Lênin e o comunismo

LeninA noção de unidade de opinião dentro de qualquer classe trabalhadora, não importa como ela seja definida, é dificilmente menos fantasiosa do que a ideia de que um consenso universal seria alcançado na sociedade comunista do futuro.    Archie Brown

É necessário compreender os homens cujas ações se destacaram no seu tempo a partir disso mesmo, de seu próprio tempo. Mas isso não significa que eles devam escapar do julgamento da história e, ao contrário do que imagina Fidel Castro, a história pode não absolvê-los. Lênin é um desses personagens que não apenas marcou sua época, como marcou a posteridade por ter traduzido o marxismo para a história, materializando a revolução ocorrida no curso de uma Guerra Mundial, dois acontecimentos que definiram o mundo do século XX.

Mas Lênin também foi um personagem cuja vida foi obscurecida pela propaganda do regime que fundou e buscou perpetuar sua memória como herói, omitindo as fraquezas, os deslizes, as decisões equivocadas, as traições conjugais, o gênio autoritário. A construção do líder revolucionário como uma espécie (quase) sobre-humana, dotado do espírito vanguardista necessário à concretização de uma missão história, essa construção inaugurada pelo jacobinismo do final do século 18 e que a Revolução de Outubro deu continuidade, foi a mola mestra também da edificação dos regimes comunistas do século 20, que transformaram o culto à personalidade num poderoso instrumento de servidão coletiva.

Mas suas ações não podem ser avaliadas apenas pela dicotomia maniqueísta, seja pela mera adesão laudatória ou pelo discurso acusatório. Nesse aspecto, uma biografia recente de Lênin, de Robert Service – Lênin, a biografia definitiva – é uma das mais completas já publicadas. O autor se utilizou de uma pesquisa documental vasta, já que muitos documentos da história do regime soviético só vieram à tona paulatinamente após a derrocada do comunismo, e isso lhe proporcionou um olhar abrangente sobre a vida de Lênin, saindo das interpretações idílicas da era soviética. No final da introdução, Service fornece um vislumbre da ambiguidade que marca a figura de Lênin enquanto personagem histórico:

[…] Lênin realmente fez história. […] Em 1918, rechaçou uma invasão alemã da Rússia conseguindo que fosse assinado um tratado em separado […]. Em 1921, introduziu a Nova Política Econômica e salvou o Estado soviético de ser engolido pela rebelião popular. […] Nem tudo que Lênin fez foi cuidadosamente concebido. Em particular, não soube prever bem o que estava fazendo quando estabeleceu o Estado de partido único centralizado. Uma das coisas mais malignas do século XX foi criada mais por medidas improvisadas do que por um planejamento grandioso. E, no entanto, essa criação esteve longe de ser um completo acidente. […]

Seu legado institucional foi imenso. Lênin formou a Sovnarkom e desmanchou a Assembleia Constituinte. Lênin criou a Cheka. Lênin convocou a Internacional Comunista. O que foi mais básico: exerceu impacto sobre pressuposições. Lênin eliminou a preocupação com a ética. Lênin justificou a doutrina e o terror. Lênin aplaudiu a vanguarda política e a necessidade de liderança firme. Lênin convenceu seu partido de que o seu marxismo era puro e incorporava a única política correta. Em estratégia, as instituições e pressuposições exerceram um impacto duradouro sobre o socialismo de extrema esquerda, para o seu país e para o mundo.

No decorrer do livro, Service busca provar que ele era mais um agitador político do que um intelectual. Mas, de certa forma, ele buscou se aproveitar de uma flexibilidade ortodoxa do marxismo para, juntamente com seus correligionários, se colocar como legítimo intérprete das doutrinas de Marx. E isso consumiu a maior parte de sua trajetória de vida. Ao morrer, ele deixou uma doutrina política rigidamente estabelecida e pronta para ser posta em prática, mas que trazia muito mais elementos de sua personalidade e de suas leituras pessoais de Marx do que ele próprio poderia supor. Como herdeiro da Ilustração, Lênin acreditava na existência de uma verdade independente de interpretações, pronta a ser desvelada pela mente da mesma forma que eram as ciências naturais. Sua rejeição aos intelectuais que discordavam minimamente de suas posições estava no fato de acreditar estar de posse dessa verdade “pura”, infalível.

