Chico Xavier se comunicava com os mortos?

chico-xavierO espiritismo é uma religião que se apresenta com uma máscara humanitária, voltada para a caridade (assistencialismo) e a ênfase no amor ao próximo. É uma religião que mistura tradições distintas, do Hinduísmo, Cristianismo e do cientificismo do século XIX, de onde provém a importância da obra de Allan Kardec para muitos de seus adeptos, especialmente no Brasil. Essa última influência, o cientificismo, dá ao espiritismo kardecista um direcionamento um tanto quanto curioso: não pretende ser apenas uma religião, aliás, pretende ser menos uma religião do que uma validação científica da mediunidade e da reencarnação, transformando esses signos de dogmas religiosos em verdades empíricas, científicas portanto.

Essa obsessão cientificista tem adentrado com força nas universidades do mundo inteiro, brasileiras inclusive, devido ao rápido crescimento dessa religião entre as classes médias no Brasil. Estar presente em pesquisas acadêmicas não torna o espiritismo uma doutrina científica, mas para seus adeptos não há dúvidas de que a mediunidade e outros dogmas são fenômenos observáveis, quantificáveis, passíveis de verificação empírica, embora fora de seu credo religioso nada disso seja considerado verdadeiro. Isso tem levado o espiritismo a mostrar-se como o maior engodo pseudocientífico a se manifestar em nossa sociedade.

Uma das mais recentes manifestações disso foi a publicação de um artigo numa conceituada revista científica que objetiva provar que Chico Xavier se comunicava com os mortos. O estudo, que contou com o financiamento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), contava entre seus autores pesquisadores da USP e da Universidade Federal de Juiz de Fora. Já discuti em outras ocasiões que religião e ciência não estão necessariamente em campos opostos, mas quando a primeira tenta usar a segunda para transformar dogmas em verdades empíricas, cria-se um problema de confusão de linguagens e métodos, não podendo resultar em outra coisa a não ser em fraudes intelectuais engenhosamente elaboradas, frequentemente assinadas por pessoas com boa formação e divulgadas em veículos supostamente confiáveis.

Chico Xavier, nome “artístico” de Francisco Cândido Xavier (1910-2002), é uma espécie de iluminado para os kardecistas brasileiros devido a seu trabalho como médium por décadas e cuja biografia ganhou ares de hagiografismo após sua morte em 2002. Não admira, portanto, que intelectuais vinculados a essa religião queiram provar a cientificidade de seu trabalho a fim de dar, como já é de praxe entre essas pessoas, mais credibilidade social à sua fé. Infelizmente, quem perde com isso é a qualidade da pesquisa científica, rebaixada por eles à pseudociência.

Acerca desse assunto, reproduzo o texto a seguir de autoria de Carlos Orsi, publicado em duas partes em seu blog “Olhar Cético”, vinculado à Revista Galileu com o título “Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos?”. Orsi questiona os métodos e resultados dessa pesquisa, mostrando suas fragilidades metodológicas e conceituais, facilmente observáveis por quem tem o mínimo de conhecimento de como a ciência funciona e não está comprometido em querer transformar religião em ciência. Segue o texto de Orsi:

Parte 1

Vários leitores têm perguntado, nas redes sociais, minha opinião sobre o estudo, publicado por cientistas brasileiros no periódico internacional Explore, que “comprovaria” comunicação com os mortos em cartas de Chico Xavier. Eu já havia visto comentários a respeito, e entrevistas com pelo menos um de seus autores, mas só recentemente consegui tempo para ler, com atenção, o artigo em si. Uma análise detalhada daria margem a um texto até maior que o que saiu na Explore, com suas nove páginas em coluna dupla, então o que vai aqui é um resumo bem superficial de minhas impressões.

A primeira coisa a tratar é a questão da publicação: para um cientista, ver um trabalho sair num periódico internacional especializado é um emblema de prestígio. Publicações assim também conferem ao estudo uma aura de respeitabilidade que a grande mídia tende a levar bem a sério – tanto que o artigo sobre Chico Xavier foi noticiado em veículos como O Globo.

