Antiamericanismo de esquerda

bandeira-dos-estados-unidos-7Nosso pensamento sobre os Estados Unidos é pontuado por uma eloquente ambiguidade: por um lado, temos o ressentimento de sermos ignorados e em certos pontos também desprezados por eles, o que não condiz com o peso geográfico de nossa extensão territorial e a importância que gostaríamos que os países ricos, especialmente os norte-americanos, nos dessem. Então repudiamos a arrogância, o egocentrismo do american way of life e a política externa intervencionista e imperialista de Washington, que não se importa em preservar ou construir democracias se isso não interessa a seus interesses econômicos.

Por outro lado, não podemos deixar de reconhecer a importância que os Estados Unidos têm como baluarte da democracia (paradoxalmente ao que foi afirmado acima), por seu peso em legislação de direitos civis e defesa de liberdades individuais e a influência e pioneirismo de seus cidadãos na luta por direitos de minorias, como mulheres, negros e homossexuais. Há também a importância avassaladora de suas instituições de pesquisa e produção científica em todos os campos.

No Brasil, enquanto a direita, imbuída daquele complexo de vira-lata, enaltece a cultura norte-americana como exemplo de tudo o que não somos, a esquerda, ainda imbuída de um forte ideário marxista-leninista, destaca apenas os aspectos políticos e sociais que poderíamos chamar de negativos: as intervenções militares, os bolsões de pobreza, a discriminação racial que ainda persiste. Por causa do marxismo-leninismo, a esquerda não entende a relevância do pensamento político liberal norte-americano para as políticas de integração racial, ampliação de direitos civis a mulheres e homossexuais e políticas de redistribuição de renda. Ela defende essas pautas mas não sabe de onde elas vêm.

Se o elitismo e os preconceitos raciais e regionais de nossa direita são empecilhos às mudanças sociais que começamos, mas não conseguimos continuar, nem ela mesma se propõe a isso, na esquerda o antiamericanismo exerce um papel similar, na medida em que também é essencialmente anticapitalista. Durante a ditadura militar, a posição antiamericana de muitos intelectuais se justificava pela necessidade de engajamento na luta contra a ditadura que era apoiada por Washington. Sabemos que os movimentos de guerrilha não lutavam pela democracia, mas por um socialismo depurado dos erros de Stalin. A democracia só poderia ser concebida se fosse socialista, isto é, se pudesse ser erguida em um sistema político voltado para a construção da igualdade social, não para a perpetuação da pobreza e da exclusão, como o capitalismo dos países periféricos dava exemplos de sobra.

Agora que não existe mais Guerra Fria nem socialismo, a esquerda precisa repensar as bases teóricas a partir das quais problematiza nossa realidade social. E vem fazendo isso mais lentamente do que deveria. Isso não significa abrir mão da utopia, se tomarmos utopia pela acepção elementar de pensar um projeto de futuro melhor do que o presente. Uma visão progressista de mundo não perde com o fim do socialismo, mas ganha oportunidades de renovar-se e isso não pode mais ocorrer sob a égide de um marxismo que não explica mais nosso tempo. Alguém que se expressou muito bem sobre isso foi Richard Rorty:

[…] o melhor modo de atingir a justiça é combinar economia de mercado e empreendimento capitalista com tributação distributiva e Welfare State. Minhas razões para manter essa perspectiva não são filosóficas mas tão-somente empíricas. As experiências de países como Rússia, China e Cuba parecem mostrar que os mercados livres são necessários para que uma sociedade seja capaz de tirar total proveito da inovação tecnológica. Uma das lições do século XX é que aquilo que os marxistas chamavam de “reformismo liberal-burguês” é o único caminho que resta à política de esquerda. Experimentamos alternativas mais radicais, mas essas experiências revelaram-se um fracasso.

Para mim, Sobre a Liberdade, de [John Stuart] Mill, ainda parece dizer boa parte do que se precisa dizer sobre os objetivos políticos da esquerda. O “princípio da diferença” de John Rawls – que afirma que as desigualdades são justificadas somente quando beneficiam os membros menos favorecidos da sociedade – esclarece uma das consequências da visão de Mill. A justificativa de Rawls para o capitalismo é que qualquer outro sistema econômico deixaria os menos favorecidos mais miseráveis, pois seriam privados dos benefícios da inovação tecnológica[1].

