A Bíblia e a História

mar_vermelho_History Channel possui uma série de documentários chamada “Em Busca do Tesouro Sagrado”. Um deles fala sobre a busca de um arqueólogo pela Arca da Aliança, um artefato muito mencionado na Bíblia, no Antigo Testamento, em formato de baú, que os antigos hebreus acreditavam conter a presença de Deus. Além disso, era um símbolo que eles acreditavam que lhes garantia vitórias nas guerras. A arca passava a maior parte do tempo no antigo Templo de Salomão e não se tem notícias de seu paradeiro desde a diáspora. Ao final, o arqueólogo é informado de que a Arca estaria guardada em uma igreja na Etiópia. A igreja é vigiada por alguns homens armados e um ancião, que nunca sai de lá, é o único que pode vê-la. O pesquisador não pôde confirmar se se trata do mesmo artefato dos antigos hebreus e lamentou não permitirem que a visse embora possa ter chegado muito perto.

Mas algo que me chamou a atenção foi outro tema abordado no mesmo documentário: trata-se da travessia dos hebreus do Mar Vermelho quando fugiam do Egito. No livro do Êxodo, a história é narrada a partir de uma ação sobrenatural: ao saírem do Egito, Deus teria ordenado a Moisés para tocar o mar com seu cajado que se partiu ao meio, possibilitando aos hebreus atravessarem. Quando o exército egípcio veio em perseguição com o faraó à frente, o mar se fechou novamente matando todos eles afogados. A narrativa termina com os hebreus vendo os cadáveres dos egípcios na praia na manhã seguinte.

Do ponto de vista da história e da arqueologia, essa narrativa, como muitas outras que compõem o Velho Testamento, é alegórica, ou seja, não se refere a um fato histórico, mas uma metáfora que objetivava constituir uma identidade fundacional de Israel. Mas no documentário alguns cientistas tentam fornecer uma explicação científica ao fato. Para eles, a abertura do mar em duas colunas foi possível porque durante toda a noite anterior ventos de mais de 100 km/h teriam atuado sobre a desembocadura do Nilo causando a tal abertura e permitindo que os hebreus atravessassem.

Mas esses cientistas encontraram uma dificuldade na explicação: na narrativa do Êxodo, os hebreus contavam seiscentos mil homens. Somando a isso mulheres e crianças, é possível que seu número passasse de um milhão. O livro diz ainda que havia muitas ovelhas, gado e outros animais. A questão que os intrigou foi: com tanta gente e tantos animais, como os hebreus podem ter passado e os egípcios  se afogado todos se vinham logo atrás? Por isso, os cientistas estimaram que o número de hebreus fosse menor do que o descrito na Bíblia, implicando dizer que quem a escreveu se enganou na contabilidade. A tese chega a ser menos crível do que uma ação sobrenatural direta, mesmo porque implicitamente ainda remete a ela. Mas, se o mar se abriu como consequência dos fortes ventos da noite anterior, por que os hebreus pararam quando chegaram à praia e reclamaram com Moisés dizendo que era melhor ter ficado no Egito a morrerem ali? E por que Moisés precisou ter tocado o mar com um cajado se ele já estava aberto?

Nem sempre cientistas dizem coisas que fazem sentido e, nesse caso, um pouco de leitura antropológica não lhes faria mal. Não existe nenhuma outra fonte, fora da Bíblia, que mencione esse acontecimento. E, dada a sua peculiaridade – a morte de um faraó e de um exército com seiscentos carros e a fuga de cerca de um milhão de pessoas – esse evento deveria constar em outros documentos egípcios. Essa, no entanto, não foi a única ocasião em que pesquisadores tentaram provar a literalidade de uma narrativa bíblica. Já tentaram encontrar a arca de Noé no monte Ararat, provar que houve gigantes no passado (como descrito em Gênesis cap. 6), que o dilúvio foi uma inundação universal, que Sodoma e Gomorra foram de fato destruídas com fogo, entre outras coisas.

