Quem deve usar a imagem de Cristo?

vivianyA imagem do transexual Viviany representando Jesus crucificado na parada GLBT do último domingo rendeu críticas e elogios de diversos segmentos e pessoas nos últimos dias. Em entrevista, Viviany mencionou que Madonna e outros famosos também mimetizaram o Cristo crucificado. No seu caso, a intenção da cena era mostrar que Cristo representa os oprimidos, injustiçados e dessa forma chamar a atenção para o problema da homofobia na sociedade. A intenção era boa, mas a figura utilizada foi imprópria.

Na quarta-feira (10/06), um deputado da Bancada evangélica apresentou um projeto de lei que objetiva transformar a “cristofobia” em crime hediondo. No mesmo dia, vários deputados da mesma bancada fizeram um “protesto” na própria Câmara contra o que consideram ser agressão do movimento LGBT contra símbolos do cristianismo; por último, ainda rezaram um Pai-nosso e depois vaiaram o deputado Roberto Freire, que pediu respeito à República laica brasileira e que não fizessem orações no plenário.

Temos aí duas situações e a segunda sendo desencadeada diretamente pela primeira. Então, vamos por partes. Primeiro: o transexual crucificado na Avenida Paulista não estava insultando nenhuma religião, mas querendo chamar a atenção para o problema do preconceito contra homossexuais e usando a figura de Cristo como exemplo de tolerância e sofrimento. Como eu disse, a intenção era boa, mas a figura imprópria. Existe aí uma incompreensão da mensagem do Cristianismo. Jesus Cristo era um crítico ferrenho do Judaísmo de sua época e da aparência externa de religiosidade por meio da qual seus sacerdotes escondiam a empáfia de sua posição na sociedade.

Em seus embates com essas pessoas e em suas pregações, Jesus jamais apresentou uma proposta de reforma da sociedade; ele era sobretudo um pregador apocalíptico, se colocava como anunciador do advento de um reino sobrenatural e eterno de justiça; ele estendia a todas as pessoas o direito de participarem desse reino sobrenatural desde que se arrependessem de seus pecados, abrissem mão de vaidades, riquezas e orgulho pessoal para se apresentarem como pessoas dignas de Deus. A mensagem de Jesus Cristo era universal em um sentido: qualquer pessoa que se arrependesse poderia escapar da ira divina e ser salvo; é assim que termina originalmente o primeiro evangelho que foi escrito, Marcos, por volta do ano 60; somente em um sentido religioso, espiritual, essa mensagem pode ser considerada inclusiva, mas não é inclusiva em um sentido social, isto é, de nenhum modo ela objetivava uma transformação da estrutura política e social.

Sabemos que a questão do homossexualismo é moderna e que os povos da  Antiguidade, especialmente os politeístas, não a compreendiam como nós. Mas a partir de Paulo o Cristianismo  estabeleceu diretrizes rígidas para a vida sexual de seus membros e Paulo condenou explicitamente o coito entre pessoas do mesmo gênero como pecados abomináveis. A ideia paulina de que todos são iguais diante de Deus não tocava na estrutura social da época, baseada no trabalho escravo, nem tornava todos os comportamentos e credos aceitáveis para Deus, senão o Cristianismo não seria uma religião de salvação. A formação da doutrina cristã durou cerca quatro séculos e não foram poucas as tensões que a religião teve ao lidar com a questão da sexualidade durante toda a Idade Média e a modernidade.

Recentemente, o papa Francisco acenou para uma tentativa de atenuar a rejeição do homossexualismo pela doutrina da Igreja, mas o que é preciso dizer é que a aceitação dessa prática pela religião cristã requer a exclusão de trechos do Novo Testamento ou sua interpretação por outros meios, o que em todo caso não evitaria uma descaracterização histórica do Cristianismo. Por outro lado, as igrejas que pregam uma mudança de orientação sexual dos homossexuais que se convertem em seus templos não podem ser chamadas de intolerantes. Igrejas não são clubes sociais, mas agremiações de pessoas con-vertidas de outras greis, que ao filiar-se se comprometem a aceitar um conjunto de dogmas como verdades reveladas, interpretadas por um corpo de sacerdotes autorizados e agir de acordo com elas. Espera-se do convertido uma mudança de comportamento para que seja aceito no novo grupo e compartilhe seu estilo de vida. Por outro lado, seria um atentado às liberdades individuais criar uma lei que impeça que homossexuais busquem ajuda de líderes religiosos para mudarem de orientação. A lei não impediria que a prática cessasse e já nasceria como letra morta. Já na Igreja Católica, se o casamento gay ainda não é celebrado, tampouco existem ações coordenadas para exclusão de homossexuais de seu meio.

