Dez coisas que a esquerda brasileira ainda precisa entender

esquerda1. O PT promoveu inclusão social, mas isso não deveria lhe dar o direito de saquear o país. Em última análise, os mensalões e petrolões foram roubos aos próprios trabalhadores, que agora são forçados a pagar os prejuízos. O PT se mostrou tão patrimonialista quanto qualquer outro partido e somente se mantém no poder porque a direita, apesar de também ser patrimonialista, não quer inclusão nem ascensão social, por isso não consegue ser oposição e vencer eleições. E como não há oposição, o PT se destrói por dentro como vem fazendo. A direita nunca vai querer políticas sociais, por isso sempre vai vociferar contra elas. A crise atual ocorre porque o governo deixou de fazer reformas importantes e agora tem que recuar das políticas sociais e deixar a economia decrescer. Isso não tem a ver com “ódio burguês ou elitista”, isso é resultado apenas de má administração e fisiologismos partidários.

2. Não existe imprensa golpista no Brasil. Quem faz golpe são militares, milícias ou grupos armados tomando as ruas e prédios governamentais. Imprensa faz oposição e oposição não é golpe.

3. Não existe luta de classes no mundo contemporâneo. Existem, sim, ricos e pobres e suas diferenças não se manifestam mais na forma de luta de classes. Marx usou esse conceito no século XIX como parte de uma filosofia da história em que o desenvolvimento produtivo da sociedade capitalista levaria de forma inevitável à ditadura do proletariado, que seria a passagem para a abolição de todas as classes. O conceito de classe, em Marx, sobrepuja o indivíduo, cujos pensamentos e modos de viver são condicionados por sua posição em uma classe social, compreendida como unidade sólida. Nossa época é a da afirmação do indivíduo, das minorias e da rejeição a ideologias coletivistas. Os pobres não querem revolução social nem são movidos por ideais classistas, eles querem consumir, querem ampliação de direitos e integração. Algumas lideranças de esquerda perceberam a importância disso ainda na década de 1870 e criaram a social-democracia. Hoje, evocar “luta de classes” apenas serve para jornalistas pagos pelo governo polarizarem debates e inflamarem ânimos. Somente. Tirando isso é um conceito fora de tempo.

4. É preciso entender que não faz mais sentido colocar os adjetivos “socialista” e “comunista” em siglas de partido, ainda mais quando vêm acompanhados do substantivo “liberdade”. Alguém saberia dizer o que é um socialismo com liberdade? Alguém sabe dizer como construir o socialismo sem que isso resulte no fracasso das experiências do século passado? Por que o partido que reúne esses dois termos apenas defende lugares onde não há liberdade?

5. Cuba não é um exemplo de saúde e educação que ainda se possa elogiar. Vários países construíram excelentes índices de educação e saúde pública sem sacrificar as liberdades individuais de seus cidadãos e nem abrir mão da democracia, como fez Cuba.

6. A democracia socialista é totalitarismo. Só existia (e só existe) para o partido e sua nomenklatura, que encarna a vontade da coletividade sem consultá-la. Hoje não falamos mais em “democracia burguesa”, falamos genericamente em democracia e pensando o acesso das minorias e a inclusão dos pobres nela. É nessa via que a esquerda ainda pode ser bem-sucedida porque a direita governa para os ricos e em detrimento dos pobres. Por isso, a direita sempre terá os pobres contra ela. A única alternativa que sobrou à democracia ocidental é o radicalismo islâmico.

7. Militar em partidos é abrir mão da inteligência. Partidos existem em função de projetos de poder e, quando precisam, fazem negociatas com seus adversários políticos. Militantes são rebanho, massa de manobra.

8. Antiamericanismo e antissionismo são expressões infantis que não levam a lugar algum, exceto à depreciação da democracia, que é tudo o que a esquerda não precisa fazer. É possível criticar a política externa norte-americana sem jogar no lixo a democracia e a riquíssima herança cultural desta sociedade, com quem ainda temos muito a aprender. O mesmo pode ser dito em relação ao Estado de Israel. Mas neste caso as vergonhosas manifestações da esquerda a favor do Hamas em tempos de conflito na Palestina resultam apenas de muita ignorância histórica e de um dogmatismo ranheta.

