Os atentados na França e os dilemas do mundo muçulmano

paris-ch_00000Com dois atentados em menos de um ano em Paris, uma pergunta sempre fica no ar: quem exatamente é responsável pelo terrorismo islâmico? E por que a França?

A BBC veiculou uma matéria tentando explicar isso e elencou cinco causas: o fato de a França ter a maior população muçulmana da Europa, correspondendo a cerca de 7,5% de sua população, o que tem levado a tensões étnicas no país devido à marginalização de uma parte significativa desse contingente; consequentemente, isso deixa muitos desses muçulmanos suscetíveis ao recrutamento por extremistas, tornando o país um dos maiores fornecedores de mão-de-obra para grupos radicais do Oriente Médio; aí vem os riscos do recrudescimento da xenofobia na Europa, justo em um momento em que vários países do continente recebem refugiados sírios; há também o agravante da participação francesa aos ataques na Síria e no Iraque, juntamente com os Estados Unidos, o que a coloca como um alvo prioritário do Estado Islâmico.

Não é possível dissociar o terrorismo do EI das ações militares das potências ocidentais no Oriente Médio. A derrubada de tiranos como Saddam Hussein e Gaddafi não levou a uma democratização e pacificação da região, ao contrário, o prolongamento indefinido das guerras provocou uma multidão de refugiados e abriu caminho para a barbárie perpetrada diariamente pelo EI. Mas então outra pergunta precisa ser colocada: por que usar a religião pra espalhar o terror e a morte?

Bernard Lewis é professor de História do Oriente Médio da Universidade de Princeton. Um de seus livros, “O que deu errado no Oriente Médio?” (Jorge Zahar Editor, 2002) é um manual imprescindível para entendermos essas questões. Logo na introdução ele diz:

No auge do poderio islâmico, apenas uma civilização lhe era comparável em nível, qualidade e variedade de realizações: tratava-se evidentemente da China. Mas a civilização chinesa permanecia essencialmente local, limitada a uma só região, a Ásia oriental, e a um grupo racial. Era exportada em certo grau, mas apenas para povos vizinhos e aparentados. O islã em contraposição criou uma civilização mundial, poliétnica, multirracial, internacional, poderíamos dizer até intercontinental.

Durante séculos a visão que os muçulmanos tinham do mundo e de si mesmos pareceu bem fundada. O islã representava a maior potência militar na Terra – seus exércitos estavam invadindo a Europa e a África, a Índia e a China exatamente ao mesmo tempo. Era a potência econômica suprema no mundo, comerciando ampla variedade de mercadorias através de vasta rede de comércio e comunicações na Ásia, na Europa e na África; importando escravos e ouro da África, escravos e lã da Europa, e trocando uma diversidade de gêneros alimentícios, matérias-primas e manufaturas com os países civilizados da Ásia. Nas artes e ciências de civilização, galgara o mais alto nível jamais atingido ao longo da história humana. Tendo herdado o conhecimento e a técnica do antigo Oriente Médio, da Grécia e da Pérsia, acrescentou-lhes novas e importantes inovações trazidas do exterior, como o uso e a manufatura do papel da China e a numeração posicional decimal da Índia. É difícil imaginar a literatura ou a ciência modernas sem um ou outro. Foi no Oriente Médio islâmico que os algarismos indianos foram incorporados pela primeira vez ao corpo herdado do conhecimento matemático. Do Oriente Médio eles foram transmitidos ao Ocidente, onde até hoje são conhecidos como algarismo arábicos, honrando não aqueles que os inventaram, mas aqueles que os levaram pela primeira vez para a Europa. A essas ricas heranças, estudiosos e cientistas do mundo islâmico acrescentaram uma contribuição imensamente importante através de suas próprias observações, experimentos e ideias. Na maior parte das artes e das ciências de civilização, a Europa medieval foi aprendiz e em certo sentido dependente do mundo islâmico, tendo de recorrer a versões árabes até para muitas obras gregas de outro modo desconhecidas.

