O governo e o legado de Mao Tsé-Tung – Parte II

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Cena de tortura em um comício durante a Revolução Cultural de Mao

Esse texto continua o anterior tomando por base a obra “Mao, a história desconhecida” de Jon Halliday e Jung Chang (Editora Companhia das Letras, 2006 – Clique aqui para ler a primeira parte do texto). Após a tomada do poder em 1949, o início do governo de Mao ocorreu sem grandes rupturas. Durante alguns anos a propriedade privada foi tolerada e mesmo a coletivização da agricultura somente ocorreu após meados dos anos 1950. Mas tudo isso foi uma jogada estratégica de Mao; ele queria primeiro consolidar-se no poder para depois instituir o terror como política de Estado. No entanto, logo em 1950 uma reforma agrária foi imposta pelo governo provocando um banho de sangue no país.

Mao tinha um exemplo a seguir, que vinha da União Soviética e das estratégias  de terror social usadas pelos bolcheviques. Uma equipe de sua confiança foi à Rússia logo que tomaram o poder para aprender sobre o funcionamento das instituições soviéticas. Como na Rússia após o golpe bolchevique, a China maoista se caracterizou inicialmente por ser um Estado sem lei. Ao invés de uma constituição, Mao governava através de resoluções e éditos publicados na imprensa.

Colocando em prática o terror e a perseguição que havia praticado em Yenan na primeira metade dos anos 1940, em 1950 ele lançou uma campanha de eliminação dos “contrarrevolucionários”, exigindo prisões e mortes em massa:

Essa campanha nacional foi acompanhada pela reforma agrária nas novas regiões ocupadas pelos comunistas, onde viviam cerca de dois terços da população do país. Em torno de 3 milhões de pessoas pereceram vítimas de execuções, violência da multidão ou suicídio. Mao queria que as matanças fossem feitas com o máximo impacto e isso significava execuções públicas. […]

Mao queria que a maioria da população – adultos e crianças – testemunhasse a violência e as mortes. Seu objetivo era atemorizar e brutalizar toda a população, em um grau que ia muito mais longe do que Stálin ou Hitler, que mantiveram a maior parte de seus crimes fora da vista.

Mais gente teria sido morta se não fosse pelo valor de seu trabalho escravo. […] Assim, milhões foram poupados para serem enviados aos campos de trabalho forçados. Com a assessoria de especialistas russos em deportação e administração de campos, Mao semeou um vasto arquipélago de campos, cujo nome oficial era lao-gai: “reforma pelo trabalho”. Ser enviado para o lao-gai significava ser condenado ao trabalho opressivo nos terrenos mais hostis e nas minas mais contaminadoras, e ser hostilizado e ameaçado incessantemente. […] Muitos internos eram executados, enquanto outros se suicidavam de qualquer jeito, como mergulhar numa ceifadeira. No total, durante o regime de Mao, o número dos que foram executados e tiveram morte prematura em prisões e campos de trabalho forçado pode ter chegado a 27 milhões.

[…]

O terror funcionou. Um relatório enviado a Mao em 9 de fevereiro de 1951, apenas alguns meses depois do início da campanha, dizia que depois da primeira rodada de matança ” a disseminação de rumores acabou e a ordem social foi estabilizada”. O que o Estado chamava de “rumores” era, com frequência, a única maneira que o povo tinha de expressar seus verdadeiros sentimentos.  (p. 403-404).

Embora tenha submetido a população chinesa a inúmeras privações,  Mao levou a vida no poder com extremo conforto e acúmulo de propriedades. “Durante os 27 anos em que esteve no poder, mais de cinquenta propriedades foram criadas para ele, não menos do que cinco em Pequim. Em muitas delas, jamais pôs os pés. Essas mansões situavam-se em terrenos enormes, a maioria em locais lindos” (p. 409).

