Juliana Alves,que participou do BBB3,mas outros participantes não vão além dos ensaios sensuais,nada contra,sou heterossexual,gosto de olhar mulheres nuas,não irei ser hipócrita de negar isso,mas muitos participantes se mostram pessoas vazias,e não conseguem produzir coisas relevantes quando saem da casa,alguns até permanecem na mídia,a Íris Stefanelli apresentava o TV Fama,programa de “fofocas” junto do Nelson Rubens,o Diego Alemão que foi seu namorado na casa,apresentou um programa no Multishow onde entrevistava ex participantes,e tbm tentou uma carreira política, nas últimas eleições fo o candidato a deputado federal pelo PV do RJ, mas obteve apenas pouco mais de 3000 votos e não se elegeu,a Fani participante da mesma edição que esses,participou de una serie erotica no mesmo Multishow,e outros participantes as vezes saem em colunas de sites como Ego e Fuxico,o senhor concorda que muitos participantes de fato são fúteis,de pouco nível cultural?Ou seria uma crítica preconceituosa?Pelo fato de muitos apenas pousarem nus quando saem da casa,evidenciando um fato da sociedade brasileira valorizar mais o fisico que o intelecto?Eu que sou gordinho ,se participasse do BBB,nessa edição até tem um negro e gordo,representante de minorias,mas aposto que não será chamado para pousar nu,assim como eu não seria rsss.

  3. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 3:06

    E já havia notado professor críticas tanto da direita conservadora,como da esquerda progressista ao BBB, a direita reclama da exploração da sexualidade,nudez,festa com bebidas,como se isso atentasse os valores da sociedade judaico cristã,e a esquerda reclama da futilidade,e ausência de minorias como o pobre, negro,indio,favelado ou camponês ali,mas esses dias notei críticas da esquerda feminista,em relação às mulheres que exploram seu corpo no programa,como se elas estivessem fazendo isso para satisfazer os homens,não entendo a lógica feminista,na Marcha das Vadias e Manifestações do Femen as mulheres tbm ficam semi nuas e exibem os seios,ainda que elas afirmam que nessas ocasiões, esses atos são feitos para contestar uma sociedade machista em que a mulher é julgada por exibir seu corpo,e mostrar os seios,quando os homens andam sem camisa pela rua sem serem julgados por isso,mas em contrapartida elas reclamam do BBB e que depois de lá as participantes femininas posam na Playboy apesar que agora a Playboy vai deixar de ser publicada no Brasil,ou Sexy,VII, Trip, ou qualquer outra revista que publique fotos sensuais,ou seja há um momento para o corpo feminino ser exibido?No BBB ou na revista nao pode, mas na Marcha das Vadias ou manifestações do Femen pode?Nada impede que algum homem se excite tbm olhando as mulheres na Marcha ou no Femen,ainda que seja o objetivo contrário delas ao tomarem essa atitude de desfilarem com os seios nus.

  4. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 3:08

    O senhor tbm discorda professor das criticas feministas ao programa?

  5. RENATO RAFAEL 25/01/2016 / 7:30

    Antes de mais nada,quero lhe parabenizar pelo livro ( Fé e dinheiro), que acabei de ler e também pelo blog, pois estou sempre acompanhando os posts, e também por ser mais um intelectual de fato, a desmascarar o senhor Olavo de Carvalho, aquele ser vetusto e desonesto ! Em tratando se de redes sociais o que eu reparo, inclusive ao meu redor em minha pequena horda de amigos…rs, é que o comentário pejorativo sobre esse programa, está intimamente ligado ao querer parecer um SER CULTO, INSIGNE diferente dos demais, algo como “se assiste ao BBB é alienado”, confesso que nunca assisti, por isso não tenho propriedade para expor minha opinião particular sobre o programa referido ! Até o próximo post Bertone !

  6. Liziane 25/01/2016 / 8:15

    Olá, professor Bertone!

    Leio seu blog com frequência e nunca havia comentado, então, primeiramente, gostaria de lhe parabenizar.

