Cuba, o paraíso socialista

fidelNão são poucos os estudantes e professores universitários que ainda admiram e celebram Che Guevara e Fidel Castro como humanistas. Quando a blogueira cubana Yoani Sanchez veio ao Brasil, além de ter sido esculachada por alguns militantes de esquerda, ainda foi severamente criticada por variados meios jornalísticos de esquerda que associavam suas atividades de crítica ao regime castrista à CIA e sua consequente venalidade. Nenhuma dessas pessoas e desses meios jornalísticos se deu conta de que na terra de Fidel eles não teriam a mesma liberdade de opinião e manifestação que possuem no Brasil.

François Furet dizia que o maior problema do comunismo é a mentira. Ao abolir as liberdades individuais onde quer que tenha chegado ao poder, o comunismo transformou os indivíduos em massas anônimas subservientes ao Estado e à nomenklatura. Descartável, o indivíduo na sociedade comunista só pode existir enquanto servir aos interesses do Estado. O maior inimigo do comunismo é o liberalismo e o Estado de direito, que, já na teoria marxista, corporificavam os interesses de classe da burguesia. Mas na teoria marxista, o comunismo seria a universalização da liberdade humana após uma fase transitória em que a burguesia teria seus bens expropriados e transferidos à classe despossuída, o proletariado.

Mas em nenhum lugar o comunismo chegou ao poder por uma revolução proletária, nem mesmo houve transferência de riquezas, mas apropriação delas pelo Estado, controlado por uma classe de burocratas que instituiu uma espécie de servidão coletiva contemporânea. O século 20 nos mostrou que as utopias não devem ser realizadas. O reino de liberdade que prometem, na prática, resulta no totalitarismo. Mas, por que o socialismo se transforma em seu oposto quando transformado em realidade social? Acontece que o socialismo não se transforma em seu oposto, apenas mostra aquilo que realmente é; isto é, a abolição das liberdades civis e da propriedade não pode se tornar outra coisa senão a emergência de um Estado regulador todo-poderoso, detentor, apenas ele, das únicas liberdades existentes e de toda a riqueza produzida em uma sociedade. Geoges Duby refletiu com muita clareza o que significa a tentativa de impor ou construir uma sociedade igualitária:

Considero, com efeito, que uma sociedade nivelada não dispõe de estímulos. Com muitíssima sorte, pode no máximo desfrutar de uma felicidade sem graça como a dos nambikwaras visitadas por Lévi-Strauss, uma felicidade sonolenta. Normalmente, ela mergulha no marasmo e no desespero, como demonstra uma experiência efetuada durante quarenta anos na Europa do Leste. E em todo caso, não tem mais uma história. Sou portanto decididamente elitista, desde que as elites, naturalmente, não se transformem em castas. A missão da universidade consiste precisamente em contribuir para evitar que isto aconteça, formando essas elites. […] A nação tem com efeito a obrigação de elevar constantemente o nível cultural geral do conjunto da população.

Platão, Thomas Morus e Marx – esses inimigos da sociedade aberta, para usar uma expressão de Sir Karl Popper – idealizaram sociedades como um contraponto aos modelos sociais em que viviam. Esse é o aspecto importante da utopia, é uma crítica, um grito de esperança. Antes de Marx, porém, as utopias permaneciam narrativas trans-históricas evocadas em épocas de forte tensão social. Marx as trouxe para o plano da realização histórica, da práxis social. Ele observou como os ideais da burguesia foram levados à Europa através das guerras napoleônicas e imaginou como seria se o socialismo fosse levado ao mundo através de uma classe revolucionária, consciente de seu papel de vanguarda no cumprimento de leis da história. Marx teorizou o comunismo como numa conquista do proletariado, com a formação de um novo homem que poria fim à pré-história humana.

Quase um século depois de a primeira revolução socialista ter ocorrido e mais de duas décadas depois de ela ter naufragado na história sem que tivesse trazido ao mundo o novo homem e a sociedade sem classes, alguns de seus filhos ainda permanecem de pé. Entre eles, Cuba é um caso à parte. Está mais próxima de nossa realidade e ainda deslumbra milhares de pessoas mundo afora. Nos anos 1960, contexto marcado pela ascensão de ditaduras militares na América Latina, a Revolução Cubana foi abraçada por parte dos intelectuais como uma alternativa ao imperialismo norte-americano, à pauperização que assolava amplas regiões do continente e aos modelos políticos autoritários que, acreditava-se, chegavam ao poder com apoio de Washington. Falar em imperialismo hoje, porém, se tornou mais um lugar-comum do que um recurso argumentativo válido em análises políticas. Mais de meio século depois, a América Latina mudou, os regimes autoritários foram depostos, a esquerda chegou ao poder democraticamente e as relações com os Estados Unidos já não podem mais ser vistas a partir da ótica ingênua e dicotômica vítimas versus algozes.

Mas a ilha de Fidel permanece a mesma ditadura que iniciou em 1959 e, num mundo onde a democracia é cada vez mais celebrada como um bem a ser valorizado e conquistado, a permanência de vetustas ditaduras socialistas não inspira mais uma juventude que hoje luta por outras demandas. O fracasso do socialismo em restituir as parcas liberdades que suprimiu nos países em que chegou ao poder, o sucesso do Estado de bem-estar na Europa e o esvaziamento da política como locus privilegiado de ação social redefiniram nossa percepção da ação coletiva e do papel do indivíduo no mundo produtivo e do trabalho, estes também fortemente transformados pela revolução das comunicações.