O que muitas pessoas ignoram é que, embora a Bíblia seja a principal fonte que temos para conhecermos a história do judaísmo antigo, seus autores não pretendiam escrever narrativas literais e cronológicas. Ou, falando em outras palavras, a bíblia está mais próxima de Homero do que de Heródoto. Se fizermos uma leitura literal dela, simplesmente não fará sentido e encontraremos inúmeras contradições. Logo no início, há duas narrativas da criação:  na primeira, o homem é o último a ser criado; na segunda, é o primeiro. Mesmo a Igreja Católica não faz mais essa leitura e reconhece que seu autor não foi Moisés. A edição pastoral da Bíblia, publicada pela editora Paulus, por exemplo, vem com as seguintes notas de rodapé nesses trechos: “A narrativa da criação não é um tratado científico, mas um poema que contempla o universo como criatura de Deus. Foi escrito pelos sacerdotes no tempo do exílio da Babilônia (586-538 a.C.). […] A segunda narrativa, elaborada no tempo do rei Salomão (séc. X a.C.), se originou entre nômades que viviam no deserto; para eles, terra seca é sinônimo de ausência de vida. Por isso imaginam, como início da criação, a chuva e a possibilidade de o homem encontrar água. A grande bênção inicial é, portanto, a água”.

Narrativas como a do dilúvio são encontradas em variadas culturas e com graus de semelhanças notáveis. Para as culturas antigas, que se estabeleciam à margem de rios para praticarem agricultura, inundações de grandes proporções eram universais porque o mundo se limitava à região que conheciam. Um relato como o da Torre de Babel evidencia a preocupação em explicar a variedade linguística entre culturas que coexistiam num mundo onde ainda não existiam escolas de idiomas e a maior parte das pessoas não dominavam a escrita. Interpretá-lo literalmente seria subestimar a inteligência de um deus onisciente: como ele poderia não saber que era impossível aquela torre chegar aos céus?

Como o Alcorão e os demais livros sagrados de sua época, a bíblia é composta por poesias e metáforas que objetivavam explicar como a ordem surgiu do caos. Nas tradições suméria e babilônica, esse processo havia sido resultado de uma feroz guerra entre deuses; para os hebreus, o resultado da ação de apenas um deus. Porém, isso não significa que Deus seja o mesmo personagem em todo o Antigo Testamento. Jack Miles, autor do livro Deus, uma biografia, estudou a evolução de Deus como personagem literário na Bíblia, enfocando que ele é construído como um “amálgama de diversas personalidades num único personagem”.

Miles demonstra que, a partir dessa perspectiva, Deus é muito mais humano do que propriamente divino. Por isso, ele começa tomando como exemplo justamente as duas narrativas da criação. Na primeira, Deus é Elohim e, na segunda, Yahweh Elohim, ou, literalmente, Senhor Deus.  São diferenças sutis mas que revelam dois estilos distintos de escrita e duas concepções também distintas de Deus e da humanidade. Entre essas diferenças, Miles destaca que, no primeiro relato da criação, o homem é criado para ser a imagem de  Deus e, no segundo, o homem jamais é descrito dessa forma. Por isso ele estabelece um paralelo entre o que chama de relato eloísta e relato javeísta, duas narrativas que rivalizam em todo o Velho Testamento.