Essa ênfase em inclusão social dentro de uma economia de mercado é paradoxalmente algo que a esquerda despreza, mas é hoje o que ela mais defende para salvar um governo que vem perdendo a passos largos referenciais de esquerda para se manter no poder. Rorty escreveu isso no contexto em que o bloco socialista no leste europeu desmoronava, entre o final dos anos 80 e início dos 90 e teceu observação que continuam pertinentes para pensar nossa época. Se nossos intelectuais de esquerda lessem os pensadores liberais norte-americanos desde então, já teríamos proposto mudanças estruturais importantes sem insistir no apelo à noção vetusta e incompreensível de socialismo com democracia.

Como não pode mais desejar uma revolução proletária, pois não existe mais proletariado nem ideologia que possa mais guiar uma revolução, a esquerda deseja a derrocada dos Estados Unidos como nação, cavando na internet qualquer notícia que reforce sua convicção de que a miséria cresce muito ali e a sociedade está em declínio. Curiosamente, a esquerda brasileira também comemorou quando a Suprema Corte dos Estados Unidos legalizou a união homoafetiva, mas quase ninguém enfatizou que isso ocorreu em um governo de esquerda (Obama) num país com histórico de luta pelos direitos civis. Isso deveria servir como ponto de inflexão a essa esquerda que vez ou outra ainda apoia ditaduras, grupos terroristas e teocracias islâmicas desde que estes se manifestem abertamente antiamericanos e ou anti-israelenses, países onde liberdades civis são negadas a virtualmente toda a população.

Uma parte da esquerda não admite francamente, mas ainda não abandonou a ideia de que é preciso sacrificar liberdades individuais para se conseguir igualdade social, por isso não vê nenhum problema em elogiar o sistema educacional e de saúde pública de Cuba mesmo que outros países tenham conseguido resultados semelhantes ou melhores sem abrir mão da democracia. Isso também se deve ao pensamento de que a “democracia burguesa” não pode promover as mudanças sociais necessárias e que é preciso lutar contra os privilégios de classe causadores de concentração de renda.

Rorty argumenta que temos de abandonar as noções de capitalismo, cultura burguesa, ideologia burguesa e classe trabalhadora se ainda quisermos apreender nossa época em pensamento e pensar questões relacionadas à justiça social e ainda diz que “qualquer programa que a esquerda possa fazer para o século XXI não incluirá a nacionalização dos meios de produção ou a abolição da propriedade privada[2]” porque “uma vez que ‘capitalismo’ não pode mais funcionar como o nome da fonte da miséria humana, ou ‘classe trabalhadora’ como o nome de um poder redentor, necessitamos encontrar novos nomes para essas coisas[3]”.

Para Rorty, o fim das metanarrativas nos impõe pensar a miséria humana causada apenas pelo egoísmo, ódio e cobiça e a termos que fazer isso de forma banal, não teórica. Isso, naturalmente, fará os intelectuais se sentirem desconfortáveis, pois não serão mais os detentores de um saber de vanguarda que os outros não sabem. A esquerda se acostumou a pensar o mundo em termos escatológicos e se mostra impaciente ou hesitante em agir a partir de propostas reformistas e reparadoras, ao invés de apenas destrutivas.

As políticas afirmativas que o PT adotou nos últimos anos, como as cotas para negros nas universidades, são invenções norte-americanas que deram muito certo enquanto políticas e integração racial. Acontece que nossa intelligentsia vem de uma formação eminentemente europeia, especialmente francesa e com histórico de militância em partidos e organizações marxistas que a tornou um tanto refratária às inovações teóricas do mundo anglo-saxão. O que precisamos entender é que o marxismo não é mais o único instrumento de luta por direitos civis e igualdade social e na verdade nem é mais o melhor. Nossa esquerda avançou mais em questões práticas do que teóricas e, mesmo nos pontos em que avançou, empacou em esquemas de corrupção dos quais não conseguiu mais sair.

No Brasil, os que se dizem liberais não são liberais e a esquerda, que não estuda nem compreende a importância do liberalismo, toma por liberalismo apenas o thatcherismo dos anos 1980. A direita quer pensar o liberalismo somente a partir de Mises, mas Mises nunca foi um clássico, ocupa um lugar marginal na história do liberalismo e se limitou a ser apenas um divulgador prosaico dessa vertente. Como disse em outro texto, temos muito a ganhar com a teoria de Rawls de construção de uma democracia de proprietários. Isso deve passar pela discussão dos princípios de cidadania moderna que queremos seguir, o redirecionamento do mau uso dos recursos públicos e a desconstrução do patrimonialismo como uma das heranças sociais mais nocivas que ainda temos.