Mas os homossexuais cometem um erro ao buscarem aceitação pelas religiões cristãs sem mudança de comportamento. Mesmo que algumas congregações em alguns países tenham aprovado o casamento e até o sacerdócio de homossexuais, é pouco provável que isso se torne uma prática comum num futuro próximo e mesmo nos lugares onde acontece, o abandono da congregação por parte daqueles que não concordam com a medida será uma ação corriqueira.  Numa democracia como a nossa, eles ainda podem fundar igrejas voltadas exclusivamente para eles (embora se empenhem em não excluir os heterossexuais, é importante que se diga), como a Igreja Cristã Contemporânea e a Igreja Cidade Refúgio, mas serão apenas seitas como outras; nesse caso, uma seita de gênero, com uma leitura da Bíblia historicamente desvinculada de qualquer tradição. Talvez essas tensões e embates de nossa época sejam um momento oportuno de os homossexuais entenderem que, se querem permanecer assim, devem deixar o cristianismo e, por extensão, qualquer uma das três grandes tradições monoteístas. Isso implica agir como movimento laico, ao invés de continuar usando as imagens e buscar mudanças forçosas de tradições religiosas.

A outra cena foi a reação da bancada evangélica. Criar um projeto de lei para punir “Cristofobia” é um gesto no mínimo oportunista. Não existe na sociedade brasileira nenhum grupo que pregue ou pratique ações sistemáticas e coordenadas de violência contra cristãos. Numa sociedade que ainda se declara majoritariamente cristã (cerca de 90%) isso seria um contrassenso. As ações de pessoas que quebraram imagens de santos e enfiaram um crucifixo no ânus quando da visita do Papa Francisco ao Brasil, foi um caso isolado e não reflete as ações e o pensamento nem da maioria dos homossexuais no país, nem das pessoas não cristãs. A mesma bancada evangélica que pede respeito a símbolos religiosos, também não respeita o estado laico brasileiro nem mesmo um colega que, após ouvir com atenção seu protesto, se manifesta pedindo que não façam orações no plenário da Câmara.

Nos últimos anos, as manifestações do movimento LGBT com o uso de símbolos e imagens cristãs têm sido interpretadas como gestos ultrajantes por variados líderes religiosos. Isso tem reforçado o radicalismo de alguns líderes e trocas de insultos de ambas as partes. O que está em questão aqui não é quem deve ter o monopólio da figura de Cristo, mas a falta de uma leitura histórica por parte do movimento LGBT, que só tende a perder com o confronto direto com a religião. Por outro lado, os líderes religiosos arrivistas (uma minoria barulhenta) não perdem a oportunidade para usar esse cenário como plano de fundo para espalhar teorias conspiratórias e promover suas agendas políticas. As ações erradas do primeiro grupo apenas fortalecem os discursos e as ações do outro.

Leia também:

O que quer Silas Malafaia? 

Feliciano e o fortalecimento da direita religiosa

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32 thoughts on “Quem deve usar a imagem de Cristo?

  1. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 11/06/2015 / 5:29

    Olá professor Bertone texto muito bom,como sempre!Adoro seu blog,sou assinante dele,e gostaria de comentar que essa oposição a homossexualidade é algo mais paulino mesmo não,porque o próprio Jesus ao menos de acordo com os evangelhos jamais criticou a prática homossexual,enquanto que os autores do Novo Testamento como Pedro,João,Tiago também não condenaram essa prática,e no Velho Testamento,ainda que na lei de Moisés essa conduta era punida com a pena capital,ainda assim,no livro de 1 Samuel,implicitamente se pode interpretar que o rei Davi e Jônatas viveram uma relação de amor homossexual,inclusive quero perguntar,historicamente essa interpretação é viável?Porque a existência de Davi não é questionada pela história não?E sobre a tal da ´´cristofobia´´ ,porque deputados evangélicos querem impôr uma lei considerando esta como um crime,se não há de fato nenhum grupo que mate cristãos no Brasil,ou os persiga,qual o sentido dessa lei?