Ele objetivava transformar a China em uma grande potência industrial e militar. Pressionou o quanto pôde a União Soviética para transferir a tecnologia para construção de armas nucleares no país, o que ocorreu apenas durante o governo de Kruschev, pois Stalin não queria outra potência militar no campo socialista que pudesse rivalizar com a USRSS. Para conseguir rapidamente seu objetivo, incentivou o desenvolvimento das ciências ligadas à física e à engenharia, ao mesmo tempo em que impunha um culto à sua personalidade e silenciava intelectuais ligados à literatura e às ciências humanas. Em 1958, um dos líderes do partido declarou: “devemos seguir o presidente como um rebanho cego”. E foi como um rebanho cego que os chineses foram recrutados para praticar os mais brutais e animalescos atos de violência contra inimigos imaginários.

O primeiro projeto para transformar a China numa grande potência foi lançado ainda em 1958 por Mao: o Grande Salto à Frente. A partir de então, a política de confisco de grãos dos camponeses, que já vinha causando amplos surtos de fome no país, foi intensificada porque os grãos foram usados como matéria-prima no programa nuclear, sendo transformados em álcool puro. Além disso, foi exigido que os camponeses trabalhassem redobrado para produzir ainda mais. Embora Mao recebesse relatórios de que milhões de pessoas estavam morrendo por edema (inchaço causado por desnutrição crônica), ele nada fez para reverter a situação. “Mao sabia que em muitos lugares as pessoas estavam reduzidas a comer misturas de terra. Em alguns casos, aldeias inteiras morreram quando os intestinos das pessoas ficaram bloqueados” (p. 528).

Além disso, muitos camponeses tiveram suas casas derrubadas para que a madeira e a palha pudessem ser usadas como combustíveis para as usinas de fabricação de aço e ainda foram forçados a doar suas ferramentas agrícolas e todas as peças de metal que possuíam, incluindo utensílios de cozinha e grampos de cabelos femininos que foram derretidos para produção de aço. Esses camponeses também foram forçados a criar fornalhas em seus próprios quintais para aumentar a produção nacional. Com isso, uma nação inteira foi transformada em um imenso campo de trabalho escravo:

Mao exigia um grau febril de trabalho, usando sem parar campanhas de “emulação” para fazer as pessoas competirem umas com as outras. Homens, mulheres e crianças subnutridos e exaustos eram levados a cavar em dobro, tendo muitas vezes de correr carregando cargas extremamente pesadas, e em qualquer tempo, do sol abrasador ao frio enregelante. Tinham de trotar quilômetros por trilhas montanhosas carregando água para os campos, da alvorada ao anoitecer. Tinham de ficar acordados a noite inteira para manter em funcionamento as inúteis “fornalhas de quintal”. Mao chamava essa maneira de trabalhar de “espírito comunista”.

[…]

As pessoas que dirigiam os camponeses eram os quadros das comunas, que pertenciam ao partido e se transformaram em feitores. […] Esses quadros faziam também o papel de carcereiros, mantendo os camponeses encerrados em suas aldeias. […] A outra tarefa dos quadros era impedir que os camponeses “roubassem” a própria colheita”. Punições horríveis eram comuns: algumas pessoas eram enterradas vivas, outras estranguladas com cordas, de outras ainda cortavam-lhes o nariz. Em uma aldeia […] cortaram quatro dedos de uma criança por tentar roubar um pouco de comida; em outra ainda, enfiaram arames nas orelhas de duas crianças que tentavam roubar comida e as penduraram pelo arame em uma parede. Brutalidades desse tipo aparecem em quase todos os relatos desse tipo, em todo o país. (p. 534, 537).

