Kruschev não mentiu sobre Stálin

kruschevStálin morreu em 05 de março de 1953. Deixou para trás a herança sombria e desumana do maior Estado totalitário do mundo, com amplo uso de mão-de-obra escrava nos campos de trabalho forçado, desterramento de populações inteiras e milhões de mortos, a maioria inocente. Como um regime tão brutal pôde ter se mantido de pé por tanto tempo é algo que muitos historiadores têm tentado responder nas últimas décadas, especialmente com a abertura dos arquivos de Moscou a partir de 1991.

Mas a primeira grande denúncia dos crimes cometidos por Stálin não veio de historiadores (embora algumas obras de destaque já tivessem sido publicadas sobre o assunto), mas do herdeiro de seu trono: Nikita Kruschev. Ele passou a fazer parte da corte de íntimos colaboradores de Stálin a partir da década de 1930. Era um sujeito prosaico, de pouca escolaridade, mas soube se articular politicamente para remover aqueles que poderiam assumir o poder após a morte do chefe, especialmente Lavrenti Beria, ex-chefe da NKVD (posteriormente KGB), preso e fuzilado em circunstância até hoje não esclarecida.

A cúpula do poder comunista na União Soviética era uma rede de ódios mútuos, desconfianças e traições que o próprio Stálin articulou para facilitar a manutenção de seu poder absoluto. Nos dias 24 e 25 de fevereiro de 1956, Kruschev fez o afamado discurso secreto para altos dirigentes durante o XX Congresso do partido comunista soviético. O caráter denuncista do discurso causou mal-estar em segmentos marxistas e partidos comunistas no mundo inteiro, que, envoltos na atmosfera da propaganda soviética, especialmente no pós-guerra, ignorava completamente o regime de terror que ali havia se consolidado.

Os eixos temáticos principais do discurso de Kruschev foram a denúncia do culto à personalidade, revelações sobre os processos de Moscou ou o Grande Terror de 1937-39 e também sobre a pusilanimidade de Stálin durante a Segunda Guerra (conhecida até hoje na Rússia como Guerra Patriótica), quando da invasão da Alemanha em 1941, desconstruindo a imagem de herói e generalíssimo que a propaganda oficial divulgava desde o fim da guerra. As revelações de Kruschev foram ainda mais impactantes por terem sido feitas por um alto dirigente do país e alguém que viu de perto os acontecimentos que denunciava. No entanto, ele não tinha a intenção que desmontar o regime que naquele momento presidia, nem mesmo de revelar todos os detalhes da monstruosidade daquela máquina administrativa, e iniciou da seguinte forma:

Depois da morte de Stálin, o Comitê Central do Partido começou a desenvolver uma política que consistia em explicar de maneira concisa e congruente que não é possível e é estranho ao espírito do marxismo-leninismo elevar uma pessoa, transformá-la em um super-homem dotado de características sobrenaturais semelhantes às de um Deus. Tal homem – se supõe – conhece tudo, vê tudo, pensa por todos os demais, pode fazer qualquer coisa e é infalível em conduta. Tal crença acerca de um homem e, especificamente, acerca de Stálin foi cultivada por nós durante muitos anos.

Logo depois, Kruschev cita o testamento de Lênin em que ele expressa bastante desconfiança para com o caráter de Stálin. Era uma carta escrita em dezembro de 1922, quando Lênin já se encontrava bastante debilitado fisicamente,  e escreveu dirigindo-se ao Congresso do Partido:

Depois de assumir a posição de Secretário Geral, o camarada Stalin acumulou em suas mãos incomensurável poder e não estou seguro acerca de se ele é capaz de usá-lo sempre com o cuidado que se requer. […] Stálin é excessivamente rude e este defeito, que pode ser tolerado livremente em nosso meio, nos contatos entre nós, se transforma em um defeito que não pode ser permitido em quem detém a posição de Secretário Geral. Por esta razão, proponho que os camaradas considerem o método mediante o qual Stalin seja retirado dessa posição e outro homem ocupe seu lugar; um homem que, sobretudo, seja diferente de Stalin em uma qualidade somente: maior tolerância, maior lealdade, maior bondade e uma atitude de maior consideração pelos camaradas… um temperamento menos caprichoso, etc.

Depois do fim da União Soviética em dezembro de 1991, muitos documentos foram abertos e novas revelações têm vindo a público desvelando detalhes da farsa dos julgamentos dos anos 1930, as raízes do culto à personalidade e as características políticas e sociais do soviético antes e depois de Stálin. Apesar disso, alguns pesquisadores também têm lançado obras para desconstruir a tese de que Stálin cometeu crimes, apresentando-o como um governante amável, dotado de respeito pela vida humana e motivado pelos mais elevados ideais do marxismo. Me refiro especificamente aos trabalhos de Grover Furr, cuja obra Kruschev Lied (Kruschev Metiu) tem sido amplamente usada e divulgada por stalinistas. Mas antes vou me deter em alguns pontos do discurso de Kruschev e em abordagens mais recentes sobre os assuntos que ele levantou, para depois voltar aos argumentos de Grover Furr.

Karl Kautsky foi um importante teórico marxista alemão que já havia denunciado Stálin como um ditador nacionalista. Muitas pessoas hoje estabelecem uma correlação entre socialismo e nazismo para argumentar que o segundo também é de esquerda. O próprio Kautsky já havia assinalado a semelhança não entre nazismo e socialismo, mas entre nazismo e o socialismo stalinista. Para ele, o alvo principal de Stálin não era a destruição do capitalismo, mas da democracia e das organizações políticas e econômicas dos trabalhadores. Sem dúvida, o modelo de governo bolchevique serviu de inspiração a seus inimigos fascistas e nacional-socialistas na construção de um Estado total. Em parte, isso se deveu ao ineditismo do estilo de governar que emergiu com Stálin. François Furet, um dos maiores historiadores do século passado, em seu livro “O Passado de uma Ilusão” fez um comentário interessante a respeito:

O regime da União Soviética sob Stálin, quando aparece, no início da década de 30, não tem precedentes na História. Não se parece com nada do que existiu. Nunca um Estado teve como objetivo matar, deportar ou reduzir à servidão seus camponeses. Nunca um partido substituiu tão completamente um Estado. Nunca ele controlou tão integralmente toda a vida social de um país e a vida de todos os cidadãos. Nunca uma ideologia política moderna desempenhou um papel assim no estabelecimento de uma tirania tão perfeita que os que a temem devem, porém, saudar seus fundamentos. Nunca uma ditadura teve um poder tão grande em nome de uma mentira tão completa e, contudo, tão poderosa sobre as mentes.

Na citação acima que fiz do início do discurso, Kruschev começa por denunciar o culto à personalidade. Podemos citar alguns exemplos, como um texto do Pravda (principal jornal da União Soviética e controlado pelo Partido Comunista), quando da comemoração do sexagésimo aniversário de Stálin em 1939:

Não há no planeta nome semelhante ao de Stalin. Brilha como uma luminosa tocha da liberdade, voa como um estandarte de batalha para milhões de trabalhadores em todo o mundo; ruge como o trovão, advertindo as classes condenadas de donos de escravos e exploradores (…) Stalin é o Lênin de hoje! Stalin é o cérebro e o coração do partido! Stalin é a bandeira de milhões de pessoas em sua luta por uma vida melhor.