E então, de repente, a relação mudou. (p. 10-11)

Essa história já é bem conhecida de todos nós. O que vem a partir daqui é o que chamamos de História Moderna. O período compreendido entre 1450-1550 colocou a Europa na dianteira do mundo. Um conjunto de invenções técnicas, incluindo a criação de novos instrumentos bélicos e a invenção da pólvora, mudanças de hábitos, transformações políticas e culturais, rupturas na cristandade, desenvolvimentos econômicos com a colonização e agregação das Américas à economia europeia e consequente escoamento de imensas riquezas das colônias para o continente, tudo isso criou as condições para o início da formação de uma civilização mundial sediada em capitais europeias que só foi interrompida após a Segunda Guerra Mundial.

A partir dos séculos XV e XVI, com a herança científica e tecnológica que recebeu e desenvolveu, a Europa deixou o mundo muçulmano para trás de forma permanente e sem que, naquele contexto, os muçulmanos se dessem conta do que estava acontecendo. Eles quase não viajavam pra Europa, viam o mundo cristão como bárbaro e atrasado. Desprezavam a religião cristã e não se interessavam pelo que acontecia no mundo europeu.

A ficha somente começou a cair no final do século XVIII quando, em uma expedição militar, em 1798, Napoleão Bonaparte chegou ao Egito e, pela primeira vez, um dos maiores centros da civilização islâmica é tomado por uma potência ocidental, ao que seguiu as dominações inglesas e francesas em outros lugares. Esse também é o período da primeira Revolução Industrial inglesa e do desenvolvimento de ideologias seculares como o liberalismo. A partir de então o mundo muçulmano começou a importar tecnologia do Ocidente, os filhos das elites foram estudar na Europa, mas o orgulho de uma civilização outrora pujante ficou ferido e, principalmente, a humilhação da dominação e da superioridade técnica dos “infiéis”.

A isso seguiu a dificuldade e a recusa de assimilar valores políticos ocidentais, especialmente o secularismo. O termo secularismo, no sentido contemporâneo, se refere à ideia de que a autoridade religiosa e a política, a Igreja e o Estado, devem ser separados. Em francês, o termo equivalente é laicisme (laicismo), um termo não usado em inglês, segundo Lewis. Nossa língua portuguesa agrega os dois. A civilização cristã foi a primeira a pensar essa distinção. A Igreja cristã, da forma como se desenvolveu na Antiguidade, era independente da autoridade política. Ela tinha sua própria hierarquia e suas próprias leis. Mas ao mesmo tempo, os cristãos eram orientados a também obedeceram à autoridade política, exceto em casos em que fossem forçados a abjurar a fé. Mesmo na Idade Média, Estado e Igreja jamais se fundiram a ponto de um desaparecer no outro. A própria Igreja estabeleceu uma distinção entre os dois gládios e as duas autoridades. Embora a Igreja também interferisse em questões seculares, no final da Idade Média uma resistência crescente a essa postura vai fortalecer o poder dos reis e contribuir para a formação e centralização das monarquias nacionais. O Direito Romano passou a ser evocado para teorizar sobre as prerrogativas do poder temporal e já começavam a falar em direitos da pessoa e a criticar a teocracia Romana.

A teoria política moderna parte de uma definição naturalista da sociedade e das definições de soberania e Estado como entidades independentes da autoridade religiosa. Mas somente a partir do século XVII o pensamento político e social se voltou contra a violência praticada em nome da religião e passou a adotar uma postura abertamente anticlerical. Com o Iluminismo, o Ocidente abriu o caminho para as modernas sociedades seculares. Nesse contexto, a confissão do vigário saboiano no livro V d’O Emílio de Rousseau representa um dos exemplos mais notáveis da virada do pensamento filosófico como crítica da religião.

Não existe nada comparável a isso no mundo islâmico. O conceito de laicidade é completamente alheio a essa religião, assim como a distinção entre direito canônico e direito civil, presente há séculos na cristandade europeia. No mundo islâmico, a sharia, a lei religiosa considerada divina, regula tudo, desde a vida privada, civil, comercial, criminal, nada foge à sua jurisdição. Também não existe nada semelhante à Igreja cristã entre eles; com a expansão do credo e o enfrentamento de realidades políticas adversas, os sucessores de Maomé passaram a ser autoridade em matéria política e religiosa. O Islã não tem sacramentos, não tem ordenação de sacerdotes, não tem clero. Suas lideranças são guias e estudiosos da lei, não sacerdotes. Também não existe nada equivalente a heresias entre eles. A principal distinção que existe entre os muçulmanos, a dos sunitas e xiitas, emergiu em decorrência da divergência sobre a liderança da comunidade, não por causa da doutrina.