Para ele, Gênesis e Êxodo apresentam o que seria a infância de Deus, com mudanças abruptas e dramáticas na narrativa. Em Levítico começa a haver uma domesticação da figura divina que o autor chama de “muito mais elaborada e simbólica”. A partir de então ele vai destrinchando esses relatos num estudo literário minucioso de todo o Antigo Testamento, desvelando as qualidades intrinsecamente humanas e contraditórias de Deus. Outro ponto de seu trabalho é mostrar que a consciência que Deus tem de si mesmo é muito imperfeita nos diferentes estágios da antiga história judaica e só muito lentamente vai se cristalizando; um Deus que inicialmente se satisfaz com sacrifícios de sangue, mas depois os repudia, que tenta se mostrar misericordioso mas também é vingativo. É apenas no contato com a alteridade, isto é, com o povo escolhido, que essa consciência ganha forma, por meio dos diálogos, ameaças, promessas, não cumprimento de promessas, demonstrações de ciúmes, ações não planejadas, imprevisíveis e desastrosas. A maior parte do tempo Deus age de forma arbitrária. Destrói o mundo com um dilúvio, depois se arrepende e promete não mais fazê-lo. Em Josué, ordena pilhagens, massacres de crianças e mulheres. Como personagem literário, a fúria é uma de suas principais características e, sempre que é acometido por ataques de cólera, muita gente morre. Os traços contraditórios da personalidade de Deus atravessam os diferentes estilos de escrita que compõem o Antigo Testamento e só podem ser decifrados com uma leitura cuidadosa e um conhecimento do contexto histórico e cultural em que esses relatos foram produzidos.

Voltando à questão da história, o que hoje compreendemos por narrativa histórica simplesmente não fazia parte do universo mental do homem antigo, embora os hebreus tenham inaugurado a concepção de história com início, meio e fim. Mas seus relatos não eram descrições factuais, literais dos eventos que pretendiam narrar. O mesmo pode ser dito do Novo Testamento. Hoje sabemos que os Evangelhos são variações de uma mesma fonte (Marcos) e, assim como no Antigo Testamento, foram escritos a partir de materiais não históricos. Os evangelhos de Mateus e Lucas tiveram vários trechos copiados de Marcos, mas também o modificaram em várias ocasiões. Em Marcos, Jesus morre em desespero sem saber sequer o motivo e se sentindo esquecido e abandonado; Lucas já o apresenta como alguém que possui total controle da situação e permanece calmo o tempo todo. Já o evangelho de Mateus é claramente anti-judaico e bem enfático na ideia de que os judeus mais religiosos não seriam salvos. Os relatos sobre a Paixão também diferem entre si: em Marcos Jesus morre na manhã de sexta-feira após ter feito a refeição da Páscoa na noite anterior. Em João ele não faz a tal refeição e ainda é crucificado no dia anterior.

João foi o último evangelho a ser escrito e apresenta um Cristo radicalmente diferente dos outros três. Em João, Jesus nunca conta uma parábola, não fala por aforismos, mas faz longos discursos, nunca fala sobre a vinda do Reino de Deus, não se fala onde ele nasceu nem se nasceu de uma virgem, não é julgado por nenhum conselho judaico nem institui nenhuma ceia. João foi escrito no final do primeiro século quando a promessa da vinda de um Reino de Deus antes que aquela geração morresse já não fazia sentido; por isso o autor do evangelho ressignifica toda a mensagem lhe dando uma conotação estritamente espiritual. Nenhum dos evangelhos foi escrito pelos que os nomeiam. Todos possuem autores anônimos e acréscimos feitos posteriormente. Os discípulos de Jesus não poderiam ter escrito evangelhos e cartas porque eram camponeses analfabetos. Além disso, os evangelhos foram escritos em grego, língua que os discípulos não dominavam.

A Bíblia está repleta de pontos de vista diferentes, expressos por autores vivendo em contextos diferentes e com motivações e intenções também diferentes. Uma característica dos livros do A.T, por exemplo, é a ausência de uma crença em vida após a morte e os livros de Jó e Eclesiastes chegam a afirmar explicitamente que ela não existe. Já o Novo Testamento foi inteiramente escrito com base na esperança, primeiro, da vinda de um Reino de Deus à Terra (nesse sentido sendo uma continuação do que os judeus acreditavam) e, segundo, devido à demora da vinda do Reino, seu adiamento para outra existência, após a morte. Apesar dos arremedos feitos pelos autores do N.T. para tentar conciliar suas narrativas como cumprimento de profecias do A.T., são concepções bem distintas de Deus e de mundo.