    • Bertone de Oliveira Sousa 11/06/2015 / 13:53

      Gabriel, a questão da relação entre Davi e Jônatas fica mais no campo da especulação. Há também especulação acerca do próprio Paulo, se o “espinho na carne” que ele mencionava em uma carta não era um desejo homossexual reprimido. Holger Kersten falou disso num livro que resenhei aqui. Já a banca evangélica quer promover sua agenda, mesmo não havendo perseguições a cristãos eles hiperbolizam discursos como forma de tentar mudar a legislação a seu favor. E isso é perigoso porque, se aprovadas, essas leis podem restringir amplamente a liberdade de expressão.

      • Vander 19/06/2015 / 13:20

        Bertone, não encontro maneiras de entrar em contato com você. Gostaria de saber, como posso lhe enviar um e-mail ?

  2. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 11/06/2015 / 5:39

    Ate porque Paulo foi o primeiro a estruturar o cristianismo como religiao,ja que Jesus e os primeiros discipulos nao entendiam sua crenca como uma religiao independente,apenas como uma seita apocaliptica do judaismo,e Paulo ja quis criar uma religiao,dai a necessidade de se controlar a vida sexual dos fieis,e criar uma hierarquia religiosa.

    Obs:Me desculpe a falta de acentuacao,esse comentario foi feito pelo celular.

  3. Edson Almeida 11/06/2015 / 8:56

    Professor, o senhor não acredita que o movimento LGBT, da forma como vem usando as manifestações relacionados à religião, só está ajudando a promover a imagem dos pastores e deputados que, por meio das criticas feitas a essas manifestações, continuam aparacendo cada vez mais na mídia, ganhando cada vez mais audiência e promoção de suas imagens como representantes dos “cidadãos de bem”?

    Penso que com relação aos pastores, não passa de uma estratégia de marketing para aumentar o número do seu rebanho de pagadores de dízimos e com relação aos deputados, o objetivo é realizar promoção política visando futuros votos para a próxima candidatura a ser lançada, pois quem quer abrir mão de receber mais de R$ 30.000,00 por mês, trabalhando apenas das terças às quintas-feiras, com moradia e transporte integralmente pagos por todo nós, “cidadãos do mal”, que trabalham mais de 8 horas diárias das segundas às sextas-feiras (ou até sábados)?

    • Bertone de Oliveira Sousa 11/06/2015 / 13:55

      Edson, é exatamente o que estão fazendo, produzindo um efeito contrário ao que desejam; isso é muito ruim porque pode exacerbar gestos recíprocos de intolerância.

  4. José David Filho 11/06/2015 / 10:25

    Pastor Silas Malafaia teve razão quando disse: “quem quer direitos tem que aprender respeitar o direito dos outros”. Portanto não se deve reivindicar direitos pessoais pisando o direito alheio. Os homossexuais tem direitos, mas tem que respeitar o direito dos cristãos de crença. As pessoas cristãs não são obrigadas a concordar com os valores dos ativistas homossexuais. Dá mesma forma que os homossexuais são livres para permanecer em suas práticas se assim desejarem, e os cristãos não os podem obrigar a mudar, a menos que os homossexuais queiram se converter a religião cristã. Desrespeitar símbolos ou objeto de culto religioso é crime, da mesma forma que agredir ou matar qualquer pessoa independente de sua opção sexual. Não há necessidade de lei anti-homofobia nem de lei contra a cristofobia. O que se precisa é se fazer cumprir a lei vigente e de penas mais duras. desta forma combatendo-se a impunidade. Em resumo, é preciso haver respeito aos direitos individuais e as crenças. Assim, tanto o lado dos homossexuais como dos cristãos conviverão harmoniosamente em sociedade.