Service também fala que Lênin era indiferente ao sofrimento humano, referindo-se à sua frieza e inércia com as estatísticas das mortes ainda durante a Primeira Guerra. A partir de 1918, foi se tornando cada vez mais autoritário, com a família, os amigos, os colegas do partido. Sua defesa intransigente da ditadura do proletariado foi duramente criticada por outros marxistas, como Kautsky e Martov, que argumentavam que Marx não usou a expressão com frequência e não descartou a possibilidade de uma transição pacífica para o socialismo. Isso porque Marx observara a ascensão da classe média em sociedades capitalistas avançadas, que não se organizavam mais com base na polaridade entre burguesia dominante e classe operária empobrecida. A partir disso, Kautsky e Martov criticavam a aversão de Lênin pela democracia. Sobre isso, Service complementa:

[…] Lênin […] usava palavras, tais como “liberdade” e “democracia”, pejorativamente. Ridicularizava conceitos, tais como a divisão do poder entre autoridades legislativas, executivas e judiciárias. […] Parlamentarismo, para ele, era um objetivo espúrio. Não tinha tempo, portanto, para competição interpartidária, para pluralismo cultural ou para a defesa dos interesses de minorias sociais variadas. […] [O livro] O Estado e a Revolução foi descrito como desanimador devido a sua incapacidade de reconhecer os benefícios dos valores liberal-democráticos de governo. Até aí, isso é verdade. Mas a análise pode ir além: temos de reconhecer ainda que o livro não contém meramente a falta de proposição de liberdade civil universal, mas é de fato uma campanha clara e deliberada contra essas liberdades.

Não é possível compreender as características que o socialismo soviético assumiu a partir de 1924 sem um entendimento de como ele foi construído desde a subida dos bolcheviques ao poder. Stálin não foi um “traidor” da revolução, mas um continuador dela, da forma como havia sido esboçada por Lênin. Quando Stálin subiu ao poder, muitas pessoas já haviam sido assassinadas pelo ideal da revolução, as liberdades civis praticamente inexistiam e o Estado se tornava cada vez mais poderoso. Mas também é fato que, sob Lênin, a liberdade artística e outras manifestações desfrutavam de mais prestígio do que vieram a ter após 1924. Mas ele acreditava que, com o tempo, as coisas se encaixariam, a revolução alcançaria sua meta, a da construção da sociedade sem classes. Talvez por isso ele considerasse as formas democráticas de governo então existentes como desnecessárias e as desprezava.  Mas certamente Lênin não podia antever as consequências trágicas do Leviatã que estava fundando. Quando se deu conta, já era tarde, estava moribundo; tentou advertir seus camaradas a não deixarem Stálin adquirir muitos poderes, mas não poderia evitar o que estava para vir. Mas ele também já tinha aberto o caminho: as críticas ao governo minguavam à medida que diversos veículos de imprensa foram sendo fechados. Mesmo fora da imprensa, insatisfações com as posturas ditatoriais do governo eram frequentes. Após a tomada do poder, Lênin chamava a atenção para o fato de que não era necessário combater apenas a burguesia, mas também era preciso intimidar as massas. Naqueles anos turbulentos, manter o regime implicava aumentar o autoritarismo. Ele sabia bem disso, pois foi na “fraqueza” do governo provisório dos mencheviques que seu grupo aproveitou para tomar o poder.

O regime instituído por Lênin na Rússia poderia ser para os trabalhadores, mas não era por eles. Ele já havia se convencido de que os trabalhadores eram incapazes de se organizarem e adotarem políticas revolucionárias e que era necessário que eles e a revolução fossem organizados e comandados por intelectuais. O que se poderia esperar de um socialismo cujo líder apresentava essas características apresentadas pelo autor?

Também importante, quando seu pensamento foi ficando mais claro, era o empenho no centralismo, na hierarquia e na disciplina. Lênin, essencialmente queria que o Estado funcionasse, sob controle do partido bolchevique, como um motor de coordenação e doutrinação […]. A compaixão era julgada como um sinal indesculpável de sentimentalismo. A busca implacável dos objetivos do Partido era considerada como a tarefa suprema. […] Sua filosofia formal expressava desprezo por qualquer empenho absoluto em metas universais, como democracia, equidade e justiça social.