    Achei o viés desse texto bem interessante, e acredito que esse falso moralismo que o senhor apontou realmente exista. Mesmo assim, como acompanhei as primeiras edições do BBB e já escrevi críticas sobre o programa, tenho algumas ressalvas.

    Algumas situações que ocorreram no programa demonstraram que a emissora colocou a ânsia por audiência à frente da preservação da dignidade dos participantes. Por exemplo, em uma das edições, uma moça chamada Monique bebeu bastante em uma das festas, foi levada para o quarto por outro participante e lá teria ocorrido um suposto estupro, o qual não sei se foi comprovado pelas autoridades, já que o caso foi bastante abafado pela emissora. Apesar da gravação simultânea de tudo, ninguém tentou interromper o ato, possivelmente acreditando que a situação geraria ainda mais audiência se ninguém enquadrasse a conduta do rapaz como crime.

    Outra situação lamentável aconteceu em uma edição mais recente quando uma participante era constantemente assediada por um rapaz chamado Adrilles (ele a perseguia até quando estava tomando banho). A moça assediada começou a ficar cada vez mais transtornada e, segundo ela mesma, entrou em depressão e pediu para sair. No dia da sua saída, o Boninho fez um discurso apavorante dizendo que, naquele jogo, quem não tinha fibras deveria sair mesmo, num completo escárnio ao sofrimento da jovem e ao que ela havia passado anteriormente. Para piorar a situação, o comportamento de Adriles era considerado nada mais do que uma “brincadeira” e, quando ele saiu da casa e começou a participar de vários programas, era chamado de “romântico” pelos apresentadores.

    Ao contrário do o que senhor pontuou, eu realmente não concordo que o BBB exiba uma mulher “livre” nem mesmo do ponto de vista sexual. Não sei se o senhor já acompanhou alguma edição, mas, em quase todos os momentos em que uma mulher da casa se envolve com um participante, tem sequência situações como a rejeição dela por ter se apaixonado; arrependimento caso tenha mantido relação sexual e o rapaz tenha desistido do romance ou iniciado outro; Ainda, uma situação recente revelou a permanência do machismo mesmo em um ambiente de suposta liberdade sexual. Um casal do BBB não usava camisinha, então, a produção enviou para a casa uma ginecologista para conversar APENAS com a moça envolvida.

  7. Liziane 25/01/2016 / 8:18

    Enfim, eu acredito que o programa possa incomodar também pelos motivos que o senhor citou no texto, mas há muitas outras questões que irritam o telespectador. De minha parte, deixei de assistir por causa do tratamento da emissora em relação aos participantes, que os considera quase que, literalmente, peças num jogo, sem se importar com a sua saúde física e psicológica. Ainda que tenham assinado um contrato e recebam para estar lá, não concordo com essa postura.

    Desculpe o comentário grande demais!

    Abraços!

    • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 13:49

      Olá Liziane, obrigado por acompanhar o blog e comentar. Não sei se você também é professora e mesmo se não for, esses casos que você citou, a Tamires e o Adriles, a Monique, acompanhei tudo isso, levantam questões pertinentes pra gente fazer debates com os amigos ou em sala de aula. A pressão psicológica que Tamires sofreu, seu gesto de desistir do programa, a insensibilidade da direção e do próprio Adriles com seu sofrimento nos remete a muitos casos aqui, na “vida real”, a pessoas que praticam formas variadas de violência psicológica a ponto de anular a individualidade e às vezes até a vontade de viver de outra (sair do programa não equivaleria a desistir da vida, aqui fora?) E geralmente essa violência tem um remetente e um destinatário certos, elas partem de homens pra mulheres. O adolescente na escola deve ver o programa, então chamá-lo pra esse debate pode levá-lo a refletir melhor sobre suas atitudes e das pessoas a seu redor. É claro que isso também pode ser feito sem se falar do programa, mas por que não usar o que ocorre no programa como um recurso didático ou mesmo como uma fonte de debate com as pessoas no trabalho e em outros ambientes?