  5. Questões Relevantes 11/06/2015 / 14:08

    De fato, vimos em manifestações recentes de lésbicas e LGBTS atos que estão abaixo da linha do mau gosto sob qualquer régua, como pessoas nuas penetrando-se na vagina ou ânus com crucifixos. São legítimos representantes dos radicais que infelicitam a humanidade.

    Mas a questão da transexual Viviany é totalmente distinta. Não vi nesta imagem e em centenas de outras desta mesma cena uma ação ofensiva ou com o intuito de ofender. Faz parte de nossa cultura dizer “fulano foi crucificado por isso ou aquilo”. Penso que há uma certa beleza estética até. E a metáfora da intolerância que leva à crucificação estabelece um paralelo claro com a vida e morte de Jesus e a perseguição atual aos gays por intolerantes que se escondem atrás de religiões e crenças.

    Outro dia escrevi um artigo sobre o tema, diante de outro episódio de homofobia, que dizia “Não faz muito tempo casamento entre negros e brancos era um escândalo. Mulheres votando eram uma aspiração ridícula. Ser divorciado era motivo de vergonha. Já está na hora de reconhecermos o que é igualmente humano, ou seja, a sexualidade homoafetiva. Se você crê em Deus, aceite porque é obra Dele. Se não crê, aceite porque não há uma única razão lógica para não aceitar. Dar ouvidos a estes mercadores da fé e outros oportunistas é apenas sinal de que está se deixando levar por gente que não merece seu voto, seu dízimo ou sua atenção.”

    Está na hora desta gente raivosa que se diz religiosa (mas é apenas antípoda daqueles radicais que se masturbam com crucifixos) parar de praguejar e começar a estudar. Ignorância e preconceito têm cura.

  6. Rafael 11/06/2015 / 23:45

    Como sempre excelente reflexão, professor. Entendo, eles querem se sentirem aceitos, mas creio que só podem exigir respeito.

  7. Sandro Oliveira de Carvalho 12/06/2015 / 14:29

    Professor Bertone Sousa, levando-se em consideração que o cristianismo evoluiu em sua compreensão a respeito do papel da mulher tanto na igreja como na sociedade secular, rompendo milenar tradição – que foi também a de Paulo -, de sujeição para a emancipação, o senhor não concorda que o cristianismo também pode evoluir em sua comprensão da homossexualidade no sentido em que ela se apresenta hoje, ou seja, como um conceito moderno e uma experiência que guarda diferenças fundamentais em relação à percepção que se tinha dela no passado que inclui o tempo de Paulo e que pode, com base nessa nova compreensão, conduzir a um novo paradigma que inclua a emancipação, aceitação e inclusão das pessoas homoafetivas nas igrejas e respeitando-se, inclusive, a decisão delas em relação ao casamento gay?

    Tenha-se em vista, ainda, que o cristianismo não precisa ser compreendido como uma instituição que se petrifica em dogmas apenas porque estes foram defendidos um dia ou mesmo porque fizeram parte de uma tradição, haja vista que a revelação de Deus pode não mudar, mas a percepção e compreensão da mesma sim. Foi essa mudança de percepção, de compreensão que permitiu ao cristianismo evoluir em sua forma de compreender o papel da mulher tanto na igreja como fora dela. Concluo com a citação de uma frase da Bíblia que dá uma ideia de como essa compreensão se desenvolve:

    “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” (Provérbios 4:18)

    • Bertone de Oliveira Sousa 12/06/2015 / 14:52

      Sandro, entendo sua colocação, mas a diferença aqui é que a mulher sofreu restrições na história do Cristianismo por ter trazido o pecado ao mundo e pela compreensão dos padres da Igreja de sua subordinação ao homem desde a criação. Ela não foi excluída no sentido de sua condição de ser mulher ser irremediavelmente pecadora e inaceitável pelo credo. Pelo contrário, há momentos de positivação de sua condição, como a institucionalização do culto a Maria como exemplo e mãe de Deus no século XIII. A questão do sacerdócio feminino é uma problemática relativamente recente que muitas igrejas protestantes não tiveram dificuldade de aceitar, mas na Igreja Católica há questões históricas e doutrinárias que impedem essa aceitação. Mas isso também não se compara à condição dos homossexuais, que o cristianismo desde o primeiro momento tratou como pecado e como orientação comportamental inaceitável para inclusão desses indivíduos na comunidade religiosa.