Maomé jamais pregou algo semelhante a Jesus Cristo, de que o reino dele não era desse mundo. A mensagem cristã tinha conotações espirituais. A vinda do Reino de Deus que Cristo anunciava seria resultado unicamente de uma intervenção sobrenatural, não da ação militar de seres de carne e osso. As pessoas deveriam se arrepender e esperar esse reino, não tomar o poder à força neste mundo. Com isso, os cristãos foram ensinados a distinguir o reino de Cristo e o de César. Maomé, ao contrário, criou seu próprio Estado onde se tornou governante supremo. Como tal, ele criou leis, um sistema de arrecadação de impostos, um exército,  declarou guerras e fez acordos de paz. Suas decisões como governante foram agregadas à tradição muçulmana e aplicadas por seus sucessores, os califas. Como Maomé é considerado o profeta superior a todos os outros, aquele que recebeu a revelação maior de Deus, suas decisões são consideradas atos sagrados e inquestionáveis. Como diz Lewis:

Na percepção muçulmana, não existe nenhum poder legislativo humano, e há uma só lei para os crentes – a Lei Sagrada de Deus, promulgada por revelação. Essa lei podia ser ampliada e interpretada pela tradição e argumentação. Não podia ser alterada, e nenhum soberano muçulmano podia, na teoria, seja acrescentar-lhe ou subtrair-lhe uma única regra. (p. 118)

Desse modo, os muçulmanos jamais encontraram, em sua tradição religiosa, qualquer instrução que apontasse para uma separação entre poder religioso e poder político.

E aqui voltamos à França. É bastante sintomático que a França tenha sido um alvo prioritário dos ataques do EI. A participação francesa nos ataques ao Iraque e à Síria é só uma parte disso. Nos últimos anos, houve intenso debate na França sobre a proibição do uso do véu por mulheres muçulmanas em lugares públicos. Culturalmente, a França representa tudo o que o Islã considera como a decadência moral do Ocidente. Não por acaso o principal lugar escolhido para os atentados desta vez foi uma casa de shows. A França é a terra do primeiro movimento antirreligioso da história e cujos ideais de liberdade e igualdade da Revolução ecoam até hoje como precursores de nossos direitos humanos. Infelizmente, contudo, as potências ocidentais não adotaram, em política externa, os mesmos valores que tanto prezam em casa e suas intervenções militares agora começam a se voltar contra elas nas ações dos grupos terroristas que aliciam imigrantes para sua causa.

No decorrer do século passado, os povos muçulmanos lidaram de forma tensa e não homogênea com a modernização de estilo ocidental. Enquanto na Turquia Kemal Ataturk foi um reformador pró-secularização, em muitos outros lugares, como Egito, Argélia, Arábia Saudita e Irã, o surgimento de movimentos radicais, que chamamos de fundamentalistas, rejeitaram as reformas secularizadoras pela aplicação da lei islâmica e a vivência da doutrina religiosa. Mesmo assim, parte significativa do mundo muçulmano permaneceu atracada ao subdesenvolvimento, à corrupção de seus governos, à dependência de ajuda externa ou de combustíveis fósseis e à inferioridade técnica e militar. Também fracassaram em promover alfabetização em massa, gerar empregos e muitas comunidades se limitam a fornecer apenas uma educação religiosa doutrinadora e rudimentar.

É em contextos de devastação social que organizações sociais como o EI emergem. Lembremos as ações terroristas de grupos como o Hezbollah, o Hamas, o Talibã, pra mencionar apenas a história recente, que submeteram suas próprias sociedades à tirania da religião e à violência desenfreada de homens que sempre pretenderam estar agindo de acordo com seus escritos sagrados. Os radicais ainda agem com o pensamento da era medieval de que aqueles que não vivem de acordo com a doutrina islâmica podem representar uma ameaça à criação de uma sociedade justa. De todas as perspectivas, como diz Tamara Sonn, autora de “Uma Breve História do Islã”, “o século XX foi desastroso para o mundo muçulmano”.

O Estado Islâmico age para que odiemos todos os muçulmanos e a religião islâmica em geral. Só assim eles vão conseguir o que querem: recrutar mais gente para a guerra santa que querem emplacar, levando-as a perder o amor pela vida e se tornarem suicidas em potencial. Num momento em que alguns países da Europa decidem receber refugiados de guerra, esses ataques podem fazer aumentar a xenofobia e a exclusão social de imigrantes muçulmanos. Odiar pessoas por seu credo e etnia é morder a isca que os terroristas estão lançando.