Stalin amalgamou sua imagem à de Lênin e ascendeu ao poder absoluto arrogando-se como o único capaz de proteger o legado da revolução iniciada por Lênin. A origem desse culto não teve início com a revolução. A Rússia czarista era um Estado profundamente religioso e tanto o imaginário popular dos camponeses, quanto os intelectuais radicais esperavam dias melhores com base em crenças messiânicas. Por isso o culto à personalidade contava com adesão fanática da maior parte da população. O que o comunismo fez, na prática, foi substituir as antigas religiões tradicionais por uma religião civil estatal.

No discurso de Kruschev, ele citou um trecho de uma carta de Marx a um político alemão, Wilhelm Bloss, em que dizia:

Por causa de minha antipatia a qualquer culto da personalidade, nunca tornei pública durante a existência da (Primeira) Internacional, a numerosa correspondência de vários países na qual se reconhecia meus méritos e que me entediava. Nunca nem respondi a essas mensagens, exceto algumas vezes para repreender a seus autores.

Engels e eu nos filiamos à sociedade secreta dos comunistas sob a condição de que qualquer coisa que significasse reverência supersticiosa à autoridade, fosse desterrada de seus estatutos. Lassalle (Fernando Lassalle, socialista alemão), posteriormente fez exatamente o contrário.

Na prática, o discurso de Kruschev implicava o reconhecimento tácito de que o regime soviético não era marxista. Mesmo historiadores não marxistas, como o norte-americano Richard Pipes, reconhecem isso. Um dos maiores especialistas em História da Rússia ainda vivo, Pipes observa, em seu livro “História Concisa da Revolução Russa”, que o legado histórico patrimonialista presente na cultura russa desde a era medieval, ao fundir-se com um conceito difuso de “ditadura do proletariado”, através do qual os bolcheviques se outorgaram o controle total dos recursos e habitantes do país, foi o que produziu o totalitarismo. De acordo com Pipes:

Ora, os bolcheviques realizaram a “revolução socialista” num país economicamente subdesenvolvido, em que o capitalismo mal aprendera a dar os primeiros passos, e tomaram o poder sem acreditar na capacidade revolucionária dos trabalhadores. Foi em consequência disso, em cada estágio de sua evolução, que o regime comunista russo repeliu seus oponentes sem qualquer consideração à doutrina marxista, ainda que disfarçando seus atos mediante slogans marxistas. Lênin foi bem-sucedido, precisamente porque estava livre dos escrúpulos marxistas que inibiram os mencheviques. À vista desses fatos, a ideologia era para ser tratada como um fator subsidiário – uma inspiração e um modo de pensar da nossa classe governante, talvez, mas não uma série de princípios orientadores de suas ações nem um fator que as explique para a posteridade. Só um observador pouco informado a respeito do curso da revolução russa pode inclinar-se a admitir influência dominante às ideias marxistas.

Para salvar o regime, Kruschev tentou, em seu discurso, reabilitar e leninismo como uma doutrina que havia sido desvirtuada por Stálin. Apesar de Lênin ter se mostrado sempre menos inclinado à deificação de líderes, ele foi o responsável pelo início do culto à personalidade após a revolução. A crença em sua própria capacidade de liderança e inabalável convicção do que era melhor para a revolução o levava a rejeitar de forma intolerante objeções intelectuais e divergências (o leitor pode ler mais sobre isso em meu texto Lênin e o Comunismo). Outro importante historiador, Richard Overy, professor do King’s College em Londres, em seu livro “Os Ditadores”, ratifica essa tendência ao culto à personalidade na cultura popular russa:

Até sua morte em 1924, Lênin conseguiu impedir que a propaganda oficial adotasse a exagerada religiosidade cada vez mais evidente nas atitudes populares para com ele como um novo redentor igual a Cristo, mas com sua morte, ao culto popular juntou o “culto a Lênin” oficial, que persistiu durante toda a história posterior da União Soviética.

Mais adiante, Kruschev disse:

Stalin não atuava mediante persuasão, explicação e cooperação paciente com a gente, mas impondo seus conceitos e pedindo submissão absoluta à sua opinião. Quem quer que se opusesse a suas concepções ou tratasse de provar seus pontos de vista, condenava-se a ser removido da direção coletiva e à subsequente aniquilação moral e física. Isto foi especialmente certo durante o período que seguiu ao Décimo Sétimo Congresso do Partido, quando muitos líderes proeminentes do partido e membros de base honestos e dedicados à causa do comunismo, caíram vítimas do despotismo de Stalin.

Logo depois, ele menciona a criação do conceito de “inimigos do povo”, que tornou possível a polícia política cometer todo tipo de arbitrariedades, como obter falsas confissões pelo uso ostensivo de violência física contra acusados, muitos dos quais civis inocentes ou veteranos membros do partido, julgados e condenados por erros que jamais cometeram, o que levou a prisões em massa, deportações de milhares de pessoas, execuções sem processo judicial, julgamentos com ausência do acusado. Nas palavras do próprio Kruschev:

Stalin impeliu o partido e a NKVD para o uso do terror massivo quando as classes exploradoras já haviam sido liquidadas em nosso país e quando não existiam razões sérias para o uso extraordinário do terror.

Este foi direcionado não contra os remanescentes das classes exploradoras derrotadas, mas contra trabalhadores honestos do partido e do Estado soviético. Contra estes se fizeram acusações mentirosas, caluniosas e absurdas, concernentes a “jogo duplo”, “espionagem”, “sabotagem”, “preparação de complôs fictícios”, etc.

Stalin afirmou explicitamente em diversas ocasiões que era preciso aplicar uma política de eliminação dos inimigos. Um fato curioso é que a constituição soviética de 1936 prometia vários direitos civis, como a liberdade de expressão, reunião e consciência. O governo soviético tinha convicção de que era uma democracia superior às democracias ocidentais porque, segundo o próprio Stalin, havia superado a divisão entre capitalistas e trabalhadores, latifundiários e camponeses; por isso era necessário apenas um partido, que representava os interesses de toda a sociedade, não apenas os interesses de uma classe ou elite social, como nos países capitalistas.

Segundo Richard Overy Stálin criou caminhos informais para centralizar as tomadas de decisões em torno de sua pessoa. Para isso fazia reuniões privadas com um círculo restrito de altos funcionários de confiança quando se tratava de decidir questões concernentes a assuntos de Estado. Os processos de Moscou de 1937-39 foram particularmente importantes porque liquidaram os elementos da elite dirigente do partido que ainda pudessem oferecer alguma resistência a Stalin. A criação do vago conceito de “inimigo do povo”, como observou Kruschev, servia para acusação de qualquer pessoa, em qualquer circunstância, de sabotagem, espionagem, terrorismo, atividade contrarrevolucionária e depois de 1941, cooperação com fascistas, etc. A historiografia recente confirma amplamente o que Kruschev disse acerca desses assuntos. Ele próprio citou cartas de velhos comunistas condenados à morte por crimes que não cometeram pedindo clemência e afirmando sua inocência. Tanto Kruschev quanto pesquisadores atuais, como Anne Applebaum e Richard Overy confirmam que Stálin sabia e ordenava as torturas e os fuzilamentos.

