O totalitarismo nacionalista da Coreia do Norte

coreia do norteA Coreia do Norte permanece o último bastião do totalitarismo stalinista no mundo. O regime marcado por veemente lavagem cerebral de seus cidadãos e completa inexistência de liberdades individuais, contém todos os ingredientes de subjugação das massas que o nazi-fascismo, o stalinismo e o maoismo trouxeram ao mundo: militarização, culto à personalidade, campos de trabalhos forçados para pessoas consideradas opositoras ao regime, controle estatal da vida privada, ausência de liberdade religiosa e ocultação da miséria social pela propaganda triunfalista do Estado.

Desde 1910, a Coreia havia sido uma colônia japonesa. O comunismo no país iniciou ainda em 1945, após a expulsão dos japoneses e ocupação soviética. Nessa região norte da península, o comunismo se mesclou a elementos nacionalistas engendrando uma mistura perigosíssima de ideologias totalitárias de esquerda e direita. Kim-Il-Sung, primeiro ditador do país, se destacou na guerrilha contra os japoneses e ascendeu à liderança com o apoio de Stálin. O novo Estado ganhou autonomia em 1948 após as forças soviéticas deixarem o país. Dois anos depois, Kim convenceu seu mentor Stálin a apoiá-lo num ataque ao Sul. A guerra foi interrompida três anos depois (já que oficialmente nunca foi assinado um armistício).

Desde o fim da União Soviética no início dos anos 1990, o isolamento político e econômico cada vez maior da Coreia do Norte tem levado o país a manifestações periódicas de ódio aos Estados Unidos e ameaças de ataques nucleares. Em nenhum outro país comunista o culto à personalidade de um ditador foi tão duradouro e chegou a extremos tão beligerantes como na Coreia do Norte. Embora não se encontre nas obras de Marx qualquer menção à glorificação de líderes, em todos os lugares onde o comunismo se impôs, quer por revolução, quer por invasão, esse expediente não apenas foi instituído como ainda se tornou a causa maior de perseguições, genocídios e extermínios.

Embora o regime norte-coreano inculque em seus cidadãos o ódio aos Estados Unidos, é contra esses mesmos cidadãos que o regime  volta sua face mais violenta. No país onde pessoas são condenadas e executadas por possuírem bíblias (confira aqui e aqui), seguir uma religião não autorizada pelo Estado totalitário pode ser um passo decisivo na abreviação da própria vida. Embora o país professe o ateísmo, na prática há uma religião estatal fortemente arraigada em torno da veneração a Kim-Il-Sung.

O documentário a seguir foi produzido neste ano pela BBC e é um importante registro acerca das idiossincrasias do regime norte-coreano. O documentário mostra a Coreia como um Estado ultra-nacionalista ao estilo do Reich nazista; menciona inclusive a admiração que Kim-Jong-Il tinha por Hitler. Longe de basear-se em ideias de Marx, cujos livros são pouquíssimos conhecidos no país, o regime norte-coreano se manifesta como um autocracia militarista muito semelhante ao fascismo. Sem permissão dos guias, a equipe também registra a miséria social que o Estado esconde a sete chaves. O repórter também entrevista alguns refugiados na Coreia do Sul. Uma mulher afirma que a lavagem cerebral começa no útero e as pessoas acostumam a se curvar diante da estátua de Kim-Il-Sung todas as manhãs. Numa visita à biblioteca na capital, o repórter pergunta pelo livro 1984, de George Orwell que, como já era de se esperar, não existe no país. Para quem conhece a novela de Orwell, uma distopia que retrata a monstruosidade que se tornou o Estado soviético sob Stálin, encontrará notáveis semelhanças também aqui.

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37 comentários sobre “O totalitarismo nacionalista da Coreia do Norte

  1. bailux 08/09/2013 / 22:49

    Já tive o prazer (ou melhor, desprazer) de ver esse documentário, no qual vai direto ao ponto em denunciar as horrendas mazelas do totalitarismo norte coreano.

    Agora, se tão pouco podemos ser dogmáticos com os sistemas políticos de ultra direita ou esquerda, não devemos aceitar sem críticas as denuncias contra os mesmos sistemas políticos. Uma pessoa em busca pela verdade ( ou querer estar o máximo possível perto dela), como o senhor, deve estar sempre cético em relações a todos os lados.