O maior número de vítimas do Estado Islâmico são muçulmanos que estão sendo mortos aos montes na Síria e no Iraque. O radicalismo religioso não se volta apenas contra os de fora, mas também contra os de dentro, aqueles que adotaram hábitos e valores ocidentais e com isso são julgados infiéis dentro da comunidade de fiéis. Sob seu controle, mulheres são forçadas a usar o véu que cobre todo o rosto, homossexuais são atirados de prédios e as pessoas são forçadas a servir aos terroristas. Sem alternativa, essas populações buscam refúgio na Europa, ou na Turquia, um dos poucos estados laicos no mundo islâmico.

O colonialismo e as guerras do Ocidente em grande parte impediram a modernização de muitos países muçulmanos. Mas a dificuldade dessas sociedades de abolirem a intervenção da lei religiosa sobre a vida civil e promover integração social a seus membros ainda poderá levar muitos inocentes a pagarem com suas vidas. Sem uma lei civil separada da doutrina religiosa, essas sociedades não conseguem avançar em termos de direitos humanos e de minorias, igualdade de gênero, liberdade de consciência e liberdades individuais. Por isso também os imigrantes muçulmanos têm muita dificuldade de integração nas culturas ocidentais e os que vivem nas periferias da Europa se tornam alvos fáceis de recrutamento de terroristas. Secularizar suas sociedades e neutralizar com isso o poder destrutivo da religião será talvez o maior desafio dos povos muçulmanos neste século.

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Islamismo e intolerância

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25 thoughts on “Os atentados na França e os dilemas do mundo muçulmano

  1. Vanderlei Avelino Rodrigues 16/11/2015 / 1:34

    Estimado Professor.

    Em alguns trechos você deixa transparecer certa vitimização dos mulçumanos, o que, de algum modo, justificaria os ataques terroristas. Exemplo:

    “Infelizmente, contudo, as potências ocidentais não adotaram, em política externa, os mesmos valores que tanto prezam em casa e suas intervenções militares agora começam a se voltar contra elas nas ações dos grupos terroristas que aliciam imigrantes para sua causa.”

    Não consigo concordar com isso. Creio que não podemos questionar a justiça ou não do lado vencedor nas guerras que definiram e definem os contornos das sociedades. Ou o resultado de uma guerra é algo soberano para a sociedade resultante, ou apenas uma nova guerra resolverá as insatisfações.

    Qual o sua resposta sobre isso?

    • Bertone de Oliveira Sousa 16/11/2015 / 2:57

      Vanderlei, não há discurso de vitimização aí. Há vários nuances nessa história a serem ponderados e é o que faço no texto. Isolar um trecho só descaracteriza a abordagem.

      • João 18/11/2015 / 23:10

        acho que o Islã é bem pior que o Cristianismo, mesmo o da Idade Média. Por 5 pontos básicos que dão uma grande diferença na prática:
        1) O Cristianismo não prega a conversão forçada. o Islã prega, é parte da doutrina. Fica muito mais difícil neutralizar isso, não há como justificar.
        2) O Islã prega a submissão do Estado à religião. O Cristianismo não, exceto para os judeus no Antigo Testamento. Mas no Novo Testamento com uma visão “para fora”, pros não-judeus, há a ideia de “dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. No Cristianismo dá pra dizer que as interferências no Estado foram erros históricos. No Islã isso é parte da doutrina. O que alias vale pro item 1. Lembre que a Igreja Catolica desencorajava a leitura da Bíblia, que levava a questionar seus erros.
        3) O Cristianismo foi fundado (segundo a versão dominante) por um asceta pacifico. O Islã por um guerreiro que casou velho com uma menina. Os exemplos contam muito.
        4) O Cristianismo tem um livro sagrado que é uma colcha de retalhos, com livros de vários autores e épocas. Já o Islã tem um livro monolítico, é muito mais difícil apontar contradições e encontrar brechas pra flexibilizar a doutrina.
        5) O Cristianismo propõe rituais semanais na maioria das suas vertentes. O Islã obriga vários rituais diários e em grupo, o que cria um condicionamento muito mais forte de grupo.
        Junte a isso a poligamia, que deixa vários jovens machos sem mulher, desesperados, e convença-os que se se explodirem terão vários cabaços disponíveis e auto-reconstituintes e BUUUUUMMM!!!!