Tomemos mais um exemplo que Kruschev cita em seu discurso. Ele lê a carta de um velho comunista preso, chamado Kedrov, que implora pelo fim das torturas e por um julgamento justo. A Carta foi direcionada ao Comitê Central do partido:

Me dirijo a vocês pedindo ajuda de uma cela sombria da prisão Lefortovsky. Possa meu grito de horror chegar a seus ouvidos; não permaneçam surdos; tomem-me sob sua proteção; por favor, ajudem-me a sair do pesadelo dos interrogatórios e demonstrar que tudo é um erro.

Sofro inocentemente. Por favor, creiam-me. O tempo demonstrará a verdade. Eu não sou um agente provocador da Okhrana czarista; não sou um espião; não sou membro de uma organização antissoviética, da qual tenho sido acusado por denúncias. Tampouco sou culpado de qualquer outro crime, contra o partido e o governo. Sou um velho bolchevique, limpo de qualquer mancha. Tenho lutado honestamente por quase quarenta anos nas filas do partido pelo bem e a prosperidade da nação.

Hoje, sou um homem de 62 anos, estou sendo ameaçado pelos juízes investigadores com os métodos de tortura física mais severos, cruéis e degradantes. Eles (os juízes), já não são capazes de dar-se conta de seu erro e de reconhecer que estão tratando meu caso de forma ilegal e proibida; tratam de justificar suas ações descrevendo-me como um inimigo inflamado e raivoso e estão pedindo repressões crescentes. Mas que o partido saiba que sou inocente e que não há nada que possa converter um filho leal do partido em um inimigo, nem mesmo quando só lhe resta o último sopro de vida.

Mas não tenho saída. Não posso fugir de novos de poderosos golpes que se aproximam rapidamente. Tudo, no entanto, tem seu limite; minha saúde está ruim; minha força e minha energia estão desvanecendo; o fim se aproxima. Morrer em uma prisão soviética, tido como um vil traidor da pátria, o que pode haver de mais monstruoso para um homem honesto e quão monstruoso é tudo isto! Amargura e dor insuperáveis me oprimem o coração.

Não! Não! Isto não acontecerá, isto não pode ser, grito eu. Nem o partido, nem o governo soviético, nem o comissário do povo L.P. Beria, permitirão esta cruel e irreparável injustiça. Eu estou firmemente seguro de que, se me for concedida uma investigação tranquila e objetiva, sem truculências, sem cólera e sem o temor da tortura, seria muito fácil provar a inconsistência de tudo isso. Eu creio profundamente que a verdade e a justiça triunfarão. Eu creio. Eu creio.

Kruschev prosseguiu dizendo que Kedrov foi considerado inocente pela junta militar, mas foi executado por ordem de Beria.

Porém, alguns supostos pesquisadores têm chamado a atenção pela tentativa de desconstrução dessa versão. Esse é o caso de Gorver Furr, professor de Literatura Comparada em uma universidade em Nova Jersey. Para dar validade a suas ideias, Furr usa um discurso que polariza aqueles que discutem o legado de Stálin. Para ele, os críticos são capitalistas e anticomunistas, ou trotskystas, incluindo o último presidente soviético, Mikhail Gorbatchev. Em uma entrevista que concedeu ao site averdade.org , ele afirma que havia de fato uma teia de conspirações contrárias a Stálin na década de 1930, o que justifica, em sua visão, os julgamentos para afastamento dos conspiracionistas “de direita”, que colaboravam inclusive com as potências do Eixo durante a Segunda Guerra.

Não existe base teórica que apoie isso, embora Grover Furr tente demonstrar muita habilidade retórica para validar sua tese. No final, a revolução terminaria por devorar seus próprios filhos, e, por extensão, seus próprios líderes. Overy observou que dos 1996 líderes do partido que participaram do Sétimo Congresso em 1934, 1.108 foram presos ou assassinados. E nas províncias, 2.110 de 2.150 de secretários de distrito morreram. Como é possível provar que todas essas  pessoas eram “conspiradores de direita”? E o que dizer dos próprios chefes da NKVD, que caíram vítimas das torturas, das acusações infundadas e dos fuzilamentos que eles próprios praticaram contra outros? Segundo Overy:

Os expurgos atingiram todas as áreas da vida institucional, os altos escalões sofrendo mais. Milhares de diplomatas, altas autoridades e oficiais do Exército foram mortos. Dos cerca de 24 mil sacerdotes líderes de igrejas em 1936, só 5.665 continuavam vivos cinco anos depois. No fim, a conspiração devorou os conspiradores. Autoridades da NKVD e da Segurança do Estado foram por sua vez expurgadas em 1939 por destruição no partido. Ejov [então chefe da NKVD, a polícia secreta da União Soviética] foi demitido primeiro em fins de 1938, depois preso em abril de 1939 e acusado de ser espião britânico e polonês. Após um período de desintoxicação numa clínica, foi submetido à mesma rotina bárbara que impusera às suas vítimas. Seriamente espancado e forçado a confessar por interrogadores que apenas meses antes trabalhavam sob suas ordens, foi levado perante o Collegium Militar em fevereiro de 1940, onde retirou a confissão e anunciou em sua defesa que durante 25 anos de trabalho no partido tinha “combatido e exterminado honrosamente os inimigos (…), usando tudo à minha disposição para denunciar conspirações”. Foi fuzilado no dia seguinte por espionagem.

Voltando a Grover Furr, logo no início dessa entrevista ele comete várias falácias argumentativas que não se sustentam diante de um escrutínio histórico mais cioso. Ele inicia com uma grande inverdade quando diz: “Trótsky atacava Stálin para justificar sua própria incapacidade de ganhar as massas trabalhadoras da União Soviética”. Incapacidade de ganhar massas trabalhadoras é um termo evasivo, o próprio Lênin era praticamente desconhecido da maioria dos trabalhadores quase às vésperas da revolução de Outubro (que alguns historiadores chamam de golpe porque a revolução mesmo foi a de Fevereiro). Stálin idem. Por outro lado, dizer que Trotsky “defendia um determinismo econômico extremado” também não quer dizer nada. O marxismo-leninismo, que Stálin transformou em dogma oficial do país, também pode ser visto como determinismo econômico extremado. Associar as críticas a Stálin com anti-comunismo é uma postura tacanha e reducionista que não contribui em nada para a compreensão daqueles eventos.

Grover Furr diz que a documentação que pesquisou sobre Stálin prova que Kruschev estava errado e Stálin não matou milhões de pessoas. Mas, quando questionado acerca do quê os documentos realmente revelam, ele tergiversa, usando como exemplo a fome que dizimou milhões de pessoas na Ucrânia e que havia crises de fome sazonais que não se explicam apenas pela coletivização.

Nesse ponto, como em muitos outros, ele mente. A crise no final da década de 1920 na Ucrânia ocorreu porque os camponeses decidiram estocar seus produtos para conseguir um poder de troca maior com o Estado, já que a indústria não havia produzido bens de consumo suficiente. Aquele era o início do primeiro plano quinquenal, política econômica planejada para substituir a NEP de Lênin e acelerar o crescimento industrial do país. Com isso, o governo colocou os camponeses contra a parede e decidiu punir quem estocasse ou retivesse seus produtos, voltando-se contra os kulaks, teoricamente a classe de grandes proprietários rurais, mas logo passou a abarcar também pequenos proprietários. A política subsequente de extermínio dos Kulaks , destruição de mercados independentes de produtos agrícolas e estatização forçada das terras, as chamadas fazendas coletivas, ou kolkhozes, mergulhou o país numa guerra civil. Os camponeses resistiram, o governo confiscou seus produtos e isolou geográfica e economicamente amplas regiões da Ucrânia, resultando em fome em massa e no extermínio, entre 1932-33, de pelo menos cinco milhões de pessoas. Stalin tinha tanta ciência da situação que, numa carta de 1932, afirmava que a Ucrânia poderia ser perdida e insistia que se tomassem medidas cada vez mais duras contra o que chamava de “sabotadores” e “criminosos”.