Ultimamente temos visto Cuba aparecer nos noticiários por causa do programa Mais Médicos do governo federal. O programa, cujas cláusulas contratuais são dúbias, expôs sua fragilidade quando uma médica o abandonou por causa dos baixíssimos valores que o governo cubano repassa a eles. Muitos ainda têm uma ideia muito equivocada acerca do que é a sociedade cubana sob o regime dos irmãos Castro. Ignoram o racionamento de comida, os salários abaixo de vinte reais mensais, as prisões políticas e as frequentes violações de direitos humanos. De modelo alternativo, Cuba se tornou aquilo que não queremos ser. Podemos defender seu sistema de saúde e educação confortavelmente de nossa sociedade democrática, mas sabemos que não gostaríamos de morar lá, não gostaríamos de ver nossa individualidade ser confiscada pelo Estado e nossos salários (por mais baixos que sejam) ser substituídos pela libreta. O mito de que não há pobreza em Cuba não pode subsistir à obviedade de que todos são pobres em Cuba, exceto os altos dirigentes do partido e do governo. Mesmo as homeopáticas mudanças econômicas introduzidas por Raul Castro após assumir o poder, não podem ter impactos significativos sem a desmontagem da ditadura e do monopólio do Estado sobre a economia e a vida privada dos cidadãos.

Acabo de ler o livro “Fidel, o tirano mais amado do mundo” (editora Leya, 2012) de Humberto Fontova, cubano residente nos Estados Unidos, filho de um refugiado político e cientista político. O livro de Fontova não chega a ser uma pesquisa histórica acadêmica como convencionalmente a compreendemos, mas um verdadeiro libelo anti-castrista. Contudo, é uma obra escrita por alguém que tem um conhecimento apurado do que diz e pertencente a uma família com ascendentes do partido comunista. A obra inicia com a narrativa de um massacre que soldados cometeram contra uma embarcação rústica de 74 pessoas que buscavam fugir para os Estados Unidos em 1994. A força desproporcional usada pelos guardas contra dezenas de pessoas indefesas introduz o leitor a uma realidade dramática vivenciada com certa frequência por aqueles tentam fugir.

A postura pró-Estados Unidos que o autor demonstra em todo o livro é compreensível à medida que ele expressa sua revolta com as informações que expõe. Lamenta, por exemplo, o fato de a invasão à Baía dos Porcos não ter dado certo, em consequência, segundo ele, de o governo americano ter abandonado os invasores à própria sorte. Fala sobre os pelotões de fuzilamento e a drenagem de sangue que o governo fazia dos condenados para venda no mercado mundial. De acordo com ele, os pelotões agiam diariamente desde o dia 7 de janeiro de 1959, quando Che Guevara chegou a Havana, sendo ele próprio o comandante da maior parte dos fuzilamentos.

Fontova traça um Guevara muito distante do que vemos no cinema e nas propagandas de esquerda. “Isto é uma revolução. E um revolucionário precisa se tornar uma máquina assassina brutal, motivada por puro ódio”; “não tenho casa, mulher, pais, filhos ou irmãos. Meus amigos são amigos somente enquanto pensam politicamente como eu”, teria dito o guerrilheiro argentino. Mostra um Guevara admirador de Stálin, um Fidel que buscou inspiração em Hitler (“Minha Luta” era seu livro preferido na faculdade), que decretou feriado nacional quando o ditador fascista Francisco Franco morreu – Fidel o admirava por seu antiamericanismo.  Fidel também levou Rámon Mercader, assassino de Trótsky, para Cuba após ter cumprido 20 anos de prisão no México. Em Cuba, Mercader se tornou inspetor geral de prisões, função na qual comandou cerca de 15 mil fuzilamentos e 50 mil prisões em gulags. Fala sobre o paredón, a prática de execuções, por fuzilamentos e com julgamento teatralizados, de milhares de inimigos políticos do regime. Segundo ele, em meados de abril de 1959:

[…] 562 homens haviam sido fuzilados sem julgamento pela Cuba revolucionária. O habeas corpus havia sido abolido. E as prisões de Cuba tinham cinco vezes mais presos políticos do que no regime de Fulgencio Batista. Pela primeira vez na história do país, muitos desses presos eram mulheres. Seu crime? Serem mulheres, filhas e mães dos homens executados. A maioria era de origem humilde, muitas eram negras.

O autor ressalta as altas taxas de suicídio do país, a maior taxa de emigração entre países ocidentais, a maior taxa de encarceramento do globo (em termos proporcionais, Fidel mandou mais pessoas para gulags do que Stálin). Fontova afirma que na década de 1950 (antes da Revolução) o ganho médio diário de um trabalhador rural em Cuba era superior a França, Bélgica, Dinamarca e Alemanha Ocidental. O país possuía uma ampla classe média e apenas 34 por cento da população vivia na zona rural. O país era o terceiro maior consumidor de proteína no hemisfério ocidental. Ele critica a ideia amplamente difundida no mundo ocidental de que Cuba foi prejudicada pelo embargo econômico dos Estados Unidos. O país recebia US$ 5 bilhões anuais de subsídios da União Soviética o que, até o fim da URSS, totalizou 110 bilhões de dólares, um valor cinco vezes superior ao Plano Marshall, segundo ele. Além disso, Jimmy Carter revogou a proibição de viagens a Cuba em março de 1977 e Gerald Ford, dois anos antes, permitiu que empresas estrangeiras e subsidiárias dos Estados Unidos comercializassem com Cuba e ainda convenceu a OEA a retirar suas sanções ao país.

