Alguém falou em luta de classes?

proletariadoLuta de classes é um termo central das relações políticas no Ocidente desde o século 19 e é impossível pensar nisso sem remetermos a Marx, ao Manifesto Comunista de 1848 e a outras obras suas e de Engels. Naquele contexto, a luta de classes dizia respeito ao antagonismo entre o proletariado e a burguesia e, seguindo a trilha dos socialistas franceses, Marx pensou esse conflito como uma etapa que levaria ao socialismo. Ora, o socialismo não representaria ainda o fim das diferenças de classes, mas a tomada de poder pelo proletariado e o fim de sua subjugação pela burguesia.

Luta de classes é um conceito da modernidade sólida, da sociedade industrial, é um conceito que remete à sociedade do trabalho, que produziu movimentos como o ludismo e permitiu a formulação de ideologias sociais que tinham como foco as tensões dessa sociedade, como o socialismo, o anarquismo, o nazismo e o fascismo. Essas ideologias buscavam arregimentar os trabalhadores para uma revolução social e se opunham ao liberalismo burguês. Anarquismo e socialismo à esquerda e  fascismo e nazismo à direita foram as ideologias da era das massas.

Essas ideologias perderam força à medida que o trabalho se deslocou das fábricas para os setores de serviços e informação e o proletariado praticamente desapareceu como classe. O fascismo foi derrotado na guerra e o socialismo fracassou em seu projeto de construção de uma sociedade utópica e, como não há mais socialismo como perspectiva nem existe mais uma classe que atenda pelo nome de proletariado, não podemos mais falar em luta de classes.

As utopias sociais estão mortas e já não expressam os anseios dos trabalhadores. Por outro lado, muitas de suas promessas se tornaram viáveis sem revolução social, como a jornada de oito horas, a flexibilização da mão de obra, a elevação da qualidade de vida dos trabalhadores e a universalização de direitos trabalhistas. Essas conquistas foram em grande parte resultado das próprias lutas trabalhistas no interior do capitalismo e se ampliaram como resultado da especialização dos trabalhadores e das mudanças paradigmáticas da sociedade pós-industrial.

Como afirma Kumar no livro Da Sociedade Pós-industrial à Pós-moderna, a publicidade fundiu o cultural e o econômico, o fim da política de classes passou a focar o cidadão como consumidor e o pluralismo de valores e estilos de vida resultaram na afirmação de comportamentos individualistas. Isso não significa que as desigualdades sociais tenham desaparecido, assim como o desemprego. Nos países ricos, as mudanças nas relações de trabalho ocorreram mais rapidamente do que em países periféricos como o Brasil, mas desigualdades sociais e lutas de classes são coisas distintas. Um  funcionário de uma empresa como o McDonald’s, por exemplo, pode ter uma jornada de trabalho extenuante, mas ele pode procurar e receber uma oferta de trabalho melhor de outra empresa e migrar para ela; pode também buscar um curso superior e profissionalizante e com isso planejar uma carreira.

Com a diluição da noção de proletariado o que passou a existir foram segmentos distintos de trabalhadores que fazem reivindicações pontuais junto aos patrões ou a governos por melhores condições de trabalho e de salários. É assim que médicos, professores, funcionários públicos, garis, caminhoneiros e outros grupos agem. Contudo, não há elementos que possam uni-los em torno de um ideal porque não formam uma classe, mas categorias de profissionais que não se veem como trabalhadores, mas percebem sua posição na sociedade a partir das especificidades de sua profissão. Além disso, a ascensão do trabalhador autônomo e do microempreendedor se tornou um ideal de muitas pessoas de baixa renda que almejam ampliar seus proventos sem submeter-se a um patronato.

Em geral, o que os trabalhadores almejam é a ascensão à classe média, não a derrocada do sistema capitalista. Como afirmei em outro texto e volto a repetir: “Os pobres não estão interessados em revolução ou coletivização, mas em qualidade de vida, sem supressão de liberdades democráticas. As revoluções e coletivizações do século 20 atuaram no sentido contrário a essas demandas”. Mesmo assim, as noções de direita e esquerda ainda permanecem, mas não podem mais ser pensadas como se o mundo ainda estivesse vivendo a divisão capitalismo versus socialismo.