Mas, se é verdade que a Elsevier , dona do Explore, é uma editora de prestígio no meio científico, suas publicações não têm, todas, a mesma qualidade ou importância. OExplore se apresenta como um periódico da área de saúde, mas seu fator de impacto – uma medida da relevância que a comunidade científica dá à revista – é de 0,935. A principal publicação de saúde da mesma Elsevier, a Lancet, tem um fator de impacto de 39,207.

Com o título “Investigating the Fit and Accuracy of Alleged Mediumistic Writing: A Case Study of Chico Xavier’s Letters” (Investigando o Acerto e Precisão de Suposta Escrita Mediúnica: Um Estudo de Caso de Cartas de Chico Xavier), o artigo tem, como principais autores, integrantes do NUPES (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, a UFJF. Envolve, ainda, cientistas baseados na USP e, até, na Escócia. O estudo foi financiado pelo governo do Estado de São Paulo, por meio da Fapesp.

O trabalho consiste na análise de afirmações tidas como verificáveis – isto é, que podem ser classificadas, sem ambiguidade, como verdadeiras ou falsas – contidas em 13 cartas psicografadas por Chico Xavier entre 1974 e 1979, e atribuídas ao espírito de J.P., um jovem de 24 anos que havia morrido no início de 1974 na região de Campinas (SP).

O eixo central do estudo é a aplicação, a essas afirmações, de algo chamado Escala Leak (“Vazamento”, em inglês), usada para classificar a probabilidade de o médium ter tido acesso à informação apresentada por meios “ordinários”. O argumento é que uma nota baixa nessa escala permite concluir que meios diversos – extraordinários? – devem ser considerados.

À primeira vista, até faz sentido: daria para imaginar que, se a chance de uma informação chegar ao médium por meio comum é muito baixa, a probabilidade alternativa – de transmissão extraordinária – é alta. Afinal, as duas alternativas esgotam o universo de possibilidades: a soma de ambas tem de ser 100%.

Mas há um problema filosófico sério escondido aí: extraordinário quer dizer o quê, exatamente? Os autores insistem que o conteúdo das cartas depõe contra “visões reducionistas da relação mente-cérebro”, o que pode querer dizer que esse conteúdo sustenta qualquer coisa entre telepatia e a existência de uma alma imortal que conversa com o médium. Os pesquisadores não dizem para qual possibilidade estão torcendo, mas a hagiografia de Chico Xavier contida no artigo dá uma boa pista. Mas será que essa família de explicações é mesmo a única possível?

A questão é que o tal “método extraordinário” não precisa ser um “método paranormal”. Pode ser, simplesmente, um método natural-materialista-reducionista que escapou da definição arbitrária de “normalidade” dos autores – definição que é, de fato, estreita demais, e que exclui possibilidades “extraordinárias” que são, paradoxalmente, bem ordinárias. Como veremos na próxima segunda-feira, na continuação deste artigo.

 Parte 2

Na semana passada, concluí a primeira parte de minha análise do artigo científico “Investigating the Fit and Accuracy of Alleged Mediumistic Writing: A Case Study of Chico Xavier’s Letters” (Investigando o Acerto e Precisão de Suposta Escrita Mediúnica: Um Estudo de Caso de Cartas de Chico Xavier) apontando o que me parece uma falha grave do trabalho.

Recapitulando: a pesquisa, realizada por cientistas brasileiros com verba da Fapesp, tenta estabelecer que a probabilidade de Xavier ter tido acesso, via meios “normais”, a certas informações contidas em 13 cartas, atribuídas ao espírito de J.P., um jovem de Campinas (SP) morto em 1974, é tão pequena que a probabilidade de o acesso ter ocorrido por outro meio – extraordinário, talvez paranormal – torna-se relevante.