Alguns marxistas já enxugaram muito seu pensamento de velhos dogmatismos de esquerda, mas ainda se fala em burguesia, luta de classes, classe trabalhadora e capitalismo como noções a partir das quais ainda se pode pensar a vida social e que ainda justificam uma militância política e ideológica em nome de uma suposta luta pela igualdade social. Em todas essas questões, a permanência de um antiamericanismo e anticapitalismo na esquerda se justifica apenas como uma postura infantil de não querer reconhecer as mudanças paradigmáticas das últimas décadas para as quais nos fizemos de surdos ou a ilusão de pensar deter chaves explicativas da história que no mundo desenvolvido foram abandonadas há décadas.

Tudo isso impõe a necessidade de percebermos que temos muito a aprender com o pensamento liberal anglo-saxão. Para os intelectuais militantes mais velhos acostumados ao pensamento único, à visão messiânica de um marxismo militante, isso pode não ser mais possível; mas para os mais jovens, que nasceram nos anos 1980 e 1990, ou para os que nasceram antes mas não foram condicionados pelo pensamento dogmático, que são capazes de se surpreender, aprender e pensar o novo, sim, é partir daqui que uma mudança conceitual e teórica pode se tornar possível.

Notas

[1] RORTY, Richard. Pragmatismo e Política. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 25-26.

[2] Idem, p. 62.

[3] Ibid. p. 63-64

Leia também: 

O que foi o comunismo 

Lênin e o comunismo

Dez coisas que a esquerda ainda precisa entender

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18 thoughts on “Antiamericanismo de esquerda

  1. Pedro Sousa 15/01/2016 / 23:48

    Professor, em primeiro lugar parabéns pelo artigo.
    Não sei como você enxerga, mas penso eu , que
    o caminho seria uma social-democracia sem os
    ranços do socialismo tradicional e/ou a verdadeira
    democracia-cristã nos moldes europeu.
    Um adendo, discordo quanto a dizer que os democratas
    seriam a esquerda americana. Seriam a “esquerda” em
    relação aos republicanos. Estes sim a direita clássica,
    com algumas alas muitos conservadoras. Os democratas
    talvez seriam centro ou centro-direita, com raríssimos
    verdadeiramente socialista (Bernie Sanders).
    Abraços.

  2. Catita 16/01/2016 / 7:36

    Sr Sousa, obrigada pelo artigo bom. No entanto, como uma americana estudando a história do Brasil – US relações externas, discordo de você em dois pontos.

    Eu não culpo a esquerda brasileira por seu anti-americanismo. Brasil ainda está sofrendo os efeitos da intervenção imperialista dos EUA – no passado político e agora, da exploração exigida pela doutrina neoliberal. Eles não devem admirar os Estados Unidos muito. Para ser “liberal” nos EUA geralmente significa ser muito capitalista, enquanto ao mesmo tempo ser ignorante ou apáticos ao sofrimento seu governo imperialista causou ao redor do mundo, como o apoio americano de ditaduras atravez America Latina e da pilhagem econômica que já dura. Eu não culpo a esquerda no Brasil por desprezar tal arrogância e ganância.

    Ninguém no Brasil deveria admirar “a vida americana.” Sim, nós lutamos pelos direitos humanos, mas, entretanto, a polícia ainda atirar os afro-americanos, nós encarcerar mais pessoas do que a maioria dos países combinados, o racismo e a homofobia estão em toda parte, e em cima disso, quase todos os dias há um tiroteio em massa. Amigos e familiares vão à falência tentando pagar por sua saúde e a educação de seus filhos. Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. Presidentes não fazer coisas como fechar Guantanamo, porque eles são informados por seus mestres do fantoche, as empresas multinacionais e o 1%..Não deveria acreditar na idéia de que o “livre mercado” pode salvar Brasil. Ele falhou nos EUA. Ele tem enriquecido os ricos e os bancos e as corporações e criou uma nova classe baixa. Baseia-se na pobreza de outras nações para se manter vivo. Os ricos nos EUA vivem nas costas dos pobres de todo mundo, nas costas dos cadáveres dos alunos mortos no estádio em Santiago, outros paises. Isto não é “liberdade”. E uma pena de que tão poucos americanos sabem estas verdades. O fato de que Washington nega o passado ou se recusa a comentar sobre suas intervençãoes é criminoso também.