      Veja também o caso esse ano do boneco-esponja com cabelo black power que rendeu várias acusações de racismo à Globo. Admirei muito a postura do participante Ronan, que logo no segundo dia, usou o boneco como microfone para interrogar os outros “por que tem que ser um negro?” Ora, mesmo que a Globo queira dizer que não é racismo, por que, num país que teve três séculos de escravidão e onde o preconceito racial está tão presente, inclusive na boca de um jornalista como Alexandre Garcia, e há poucas semanas atrizes da própria globo sofreram preconceito nas redes sociais, por que reforçar esse estereótipo usando o boneco negro? Ronan então decidiu que ninguém iria usá-lo como esponja e decidiu colocá-lo em outro lugar como enfeite. Isso me lembrou a afirmação de Sartre de o quanto é importante o que fazemos com o que fazem de nós. Ronan transformou uma situação constrangedora numa oportunidade de fazer os outros refletirem e inverteu isso a seu favor. Então, ao invés de simplesmente chamar o programa de “lixo” por atitudes sexistas ou machistas, utilizar análises de caso pra debater que, mesmo numa sociedade que preza a liberdade de escolha, ainda há permanências de uma mentalidade tradicionalista e por vezes arcaica que atravessam nosso imaginário e nossa relação com os outros e que podem aparecer até mesmo num programa que simboliza essa época pós-moralidade em que vivemos.

      O que estou tentando te dizer é que podemos transformar o senso comum em debate qualificado.

      • Liziane 25/01/2016 / 14:31

        Não sou professora, sou estudante de Direito e esses debates me interessam bastante. Realmente, todas essas situações podem suscitar reflexões nas famílias, rodas de amigos, etc, mas eu fico constrangida com o nível de descaso ao próximo que, muitas vezes, ali se apresenta (ainda que possamos perceber tudo isso na realidade fora do programa também).

        Quanto ao boneco-esponja,fico me perguntando se ele não foi colocado ali, justamente, para gerar essa polêmica, e não com a intenção de problematizar o racismo, mas apenas arquitetar um conflito inicial entre os participantes…

        Obrigada por me responder!

        Abraços!

      • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 15:27

        Eu que agradeço por você ler e comentar de uma forma que eu possa responder.

        Abraços

  8. Cristina 25/01/2016 / 8:52

    Bertone, você tem todo o direito de gostar do BBB, mas não de chamar quem não gosta de moralista ou qualquer outro termo pejorativo. Os programas do tipo reality show foram fenômeno de audiência em um determinado tempo, e sempre atingiram o mesmo público que adora revista de fofoca. Esses programas hoje já não dão mais a mesma audiência porque se esgotaram em função da própria banalidade. Com tanta coisa pra se ver hoje, por que alguém vai perder tempo com algo que nem ao menos diverte? Bertone, seus textos são realmente muito bons, mas neste você deixa claro que não conhece muito bem o assunto e ainda menospreza a inteligência de quem assiste TV. A sociedade brasileira é realmente moralista, mas isto não tem relação alguma entre gostar ou não de BBB; portanto, não precisa tentar justificar com tanta teoria algo injustificável. O programa é ruim, principalmente diante das opções disponíveis na TV a cabo e na internet (inclusive gratuitas), e o telespectador tem todo o direito de não gostar. Além disto, colocaram pra apresentar o programa um jornalista que, um dia, deu os pêsames às famílias dos funcionários públicos no dia deles. Isso foi nos tempos do FHC, quando a mídia ganhava pra falar mal de funcionário público. Muita gente se lembra disto e tem profunda antipatia ao apresentador (que também não ajuda muito, com aquele discursinho “menino intocável da Globo”). Por fim, em função da qualidade dos seus textos anteriores, peço que não use falso moralismo como sinônimo de inteligência ou direito de escolha.

    • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 13:30

      Cristina, gosto de escrever textos que incomodam, que fogem ao senso comum, chamar meu leitor à reflexão, a pensar diferente do que ele está habituado, a lançar outros olhares sobre coisas corriqueiras cujos sentidos parecem que já estão aí, dados. Nem sempre isso é fácil, não foi pra mim e entendo que não é pra algumas pessoas, mas o esforço pode ser feito.