Rapidamente, o regime assumiu uma violência incontrolável. Nem seus camaradas escaparam do terror, pois muitos comunistas foram sumariamente executados. Houve enforcamentos públicos, fuzilamentos. Até mesmo seu primo, Vladimir Ardashev, foi morto acusado de pertencer à burguesia. À medida que o regime endurecia, mais pessoas se tornavam suas vítimas: camponeses, profissionais liberais, marinheiros, socialistas… A oposição ao regime não vinha apenas das potências estrangeiras que se opunham à Rússia, mas de vários setores da sociedade inconformados  com o autoritarismo do governo. Lênin até mesmo ordenou que falsos julgamentos fossem encenados para que servissem como “castigos exemplares”. Intelectuais que não fossem bolcheviques foram deportados e padres da Igreja Ortodoxa foram fuzilados. Campos de trabalhos forçados foram construídos, gás venenoso foi usado por aviões de bombardeio para eliminar focos de resistência no campo. Os tribunais e a Cheka (polícia política que depois virou KGB) ampliaram o uso do terror e da tortura como instrumentos de intimidação nos julgamentos. Não se comoveu nem tomou qualquer atitude quando foi informado que a crise e os surtos de fome estavam levando à difusão de casos de canibalismo. Por outro lado, continuava reafirmando a importância de ampliar o terror e da repressão. Lênin transformou o partido numa máquina de extermínio e doutrinação forçada e foi essa característica que os partidos comunistas assumiram em todos os lugares onde chegaram ao poder. Na conclusão do livro, Service foi incisivo:

O Estado criado por Lênin sobreviveu intacto por mais de sete décadas. O edifício foi levantado com extraordinária rapidez embora o planejamento arquitetônico tenha sido mínimo. Em 1917-19, sob a orientação de Lênin, o trabalho principal já estava feito. […] A política foi monopolizada e centralizada. As agências de coerção estavam sob firme controle do Partido. A economia foi penetrada pela propriedade e pela regulamentação do Estado. A religião foi sistematicamente perseguida. Aspirações nacionais eram vistas com graves suspeitas. A cultura artística e intelectual era rigorosamente patrulhada. A escolarização foi uniformemente comunizada. Leis eram aprovadas e suspensas conforme o capricho da liderança comunista, e as funções executiva, legislativa e judiciária do Estado foram sendo deliberadamente mescladas. Os governantes trabalhavam a sociedade como uma fonte de reservas a ser doutrinada e mobilizada. Foi iniciado um ataque a todas as organizações intermediárias que tivessem alguma independência do Kremlin.

Como disse anteriormente, não é possível compreender as feições que o comunismo assumiu no século 20 sem compreender o pensamento, a personalidade e as ações políticas de seu autor: Lênin. Não Stálin, nem Marx, mas Lênin. Vejo com muita desconfiança os setores da esquerda que ainda enaltecem Lênin, os sites e blogs espalhados pela internet que repetem acerca dele o culto da propaganda soviética. Levou décadas pra muitos perceberem que o marxismo não se reduzia ao leninismo e que o pensamento de autores como Edward Bernstein e Gramsci foram, quanto a isso, tanto um corretivo como uma alternativa não totalitária. A crença de Lênin de estar cumprindo as leis de desenvolvimento da história em direção ao comunismo o fez perder qualquer noção de humanismo. As inúmeras vítimas que ficavam pelo caminho não importavam desde que se mantivesse o ritmo e o poder do partido. Falando em nome de vários intelectuais, Perry Anderson afirmou em “O fim da História”, que eles eram socialistas não por causa da União Soviética, mas apesar dela.

É preciso separar o comunismo do século 20 do marxismo enquanto instrumento de crítica e orientação política, que não se limita a uma doutrina fechada voltada para a inexorável realização do ideal de uma sociedade sem classes. O livro de Robert Service, como outras obras que têm vindo a público nos últimos anos sobre líderes e regimes comunistas do século passado e que trazem de novo reflexões sobre fontes recentemente abertas, são importantes referenciais teóricos para se refletir episódios tão infaustos da história recente. Em mais de quinhentas páginas de texto, Service vai descortinando os meandros da vida do biografado em seus diferentes papéis: como filho, estudante, exilado, marido, amante, intelectual, estadista. Não deixa de ressaltar as doenças, as insônias e o temperamento crescentemente raivoso e intolerante que o levou a moldar o regime que fundou e que milhares de inocentes pagaram com suas vidas. O legado de Lênin está morto, mas a crítica como instrumento de transformação social sobrevive e precisa ser renovada sempre que alguém, um grupo ou um partido se colocam como seus legítimos intérpretes e julgam o poder mais importante do que aqueles em nome dos quais alegam falar.