    Pensei dessa forma depois de ver esse documentário da BBC. Sua pessoa já deve saber, existe um blog denominado ” Solidariedade à Coreia Popular ” que defende a ideologia Juche e norte-coreana de forma fervorosa, prontos para denunciar as supostas mentiras a respeito do isolado país comunista asiático. Achei interessante pesquisar se eles tinham algo a falar a respeito das denuncias feitas pela emissora inglesa, deixar a minha unilateralidade de lado.

    Primeiro resolvi procurar na página do Facebook do blog. Acabei encontrado um link escrito ” BBC mente sobre a Coreia do Norte “, direcionando para um artigo do blog. Foi ai que eu pensei que finalmente poderia olhar para outra versão dos fatos. Doce engano. O post havia sido deletado. Procurei na caixa de pesquisa com a palavra chave ” BBC “. Nenhum resultado relacionado foi encontrado. Apelei para um dos últimos recursos: perguntei na página no Facebook o que eles achavam do documentário. Mandei o questionamento desde de 12 de agosto e ninguém me respondeu até hoje. Outra pessoa na mesma página, um tal de André, pediu para alguém desmentir a noticia que Kim Jong Il teria matado a sua ex-esposa. Houve o mesmo silêncio. O blog igualmente não tem nada escrito a respeito.

    Claro que foram pesquisas bem superficiais. Agora não posso desconsiderar que um dos blogs com maior autoridade no assunto tenha deixado passar batido tais denuncias, e até mesmo, por um motivo misterioso, ter deletado qualquer conteúdo sobre o assunto. Para mim o motivo já está mais do que certo: contra fatos não há argumentos. As imagens do vídeo da BBC são mais mais claras do que águas cristalinas: existe um regime de terror e pobreza na Coreia do Norte. Isso é mostrado de maneira inegável. No final a conclusão que todos nós já sabíamos.

    De qualquer forma estarei mudando de bom grado a mudar de ideia. Esse vídeo sem sombras de dúvidas está longe de ser o ponto final sobre o assunto. Muito sangue ainda irá rolar, e eu como leigo apenas posso observar o desenrolar desse confronto. Comunistas como Cristiano Alves podem até ser ingênuos e dogmáticos, mas acima de tudo são persistentes e apaixonados pelo que acreditam. Não desistirão tão facilmente.

    P.S: Chegou a ver a nova resposta dele contra você? Fora a obsessão de legitimar apenas suas fontes duvidosas e descartar qualquer autoridade no assunto que seja “anticomunista” a priori, chegou a acusa-lo de machismo por aquela resposta a Angela, algo que a mesmíssima já tinha feito. Fico triste em saber que movimentos urgentes para nossa sociedade como o feminismo no final acabam virando ferramentas enfadonhas para atacar historiadores honestos. Daqui a pouco uma mulher xingar um homem será misandria? Por que pelo caminhar da carroça….

    • Bertone Sousa 09/09/2013 / 0:48

      Bailux,

      é aquela questão: não existem posições neutras e objetivas acerca de questões humanas, por isso além das fontes e documentos também é importante a crítica textual. No caso de um regime político tão fechado, um documentário como esse pode trazer à luz muitas questões duvidosas. A BBC é uma organização séria, não faz documentários de qualquer jeito, de forma irresponsável. Já acessei uma vez esse site sobre a Coreia Popular. Os militantes que idealizam esses regimes totalitários não falam coisa com coisa, se apegam a abordagens reducionistas e revisionistas sem nenhuma crítica textual e descartam como falso qualquer coisa que não se enquadre nisso. Além disso, eles agem como se ainda estivessem vivendo há pelo menos meio século atrás. Veja, por exemplo, o que um rapaz stalinista chamado Lúcio escreveu aí nas postagens anteriores. Alguns são bem intencionados, mas são muito ingênuos. Esse apego exacerbado a ideologias que prometem redimir a humanidade e criar uma espécie de “novo homem” conduz muito facilmente ao dogmatismo e à intolerância, e aí a divergência passa a ser interpretada como meras conspirações de inimigos.