Mesmo assim, no final dessa entrevista, Grover Furr diz que o Holodomor (como ficou conhecida a tragédia do genocídio ucraniano) foi uma “invenção” de grupos fascistas para desacreditar a União Soviética.

Apesar de todas as denúncias feitas por Kruschev, seu discurso pecou não por mentir, mas por omitir, e omitiu mais do que expôs. Ele praticamente não falou sobre as deportações em massa, sobre as coletivizações forçadas que provocaram a fome e a morte de milhões de pessoas na Ucrânica e a quantidade de vítimas do regime e dos campos de trabalhos forçados. Tivesse ido adiante em seu discurso, Kruschev teria lançado ao vento (apesar do caráter secreto do encontro) a grande farsa pseudo-marxista que era o sistema soviético, na qual estavam enredados não apenas seus dirigentes, mas virtualmente toda a sociedade, que os apoiava e colaborava com denúncias fraudulentas e a banalização da mentira. Kruschev também não podia falar muito porque tanto ele quanto seus ouvintes estavam todos envolvidos com o que estava sendo denunciado.

Em outra entrevista, questionado sobre os processos de Moscou, Grover Furr disse:

Todas las pruebas existentes apoyan la posición contraria: que los acusados eran culpables, como mínimo, de lo que confesaron. No “la mayoría de las pruebas”, TODAS apuntan a su culpabilidad.

Los “principales” académicos, incluyendo a los trotskistas, dan por hecho que los acusados eran inocentes. Pero esto es así porque imponen sus prejuicios políticos sobre las investigaciones. Sus conclusiones no son producto de las pruebas.

É curioso ele dizer que os acadêmicos que afirmam a inocência dos acusados “impõem seus prejulgamentos políticos sobre as investigações”. E que “suas conclusões não resultam das fontes”. A verdade é que ele interpreta as confissões como evidência de que os acusados eram culpados do que confessavam e em nenhum momento menciona as torturas como mecanismo para forçar as vítimas a confessarem. Kamenev, Zinoviev, Bukharin, o chefe da polícia secreta até 1937, Genrikh Yagoda e muitos outros chefes e administradores preparados e promovidos por ele (inclusive torturadores), chefes de campos de trabalho, vários membros destacados do partido e do exército e tantos outros foram presos, julgados em sessões de fachada e fuzilados, a maioria sob acusações de “sabotagem” e ligações com “organizações direitistas e trotskystas”. Dizer que as análises dos demais historiadores não são baseadas nas fontes não faz o menor sentido.

Mais adiante, ele afirma que os povos que foram deportados, como os alemães do Volga, os tártaros da Crimeia e tchetchenos sofreram isso por terem colaborado com os nazistas. Isso não é verdade. No livro “Gulag, uma história dos campos de prisioneiros soviéticos”, Anne Applebaum informa que Stálin apenas desconfiava de que havia “inimigos ocultos”, isto é, espiões no meio desses povos que colaboravam com os alemães; e como esses espiões não foram denunciados nem capturados, todos foram culpados de esconder o  inimigo. Para ela, embora os alemães recrutassem mais pessoas entre os tártaros e tchetchenos, não há provas de que houve colaboração maciça deles com os invasores. Ela até mesmo assevera que mais tártaros lutaram ao lado do exército soviético contra os nazistas do que o contrário. E vai além:

Provavelmente, o objetivo de Stalin, ao menos no episódio das deportações dos caucasianos e dos tártaros, não era vingar-se pelo colaboracionismo. Ele parece ter usado a guerra como um meio de encobrir e levar adiante operações de limpeza étnicas havia muito planejadas. Os czares sonhavam com uma Crimeia livre dos tártaros desde quando Catarina, a grande incorporara a península ao império russo. Os tchetchenos também incomodavam os czares russos e causavam ainda mais problemas para a União Soviética.

Mais adiante, Applebaum usa o conceito de “genocídio cultural” para referir-se à eliminação de nações inteiras por Stálin. Esse conceito se distingue do uso mais comum de genocídio porque o ódio de Stálin por esses povos não era apenas racial. Ao todo, cerca de 390 mil tchetchenos, 180 mil tártaros e dezenas de milhares de outras etnias foram deportados. Cerca de um terço dos tártaros foram mortos até 1949 e 78 mil tchetchenos. Além de destruir fisicamente essas comunidades, as autoridades soviéticas também apagaram sua história, “destruíram cemitérios, renomearam cidades e baniram os antigos habitantes dos livros de história”. Levou décadas, após a morte de Stálin, para que os remanescentes dessas etnias voltassem a suas regiões de origem. Essa prática de apagamento da memória também foi usada na China maoista e outros lugares onde o stalinismo penetrou.

Para muitos é incompreensível por que a sociedade russa, mesmo após o fim do comunismo, não julga seu passado e seus algozes, muitos dos quais ainda ocupam altos cargos no governo e ainda consideram Stálin um herói. Os russos parecem simplesmente não querer encarar de frente a tragédia que foi a experiência de sete décadas de bolchevismo. Anne Applebaum também fez esse questionamento, no final de seu livro já citado. Vale a pena conferir o que ela disse:

Muitos russos viveram o colapso da União Soviética como um golpe duro em seu orgulho pessoal. Talvez o antigo sistema fosse ruim, pensam agora, mas pelo menos era forte. E como hoje não somos mais poderosos, não queremos ouvir que ele era ruim. […]

A sociedade é indiferente aos crimes porque muitos participaram deles. O sistema soviético comprometeu milhões e milhões de cidadãos em muitas formas de colaboração. Embora muitas participações tenham sido voluntárias, pessoas decentes também foram forçadas a fazer coisas horríveis. Elas, seus filhos e seus netos nem sempre querem se lembrar disso agora.

A partir disso, é possível imaginar como seria traumático e doloroso para a sociedade russa constituir suas comissões da verdade.

Eu já havia dito em outra ocasião neste blog e vou repetir: Grover Furr ainda fala a partir da cartilha da ortodoxia marxista de que a marcha do comunismo segue leis da história e nesse processo é inevitável que muitas (milhões?) pessoas fiquem pelo caminho. Outro ponto interessante é que esse tipo de abordagem converge com uma tendência atual do governo russo de reabilitar Stálin com o propósito de incentivar o nacionalismo na sociedade. Stálin personifica uma Rússia que era superpotência, importante e determinante no cenário internacional. Esse mito do estadista-herói pode servir a numerosos propósitos governamentais, como já serviu no caso do próprio Stalin, mas é perigoso por incitar sentimentos nacionalistas e anti-democráticos.