    • João 18/11/2015 / 23:15

      O problema também é o ISLAM, O Islam é uma religião belicista em sua essência.
      As religiões visam o bem espiritual do homem e seu relacionamento com o criador. O bem do próximo. A convivência pacífica entre os seres humanos. Sob todos os pontos de vista, o islã não é uma religião. É uma seita, uma ideologia fanática violenta, intolerante, agressiva, belicosa e expansionista. Onde tem muçulmano, tem confusão.
      Se alguém não concorda ou não adere aos seus preceitos, este alguém deve ser exterminado, essa é a regra muçulmana.
      É só pegar o mapa do mundo hoje e observar que em todos os lugares convulsionados por guerras, separatismos, insurreições, revoluções e desagregação social, de um lado sempre tem muçulmanos envolvidos. Do outro lado podem ser cristãos, hindus, budistas, ortodoxos, judeus, etc. Não importa, sempre lá estarão os islamitas tumultuando as sociedades, querendo impor à força sua ideologia.
      Os muçulmanos não respeitam direitos humanos. É só ver as barbaridades que cometem, até mesmo em relação às suas mulheres.
      São os únicos que se suicidam, explodindo-se com o objetivo único de matar outros seres humanos inocentes.

  2. Rodolfo Andrello 16/11/2015 / 10:46

    Me pergunto qual a postura mais acertada ante esse desafio. Se por um lado endurecer as relações com os postulados muçulmanos geraria uma orda de insatisfeitos e pré-selecionados para o terror fundamentalista, por outro lado o problema das invasões se coloca como obstáculo desde os episódios das cruzadas, e não saberia dizer se uma demanda conciliatória seria bem recebida pelos seguidores de Maomé essa altura do campeonato.

  3. Westfy 16/11/2015 / 11:50

    Li seu texto professor e não consegui entrar um censo com você, digamos assim. Para você, todos os muçulmanos são potenciais terroristas? O Islamismo em si realmente prega o ódio? Aguardo respostas do professor!

    • Bertone de Oliveira Sousa 16/11/2015 / 13:22

      Não, a maioria dos muçulmanos não quer saber de terrorismo, quer viver em paz, mas o terrorismo é um perigo latente que pode colocar suas vidas em risco sempre que a estabilidade social é ameaçada.

  4. Pedro Mello 17/11/2015 / 0:31

    Como sempre muito bom seu texto, usando a cronologia histórica para chegar e explicar os problemas atuais.
    Pena que a situação não nos deixe muito otimistas.
    Abraço.

  5. Pedro Henrique 17/11/2015 / 15:39

    Bertone, em outro artigo sobre o islamismo eu lhe perguntei sobre como poderiamos “semear” um iluminismo de fora, a qual você respondeu-me que era algo sem resposta e que deveria vir principalmente de dentro
    Lendo seus artigso e tendo experiência com dois muçulmanos que conheço vejo que o islã será um desafio de “domar”. Na maior parte das opiniões deles, é aparentemente caracterizada por um forte conservadorismo, um deles até mesmo me disse que as escolas de pensamento muçulmano (como Mu’tazila) são mera conversa e que só o Alcorão é o que realmente importa.
    Fico imaginando como poderemos ajudar os muçulmanos a adaptarem-se a um mundo secular como o nosso, pois certamente muitos dos valores que temos vão de encontro direto a muitas passagens do livro sagrado deles.

    • Bertone de Oliveira Sousa 17/11/2015 / 16:11

      Pedro, realmente essa é uma questão difícil de lidar. A Turquia conseguiu construir um estado laico, mas ao custo de muitas intervenções militares pra manter isso. Outros países modernizaram suas instituições mas concedem status privilegiado ao islã como é o caso da Indonésia. Não vejo como eles poderiam secularizar suas sociedades sem abandonar a sharia e desconstruir os absolutos de sua religião, o que implicaria uma ocidentalização mais acentuada do que podemos imaginar. O problema como eu disse aí no texto não é apenas a intervenção militar ocidental, porque a Arábia Saudita tem relações diplomáticas com o Ocidente mas permanece uma teocracia sem qualquer abertura democrática. A primavera árabe se transformou rapidamente em inverno e não conseguiu promover mudanças significativas. Na África, os países de maioria muçulmana também não conseguem avançar em indicadores sociais e alguns estão mergulhados há anos em guerra civil. É difícil esboçar qualquer futuro promissor pro mundo islâmico.