      E quando uma discussão degringola para aquela abjeção caluniosa, pior do que simples argumentos ad hominem, como ele fez, não vale mais a pena continuar, é melhor deixar o sujeito ficar se rolando em seu próprio estrupício. Ele ainda usa falas do próprio Stálin e outras fontes governamentais pra refutar as ideias de culto à personalidade e fatos como os gulags. É claro que muitas fontes oficiais tendem a ser laudatórias e escamoteiam fatos importantes. É por isso que historiadores não se baseiam só nelas. Ele acha que discursos oficiais são suficientes pra se tirar conclusões definitivas. Já aquela Angela não é leitora do blog. Meus leitores, mesmo quando discordam, sabem ser educados. Essa turma que vem aqui fazer barafunda faço questão de tratá-los com as mesmas “boas maneiras” com que eles chegam ostentando superioridade; rapidamente se dirigem à porta de saída.

    • Lúcio Júnior Espírito Santo 10/09/2013 / 20:21

      Em artigo assinado por Rupert Wingfield-Hayes, a BBC afirma que a norte-coreana Kim Hyun-hui, de 51 anos teria cometido, quando tinha 19 anos, um atentado com uma bomba e derrubado um avião, matando 115 passageiros a mando de Kim Il Sun e Kim Jong Il. A suposta história é contada numa entrevista em que a “ex-agente” norte coreana estaria em algum lugar na Coréia do Sul, protegida contra o governo do Norte.

      http://solidariedadecoreiapopular.blogspot.com.br/search?q=bbc

  2. Roni 09/09/2013 / 1:30

    Mais uma excelente postagem. Grande Bertone!

    • Lúcio Júnior Espírito Santo 10/09/2013 / 11:21

      Eu também estou para fazer uma análise de 1984 como tendo um esqueminha pobre: Grande Irmão: Stálin, Bronstein, Trotsky. No entanto, esse livro é ficção. Não serve para entender o totalitarismo. Aliás, tem totalitarismo da burguesia e totalitarismo do proletariado.

      • Jonatan Freitas 11/09/2013 / 19:08

        Lúcio
        Ambos sabemos que 1984 é ficção: um romance em meio a um regime totalitário, rodeado de expressões exageradas de manipulação da massa da mídia e dos meios de comunicação. Justamente esse exagero literário que abriu o entendimento dos mais incautos. Creio que (posso estar errado historicamente) as entrelinhas desta ficção pode sim ser aplicado a qualquer outro tipo de regime totalitarismo.
        No demais, nesta coluna estou entre dois mestres literários que podem me esclarecer melhor…

  3. lucio@bdonline.com.br 09/09/2013 / 19:24

    Bertone, eu sou um professor universitário, mestre em Estudos Literários (UFMG), só para constar…

  4. lucio@bdonline.com.br 09/09/2013 / 19:31

    Uma sugestão para vc pesquisa que te dou é o blog do Adamir Gerson:

    Stálin teria sido o novo Josué, como Lênin fora o novo Moisés (mas Marx o novo Abraão)? Indiscutivelmente que sim. A começar que a mesma divisão justa de Canaã entre os israelitas foi a divisão do país russo e de suas riquezas entre o povo trabalhador. Stálin foi um homem duro? Mas Josué também foi um homem duro, tendo, pelo poder da espada, submetido os reis de Canaã e feito a partilha em Canaã.

    http://anovateologiadalibertacao.blogspot.com.br/2012/09/pedagogia-do-oprimido-stalin-e-josue.html

    • Bertone Sousa 09/09/2013 / 20:18

      Lúcio, eu procuro manter muita distância dessas abordagens messiânicas de líderes políticos.