Ressalta que, em 1957, Cuba tinha mais professores e médicos, proporcionalmente, do que os Estados Unidos, possuía a menor taxa de mortalidade infantil da América Latina, estando à frente inclusive de países como Alemanha Ocidental, Japão, Israel e Áustria, taxa de alfabetização de 80% (a maior da América Latina também). O país possuía uma classe média que abarcava mais de um terço da população. Segundo o autor, apesar de Fulgêncio Batista ser um ditador em 1959, não regulava os currículos escolares, a vida privada ou proibia as pessoas de viajarem. Não nega os altos índices de corrupção existentes no governo de Batista e o uso da força (segundo ele, esporádica) usada contra dissidentes. Para Fontova, há uma segregação racial silenciosa em Cuba pouco divulgada na imprensa ocidental. Cem por cento de sua elite governamental é branca e oitenta por cento de sua população carcerária é negra. Para ele, Batista era mais um político do que um militar, evitava a imagem de caudilho e queria aproximar Cuba dos Estados Unidos no sentido de torná-la mais competitiva comercialmente e democrática e lembra o quanto um regime totalitário pode ser incomparavelmente pior do que ditaduras militares:

Lembre-se do livro de Jeane Kirpatrick, Dictatorships and Double Standards, em que ele distingue governos autoritários de totalitários: “Regime autoritários não perturbam o ritmo habitual de trabalho e lazer, as moradias habituais nem os padrões habituais de relações familiares e pessoais […]. Regimes totalitários exigem que o estado tenha jurisdição total sobre a pessoa, sobre a sociedade, e eles não acreditam que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Eles acreditam que tudo é de César – que o governo deve conter e controlar tudo”. (página 163).

Toda a obra de Humberto Fontova foi escrita em um tom de profunda revolta pessoal com a ditadura castrista. Isso compromete sua abordagem, que carece de rigor metodológico, trabalho profissional com as fontes, análises mais aprofundadas. É mais uma denúncia jornalística, muito semelhante ao estilo narrativo que Palmério Dória desenvolve no livro “Honoráveis Bandidos”. Fica claro que ele flexibiliza o autoritarismo da ditadura de Batista e possui uma visão um tanto romântica do papel libertador dos Estados Unidos na Guerra Fria. Mas tem méritos: levanta questões importantes e apesar da pobreza teórica da obra, usa depoimentos de fugitivos que moram nos Estados Unidos e informações de fontes ainda pouco conhecidas e divulgadas. O mais importante é que ele rompe com a homogeneidade de uma intelligentsia que vê em Cuba a eterna vítima do embargo, o quintal norte-americano que se tornou exemplo de saúde e educação. É hora de deixarmos de celebrar Cuba como o socialismo que não queremos para nós, mas está bom para os outros e hora de deixarmos de agir como Fidel Castro ou a dinastia Kim da Coreia: queremos liberdade para nós, mas não vemos nenhum problema se ela não existir para os outros.

Yoani Sanchez veio nos despertar desse sono dogmático; ao invés disso, muitos não gostaram do fato de ela não trazer boas notícias do paraíso e não cansaram de vasculhar sua vida para encontrar relações com a CIA e um estilo de vida “burguês”. O antiamericanismo que ainda perpassa variados agentes da esquerda latino-americana e que teve em Hugo Chávez o caudilho desmiolado de uma esquerda capenga, é não apenas um sentimento tolo, como produz um embotamento mental análogo à crença de jornalistas da Veja no comunismo petista. Esse antiamericanismo (que alguém já chamou de ideologia oficial dos órfãos do comunismo) é um sentimento que tenta manter de pé o quixotesco romantismo por uma revolução que parou no tempo (exceto para seus dirigentes) e ficou atolada nas poças de sangue dos fuzilamentos e prisões arbitrárias.

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38 comentários sobre “Cuba, o paraíso socialista

  1. homemsemsobrenome 08/03/2014 / 21:30

    Professor, não sei se o senhor viu essa entrevista com a Yoani, acho que ela dá alguns limites à crítica dela (sem ignorar os méritos que tenham):

    http://www.viomundo.com.br/entrevistas/salim-lamrani-um-bate-papo-com-yoani-sanchez.html

    Faz algumas semanas que um professor, não lembro de que universidade, foi àquele programa de entrevistas da Monica Waldwogel discutir a crise da Venezuela.

    Infelizmente, dada a superficialidade e o posicionamento viciado do jornal, ele acabou assumindo dois papéis na entrevista: primeiro, de lidar com os exageros que a jornalista endossava, dignos da Veja; segundo, o de defensor do chavismo e das políticas propostas por ele. Como tanto a jornalista quanto o outro entrevistado assumiam um ponto de vista extremo, creio que a posição do professor acabou sendo prejudicada. Se os dois tivessem mais informações e conhecimentos, talvez o professor não precisasse assumir o papel de esclarecedor do contexto venezuelano e sua postura chavista pudesse ser discutida e criticada.

    Creio que, em grande parte, as discussões sobre Cuba replicam isso: há quem precise ser esclarecido antes que se possa discutir em que medida podemos ser pró-cuba em qualquer ponto que seja. Do jeito que está, agimos como a Veja, adulando ou odiando uma imagem caricata de um país que desconhecemos. Seria melhor que pudessemos conhecer Cuba para somente depois pensar algo sobre ela, não o contrário.