A melhoria da qualidade de vida dos mais pobres passa pelos investimentos em políticas públicas e sociais e pela busca de qualificação profissional. Afirmar isso não implica um convite ao conformismo e ao abandono de perspectivas de futuro. Pensar um futuro melhor que o presente faz parte de nossa condição como indivíduos modernos, mas o que está em questão é que as narrativas universalistas da modernidade sólida, isto é, as ideologias da sociedade do trabalho, não estão mais na ordem do dia. Elas propunham soluções universais a partir dos desajustes sociais provocados pelo sistema fabril.

Na sociedade contemporânea, a pluralidade cultural substituiu a política de classes e os projetos de uma sociedade utópica cederam lugar à dispersão identitária. As pessoas hoje não se identificam mais como trabalhadoras. Elas assumem outras identidades, mais cambiantes e específicas, como movimento negro, feminista, homossexual, até mesmo religioso. Quando não estão estão vinculadas a nada disso, fora do trabalho as pessoas buscam formas de entretenimento que valorizam a leveza da vida, do ser e as relações fugazes relacionadas à busca individual por felicidade. Há uma valorização do desengajamento, do descompromisso. Por isso, os partidos que ainda usam a retórica velha da sociedade do trabalho não têm adesão social. Ninguém é mais socialista, ou comunista. Os ideais de inclusão social, liberdade e igualdade não passam mais pela filiação a ideologias coletivistas.

Outra consequência disso é o afastamento da política por parte dos indivíduos e um declínio geral da vida pública. Com a ampliação das horas de descanso e o avanço das comunicações, o entretenimento e a busca por satisfação pessoal, resultado de uma sociedade que enfatiza o sucesso pessoal e o individualismo, além das múltiplas possibilidades de convício social e espiritualidade, se tornam os focos de busca por amplos contingentes de pessoas. Nesse ponto, também é importante a ênfase de Bauman em algumas de suas obras no papel dos “especialistas em identidade” e na necessidade de compartilhamentos de experiências de vida em um contexto em que os indivíduos passam a ser interpelados como consumidores, não mais como produtores.

O fosso que ainda existe entre ricos e pobres pode ser atenuado através de políticas de caráter social-democrata e de programas de redistribuição direta de renda. Pensar a redução do desemprego e da pobreza deve passar prioritariamente pelas políticas de inclusão e redistribuição de renda. Por outro lado, apesar de a concentração de renda e a miséria persistirem em muitas partes do mundo, os grandes conflitos de nossa época não têm caráter classista, mas são conflitos de natureza étnica, religiosa ou de busca por direitos sociais por parte de minorias, como negros, mulheres e homossexuais ou minorias étnicas. A busca por afirmação de direitos individuais inviabiliza a retomada de qualquer projeto coletivista da modernidade sólida.

O que aqui se coloca não é a mera afirmação de uma pós-modernidade, mas de uma segunda modernidade que já estamos vivendo, como aborda Lipovetsky. É uma modernidade marcada por múltiplas temporalidades, como a positivação da terceira idade, o culto ao imediatismo e ao tempo presente, uma modernidade que busca a integração, não mais a destruição de um passado para a construção da utopia. E, ao contrário do que muitos afirmam, nossa época não é carente de valores e muitos valores não deixaram de ser estimados e cultivados, como as noções de direitos humanos, honestidade, valorização da infância, proteção a idosos e mulheres, rejeição da violência e crueldade, o voluntariado, a proteção a minorias, o senso de responsabilidade por gerações futuras, movimentos beneficentes de massa, etc. Há um esforço crescente sobre a responsabilidade de todos com a preservação da natureza, a redução das emissões de poluentes pelos países mais industrializados e a necessidade de pensar soluções globais para nossos problemas. Vivemos uma segunda modernidade com múltiplas demandas, consciente de suas múltiplas temporalidades e multi-culturalista.

Por todas essas questões, luta de classes não é mais um conceito que explica nossa época, não é mais um conceito para a nossa modernidade ou que ainda possa abrir perspectivas de futuro. Só é utilizado por militantes de partidos de esquerda radicais, que não conseguem refletir para além das cartilhas de suas legendas e por intelectuais marxistas intransigentes que ainda estão com a cabeça no século 19, alocados especialmente nos cursos de humanidades das universidades. Sair desses lugares-comuns de um marxismo enferrujado é essencial para se problematizar as complexidades do mundo contemporâneo.