  5. Lúcio Júnior Espírito Santo 09/09/2013 / 23:52

    Pois é, só para constar. Vc têm todo o direito de não gostar do comunismo e de comunista. Só que o que está em questão é o seguinte; a historiografia russa nunca foi exatamente igual à Ocidental e ainda hoje não é. Leiam Perestroika, do Gorbachev, ou leiam com atenção o Relatório Kruschev. Ou vejam esse discurso de Gorbachev:

    No Outono de 1999, M. Gorbatchov fez um discurso interessante, em Ankara, na
    Universidade Técnica do Médio Oriente (ODTÜ). Mas, apesar de ter sido publicado nas
    revistas Pravda Rossií, na Rússia, Usvit, na República Eslovaca (n.º 24/1999), Dialog, na
    República Checa (n.º 146/Outubro 1999), UZ do DKP (08.09.2000) e Die Rote Fahne do
    KPD, talvez não tenha merecido atenção suficiente:
    «O objectivo da minha vida era a eliminação do comunismo, uma ditadura insuportável
    sobre o povo. A minha mulher, que tinha compreendido esta necessidade mesmo antes de
    mim, apoiou-me inteiramente. Foi justamente para o alcance deste objectivo que me servi
    da minha posição no partido e no país. Precisamente por isso, a minha mulher incentivavame
    constantemente para que ocupasse sucessivamente posições cada vez mais altas no país

    http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?tid=5630991881305718883&cmm=795788&hl=pt-BR

    • Bertone Sousa 10/09/2013 / 1:06

      Lúcio, no texto anterior mencionei um historiador russo cuja obra sobre as vítimas de Stálin converge com as pesquisas ocidentais que você chama de “anti-comunistas”; a historiografia russa não é um bloco monolítico de propaganda soviética como era na Guerra Fria. Mas a questão principal aqui é que o comunismo está morto; há muitos anos Gorbatchev é um ambientalista e a Perestroika, embora fosse uma boa proposta de reforma, morreu junto com a União Soviética. O que ficou do comunismo não foi a eliminação do analfabetismo, mas o atropelo de incontáveis vidas humanas em nome de abstratas leis da história. Os militantes não se importam com isso, porque militante político não se importa com vidas humanas, apenas com a ideologia e o partido.

  6. Lúcio Júnior Espírito Santo 10/09/2013 / 11:51

    A historiografia que defende Stálin é minoritária mesmo na Rùssia, mas é mais escutada do que aqui, tem algum prestígio. Veja o que essa americana, Cathy Young, disse sobre Zhukov:

    yes, the rest of Zhukov’s claims are just as reality-based.

    Again: this is not some wacko with a website. It is a man holding a prestigious post at the History Institute of the Russian Academy of Sciences. A man who expresses repulsive pro-Stalinist views with a flavor of anti-Semitism (what, us? build memorials to some dead Jews? whatever for?) and an even stronger flavor of what can only be called Russian fascism. A man who sounds as stupid as he is vile.

    http://cathyyoung.wordpress.com/2009/05/15/what-russias-battle-against-wwii-revisionism-is-really-about/

  7. Lucio Jr 10/09/2013 / 14:05

    Ah, nem tanto. Os gulags eram como aquele lugar onde ficou o Puhi no filme do Bertolucci, o Ultimo Imperador. Mas não se preocupe. Vc em alguns meses se recupera. Veja como filme do Bertolucci e veja que curioso o gulag: o Puhi ficava vendo filmes sobre o fascismo, escrevendo sobre a própria vida, fazendo jardinagem…Eu te mandaria para um lugar desse.

    • Bertone Sousa 10/09/2013 / 21:26

      Se depois desse documentário você continua achando que o Gulag é uma colônia de férias, aí não há mesmo o que mais discutir. Que você me mandaria pra um gulag se pudesse, disso eu não tenho dúvida. Quem defende governos totalitários não tolera qualquer forma de crítica ou oposição. É mais cômodo a eliminação física e humilhação por trabalhos forçados. Depois dessa, não vejo mais razão pra essa discussão continuar.

  8. Lucio Jr 10/09/2013 / 14:10

    Quê isso, ele é muito mais lembrado que o Lênin! Estão voltando as estátuas do Stálin lá. E o tempo dele ficou como um tempo bom na memória do povo. Virou até capa de livro didático recentemente e de ônibus. O hómi tá voltando com força total!