      • Cristina 26/01/2016 / 14:42

        Bertone, o seu texto não me incomoda como acredito que não incomodou a ninguém que fez comentários aqui. A questão toda é que o erotismo (ou a falta dele) não é o foco da discussão sobre o BBB. As pessoas apenas não querem assistir a programas que beiram à idiotia e a Globo está cheia deles, assim como boa parte da TV aberta. Só quero reforçar que você dificilmente achará apoio a este texto entre os seus leitores frequentes como eu. E fãs do BBB não costumam ler textos da qualidade dos seus e, por isto mesmo, dificilmente virão aqui se manifestar (mas talvez leiam Veja ou Olavo de Carvalho). Tudo é uma questão de escolha.

      • Bertone de Oliveira Sousa 26/01/2016 / 17:33

        Cristina, eu não sou político, não estou buscando apoio pra nada nem tomo meus leitores por eleitores. Que o texto incomodou, isso ficou claro nas reações de várias pessoas, inclusive na sua, como outros textos já incomodaram outras pessoas. Isso ocorre com frequência aqui. Mas não escrevo para agradar ninguém. Não me interessa se as pessoas são fãs do BBB ou o odeiam, meu texto é uma discussão histórica que transcende questões de gostos e desgostos. A proposta da página é levar as pessoas a pensar historicamente, acima de questões ideológicas e do senso comum. Se você quer continuar pensando que o programa é idiota, assim como a Globo, não tem problema. Escrevo pra quem está interessado no diálogo e em aprender. Quem não está, não precisa vir aqui.

  9. Marcus Sander Júnior 25/01/2016 / 10:00

    O artigo do Bertone, como sempre, foi muito bem escrito. Por isso, de antemão, venho parabenizar o Bertone por sua clareza na exposição de ideias e também pelo fato de eu me identificar bastante com as posições do autor. Grande Bertone! Nesse caso, entretanto, concordo com o comentário do leitor acima. A análise do Bertone, embora faça uma boa interpretação da evolução social em termos de sexualidade e costumes, reduz a crítica ao BBB a um moralismo pequeno-burguês e sequer trata da banalidade que impera no programa. Digo isso não por me identificar com os moralistas de que falam o texto. Não assisto ao BBB simplesmente porque não me atrai, como ocorre com muitos outros programas televisivos. Acho que a resposta acusatória do Bertone ao comentário do João não contribui em nada para o debate, apenas causa um mal estar desnecessário. No mais, venho expressar minha admiração pelo Bertone e pelos seus artigos, que sempre acompanho por considerá-los muito bons!

    • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 13:23

      Marcus, me poupe, essa coisa de “moralismo pequeno-burguês” não explica nada, é só rótulo que marxista de fim de feira gosta de usar pra assuntos que ele não domina, que foi o que o João fez. E ele não comentou interessado em nenhum diálogo, é só um idiota que veio aqui fazer escárnio.

      • João Jose Negrão 25/01/2016 / 13:40

        Caro Bertone, é lamentável que se discuta nestes termos. O “idiota que veio aqui fazer escárnio” é um colega seu, também professor universitário e doutor em Ciências Sociais, que costumava segui-lo e até repostar alguns de seus textos. Boa sorte…

      • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 14:08

        João, se você se considera meu colega e já conhecia meus textos deveria ter adotado uma postura mais digna de sua formação no seu primeiro comentário, ao invés de chegar me acusando de usar “falácia do espantalho” e fazendo troça do texto, mesmo divergindo dele. Todas as outras pessoas que divergiram aqui foram mais educadas que você, confira. Não posso retirar o adjetivo idiota que lhe dei porque foi assim que você agiu.

  10. Carlos 25/01/2016 / 12:07

    Boa tarde professor.

    Parabéns pelo texto, a questão em pauta não é se o programa é bom ou não, o maior problema no brasil são os religiosos em sua grande maioria hipócritas que se quer compreendem quem foi Cristo e sua pregação de redenção aos que eram desprezados por todos.