Leia também: 

Para compreender Marx

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29 comentários sobre “Alguém falou em luta de classes?

  1. Pedro Henrique 08/01/2016 / 12:57

    Bertone, duas perguntas vem a minha cabeça.
    Você acredita que conforme a nossa época as pessoas estão ficando mais incrédulas nas utopias sejam elas a longo prazo ou curto prazo?
    E também, com o fracasso da experiência socialista, você acha que nossa única opção viável é a social-democracia ou o liberalismo? E se sim, a “ideologia” terá a tendência a desaparecer do mesmo modo que no ocidente a religião tem cada vez um papel mais insignificante nas decisões sociais?
    E eu falei em duas pergunta, mas só como um bônus, ultimamente temos tido sérios problemas envolvendo refugiados no continente europeu como ataques a mulheres, bairros onde a sharia é vigente, militantes e clérigos radicais nas mesquitas, etc, você acredita que esse “islamismo” (no sentido de uma visão de muitos desses grupos onde o islã serviria como base para uma sociedade) ira entrar em confronto com os valores liberais?

    • Bertone de Oliveira Sousa 08/01/2016 / 14:59

      Pedro, em relação à sua primeira pergunta, sim, até porque é sobre isso também que trata o texto.
      A social-democracia entrou em declínio há algum tempo em decorrência da ascensão do neoliberalismo. Mas tenho dito que adotar medidas de caráter socialdemocrata foi o que dobrou para a esquerda e que tem se mostrado eficazes em alguns contextos. Quanto ao liberalismo, é importante lembrar que ele não se restringe à esfera econômica, mas política também. E politicamente, o liberalismo está relacionado aos direitos humanos, garantia de liberdades individuais, de consciência e associação. É essa vertente que nos chama a problematizar também a questão da integração das minorias. Esses valores não têm preço e precisam ser preservados. Nesse ponto, podemos aprender muito com a perspectiva de John Rawls.
      Quanto ao Islamismo, sim, essa é uma tendência que está se tornando cada vez mais clara. Abordei isso em dois textos que publiquei há algumas semanas, você pode ver clicando na página inicial ou tema Islamismo no menu ao lado.

      • Pedro Henrique 09/01/2016 / 2:27

        Acompanho com afinco os tópicos sobre o islã aos quais voce posta uma vez que é de grande interesse meu. Nesse caso, sobre o confronto entre o islamismo e os valores liberais, voce acredita que podemos acabar em um cenário similar, mas nem tanto, ao cenário visto na Guerra da Liga Protestante na Europa? As diferenças religiosas acabariam entrando em choque e um resultado (favorável ou não aos muçulmanos) iria concluir-se.
        E já que voce falou sobre o liberalismo politico, eu tenho lido Norberto Bobbio, mas especificamente a Teoria Geral da Politica, e ele fala justamente do choque entre a mentalidade liberal e democrática. Se estiver familiarizado com os termos, o senhor acredita que o democratismo esta sendo derrotado pela visão liberal de politica? Projetos como o casamento homoafetivo e liberação do consumo de maconha me parecem exemplos disso. E nesse caso, sera que o liberalismo é o tão almejado “fim da historia”?

      • Bertone de Oliveira Sousa 09/01/2016 / 11:42

        Pedro, prefiro a abordagem do Rawls sobre o assunto. A discussão sobre as minorias, sua integração à democracia, vem da filosofia americana.