    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/20941/livro+didatico+sobre+stalin+causa+polemica+na+russia+e+pode+sair+de+circulacao.shtml

    http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/onibus-com-o-rosto-de-stalin-voltam-no-aniversario-de-stalingrado,64abcf677e29c310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

    • Bertone Sousa 10/09/2013 / 21:38

      Essa história de “ser bom para o povo”, eliminar o desemprego e transformar uma nação numa potência industrial também se aplica ao terceiro Reich. Na Alemanha e outras partes da Europa há muitos saudosistas de Hitler e do nazismo, mas e daí? Isso não significa que o regime tenha sido humanista e não tenha cometido atrocidades, a despeito das tentativas dos revisionistas de negar o Holocausto, algo muito semelhante com o que revisionistas fazem com relação ao stalinismo. Que ditadores assim permanecem na memória coletiva e com bastante nostalgia é algo relativamente comum.

  9. Zé Carlos 10/10/2013 / 12:31

    Muito engraçado a fúria das olavetes nesse vídeo porque o professor Brian Reynolds Myers, que estudou o regime por 20 anos, diz que é um regime de extrema direita por conta do ultranacionalismo e da ideia de que existe uma hierarquia de raças

  10. Estou eu lá no vídeo discutindo com os olavetes. É dureza, professor Bertone

    Vamos ver o que o respeitado jornalista Christopher Hitchens tem a dizer sobre o regime coreano baseado em Myers

    ” The whole idea of communism is dead in North Korea, and its most recent “Constitution,” “ratified” last April, has dropped all mention of the word. The analogies to Confucianism are glib, and such parallels with it as can be drawn are intended by the regime only for the consumption of outsiders. Myers makes a persuasive case that we should instead regard the Kim Jong-il system as a phenomenon of the very extreme and pathological right. It is based on totalitarian “military first” mobilization, is maintained by slave labor, and instills an ideology of the most unapologetic racism and xenophobia.
    Consider: Even in the days of communism, there were reports from Eastern Bloc and Cuban diplomats about the paranoid character of the system (which had no concept of deterrence and told its own people that it had signed the Non-Proliferation Treaty in bad faith) and also about its intense hatred of foreigners. A black Cuban diplomat was almost lynched when he tried to show his family the sights of Pyongyang. North Korean women who return pregnant from China—the regime’s main ally and protector—are forced to submit to abortions. Wall posters and banners depicting all Japanese as barbarians are only equaled by the ways in which Americans are caricatured as hook-nosed monsters. (The illustrations in this book are an education in themselves.) The United States and its partners make up in aid for the huge shortfall in North Korea’s food production, but there is not a hint of acknowledgement of this by the authorities, who tell their captive subjects that the bags of grain stenciled with the Stars and Stripes are tribute paid by a frightened America to the Dear Leader.

    Myers also points out that many of the slogans employed and displayed by the North Korean state are borrowed directly—this really does count as some kind of irony—from the kamikaze ideology of Japanese imperialism. Every child is told every day of the wonderful possibility of death by immolation in the service of the motherland and taught not to fear the idea of war, not even a nuclear one.

    The regime cannot rule by terror alone, and now all it has left is its race-based military ideology. Small wonder that each “negotiation” with it is more humiliating than the previous one. As Myers points out, we cannot expect it to bargain away its very raison d’etre.

    All of us who scrutinize North Korean affairs are preoccupied with one question. Do these slaves really love their chains? The conundrum has several obscene corollaries. The people of that tiny and nightmarish state are not, of course, allowed to make comparisons with the lives of others, and if they complain or offend, they are shunted off to camps that—to judge by the standard of care and nutrition in the “wider” society—must be a living hell excusable only by the brevity of its duration. But race arrogance and nationalist hysteria are powerful cements for the most odious systems, as Europeans and Americans have good reason to remember. Even in South Korea there are those who feel the Kim Jong-il regime, under which they themselves could not live for a single day, to be somehow more “authentically” Korean.

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    Here are the two most shattering facts about North Korea. First, when viewed by satellite photography at night, it is an area of unrelieved darkness. Barely a scintilla of light is visible even in the capital city. (See this famous photograph.) Second, a North Korean is on average six inches shorter than a South Korean. You may care to imagine how much surplus value has been wrung out of such a slave, and for how long, in order to feed and sustain the militarized crime family that completely owns both the country and its people.