O tipo de postura que ele adota inexiste na obra dos historiadores mais ciosos, que não caem na armadilha da polarização do debate ou de posturas reducionistas de ataque ou apologia, mas partem de uma perspectiva compreensiva a partir do contato com as fontes e a problematização da dinâmica do contexto sócio-cultural da sociedade Russa da primeira metade do século passado. O que Grover Furr e outros stalinistas fazem não é propriamente história. É importante ter isso em mente quando se discute esses assunto, ou cairemos na armadilha do “nós contra eles”, quando já vivemos a uma distância epocal suficiente para analisar esses eventos de forma bem diferente de como se fazia na década de 1960.

Costumo dizer a meus alunos que a história é um campo permanente de disputa pela legitimação de significados, de interpretações, em que é importante se tomar cuidado aonde pisa. Sobre os mesmos eventos e as mesmas fontes é possível se fazer encaminhamentos teóricos e interpretações muito distintas. Há um livro interessante da historiadora canadense Margaret MacMillan chamado “Usos e Abusos da História”. Na introdução ela diz que “o passado pode ser aproveitado para tudo o que se queira fazer no presente”. Os regimes totalitários do século 20 ilustram isso muito bem, com suas “revoluções culturais” e suas ideologias que conferem um sentido último à história.

As afirmações de Grover Furr podem confundir facilmente aqueles que não possuem um conhecimento muito aprofundado da história do comunismo, mas não podem impressionar os historiadores mais ciosos, exceto por seus disparates retóricos e teóricos. Seu esforço hercúleo para provar que Kruschev mentiu e Stalin não foi um assassino e genocida não pode subsistir a um exame crítico e criterioso.

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40 thoughts on “Kruschev não mentiu sobre Stálin

  1. luiz mattos 11/07/2014 / 21:34

    Grato pela aula.

  2. Pedro 12/07/2014 / 9:24

    Oi, gosto muito desse blog, estou sempre acompanhando, lendo ele e espero que continue desse jeito. Queria dar uma sugestão de falar aqui no blog sobre o conflito que está ocorrendo em Israel. Tem tanta opinião sobre o assunto que é difícil pra mim formar uma opinião, rs.

    • Bertone de Oliveira Sousa 12/07/2014 / 11:32

      Pedro, obrigado por acompanhar o blog. O problema de muitas matérias sobre esse assunto é que erram ao tratar esse conflito a partir de critérios da política moderna e ele não pode ser compreendido dessa forma, não é um conflito moderno, possui raízes e motivações milenares, ali não se encaixa rótulos como direita e esquerda, algozes (assassinos) e vítimas, até conceitos como nação e nacionalidade também não se encaixam, por isso é tão difícil para nós ocidentais entendermos o que ocorre ali.

      • Roni Kurono 01/08/2014 / 23:18

        Esse seu comentário sobre o conflito Israel-Palestina me deixou bastante curioso. Estamos em uma época onde este conflito está novamente inflamado, então acho que seria um momento oportuno para vc falar sobre esse assunto. Claro que é só uma sugestão. E muito bom o texto sobre Kurschev. Um abraço.

      • Bertone de Oliveira Sousa 02/08/2014 / 11:58

        Pois é, Roni, na imprensa é um assunto de que se fala muito e se entende pouco, até pelo caráter imediatista e raso em que as notícias são dadas e os editoriais escritos. É um assunto amplo pra se abarcar em um texto de blog, mas vale a sugestão. Obrigado. Abs.

  3. limarco 12/07/2014 / 10:07

    Muito bom Bertone. Esclarecedor. Abraço

  4. Francisco Robson 12/07/2014 / 23:04

    Olá professor Bertone, sempre que tenho tempo hábil leio suas postagens, e desde já agradeço-lhe por nos brindar com textos e matérias bem elucidativas. Professor, aproveitando o ensejo deste post gostaria de questionar o senhor se caso você teria lido um livro do escritor Victor Afanasiev intitulado ” Do comunismo utópico ao socialismo científico”, e independente de sua resposta gostaria muito que o senhor me propusesse outros títulos acerca do tema com autores dois quais o senhor têm conhecimento, desde já agradeço pelo material do qual o você nos permite ter acesso através do blog, sucesso nesta sua empreitada em difusão do saber professor bertone.

    • Bertone de Oliveira Sousa 13/07/2014 / 11:42

      Olá Francisco, obrigado por acompanhar também o blog. Esse livro ainda não conheço. Mas além desses que citei no texto, você pode ler também “Lênin, Stálin e Hitler” de Robert Gellately, “Ascensão e Queda do comunismo” de Archie Brown e “Utopia do expurgo: o que foi o comunismo?” de Gerd Koenen, todos excelentes historiadores. Há também boas biografias, como as escritas por Robert Service e Simon Sebag Montefiore e “Mao, a biografia desconhecida”, de Jung Chang e John Halliday. Obrigado pelo apoio. Abraço.

  5. Waldo A. Gomes 15/07/2014 / 8:43

    Bom dia, professor ! Sempre acompanho seu blog para tentar aprender e apreender um pouco do seu conhecimento e agradeço por seu trabalho.

    Professor, tenho lido, pesquisado e buscado dados sobre comunismo, nazismo e as políticas de governo implantadas ou em implantação na América do Sul, mais especificamente, Venezuela, Bolívia e Brasil.

    Seria possível a emissão de sua opinião quanto a estes aspectos, inclusive com uma abordagem direta sobre a ideologia petista face ao Decreto 8243/14, face à possibilidade de um “Plebiscito Constituinte”, face aos estatutos do Partido claramente “socialistas”.

    Obrigado e mais uma vez parabéns.

    • Bertone de Oliveira Sousa 15/07/2014 / 11:29

      Waldo, nesses pontos é importante não confundir alhos com bugalhos. A esquerda latino-americana mescla elementos de ampliação do papel do Estado na economia com populismo. Nenhuma de suas medidas tem a ver com socialismo. O PT não governa com base em seus estatutos, nem possui uma ideologia própria na condução do país. Mas uma discussão desse assunto requereria um texto, a meu ver há muita desinformação sobre isso na internet, especialmente por parte da direita.

      • Waldo A. Gomes 16/07/2014 / 8:22

        Obrigado professor, realmente há a necessidade de um estudo maior e por isso solicitei ao senhor, dada a sua comprovada capacidade. Antecipando uma possível abordagem, seria prudente dizer que esses países citados bem como PT tentam uma versão socialista/comunista de governo, um neo-comunismo ???

      • Bertone de Oliveira Sousa 16/07/2014 / 10:10

        Waldo, de forma alguma, o comunismo está morto. O PT chegou ao poder pela via democrática e se mantém pela mesma via, gerenciando uma economia capitalista ainda periférica, suas políticas sociais e toda a sua gestão não possuem qualquer relação com o socialismo. Quando os europeus criticam o comunismo estão criticando o totalitarismo, experiência que vivenciaram e rejeitam por uma série de razões. Mas no Brasil, quando alguns segmentos de direita criticam o PT como comunista, o fazem apenas por acusação conspiratória. Por isso que é importante a gente conhecer esses contextos pra não cair nesse tipo de discurso.

  6. maoguima 15/07/2014 / 10:11

    Professor, fico envaidecido de ler no Brasil um blog com a qualidade e riqueza de fontes. Parabéns!!

