Notas sobre religião

bibliaBÍBLIA. A narrativa da criação no Gênesis não é um relato histórico nem científico, é um poema, uma metáfora. Não existe uma teoria da criação na Bíblia. Por isso a Evolução não contradiz a Bíblia. Babel, o Dilúvio, a abertura do Mar Vermelho, as hierofanias (manifestações divinas) são todas narrativas poéticas, não históricas. A Bíblia não foi escrita a partir dos critérios de verdade de nossos atuais livros de história, critérios que não existiam na época que seus autores a redigiram, ela foi escrita para dar significado e identidade à comunidade hebreia. Seus cinco primeiros livros, o Pentateuco, foram escritos em épocas diferentes por diferentes autores e são versões modificadas de ensinamentos religiosos, tradições orais e familiares. Se você interpretar a Bíblia literalmente verá que ela não faz sentido porque não foi escrita para esse propósito. Se os professores de história e literatura não ensinarem isso aos jovens na escola, quem formará a opinião deles serão os Malafaias da vida.

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É imprudente dizer que Jesus foi um revolucionário. É uma leitura equivocada. Jesus foi um pregador apocalíptico, não pretendeu fazer reforma social nem contestou elementos de opressão social da época como a escravidão e a dominação romana na Palestina. Sua mensagem de inclusão era espiritual, não política. Por isso, de Paulo a Santo Agostinho, o cristianismo também jamais se opôs à escravidão nem pretendeu reformar o Estado romano. Dizer que Jesus era socialista é anacronismo e uma distorção de sua atuação histórica. A leitura social feita pela Teologia da Libertação é contemporânea e não uma retomada de princípios originais do cristianismo.

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EVANGELHOS. Os autores dos evangelhos eram falantes da língua grega, o que não se aplica a nenhum dos discípulos de Jesus. O domínio da língua grega era prerrogativa das classes altas em todo o império romano e os discípulos de Jesus eram todos de classe baixa e falantes apenas de aramaico. Os títulos desses livros (Mateus, Marcos, Lucas e João) foram adicionados por escribas para informar às pessoas quem eles achavam que tinha escritos esses livros. No caso de Mateus, por exemplo, ele é inteiramente escrito em terceira pessoa, sempre se referindo a Jesus e aos discípulos como “eles”, não como “nós”, como seria natural pra alguém que teria vivenciado os fatos que descreve.
Além disso, em algumas passagens os evangelhos apresentam certa ignorância dos costumes judaicos, o que indica que foram escritos por pessoas que viviam fora da Palestina. Outra coisa é que os autores desses evangelhos também não conheciam uns aos outros, o que faz com que suas narrativas sejam conflitantes em muitos aspectos. E isso não se aplica só aos evangelhos, a maioria dos outros livros do Novo Testamento são atribuídos a pessoas que não os escreveram. Isso era uma forma de conferir credibilidade a essas narrativas junto às comunidades cristãs espalhadas pelo império. No caso das cartas de Paulo, do total de treze atribuídas a ele, os estudiosos têm certeza de autoria de apenas sete delas. Isso é conhecido como fraude literária e era uma prática comum em todo o mundo antigo, não apenas entre os autores do NT.

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A nota anterior deixa claro que a Bíblia contém fraudes, tema sobre o qual Bart Ehrman escreveu com muita propriedade em sua obra “Quem escreveu a Bíblia?”. Isso e o fato de os evangelhos conterem informações conflitantes e historicamente imprecisas (ou erradas) torna problemática a crença de que a Bíblia não tem erros, é infalível e inspirada por um Deus. Essa crença não subsiste às descobertas históricas e literárias do último século e meio. Um cristão somente pode continuar a crer nisso de duas maneiras: se não ler sobre o assunto ou fingir que não sabe.

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Provar a abertura do Mar Vermelho ou o Dilúvio, encontrar os restos de Adão e Eva ou sugerir o criacionismo – nada disso são questões passiveis de investigação científica. O mesmo pode ser dito de várias outras narrativas em toda a Bíblia. Compreender isso é simples, requer apenas entender o que são gêneros literários. Mas ainda vivemos em um contexto em que ensinar isso em determinadas instituições de ensino pode custar o emprego de um professor.