Falei anteriormente que nenhuma outra fonte fora da Bíblia comenta sobre a fuga dos hebreus do Egito atravessando o Mar Vermelho. O mesmo pode ser dito de outros relatos, como o massacre  de crianças por Herodes, após o nascimento de Jesus, ou sobre o censo realizado por Augusto relatado em Lucas. Os evangelhos de Mateus e Lucas traçam uma genealogia de Jesus a partir de José, o que não faz sentido se José não era seu pai. Uma genealogia correta teria que partir da linhagem de Maria mas nenhum dos dois autores faz isso, o que significa dizer que as genealogias que apresentam não são a de Jesus. Além disso, em Mateus há 42 nomes entre Abraão e Jesus e, em Lucas, 57. Os relatos dos evangelhos contêm datas e eventos que divergem entre si, que vão da genealogia de Jesus, passando pelo local de seu nascimento até os eventos relativos à Paixão e crucificação, o que torna sua confiabilidade histórica ainda mais problemática.

Mas se a bíblia não é um relato histórico preciso, podemos dizer que é um entre muitos exemplos de literatura antiga que nos revela a força do mito como elemento de integração cultural, de protesto social e de expressão de sentimentos. Ela apenas pode fazer sentido para pensarmos nossa cultura se a vermos como uma pluralidade de vozes, de discursos, de gêneros literários que refletiam os desejos, as ansiedades, os preconceitos e as necessidades de variados grupos judeus na Antiguidade. São vozes dissonantes que falam ora contra a dominação estrangeira e ora contra a corrupção e as injustiças dos ricos contra os pobres. Mas também contém assassinatos, extermínios, estupros, trapaças, injustiças. Longe de ser um manual infalível de inspiração sobrenatural, a Bíblia é um livro humano, demasiado humano. Talvez se as igrejas e as escolas mostrassem esses matizes que a compõem como literatura teríamos evangélicos e católicos (carismáticos, principalmente) menos ignorantes em nossa sociedade.

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24 thoughts on “A Bíblia e a História

  1. Jonatan 29/05/2013 / 3:02

    Se por um lado existem céticos utilizando os recursos da ciência para desqualificar as escrituras do outro também existem religiosos tentando qualificar seus pontos de vista utilizando da ciência, É um eterno cabo de guerra.
    Poderia “lincar” aqui alguns sites que conheço mas não tomo partdo nisto, o interessante que isso não incomoda os hebreus (apesar de não acreditarem no novo testamento)
    Prefiro não tentar explicar o milagre…

    • Bertone Sousa 29/05/2013 / 11:58

      Jonatan, eu não diria que os céticos querem desqualificar escrituras religiosas. Alguns pode ser, mas não é a postura geral dos pesquisadores. Uma vez que os religiosos entram no campo da ciência para tentar provar a literalidade de alguns relatos, eles abrem o debate. Isso é importante porque ou pode trazer mais esclarecimentos ou lançar ainda mais dúvidas. Já vi algumas reportagens do que falas do tipo provar o dilúvio e outras coisas, mas no final fica a mesma dúvida com relação àqueles que falam de interferência alienígena na Antiguidade: não se consegue passar do campo da especulação para o da evidência empírica ou, pelo menos, não se consegue apresentar evidências suficientes. Por isso o milagre é chamado assim, não é da ordem do natural, por isso não tem explicação. Isso não incomoda os judeus nem os muçulmanos porque, diferente do que aconteceu nas culturas cristãs, entre eles não houve uma separação conflituosa entre fé e ciência.