  2. Saul Ramos 08/01/2016 / 13:41

    Professor, boa tarde. Concordo em vários pontos do seu texto, inclusive, me lembrei de uma cena bastante interessante, quando vi vários funcionários assalariados de um médio supermercado festejando com seu patrão de forma extremamente amigável, sorriam, tiravam ”selfies” e etc, o que dilui qualquer ódio ou antagonismo com seu patrão, provando que eles não querem o comando do local de onde trabalham e sim melhores oportunidades para viverem melhor. Sei que isso é um pequeno exemplo mas, pode servir para refletirmos esse ponto. Porém, tenho algumas indagações professor, vemos uma luta brutal das elites pelo comando do estado, basta ver os preços das campanhas, o que termina com a cooptação do estado por grandes empresários, ai eu pergunto, isso não é luta de classes? Eduardo Cunha representados por grandes empresários, de forma criminosa, tentando aprovar a terceirização do trabalho e entrando em conflito com a classe trabalhadora, isso não seria luta de classes? a própria crise dentro do atual governo, que ao meu ver se dar pelo fim do sistema político de conciliação entre as classes, não seria luta de classes? um golpe em marcha em nosso país patrocinado por interesses de poder, não seria luta de classe? o fato de que em alguns bairros ou estados você não poder andar sequer com uma camisa vermelha que é xingado ou quem sabe até linchado por conservadores radicais, que estão incomodados apenas pelo fato de alguns hoje poderem consumir mais, ou fazerem universidade, isso não seria luta de classes? Compreendo que o antigo termo luta de classes está ultrapassados, pois, o conceito de trabalhador está cada vez mais complexo, tem profissionais que ganham muito bem e não estão nem ai para esse termo! e outro que ganham menos mais só se preocupam com o preço da gasolina e cervejada do domingo. Esse fato destrói toda forma de ação da esquerda radical brasileira, uma vez que a própria classe trabalhadora não querem saber deles, uma esquerda cada vez mais perdida na dimensão da guerra fria, o senhor viu o programa do PCB na televisão? parecia que eu estava na crises dos mísseis! rsrsr. Contudo professor gostaria da opinião do senhor sobre minhas indagações acima, será que o termo luta de classes tomou outra forma? outro conceito? Um abraço!

    • Bertone de Oliveira Sousa 08/01/2016 / 15:12

      Saul, essas questões que você levantou podem ser melhor pensadas pela permanência de velhas estruturas mentais em nossa formação social, que vem da escravidão, da República oligárquica e da ausência de políticas sociais que alijou pobres, negros e índios da cidadania e da integração social ao longo de mais de um século, pelo menos. Existem questões classistas aí, mas não apenas isso, há elementos raciais, corporativistas, fisiológicos (no campo político), que ainda refletem o pensamento tradicionalista ligado à grande propriedade rural e à escravatura. Nas regiões menos industrializadas e urbanizadas, como o Norte e Nordeste e onde o coronelismo foi mais acentuado, isso é ainda mais visível. Isso emperrou até mesmo o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, de uma reforma agrária que é importante pra isso e da universalização da educação. Há questões históricas e de longa duração acentuadas que não podem ser explicadas como lutas de classes.
      Quanto a essa direita ultraconservadora que xinga pessoas com camisetas vermelhas nas ruas, isso tem menos a ver com classes do que com uma burrice inaudita que perdeu a vergonha de se manifestar.

  3. Saul Ramos 08/01/2016 / 13:44

    Professor, boa tarde

  4. João Paulo 08/01/2016 / 14:30

    Prof. Bertone

    Ao ler o seu texto fui lembrando de outras palavras do conceituado geógrafo político Milton Santos, não sei se o senhor ira concorda no total ou em partes, mas creio que em meados do século XX ate os nosso dias atuais vivemos o processo da globalização que ao meu ver esta ligado como uma evolução ao seu texto ou o que eu falei não tem nada a ver? A globalização política, econômica, tecnológica e cultural (se é que o senhor concorda) é o que dita as normas de quase todas as sociedades? Um abraço e desde já agradeço a atenção

    • Bertone de Oliveira Sousa 08/01/2016 / 15:16

      Olá João, gosto do Milton Santos, a globalização tem sim relação com tudo isso, mas os autores que citei no texto são melhores pra se entender esses fenômenos.

  5. Pedro Sousa 08/01/2016 / 22:24

    Professor, texto muito esclarecedor como sempre.
    Aproveito para acrescentar que tem o outro lado
    desse espectro, em particular no Brasil, que são
    os auto-intitulados liberais, admiradores do Partido
    Republicano nos EUA, que acham os Democratas
    esquerda radical (pausa para rir), acham que
    socialismo e comunismo são as mesma coisa,
    e se arrepiam quando se fala em racismo, homofobia
    e feminismo.
    Acho essas pessoas tão ou mais perigosas para a
    democracia que os pequenos partidos mais radicais
    de esquerda.
    Abraços.