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O fundamentalista religioso parte da relativização do conhecimento científico para afirmar o caráter absoluto dos dogmas de sua fé. Que nenhuma ciência tem a totalidade do conhecimento, isso é fato. Mas também não é função da ciência determinar o que existe ou não. Seus métodos de investigação são a melhor forma de nos precaver de charlatanismos e falsidades. Aquilo que não pode ser investigado por seus métodos, não são questões científicas. Por isso falamos em agnosticismo metodológico ou ateísmo metodológico, que é o princípio a partir do qual um pesquisador não deve incluir a ação de Deus ou entes sobrenaturais na explicação de fenômenos naturais ou mesmo históricos. O fundamentalista não entende isso, ele pensa em preto e branco. O pensamento dele é binário: ou um conhecimento é absoluto ou não serve como conhecimento. Ele faz isso porque confunde fé com conhecimento e não aplica à sua fé, nem mesmo à teologia, o mesmo rigor lógico e empírico que usa contra o conhecimento não religioso. E ao fazer isso ele comete uma fraude intelectual, contra si mesmo e contra outros. Ele fica nervoso se você diz a ele que um historiador não pode dizer que Jesus Cristo ressuscitou porque essa não é uma afirmação histórica. Então ele procura reduzir a nada o método histórico (porque ele não é absoluto, então não serve), para colocar um elemento de fé como verdade empírica. Ele pensa mais ou menos assim: “se os historiadores não podem determinar com exatidão onde foi parar o corpo de Jesus após a crucificação, então é porque ele ressuscitou como está na Bíblia”. Isso é resultado de uma incompreensão de que os autores da Bíblia não pretendiam escrever narrativas históricas como nós entendemos hoje; daí a importância do chamado método histórico-crítico, ou crítica superior da bíblia. Foi em reação a ela que o próprio fundamentalismo surgiu. Alguns desses indivíduos entram na universidade e não querem aprender nada disso.

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Essas questões acima colocadas são importantes porque temos parlamentares que fazem projetos de lei e querem legislar com base em suas crenças religiosas, em seu entendimento literal da Bíblia. Com isso, atuam no sentido de negar direitos civis a outros grupos, ao mesmo tempo em que querem usar a máquina pública para aprovar projetos de lei que beneficiam suas igrejas, quando não a si mesmos como líderes religiosos. Alguns desses projetos de lei pretendem alcançar a educação básica: grupos conservadores já querem impedir o ensino de Evolução nas escolas. Manter o Estado e a educação pública laica é algo de que não podemos abrir mão, sob pena de um retrocesso sem precedentes em nossa história.

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O Islamismo cresceu cerca de vinte por cento só esse ano em São Paulo. Aqui os muçulmanos podem praticar livremente sua religião, pregar e converter. Ninguém vai incendiar suas casas, agredi-los impunemente nas ruas, proibir suas reuniões em Mesquitas, cortar suas cabeças, banir seus familiares ou cobrar taxas para terem segurança por não seguirem um credo estatal. Aqui eles têm os mesmos direitos dos seguidores de qualquer religião, assim como dos que não seguem religião alguma. Seus direitos individuais estão garantidos por lei, nenhum grupo paramilitar poderá revogar isso. Isso é a democracia laica ocidental, que alguns líderes de sua religião abominam e condenam no Oriente. Pregar outra religião ou ser ateu e agnóstico em muitos desses países é atrair sentença de morte certa. Grupos como o Estado Islâmico, que persegue e executa inclusive outros muçulmanos, podem fugir de muitos preceitos do Corão, mas não são uma aberração porque proliferam em culturas onde a fusão entre religião e política deixa um amplo espaço pra esse tipo de ação. Matar e torturar em nome de Deus foi uma prática comum na Europa moderna até que a Revolução Francesa pôs um freio nisso. Se os muçulmanos não separarem religião de política em suas sociedades de origem, ainda irão conviver por um tempo indeterminado com o terrorismo e a perseguição religiosa implacável dos grupos fundamentalistas.

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Os ateus precisam entender que repetir constantemente que Deus não existe também é uma forma de acreditar nele.

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19 comentários sobre “Notas sobre religião

  1. kadumauad 27/09/2015 / 17:44

    Olá, Bertone,

    é um prazer lhe escrever.

    Você saberia me dizer sobre livros que discutem sobre os termos crença e fé?

    Pessoalmente, os utilizo como sendo nomenclaturas distintas. Mas, como disse, é um sentimento pessoal.

    Fé seria uma pulsão vital. Algo próximo ao instinto de sobrevivência. Um querer viver. Crença o saber sem provas, relegado aos saberes mitológicos.

    O que você me indica para leitura.

    Aceito pilhas de livros.

    Grato pela atenção k.