9. Analisar conjunturas sociais e econômicas a partir de posições apriorísticas, isto é, tomando por base sempre uma formação ideológica, geralmente leva a abordagens reducionistas. Os casos acima citados são exemplos clássicos e muitos outros poderiam ser citados de meios jornalísticos de esquerda ou direita. Nenhuma abordagem social é imparcial, mas pode não ser redutiva e nesse ponto a compreensão histórica e análises de caso são mais importantes do que as categorias ideológicas. Ideologias não interpretam, rotulam; não compreendem nem dialogam, denegam. Por isso as ideologias estão mortas, pois não interpretam mais o mundo. O liberalismo foi a única que sobreviveu e não por acaso é a menos universalista delas.

10. A esquerda fala de Marx mais do que o lê e quando lê fala de burguesia, capitalismo e imperialismo como se ainda estivessem no início do século 20. Ler Marx e compreender historicamente suas ideias já seria um passo importante para entender uma modernidade que não é mais a nossa e não cometer os equívocos elencados acima.

Leia também: 

Para compreender Marx

Marx ontem e hoje

O que foi o comunismo

Notas avulsas

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30 thoughts on “Dez coisas que a esquerda brasileira ainda precisa entender

  1. João Paulo 14/03/2015 / 18:36

    Boaa análise. Sou de esquerda mas não um fanatico paranoico que vive no inicio do século XX. Sempre bom fazer uma auto critica tanto como individuo na sociedade. Prezado Bertone só me permita fazer uma pergunta. O senhor se refere a esquerda ou as esquerdas como em forma de partidos organizados ou, também, como todos que tem suas posiçoês proximas a esquerda mas não tem ligacoes com partidos? Desde já agradeço.

    • Bertone de Oliveira Sousa 14/03/2015 / 18:41

      João, a esquerda possui dogmatismos dentro e fora dos partidos e organizações sindicais, mas principalmente dentro deles.

      • Daniel 14/03/2015 / 20:48

        Ué professor, como podemos dizer que o PT saqueou o país através do Petrolão se nem houve julgamento? Como podemos dizer que não há luta de classes (e Marx diz das modalidades de como isso ocorre no próprio manifesto do partido comunista) se temos uma violenta concentração de renda nesse país e a direita tenta inviabilizar de todas as formas qualquer tipo de ascensão social por nojo e ódio de Classe?

      • Bertone de Oliveira Sousa 15/03/2015 / 22:03

        Daniel, eu acabo de dizer que Marx precisa ser lido e compreendido como um clássico que problematizou uma modernidade que não é mais a que vivenciamos e você me vem citando o manifesto comunista para falar de ódio de classe no Brasil do século 21? E ainda tem gente que fica chateada quando digo que nossa esquerda é ignorante e mesquinha. Está aí você provando isso.

  2. Ricieri 14/03/2015 / 19:38

    Olá Bertone tudo bem ? Poderia me esclarecer um dúvida ?

    Porque não chamamos os liberais de esquerda também,sendo que a Revolução Americana também foi uma quebra sistemática dos valores medievais ?

    Gostaria de dar uma sugestão ao sr. de postar mais textos sobre Karl Marx e suas contribuições ao mundo e a ciências humanas ( já li todos os do blog ) 🙂

    • Bertone de Oliveira Sousa 14/03/2015 / 19:44

      Ricieri, porque os liberais não são esquerda. E a revolução americana não tem relação com valores medievais, mas com o colonialismo.

      • Ricieri 14/03/2015 / 20:17

        Aí que está minha dúvida: Os Estados Unidos não foi fundado sobre princípios laicos? O que quero dizer professor é que….. Se os valores liberais surgiram no Iluminismo e na Revolução Francesa ( e eles eram revolucionários ) , porque não chamamos os liberais de ( a esquerda dessa época )

        Não sei se fui muito claro … e novamente desculpe a ignorância 🙂

      • Pedro Henrique F. 14/03/2015 / 20:48

        Bertone isso é uma boa pergunta até, os liberais não eram a esquerda na época da revolução francesa? Eles mudaram de lado daqueles tempos para cá? Pois eu lembro de ter visto que a social-democracia é a vertente liberal do socialismo.