Leia também: 

O que foi o comunismo

Para compreender Marx

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45 comentários sobre “Lênin e o comunismo

  1. Bruno Ribeirk 05/05/2013 / 13:15

    Uma coisa que eu nunca vou esquecer, quando eu li “O Livro Negro do Comunismo” e passei por uma parte que falava do confisco dos grãos dos camponeses russos promovido por Lênin em plena guerra civil. Bertone, você poderia me explicar mais sobre o Holodomor?

  2. Leonardo 19/05/2013 / 11:45

    Excelente matéria!
    Assuntos sempre enriquecedores.

    Parabéns Bertone!

  3. Sérgio Rodrigues 07/07/2013 / 10:45

    Meu caro, o problema desses “historiadores” – alguns refinados – é que eles não atacam ou criticam líderes – influentes e capazes ainda de influenciar – contrários ao capital e anti-imperialistas pelo que de fato eles eram ou deixavam de ser, mas pelo que representam: a derrubada do capital!…Essa é a mira. Eles poderiam serem mais honestos se explicitassem seus propósitos, a exemplo do que fazia o criticado!…

    • Bertone Sousa 07/07/2013 / 11:07

      Sérgio, você está enganado, não há ataques no texto. Foram décadas de culto à personalidade que esconderam elementos importantíssimos de sua gestão ou mesmo de sua atuação como revolucionário. Enquanto a esquerda não entender que propósitos não justificam genocídios vai continuar atolada nos velhos dogmas totalitários.

  4. Sérgio Rodrigues 07/07/2013 / 14:51

    Bertone, não há engano não. A postura é anticomunista mesmo!…Se despeja anualmente toneladas e toneladas de textos visando desqualificar os grandes líderes marxistas que abalaram as estruturas do capitalismo: Lênin, Stálin, Mao Tse Tung, etc..e continuam a influenciar. Afinal, se não há legado, por que bater em cachorro morto?. Curiosamente esses mesmos historiadores são lenientes com Trotski porque serve aos seus interesses na crítica aos demais. Bem, pelas contradições que encerra e as representações ideológicas a que se presta, não sou adepto da teoria do totalitarismo. A expressão dogma totalitário me diria alguma coisa se eu acreditasse em Deus. Prefiro a Teoria do Autoritarismo, de Florestan Fernades.

    • Bertone Sousa 07/07/2013 / 16:55

      Sérgio, você está confundindo investigação histórica com anticomunismo. E essa coisa de postura anticomunista só existe na cabeça de militantes limítrofes, é a típica retórica de militância stalinista dos anos 40 e 50. É preciso ser alguém muito, muito desinformado pra afirmar essas coisas a essa altura.

  5. Sérgio Rodrigues 07/07/2013 / 23:53

    Investigação histórica a serviço de quem e de que?…..

  6. José Portela 12/07/2013 / 11:54

    Sérgio, há uma famosa palestra de Chomsky em que ele é interpelado da mesma forma que você fez. Para ser honesto é necessário ser corajoso, e Chomsky, por mais críticas que mereça receber, deixa claro que não tem medo de apoiar o “mainstream” nesse ponto.

    Querer que se encubra fatos históricos vastamente fundamentado em documentos porque do contrário fortalecer-se-á o Capitalismo, ou mesmo o anticomunismo, não é honesto. Me desculpe, mas não é.

    Lenin fez o marxismo à sua maneira. E foi muito criticado pelos marxistas tradicionais, de esquerda. Todos sabem disso. Mas eu creio que é perda de tempo discutir essa nuance porque os mesmos czaristas estavam no poder depois da primeira revolução. Ou seja, o marxismo tradicional sequer arranharia o “establishment”. Lenin e Trotski acusaram isso imediatamente, isso está documentado e você pode conferir.

    Quem distorce a história pela imagem do comunismo são os comunistas. Criaram uma barreira entre Lenin e Stalin. Não acusam a extrema covardia e arrogância de Trotski. Querem convencer que Stalin, Mao, Pot e Fidel são assassinos porque são, coincidentemente, sujeitos psicopatas que assumiram o poder. Isso sim é investigação histórica a serviço de uma utopia. Não foi o Partido que mudou, ou Stalin. Foram as circunstâncias. E todo o registro histórico deixa muito claro que Lênin não faria muito diferente. Falta à maioria dos comunistas (não é o caso de Jacob Gorender, por exemplo) entender que nos regimes comunistas matar inocentes (porque o assassinato da oposição é tarefa obrigatória da revolução) não era uma questão de crueldade, psicopatia, intolerância. Infelizmente.

  7. José Portela 12/07/2013 / 14:05

    Faltou concluir: Infelizmente, o terrorismo e o genocídio foram, de certa forma, necessários para a sobrevivência desses regimes.