  2. Jonatan 01/06/2013 / 14:34

    Bertone,
    Voltei a generalizar, acredito na ciência séria,a desqualificação não é uma conduta geral dos estudiosos.
    O que realmente encontro é material de pouca confiabilidade na rede, muita trolagem e fakes o que torna qualquer pesquisa “séria” suspeita, o seu exemplo dos alienígenas é clássico.
    Uma pergunta: Qual é o sistema governamental atual de Israel? Ou do oriente médio em geral?

    • Bertone Sousa 01/06/2013 / 18:44

      Na rede realmente é difícil encontrar bons materiais sobre o assunto, especialmente em português. Israel é uma República parlamentar, o mesmo caso da Turquia, os outros países depende, são muitos.

  3. Josy Onetta 30/09/2013 / 16:22

    Boa tarde professor…
    Que especulação é essa sobre influência alienigena na antiguidade?

    • Bertone Sousa 30/09/2013 / 19:13

      Josy, isso é só bagatela. Há uma série de estudos realizados por alguém que tentou acreditar nessas teorias, estudou e descobriu fraudes gritantes. Digite no Youtube: “Alienígenas do Passado desmascarado”.

  4. Josy Onetta 01/10/2013 / 16:42

    Ah sim, já tinha ouvido falar do assunto, mas não sabia q tinha sido objeto de estudo sério.
    Obrigada por responder e parabéns pelo blog.
    bjO

    • Bertone Sousa 01/10/2013 / 22:28

      Pois é, interessante o documentário, vale a pena conferir. Obrigado Josy, espero que continue como leitora. Bjo.

  5. Bruno Guedes 28/10/2013 / 23:24

    Perdi meu tempo lendo esta porcaria anti-cristã e marxista. Transformar tudo em luta contra dominação, injustiças sociais e tornar o Cristianismo uma alegoria para simplesmente destruí-lo, é isso que você faz neste post. As coisas são muito simples, Dr. Bertone: o Cristianismo só tem lógica se Cristo é Deus. Se não é Deus, não faz nenhum sentido e realmente nada vale. A vinda de Deus na terra é um fato histórico para o Cristianismo. É nisto que está sustentado. Não há sustentação alguma na teologia cristã, na moralidade cristã, se Deus não existir. Você sabe muito bem disto, afinal é um esquerdista, e por isso prega esta sua ideologia de desconstrução. Vi seu post de sexo e revolução e ali já quis comentar, mas deixei para lá. Só tive dó das pessoas que devem levar a sério o que você ensina. Tenho certeza que não vai publicar, passei aqui só para ver o nível da sua produção intelectual é só lamentar pelo lixo que é a educação no nosso país, qualquer um pode conseguir um doutorado… Acabei de ler o post do Olavo a seu respeito e quis ver com os meus próprios olhos teu nível. Me admira muito constatar que uma pessoa com tamanho conhecimento como o Olavo tenha perdido o tempo dele com um doutorzinho de documentários de Discovery….

    • Bertone Sousa 29/10/2013 / 0:28

      Bruno,

      deve ser muito difícil pra alguém como você saber e aceitar que eu existo, que escrevo neste blog, que as pessoas leem, aprendem e divulgam. Então você dá esse chilique. Eu escrevo pra pessoas que querem crescer intelectualmente, não para asnos como você.

  6. Alberto Benário 29/10/2013 / 1:05

    Ele podiam tentar provar a literalidade da Odisséia ou da Ilíada, afinal, ambos são até mais críveis do que o Velho Testamento.

  7. Alberto Benário 29/10/2013 / 1:42

    “como ele poderia não saber que era impossível aquela torre chegar aos céus?”

    Onde fica o Céu? É um lugar geográfico? Esses evangélicos não conseguem nem mesmo pensar nisso, que naquela época eles imaginavam que o céu era uma espécie de lugar geográfico, mas hoje sabemos que não é. E se Jesus subiu aos céus, ele foi parar em Marte?

    • Bertone Sousa 29/10/2013 / 1:50

      Alberto, isso mesmo, os significados sociais na antiguidade não apontavam o céu como uma metáfora; a lógica por trás da construção de zigurates era muito importante nesse sentido.