      • Bertone de Oliveira Sousa 15/03/2015 / 1:34

        Ricieri,

        as noções de direita e esquerda remontam às posições ocupadas pelos Estados gerais na Assembleia Nacional Francesa e ganham as conotações que conhecemos no desdobramento da Revolução. O liberalismo, tanto político quanto econômico, é anterior a isso, e inicialmente não se define nem como direita nem como esquerda (noções que ainda não existiam quando de seu surgimento), mas representa bandeiras que a burguesia levanta contra as restrições do Antigo Regime: o livre comércio, a liberdade de pensamento e imprensa, os direitos do homem e que fundamenta a revolta contra os privilégios de nascimento da nobreza e os privilégios do clero. No século 19 o liberalismo ganha novos contornos, inclusive com a exaltação do Estado e de seu caráter divino, como em Hegel. Daí emergem duas escolas: uma de direita, que buscava a compatibilidade entre essa filosofia e os dogmas do cristianismo e outra de esquerda, que rejeitava o cristianismo e a interpretação da história como providência divina, mas mantinha a crença na identidade entre racionalidade e realidade e na dialética. David Strauss, Max Stirner e Marx vieram dessa última vertente. No século 20, o liberalismo se voltou para a crítica do estatismo e do totalitarismo, especialmente através da Escola austríaca, com Hayek e da Escola de Chicago, com Friedman e, mais recentemente, com a defesa da justiça com democracia, como em Nozick e Rawls. Então, o liberalismo não nasce nem se define em nenhum momento como esquerda, mas a esquerda revolucionária nasce da radicalização de alguns círculos liberais, notadamente na Alemanha da primeira metade do século 19 e do desenvolvimento dos movimentos trabalhistas. E aí é importante ter cuidado com isso: falar do liberalismo e do iluminismo no século 18 como esquerda é anacronismo; esses conceitos se cristalizam a posteriori, na esteira da Revolução Francesa e do ulterior desenvolvimento da sociedade industrial no século seguinte.

        E Pedro, essas questões já respondem a sua primeira pergunta. E sobre a social-democracia, chamá-la de vertente liberal do socialismo é uma metáfora um pouco forçada. Os social-democratas rejeitam a radicalização revolucionária do marxismo ortodoxo pela escolha de um modelo de Estado voltado para a promoção de políticas sociais e do pleno emprego, bem diferente das posturas que o liberalismo veio a assumir.

  3. Matheus Monteiro 15/03/2015 / 0:20

    Bertone, estou acompanhando o blog, ainda fiz poucos julgamentos, mas já li vários artigos por aqui… Duas perguntas :
    1. Como você se posiciona politicamente ?
    2. Você disse que abandonou o protestantismo, e agora, você tem alguma outra religião ? E se não tem, qual a sua posição sobre o assunto “Deus” ?

    • Bertone de Oliveira Sousa 15/03/2015 / 1:44

      Matheus, as pautas que defendo são de esquerda, mas não comungo com as vertentes reducionistas e defensoras de ditaduras, nem tenho filiação partidária ou fidelidade ideológica, a História me ensinou a pensar acima disso e prezo por manter minha liberdade e sanidade para criticar a esquerda sempre que faz besteiras. Sua segunda pergunta já é respondida no mesmo texto onde você leu que abandonei o protestantismo.

  4. Saul Ramos 15/03/2015 / 15:55

    Professor Bertone boa tarde! Bertone você afirmou acima que defende pautas de esquerda, gostaria de saber se possível quais pautas são essas, e pergunto, seriam possíveis dentro do contexto capitalista? seu pensamento é algo parecido com a social democracia que é praticada nos países escandinavos? .