O problema que apontei é que o conceito de “extraordinário” adotado pelos autores é curiosamente arbitrário. Eles consideram, por exemplo, extremamente improvável que Chico Xavier, em Uberaba (MG), tivesse acesso a jornais da cidade de Campinas, durante a década de 70. Para esses pesquisadores, suponho, o acesso seria algo extraordinário. No entanto, para a linha de raciocínio do artigo fazer sentido, isso teria de ser ainda mais extraordinário do que um morto ditar cartas. O que é uma opinião, para dizer o mínimo, controversa. Há mais de 100 anos, a psicóloga americana Amy Tanner já ensinava, em seu clássico “Estudos do Espiritismo”, que não é correto pressupor que a comunicação com os mortos seja uma explicação em pé de igualdade com as demais: antes de levá-la em conta é preciso, primeiro, descartar todas as vias alternativas normais.

Mas, ponhamos essas chateações filosóficas de lado. A probabilidade de a informação ter sido transmitida por meios usuais foi classificada, no artigo, segundo uma certa Escala Leak (“Vazamento”, em inglês), com cinco graus, de 0 a 4. Cada grau corresponde a uma classe conceitual, em linhas gerais dependente do nível de contato entre a pessoa que poderia ter a informação e o médium, ou um de seus assistentes.

Já a veracidade (ou não) das informações extraídas das cartas foi auferida por meio de entrevistas com parentes e amigos de J.P., realizadas quase 40 anos depois dos eventos. Essas mesmas entrevistas foram usadas para definir os valores atribuídos a cada dado, dentro da Escala Leak.

Os autores reconhecem a fragilidade das entrevistas. Escrevem: “Pesquisas sobre a memória indicam que a lembrança que uma pessoa tem de um evento pode ser alterada por informações posteriores ao evento ou por influência do grupo (…) não podemos descartar a hipótese de que o desejo dos participantes de que as cartas fossem genuínas (…) possa tê-los levado a distorcer suas memórias”.

A Escala Leak é construída sobre o pressuposto de que as informações corretas, presentes nas cartas, só poderiam ter chegado “naturalmente” ao médium ou por ser de conhecimento geral – algo que deu na televisão, por exemplo – ou por meio de comunicação explícita da família, falando diretamente com Chico Xavier ou com um de seus assistentes devidamente identificados. O que é ingênuo, para dizer o mínimo.

Para ficar só num exemplo, a ideia de que os familiares de J.P. poderiam ter sido ouvidos conversando entre si enquanto esperavam ser atendidos, ou de que o médium pudesse ter gente “plantada” entre as centenas de consulentes aguardando a vez, para puxar conversa com eles e extrair informações úteis, não parece ter ocorrido a ninguém. Chico Xavier se valia desses expedientes, verdadeiros clássicos no repertório do mentalismo, do curandeirismo e da mediunidade? Não sei, mas trata-se de uma possibilidade de “vazamento” – apenas uma, entre várias outras – que não foi levada em conta pelos autores.

Os pesquisadores, embora afirmem o contrário, também são extremamente generosos na aplicação da escala. Eles consideram que informações como “eles me chamaram”, “eles me massagearam”, “eles me fizeram respirar”, referentes às circunstâncias da morte de J.P., tinham uma probabilidade extremamente baixa de terem sido obtidas naturalmente pelo médium. Mas a verdade é que são ilações lógicas, vindas de uma única peça de informação real, que poderia muito bem ter sido entreouvida na sala de espera: a de que o jovem morreu afogado, enquanto nadava com amigos.

A conclusão, a esta altura, deve ser óbvia: o artigo não só falha em estabelecer o que parte da mídia diz que estabelece – a realidade da comunicação de Chico Xavier com os mortos – como ainda é fraco demais, até mesmo, para cumprir a tarefa mais modesta que lhe foi dada pelos próprios autores: a de enfraquecer a tese científica dominante de que a mente não passa de uma função do cérebro.

Fonte: Revista Galileu: Parte 1 e Parte 2.

Leia também: Espiritismo: religião sim, ciência não.

Anúncios

13 thoughts on “Chico Xavier se comunicava com os mortos?