    E eu falo isso como cristão que sou. Não assisto o BBB como também não assisto o jornal nacional por não acreditar mais na imparcialidade do jornalismo no Brasil nem em qualquer tipo de produção televisiva pois sempre existem interesses ocultos.

    Agora questões como moralidade e religiosidade são as mascaras dos hipócritas que em vez de condenar o próximo devia refletir e avaliar sua própria vida.
    Sexo é pecado? Mais enganar os fiéis e roubar dinheiro não é…. Pastores e padres presunçosos, arrogantes e incapazes de demonstrar misericórdia aí está tudo certo….

    Quem quiser ver o BBB que veja. Quem quiser ir a missa que vá.

    Os valores realmente importantes não são absorvidos pela religião mais pelo espírito de forma individual através do entendimento que é perceptível a poucos, e dos poucos que percebem um número ainda menos adota como prática pessoal.

    Meu desejo é que um dia os religiosos compreendam a fé que professam.

    Um abraço a todos.

  11. Rodolfo Andrello 25/01/2016 / 13:16

    Professor. Nunca concebi o BBB como uma opção de entretenimento erótico. mesmo que contemplasse essa faceta, sempre o visualizei como uma guerra do universo de candidatos à sub-celebridades que possibilitava retornos financeiros e midiáticos a alguns poucos escolhidos. Já havia refletido por uma perspectiva evolucionista, que o esforço dos participantes para acessar essa gama de privilégios era bastante justificada, muito mais pela ótica dos nossos genes egoístas. Todavia enquanto opção de entretenimento, o BBB nunca me instigou. O resultado da prova do líder ou da prova do anjo me instigam menos que a vida sexual dos caramujos, mas apesar de tudo, existe uma série de outras opções de entretenimento que não me estimulam, mas estimulam outras pessoas com um invejável grau de cultura. Posso mencionar o futebol como uma categoria. Minha namorada, por exemplo, possui uma vasta bagagem intelectual, e é uma entusiasta torcedora do Corinthians. Novamente, o gol do Corinthians me representa um entretenimento tão bom tanto quanto a vida sexual dos caramujos, e ainda sim não concluo que a camisa do time no guarda-roupas de alguém seja um símbolo de menor acuidade intelectual. Acho que nenhuma opção de entretenimento tem condição de constituir uma unanimidade, isso valendo para o BBB, o Corinthians ou as lutas de Sumô que algumas vezes parei pra assistir no NHK. Apenas considero importante não terceirizar o raciocínio, apoiando-se aprioristicamente em jargões e lugares comuns construidos arbitrariamente.

    • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 14:24

      Rodolfo, nada no meu texto são “lugares-comuns construídos arbitrariamente”. Se você considera assim é porque não entendeu o que escrevi.

      • Rodolfo Andrello 25/01/2016 / 14:40

        Professor. Parece que então, não somente eu, mas parte significativa dos seus leitores, concluiu que pela sua perspectiva, os críticos do BBB são pessoas ibutidas de preconceitos de um ou de outro lado do espectro político. Se essa não foi a conclusão proposta no texto, e se seus leitores não foram sábios o bastante para discernir, isso eu não me atrevo a dizer. Me atrevo a dizer ao menos que a ascensão do entretenimento online nem foi cogitada como variável em desfavor do BBB, e sei que toda a tv aberta sofreu e sofre ainda com uma categoria de consumidores cada vez mais exigente. BBB não consiste exceção, e como poderia constituir? Até os tele-jornais tem cada vez um público menos passivo diante do que lhes é oferecido.

      • Bertone de Oliveira Sousa 25/01/2016 / 15:25

        Rodolfo, chamei os críticos de incultos e tentei ir à raiz disso em suas múltiplas facetas. Mas você está comentando mais ou menos nesse sentido: “você falou disso, mas não falou daquilo, etc.” Essa é uma forma ruim de argumentar sobre um texto porque se perde o foco do que está sendo dito. O entretenimento on-line não tem relação com meu texto porque não estou falando em números de audiência. Há inúmeras coisas que podem ser ditas num texto e ao se levantar isso já se tenta discutir outro texto.