  5. Éderson Cássio 15/03/2015 / 17:03

    Realmente a esquerda merece muitas críticas, mas não é rotulando-a de “corrupta” como se só ela fosse e, perdoem-me (ou não, rs) os direitistas, muito menos comprando os papos da direita que, sinceramente, é 1 porrilhão de vezes pior que a esquerda.
    Compartilhei o post no Facebook, para os “manifestantes” saberem que críticas fazem, ao invés de falar tanta besteira aprendida lá no Face mesmo.

  6. Daniel 17/03/2015 / 11:09

    “O PT promoveu inclusão social, mas isso não deveria lhe dar o direito de saquear o país”. Eu não generalizaria e imputaria tudo isso ao PT. Tem apaninguados do PP, PMDB, PSDB, DEM…

  7. Lima 17/03/2015 / 11:58

    Professor, não sei se entendi o post, mas penso que para analisar a realidade ou a conjuntura hoje, exige conceitos menos “engessados” do que o conceito de “luta de classes”; é preciso aplicar a dialética de forma mais dinâmica, na própria análise da realidade tal como se coloca; creio que isto é o que o senhor fez no tópico nº 1 do seu post, ou seja, perceber as contradições presentes nas práticas sociais, ou nesse caso, as contradições presentes nas práticas do partido governista, que “promoveu a inclusão social, mas não tinha o direito de saquear o país”. É por aí?

  8. Rodrigo 20/03/2015 / 13:06

    Em relação ao segundo item, Professor, tenho algumas dúvidas. O “golpismo” é necessariamente um golpe de Estado? Oposição pressupõe capacidade de contraditório e diálogo com a situação, penso, e quem, atualmente, possui capacidade de ir contra a hegemonia de informar da grande mídia comercial? E como lidar com a concentração dos meios de comunicação aqui no Brasil, algo quase não visto em nenhum lugar do mundo, nas poucas mãos de empresários nitidamente de direita, inclusive apoiadores da ditadura militar? E a exposição seletiva de informações, levando a uma opinião pública distorcida ou, ao menos, incompleta? E a falta de meios de massa com ideais de esquerda que atinjam socialmente o mesmo número que os jornais/telejornais de direita? Qual sua opinião sobre a democratização da mídia, nos moldes do que já ocorreu nos EUA, no Reino Unido, na Argentina etc.? Quanto ao item 8: e os interesses privados transnacionais, tais como os de petrolíferas como EXXON e CHEVRON, não possuem nenhum impacto obscuro em nossa política interna e externa? Nossa democracia passa incólume a tudo isso (refiro-me especificamente à força desse lobby, mas muitos outros podem ser citados, como o ramo de fármacos, de alimentos, de mineração, de automóveis etc.)? Obs. Não defendo que não deva haver participação desses interesses no país, já que vivemos em um Estado Democrático de Direito, capitalista e aberto, onde o diálogo de forças se faz necessário, e qualquer ultranacionalismo seria regredir no tempo, mas digo especificamente na capacidade de esses atores dialogarem “promiscuamente” com as estruturas internas. Isso também pode acontecer com as forças internas, claro, mas essas forças externas, muitas vezes, são mais poderosas e melhor estruturadas que países inteiros. Enfim, perdão pela extensão do comentário e quantidade das perguntas, é que faz muito tempo que leio o blog e admiro o Professor, e a sua opinião em relação a essas minhas dúvidas enriqueceria muito, acredito, o meu senso-crítico e minha capacidade de construir diálogos saudáveis e racionais. Abraços.

    • Bertone de Oliveira Sousa 20/03/2015 / 14:13

      Rodrigo, a internet e as mídias sociais já formam um grande contrapeso à mídia tradicional. Não é à toa que as manifestações foram marcadas pelas redes sociais e o governo paga milhões a alguns jornalistas para veicularem artigos favoráveis na internet. E “exposição seletiva de informações” e “opinião pública distorcida” é algo que qualquer meio de comunicação faz, seja de direita ou esquerda. E não há meios de comunicação exclusivamente de direita nem de esquerda. Emissoras de televisão são concessões públicas e também atendem a pressões do governo, como aconteceu recentemente com Silvio Santos em relação a Sheherazade, que a proibiu de tecer alguns comentários após a reeleição de Dilma. Por isso, não seja ingênuo com essa coisa de telejornais de direita.