  6. Adão Lincon 09/01/2016 / 1:33

    Olá Bertone;

    Sugestão: você poderia escrever um artigo mostrando sua opinião sobre a decisão da Austrália, no ano passado, de incluir aulas de programação no ensino regular e tornar as disciplinas de geografia e história facultativas. Será uma tendência no mundo desenvolvido ou uma excentricidade daquela nação?

    • Bertone de Oliveira Sousa 09/01/2016 / 11:49

      Adão, o Japão também quer fazer algo semelhante. Não creio que seja uma tendência dos países desenvolvidos, mas de alguns com pouca tradição historiográfica ou em humanidades.

      • Daniel 09/01/2016 / 23:04

        Professor, quais são os pontos do liberalismo econômico que discorda?

  7. Guilherme Franco Silva 09/01/2016 / 16:03

    Boa tarde, professor Bertone. Sou graduado em História também, mas pela Univille de Joinville, mas não leciono e tão cedo não tenho intenção de voltar a fazê-lo (admito não sido um bom professor), de modo que me considero atualmente defasado em História, mas nem por isso abandonei a matéria em si, procuro de vez em quando conversar com professores, ler matérias, um ou outro livro, assistir alguns programas sobre a história, etc.
    Assim sendo, tenho começado a acompanhar tuas matérias e considerações sobre diversos temas, assuntos, e também pessoas na história. Tenho gostado bastante de acompanhar o teu blog, percebo tua grande habilidade de argumentação, seriedade, pesquisa, coisas que me dão saudade dos tempos de faculdade.
    Mas saindo das apresentações, gostaria de fazer uma sugestão: que tal se tu abordares em 1 próximo artigo o significado da visão econômica de Mises, seus pontos positivos e negativos, pois atualmente tem crescido o número de adeptos do pensamentos desse economista, quase sempre entre indivíduos com ideologia de direita que defendem o Estado mínimo e se intitulam “libertarianistas”.
    Dia desses assisti 1 vídeo de 1 desses libertarianistas em que ele defendia a extinção do salário mínimo! considerei absurdo, pois logo me veio a idéia que se alguém defende a extinção do salário mínimo é porque concorda que algumas, ou muitas pessoas ganhem menos de 1 salário mínimo, mesmo trabalhando uma carga de 40 ou 44 horas semanais; o que realmente aconteceu, pois o indivíduo que se apresenta no Youtube pelos vídeos Idéias Radicais, enquanto criticava o Gov. Federal por no dizer dele “definir o salário mínimo por canetaço”, de fato em seu vídeo defende que algumas pessoas recebam menos que o atual salário mínimo!
    Ficarei muito grato em simplesmente obter uma resposta tua e mais ainda se aceitares a minha sugestão de analisares e expores em tua página tal assunto, pois mesmo sem te conhecer o considero muito melhor que eu para abordá-lo.
    Saudações.

  8. Guilherme Franco Silva 09/01/2016 / 16:28

    Boa tarde, professor Bertone.
    Enviei um comentário há menos de uma hora, mas como não o vi publicado aqui, vou resumidamente repeti-lo.
    Também sou graduado em História (licenciatura plena pela Univille de Joinville, mas não leciono). Pretendo (gostaria de) sugerir que tu abordes em tua página a visão econômica do austríaco Mises, pois a mesma tem ganho vários adeptos, principalmente pessoas de ideologia de direita. Há alguns dias assisti no Youtube 1 vídeo chamado “idéias radicais” de 1 sujeito que prega o fim do salário mínimo! Considerei absurdo e perverso a idéia dele, e tenho bons e vários argumentos sim pra contestar a idéia radical pelo fim do salário mínimo, mas penso que seria melhor ler e considerar a opinião de alguém como tu, que possuis muito mais conhecimento do eu especialmente em Economia (e em História).
    Saudações e aguardo resposta.

    • Bertone de Oliveira Sousa 09/01/2016 / 22:25

      Guilherme, às vezes a demora em aprovar e responder comentários se deve ao fato de eu estar em outras atividades, então nem sempre é possível responder de imediato.

