O Islã está acima de qualquer crítica?

islamDepois dos atentados de Paris e da celeuma de vozes que quiseram ser ou não ser Charlie, a poeira dos atentados baixou e uma questão me incomodou a partir disso: vamos continuar encarando os muçulmanos como coitados e vítimas enquanto eles cortam cabeças e fuzilam cartunistas ou críticos em qualquer lugar que quiserem? Claro que não se deve pregar o ódio ou intervenções militares irresponsáveis como as que temos visto desde a invasão do Iraque, mas é preciso deixar claro que em sociedades pluralistas e laicas, nenhuma religião está acima de toda crítica.

As charges eram ofensivas, alguém pode argumentar e, de fato, algumas eram mesmo. Mas por que podemos criticar Moisés, Buda ou Jesus Cristo e jamais tocar em Maomé? E se todas as religiões resolvessem declarar “guerra santa” contra seus críticos e fuzilá-los? Em sociedades laicas, religiões que se sentem ofendidas não deveriam resolver seus descontentamentos em tribunais?

O Islã representa hoje a maior ameaça à democracia. Dizer isso não é ser “islamofóbico”, esse neologismo capcioso que busca inibir toda a crítica a essa religião sob a pecha de preconceito. O próprio uso indiscriminado do termo “islamofobbia” desvela a incapacidade do mundo islâmico de lidar com a crítica. O termo “Islã” quer dizer submissão. Essa submissão a Alá se coloca como a antítese do pensamento laico ocidental que emergiu no Iluminismo e triunfou no Ocidente no século 19. Os atentados terroristas que, desde o início dos anos 1990 tem projetado sobre o Ocidente uma imagem do Islã como religião violenta, não é uma construção maquiavélica da imprensa ocidental, mas salta aos olhos de quem quer que leia o Alcorão ou estude a história da jihad, especialmente desde a fundação da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos em 1928.

Enquanto em nossas sociedades os muçulmanos desfrutam de ampla liberdade de culto e dos mesmos direitos de não serem molestados como os fiéis de qualquer religião, em muitas de suas sociedades essas mesmas liberdades são confiscadas de outras minorias por causa da sharia, a lei sagrada que regula toda a vida social, política e moral de uma sociedade, no caso a ummah, ou a comunidade de fiéis. Embora os povos muçulmanos estejam reunidos em estados-nação, a ummah é um conceito central que inclui todos os fiéis que partilham a mesma fé e tem grande importância devido à força que a religião possui sobre a condução da vida social. O fundamentalismo islâmico desenvolveu-se a partir da ação de grupos que buscavam impor a sharia e banir qualquer forma de tolerância e os valores ocidentais. O uso indiscriminado da violência por grupos radicais como a Sociedade dos Irmãos Muçulmanos no Egito, a Frente Islâmica de Salvação na Argélia, os talebãs no Paquistão e Afeganistão, o xiismo no Irã, o Hezbollah no Líbano ou o Hamas na Palestina mostraram ao mundo uma religião fascinada por violência e morte e avessa ao progresso de estilo ocidental, especialmente no campo das ideias. Mas infelizmente, no Islã, o uso da violência e a intolerância não são atributos apenas de grupos terroristas ou radicais e perpassa toda a cosmovisão desse credo que rejeita a separação entre religião e política.

O Islã precisa de um Iluminismo; sem isso, ficará restrito ao tempo imóvel do tradicionalismo religioso, dos discursos de vitimização e será sempre confrontado e diminuído diante do Ocidente com a intolerância subjacente à sharia. Há dois anos escrevi um texto acerca da relação entre Islamismo e intolerância; atualizei algumas informações e o encaminho aos leitores como uma proposta de compreensão histórica dessa relação tensa, porém muito estreita e quase siamesa. Penso ser um texto ainda atual para se pensar algumas questões que emergiram desde o atentado ao Charlie Hebdo. Compreender a história islâmica não é aceitar o uso da violência em seu passado recuado ou recente. E criticá-la não é ser islamofóbico. Segue o link do texto:

Islamismo e intolerância

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32 thoughts on “O Islã está acima de qualquer crítica?