      E é claro que as grandes empresas transnacionais têm interesses privados, senão elas não seriam privadas. Mas nada é mais promíscuo do que a política partidária brasileira. Está na hora de a esquerda parar de procurar culpados para as mazelas que ela ajudou a criar.

  9. Questões Relevantes 21/03/2015 / 17:42

    Bertone, gostei muito de conhecer seu blog. Tenho trabalhado várias das questões que você aborda. Deixo aqui um exemplo: LIBERDADE, DEMOCRACIA E MARXISMO: ESTRANHO FETICHE.
    http://goo.gl/LcEZLz

    Abraço e parabéns pelo trabalho.

  10. Laércio Esô 21/03/2015 / 22:45

    Professor,

    Tem muita gente que se aproveitou para espalhar rumores de que militares estão se movendo para estarem prontos caso aconteça a tal da intervenção, graças à falta de compreensão dos intervencionistas em relação ao PT, à esquerda e à História, como os que estão neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=YUjSrNvAm0s

    Isso é mesmo possível que esteja acontecendo sob os panos?

  11. André 10/05/2015 / 21:05

    Gostei muito do seu desta sua tese, mas me fez senti um pouco de aversão sobre o assunto, quando o Sr. disse o mensalão e o petrolão foi um saque ao Brasil, não que não tenha sido, mas dá a leve impressão que esse foi o único fato de corrupção no Brasil, esses dois ao menos ficamos sabendo, em contrapartida temos o mensalão tucano, que completa-la 10 anos em Junho e será prescrito, sem nunca ninguém ter sido julgado, e claro que o Sr. deve saber de tantos outros que não são divulgados, apenas mencionados por uma pequena parte de pessoas, e ainda vemos um Helicóptero que foi pego com mais de 400 kls de cocaína e até agora ninguém sabe quem é o dono, mas se fosse do Lula ou da Dilma seria prisão perpétua para os dois.
    Por que o mensalão tucano ainda não julgado? Por que 3 delatores da Lava Jato citaram o nome do Aécio Neves, e não existe nenhum tipo de investigação contra ele? O que o Sr. acha sobre esse assunto?

  12. Carlos Rocha 09/06/2015 / 13:48

    Excelentes artigos professor. Tenho algumas perguntas: Vivemos de fato uma democracia no Brasil? Qual país do mundo tem a democracia mais próxima do que poderia ser considerado ideal?

  13. Carlos Rocha 09/06/2015 / 14:44

    Excelentes artigos professor. Tenho algumas perguntas: Vivemos de fato uma democracia no Brasil? A excessiva concentração de renda e o próprio modelo eleitoral não pode distorcer o sistema e beneficiar uma minoria em detrimento da maioria? Qual país do mundo tem a democracia mais próxima do que poderia ser considerado ideal?

    • Bertone de Oliveira Sousa 09/06/2015 / 19:46

      Carlos, obrigado. Existe uma democracia sim, principalmente se pensarmos que há direitos individuais e liberdades que de fato funcionam, mas uma democracia com vícios e que funciona à revelia dos interesses da sociedade, resultado de uma política em que os partidos funcionam mais em função de interesses privados ou de pequenos grupos do que da coletividade e de um Congresso permeado por práticas fisiológicas; legisladores que definem seus próprios salários e têm privilégios e prerrogativas que os coloca a uma enorme distância da imensa maioria da sociedade em termos de renda e poder e gestores que possuem bens que não condizem com seus ganhos porque nosso modelo político favorece o desvio de dinheiro público exemplificam como nossa democracia está viciada. Com esse modelo, uma reforma política pensada apenas de cima, como a atual, será sempre ineficiente porque não alterará os principais pontos que são de interesse da sociedade.