Mao também elaborou um plano para destruir cidades e transformá-las em grandes centros industriais, propôs que os salários dos trabalhadores fossem abolidos e eles vivessem em um sistema de casernas. O Grande Salto representou um desperdício incontável de recursos naturais, força de trabalho e resultou na maior epidemia de fome da história humana, alcançado o auge em 1960. Casos de canibalismo se tornaram frequentes em todo o país, enquanto os celeiros do Estado continuavam abarrotados de alimentos confiscados dos camponeses e guardados pelo Exército. Boa parte desses alimentos apodreceu e a ordem do governo é que, não importava quantas pessoas estivessem morrendo de fome, os celeiros jamais deveriam ser abertos. O que não apodrecia, estava destinado à exportação.

Segundo os autores, durante os quatro anos do Grande Salto, de 1958 a 1962, cerca de 38 milhões de pessoas morreram de fome e excesso de trabalho; apenas em 1960 foram 22 milhões. Ciente de que sua política deflagraria um grande desastre humanitário, Mao afirmou ainda em 1958, num congresso em que lançou o Grande Salto: “Deveria haver comícios de comemoração quando as pessoas morrem”. A morte, disse Mao, “deve ser motivo de júbilo […] Acreditamos na dialética, então não podemos deixar de ser a favor da morte”. (p. 541). Alguns anos depois, com a ajuda de Kruschev, A China detonou sua primeira bomba atômica em 1964 e que custou mais de quatro bilhões de dólares ao país, dinheiro que teria sido suficiente para alimentar os quase 38 milhões de chineses que morreram de fome durante o Grande Salto.

Após conseguir a bomba, Mao voltou-se para a cultura. Queria que as pessoas parassem de ler, embora seu quarto fosse cheio de livros e ele mesmo tenha sempre gostado de ler. Em 1962, chegou a falar a algumas pessoas de seu círculo íntimo que era preciso “manter o povo estúpido”. A partir de então emplacou uma campanha contra variadas formas de arte e produção cultural, como óperas, teatro, folclore, danças, cinema, poesia e literatura. Acusava todas essas áreas de serem feudais ou capitalistas e queria exterminá-las do país. Também pretendia apagar o passado, com a destruição de monumentos e até cidades que lembrassem os antigos regimes.

Mao propôs até a eliminação da horticultura: “Cultivar flores é uma ressaca da velha sociedade, um passatempo para a classe intelectual feudal, a classe burguesa e outros vagabundos”. “Precisamos mudar isso agora”, ordenou em julho de 1964. “Livrem-se da maioria dos jardineiros”.

O que Mao tinha em mente era uma sociedade totalmente árida, destituída de civilização, privada de representações dos sentimentos humanos, habitada por um rebanho sem sensibilidade, que obedecia de forma automática às suas ordens. Queria a morte cerebral da nação a fim de empreender seu grande expurgo – e viver nesse estado para sempre. Nisso, ele foi mais longe do que Hitler ou Stálin, pois o primeiro permitia o divertimento apolítico e o segundo preservou os clássicos”. (p. 601).

O Grande Expurgo de que os autores falam nessa citação era o expurgo da cultura, dos intelectuais. Da mesma forma como fez em Yenan no início da década de 1940, Mao agora faria em todo o país. O Expurgo foi chamado de “Revolução Cultural” e foi lançado como política de governo em 1965, encabeçado por sua mulher, Jiang Qing, também conhecida como “Madame Mao”. Os primeiros alvos da Revolução Cultural foram os professores, acusados de envenenar as cabeças dos jovens com “ideias burguesas”. Exames foram abolidos nas escolas e os estudantes foram convocados a denunciar e perseguir seus professores. Eles exerceriam o papel de proteger Mao, de salvaguardá-lo de inimigos da revolução. Numa escola de Pequim estudantes criaram um grupo chamado “Guardas Vermelhos”, juraram fidelidade a Mao e juraram ser brutais com os que ele apontasse como inimigos. O que seguiu foram ondas selvagens e irracionais de perseguição a professores:

Em 18 de junho [de 1966], muitos professores e funcionários da Universidade de Pequim foram arrastados diante da multidão e maltratados; seus rostos foram pintados de preto e puseram chapéus de burros em suas cabeças. Forçaram-nos a ajoelhar-se, alguns foram espancados e as mulheres foram sexualmente molestadas. Episódios semelhantes se repetiram em toda a China, provocando uma cascata de suicídios.