  8. Jonatan Freitas 30/10/2013 / 18:34

    Bertone,

    Em partes eu até concordo com o Bruno Guedes, isso dependendo da “maneira que se interpreta o livro”. Seus textos que abordam a religião são de teor não teológico, isto é, não tomam partido quanto a devoção ou a fé, o que os tornam pouco digestíveis para pessoas de fé. Isto é claro devido o sua ideologia ateísta.
    Como cristão concordo com Bruno que todo o cristianismo se baseia na existência de um Deus (nada digestivo para você) porém não me agrada o excesso de teorização da fé mesmo dentro do campo da teologia.
    Porém relacionar seu ateísmo como esquerdista, “anti-cristã” ou marxista já é outro assunto.

    • Bertone Sousa 30/10/2013 / 19:15

      Jonatan,

      o problema não é a questão da falta de fé. Por essa ótica até mesmo teólogos como Paul Tillich poderiam ser enquadrados como quase ateus. O problema é que o Bruno só conhece a interpretação da Bíblia que aprendeu na igreja. Ele não sabe que desde o século 18 existem outros enfoques sobre os textos bíblicos que redefiniram inclusive a própria teologia. Quando a ignorância, quando o dogmatismo e a falta de escolarização se juntam em escala exponencial, o resultado é isso aí que ele escreveu.

  9. Edson Almeida 31/10/2013 / 22:16

    Bertone, mais uma vez, parabéns pelo texto!

    Como você disse, também acredito que a Bíblia é um livro humano, demasiado humano.

    Contudo, o que se nota, principalmente entre lideres religiosos e outras pessoas que se dizem cristãs, é o fato de usá-la apenas no sentido de obter proveito próprio.

    Veja o caso da escravidão, por exemplo, alguns religiosos, como Marcos Feliciano, dizem que a ogirem dela provém da Bíblia, fundamentada em Gênesis 9:18-27, que indica a maldição colocada por Noé em seu filho Canaã para que este seja servo dos servos.

    No mesmo sentido é o caso dos dízimos que muitos líderes religiosos determinam que os fiéis devem pagar, caso contrário não serão abençoadas por Deus.

    Por outro lado, os líderes e cristãos não dão atenção a parte em que a Bíblia ensina que não se deve adorar a Deus eu ao dinheiro: “Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” Lucas 16:13

    No mesmo sentido, a Bíblia ensina também em Mateus 19,21 “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.” Mateus 19:21

    E como exemplo de solidadariedade e igualdade a Bíblia ainda ensina em Marcos 12,30-31 “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
    E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” Marcos 12:30-31

    Outro exemplo em João 15,11-12 “Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.
    O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. João 15:11-12

    Desse modo, acredito que o fato de grande parte das pessoas vir deixando de acreditar nas igrejas, principalmente a igreja católica, é a hipocrisia de alguns religiosos como o próprio Olavo de Carvalho que se diz ser católico conservador, mas que em nenhum momento ensina isso apara os seus seguidores ou que fundamenta algumas de seus escritos nesses fundamentos da Bíblia. Ou será que ele considera isso também um Marxismo Cultural!?

    O que eu penso é que, como faz Valdemiro Santiago, Marcos Feliciano, Edi Macedo e Silas Malafaia, Olavo de Carvalho diz e ensina exatamente aquilo que seus seguidores quer ouvir e aprender e com isso ganha o seu dinheiro (dízimo) dos trouxas que o seguem. Exemplo disso é esse Bruno Guedes aí em cima que tenta demostrar ser cristão com a bela frase: “o Cristianismo só tem lógica se Cristo é Deus. Se não é Deus, não faz nenhum sentido e realmente nada vale…”, Cristo é Deus ou filho de Deus? Essa é a opinião de um olavete que diz crer em Deus, mas que não se baseia em nenhum fundamento Bíblico para expressar sua opinião acerca de Deus. Isso mostra o quanto os seguidores de Olavo de Carvalho se perdem na própria contradição e hipocrisia que praticam e acreditam.