    But this is what proves Myers right. Unlike previous racist dictatorships, the North Korean one has actually succeeded in producing a sort of new species. Starving and stunted dwarves, living in the dark, kept in perpetual ignorance and fear, brainwashed into the hatred of others, regimented and coerced and inculcated with a death cult: This horror show is in our future, and is so ghastly that our own darling leaders dare not face it and can only peep through their fingers at what is coming.”

    • Bertone Sousa 10/10/2013 / 19:26

      Benário, muito pertinentes essas considerações sobre racismo, xenofobia e ódio no país. Isso complemente muito bem o documentário. E veja que Hitchens, apesar de não ter sido historiador profissional, não cai na armadilha de equiparar o fascismo ao comunismo. Obrigado pela contribuição.

  11. “Nando Bs 4 horas atrás
    bbc desinformando, tática comum dos comunistas. Extrema direita meu ovo. Todo regime socialista é assim. Igualzinho na Venezuela”
    “Pérsio Menezes 10 horas atrás
    O nome dessa “porra” é “marxismo cultural”.

    Bertone, juro que dou muita risada com esse povo para quem tudo é conspiração comunista ou marxista cultural

    • Bertone Sousa 10/10/2013 / 22:54

      Benário, nem compensa discutir com essa turma, não passam de trolls. Aqui tenho de bloquear os comentários deles, senão eles não param de poluir o blog.

  12. Percebo também que um dos lados da segunda dicotomia política, depois de esquerda-direita, apresentada pelo Norberto Bobbio, extremismo-moderação, apega-se as suas ideias com fervor religioso. Os extremistas de esquerda e direita são um perigo para a democracia e para o debate honesto de ideias.

  13. Jonatan Freitas 13/10/2013 / 11:16

    Bertone,

    Novamente ouço falar do Marxismo cultural (pelo comentário do seu leitor, o Sr Benário) e me ocorreu que do ponto de vista de um olavete, o Sr. Bertone não tem nenhum crédito em suas argumentações pelos seguintes motivos:
    1° O homem é ateu. Abominável a estrema direita.
    2° Seus textos são propensos à esquerda moderada.
    3° É professor universitário, e tudo que é lecionado dentro do ensino superior foi adulterado pelo Marxismo cultural.

    Em suma: estamos vivenciando uma grande conspiração. Não há conspiração sem conspiradores, quem são esses conspiradores?

    Benário,

    Este título “anticoxinhas” remete ao Coxa? Sou sulista, porém não extremista. Paz!

  14. Matheus Assumpcao 30/01/2014 / 20:39

    Caro Bertone,
    outro dia estava lendo um texto do New York Times escrito por um dissidente norte coreano, um ex comandante que fugiu pra China, e fiquei chocado quando ele disse que lá se “ensina“, , ou melhor se doutrina (ou se programa as pessoas) que quem começou a guerra forma os sul coreanos. É tipo 1984 mesmo, já estão dizendo que 2 + 2 = 5.
    http://www.nytimes.com/2013/04/27/opinion/global/The-Market-Shall-Set-North-Korea-Free.html?pagewanted=all

    Outro texto interessante: http://mercadopopular.org/2014/01/mais-estranho-que-a-ficcao-coreia-do-norte-em-tres-atos/

  15. Roni Kurono 28/06/2014 / 18:38

    Bertone, tenho uma dúvida: é verdade que os ditadores dos regimes comunistas perseguiam a religião não porque eram ateus, mas por que não queriam ter que disputar a adoração da população com outros deuses, queriam adoração exclusiva para eles? Caso não seja isso, poderia explicar o real motivo? Obrigado! 🙂

    • Bertone de Oliveira Sousa 28/06/2014 / 19:31

      Roni, no caso do Stálin há fortes indícios de que ele realmente era ateu. A questão nem chega a ser essa, mas que esses regimes emergiram das ruínas de autocracias seculares (no caso da China, milenar) e herdaram muitos elementos delas. O conceito do culto à personalidade veio daí e o tratamento com a religião também está ligado à noção de “novo homem” que esses regimes tentaram impor verticalmente e à ideia de banimento da religião que eles interpretaram literalmente da Crítica à Filosofia do Direito de Hegel, de Marx. E isso aconteceu paralelamente à institucionalização do culto ao Estado. Foi o caminho mais rápido que eles encontraram de substituir a religião na consciência coletiva.