  7. Izabel Cristina Gontijo 15/07/2014 / 16:01

    Estou gostando muito dos seus textos. Você tem se mostrado uma pessoa sensata. Suas argumentações muito bem fundamentadas,textos bem pedagógicos, com discernimemto e sem estrelismo. Parabéns. Continue com seu trabalho.

  8. Sérgio Rodrigues 21/07/2014 / 12:54

    Caro Bertone, há outras fontes que contrariam o discurso de Kruschev. Na verdade, um golpe político objetivando a manutenção do “status quo” do velho Politburo, ameaçado pelas Resoluções aprovadas no Congresso anterior (19) – á última participação de Stálin nesses eventos – Lamentavelmente a atas do mesmo nunca foram liberadas para o conhecimento público – seu conteúdo foi propositadamente abafado pelas lideranças soviéticas pós Stálin, inclusive até hoje na Rússia pós soviética. Dado a elevada estatura e prestígio político de Stálin junto ao povo soviético; a única forma do grupo se manter, era atacando a elevada moral de Stálin, com propósito claro de mudar as diretrizes estabelecidas no Congresso anterior. Ocorre que eles não esperavam que Kruschev fosse tão longe e tentaram, sem sucesso, em 1957, removê-lo do cargo (Kruschev, com apoio de Anastas Mikoyan, comandantes militares e da KGB, manobrou o Comitê Central e encurralou o Politburo, acusando Molotov, Kaganovich, Malenkov e Chepilov de Grupo Anti-Partido). Levaria sete anos para ser removido. Curioso notar que, com exceção de K. Voroshilov e Semyon Budyonny – que se mantiveram a margem do processo -, nenhum teve a honra de ser sepultado na Praça Vermelha. Quanto as fontes, posso indicar: Missão em Moscou, de Josefh Daves, Memórias da Segunda Guerra Mundial, de W. Churchill, Roosevelt e Hopkins – Uma História da Segunda Guerra Mundial, de Robert Shewood, Memórias e Reflexões, do Marechal G. Zhukov, A Rússia na Guerra, de Alexander Week. Memórias do Marechal Alexander Vasilevski – A causa de Toda a Minha Vida, Prezado Senhor Stálin, de Susan Butle, Memórias do Marechal K. Rokossovsky – O Dever do Soldado, Stálin, Um Mundo Novo visto através de um Homem, de Henri Barbusse, Stálin, de Emil Ludwig, entre outros…

    • Bertone de Oliveira Sousa 21/07/2014 / 16:14

      Sérgio, Stálin tinha uma moral tão elevada que ordenou o extermínio de milhões de pessoas que ele julgava não ter a mesma moral. Essa é a diferença entre entre pessoas como você, Lúcio e eu: vocês não se importam com liberdade e menos ainda com vidas humanas, apenas com abstrações utópicas. Pra vocês, assassinatos, deportações em massa e genocídios são detalhes da menor importância, são até necessários para remover os “obstáculos” no caminho do partido e da revolução. Molotov disse algo assim muitos anos depois da morte de Stálin, para justificar essas atrocidades.

      • Sérgio Rodrigues 21/07/2014 / 17:30

        Caro Bertone, a Ética do julgamento histórico é mundana, não metafísica e muito menos divina. Se formos verificar a história de todos os grandes líderes e de todas as transformações sociais-econômicas ocorridas ao longo da história humana, verificaremos, conforme a muito verificou Maquiavel, que não existem santos – nenhum -, que há violência e também vítimas justas e injustas. No caso específico de Stálin, em qualquer circunstância da história russa que você analisar ele se sobressai como o maior e mais notável dirigente dos povos russos. Quem foi maior que Stálin?…O czar Ivan, o grande, que fundou o país?, Ivan, o terrível, que consolidou a Rússia, Pedro, o grande, que expandiu e fortaleceu o império?, Catarina, a grande, que promoveu a ciência, as artes e a cultura?, O czar Alexandre, que derrotou Napoleão?, os sucessores de Stálin que a destruíram?…Sob o comando de Stálin a atrasada Rússia ser converteu num potência industrial, econômica, científica e militar. Stálin comandou a maior obra de engenharia social da história e transformou 110 milhões de miseráveis mujiques em trabalhadores qualificados; de quebra, derrotou Hitler, salvando o mundo da escravidão nazista – Ao lado de Roosevelt e Churchill, Heróis da Humanidade -, além de ter contribuído sobremaneira para o esfacelamento do colonialismo europeu na África e especialmente na Ásia. Sugiro ler também o livro, ainda não traduzido para português, “Stalin’s Wars, de Roberts, Geoffrey”, um dos mais profundos, sérios e honestos pesquisadores sobre o tema.
        Bem, quanto aos milhões de mortos atribuídos a Stálin, isso fica por conta das estatísticas do psedo historiador-pesquisador Robert Conquest – ex-agente no departamento de desinformação do Serviço Secreto Britânico, isto é, o Departamento de Pesquisa de Informações (IRD). O IRD foi uma seção criada em 1947 (originalmente denominada “Escritório de Informações sobre Comunistas”), cuja principal tarefa era combater a influência comunista em todo o mundo mediante a fabricação de artigos entre políticos, jornalistas e outros que estivessem em posição de influenciar na opinião pública – e do reacionário ortodoxo, simpatizante do nazismo Alexander Soljenitsin, para quem a luta contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial poderia ter sido evitada se o governo soviético tivesse chegado a uma solução de compromisso com Hitler; estatísticas essas que nenhum historiador sério dá crédito, por serem absolutamente absurdas e idiotizantes. Um relato honesto pode ser encontrado também no livro de memórias de L. Kaganovich (Parte VII), cujo link é o seguinte: http://www.hist-socialismo.com/docs/KaganovitchAnexos.pdf

      • Bertone de Oliveira Sousa 21/07/2014 / 21:13

        Sérgio, Robert Conquest não foi o único historiador a discutir a quantidade de vítimas do terror de Stálin. Ele pode ter hiperbolizado as estatísticas, mas o acesso que os historiadores vêm tendo aos arquivos soviéticos desde o início dos anos 90 tem trazido muita informação ao público. Um exemplo é o livro de Richard Overy, Os ditadores, que citei no texto. Sua pesquisa discute os números inflados do período anterior aos anos 90 e coloca as estatísticas com base em fontes recém descobertas. Ainda assim, as vítimas totais do regime ainda continuam na casa dos milhões, sendo a grande fome na Ucrânia no início dos anos 30 um dos pontos elevados da vitimização de inocentes. Sugiro que você leia os outros livros que também mencionei no texto.