  6. Marcus Canesqui 18/11/2015 / 0:40

    Boa noite.

    Professor, concordo com o conteudo de seu texto, mas uma coisa me incomoda: Porque eu não vejo uma comoção tão grande por parte da mídia ocidental quando civis inocentes são mortos de forma covarde por ataques praticados pelo ocidente, Israel ou os proprios radicais?
    Aqui no Brasil foi vergonhoso o apoio da midia a guerra do Iraque, sendo que até uma criança sabia que não haviam armas quimicas nenhuma, o que depois foi assumido pelo governo americano. Acho que está na hora da midia mostrar os dois lados para que possamos também nis revoltarmos com as vitimas inocentes dos paises que são atacados fora do ocidente, a comoção tem que ser geral.

  7. Gabriel Tavares 18/11/2015 / 18:33

    Professor Bertone Sousa,o senhor acha possível que terroristas do EL entrem na Europa disfarçados de refugiados,ou é pouco provável que tomem essa atitude,e não passa de uma alegação xenófoba da extrema direita europeia?Porque os refugiados inocentes podem vir a sofrer represálias após esse ataque de Paris,mas é necessário fazer um controle maior destes,para caso realmente haja terroristas disfarçados.É compatível com o EL se disfarçar de refugiados para entrar?Porque os jovens que atacaram Paris,eram jovens nascidos na Europa e filhos de imigrantes muçulmanos,ou seja,já estavam lá,então talvez eles não usem a tática de se disfarçarem de refugiados,o que o senhor acha?

  8. Gabriel Tavares 18/11/2015 / 18:54

    Porque os jihadistas que atacaram o Charlie Hebdo eram franceses de nascimento,e o líder desses ataques de novembro que inclusive foi morto hoje pela polícia francesa era nascido na Bélgica,ou seja,ao que parece o EL não infiltra seus membros entre refugiados,e sim,usam pessoas que já estão na Europa,nascidas nesse continente,não é professor?

    • Bertone de Oliveira Sousa 18/11/2015 / 21:22

      Gabriel, penso que usar pessoas que já nasceram na França tem a vantagem de não levantar suspeitas na preparação dos atentados; mas também tem outro fator que comentei no texto que é o da exclusão desses imigrantes e seus descendentes, que não veem a sociedade que os acolheu ou em que nasceram como um lar, mas como uma terra de inimigos; daí a se tornar terrorista é um passo. Mas é claro que a maior parte dos imigrantes não tem esse perfil e o difícil para as autoridades é separar uns de outros. Quanto aos refugiados dos último meses, o próprio EI afirmou que infiltrou seus homens entre eles.

      • Gabriel Tavares 18/11/2015 / 22:06

        Mas professor Bertone em relação a essa exclusão desses imigrantes o senhor acredita que se dá mais pelo preconceito da maioria dos franceses brancos que se sentem superior a árabes originários de ex colônias,ou eles mesmo se autoexcluem porque não aceitam a cultura laica francesa,que foi berço do iluminismo,de filósofos como Sartre,Simone de Beauvoir,que era feminista,de Foucault,pós moderno e homossexual assumido,ou seja pessoas que defendem ideias repudiadas no mundo muçulmano,o senhor acredita que o contribui mais para essa exclusão,o preconceito dos franceses ou é mais uma autoexclusão dos muçulmanos?

      • Cesar Marques - RJ 19/11/2015 / 12:10

        “ou eles mesmo se autoexcluem porque não aceitam a cultura laica francesa,que foi berço do iluminismo,de filósofos como Sartre,Simone de Beauvoir,que era feminista,de Foucault,pós moderno e homossexual assumido,ou seja pessoas que defendem ideias repudiadas no mundo muçulmano”

        Só um adendo a essa parte do comentário: Foucault NÃO ERA homossexual assumido.