      Quanto ao Mises, ele é um autor de menor importância no liberalismo, que se tornou muito popular no Brasil por causa de olavetes, anti-marxistas e anti-petistas. Esse pessoal não fala coisa com coisa, falam que nazismo era esquerda e outras imbecilidades. Refutar esse povo é perda de tempo.

      • Rodrigo Monteiro Ferraz Soares 12/01/2016 / 17:46

        Boa tarde,

        Com todo o respeito, todas as pessoas com quem converso sobre Mises concordam ao menos em parte com ele. Outro ponto é que muitas vezes um escritor só ganha notoriedade anos e anos depois de publicar seus livros e acredito que é o que começou a ocorrer com Mises, e não só no Brasil. Outra coisa, para inúmeros escritores tanto o fascismo como o nazismo são movimentos decorrentes do socialismo, e não só do Olavo de Carvalho. Debater é algo altamente recomendável e democrático e não foi dessa forma que você tratou o questionamento do Guilherme Franco Silva. Adoraria também que o senhor comentasse Mises com uma visão à esquerda, até mesmo para contrapor o pensamento direitista sobre ele. Obrigado.

      • Bertone de Oliveira Sousa 12/01/2016 / 22:07

        Rodrigo, Mises não tem importância como teórico liberal, ele não é um clássico. O que define um clássico é sua capacidade de expressar o particular como universal, cuja obra possui originalidade ímpar e se torna parâmetro para estudos ulteriores, para compreensão de determinada época e de uma vertente do pensamento. Mises não se encaixa em nada disso. Adam Smith e Marx, por outro lado, são clássicos. Smith pela originalidade de sua abordagem sobre a produção de riquezas na esteira da Revolução Industrial e Marx por seus estudos sobre a mercadoria. Smith e Marx são importantes também para compreensão do pensamento moderno, do mundo moderno. Isso não tem a ver com briga de torcida entre direita e esquerda. Clássico não se confunde com popular. Não é porque as pessoas com quem você conversa concordam com Mises que isso o torna um clássico. Se você quer pegar os clássicos do pensamento liberal, eles são Locke, Adam Smith e, mais recentemente, Robert Nozick. Mises foi só um divulgador do pensamento liberal, uma caricatura um tanto tosca do liberalismo.

        E só gente desescolarizada, desinformada ou desonesta intelectualmente vai dizer que nazismo era socialismo ou que Hitler era socialista ou o nazismo era de esquerda. Uma coisa é dizer que o fascismo é em parte consequência da revolução socialista na Rússia e também plagiou sua estratégia de recrutamento das massas, outra coisa muito diferente é dizer que eram a mesma coisa, que se irmanavam à esquerda. Publiquei aqui um artigo de vinte páginas sobre o assunto com o título “socialismo e nacional-socialismo…”, explicando por que nazismo não é socialismo.Recomendo que leia.

  9. luiz 14/01/2016 / 22:56

    Bertone você me faz rir! Olavo é um radical, e Bertone? Bertone o ateu, comunista kkkkkkkkkkkkkkkk, que odeia o cristianismo, sem nunca ter estudado o fato!! Isso como historiador, prefiro acreditar que vc nunca estudou o cristianismo e a mudança de vida que o mesmo faz na vida das pessoas!

  10. Daniel 16/01/2016 / 10:42

    Professor, percebi que toda hora que teço discussões com algum direitista eles me jogam o argumento de que os países africanos são socialistas. O senhor concordaria com essa tese também avalizada pelo Wikipedia?