        Historiadores sérios não trabalham com a perspectiva do herói como você mencionou; isso é para religiosos e militantes políticos. Stálin transformou a Rússia em potência industrial expandindo o trabalho escravo como ainda não havia ocorrido na história do país. Campos de trabalho forçado foram construídos em todas as partes do país para onde foram mandados milhares de presos políticos, fossem mencheviques, anarquistas (na década de 1920) ou inimigos imaginários nas décadas seguintes. Overy menciona, por exemplo, que em 1950, havia seis milhões e meio de prisioneiros nesses campos. Segundo as estatísticas oficiais, as execuções e mortes totalizaram quase dois milhões de pessoas somente nos campos. Isso nada tem a ver com pessoas que trabalham para serviços secretos de nenhum país, mas de pesquisadores sérios. Outro trabalho de fôlego e referência no assunto é o de Anne Applebaum, que já havia postado aqui e vou fazê-lo de novo para que outros leitores tenham acesso:

        http://www.libertarianismo.org/livros/aagulag.pdf

        Já os sucessores de Stálin não destruíram a Rússia, apenas se afastaram da políticas de terror dele sem, contudo, abolirem os campos de trabalho forçado, as prisões sem julgamentos e sem provas e o silenciamento de dissidentes. O preço social que uma nação paga pela imposição de uma ideologia que pretende governar com base em leis da história é altíssimo e as pesquisas historiográficas recentes sobre esses regimes totalitários mostram isso de forma contundente. Se você quiser continuar enganando a si mesmo, com essa historinha de heróis, e o fato de você ter mencionado Maquiavel é bastante sintomático disso, é uma opção sua. Aqui escrevo para esclarecer e para as pessoas que querem aprender. E já que você citou Maquiavel, vou reproduzir a fala que mencionei de Molotov. Foi quando ele refletia sobre os expurgos do final da década de 1930, e disse: “Decerto que houve excessos, mas tudo isso era permissível, em minha opinião, em nome do objetivo principal: manter o poder do Estado… Nossos erros, incluindo os brutais, se justificaram…”
        Veja como foi bom para a Rússia, o Leste europeu, o planeta inteiro e o marxismo, que aquele sistema político tenha desaparecido.

  9. Lúcio Júnior Espírito Santo 21/07/2014 / 13:09

    Bertone, não seja irresponsável, cara! Leia o texto do professor Grover Furr antes de criticar! Kruschev LIed é UM LIVRO de um professor que sabe russo e pesquisa em fontes primárias! Está disponível em galego, pesquise primeiro antes de sair atacando um colega respeitável e dizendo absurdos e mentiras!!

    • Bertone de Oliveira Sousa 21/07/2014 / 13:51

      Lúcio, quem disse que não li o Grover Furr? Tenho a versão do livro em inglês que baixei na internet. Não se preocupe, pois esse não será o único texto que publicarei sobre ele. E a voz dele nem mesmo foi omitida aqui. A pesquisa em fontes primárias, por si só, não torna um autor comprometido com a verdade dos eventos que pretende narrar. Grover Furr está comprometido com um tipo de militância que acabou juntamente com a Guerra Fria. Aqui não existe nenhum absurdo e mentira, este texto está fundamentado com obras de peso na historiografia internacional. Colegas respeitáveis são estes que citei no texto e que você parece nem mesmo ter lido, que também sabem russo, pesquisam em fontes primárias e não estão comprometidos com propaganda ideológica. Você chama o Pipes de anticomunista sem se dar ao trabalho de comentar uma linha da obra dele e ainda quer vir me fazer acusações caluniosas? Você deveria pelo menos aprender a estudar com seriedade.

  10. André Santos 25/07/2014 / 7:04

    Excelente texto, lúcido e bem fundamentado, uma verdadeira aula como disse o Luiz. Os estalinistas parecem não ter todos os parafusos no lugar, querem acusar o professor de não ter lido um autor que eles idolatram, apesar de estar discutindo as idéias dele no texto, mas eles mesmos parecem não ter lido os outros autores que são discutidos no texto. Assim eles jogam o debate historiográfico no lixo para se apegarem de forma fanática a esse ou aquele autor, sempre chamando os outros de anti-comunistas mas sem apresentarem argumentos razoáveis e convincentes acerca da obra deles. É uma postura lamentável e que leva esses estalinistas apenas a fazer propaganda ideológica, como o professor salientou.

  11. Jonathas Rocha 28/07/2014 / 18:47

    Excelente texto.. a paranóia em que entrou a liderança da URSS é assustadora. E uma coisa que é sintomática no antigo império russo.. eles herdaram do czarismo diversas estruturas e práticas, é incrível como a cultura política se perpassou apesar da mudança do regime. 😮

  12. TA 19/09/2014 / 11:11

    Muito bom! Mas eu tenho alguns amigos que defendem o Stalin e me mandaram esse documentário sobre o Holodomor.
    Já ouviu falar? Se sim, o que pensa a respeito?

    • Bertone de Oliveira Sousa 19/09/2014 / 13:08

      Thaise (por favor, não comente usando abreviações), esse vídeo foi feito pelo Cristiano Alves que usa, de fato, algumas fotos erroneamente atribuídas à fome na Ucrânia pra negar a mortandade. Cristiano já foi refutado em várias ocasiões neste blog. Em geral, os que negam o holodomor são pessoas muito comprometidas ideologicamente com uma militância de extrema esquerda e que negam praticamente todos os crimes e assassinatos em massa do comunismo que já são questões bem pontuadas pela historiografia. A argumentação contra o Holodomor não se sustenta diante da historiografia, há fontes e pesquisas sérias que revelam o que aconteceu. Já postei o link de um artigo de 50 páginas sobre o assunto, além de outras referências bibliográficas. Esse vídeo já foi postado aqui e explica bem o que ocorreu:

      • Thaise Amaral 19/09/2014 / 21:11

        Obrigada pelo documentário!
        Não sabia que esse vídeo foi feito pelo Cristiano. Andei lendo a página dele durante um tempo e o considero um grande fanático. Além do que, em muitos posts ele se denuncia preconceituoso, xenofóbico e homofóbico. E nem adianta discutir com ele porque ele vem com a historinha que somos uns idiotas pós-modernos, mimimi.
        Eu não me conformo de ver gente defendendo Stalin, mas… Paciência. Tudo que se pode fazer é refutar mesmo.
        Desculpe pela abreviação, é a minha assinatura no WP.

      • Bertone de Oliveira Sousa 19/09/2014 / 21:58

        Oi Thaise, tudo bem, é que prefiro dialogar com as pessoas quando se identificam. Pois é, cada vez mais ele tem mostrado o que é, preconceituoso e intolerante. Abraços.

  13. Rogério 26/09/2014 / 21:48

    Eu vi o canal desse guri. Tem vídeos dele fardado com o uniforme do exército da URSS, falando em russo. O cara deve ser louco professor.
    E, professor, o que tu achas de Trotsky? Obrigado!

    • Bertone de Oliveira Sousa 26/09/2014 / 23:29

      Rogério, e de pensar que ainda perdi tempo discutindo com alguém que se expõe ao ridículo de forma tão risível e grotesca.

      É difícil falar de Trotsky num espaço de comentários, era uma figura que comportava ambiguidades, era um intelectual, no exílio denunciou os abusos de poder de Stálin, mas também foi responsável pela criação dos primeiros campos de concentração bolcheviques, participou ativamente do terror e, sem nenhum peso de consciência, mandou executar civis que faziam reivindicações pontuais ou pediam medidas mais propriamente socialistas, já que as ações do partido mergulharam o país em um caos. Acredito que há vários elementos que devem ser ponderados numa avaliação dele como personagem histórico.

  14. Reinaldo 02/01/2015 / 20:24

    É interessante notar esses stalinistas condenando ditaduras militares, como a de Augusto Pinochet e Ernesto Geisel, mas ao mesmo tempo apoiando Stalin, Mao Zedong e Enver Hodja. Isso daí já é hipocrisia e doença. Uma pessoa que apoia esses regimes, só suporta por desejo de poder ou por sadismo.