  1. Frederico 14/02/2015 / 0:15

    Belo texto.
    Não sou mulçumano, mas li a biografia do Aiatolá Khomeine e também sobre a Revolução Iraniana. Gostei muito.

  2. Pedro Henrique F. 14/02/2015 / 1:07

    Bertone me tire uma dúvida. Não é verdade que no passado muitos países islâmicos eram bem ocidentalizados (como o fato de algumas mulheres usarem minissaia e irem a universidades) correto? Não foi devido a Guerra Fria e os financiamentos de grupos armados tanto pela URSS e pelos USA que retrocederam esse quadro relativamente livre? E outra dúvida, os islam precisa de um iluminismo, como podemos no ocidente ajuda-los a faze-lo?

    • Bertone de Oliveira Sousa 14/02/2015 / 13:15

      Pedro, não, não é bem assim. O Islã vai completar catorze séculos de história. Basicamente a primeira metade desse tempo foi de expansão e a segunda, de estagnação e declínio. Mas nada que possamos chamar de ocidentalização. A Guerra Fria contribuiu para a atuação de grupos radicais, mas eles não surgiram em decorrência dela nem ela foi a única causa de sua ascensão. Acho difícil dizer como ajudas externas poderiam levá-los a superar isso; são séculos de atraso e além disso é uma religião com um pé no totalitarismo porque não reconhece a legitimidade de um Estado independente da sharia. A Turquia poderia ser um exemplo, mas é um estado que se tornou laico aos tropeços e até hoje tem dificuldades em manter isso. Mas o caso da Turquia mostra que essas mudanças têm que vir de cima.

      • Pedro Henrique F. 15/02/2015 / 0:33

        Entendi, obrigado pela resposta. Eu não sei como é a lei em lugares como o Iraque e o Afeganistão, mas acredito que devido as invasões dos USA devão ter acabado com um modelo um pouco ocidentalizado, isso explica o porque de muitos serem governos tao instáveis, especialmente se seguirem a carteira ocidental de governo.

      • Bertone de Oliveira Sousa 15/02/2015 / 0:43

        Pedro, o Iraque depois da invasão virou terra de ninguém, hoje está dividido entre o Estado Islâmico, que domina ao norte (e proíbe até mulheres de comprar pepino na feira por causa de seu formato sugestivo) e a resistência curda ao sul, que subsiste de ajuda ocidental em armamentos e alimentação; já o Afeganistão continua na pré-história. Infelizmente o Ocidente não tem nenhum “Plano Marshall” ou algo parecido para esses países, que deverão continuar sendo pontos de recrutamento ou ocupação de grupos radicais.

  3. Roni 14/02/2015 / 14:08

    “Mas por que podemos criticar Moisés, Buda ou Jesus Cristo e jamais tocar em Maomé?”

    Exatamente, perfeito! Mês passado fiz um post no facebook criticando a hipocrisia de certa parcela da Esquerda, que acha lindo e engraçado quando se faz o cristianismo de chacota por aqui, mas que ficou se dizendo contra as piadas contra o islã. Se baseiam em uma falácia de que zoar um sistema de crenças é o mesmo que zoar uma pessoa. Teve até um articulista dizendo que nós, laicos, não poderíamos desenhar Maomé porque o Islamismo não permite. Um argumento muito fraco. O que nós temos a ver com isso? Não estamos debaixo de nenhuma lei muçulmana, então não é nenhum crime. Ou seja, para esse pessoal teríamos que nos submeter a um dogma religioso para não ofender os muçulmanos. E o seu artigo está muito bom. Abç.