[…]

As atrocidades multiplicaram-se nas escolas e universidades. Elas começaram em Pequim e depois se difundiram pelo país, pois Guardas Vermelhos da capital foram enviados para toda a China, a fim de demonstrar como fazer coisas do tipo espancar pessoas e fazê-las lamber o próprio sangue no chão. […] Não houve escola em toda a China em que não tenham ocorrido atrocidades. E os professores não foram as únicas vítimas.

[…]

Foi com a bênção das autoridades que os Guardas Vermelhos invadiram casas onde queimaram livros, cortaram pinturas, pisotearam discos e instrumentos musicais – destruindo tudo em geral que tivesse a ver com “cultura”. Eles “confiscaram” objetos valiosos e espancaram seus donos. Ataques sangrentos a residências varreram toda a China, fato que o [jornal] Diário do Povo saudou como “simplesmente esplêndido”. Muitos dos que sofreram os ataques foram torturados até a morte em seus lares. Alguns foram levados para câmaras de tortura improvisadas em antigos cinemas, teatros e estádios. Guardas Vermelhos vagando pelas ruas, fogueiras de destruição e gritos das vítimas: esses eram os sons e as cenas das noites de verão de 1966. (p. 630-636)

Há registros de muitas pessoas que queimaram os livros que possuíam em casa para não se tornarem vítimas do ódio dos Guardas Vermelhos. Milhares de livros confiscados foram parar na residência do próprio Mao em Pequim. A quantidade de livros que ele possuía impressionava as autoridades estrangeiras que iam visitá-lo, uma vez que transmitia a imagem do governante intelectual e preocupado com a cultura erudita. A violência desencadeada pela Revolução Cultural foi patrocinada pelo Estado e resultou no aniquilamento de qualquer resquício de vida cultural independente que existia no país. Enquanto isso, Mao tinha à sua disposição teatro, cinema e gráficas para imprimir livros exclusivamente para ele.

A partir de então, Mao voltou-se para o expurgo dos membros do partido. Mas, ao contrário de Stalin, que julgava secretamente seus desafetos políticos ou sumia com eles para sempre através da KGB, Mao, voltando a praticar o que fizeram em Yenan, fez questão de que suas vítimas fossem torturadas e executadas publicamente. Frequentar esses comícios de torturas públicas e ler as obras de Mao eram as únicas “distrações” que as pessoas tinham quando não estavam no trabalho. Sem livros, revistas, teatros e filmes, suas mentes eram entorpecidas pelas “Equipes de Propaganda do Pensamento” de Mao, responsáveis por organizar as pessoas em musicais e desfiles militares em que empunhavam o “Pequeno Livro Vermelho”.

A Revolução Cultural, porém, não deu fim aos banhos de sangue de Mao. Em 1968, com o objetivo de combater inimigos de classe e separar classes, milhões de pessoas foram perseguidas e mortas. No campo, muitos continuavam a morrer de inanição e o canibalismo já se tornara uma prática relativamente comum. Por outro lado, Jean-Paul Sartre, sem nenhum conhecimento do que realmente acontecia na China, chamava a “violência revolucionária” de Mao de “profundamente moral”.