      Por isso, a aceitação dos homossexuais sem a necessidade de abandono de um comportamento sempre considerado pecaminoso descaracterizaria historicamente o cristianismo, o que não ocorreu com a aceitação de uma participação mais efetiva das mulheres nas liturgias e na própria comunidade religiosa. Isso vai além da questão que você colocou da petrificação de dogmas. As religiões de salvação possuem pontos doutrinários dos quais não podem abrir mão sem romper drasticamente com uma tradição a qual pretendem estar vinculadas.

      • Sandro Oliveira de Carvalho 12/06/2015 / 15:35

        Professor Bertone Sousa, agradecendo por sua resposta e atenção, gostaria, todavia, de pontuar que mencionei o caso das mulheres como exemplo de uma evolução que houve no cristianismo e que poderia inspirar novas evoluções, como a da inclusão das pessoas homoafetivas. Compreendo que as religiões de salvação, fundamentalistas que são, apegam-se a dogmas, visões arcaicas e muitas vezes anacrônicas, opondo forte resistência à novas formas de compreender o sagrado e sua relação com os homens. Talvez até mesmo ema reação à essas resistências é que o progresso se faz presente também no cristianismo na forma de novos movimentos que surgem em seu meio e que, protestando contra o engessamento das visões da fé, propõem novas formas de compreensão da divindade, de sua revelação e de seu trato com os seres.

        Professor Bertone Souza, como seu fã e leitor assíduo, gostaria de agradecer-lhe por sua importante contribuição no enriquecimento cultural da nação e por ser mais um farol que coopera, com sua inteligência e sabedoria, com a iluminação da humanidade.

  8. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/06/2015 / 13:52

    Olá professor Bertone,agora meu colega de profissão,pois semana passada terminei a minha graduação em história pela UNINOVE,agora estou aguardando a universidade confirmar o dia da festa de formatura,provavelmente será na segunda semana de julho.Gostaria que por favor, o senhor comentasse um artigo do pastor Ciro Zibordi,do site CPAD News,que ele escreve,tratando do mesmo tema que o senhor escreveu o seu texto.
    http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/147/por-que-a-grande-midia-aplaude-quem-escarnece-da-cruz-de-cristo.html

    Porque eu tenho dúvidas em relação aos pentecostais da CPAD,que são pertencentes a CGADB,que não são figuras midiáticas,por exemplo eu nunca vi o Ciro Zibordi em um programa da Rede Globo,ou da Luciana Gimenez,do Ratinho,ou da Marília Gabriela,como eu já vi o Silas Malafaia e o Marco Feliciano(e estes são também membros da Assembléia de Deus,ainda que independentes,não pertencem a CGADB,nem a nenhuma convenção).Porém o discurso dele é bem semelhante ao discurso de Malafaia e Feliciano,acusa uma perseguição midiática contra os evangélicos,e acusa o transsexual da parada gay de SP de zombar de um símbolo cristão,e debocha do ativismo LGBT,mas esse discurso de perseguição não é mais próprio de Silas Malafaia e de Feliciano?Já que estes pretendem ficar milionários com esse discurso homofóbico,e também angariar votos,no caso de Malafaia,eleger deputados no Congresso que ele apóie,já que ele mesmo não quer ser candidato,mas já lançou no estado do Rio,o pastor Sóstenes Cavalcanti,que é pastor da igreja dele,e este foi eleito,com a desculpa de que não deixaria ser aprovada nenhuma lei que beneficie aos LGBT,e o Feliciano ele próprio é um político,então é vantajoso para ele possuir um discurso homofóbico,e se dizer vítima de perseguição da mídia,mas e o Ciro Sanches Zibordi???Ninguém no Brasil conhece ele,não é uma figura midiática,assim como nenhum pastor ligado a convenção CGADB é,nem mesmo o José Wellington Bezerra da Costa,presidente desta,então o que querem eles?Se não é dinheiro,nem poder político,porque então copiam os mesmos discursos de figuras midiáticas como Malafaia e Feliciano?