    • Bertone de Oliveira Sousa 14/02/2015 / 16:09

      Roni, o problema de uma parte considerável da esquerda é que seu antissemitismo e antiamericanismo a empurra para o colo do Islã. Isso que você relatou segue a mesma lógica de quem apoia o Hamas contra o “Estado sionista” de Israel; não que Israel esteja sempre certo em sua política externa, mas percebo que o apoio ao Hamas é quase incondicional e irrefletido. Essas pessoas ainda não perceberam que o Islã não tolera somente desenhos de Maomé, ele não tolera qualquer crítica. Até Bento XVI, quando papa, comentou sobre o uso da violência por parte deles para forçar conversões e exigiram que ele pedisse desculpas publicamente. Foi um comentário sem qualquer expressão de preconceito que causou uma tempestade no mundo islâmico. Há um ranço antidemocrático em parte da esquerda que casa com o Islã, e isso é muito ruim.

      • Roni 14/02/2015 / 17:01

        Você tem razão e, além do antissemitismo e antiamericanismo, também tem o anti-imperialismo que empurra parte da esquerda ao fundamentalismo islâmico. Lembro que na época das eleições, o candidato à presidência pelo Partido da Causa Operária, Rui Costa Pimenta, declarou apoiar o Hamas porque “o estado de Israel precisa ser destruído de maneira revolucionária”. No texto publicado no site deste partido, o candidato diz não se importar se o Hamas é um grupo radical religioso ou se “não reconhece os direitos das mulheres, dos homossexuais e outros direitos”, o que importa é combater o imperialismo. O texto é um festival de asneiras, chegou a dar vergonha alheia.

      • Bertone de Oliveira Sousa 14/02/2015 / 17:58

        O pior é que não foi só o PCO, mas o PCB, PC do B, PSOL, PSTU e muita gente do PT também se manifestou a favor do Hamas. Isso mostra que essa esquerda tem cabeça oca, pouco apreço pela democracia e nenhuma reflexão histórica. Fazer militância com esses partidos é pôr uma corda no próprio pescoço.

  4. abner 14/02/2015 / 17:59

    Bertone, você não acha que parte da esquerda utiliza de maneira, irresponsável e incoerente até, o discurso do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”? Porque parece que tem gente que ignora determinados aspectos do fundamentalismo islâmico e age como se eles fossem parte do mesmo movimento de reação ao dito imperialismo ocidental, sendo que na prática esse fundamentalismo segue a mesma agenda antiprogressista e reacionária que a própria esquerda critica na direita do ocidente.

    • Bertone de Oliveira Sousa 14/02/2015 / 18:14

      Abner, você está certo, esse discurso anti-imperialista é vazio de conteúdo. É claro que as ações militares dos EUA no Oriente Médio, no que pese seus interesses econômicos e seu custo em vidas humanas, devem ser criticadas; mas daí a abraçar um discurso antiamericano e pró-fundamentalismo islâmico é uma postura que coloca a esquerda de volta aos trilhos do totalitarismo. Depois da revolução iraniana, por exemplo, os socialistas que apoiaram a tomada do poder pelos aiatolás foram silenciados e obrigados a se conformarem aos rumos ditados pelo clero. As universidades foram fechadas, sofreram expurgos, a esquerda foi destruída e proibida de expressar-se contra qualquer determinação dos intelectuais do regime. E isso não foi uma peculiaridade do Irã, o Islã não tem interesse em governar com nenhuma esquerda porque possui seu próprio projeto de poder absoluto. A esquerda, junto com tudo o que é ocidental, é malvista como deletéria ao Islã. A esquerda comete um grande erro ao apoiar esses regimes.

  5. Duke de Vespa 18/02/2015 / 14:10

    É meio complicado dizer que o “anti-imperialismo” da esquerda é vazio de conteúdo, se pensarmos que na última década os EUA estiveram envolvidos em duas invasões militares no Oriente Médio (Iraque e Afeganistão), ajudou a OTAN a derrubar Muammar Gaddafi na Líbia e financiou grupos “rebeldes” na Síria, na tentativa de derrubar Bashar Al Assad. Aliás, são esses mesmos rebeldes – financiados pelas potências ocidentais – que formaram o Estado Islâmico que atua no Iraque pós Saddam.