    • Bertone Sousa 08/03/2014 / 21:56

      Conhecer um país é diferente de conhecer e problematizar sua história. Além disso, regimes fechados como Cuba deixam seus visitantes conhecer apenas as áreas previamente definidas pelo governo, a fim de causar boas impressões. Veja, por exemplo, o vídeo em meu post sobre a Coreia do Norte nesta mesma categoria. Como não há liberdade de locomoção nem liberdade de expressão, as pessoas que vivem sob estes regimes não podem dizer o que realmente pensam de seus governos e de seu estilo de vida. Você somente consegue romper com a imposição ideológica laudatória por meios alternativos, entrevistando fugitivos e consultando fontes não governamentais e não fazendo um passeio de férias ou fim de semana.

      • Éderson Cássio 09/03/2014 / 0:06

        Eu acho que por “conhecer Cuba”, ele quis dizer mesmo “conhecer **sobre** Cuba”. Pelo menos foi o que eu entendi…

        E não entendi a colocação final, sobre o Porto de Mariel. Pela descrição de que vai reforçar a presença econômica do Brasil, eu entendi que será benéfico para nós, não para eles. Estou enganado? Em que isso seria melhor do que o Mais Médicos, do ponto de vista da população cubana?

      • Bertone Sousa 09/03/2014 / 12:23

        Éderson, a maioria das pessoas não quer conhecer sobre Cuba, apenas quer ouvir o que lhes agrada e nem sempre a história é agradável para os crentes de esquerda ou direita. Leia sobre a Perestroika e as mudanças econômicas na China sob Deng Xiaoping, isso vai ajudar a entender.

  2. fcliborio 09/03/2014 / 2:47

    Estranho que esses dados sobre a Cuba pré-revolução são completamente diferentes dos expostos por Galeano em Veias Abertas da América Latina. Acredito que a pesquisa do Galeano foi bem mais rigorosa.

    • Bertone Sousa 09/03/2014 / 13:26

      Felipe, “As veias abertas…” foi apenas um panfleto político, não tem valor como pesquisa histórica. Ele até usa alguns dados importantes da época, mas no geral a obra é descartável. O livro que comentei também não é um trabalho historiográfico, mas apresenta informações novas e indica as fontes; é preciso estar aberto a isso pra não sair repetindo velhos mitos por aí.

      • fcliborio 09/03/2014 / 22:01

        Discordo de ti. O Galeano apresentou fatos históricos e dados amplamente conhecidos e apenas colocou neles uma interpretação focado no povo, ao contrário da leitura fria que normalmente é dada para a história de exploração da América Latina.

      • Bertone Sousa 09/03/2014 / 23:44

        Felipe, Galeano é um jornalista que, no calor da Guerra Fria, escreveu um panfleto político, um manual para a militância de esquerda. O tipo de abordagem que ela fez, com um discurso de vitimização da América Latina, está superado há décadas. Nenhum professor sério usa mais esse livro como base bibliográfica em seu programa de disciplina.

      • Alcides Saggioro Neto 15/03/2014 / 22:08

        Professor,o senhor poderia escrever ou dizer algo sobre a Guerra do Paraguai? Sei que a historia de que se tratava de uma guerra fomentada pelos britânicos já está ultrapassada, mas essa história persiste, principalmente nos livros de história de ensino médio. Estudo economia, e já li várias obras sobre historia econômica da America Latina, e o quadro apresentado sempre é diferente, nada de uma potencia industrial, e sim uma industria essencialmente artesanal, um país militarizado mais próximo de uma Coreia do Norte do que de uma nascente potencia industrial do sec. XIX.

    • Alexandre Souza 20/11/2014 / 15:49

      Até o Galeano pediu que desconsiderassem o livro dele.

  3. Frederico Krepe 09/03/2014 / 17:30

    Como o primeiro comentou, muita coisa sobre Cuba é desconhecido justamente por ser um regime fechado. É importante lembrar que se trata de uma guerra suja e que muitos se usam das carências dos regimes cubanos para salvar o que é seu, isso foi muito usado na guerra fria e essa imagem persiste até hoje(não sei nem se precisa). Muito do que se tem como verdade é fruto da desinformação que é proporcionada pela mídia totalmente parcial. Conhecer alguns feitos em Cuba na área de saúde e educação por exemplo não nos obriga a defender o regime que chega a ser um totalitarismo se formos olhar em consideração.

    Agora, uma outra questão. Todo esse “desvirtuamento” dos regimes socialistas, onde se troca uma burguesia dominante e se coloca um partido dominante em um regime de partido único, se deve ao Lênin e suas ideias do vanguardismo? A esquerda no geral tem uma concepção errada de que acham que a propriedade dos meios de produção que passa toda para a mão do Estado já caracteriza um regime socialista que pôs fim ao capitalismo. O partido tendo o controle do Estado e o Estado tendo o controle dos meios de produção fica que como uma exploração direta da sociedade pelo partido. Aqui tem um link de um artigo que se discute a possibilidade de um chamado “capitalismo de Estado” na URSS. O que acha?

    http://www.revistaoutubro.com.br/edicoes/02/out2_06.pdf‎

    • Frederico Krepe 09/03/2014 / 19:35

      P.s: Tem alguns erros meio brutais de português, escrevi correndo, me perdoe. Rs

  4. Lohan Frederico 20/03/2014 / 20:14

    Não consegui entender qual o benefício para a economia Brasileira, devastada pelo ultraje político atual, da construção de um porto em Cuba. O senhor poderia ser mais claro? Também, sobre que sentido a presença brasileira na suposta economia cubana em “desenvolvimento” beneficiar-nos-á? Me parece apenas suporte a ditaduras totalitárias ultrapassadas (lembrando que os EUA, mesmo mantendo o adjetivo de totalitário, sucede em vantagens para nossa economia) com aparente único objetivo de restaurar ideais arcaicos da associação, por parte dos apoiadores da causa, a seus antigos (e caquéticos) ídolos socialistas.
    Gosto de seus textos e fico aguardando sua resposta.
    Obrigado.