  9. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/06/2015 / 13:58

    Olha aqui professor,mas um discurso de Ciro Sanches Zibordi,onde ele novamente acusa a grande mídia de perseguir os evangélicos
    http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/150/uma-grande-orquestracao-contra-a-fe-evangelica.htm

    Dessa vez,ele escreve sobre o caso da menina,seguidora do candomblé que foi apedrejada por evangélicos na saída de uma festa religiosa,na avenida Meriti,zona norte do Rio de Janeiro,ele em vez de reconhecer que há discursos de ódio de pastores pentecostais e neopentecostais,e que esses discursos podem gerar ações de violência contra as pessoas atingidas por esses discursos,como membros de religião afro brasileiras,ele simplesmente diz que não há confirmação que são evangélicas,e que a mídia quer difamar os evangélicos,os tratando de preconceituosos,violentos,
    ´´Na TV, no rádio e na Internet, têm sido frequentes as notícias de que as religiões afro-brasileiras são vítimas de preconceito, discriminação e ódio por parte de pastores fanáticos e fundamentalistas evangélicos. Aliás, não faz muito tempo, jornais cariocas noticiaram com destaque que “traficantes evangélicos impedem mães e pais de santo de realizar seus cultos e as expulsam dos nos morros”. Não houve nenhuma preocupação em associar a fé evangélica a um dos piores males que existe no Brasil: o tráfico de drogas! Isso não é uma espécie de evangelicofobia?´´

    Ou seja,ele não reconhece,que esses discursos realmente podem produzir ódios contra as religiões afro brasileiras,simplesmente diz que é um preconceito e perseguição da mídia.Mas o que ele quer com isso?Como disse no outro artigo,que eu saiba,o pastor Ciro Sanches Zibordi,não é uma figura midiática e milionária,do porte de Silas Malafaia,e não possui interesses políticos ou comerciais ao fazer essas declarações,eu pesquisei esse site,por curiosidade,de saber o posicionamento dos evangélicos que não são midiáticos,e vi que o discurso é idêntico ao de Silas Malafaia,será que o Ciro Sanches Zibordi quer se tornar um novo Silas Malafaia?Se não,por que ele repetiria o mesmo discurso de Malafaia?

  10. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/06/2015 / 14:04

    Porque como o senhor disse no artigo ´´O que quer Silas Malafaia´´? O Malafaia deseja unir os evangélicos em torno de um único líder,além de eleger deputados,influenciar o Congresso Nacional,e minar o estado laico,quer misturar religião e política,se tornar uma espécie de ´´papa evangélico ´´ pelo que entendi,agora o Ciro Sanches Zibordi,sendo um ´´peixe pequeno´´ dentro da própria CGADB,não acredito que ele deseje o mesmo,então por que o senhor acredita que muitos artigos dele no CPAD News,defendem ideias similares as de Malafaia,como acusar a mídia de ´´evangélicofobia´´,atacar o ativismo gay?

  11. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/06/2015 / 14:18

    Só mais uma dica:Se o senhor tiver tempo,claro,o senhor poderia estudar os artigos de Ciro Sanches Zibordi,de um modo geral,todos os artigos dele,e escrever um artigo aqui para esse site,explicando as ideias dele mais a fundo, na minha humilde opinião ,não caberia um ´´O que quer Ciro Sanches Zibordi ´´?rss,porque ele não é uma figura midiática,nem tão ambiciosa,como Silas Malafaia,mas acho que cairia bem,uma explicação mais profunda das ideias dele,já que ele como um colunista do site da CPAD News,o site da editora das Assembléia de Deus,uma das maiores igrejas evangélicas do Brasil,influencia muita gente com suas ideias,caberia aqui uma réplica!

    • Bertone de Oliveira Sousa 22/06/2015 / 17:39

      Gabriel, nesse caso não se trata de copiar os discursos de Malafaia e Feliciano; muitas lideranças evangélicas pensam assim porque há uma mania de perseguição entre eles, que em grande parte tem origem nas especifidades do protestantismo brasileiro, inicialmente alóctone e depois que teve dificuldades de acomodar-se à cultura católica brasileira. Isso também se relaciona à visão beligerante do protestantismo pentecostal no Brasil. Falei sobre isso no texto “Intolerância religiosa, nossa velha conhecida”.

      • Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/06/2015 / 17:43

        Então,professor o senhor achas que Ciro Sanches Zibordi não tem nada a ver com Malafaia e com Feliciano?

      • Bertone de Oliveira Sousa 22/06/2015 / 17:52

        Não é que não tenha nada a ver; esses líderes podem divergir em alguns pontos, mas não divergem em todos.

  12. Gustavo Leite 22/06/2015 / 17:21

    Quando vc diz que a imagem do transsexual crucificado era imprópria, pela sua explicação entendo que vc cita o Jesus Histórico.

    E é por isso que discordo de você no que se refere à impropriedade da imagem ou do ato.

    É óbvio que a única razão pela qual a bancada da bíblia “se ofendeu” , é por quem estava utilizando o símbolo, pendurado na cruz era um homossexual.

    O Jesus que estava na parada gay, não era o Jesus Histórico. Duvido muito de que tanto os gays que estavam na parada, quando os políticos-pastores/pastores-políticos conheçam qualquer estudo sobre jesus histórico.

    O jesus naquele caso é o que eu chamaria de Jesus Político.

    Entendo que o Jesus Político, tiradas algumas influências da direita cristã dos EUA, é criação de nossos políticos evangélicos.

    E no meu entendimento símbolos políticos podem ser apropriados por qualquer um.

    • Bertone de Oliveira Sousa 22/06/2015 / 17:50

      Gustavo, a bancada evangélica exagera quando chama de insulto uma manifestação que nem de longe teve essa intenção. Mas o meu texto foi mais no sentido de mostrar questões históricas que podem dificultar uma aceitação mais ampla dos homossexuais em diferentes segmentos da cristandade. Mas é claro que as tradições também podem ser (re)inventadas, no sentido em que Hobsbawm e Ranger trabalharam no livro “A invenção das tradições”, embora eu não tenha entrado nisso pra não deixar o texto longo; somente apontei as dificuldades que se apresentam nesse sentido, mas é uma discussão pertinente principalmente se o papa Francisco consolidar a postura tolerante que tem adotado.

  13. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 24/06/2015 / 13:00

    Professor Bertone,o senhor acredita que ainda exista algum preconceito da grande mídia contra os evangélicos,como o Ciro Zibordi afirmou no artigo que eu lhe mostrei?Ele cita outros casos,como de supostos traficantes evangélicos que haviam expulsado praticantes de religiões afro brasileiras dos morros do Rio de Janeiro,ele achou um absurdo,um preconceito,associar a fé evangélica a um grande mal da nossa sociedade,que é o tráfico de drogas,o senhor acredita que em algum ponto ele possa ter razão,ou ele seria um paranoico,alguém que quer se vitimizar,que tem mania de perseguição?Inclusive,te havia dado a ideia,claro,se o senhor tiver tempo,e se interessar,em estudar mais a fundo o artigo deles,eu notei que ele é diferente de outros colunistas do CPAD NEWS,sempre aborda questões políticas,notícias da atualidade,com um viés fortemente cristão,sempre se vitimizando,e acusando os demais,se o senhor achar necessário,quiser,poderia escrever um artigo desconstruindo as ideias dele,e o comparando,e mostrando as diferenças dele para pastores mais famosos no Brasil,como o Silas Malafaia,mas a minha dúvida maior,é saber se ele possa a ter razão,eu fiquei pensando,talvez nesse caso da mídia falar que existem traficantes evangélicos,e a religião evangélica combate o tráfico de drogas.