  15. Reinaldo 02/01/2015 / 21:36

    Os ‘estudos históricos’ de Grover Furr são no mínimo risíveis. O sujeito acusa Trotsky de colaborar com os nazistas. Nossa, é mesmo? Imagine um judeu colaborando com uma entidade extremamente antissemita.
    Esse Grover Furr deveria trabalhar em um circo.

  16. Gabriel 18/02/2015 / 13:14

    Oi Bertone,

    Li um texto seu no qual você fala da URSS, do discurso de Kruschev e de Grover Furr.

    Me interesso pelo assunto então queria colocar algumas objeções e algumas considerações.

    1) No seu texto não vi nenhuma referência a propaganda ocidental sobre a história da URSS. Você considera a existência desta? Qual a significância que dá a isso? Não acha importante também esclarecer falsificações como a de William Hearst , por exemplo?

    Abordar a URSS como algoz de milhões justificando isso simplesmente por poder político é ao mesmo tempo uma distorção e uma simplificação. Abre margem para interpretações que inclusive incluem os números de mortos da guerra civil russa nas contas do partido bolchevique… Não tem como fechar os olhos para a questão política candente que envolve a URSS, é necessário deixar bem claro onde estão os fatos e onde está a propaganda, que existe evidentemente. Se não há esse apontamento, há omissão.

    2) Qual sua visão em relação às disputas intrapartidárias na URSS? Evidente que existiam disputas, certo? Isso nos leva a uma outra questão. A sua linha metodológica é qual? Você é marxista nesse sentido? Compreende a dinâmica social, como uma dinâmica classista, de luta? Nesse sentido como encara uma afirmação da existência da luta de classes dentro do PCUS? Na sua linha de interpretação (se considera a existência de classes), qual classe era favorecida com o desfecho da disputa partidária?

    Levanto essas questões porque acredito em disputas e de uma coligação contra a direção central no partido. Isso explicaria Kírov e os julgamentos de Moscou, assim como as cartas de Trotsky a Sedov, relativas à esse grupo, essa fração. Ademais temos casos de terrorismo, queima de colheitas e corrupção, ligados a essa fração. Existem provas (além de relatos) de torturas nos julgamentos de Moscou? Quais?

    O que considera de Yezhov, comissário do povo da NKVD? Devo assumir que você não deva considerar as suas confissões, certo?

    3) Holodomor. A minha objeção se remete aqui, não à existência de uma tragédia, com várias vitimas, mas a interpretação de um evento histórico. Como você não contestou no seu texto a interpretação russa desse evento te dou ela aqui e fico curioso e interessado na espera de suas objeções quanto a ela. Houve uma grande fome na Ucrânia no começo dos anos 30, realmente, assim como mortos por decorrência de conflitos entre Kulaks e o parido. A coletivização, expressamente NÃO FOI FORÇADA. Isso pode ser evidenciados nos lineamentos do partido quanto a essa questão. De forma geral, e efetivamente a coletivização não foi forçada, embora, nesse sentido, tenham existidos desvios e erros por parte do partido em eventuais coletivizações forçadas, que devem ser condenados com toda razão. Muitos camponeses ricos e médios não queriam aceitar a expropriação de seus bens, então travaram lutas contra o Estado soviético e também, queimaram suas plantações e mataram seus animais para não ceder eles á coletivização, o que (unido às más colheitas, o surto de tifo e outras doenças), acarretou em mortes, guerra e disputa de classes, cada uma tentando garantir seus interesses.

    4) Não devemos trabalhar na história com a categoria de “herói”? Que tipo de visão positivista da história é essa? Que tipo de “neutralidade” é essa, característica do positivismo que temos aqui?

    Avanços históricos existem, vamos assumi-los. Ou em última instância a abolição da escravidão para você não representa um avanço e não deve ser apoiada?

    Se existiu um homem, ou uma mulher, que foi essencial para um avanço histórico, porque não categorizá-lo/a como herói/ína?

    Outra: militantes não podem ser historiadores ou pesquisadores e vice-versa? Devemos necessariamente sermos filistinos, mesquinhos e apáticos frente a tudo que acontece para sermos levados a sério, para sermos “pesquisadores sérios”? Que piada absurda.

    5) Gostaria de saber os dados que você dispõem da qualidade de vida do cidadão soviético. Muitas vezes não gostam de colocar esses dados, nem de lembrar que o famoso “welfare state” e as famosas sociais-democracias nórdicas e suas criações foram muito influenciadas e em certas medidas até “puxadas” e “forçadas” a existir pelo Estado soviético e os imensos avanços que ele representava. Gostaria também que você me lembrasse quando a URSS garantiu o direito ao voto feminino (Que país que teve uma das primeiras senão a primeira ministra mulher?) e porque antes da URSS as creches e maternidades não eram políticas de Estado (aplicadas em grande escala) em lugar nenhum do mundo (há de se lembrar da grande campanha de alfabetização). Espero que você não seja de fato maniqueísta como parece, pois a URSS teve óbvios avanços históricos.

    6) Gostaria de ver uma abordagem criteriosa da contestação a Furr, que conteste as fontes propriamente ditas.

    7) Ainda sobre as fontes, uma pergunta: qual o critério para a “seriedade” de historiadores. Não estou negando que exista, só desconheço como podemos chegar em tal característica. Você poderia indicar livros sobre historiografia que vão no sentido de responder a essa pergunta e aos debates relativos à validade de fontes?

    • Bertone de Oliveira Sousa 18/02/2015 / 14:40

      Gabriel, meus textos já respondem a algumas dessas questões. As outras são respondidas na bibliografia que indiquei nesse e também nos outros textos.

  17. Claudia 23/04/2015 / 1:17

    Tenho horror a qualquer tipo de totalitarismo, de esquerda, de direita ou de centro, sou um ser pensante e faço questão de exercer minha liberdade de pensamento, não podemos dizer que estamos em uma democracia pura, afinal, por incrível que pareça existem listas de personas no grata em determinados “partidos” , porém ainda assim comemoro nossa democracia e por isso fico estupefata com idéias totalitárias, defesas de governos rígidos e abusivos, onde o povo são apenas uma mera vírgula no texto principal. Stalin aterrorizou e muito seu próprio povo, aliás, todo governo linha dura , utiliza o medo para liderar , isso é comum entre eles.
    Professor, primeira vez que entro em seu blog, meus parabéns, gostei muito.

    • Bertone de Oliveira Sousa 23/04/2015 / 1:27

      Oi Claudia, por tudo isso você está na página certa. O totalitarismo de fato foi uma negação atroz da liberdade e da autonomia humana, seja em nome de um partido, de leis da história, de um líder. Aqui tenho tentado apresentar críticas desses regimes, apresentando aos leitores bibliografia sólida desses temas. Há mais textos sobre o assunto no tema “Socialismo/comunismo”. Obrigado pelo elogio e seja bem-vinda. Abraços.

  18. Marcelo Caparelli 09/07/2015 / 16:24

    conhecendo o blog agora

  19. Marcelo Caparelli 09/07/2015 / 16:29

    Professor: Terminei a leitura de “A Corte do Czar Vermelho” de Simon Sebag Montefiore, que vem ao encontro de tudo que foi exposto no post acima, trazendo, inclusive, uma vasta bibliografia comprovatória dos fatos, fontes indiscutíveis extraídas de cartas trocadas entre os “magnatas” e tambem de entrevistas de remanescentes do regime.

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