    • Bertone Sousa 20/03/2014 / 20:36

      Lohan, essas medidas são motivadas por questões pragmáticas, não ideológicas. Eu a levantei para comparar com o Programa mais médicos, que não é pragmático nem ideológico, mas pretende apenas ser uma medida paliativa, além do agravante de reforçar o caráter escravagista do trabalho dos cubanos. Sobre o porto, os benefícios não são sentidos no dia-dia da população, mas podem gerar cerca de 150 mil empregos no Brasil. E isso pode melhorar, na medida em que abre portas para uma inserção mais efetiva do Brasil no Caribe, já que até agora tem sido majoritariamente na América do Sul. Num mundo globalizado, isso é uma questão importantíssima do ponto de vista político e econômico, por isso é uma medida pragmática e nada tem a ver com “suporte a totalitarismos”.

      • Lohan Frederico 20/03/2014 / 23:37

        Caro professor Bertone, agradeço sua atenção e sua resposta à minha pergunta, me honra que o tenha feito. Entretanto, gostaria de saber (não duvidando da sua palavra, obviamente, mas por valia metodológica) qual fonte nos impele a crer que serão gerados cerca de 150 mil empregos no Brasil? Além disto, tendo em vista que, mantendo o caráter da comparação como pragmático, não ideológico, entre o programa “Mais Médicos” e o Porto de Mariel, ainda contando que nosso suposto empregador seria Cuba, não estaríamos encarnando no papel dos médicos-escravos do programa supracitado? Digo, no caso desta proposição pelo senhor feita vir a se tornar realidade.
        Quanto à inserção do Brasil no Caribe, não consigo visionar, dado o momento em questão (de baixo crescimento econômico do país), as vantagens, tendo em vista o a pobreza vigente nesta região (talvez o senhor possa me mostrar outra visão que tenha me passado despercebida).
        Obrigado pela atenção.

      • Bertone Sousa 21/03/2014 / 0:26

        Lohan, essa é uma perspectiva do próprio governo, a partir da projeção da atuação de cerca de 400 empresas no projeto. Sobre a questão da relação entre investimento econômico e pobreza, bem, essa é uma questão de informação e formação básica, de ensino médio mesmo, que não cabe aqui no espaço de um comentário.

  5. Duke de Vespa 25/03/2014 / 11:23

    Bertone, muito interessante o texto, mas confesso que esses dados apresentados sobre a Cuba de Fulgêncio Batista diferem de tudo que já li sobre a revolução cubana. Parece-me, de certo modo, até contraditório o que Fontova expôs… Pois se em Cuba havia realmente uma ampla classe média, com o ganho médio diário de um trabalhador rural superior ao de países europeus desenvolvidos e com uma taxa de alfabetização de 80%; por qual motivo a revolução teve grande apoio e participação popular?
    Como você mesmo colocou, o livro de Humberto Fontova é um panfleto anticastrista. Será que devemos tomar essas informações como fidedignas? Em outras palavras, o que é fato e o que é ressentimento nessa História (em maiúsculo mesmo)? Como posso verificar a veracidade dessas fontes?
    Continuando, não nego que Cuba seja uma ditadura, que as liberdades individuais não sejam plenamente garantidas e que não se trate do paraíso terreno. Mas também não nego que no Brasil as coisas sejam muito diferentes.
    Nossa democracia é um engodo. A liberdade de expressão está claramente comprometida, uma vez que os veículos de comunicação são propriedades de poucas famílias. A internet é, em tese, o único espaço realmente livre, onde a voz de pessoas comum tem algum alcance. Mas em Cuba não deve ser diferente. Yoani Sanchez não seria a prova de que os cidadãos cubanos podem utilizar a internet para falar mal do governo sem terem sua integridade física ameaçada?
    Voltando aos problemas brasileiros, é sabido que nosso sistema político está nas mãos do empresariado. Eles são os grandes financiadores das campanhas. Se alguém quiser sair com candidato a vereador na cidade de São Paulo, por exemplo, terá que desembolsar no mínimo 4 milhões de reais, se quiser uma campanha competitiva. De ondem vem o dinheiro que banca essas campanhas? Os candidatos financiados (ou seja, todos) não estão em débito com seus credores? E esse ponto é fundamental, pois um regime supostamente democrático, onde a soberania popular está abaixo do poder do capital não pode ser considerado realmente democrático.
    O judiciário também é comprometido. A igualdade de direitos perante a lei é apenas uma formalidade falaciosa. O acesso à justiça não é igualitário, apesar das defensorias públicas. Não é novidade que aqueles que têm mais dinheiro, conseguem pagar bons advogados para fazer valerem os seus direitos.
    Nossa polícia é altamente letal e violenta. Não tenho os dados aqui, mas é amplamente conhecido o fato de que números de pessoas mortas pela polícia são altíssimos. Isso sem falar nas milícias e grupos de extermínio formados por policiais. Não podemos nos esquecer que os policiais são agentes do Estado. O poder público tem responsabilidade direta por essas mortes, nem que seja por omissão.
    Nós também temos nossos gulags. Recentemente os acontecimentos no presídio de Pedreiras, no Maranhão, expos a situação caótica de nossos sistema prisional. São comuns os relatos de celas infetadas de percevejos, baratas e ratos. Alimentação estragada, falta de acompanhamento médico, torturas, maus tratos e assassinatos.
    Enfim, não estou justificando uma ditadura por outra. Mas devemos tomar cuidado com algumas comparações, pois nosso telhado também é de vidro.