    O outro ponto sobre o qual eu discordo: você parece pintar todos os que lutaram contra a ditadura com a mesma escova, como seguidores de Mao e Stalin. (Espero que eu não entendi você corretamente.) Como qualquer pessoa poderia dizer que sequer as guerillas queriam criar um comunismo exatamente como Stalin ou Mao? Voce acha que todos os que foram presos por ser “subversiva,–eles estavam trabalhando em sindicatos–foram usando Mao como um ideal? São Marx e Mao sinônimo? Desde quando é sindicalizar comunismo a la Mao? Ou por exemplo, os sacerdotes preocupado com toda a tortura e os desaparecimentos? Ou músicos como Caetano Veloso? Para chamar todos os que se opuseram o regime ilegais e brutais guerrilhas que queriam um comunismo como Mao é errado. A maioria deles nunca levantou um dedo em violência. E para os poucos que foi armados, depois de 1968, a luta armada era o único método para tentar parar o regime que tinha suspendido direitos humano e fechado todos os canais de dissidência. Essas pessoas merecem honra pela sua coragem e inteligencia. Estes heróis compreenderam a ameaça representada pelo imperialismo norte-americano, ao contrário dos generais, que concordarem em não privatizar os recursos do Brasil, e vendê-los barato–para enriquecer os EUA.

  3. abner 16/01/2016 / 16:43

    bertone, sobre a questão da relação entre a américa latina e os estados unidos, qual a sua opinião sobre o livro “O espelho de próspero” do richard morse? É um livro recomendável?

    • Bertone de Oliveira Sousa 16/01/2016 / 18:33

      Abner, ainda não li essa obra, mas quando fazia mestrado na UFG as professoras de história da América a elogiavam muito.

  4. Ávila 17/01/2016 / 18:16

    Olá, Bertone, Boa noite.
    O autor do Livro ” Não, Sr. Comuna”, Evandro Sinoti, gostaria de convidar você para um Hang out. Para trocarem ideias sobre alguns dos 23 temas relacionados no livro dele. Cada capítulo aborda o que ele considera 23 das falácias mais repetidas por esquerdistas.
    Vou dar alguns exemplos:
    1. ” No capitalismo, os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres;
    2. O capitalismo tira a liberdade das pessoas;
    3. O empresário capitalista explora o trabalhador ao se apossar da mais-valia dele;
    4. A solução para resolver os problemas do Brasil é taxar as grandes fortunas…”
    Estes são alguns tópicos, claro que vocês pode definir entre outros. Estou lhe contatando com consentimento prévio dele.
    Caso lhe interessar, posso esclarecer melhor ou por vocês dois em contato.
    Obrigado.

    • Bertone de Oliveira Sousa 17/01/2016 / 22:06

      Ávila, não conheço o livro que você mencionou. Eu teria que ler pra isso e no momento estou sem disponibilidade de tempo. Além disso, pelo título e subtítulo e por algumas sinopses que li numa breve pesquisa pra saber do que se trata a obra em questão, pra mim é muito desmotivador dialogar sobre ele por seu caráter explicitamente panfletário e não acadêmico. O problema com esse tipo de abordagem é que ela por si só empobrece o debate. Prefiro dialogar com quem faz pesquisa acadêmica, que compreende a importância dos clássicos, como Adam Smith e Marx, por exemplo, sem querer mostrá-los como embusteiros, o que é uma postura lamentável. É difícil encontrar gente assim na direita e na esquerda. O excesso de politização que temos visto nos dois lados está nivelando por baixo o debate no país.

      • Daniel 28/01/2016 / 19:18

        Professor, estou lendo o livro e é um Show de horrores. Ele cita Olavo de Carvalho para corroborar a ideia de que (pasme!) o nazi-fascismo é de esquerda porque controla o Estado! Cita Mises como a fonte de todo saber na economia…enfim, pura lavagem cerebral à moda Rodrigo Constantino e a galera do Instituo Milenium e Mises. Diz que o PSDB é de esquerda.

        Recomendaria que debatesse como ele mesmo pois o cara é uma fraude inconteste e não aguentaria uma contra-argumentação contida em seus textos.

    • Éderson Cássio 18/01/2016 / 16:23

      Esse é o lado B da democracia, dando voz à ignorância. Livros como esse, tanto de direita quanto de esquerda, fazem sucesso por dizer “o que os leitores querem”. Conhecimento de verdade dá trabalho e ninguém quer ler.

    • Edson Silva 22/01/2016 / 8:31

      Senhor Ávila, no capitalismo os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres ficam cada vez mais pobres, sim senhor. Duvida? Basta ver o relatório recente, que saiu em todos os jornais, até os de direita, da ONG inglesa Oxfam, 1% da população mundial possui renda igual que o restante da humanidade, ou seja, os outros 99% por cento. Será que eu estou ficando louco? Ou é o capitalismo canibal que está deixando outros loucos?