    Em domingo, 27 de setembro de 2015, BERTONE SOUSA escreveu:

    > Bertone de Oliveira Sousa posted: “BÍBLIA. A narrativa da criação no > Gênesis não é um relato histórico nem científico, é um poema, uma metáfora. > Não existe uma teoria da criação na Bíblia. Por isso a Evolução não > contradiz a Bíblia. Babel, o Dilúvio, a abertura do Mar Vermelho, as > hierofan”

    • Bertone de Oliveira Sousa 27/09/2015 / 18:22

      Kadu, o mais correto seria uma distinção entre fé e razão, uma discussão que começa na Escolástica e atravessa a filosofia moderna. Isso que você mencionou não chega a se constituir em uma linha de discussão teórica.

  2. Mario Júnior 27/09/2015 / 18:40

    Professor Bertone enxergo um problema sério no que diz respeito ao crescimento evangélico no Brasil e sua relação com o saber escolar e o ensino científico. O protestantismo no Brasil cresceu a partir da a da pregação constante, do apego a sistemas doutrinários e um conservadorismo bem rígido, o que me parece ter se tornado seu grande trunfo pois deu um “senso de direção” a grande parte da população, sendo uma forma de “proteção” diante da dinâmica da sociedade capitalista que foi se firmando no Brasil. Uma forma bem diferente do catolicismo, que se tornou a maior religião do Brasil por seus laços com o poder e as elites na história do Brasil, mas não por uma ação missionária, pela pregação incessante ou mesmo a afirmação de seus dogmas de maneira didática aos fiéis (como é feito exaustivamente na igreja protestante). Dai a massa de católicos não praticantes, o que diminuir demais a força política do rebanho católico.
    Onde quero chegar é que creio que o crescimento da Igreja evangélica no Brasil virá acompanhado de sérios retrocessos políticos, científicos e educacionais.
    A obsessão religiosa anti-Darwin é o principal exemplo. Desmentindo a narrativa do Gênesis, ou tratando-a como literatura, se mata todo o sentido da teologia. Assim não há pecado original, castigo divino, e nem mesmo a necessidade restauração da “aliança com Deus”. Os religiosos, até mesmo os mais parvos, estão cientes disso e reagem de forma brutal exercendo pressão social e política elegendo cada vez mais políticos que tenham apenas plataforma religiosa e que empobrecem o debate político no país. Ao impedir que isso seja ensinado entendem que conseguem preservar o poder de convencimento da doutrina religiosa.
    Fico temeroso pelo ensino escolar no Brasil pois não é pouca coisa que é ensinado nas escolas que se chocam as doutrinas religiosas e cada vez mais pais se organizam para exercer pressão sobre as instituições de ensino públicas e privadas
    Se esse fenômeno não for contido teremos problemas ainda mais sérios (vide a aprovação do Estatuto da Família). Sofreremos problemas no campo das pesquisas científicas, do ensino de humanidades e do direito das minorias em geral.
    Espero não estar sendo muito fatalista.

  3. Carlos 28/09/2015 / 11:16

    Caro professor, um bom dia. Faz tempo que não escrevo em seu blog, mais gostaria de expor a opinião de um verdadeiro Cristão.

    A primeira verdade para esse tema é que nada que exista em uma compreensão espiritual deve ser misturada ou confundida com questões naturais.

    Os nomenclaturados evangélicos guiados por religiosos mais cegos que as próprias massas, onde mulas espirituais como Silas Malafaia não conseguem se quer realizar uma exposição espiritual de sua suposta fé.

    O ativismo religioso resulta em intolerância e uma arrogância espiritual inversa aos princípios do amor, perdão, misericórdia, paz domínio próprio e paciência. Características essas de pessoas que em seu espírito conhecem a essência do caráter de Cristo.

    Cristãos que entram na politica além de sequer serem cristão de verdade realmente só atrapalham. Sou cristão mais totalmente a favor da laicidade do estado, não precisamos que lideres religiosos hipócritas, presunçosos, arrogantes, gananciosos e intolerantes nos represente.

    A politica deve ser feita por homens por que ela pertence aos homens com todos os predicados de nossa humanidade com erros e acertos. Qualquer grupo que possua a pretensão de legislar em causa própria tem o meu repúdio.

    Como cristão Darwin não interfere em aspectos espirituais, a mensagem bíblica não é literalista nem para quem a usa como regimento de fé, toda conotação bíblica deve ter uma compreensão espiritual que uma vez compreendida resultará em uma vida repleta de paz, amor, gozo no espirito mansidão, paciência e uma profunda capacidade de perdoar até mesmo os inimigos.