    • Bertone Sousa 25/03/2014 / 13:01

      Duke, o objetivo do texto era mesmo fazer uma provocação do tipo “o que realmente sabemos sobre Cuba?” Especialmente sobre a Cuba pré-revolucionária. Infelizmente, uma característica de governos totalitários é que, ao reescrever a história, eles suprimem o que podem de fontes do passado que possam comprometer a versão oficial do regime. E isso torna difícil escrever para além dessa versão. Apesar desse caráter anti-castrista do livro de Fontova, ele consultou uma bibliografia ampla, disponibiliza uma lista de sites sobre o assunto e uma lista de fontes oficiais do governo americano, que são mencionados sempre que citados, além de ter feito, ele mesmo, entrevistas para o livro. Também tive a mesma surpresa que você ao ler a obra: o que aprendi sobre Cuba não foi bem isso. Mas é importante também nos perguntarmos se as informações que recebemos também são fidedignas. Mas você está certo, é sempre importante a gente levantar esse tipo de questionamento. Sobre a questão do nível de alfabetização, não creio que isso seja um motivo apriorístico para que a população também não apoiasse a revolução, que, inclusive, não foi uma revolução de caráter socialista no início, apenas algum tempo depois o regime assumiu essa feição. Há um conjunto de coisas que é preciso levar em conta nesses quebra-cabeças.

      Por outro lado, não creio que Yoani Sanchez seja uma prova de que cidadãos cubanos podem usar a internet para falar mal do governo. Quantos cidadãos cubanos têm acesso à internet? E quantos deles possuem páginas na web criticando seu governo? Se isso fosse mesmo uma prática comum em Cuba, por que razão então Yoani é tão aclamada no exterior?

      Sobre nosso regime, não vejo nossa democracia como um engodo. Ela existe, é cheia de defeitos, nepotismos, coronelismos e clientelismos que ainda atravessam essas práticas e a mentalidade social em alguns segmentos e lugares, mas não há como negar que vivemos num regime democrático. Pode não ser uma democracia liberal no sentido clássico do termo, mas também não é um regime policialesco. E presídios não são gulags. O que caracteriza um gulag não é só a brutalidade do cotidiano de seus detentos, mas o fato de se configurar também como um lugar para presos políticos, muitos dos quais cometeram o único “crime” de divergir do governo ou a falta de sorte de o governo apenas suspeitar deles. Se a gente não aplicar os conceitos adequadamente, vamos começar a usá-los de forma completamente equivocada. Comparar nosso sistema político corrupto com o regime cubano é comparar coisas completamente distintas, ou seja, é uma analogia no mínimo fora de lugar.

  6. Duke de Vespa 25/03/2014 / 16:23

    Bertone, acredito que essas comparações, apesar de disparatadas, são importantes para reflexão. Nas mídias em geral, os conceitos de democracia e ditadura, hoje em dia, são usados levianamente, tanto para justificar quanto para demonizar, regimes considerados amigáveis ou hostis. Não falo do seu blog, logicamente…
    A questão da Ucrânia é um bom exemplo. Presencie muitas pessoas dizendo que o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, era um ditador e que sua deposição foi legítima, sendo a expressão da “vontade popular” contra o imperialismo russo. No entanto a região da Crimeia, de maioria russa, decidiu se separar da Ucrânia após a queda do Presidente. Realizaram aquele referendo em que optaram pela integração da Crimeia à Rússia, com 97% de aprovação. Agora muitos analista, os do Mídia Sem Máscaras, por exemplo, acusam o Putin de ser um ditador, pois anexou territórios pertencentes a Ucrânia. O próprio governo dos EUA, que neste exato momento ocupa militarmente dois países, disse que a Rússia faz política do século XIX.
    Sobre a crise na Venezuela os comportamentos são parecidos. Chavéz e Maduro são considerados ditadores, ou democratas, dependendo da afinidade ideológica do observador. Você chegou a ver a interessante entrevista do professor de Relações Internacionais da UFABC, Igor Fuser, no programa Entre Aspas, da Globo News, explicando a crise na Venezuela? Se não viu, segue o link:
    http://g1.globo.com/globo-news/entre-aspas/videos/t/todos-os-videos/v/especialistas-debatem-perspectivas-politicas-da-venezuela-apos-prisao-de-lider-da-oposicao/3157867/
    Para mim está claro que existe uma disputa de narrativas. Quem conseguir criar conexões entre os fatos, aparentemente soltos e desconexos, dando sentido e ordem as ideias, tende a “vencer”. Isso vale, creio eu, para a História e para o presente.
    O tal sociólogo Polonês Zygmunt Bauman, trabalha com o conceito de modernidade líquida. Onde as coisas mudam tão rapidamente que nada é feito para durar, para ser “sólido”, inclusive as ideias. Talvez essa peculiar característica dos nossos tempos também se aplique aos conceitos, outrora bem consolidados e definidos, de ditadura e democracia. Não sei. Tempos de incerteza…