    O que é mais estranho nessa história toda, é que a violência tecnológica dos mísseis tomahawk praticada pelo ocidente, não choca tanto quanto o barbarismo do Estado Islâmico. É como se a tecnologia anulasse o horror da guerra…

    Acho que a questão aqui não se trata de mocinhos contra bandidos; de valores modernos e democráticos contra o atraso e fanatismo religioso. Parece que a questão é muito mais complicada. Ainda mais quando constatamos que uns dos principais parceiros dos EUA no Oriente Médio é a Arábia Saudita: uma teocracia islâmica e um dos regimes mais ditatoriais do mundo.

    • Bertone de Oliveira Sousa 18/02/2015 / 14:36

      Duke, quando falo de antiimperialismo me refiro a uma postura acompanhada de um antiamericanismo e um apoio irrefletido da esquerda a grupos islâmicos radicais. E é essa postura que leva a esquerda a elogiar tudo o que não é democrático. E é importante se contextualizar quando se diz que rebeldes foram financiados por potências ocidentais. Depois do fim da Guerra Fria, por exemplo, os EUA não atuaram mais nesse sentido.

      No caso da Arábia Saudita, é verdade que é uma teocracia islâmica. Mesmo assim, a Arábia exerce um papel importante na contenção do radicalismo. Ela é um exemplo de países que promoveram modernização econômica e buscaram se integrar ao capitalismo global deixando os grupos radicais sob controle e fazendo alianças com o Ocidente. Foi por causa dessa aliança que bin Laden pôde ser isolado e finalmente derrotado; nos anos 90 ele inclusive conclamou à formação de milícias para invadirem a Arábia por causa das bases militares americanas existentes no país. Agora a laicização e democratização daquele Estado depende de mudanças endógenas que não vão acontecer por pressões do Ocidente.

      Por outro lado, os Estados Unidos, como toda potência militar, promove guerras também a fim de salvaguardar seus interesses políticos e econômicos. Mas isso não é motivo pra esquerda jogar no lixo a democracia com discursos infantis. Isso seria ponderado se meu texto fosse sobre esse assunto, mas não é. O texto é sobre a sharia, direitos humanos e secularização – e que a ausência dessas questões torna as sociedades islâmicas atrasadas diante do Ocidente e às voltas com movimentos radicais anti-modernos que, apoiados em seus escritos sagrados, contribui ainda mais para esse estado de coisas. Culpar os EUA, o Ocidente por isso é tampar o sol com a peneira. É aí que a esquerda escorrega e reproduz lugares-comuns.

  6. Waldo 18/02/2015 / 15:13

    Concordo plenamente com o teor do texto e penso ser possível acrescentar que a ameaça radical islâmica está sendo subestimada, visto que em uma primeira etapa há a intenção de se radicar no país que os acolhe e depois tentar subverter a ordem, veja o exemplo da Suíça onde pediram pra retirar a cruz da bandeira daquele país. Não sei se haverá uma solução pacífica para o caso, dadas as crenças envolvidas.

  7. Bom dia professor. Creio que o problema apresentado no texto guarda relação com uma manifestação muito pobre de raciocínio maniqueísta, que também se apresenta em outras discussões, como os discursos antiesquerda do Facebook. Nestas situações, se por exemplo, o UOL publica uma denúncia de corrupção envolvendo um político tucano, os comentários que ganham mais curtidas são os que acusam o UOL de estar vendido para o PT. Semelhantemente, um indivíduo que se mostre favorável à direitos LGBT também tem sua visão associada ao comunismo dentro dessa percepção maniqueísta do mundo, e penso que a própria esquerda também se mostre afetada por essa visão “nós contra eles” quando apoia todo tipo de ditadura e violação de direitos humanos quando este estiver acompanhado de um sentimento antiamericano.