  11. Ibsen 17/01/2016 / 15:26

    Professor, em linhas gerais, concordo com o diagnóstico da inexistência de lutas classistas, mas vejo com muito ceticismo as questões de inclusão social, distribuição de renda e aceitação das minorias, assim como as questões ambientais. O seu exemplo do McDonald’s, para exemplificar, fica parecendo que basta o cidadão querer para sair e partir para outra, novas experiências e crescimento profissional e acadêmico. O Piquet tenta demonstrar em seu livro exatamente essa sanfona que é a distribuição de renda, sem que ela nunca chegue a distribuir, efetivamente, a renda. Melhora em alguns momentos e a seguir volta a se concentrar. Hoje mesmo, a concentração está muito próxima ou até superior ao surgimento do capitalismo. Por mais que eu concorde que a proposta originária de Marx está obsoleta, não há como negar a incapacidade do capitalismo, em qualquer de suas fases históricas, de distribuir renda e oferecer qualidade de vida à maioria das pessoas, considerando o Globo e não os países costumeiramente citados como de sucesso. Veja o Bolsa Família. Ela claramente conseguiu retirar milhares de pessoas da linha da miséria, mas creio que há um limite teto para essa redistribuição de forma a garantir que o 1% da população mantenha sua hegemonia. Ainda esbarramos na questão de disponibilidade ambiental para dar conta de oferecer qualidade de vida a todo ser humano nos moldes consumistas de nosso modo de vida contemporâneo. Optamos claramente por uma noção de bem estar que envolve a posse de bens de sorte que vivemos uma enorme contradição entre preservar o meio ambiente e garantir punjança às indústrias que garantem emprego e a manutenção do status quo da sociedade capitalista. Me parece que o individualismo é, inclusive, uma consequência e uma necessidade do capitalismo em função da necessidade de se encolher os espaços públicos de discussão. Essa falta de espaços não seria, ao invés de consequência dessa individualização, uma de suas causas?

    Vi logo acima o post do Luiz e, para utilizar o dito popular do jovem contemporâneo, “fiquei de cara”. Você defende no texto a falência do modelo Marxista como luta de classes, comunista. como assim?.
    Também tenho observado desvirtuamentos que indicam uma falta absurda de conhecimento do processo histórico; pessoas deslocando o Fascismo, o Nazismo e até nossa velha ditadura militar como movimentos de esquerda. Quando falamos em educação, por exemplo, precisamos entender sobre qual modelo de educação nos referimos. Tem me parecido que, mesmo em nível mundial e, apesar de todo discurso sobre formação de um cidadão com capacidade reflexiva e de articulação, a educação tem sido abordada sob um viés por demais tecnicista.

    Não sou graduado em história, mas me interesso muito por ela.
    Sobre o Islã, fiquei impressionado ao ver num documentário que o Império Islâmico que atingiu a Espanha, carregava consigo boa dose de tolerância religiosa, ao ponto de permitirem livre culto aos cristãos Bizantinos e Espanhóis. Fica, então, o questionamento: O que tanto mudou de lá prá cá?

    Parabéns pelo Blog e por sua capacidade e simplicidade de exposição.

  12. Ibsen 18/01/2016 / 19:00

    Corrigindo o nome do economista: Thomas Piketty

  13. Lúcio Júnior Espírito Santo 20/01/2016 / 15:00

    Bertone: Marx não se atribuía a descoberta da luta de classes. Veja:

    Não me cabe o mérito de ter descoberto nem a existência das classes na sociedade moderna, nem a luta de classes entre si (…) O que fiz de novo foi:

    1) demonstrar que a existência das classes só está ligada a fases de determinado desenvolvimento histórico da produção;

    2) que a luta de classes CONDUZ NECESSARIAMENTE à ditadura do proletariado e
    3) que essa ditadura constitui apenas a transição para a abolição de todas as classes.
    (o grifo é meu) (em Karl Marx, F. Engels, Études Philosophiques, Paris, Éd. Sociales, 1951, p. 125).

    http://revistacidadesol.blogspot.com.br/2012/10/normal-0-21-false-false-false.html

    • Bertone de Oliveira Sousa 20/01/2016 / 16:08

      Sim, é verdade, eu falei só de Marx porque é a ele que os grupos e partidos recorrem quando discutem o assunto.

  14. EMANUEL 19/01/2017 / 14:06

    Texto muito bom. Mas eu levanto algumas questões: 1) Os avanços no capitalismo ocorrem nos países centrais e não nos periféricos. 2) O proletariado tradicional desapareceu e temos hoje um leque de categorias profissionais, sem consciência de classe, pois não veem a si mesmo como “a” classe trabalhadora. Mas não existe a “a” classe trabalhadora? Os interesses dela, ou mesmo das categorias, não continuam antagônicos aos da classe proprietária? E questões como precarização do trabalho, trabalho escravo etc não coexistem com o desejo do trabalhador inserir-se no mercado de consumo e mesmo o de ser micro-empreendedor?

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