    • Bertone Sousa 25/03/2014 / 18:10

      Duke, mas o Bauman trabalha com conceitos mais elásticos para abordar alguns temas contemporâneos, como identidade, sociedade individualizada, religião pós-moderna, etc. Quando falo que essas comparações não são boas, é porque elas podem gerar mais confusão do que compreensão. No caso de Cuba, como de outras ditaduras, o que poderíamos falar seria de uma disputa pela legitimação de uma memória histórica ou de quem tem legitimidade para escrever a história do país. A escrita da história tem esses percalços. Já o tema dos Estados Unidos, Rússia e Crimeia, onde o que está em jogo não é a disputa pela memória, mas por territórios a partir de uma questão identitária (falar russo, etc.) tem outro viés. O livro de Fontova é um contraponto a uma hegemonia ideológica, a invasão da Rússia à Crimeia é a imposição de uma hegemonia política e militar em nome de uma identidade nacional. São coisas diferentes. Na Venezuela, o que se vê é uma crise de um governo que tenta manter o legado de Chávez. a meu ver, dividir o debate apenas no sentido de classificar o atual estado de coisas de ditadura ou democracia, como muitos fazem, demonstra falta de acuidade e pouca competência para se entender o desenrolar dos acontecimentos. Concordo contigo que há sempre uma disputa de narrativas e talvez esse seja o ponto principal da questão. Mas o quê, onde e quais narrativas estão em disputa é o que se deve levar em conta numa análise de caso a caso. Bauman é um autor excelente pra gente entender alguns temas, mas se fizer uma salada com outras coisas se perde o foco das reflexões que ele desenvolve. Não vi a entrevista do professor que você postou, mas vou ver mais tarde. Abraço.

  7. thiago 12/04/2014 / 14:49

    Um importante pensador da esquerda brasileira chamado Jacob Gorender disse numa entrevista o seguinte: “O SOCILISMO DE CUBA É O SOCIALISMO DA MISÉRIA”. Ou seja, admite publicamente que o regime de lá não deu certo. Aí pergunto por que o LULA e o Chaves ficam bajulando o Fidel? Eles deveriam ao contrário criticar o que foi feito de errado pelo regime como faz Jacob Gorender na entrevista. Isso só mostra a incapacidade intelectual de ambos. Me desculpe a franqueza mas quem são esses dois perto de Jacob Gorender. O vídeo está aí: http://www.youtube.com/watch?v=ON7mXWsyJLw a fala que mencionei acima está no minuto 54:50.

    • Anderson Marcos 23/04/2014 / 18:51

      Sabia que 4 milhões de pessoas morreram diretamente na transição do comunismo para o capitalismo na Rússia? E mais 11 milhões de forma indireta por conta da piora da situação econômica.

      Só sabem falar de Holodomor, mas se esquecem das milhões de mortes que a transição causou.

      • Bertone de Oliveira Sousa 23/04/2014 / 21:39

        Anderson, mas essa transição já é outro assunto. O Holodomor, por si só, já é suficientemente grave para uma avaliação crítica do comunismo.

  8. razumikhin 17/04/2014 / 19:11

    Parece um discurso reacionário, caracteístico de alguém da extrema direita. Quem sabe é um admirador do Olavo de Carvalho?

    • Bertone de Oliveira Sousa 17/04/2014 / 19:26

      razumikhin, isso é porque você não sabe o que é extrema direita nem reacionário. Aliás, você não sabe ler um texto, porque não consegue diferenciar estilos de escrita.

    • Bertone de Oliveira Sousa 23/04/2014 / 21:37

      A pobre Leocádia ainda vive presa ao mito pelo qual o pai lutou; ela ainda repete a cartilha stalinista de chamar um Estado totalitário de poder popular. Sua miopia é tamanha que ela considera elogiável não haver divisão de poderes – um apanágio do “mundo burguês”. O texto dela se ajusta como uma luva ao título do meu texto e à forma como algumas múmias ainda veem Cuba.

  9. Anderson Marcos 24/04/2014 / 2:05

    Bom, pode ser.

    De qualquer forma, deixo esse texto aqui

    The transition to capitalism in Russia alone led to over 15 million premature deaths (deaths which would not have occurred if life expectancy rates had remained at the levels under socialism).

    http://www.rebelion.org/noticia.php?id=768

  10. Marcus 02/07/2014 / 14:36

    Muito interessante quando alguém da própria esquerda resolve criticar Cuba, aliás, essa tacanhice de parte da esquerda que ainda insiste em defender ditaduras acaba servindo de munição pra direita paranoica que vem com história de “ditadura comunista do PT”. Esse foi um dos motivos que me levou a me afastar um pouco da esquerda, defendendo uma ditadura devido as seus índices de saúde e educação, eles não se diferenciam da direita que defende a ditadura militar, pois acreditam que naquela época não havia corrupção e o país tinha serviços públicos admiráveis, o que nós sabemos que é uma mentira. Hoje li um texto do Juremir sobre a bizarrice do discurso anticomunista, o qual em boa parte se reduz a sofismas e argumentos clichês. Detalhe que o texto mais conhecido dele é uma narração de sua estadia em Cuba, lugar ao qual ele se refere como “favela totalitária”.
    Ah sim, encontrei um blog (aparentemente de um stalinista) contestando esse seu texto http://revistacidadesol.blogspot.com.br/2014/03/o-mundo-bizarro-do-professor-bertone_11.html Recomendo que você dê uma olhada nele.