    • Bertone Sousa 31/10/2013 / 23:00

      Edson, por ter sido escrita ao longo de milênios por autores muito distintos, a Bíblia pode ser usada pra legitimar virtualmente qualquer posição política e social; e em nossa época, como o conservadorismo tá em ascensão, as leituras mais críticas têm sido substituídas por outras mais redutivas e elitistas, isso é sazonal.

  10. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 20/08/2015 / 0:53

    Professor,segundo o senhor disse os discipulos de Jesus eram camponeses analfabetos,por isso nao poderiam ter escrito os evangelhos,mas e o caso de Mateus,ao menos segundo o evangelho deste,nao sei outra fonte,ele seria um cobrador de impostos,um publicano,como Zaqueu era,e como estes ja tinham uma tendencia a corrupcao como hoje,poderia ser que Mateus disfrutasse de uma boa posicao social,e fosse classe media ou ate classe alta,caso fosse corrupto!

  11. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 20/08/2015 / 0:57

    O senhor acredita que ao menos Mateus,caso fosse realmente um cobrador de impostos poderia ser alfabetizado?

  12. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 20/08/2015 / 1:08

    E por que motivo alguem assinaria os textos biblicos com outro nome?Escreverem o Pentateuco usando o nome de Moises,os salmos usando o nome de Davi,e os evangelhos com o nome de Mateus,Marcos,Lucas e Joao,assim como as cartas paulinas,ha 100%de certeza nessas afirmacoes? E porque alguem escreveria os livros usando um nome falso?

    • Bertone de Oliveira Sousa 20/08/2015 / 13:41

      Gabriel, a questão não apenas se Mateus sabia escrever por conta de ser cobrador de impostos. Mesmo isso não seria suficiente pra ele escrever um evangelho. Os autores dos evangelhos eram falantes da língua grega, o que não se aplica a nenhum dos discípulos de Jesus. Os títulos desses livros (Mateus, Marcos, Lucas e João) foram adicionados por escribas para informar às pessoas quem eles achavam que tinha escritos esses livros. Ainda no caso de Mateus, ele é inteiramente escrito em terceira pessoa, sempre se referindo a Jesus e os discípulos como “eles”, não como “nós”, como seria natural pra alguém que teria vivenciado os fatos que descreve. Também não sabemos qual a posição de Mateus como cobrador de impostos, se era apenas um fiscal ou alguém que trabalhava diretamente para autoridades governamentais, mas nada indica que ele tivesse alta educação para dominar o grego, o que era prerrogativa das classes altas em todo o império romano e os discípulos de Jesus eram todos de classe baixa e falantes apenas de aramaico.

      Além disso, em algumas passagens os evangelhos apresentam certa ignorância dos costumes judaicos, o que indica que foram escritos por pessoas que viviam fora da Palestina. Outra coisa é que os autores desses evangelhos também não conheciam uns aos outros, o que faz com que suas narrativas sejam conflitantes em muitos aspectos. E isso não se aplica só aos evangelhos, a maioria dos outros livros do Novo Testamento são atribuídos a pessoas que não os escreveram. Isso era uma forma de conferir credibilidade a essas narrativas juntos às comunidades cristãs espalhadas pelo império. No caso das cartas de Paulo, do total de treze atribuídas a ele, os estudiosos têm certeza de autoria de apenas sete delas. Isso é conhecido como fraude literária e era uma prática comum em todo o mundo antigo, não apenas entre os autores do NT.

  13. astrofilo1 29/09/2016 / 23:12

    Olá Bertone. Qual sua opinião sobre o Rodrigo Silva? (apresentador do programa “Evidências” do canal ‘Novo Tempo’ da igreja adventista?

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