Tentativas fracassadas de exportar a revolução, crises diplomáticas e desentendimentos com a cúpula do partido (muitos demonstravam insatisfação com a inércia do governo diante do sofrimento dos camponeses) marcaram os últimos anos de seu governo. Aos poucos, sua saúde foi se deteriorando até perder quase totalmente a capacidade da fala. Enquanto isso, o futuro presidente Deng Xiaoping, que já havia sido preso por ordem de Mao e agora estava reabilitado, tentava desconstruir a Revolução Cultural e melhorar o padrão de vida das pessoas. Seu objetivo era acabar com os racionamentos de comida e roupas e melhorar as condições de moradia, educação e transporte e reduzir a condição de pobreza e miséria em que a maioria da população ainda vivia. Mao faleceu em nove de Setembro de 1976, aos 82 anos, sem indicar um sucessor, sem demonstrar nenhuma preocupação com o que ocorreria após sua morte e sem demonstrar nenhum remorso pelas dezenas de milhões de pessoas que perderam a vida em decorrência de suas decisões desastrosas. Seu maior legado foi deixar uma superpotência militar cheia de cadáveres, gente faminta e miserável e cidadãos automatizados por anos de terror e propaganda governamental.

A obra de Jon Halliday e Jung Chang desconstrói todas as falsificações históricas do Maoismo, desvelando a face brutal e terrivelmente desumana do homem que até hoje os chineses são obrigados a cultuar pela propaganda governamental. Até quando o totalitarismo sobreviverá na China é difícil dizer, uma vez que a abertura econômica iniciada por Deng Xiaoping reestruturou a economia do país, mas manteve intacto até hoje o poder absoluto do Partido Comunista.

Diante de tanta mortandade, muitos se perguntam como isso se relaciona com o marxismo. O fato é que os regimes ditos comunistas do século passado e os que ainda sobrevivem não foram marxistas. O historiador norte-americano Jonathan Sperber, autor de uma das melhores biografias de Marx hoje disponíveis, “Karl Marx: uma vida do século XIX” (Editora Amarilys, 2014), destacou que as campanhas desses regimes contra os camponeses e a obsessão de seus dirigentes para transformar suas nações em potências industriais “fazem lembrar nada mais do que as descrições apresentadas por Marx em seus escritos sobre a brutal modernização da Índia colonial pelos britânicos ou dos relatos encontrados em O Capital, acerca da primeira fase cruel da acumulação capitalista primordial. A história posterior desses regimes revelou um despotismo burocrático, que guardava muitas semelhanças com os reinos da Prússia e do czar, que Marx tanto desprezara”.

Compreender Marx, seu contexto, seus diálogos e suas ideias é essencial para não cair no engodo da direita de pintá-lo como arquiteto dos totalitarismos que reivindicaram falar em seu nome no século passado.

Quanto a Mao, megalomaníaco e sádico, ele certamente pode ocupar o posto de maior tirano da história. Os métodos de tortura e perseguição que desenvolveu, alguns sem precedentes na história, superaram muito os de Stálin na união Soviética – embora agentes de seu governo tenham aprendido muito por lá – e transformou milhões de seres humanos em objetos descartáveis, vítimas de um terror sem limites e toda uma nação em mão-de-obra escrava. A China maoista tipifica a face mais cruel e desumana que o socialismo real assumiu no século XX, e o que pode ocorrer quando uma ideologia é usada a serviço da legitimação e perpetuação do poder de uma súcia de assassinos, sociopatas, aduladores e covardes como os que governaram a seu lado até o fim de sua vida.

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15 comentários sobre “O governo e o legado de Mao Tsé-Tung – Parte II