  1. Pedro Henrique F. 21/01/2015 / 19:44

    Muito interessante a matéria Bertone. Infelizmente me abate um terrível paradoxo: conheço pessoas espíritas e agora me abate a dúvida, mostro ou não sua postagem? Haha, alguma sugestão?

    • Bertone de Oliveira Sousa 21/01/2015 / 20:06

      Pedro, o pior é que muitos deles sabem disso, mas para um religioso a fé sempre está acima de qualquer evidência.

    • Olá Pedro. Se me permitir o comentário, acredito que a réplica feita neste artigo é suficiente para demonstrar a fragilidade de um artigo publicado, mas não é eficiente no sentido de provar que todo o cerne do espiritismo seja fraudulento. Já vi até blogs espíritas que debatem a legitimidade de uma obra ou um médium em particular, sem que o público em questão cogite abrir mão de toda sua doutrina. Seria, do meu ponto de vista, como conseguir provar que as curas de um determinado pastor são engodos, sem conseguir contudo afirmar que todas as curas de todos os pastores do mundo são engodos, se bem que para os mais céticos desacreditar a um deles bastaria para jogar no limbo as reivindicações de todos os outros.

      • Pedro Henrique F. 22/01/2015 / 22:20

        Não quis dizer com fraudulento. Meu medo é mostrar essa matéria para certas pessoas e elas poderem se sentir ofendidas. Mas vou pensar no que você me sugeriu Rodolfo.

  2. Carlos 22/01/2015 / 4:58

    Bom dia Professor, Mais uma vez a questão da religião nos abrilhanta em seu blog.

    Se a ciência humana fosse algo infalível poderíamos usa-la para avaliar e validar qualquer coisa ou teoria. Porém ao meu ver quando se trata de ciência e religião falamos de coisas que são controladas ou exercidas por homens e ambas sujeitas a equívocos.

    É histórico as teorias cientificas caírem mediante a outra teoria mais coerente ou através de um meio comprobatório.
    Voltando ao tema, acho intrigante o apoio que existe na mídia a suposta mediunidade de Chico Xavier, sujeito que pra mim de médium não tinha nada, até por que o mundo seria uma bagunça se quem já morreu resolvesse mandar recados para que está vivo.
    Por que não deixar uma obra literária então enquanto vivo.
    Mortos não se comunicam, esse é o fato que deve ser aceito pelos colegas espíritas.
    Por outro lado é muito fácil promover experiencias sobrenaturais, isso explica como pessoas com certa cultura passam a acreditar em engôdos como o kardecismo.

    Um abraço

  3. inominavelser 22/01/2015 / 13:22

    É notável a ortodoxia dentro do próprio Espiritismo, que teima em se dizer uma ciência quando não passa de uma doutrina espiritual como Thelema, citando um exemplo que estou começando a conhecer melhor agora. Pesquisar e raciocinar bem a fundo leva mesmo a indagar se tudo em tal doutrina, muitas vezes, não passa de induções esdrúxulas e baratas.

  4. Gustavo Leite 26/01/2015 / 11:58

    Conheço o espiritismo Kardecista por dentro, era a religião de minha mãe, já falecida, que era espírita e “médium” . O espiritismo foi a primeira e única religião de que posso dizer que eu já tenha tido um dia. Aos 14 anos de idade comecei a me afastar e hoje aos 44, me classifico como agnóstico/ateu. Posso afirmar, de minha própria experiência que nunca vi nada que comprovasse a comunicação com espíritos dos mortos . No entanto não classificaria o que vi em centros espíritas como “fraude”(embora não negue que ocorram). Para classificar alguma coisa como fraude eu entendo que teria que haver uma intenção consciente e maliciosa, e não acho que havia malicia nos “médiuns” com quem convivi.
    Vi fenômenos psíquicos sim, que mereceriam mais atenção de cientistas (de verdade, como psicólogos, psiquiatras, ou neurocientistas, preferencialmente não comprometidos com o espiritismo ou qualquer religião), mas nada de sobrenatural, nada que não seja inerente ao que a ciência já conhece da mente humana, mas as pessoas propriamente, conhecem muito pouco de si mesmas.