  12. Raphael 25/01/2016 / 16:41

    Boa tarde, Profº Bertone!

    Concordo em partes com o seu texto.
    É certo que existe sim a hipocrisia, principalmente por parte dos mais conservadores e que se acham donos da moral e dos bons costumes, não apenas com relação ao BBB, mas com diversas outras coisas que eu poderia citar.

    Porém, o fato de alguém criticar o BBB não significa que essa pessoa seja hipócrita. É simplesmente uma questão de gosto. E qualquer coisa deve estar aberta a críticas e questionamentos, afinal, vivemos numa democracia com liberdade de expressão.

    Para mim, particularmente, continuo achando um programa sem graça e que nada acrescenta em minha vida, nem mesmo em matéria de entretenimento. Prefiro mil vezes assistir um bom filme ou um seriado nos canais por assinatura. Aliás, a TV aberta pra mim já perdeu a qualidade há muito tempo. Ainda lembro com saudades da minha infância, quando víamos programações boas. Bons tempos aqueles!!!

  13. Cícero 26/01/2016 / 8:30

    Parabéns pelo texto muito bem escrito e com riqueza de argumentos persuasivos, no entanto não vejo grande valia nesse referido programa. Mas como diria Voltaire “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Parabéns!

  14. Pedro Henrique 26/01/2016 / 23:45

    Muito bom o texto Bertone. Jamais imaginei que alguém faria um texto tão construtivo com o BBB. Apesar de não ter interesse no programa (pelas razões que você cita, ou não), certamente seu texto pode fazer ponte com outros programas igualmente “vulgares”. Acaso tem alguma opinião a respeito dos programas policiais que pipocam em nossa TV aberta? Lembro-me de você ter mencionado de relance em algum de seus artigos.

    • Bertone de Oliveira Sousa 26/01/2016 / 23:55

      Pedro, os programas policiais se enquadram numa perspectiva bem distinta, que não tem relação com a modernidade no sentido abordado aqui mas com a proliferação de uma cultura da violência nos centros urbanos.

      • Pedro Henrique 27/01/2016 / 0:49

        Obrigado pelo esclarecimento nesse caso. Desejo-lhe o melhor, como sempre.
        Ps: apenas para ficar destacado, eu sei que voce tem acesso aos emails das postagens, então, caso meu nome ou email diferencie vez por outra, culpe meu celular por não recordar as opções que eu escolho para posta. Haha.

      • Bertone de Oliveira Sousa 27/01/2016 / 1:00

        Obrigado, Pedro. Não se preocupe, nem mesmo checo os e-mails porque nunca entro em contato com os leitores fora desse espaço e do facebook, a menos que me mandem um e-mail pelo formulário de contato aqui do blog. Abs.

  15. Marcos VFG 28/01/2016 / 11:33

    O texto é bem escrito e você tem razão quando aponta que muitos repudiam o BBB por uma questão moralista. E nesse ponto, eu estou de acordo. Agora, penso que você rotular todos os críticos do BBB como moralistas é um exagero. Você está desconsiderando o simples fato de que hoje existem outras formas de entretenimento que nos atraem mais, e não porque são menos moralistas. Programas da própria Globo que tratam o sexo como tema central: “Amor e Sexo”, conheço pessoas que assistem esse programa, mas não gostam do BBB. Aliás, a fórmula de Reality Show em geral já não tem o mesmo impacto. As pessoas estão ávidas por outras formas de conteúdo. Minha aversão ao Big Brother não é por eu não me sentir atraído pelo conteúdo ali, de fato, não me diverte, não me sinto “ansioso” para descobrir o vencedor. Talvez esse tipo de programa não seja de meu gosto por N motivos. Muitos pensam assim também. Não adianta chamar de moralista ou esquerdista, eu não gosto e não tem nada a ver com promiscuidade (não mesmo) ou por alienação.