  1. Marcus Canesqui 01/12/2014 / 8:23

    Olá prof. Bertone.
    Sou um leitor assíduo do blog mas é a primeira vez que comento. Gostaria de parabeniza-lo pelo conteúdo do blog e dizer que seus textos são uma fonte excelente de conhecimento. Gostaria de comentar um trecho do texto acima referente a perseguição sofrida pelos professores na China que foi imposta pelo estado. Aqui no Brasil,infelizmente, vejo essa perseguição implicita acontecendo. Aqui em SP desde que o PSDB assumiu e adotou a progressão continuada, se criou uma cultura em muitas escolas publicas “anti-professor” e contra os alunos que querem aprender. Infelizmente muitos alunos são perseguidos simplismente pelo fato de querer aprender. Ja que a maioria é aprovada sem precisar aprender, quem quer aprender se torna um extorvo aos demais, e acaba por recriminado. Não estou usando força de expressão, é exatamente isso que acontece. E muitas pessoas não percebem que depois de 16 anos, as escolas públicas de SP se tornaram creches onde o aluno fica o máximo de tempo possivel sob a responsabilidade do Estado sem obrigação alguma de fazer o que lhe compete, realmente fico preocupadíssimo com o futuro da nossa educação pois este governo ja criou uma geração de analfabetos funcionais e temos que lutar para que outra geração não se perca. Mas o povo de SP não ve isso e deixa seu antipetismo se sobrepor à realidade.

    • Bertone de Oliveira Sousa 01/12/2014 / 14:01

      Olá Marcus,

      obrigado por acompanhar o blog e pelo comentário. Infelizmente esse descaso com a educação pública não ocorre somente nas gestões do PSDB, mas as gestões petistas também têm deixado muito a desejar nesse campo. Mas é fato que nossa educação pública está falida e hoje temos que alfabetizar os alunos na própria universidade e lamentavelmente não há perspectiva de que isso possa melhorar.

      • Marcus Canesqui 01/12/2014 / 22:22

        A situação é caótica mesmo. Com o distanciamento cada vez maior dos pais da vida escolar dos filhos, a maioria chega no ensino médio analfabeto. E o que me deixa mais revoltado é que quando eu cursei o ensino médio tinha que me virar para comprar livros e material escolar. Hoje eles recebem os kits de material e apostilas e simplismente destroem, rasgam e se a escola não fornece outro eles dizem que não vão fazer nada porque é obrigação da escola o fazer, quer dizer, hoje é a escola que precisa do aluno senão ele perde o bônus… É um absurdo! Sem falar que essa é uma geração totalmente alienada que servirá de massa de manobra para esses politicos. Nesse ponto faço uma critica ao bolsa familia:o programa não deveria cobrar apenas frequencia do aluno e tambem desempenho.Se você ganha uma bolsa em qualquer colégio ou universidade do mundo, terá que mostrar resultado senão perde . Acho que deveria acontecer o mesmo com o bolsa familia, ai talvez os pais cobrariam mais dos filhos e esses se dedicariam um pouco mais, claro que não é a solução definitiva, mas um começo.

      • Bertone de Oliveira Sousa 01/12/2014 / 23:11

        Marcus, a verdade é que que a escola pública no Brasil está perdida, incapaz de alfabetizar os alunos e de pagar um salário minimamente digno aos professores (nosso piso salarial é irrisório e vergonhoso), dificilmente alguém vai querer investir nela.

      • Marcus Canesqui 02/12/2014 / 10:52

        Você pode reparar a situação dos cursos de licenciatuea. Nem aqueles “pague e leve o diploma” atraem pessoas interessadas em seguir a cerreira de professor. Hoje encontrar um professor de física é igual a encontrar um animal extinto, muito dificil e essas vagas são preenchidas por pessoas de outras áreas tipo contábeis e até pscologia e odontologia, pessoas recém formadas que não conseguiram encaixe nas áreas que estudaram e entram no magistério como um “quebra galho” até conseguirem algo melhor.

  2. Wagner 01/12/2014 / 19:12

    Texto excelente professor. Por favor, continue a escrever mais análises como essa, precisamos de um pouco de lucidez em meio a tantos radicalismos.