  5. André Santos 05/02/2015 / 23:12

    Uma vez a Superinteressante trouxe uma matéria de capa com o título “Ciência espírita” que mostrava como pesquisadores de EQM’s (experiências de quase morte) chegaram à conclusão de que existe uma consciência que sobrevive ao corpo, até de reencarnação eles falavam, tudo em nome de uma ciência rigorosa. O problema não é nem tanto pesquisar esses assuntos, o que é legítimo, mas se utilizar disso para transformar uma doutrina religiosa em científica e isso pode sim configurar fraudes, independente de quão bem intencionadas possam ser algumas pessoas.

  6. Francisco de Assis Dorneles 19/04/2015 / 11:06

    Bertone, decide postar meu comentário neste artigo teu por ser espírita. Antes de tudo quero lhe dizer o que já postei antes, gosto muito dos teus comentários, acho você centrado e honesto no teu ponto de vista.
    Bom, vamos lá. Eu não segui carreira como você na disciplina de História, mas sou formado em História pela UFG. Conheço um pouco a mentalidade e o compromisso que a disciplina deve manter. Acredito sem nenhuma dúvida na mediunidade, da mesma forma, reconheço as fraudes. Você como historiadora deve saber a riqueza de pesquisas que este tema produziu dentro dos maiores centros acadêmicos da Europa e Estados Unidos durante o século XIX.
    Charles Richet ao qual te confesso não li, fez uma profunda pesquisa sobre este tema. Te digo uma coisa a melhor forma de se aprofundar neste tema é ler as obras destes pesquisadores, e claro, não esquecer Kardec.
    Outro caminho ao invés de não dar a devida importância, é fazer o trabalho de campo como os pesquisadores do século XIX. Um bom lugar para este trabalho que cito é Abadiana em Goiás com o médium João de Deus.
    Eu entendo a tua postura, frequentei as Humanas por quatro anos. Não nenhum critica a você, É apenas citar que este campo não pode ser jogado ao senso comum ou tratado como qualquer fenômeno religioso. A prátia mediúnica desafia a ciência no que se refere o conhecimento humano. O materialismo histórico a sufocou as pesquisas dos principais centros acadêmicos na virada do século XIX para o XX, isto é fato.
    A historiadora Eliane Moura Silva da Unicamp fez uma tese interessante dos fenômenos espiritualista entre o século XIX e XX. Sinceramente não me recordo o nome.
    Bertone, eu sei que a História trata a religião como uma criação humana, correto, e os fenômenos e visões tratados como imaginário. Mas para mim mediunidade não é obra do imaginário. Acredito que a nossa consciência continua viva com a morte do corpo e esta relação se faz presente no fenômeno chamado mediunidade. Agora discutir o que seja alucinação, mentira etc , é outro terreno.
    O médium João de Deus é apenas um exemplo que desafia a nossa crença e ceticismo humano. Detalhe, também não sou ateu. Respeito que seja. Não podemos é implantar o fundamentalismo científico como verdade universal.
    Quero lhe dizer que buscarei frequentar com assiduidade o teu blog, me identifico com a tua visão de política,e , claro, por ser um historiador rs.
    Abraços.

  7. Paulo Cesar Matos 10/09/2015 / 11:12

    Eu já fui católico, ateu e espirita, nessa ordem. Meu ateísmo ficou balançado porque percebi que tudo que existe no Universo, inclusive os neurónios que percebiam isso, teria que ser colocado da seguinte maneira: ou tudo é fruto de uma criação inteligente – Deus eterno e etc. – o que no meu ver ateu seria um absurdo, ou seria tudo obra do acaso, o que para mim em algum momento percebi, que também era absurdo quando se percebe a complexidade da vida com um viés de dúvida ao meu ateísmo.