  9. Gabriel Tavares 18/11/2015 / 22:15

    Professor Bertone,o senhor acredita que essa exclusão dos filhos de imigrantes muçulmanos na sociedade francesa,se deu por eles próprios não se sentirem bem,por terem sido criados com valores muito religiosos,o que na sua maioria inclui o machismo,a homofobia,a presença forte da religião em suas vidas,e ao irem para a escola,se depararem com o estudo de filosofia,de autores laicos como os iluministas e com Sarte,Simone de Beauvoir,Foucault,se sentiram insultados,por ver os valores defendidos por esses filósofos se chocarem com os valores da religião em que foram criados,ou é uma exclusão provocada pela maioria dos próprios franceses brancos que se sentem superiores e discriminam imigrantes vindo de ex colônias.

  10. Gabriel Tavares 18/11/2015 / 22:53

    Professor Bertone o senhor acredita que essa exclusão dos imigrantes muçulmanos e seus filhos na França é fruto do próprio fanatismo religioso deles que os impede de assimilar uma cultura laica ocidental ou é resultado do preconceito dos franceses brancos?

  11. Cesar Marques - RJ 19/11/2015 / 12:56

    “O Islã não tem sacramentos, NÃO TEM ORDENAÇÃO DE SACERDOTES, NÃO TEM CLERO. Suas lideranças são guias e estudiosos da lei, não sacerdotes. Também não existe nada equivalente a heresias entre eles.”

    Como assim o Islã não tem sacerdotes ou clero? E como se designa uma pessoa versada no Islã para assumir e ministrar essa religião numa mesquita? Khomeini e outros líderes religiosos do Islã, não eram clérigos?

  12. Cesar Marques - RJ 19/11/2015 / 12:58

    “O Islã não tem sacramentos, NÃO TEM ORDENAÇÃO DE SACERDOTES, NÃO TEM CLERO. Suas lideranças são guias e estudiosos da lei, não sacerdotes. Também não existe nada equivalente a heresias entre eles.”

    Como assim o Islã não tem sacerdotes ou clero? E como se designa uma pessoa versada no Islã para assumir e ministrar essa religião numa mesquita? Khomeini e outros líderes religiosos do Islã, não eram clérigos? O senhor poderia explicar melhor esse trecho do texto que passou meio batido.

  13. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 26/01/2016 / 9:25

    Professor excelente texto,parabéns, mas na minha opinião não ficou bem claro,se a longo prazo,o aumento de população islâmica na Eu ropa,pode vir de fato a causar um retrocesso nas leis locais,leis de liberdade individual,por exemplo o senhor acredita que possa vir se formar no parlamento europeu,uma bancada islâmica, e querer impor essas leis islâmicas,impor a burca,proibir o casamento gay,o aborto?E os estupros de Colônia infelizmente deram uma mostra que isso poss a se repetir,mas como o que o senhor acha que possa se fazer,para por um limite no comportamento desses imigrantes,sem cair no jogo da extrema direita?Pq a extrema direita européia é racista,odeia eles por não serem europeus e cristãos, e sim muçulmanos, como limitar o comportamento deles sem ser acusado de racista?Pq lá o politicamente correto é mais forte que no Brasil,qualquer coisa que vc faça contra imigrantes muçulmanos, vc pode ser acusado de racista,tenho amigos da Espanha no Facebook, e eles me contaram que ao publicar as notícias tanto doa Atentados de Paris, como dos estupros de colônia, evitaram associar isso diretamente ao islamismo,pq poderiam ser taxados de racistas!

  14. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 26/01/2016 / 9:32

    Sobre essa preocupação do medo de ser taxado de racista,Richard Dawkins declarou que até os ateus europeus ficam com medo de criticar o islamismo, por esse motivo, por que o senhor acha que na Europa há essa maior preocupação que no Brasil?Seria ainda um efeito do nazismo?O nazismo foi tão racista,exterminou judeus,ciganos,eslavos,que uma crítica a outra religião não europeia, ainda que sendo feitas a doutrina desta,e não ao povo que a prática em sua maioria,pq há europeus brancos nativos convertidos ao islamismo tbm, mesmo que as críticas sejam a doutrina violenta,machista,misogina e homofóbica, fica considerado racismo,seria isso uma herança do nazismo ainda a assolar o continente europeu?

    • Bertone de Oliveira Sousa 26/01/2016 / 14:42

      Gabriel, esse é um assunto amplo, mas um livro que discute isso com muita propriedade é “Herege” de Ayaan Hirsi Ali.

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