  3. Pedro Henrique F. 03/12/2014 / 3:45

    Bertone do mesmo modo ao qual comentei no seu texto anterior sobre Mao, comento nessa segunda parte e gostaria mais de fazer uma pergunta como alguém que pretende fazer história; é natural sentir repulsa ou ódio após ler fatos como esses? As coisas relatadas sobre Mao e seu governo…São repugnantes, mais que repugninantes, são odiosas.Eu sei que ao lidar seriamente com isso devemos tentar deixar a razão formar os argumentos, mas é natural sentir essa repugnância e ódio que estou sentindo agora? Eu tenho percebido isso claramente quando leio sobre essas ditaduras sejam quais elas forem. É algo natural num primeiro momento uma pessoa se deixar levar pelo sentimento na hora de ler essas obras? Digo, claro que jamais devemos deixar isso dominar um trabalho sério, mas, é natural sentir isso em historiografia? Porque nesse momento, tudo que sinto pelo Mao é o mais profundo desprezo e ódio por atrocidades nem se quer barbaras pois o bárbaro provavelmente não tem o “nivel basico” de iluminação. Eu sinto um tremendo dó e desejo muito bem ao povo chinês. Uma historia banhada em sangue desde déspotas milenares a tiranos que deixam Stalin e Hitler de joelhos. Acho que acabei mais desabafando aqui que fazendo um comentário coeso. Hehe. Mas é realmente algo que desejo saber. É natural sentir essa revolta lendo esses relatos? Claramente não devemos deixar apenas ao apelo sentimental, mas, é natural essa revolta contra esses crimes humanos? Mesmo sabendo que a história esta cheia deles, alguns parecem que são simplesmente, imperdoáveis.

    • Bertone de Oliveira Sousa 03/12/2014 / 12:32

      Pedro, somos acima de tudo seres dotados se senso moral, então não apenas é normal sentir profunda ojeriza por esses ditadores, como também isso é importante pra se abrir discussões sobre os problemas ético-morais desses regimes que, ao tentar suprimir a individualidade nas pessoas, as transformou em objetos descartáveis; aí entra o paradigma humanista do homem como fim em si mesmo, que esses regimes tanto fizeram para banir, transformando o homem em meio de conquista e manutenção de um poder absoluto. Não é uma questão meramente sentimental e a própria Filosofia fornece repertório teórico pra se pensar isso.

      • Pedro Henrique F. 04/12/2014 / 1:08

        Huhu. Obrigado pela explicação. Na verdade tive certo receio apos publicar o comentário com medo se eu teria exagerado ou algo do tipo. Mas é realmente horrível ver esses relatos. Ver o quão podre e fanático pode se tornar um objetivo ou ideal originalmente bom em sua concepção. Não sei se você já teve a chance de ver nem mesmo só a introdução o livro “Deus é vermelho”. Lá dizia que durante o governo de Mao o numero de cristãos só cresceu, em circunstâncias como as mostradas, não é surpreendente tal fato. Mas o que sera que aguarda da China e dos chineses? Será que nesse século ainda veremos o fim dos regimes dito comunistas ainda vigentes? De todo modo, torço pelo bem do povo chines e de qualquer outro que seja vitima de barbáries similares. Especialmente levantando o fato do quão rica e antiga é a cultura chinesa.

  4. Mateus Roger 20/03/2016 / 19:01

    Professor, na China maoísta houve a aceitação de elementos sobrenaturais envolvendo Mao Zedong, como ocorre na Coreia do Norte moderna com o líder Kim-Jong II?

  5. Mateus Roger 20/03/2016 / 19:29

    Professor, na China Maoísta houve a aceitação de elementos sobrenaturais envolvendo o líder, como ocorre atualmente com o ditador Kim-Jong II?

      • Mateus Roger 21/03/2016 / 23:06

        Mas então o que definiu o comunismo como religião de estado durante o governo de Mao Zedong?

      • Bertone de Oliveira Sousa 21/03/2016 / 23:11

        O que define o comunismo como religião como religião de Estado não é a existência de elementos sobrenaturais, mas a imposição da ideologia como verdade única e o culto à personalidade.

  6. Mateus Roger 21/03/2016 / 23:07

    Ah, e perdão por ter repetido a pergunta, pensei que o comentário não havia sido publicado.

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