    Sendo assim a desconstrução de algo que só se compreende pelo espírito jamais será possível pela ciência ou filosofia, sociologia, até a polida politica ocidental nem todo conhecimento secular terá esse poder.

    E vale lembrar que em todos os lugares ao longo da historia em que o cristianismo foi perseguido um estranho fenômeno ocorre, não só o de se manter vivo, bem como inexplicavelmente ocorre crescimento exponencial fado que facilmente nosso professor como historiador poderá nos partilhar com dados históricos.

  4. Bom dia professor. Um aspecto desse embate que vejo ser alvo da desconstrução empreendida pelos grupos fundamentalistas, seria a ressignificação do termo “Estado laico”. Vejo que no discurso religioso a aplicação deste termo depende exclusivamente do interesse particular de quem realiza o discurso. Malafaia, por exemplo, afirma ser apropriada a militância religiosa no congresso, pois em suas palavras… o Brasil é um “Estado laico”. Além disso, esses grupos costumam apontar um contraste entre “Estado laico” e “laicismo”, pois exemplificativamente, o site da canção nova já apontou laicismo como uma forma de conduta que busca militar em prol do secularismo. Some-se a esta babel algumas opiniões ignorantes na mídia, como aquela jornalista defensora dos linchamentos, a qual não tenho gosto em nominar, que também eventualmente aborda a questão da laicidade de forma pejorativa fazendo crescer ainda mais o preconceito a cerca deste tema. Postas estas considerações, confesso que não vejo com muitas esperanças o futuro dessa temática, tendo em vista a forma dolosa com que o conflito é administrado por quem não tem interesse no aprofundamento do debate.

    • Bertone de Oliveira Sousa 28/09/2015 / 19:02

      O pior é que ele só vai repetir o que outros já escreveram, Abner. Ele vai basicamente traduzir a discussão que se faz do assunto nos Estados Unidos.

      • abner 28/09/2015 / 19:50

        Tipo o Craig, não é? O pior de tudo são os comentários… muitos religiosos se regozijam de ver a religião entrando na academia, sem saber o problema que isso é.

      • Bertone de Oliveira Sousa 28/09/2015 / 19:58

        Exato. Os cursos de teologia nos EUA fomentam muito esse tipo de discussão. Ele vai fazer um trabalho de teologia como se fosse Filosofia, entrando no campo da metafísica clássica, que não tem mais expressão fora de círculos religiosos.

  5. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 28/09/2015 / 19:12

    Professor Bertone,parabéns pelo texto foi excelente,e tenho umas questões
    ´´Seus cinco primeiros livros, o Pentateuco, foram escritos em épocas diferentes por diferentes autores e são versões modificadas de ensinamentos religiosos, tradições orais e familiares.

    Mas e quanto a figura de Moisés,que nos é apresentada como o autor do Pentateuco,historicamente se pode provar que ele foi um personagem real,um escravo hebreu que foi criado como um príncipe do Egito,e que liderou uma fuga em massa dos hebreus do Egito para a Terra Santa de Canaã,ou ele não passa de um personagem fictício,um mito da cultura hebraica,assim como Hércules é um mito da cultura grega?E caso ele tenha existido como um personagem histórico,é possível que ele tenha escrito ao menos um dos livros do Pentateuco?

    ´´Os ateus precisam entender que repetir constantemente que Deus não existe também é uma forma de acreditar nele.

    Com essa afirmação concordo inteiramente,tenho amigos que são militantes ateus,e que postam diariamente no facebook críticas irônicas a Igreja Católica e a Igreja Evangélica,que por serem as igrejas majoritárias no Brasil terminam sendo um alvo maior,as demais Igrejas Cristãs como a Mórmom,Testemunhas de Jeová,e as outras religiões:espíritas,religiões afros,judaísmo,islamismo,budismo,por não terem uma presença expressiva no Brasil,se comparado com as maiores igrejas cristãs,acabam sendo poupadas de críticas de ateus militantes,eu mesmo sou ateu,mas não fico criticando nenhuma religião,acho que a crítica excessiva e irônica termina sendo prejudicial aos ateus,as pessoas nos verão como desrespeitosos.