    • Bertone de Oliveira Sousa 28/01/2016 / 12:05

      Marcos meu texto não é apenas sobre quem não gosta. Não estou discutindo gosto. Aliás, isso já está no título.

  16. Francisco Robson de Araujo 04/02/2016 / 23:50

    O professor Bertone nos apresenta uma análise sobre os ” reality’s” nos moldes do BBB, sobre um prisma peculiar e até mesmo pouco usual. Alijando o texto de pressupostos moralistas e depreciativos à visão pseudo intelectual, ao passo que nos mostra como a conquista de certos direitos individuais atrelados ao comportamento social e a sexualidade, podem serem vistos reflexivamente em programas deste escopo; como uma consequência das causas ganhas. Confesso Bertone que seu texto me fez rever alguns aspectos referentes a esse tipo de programa, contudo ainda prefiro apreciar outras formas de entretenimento e cultura que explorem temas análogos aos do BBB, por os considerá-los com maior substância e tenacidade, além da própria linguagem e formato. Não sou lá muito entusiasta de ” reality’s”, mas há uma porção deles com formatos e propostas que me agradam mais, de todo modo é sempre bom se deparar com alguém que consiga pensar construtivamente sobre algo, e não fique ancorado em preceitos comuns, e creio que você o fez. Ps: Professor Bertone, sei que não vêm ao assunto da sua postagem, mas gostaria de saber se você poderia futuramente elaborar um texto tendo como tema as figuras políticas de Karl Lueger e Georg von Shönerer, figuras estas que são citadas por Hitler em seu ” Mein Kampf”. Eu tentei explorar um pouco sobre eles na internet, todavia o material que obtive foi exíguo e pragmático. Desde já agradeço pelo espaço, abs.

  17. inominavelser 19/02/2016 / 14:25

    Boa tarde.

    Há muito me desvencilhei de criticar esses tipos de programas, tanto na Internet quanto fora desta. Como um cara de mente aberta, escritor de poemas e contos eróticos, 100% politicamente incorreto, como eu, poderia ter a infâmia de criticar o que é um espelho perfeito de tudo que grande parcela da Humanidade tenta esconder e negar? Meditei, muito, sobre o meu comportamento antigo, modifiquei minhas opiniões e, hoje, respeito as escolhas do Outro. Infelizmente, nem todos podem chegar a uma conclusão sobre o que tanto incomoda no BBB ou no Movimento Funk Brasileiro, nos grupos LGBT e tantos outros que “chocam” a sociedade. O ciclo dos ataques, críticas e opiniões hipócritas é nauseante, parece que a imposição de uma postura moral quer ser imposta à força pelo grupo dos críticos. A História comprova que isto nunca funcionará.

    Seu texto é de uma precisão profunda, Bertone Sousa. Mas, senti falta de uma abordagem no campo da Pornografia Hardcore e em redes sociais como o Instagram e o Tumblr, onde o Corpo é uma Divindade. Talvez em um texto futuro você possa falar sobre os mesmos?

  18. Ronaldo da Silva Thomé Júnior 02/10/2017 / 19:15

    Bertone, tudo bem? Algo que tem me incomodado são esses problemas todos ligados à questão de exposições de arte pelo Brasil. Tanto no caso de Porto Alegre como São Paulo, não entendo o que está acontecendo… O que me preocupa é a questão de vermos crianças em locais públicos cujo conteúdo deveria ser adulto.
    Mas me preocupa mais ainda ver situações vexaminosas em que um “falso moralismo” parece estar surgindo. Afinal, vejamos só: por que pessoas brigando nas ruas, taxando artistas de pedófilos, não se incomodam com situações como pais que levam filhos de 12,13 anos para bordéis? E por que parece normal a um homem levar um filho a um prostíbulo mas não uma filha?!
    Há algum pesquisador, livro ou material que você indique sobre este assunto? Aliás, qual sua opinião sobre o que está havendo?

    • Bertone Sousa 02/10/2017 / 23:28

      Ronaldo, tenho comentado esses assuntos em breves notas no facebook. Me acompanha lá.

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