  11. Wagner 20/09/2014 / 18:20

    Excelente texto professor Bertone, parabéns! Aprendo mais a cada escrito teu.

    Abraço.

  12. Alexandre Souza 20/11/2014 / 15:58

    Achei o texto ótimo, honesto e equilibrado. Bertone, notei que você às vezes precisa cortar um dobrado para lidar com o pessoal mais… religioso.

  13. Maciel 01/01/2016 / 20:33

    Comentando o final da postagem, tudo bem que o Brasil tenha uma relação econômica em Cuba, mas deixar de investir aqui no Brasil se preocupando com um país vizinho é a mesma coisa que você ajudar o seu vizinho a reformar a casa dele de deixar a sua casa caindo aos pedaços.

  14. Renata 20/02/2017 / 20:32

    Excelente o seu blog! Tenho bastante simpatia pelo espectro ideológico da esquerda, pelo motivo da inclusão social e uma tentativa de diminuir desigualdades, mas nunca gostei do regime de Fidel por considerar que ele não promoveu nada a respeito de uma diminuição de pobreza nem muitos menos libertou o povo da exploração( que tanto as esquerdas criticam no sistema capitalista dizendo que o povo é explorado pelas empresas. É verdade, mas no sistema socialista o povo é explorado pelo estado, ou seja em termos de exploração, os dois sistemas não se diferenciam muito.

    Em países capitalistas a maior parte das riquezas geradas ficam nas mãos de banqueiros e grandes empresários e nos socialistas ficam nas mãos do estado e todos trabalham para o estado em esquemas de jornadas de trabalho( horas de trabalho) creio eu, idênticas ao do sistema capitalista, ganham um salário de miséria e não tem condições de pensar em buscar algo melhor, pq mesmo tendo acesso a saúde e educação de qualidade, a pessoa sabe de antemão que vai ganhar um salario regulado e com nenhuma possibilidade de melhorias. É por isto que muitos fugiram de lá! Deve ser um desamino geral, viver num pais onde até se pode cursar uma universidade grátis e de qualidade mas na hora de entrar para o mercado de trabalho saber que não vai ter nenhuma possibilidade de ascensão econômica. Vai ganhar um salário baixíssimo e ponto final e não ter quase nenhum acesso a de bens de consumo e nem elevar seu poder de compra, a menos que seja funcionário de confiança da cúpula do governo. Eles aboliram por completo o sistema da meritocracia, o que na minha opinião é um erro brutal, o mesmo erro que a direita Brasileira comete em colocar tudo na conta da meritocracia, vivendo num pais tão desigual como o nosso. Os dois extremos, na minha opinião, são péssimos!

    Maioria em Cuba não importando se é faxineiro ou medico vivem em casas horríveis, caindo aos pedaços e não podem nem ter uma televisão decente, é uma televisão caindo aos pedaços e do tempo do ronca! Que depressão. Nao que eu ache que o sistema capitalista não gera pobreza e desigualdade e que o melhor sistema é o nosso onde os serviços públicos são ruins e os pobre não tem acesso a minima qualidade educacional, é obvio que não, mas colocar Cuba como exemplo de sociedade ideal é absurdo. Sociedade ideal pra mim são os países Nórdicos, Austrália e Nova Zelândia entre outros que conseguiram promover um estado ótimo de bem estar social sem abrir mão do capitalismo e nem da liberdades. alias se aproveitam deles pra promover o estado de bem estar.

    Mas no Brasil atualmente vivemos num clima de guerra fria, não se pode criticar o regime Cubano sem ser chamado de “capitalista sem capital”, “pobre de direita”, ou burro que não entende nada de politica e não adianta explicar que você não é de direita, as pessoas não entendem….Tá muito chato isto!!!!!! Conheço gente que é cientista politico e ainda tá nessa de defender o regime Cubano e são autoritários demais pois não aceitam criticas e colocam todos os problemas de Cuba na conta do embargo econômico. É obvio que o embargo é absurdo e atrapalha muito mas sem embargo e com este sistema, ainda assim estaria longe do ideal. No Brasil boa parte da esquerda está indo de mal a pior por ter em siglas de seus partidos os nomes ” socialismo” ou ” comunismo”, as pessoas nao entendem muito bem e sentem pavor e acabam ignorando estes partidos, incluindo no que eles tem de bom! É uma pena! Passou da hora da esquerda ser reinventada e pensar em novas soluções, sem que isso implique em apelar pra socialismo e exclusão da propriedade privada. Afff que coisa binária! O seu blog é um presente, na medica que critica varios aspectos da direita e esquerda que merecem ser criticados e não apela para defesa de nenhum deles de forma acrítica! Parabens! Adoreiiiiiiiii!

    • Bertone Sousa 20/02/2017 / 21:22

      Renata, é para pessoas como você que escrevo nessa página, que buscam fugir a esses reducionismos ideológicos de esquerda e direita e querem pensar historicamente e de forma realmente crítica, sem esses condicionamentos ideológicos ranhetas, que mais embotam o pensamento do que contribuem com ele. Seja bem-vinda.

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