      • Mateus Roger 23/04/2016 / 19:06

        Professor, mas os senhor não disse que o governo da era Stálin não era ateu, devido ao culto ao líder e à adoção do comunismo como verdade absoluta?

    • Roni 28/06/2014 / 20:16

      E no caso da Coreia do Norte? Eles proíbem bíblias porque não se pode adorar outro “deus” que não seja o Kim?

  16. Roni 28/06/2014 / 20:23

    É que estou escrevendo sobre a Coreia do Norte, e aí tem um trecho que eu escrevo assim, queria saber se está certo:

    “Muitos pensam que nos regimes comunistas a abolição da religião acontecia e acontece por que os ditadores são ateus. Ledo engano. A abolição da Religião acontece nestes regimes por que os ditadores não querem ter que disputar a adoração da população com outros deuses. Querem adoração exclusiva para eles. É o caso da Coreia do Norte que proíbe até mesmo bíblias, para que somente alguns deuses sejam adorados por lá: os líderes norte-coreanos supremos do passado e o atual, Kim Jong Un.”

    • Bertone de Oliveira Sousa 29/06/2014 / 12:16

      Como eu disse, é importante contextualizar isso a partir da herança política e cultural que esses regimes receberam e também pelas ações do Comintern de subordinar as ações de todos os partidos comunistas ao PCUS; nesse caso o culto a Stálin acompanhou o culto aos líderes locais. No caso da Coreia da Norte, ainda existe a crença no caráter sagrado da montanha Baekdu, de onde eles acreditam que possuem uma origem divina, inclusive seus líderes. Já na URSS o culto à personalidade não foi mais incentivado a partir de 1956, embora a religião continuasse a ser perseguida. Os líderes soviéticos eram de fato ateus, mas no caso da Coreia isso não é verdade. Lá os líderes são realmente considerados deuses, mas isso não aconteceu no leste europeu, em Cuba e não acontece mais na China. As religiões são proibidas para não concorrerem, como cosmovisão, com a ideologia estatal, que abarca todas as esferas da vida.

    • Roni 29/06/2014 / 15:23

      Valeu, Bertone! Vou consertar.

    • Bertone de Oliveira Sousa 08/01/2016 / 12:12

      Oi Taise, obrigado por ler e comentar. Essas imagens são usadas pelo regime com fins de propaganda, justamente para que as pessoas pensem isso que você vê o pessoal dizendo. Mas se a gente analisar as características dos totalitarismos, veremos que a propaganda é um dos principais meios de vender a imagem de uma sociedade (quase) perfeita e bem distante do cotidiano da maioria das pessoas. E você está, desonestidade intelectual é o que os defensores desses regimes mais praticam. Barbara Demick, que foi correspondente de um jornal na Coreia do Norte por anos escreveu um livro interessante sobre o assunto: “Nada a invejar, vidas comuns na Coreia do Norte”, ela também usou fontes, consultou bibliografias e entrevistou várias pessoas, teve o cuidado de conferir a veracidade dos depoimentos até onde lhe era possível. É possível baixar o livro no site minha teca.

  17. Marcus Canesqui 07/06/2017 / 11:38

    Recentemente, um artigo salvo engano da própria BBC (não tenho o link) divulgou documentos secretos da CIA e do MI6 em que essas agências patrocinaram escritores para escreverem livros e artigos falando mal do comunismo, etc. Entre os escritores estava o próprio George Orwell. Não sei se o livro 1984 especificamente tem a ver com isso, mas essa reportagem mostra o que agências de espionagens eram capazes de fazer para disseminar a propaganda e desinformação. No Brasil também ocorreu o mesmo, a CIA financiou organizações que realizavam propaganda anti-comunista. Claro que a URSS deve ter feito a mesma coisa, mas o acesso a esses documentos é mais difícil.

  18. Steve 22/09/2017 / 4:10

    Deveriam fazer armas nucleares capazes de explodir o planeta inteiro, de tanto ódio que sinto por essa merda chamada ser humano

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