  8. Carlos 19/02/2015 / 14:28

    Boa tarde.

    Experimentem conversar com um muçulmano, mesmo sem ser de uma forma direta em seu discurso é clara a intensão de arabisar as pessoas sufocando toda cultura local, se eu ou você se converter ao Islã certamente deixaremos de ser Brasileiros.

    Tenho um amigo turco que mora na França aparentemente é uma pessoa moderada e culta desde que não seja questionada sua fé ou o islã.

    O islã ao meu ver é de longe a mais perigosa organização humana da atualidade e vai muito alem de direita esquerda imperialismo ou socialismo. Se não houver uma intervenção firme mediante as barbares cada vez mais comuns em alguns anos teremos que lutar contra a possibilidade de um estado islâmico mundial.
    São 150 mil assassinatos por ano só de cristãos no mundo islâmico, fora o que não entra nessa estatística.
    O nosso estimado professor está coberto de razão em seu post, nossa esquerda claramente em um franco declive intelectual manifesta apoio ao que hoje existe de pior contra a democracia.

    Um forte abraço a todos.

  9. inominavelser 27/02/2015 / 15:29

    Boa tarde, Bertone Souza.

    Não concordo com este texto, há muita generalização. Nem todo muçulmano se faz de vítima ou tem tendências extremistas; e apenas aqueles com tendências radicais é que podem ser postos nessas colocações feitas no texto contra o Islamismo. Este é mal interpretado pelos adeptos do radicalismo, os quais confundem o alegórico com o literal. Nenhuma Religião é maligna e nem todos os religiosos são fundamentalistas.

    Não gostei deste texto, sou sincero e não vou mentir.

    • Bertone de Oliveira Sousa 27/02/2015 / 20:24

      Inominavelser, gostar ou não gostar de um texto envolve afinidades e questões subjetivas que não demonstram de forma necessária que a pessoa compreenda o assunto que está sendo discutido e penso ser esse o seu caso. Ninguém está falando de religiões malignas nem que todos os religiosos são fundamentalistas. Em nenhum lugar nesse blog você encontrará qualquer afirmação nesse sentido. Em geral, as pessoas que vêm aqui acusar um texto de “generalização” fazem, elas mesmas, generalizações que não estão presentes no texto e terminam usando o texto como pretexto para acusá-lo de afirmar o que não diz. Dizer, por exemplo, que o islã representa hoje a maior ameaça à democracia não é o mesmo que dizer que todo muçulmano representa uma ameaça à democracia. Estamos falando de grupos, tendências e princípios norteadores da conduta coletiva de uma religião, não de indivíduos. Esse texto e o outro a que ele remete formam uma discussão histórica, não um editorial jornalístico ou uma poesia de que se pode apenas gostar ou não. Tem gente que não gosta que se diga aqui que Hitler era de direita, que Stalin e Mao foram assassinos, que se fale de repressão sexual em algumas vertentes religiosas, ou que espiritismo não é ciência, ou que muitas narrativas bíblicas não são relatos históricos, etc. A história, felizmente, não se limita a nossos gostos ou desgostos, por isso é importante estudá-la.

      • inominavelser 28/02/2015 / 11:10

        O estudo é, sim, importante, e compreendo que cada contexto histórico pertence a um eixo determinado de fatores que se congregam para um fim. Mas, o Islamismo sempre vai ser visto de uma maneira errônea por causa da abundância atual de radicais e o silêncio de muitos moderados nele.