  5. Pedro Henrique 20/01/2016 / 0:14

    Bertone, por ventura você não já publicou texto similar a esse? Relembrou de algo nesses moldes de meses, talvez anos atrás.
    E como adeddum, que você acha que uma junção do Brasil a zona de livre comercio das americas? A ALCA por exemplo? Tenho um colega que me disse que todo nosso pensamento no Exercito Brasileiro é influenciado diretamente pelo Exercito dos USA. As relações Brasil – US sempre foram bem próximas, soa-me paradoxal o desejo ensandecido de certos indivíduos quererem isolar e até mesmo destruir os primos do Norte.

    • Bertone de Oliveira Sousa 20/01/2016 / 0:17

      Pedro, a Alca é um projeto que feneceu faz tempo. Cooperação militar é algo corriqueiro entre países aliados; meu texto trata de outras questões.

  6. Marcus Canesqui 21/01/2016 / 23:24

    Infelizmente os ideais pintados pelos fundadores dos EUA ficaram para trás. Hoje quem comanda a nação são os grandes conglomerados que doam milhões a campnhas politicas em troca do poder. O próprio povo americano é traido eleição após eleição assim como nós. Lembram do Obama Care? Os deputados representaram os interesses de quem? Do 1%, e nisso os americanos continuam tendo que pagar 50$ por um curativo. E acrise de 2008? Aconteceu porque um gênio chamado Greenspan lutou e conseguiu desregulamentar o sistema financeiro liberando os bancos a especularem com o dinheiro dos clientes e é claro o fantoche Bush aprovou. Por isso, acho que os americanos, assim como nós, tem uma árdua luta pela frente.

    • Bertone de Oliveira Sousa 21/01/2016 / 23:48

      Marcus as coisas também não são assim tão ruins. Veja que a maior do povo americano rejeitou o conservadorismo do Tea Party e com Obama o país se recuperou da crise de 2008. E só pra constar meu texto não é sobre pais fundadores mas sobre filosofia política contemporânea.

      • Rafael Souza 22/01/2016 / 23:18

        olá professor Bertoni Sousa!
        A esquerda brasileira é fruto da estrutura social que vigora no país, não é novidade à alta disparidade entre ricos e pobres, incluindo os serviços públicos oferecidos à parcela mais vulnerável da população, o que de fato fomenta à extrema esquerda, que preza pela revolução socialista, e a elite patriamonialita, que desde a colonização sempre usou a estrutura do estado para promoção de seus interesses, uma classe média que imita o comportamento das elites, e como diz a filosofa Marilena Chauí “é o sustentáculo ideologico da burguesia”, que adere ào liberalismo extremo, com a ilusão de que o estado está atrapalhando eles na ascensão social.
        Bom!, qual sua visão sobre isso

  7. Alberto 10/02/2016 / 14:17

    Uma pergunta, professor Bertone. D. PII é um exemplo de democrata? Li que durante seu regime não havia nenhuma perseguição política, tanto que movimentos republicanos militavam livremente no Império. Em outras monarquias, como do Império Russo, isso era praticamente impossível. O Brasil era um dos países mais democráticos, com a introdução da lei Saraiva. Será que esse espírito iluminista de PII falta para os nossos governantes de hoje? Ainda: em linhas gerais, qual sua visão sobre o Império do Brasil. José Murilo de Carvalho é um historiador confiável?

    • Bertone de Oliveira Sousa 10/02/2016 / 15:55

      Alberto, democracia não. O Segundo Reinado foi uma monarquia constitucional à brasileira, um regime centralizador e com poder moderador e voto censitário. Além disso, houve sim repressão política nos primeiros dez anos do reinado de Pedro II contra os levantes regionais iniciados no período regencial. A Revolução Praieira e as lutas pela abolição da escravatura também levaram a conflitos cruentos. As eleições eram manipuladas pelo imperador e os ministros e a maior parte da população estava excluída do sistema político. A violência era frequente nas eleições, pessoas eram espancadas e até desterradas pela ação de jagunços, que formavam forças armadas particulares em favor dos mais poderosos. Chamar o Brasil de democrático em comparação com o Império Russo é um erro, havia mais liberdade política mas isso não configurava uma democracia. José Murilo de Carvalho é um clássico da historiografia brasileira.

  8. Jonas 29/02/2016 / 13:33

    Muammar al-Gadafi é um dos ícones mais referenciados agora. Foi um notório anti-americano. Qual sua opinião sobre esta celebridade? Vi que esse ditador apoiou Idi Amin e financiou atentados terroristas ao redor do mundo. Poderia fazer um texto sobre Gadafi e seu legado? Valeu!

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