    E gostaria de fazer uma comparação entre Jesus e Maomé,pois li a biografia deste profeta islâmico escrita por Karen Armstrong,e ela nos afirma que de certa forma Maomé foi um revolucionário,pois ele propôs uma igualdade entre homens e mulheres que não existia na Arábia pré-islâmica,onde mulheres eram as vítimas preferidas dos sacrifícios humanos,e Maomé também questionou a estrutura social árabe e uniu diversas tribos desta etnia em nome do islamismo,o senhor concorda que de certa forma Maomé foi além de Jesus na questão social?

    • Bertone de Oliveira Sousa 28/09/2015 / 19:43

      Gabriel, o pentateuco contém diferentes estilos de escrita e tradições literárias, compiladas após a morte de Moisés. Sobre a existência histórica de Moisés, veja esse artigo:

      http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/quem_foi_o_verdadeiro_moises_.html

      Maomé pode ser considerado revolucionário num sentido metafórico, porque o Islã nasceu também como proposta de reforma social, diferentemente do Cristianismo. Não que Maomé tenha ido além de Jesus, mas seus objetivos e as mensagens que pregavam eram diferentes em conteúdo e contexto.

  6. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 17/10/2015 / 5:23

    Professor Bertone Sousa,o que o senhor tem a dizer sobre as religiões afro brasileiras? O senhor quase sempre só fala da religião cristã,mas no Brasil parte do cristianismo católico está muito misturado com a crença em orixás,principalmente na Bahia,e acredito que até no estado natal do senhor,o Maranhão,pela grande presença de uma população de origem africana nesse estado,eu já li que inclusive lideranças políticas desses estados,mesmo sendo da elite branca,como o falecido ACM da Bahia,e Sarney do Maranhão/Amapá se utilizam de serviços de sacerdotes das religiões afro.

    • Gabriel Tavares 18/10/2015 / 15:23

      O senhor não considera as religiões afro brasileiras importantes na sociedade brasileira atual?

  7. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 17/10/2015 / 6:46

    É fato que o sincretismo religioso do catolicismo e até de igrejas evangélicas neopentecostais como a Igreja Universal do Reino de Deus com a umbanda e o candomblé são bem grandes,porque apesar da última demonizar essas religiões,utiliza em seus rituais muitos elementos presentes nas religiões afros como galho de arruda,trevo de quatro folhas.

    • Bertone de Oliveira Sousa 18/10/2015 / 16:36

      Sim Gabriel, as religiões africanas são importantes em nossa formação cultural e de fato as igrejas neopentecostais que as combatem tomam muitos elementos emprestados de seus rituais e simbolismos. Tem um livro muito bom que aborda essas questões, chama-se “Matriz religiosa brasileira”, de José Bittencourt Filho.

      • Gabriel Tavares 18/10/2015 / 19:44

        E o que o senhor acha de mesmo membros da chamada elite branca dos estados que possuem alto percentual de afro brasileiros,como Bahia e Maranhão,participarem desses rituais,o senhor acredita que de foto eles estão engajados nessas religiões ou é um oportunismo político?No caso de figuras como ACM e Sarney?

      • Bertone de Oliveira Sousa 18/10/2015 / 21:05

        Alguns deles podem ter vínculos com essas religiões, até porque existem pessoas de classe média e brancas que também as frequenta, mas eles também podem fazer uso político dessas crenças, como também fazem com outras religiões, como quando doam terras a igrejas, liberam verbas públicas para eventos religiosos como a marcha para Jesus, ou quando aparecem em eventos religiosos de grande porte, como foi o caso da inauguração do Templo de Salomão da Igreja Universal ou a celebração no santuário de Aparecida em 12 de outubro.

  8. Gabriel Tavares 30/12/2015 / 20:57

    Professor Bertone Sousa,me dê um exemplo de trecho dos evangelhos onde está presente uma ignorância,um erro em relação aos costumes judaicos do primeiro século,por exemplo a questão da rivalidade com os samaritanos foi real?Porque há no evangelho de João uma passagem em que Jesus visita uma aldeia samaritana,e a mulher não queria inicialmente conversar com ele,pelo fato de ele ser judeu.

  9. Gabriel Tavares 30/12/2015 / 21:02

    E me adicione no face professor por favor,penso que será bom,quando tivermos tempo conversarmos por ali,gosto muito do blog do senhor,e de sua visão equilibrada,tanto política,sendo de esquerda,mas não da extrema esquerda,quanto em relação a religião,e o ateísmo,sendo um ateu que faz críticas a religião sempre com base histórica,sem debochar e ridicularizar.Eu te adicionei recentemente no face,mas o senhor não aceitou,agora não consigo mais te adicionar,o meu face é ,https://www.facebook.com/gabriel.pinho.31

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