      • Bertone de Oliveira Sousa 28/02/2015 / 15:39

        Eu não diria apenas o silêncio dos moderados. Mas o Islamismo não conseguiu emplacar um movimento de crítica interna de seus próprios problemas. Por isso eles não conseguiram se adaptar à modernidade, mesmo sendo conhecidos por cultivar as ciências e a filosofia entre os séculos VIII e X. Essa incapacidade de crítica deixou o caminho aberto aos grupos fundamentalistas que tomaram o poder em vários países e influenciaram movimentos de massa em outros e outros ainda ficaram estagnados em ditaduras militares de cunho religioso. Esses movimentos encontram em seus textos sagrados a base para suas ações. Não existe no mundo islâmico o equivalente da autocrítica ocidental, sobressaindo a visão de que a culpa de seu atraso é do Ocidente, reforçada inclusive por intelectuais ocidentais. É importante ter cuidado com isso, porque isso cai no comodismo da justificação sem explicação.

  10. Aderson Silva 11/03/2015 / 0:16

    Ola, Bertone, faça um artigo sobre a psicanálise de Sigmund Freud. Obrigado!

  11. Questões Relevantes 21/03/2015 / 17:51

    Bertone, como disse, gostei do seu blog. Evidentemente temos mais convergências do que divergências. Deixo aqui o convite para a leitura de um artigo que dialoga bem com o que você apresentou aqui: COMO A CIVILIZAÇÃO PODE VENCER A BARBÁRIE SEM RECORRER AOS MESMOS MÉTODOS? http://goo.gl/v6VWKO

  12. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 21/08/2015 / 0:59

    Professor Bertone,o senhor acredita que é justamente o tipo de reação que os extremistas islâmicos tiveram em Paris,ao atacar a sede do Charlie Hebdo,que intima militantes de esquerda e acadêmicos em geral de criticarem o islã?Porque muitos se voltam contra o cristianismo,porque sabem que não há movimentos terroristas de grande escala dentro do cristianismo,sabem que suas vidas não estarão em perigo ao criticar o cristianismo,enquanto que dentro do Islã há o Hamas,Hezbollah,Al Qaeda,ISIS,o senhor acredita que essas críticas não são feitas devida ao medo,covardia?

  13. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 21/08/2015 / 1:12

    E eu digo o mesmo em relação a militância LGBT aqui,criticam a homofobia de pastores como Feliciano,Malafaia,etc,mas quase nunca falam algo contra a homofobia islâmica,nem fazem protestos contra isso,na última Marcha LGBT em São Paulo,uma transsexual ficou nua em uma cruz,como protesto pela homofobia cristã,mas nada foi dito em relação a homofobia islâmica,que a meu é pior,pois os clérigos ordenam a morte de homossexuais em muitos países islâmicos como Irã e Arábia Saudita,no Brasil,os padres e pastores podem incitar a violência,mas nunca esta é uma ordem da parte deles.

    • Bertone de Oliveira Sousa 21/08/2015 / 2:52

      Gabriel, acredito sim que o medo de retaliações influencia na timidez das críticas dos ocidentais ao Islã. Mas no caso do Brasil a distância das sociedades de maioria muçulmana e o fato de essa religião ainda ter poucos adeptos no país também contribui pra isso, ao que se deve somar uma incompreensão do que seja o fundamentalismo islâmico. E no caso das esquerdas há uma miopia no mínimo desconcertante para com os crimes do Islã, inexplicavelmente mais aceitáveis do que o imperialismo americano. Miopia que casa com essa forma de intolerância.

  14. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 21/08/2015 / 21:21

    Sim professor Bertone,entendo que no caso da comunidade LGBT brasileira,por exemplo,não se critique a homofobia islâmica,devido ao pouco dos muçulmanos no Brasil serem poucos,se comparados com os cristãos.E olha essa opinião do Richard Dawkins sobre o porque de se atacar mais o cristianismo que o islamismo no ocidente,também concordo contigo,que o Dawkins as vezes diz muita besteira,em sua militância ateísta desnecessária,mas aqui ele disse algo com sentido,nessa reportagem da Folha.
    http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/05/1634071-ocidente-ataca-mais-o-cristianismo-do-que-o-isla-por-covardia-diz-dawkins.shtml

    Além da covardia de se temer retaliações violentas dos fundamentalistas islâmicos,ele disse que há um medo dos liberais,como são chamados os esquerdistas na Europa e nos EUA,de ser taxado de racista,mas diz que não concorda com isso,porque o islã não é uma raça.Mas acho que a opinião dele faz sentido,porque o islã tanto na Europa,como nos EUA,é uma religião das minorias raciais,de imigrantes árabes,do Magreb e africanos subsaarianos que foram para a Europa e para os EUA,talvez muitos temem ser chamados de racistas,por criticarem uma religião da minoria racial.