    • Bertone de Oliveira Sousa 24/06/2015 / 20:53

      Gabriel, pode haver sim preconceito de algumas pessoas contra evangélicos em diferentes setores da sociedade, mas nada que se aproxime do que o Zibordi fala de evangelicofobia, que inclusive é um termo capcioso. Não existe, como eu disse no texto, nenhuma ação sistemática contra evangélicos no país; não há nenhum grupo e nenhuma ideologia voltada exclusivamente para a denegação dos evangélicos, nem para sua exclusão social e política. Nada e nenhum veículo importante de comunicação fomenta esse tipo de atitude. Veja que no texto do Zibordi que você postou, ele é incapaz de nomear grupos e pessoas, ele apenas fala vagamente de uma “ação orquestrada”, o que nem de longe é verdade. Ninguém tem agido para depredar templos e patrimônios ligados a entidades e lideranças evangélicas, ninguém tem defendido isso, ninguém tem perseguido evangélicos nas ruas, empresas, escolas, onde quer que seja. O preconceito pode existir, no caso de alguns ou até muitos pensarem que pastores são ladrões, são inescrupulosos, que as igrejas são apenas empresas, etc., e que são basicamente lugares-comuns reproduzidos por quem não compreende historicamente o movimento (neo)pentecostal no Brasil e que se propagam pela visibilidade que várias igrejas têm nos meios de comunicação. As generalizações inadequadas em geral são formuladas no nível do senso comum e acatadas até mesmo por alguns jornalistas, mas são sempre casos isolados e inócuos.

  14. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 24/06/2015 / 13:07

    http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/150/uma-grande-orquestracao-contra-a-fe-evangelica.html

    Na TV, no rádio e na Internet, têm sido frequentes as notícias de que as religiões afro-brasileiras são vítimas de preconceito, discriminação e ódio por parte de pastores fanáticos e fundamentalistas evangélicos. Aliás, não faz muito tempo, jornais cariocas noticiaram com destaque que “traficantes evangélicos impedem mães e pais de santo de realizar seus cultos e as expulsam dos nos morros”. Não houve nenhuma preocupação em associar a fé evangélica a um dos piores males que existe no Brasil: o tráfico de drogas! Isso não é uma espécie de evangelicofobia?

    Esse trecho que me deixou dúvida,ele acha um preconceito associar a fé evangélica a um dos piores males que existe no Brasil:o tráfico de drogas! E que isso seria uma evangelicofobia da mídia,como desconstruo esse argumento?

    • Bertone de Oliveira Sousa 24/06/2015 / 21:06

      Gabriel, em relação aos traficantes que expulsaram o pessoal de outra religião, é importante dizer que os jornalistas não associaram a fé evangélica ao tráfico de drogas. No Jornal O globo, por exemplo, é dito que alguns líderes de igrejas convencem líderes do tráfico a expulsarem as mães de santo. Isso foi uma denúncia, o que é preciso é investigar quem está fazendo isso e acionar judicialmente essas pessoas para responderem por suas atitudes, embora isso seja complicado porque em muitos morros predomina a “justiça” do tráfico. Mas isso nada tem a ver com evangelicofobia, foi uma denúncia de ações específicas em um lugar específico. Existem matérias também que falam sobre vereadores e deputados evangélicos que querem aprovar leis para tornar orações e ou leituras da bíblia obrigatórias em escolas, isso é ilegal e precisa ser denunciado. Em SC uma lei semelhante que já havia sido aprovada foi derrubada judicialmente depois porque viola a laicidade do estado. Como eu disse, essa expressão evangelicofobia é capciosa e pode ser usada para escamotear interesses políticos em torno de um discurso de vitimização que não tem correspondência com nossa realidade social.

  15. Lucas 25/06/2015 / 14:10

    Caro professor Bertone, quando alguns crentes dizem que o gays só são livres para assim serem porque os países cristãos são únicos que dão total liberdade ao indivíduo estão sendo falaciosos ou isso tem algum tipo de embasamento?

    • Bertone de Oliveira Sousa 25/06/2015 / 14:28

      Lucas, estão sendo redutivos. Embora o cristianismo afirme a importância do indivíduo e sua singularidade, não foi apenas em função de crenças religiosas que nossas noções de direitos humanos se desenvolveram, mas especialmente contra elas, porque as lutas pelas liberdades individuais tiveram que se afirmar também contra o domínio da religião na vida social e política. No caso das minorias, isso é ainda mais verdadeiro, como ilustram as lutas dos negros nos Estados Unidos e mais recentemente dos próprios homossexuais.

  16. Sandro Oliveira de Carvalho 30/06/2015 / 17:00

    Professor Bertone Sousa, gostaria de sugerir ao senhor considerar a hipótese de escrever um texto ou artigo sobre a influência das teorias conspiratórias na política e na religião.

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