    Os darwinistas tentam explicar tudo: asas, olhos evoluindo ao acaso se mostrando aptos para a sobrevivência. O problema para mim é que , mesmo num inseto o bater das asas precisam de um motorzinho não muito simples. Mas pra mim o que me deu suporte para passar a acreditar em Deus foi simplesmente me maravilhar com meus corpos cavernosos se enchendo de sangue pronto para penetrar uma vagina e tive uma centelha de inspiração seguinte: macho e fêmea, pênis e vaginas seriam obra de um acaso? E aí não seria somente UM acaso, teria que ser dois para dar um comando ao cérebro mais primitivo dizendo que se enfiar uma coisa na outra e dar uma esfregada seria ótimo. Então foi criado pênis, vaginas e prazer ao mesmo tempo por acaso?

    Então entre os dois absurdos passei a acreditar que haveria mais do que o acaso simplesmente e quando li a Introdução do Livro dos Espiritos me converti e essa conversão se aprofundou quando tive contato com fenômenos mediúnicos.

    Citando um: um amigo judeu escreve uma mensagem em Idiche num trabalho de materialização. Essa folha de papel some e logo depois reaparece com a escrita espelhada. Tudo bem que isso não seja categorizado como uma ciência dita acadêmica mas acho que a expressão ciência espirita pode não ser inadequada.

    Tive experiências com o ayahuasca – Santo Daime – que também me apontaram possibilidades de comunicação com algo fora da matéria e pode ser que o estudo em neurociência algum dia possibilite alguma prova cientifica da imortalidade da alma e da comunicação entre o astral e a matéria. Quem sabe daqui a, digamos, 50 anos. A física quântica também pode apontar nessa direção mas enquanto isso a ciência espirita (pode colocar aspas a vontade) vai estudando os fatos que se apresentam nos centros espiritas.

  8. Roberto 25/03/2016 / 18:26

    Cheguei a este tópico devido às suas recentes reflexões a respeito da ressurreição de Cristo.
    Em primeiro lugar, a crítica contra o trabalho dos pesquisadores, esta sim é totalmente pessoal pois as críticas não passam do tipo… eu acho que. E ele dizer que receber mensagens de mortos como sendo uma redução do que chama se extraordinário, sim, é uma redução que coloca a crítica novamente no nível de … eu acho. Conversa com mortos de facto é extraordinário.
    2 a contestação se existe ou não mediunidade sob a ótica espírita cai por terra quando a experiência sai do que pode ser constatação científica para a experiência individual. Neste ponto o espiritismo é uma questão de fé.
    3 a própria teoria atômica é uma questão de fé. Por mais que nos esforcemos um átomo nunca foi visto. Vemos somente as consequências de suas propriedades. Mas esta teoria chegou a um patamar de validação tal que, com exceção dos fundamentalistas, dificilmente é contestada. A propósito, sou químico.
    3 interessante dizer que sob a ótica da física quântica, a questão espírita fica tão aberta quanto a questão dos multiversos. Mas não sou especialista da área para extender este ponto.

  9. Edson Silva 19/12/2016 / 12:59

    Temos visto no Brasil, país supostamente laico, uma intromissão teológica nos assuntos de Estado de fazer inveja a qualquer ditadura teológica passada ou contemporânea. Pastores, padres e toda uma plêiade de sacerdotes de todos os matizes desfilam pelo parlamento brasileiro e dão entrevistas aos diversos meios de comunicação de massa falando de teorias científicas e criticado-as como se fossem prêmios Nobel da ciência, especialmente da ciência biológica. Passado o riso, o que me fica é o espanto, espanto de ver pessoas que nada sabem de ciência, metodologia científica e biologia emitirem opiniões equivocadas e românticas sobre Evolução, Seleção Natural e outros temas científicos, e a acolhida “acéfala” de grande parte da imprensa brasileira. Ora, esses senhores, que se arvoram em arautos dos seus “rebanhos”, como eles mesmos se definem, deveriam ser mais modestos e menos arrogantes, abdicarem de pseudos discursos científicos e se limitarem a suas divagações teológicas! Para eles, nobres hipócritas da palavra, a teoria da evolução é uma teoria muito inconveniente!

    http://www.zooetologia.bio.br/2016/07/evolucao-uma-teoria-inconveniente.html

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s