  15. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 21/08/2015 / 21:27

    Porque de fato há racismo contra imigrantes árabes e negros subsaarianos na Europa não?Tanto que muitos esquerdistas evitaram defender o Charlie Hebdo,até mesmo o Leonardo Boff,um padre católico da Teologia da Libertação,por considerar as sátiras ao profeta Maomé como um preconceito contra os imigrantes árabes que habitam a França,e que são marginalizados!O que senhor acha da posição de Leonardo Boff? Houve preconceito ou racismo contra esses imigrantes que professam a fé islâmica?https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/10/eu-nao-sou-charlie-je-ne-suis-pas-charlie/

    • Bertone de Oliveira Sousa 21/08/2015 / 21:40

      Realmente há essa questão dos imigrantes na Europa e América do Norte onde se pode levantar questões de natureza étnica, é uma faca de dois gumes. Na entrevista ele deixou claro que o Islã não é uma religião étnica e é esse ponto que é preciso enfatizar. O Islã não pode ser poupado de críticas por causa do colonialismo. Na Europa, as tensões resultante sobre o uso da burca e as leis religiosas que muitas vezes contrariam as leis civis são uma constante e não há perspectiva de que terminem. Esse choque cultural é inevitável e silenciar, colocar panos quentes, não vai ajudar a resolver, assim como a postura meramente denegativa. A Alemanha recentemente tentou encontrar uma solução ao propor a integração dos muçulmanos e permitindo aulas de religião islâmica para as crianças muçulmanas na escola. É questionável se isso pode ser eficiente, mas é preciso esperar os resultados a médio e longo prazos. Sobre o Charlie Hebdo não vi como preconceito, eles já tinham feito sátiras com Cristo e Moisés e ninguém tinha ido lá tentar matá-los. Há alguns anos houve também o caso de alguns chargistas dinamarqueses que foram ameaçados de morte por caricaturas de Maomé. Se o Ocidente se render às pressões e ao lobby islâmico poderá se tornar refém dele num futuro próximo.

  16. Marcus Canesqui 14/11/2015 / 23:49

    Olá professor.

    Depois dos atentados de sexta, como a França vei lidar com a questã? Já que agora os terroristas partiram para a estratégia dos homens-bomba. Um dos pontos que enfurecem os radicais se da pela laicicidade do estado Frances, o que para muitos no ocidente é sinonimo de evolução. Outros fatores como imigração, xenofobia, liberdade, enfim… É uma questão bastante complicada. O que o sr. Acha?

    • Bertone de Oliveira Sousa 15/11/2015 / 16:01

      Marcus, os extremistas usam essas estratégias para levar a um aumento da xenofobia e da exclusão social de muçulmanos nos países europeus. Só assim eles vão conseguir o que querem: recrutar mais gente para a guerra santa que querem emplacar, levando-as a perder o amor pela vida e se tornarem suicidas em potencial. Qualquer extremismo se alimenta do ódio e da disseminação da barbárie. Isso não quer dizer que não tenhamos que problematizar o fundamentalismo e as dificuldades do Islã com o secularismo, algo que é importante principalmente para eles mesmos. Odiar pessoas por seu credo e etnia é morder a isca que o Estado Islâmico está jogando. A França precisa agora combater o EI, mas também criar condições internas para a integração econômica e cultural de imigrantes muçulmanos que vivem principalmente na periferia de Paris e são alvos privilegiados de recrutamento dos fundamentalistas.

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