      Se você pensar democracia a partir da qualidade de vida da população, como resultado de uma distribuição de renda mais equitativa, além da garantia das liberdades individuais, os países nórdicos ainda se mostram como os melhores exemplos.

      • Carlos Rocha 10/06/2015 / 0:31

        Obrigado pela resposta professor e parabéns pelo trabalho.

  14. Westfy 16/11/2015 / 11:47

    Incrível professor, incrível! Eu era fã do Cristiano, mas depois que vi que ele era um stalinista incurável no seu texto resolvi virar seu fã também !! Hehe, espero que você não me desaponte. Seu nível de honestidade intelectual, livre de extremismo, dogmas ranhetas é explícito. Boa sorte professor camarada!

  15. Gabriel Tavares 17/12/2015 / 22:29

    Antiamericanismo e antissionismo são expressões infantis que não levam a lugar algum, exceto à depreciação da democracia, que é tudo o que a esquerda não precisa fazer. É possível criticar a política externa norte-americana sem jogar no lixo a democracia e a riquíssima herança cultural desta sociedade, com quem ainda temos muito a aprender. O mesmo pode ser dito em relação ao Estado de Israel. Por que o senhor faz essa afirmação professor Bertone Sousa?Eu acho que os EUA querem sim manter seus interessantes econômicos,sua hegemonia,nem para que isso precisa invadir países como fez no Iraque,deixando o país a mercê do Estado Islâmico,cujos militantes são muito mais violentos dos que eram os mlitantes do Partido Baath de Saddam Hussein,os EUA podem não mais financiar golpes militares como faziam na época da Guerra Fria,mas acredito que incomoda a eles,quando governos tentem se afastar deles,e enfocar a política no trabalhismo,nos mais pobres,como fazem os governos da América do Sul,e acredito que o Estado de Israel faça mal sim aos árabes palestinos,o estado de Israel podia ser dos judeus na Bíblia há milhares de anos quando segundo esta Josué a conquistou dos cananeus,amorreus,jebuseus,mas o tempo passou,estes foram expulsos pelos romanos,e os árabes seguiram morando aí,conforme o anti semitismo que sempre foi grande na Europa,ia aumentando,como na época dos pogroms da época czarista russa,e o nazismo de Adolf Hitler no poder,surgiu o sionismo,com os judeus desejando voltar aonde habitavam há dois mil anos atrás,mas o problema é que árabes foram expulsos de sua casa,foram prejudicados,com a chegada dos judeus,e houve o conflito que há até hoje,reconheço que os judeus desenvolveram a região muito mais que os árabes haviam feito quando habitavam praticante sós a Palestina,mas há de se reconhecer também que os palestinos possuem um direito a um estado,o Hamas nunca deve ser defendido,é um grupo muito mais fundamentalista islâmico,que quer impôr o islamismo na região a força do que uma luta pela independência da Palestina,como era o Fatah de Arafat,Arafat foi bem aberto ao diálogo com Israel,ganhou o prêmio nobel da paz junto de Rabin,outro governante aberto ao diálogo,que foi assassinado,ironicamente por um fundamentalista judeu,o que provocou a eleição do mais conservador Netanyahu e a volta dos conflitos na região.

  16. Gabriel Tavares 17/12/2015 / 23:02

    Antiamericanismo e antissionismo são expressões infantis que não levam a lugar algum, exceto à depreciação da democracia, que é tudo o que a esquerda não precisa fazer. É possível criticar a política externa norte-americana sem jogar no lixo a democracia e a riquíssima herança cultural desta sociedade, com quem ainda temos muito a aprender. O mesmo pode ser dito em relação ao Estado de Israel. Por que o senhor faz essa afirmação professor Bertone Sousa? Porque o senhor se opõe ao antiamericanismo e ao antissionismo?

    • Bertone de Oliveira Sousa 17/12/2015 / 23:11

      Gabriel, não precisa repetir comentários e perguntas. Suas perguntas já são respondidas no próprio texto, é só ler com atenção. Leia as notas avulsas, escrevi mais sobre o assunto lá.

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