    • Bertone Sousa 12/07/2013 / 14:11

      José, a questão não é que foram necessários, eles foram inevitáveis pelas próprias idiossincrasias desses regimes. Como disse o Alain Touraine, os regimes marxistas estavam menos preocupados com justiça social do que com o cumprimento de leis da história. Por isso os extermínios foram não um acidente, mas uma etapa para o cumprimento das tais leis da forma como eram compreendidas por esses dirigentes.

    • Lúcio Júnior Espírito Santo 03/09/2013 / 9:20

      José, esse paradigma da guerra fria precisa mudar. A verdade é:Stalin foi democrata, Trotsky colaborou com os nazis e Kruschev mentiu.

      • Bertone Sousa 03/09/2013 / 18:52

        Lúcio, fico impressionado com sua capacidade de escrever bobagens sem problematizações históricas. Você é uma prova de que militante tem cabeça oca.

  8. Cristiano Alves 21/08/2013 / 12:42

    Professor Bertone,
    Alguma vez já leste algum livro de Ludo Martens? Lenin não oferece nenhuma “alternativa totalitária”, Lenin fornece uma alternativa científica que conseguiu mudar melhor o destino de centenas de milhões de pessoas!

    • Bertone Sousa 21/08/2013 / 20:03

      Cristiano,

      não conheço esse livro. Não existe nada de científico no marxismo-leninismo. Esse discurso já está superado há mais de meio século.

  9. Cristiano Alves 21/08/2013 / 12:59

    Discordo do autor quando ele fala em “extermínio”, a URSS não era um Estado fascista. Era um Estado de Direito Socialista com momentos de exceção, que ao contrário do Brasil era algo justificado. Alguém poderia dizer que “a ditadura existiu para defender o Brasil da comunista”, mas quantos Exércitos estrangeiros invadiram o Brasil no século XX? Quantos ameaçaram invadir nessa mesma época? Pergunto mais, quantos exércitos estrangeiros fizeram isso desde que o Brasil é independente?

    No caso russo, o país conhece invasões desde que a Rússia tinha sua capital em Kiev, fosse pelos varegues(vikings), pelos suecos, cavaleiros teutônicos, mongóis, franceses, japoneses, americanos, britânicos, etc, por causa de suas riquezas naturais! No caso soviético, soma-se a isso o fator político. Só na Guerra Civil, mais de 14 exércitos estrangeiros invadiram a Rússia bolchevista. Na IIGM, não foram só “alemães, italianos e japoneses”, o Exército Vermelho capturou até espanhóis e suecos, de países em tese “neutros”, estou falando de capturados, não de participantes. Isso além dos inúmeros casos mais que provados de sabotagem e terrorismo no período de paz, incêndio de fábricas, tentativas de assassinar Stalin, como Alexander Zinoviev admitiu em suas Memórias, escritas nos anos 90.

    Em outras palavras, o país precisava de alguém com mão de aço, senão enfrentaria o mesmo destino que a República Soviética Húngara ou o Chile de Alliende, que por sinal era um admirador de Stalin, todavia não seguiu o magíster.

    Isso tudo não é e nem nunca foi “totalitarismo”, é uma situação completamente diferente dos regimes fascistas, agressores. A URSS tomou uma posição defensiva em razão de suas próprias circunstâncias.

    • Bertone Sousa 21/08/2013 / 20:10

      Cristiano, de fato a Rússia oi invadida várias vezes antes e depois da Revolução. Mas o conceito de totalitarismo não se aplica apenas ao fascismo. Todos os regimes que se inspiraram no stalinismo seguiram não apenas seu viés totalitário , mas se tornaram genocidas também para com suas próprias populações, como na Albânia, China, Camboja e Coreia. No caso de Stálin, isso não tinha relação com invasões, mas com um projeto de poder absoluto.

  10. Cristiano Alves 27/08/2013 / 1:27

    Prezado professor Bertone Sousa, o conceito de totalitarismo não é um conceito absoluto, mas é fato que ele integra a ideologia anticomunista e está eivado de preconceitos e superficialismos, para não falar em mentiras.

    Primeiramente, não existe um “regime stalinista”, o único “regime de Stalin” era o de suas refeições. Existia sim um modelo socialista baseado nas premissas escritas por Marx e Engels, e nas obras de Lenin. Aliás, Stalin jamais clamou um “novo modelo”, ele clamou ser um continuador das obras de Lenin, ser seu aluno. A contribuição teórica de Stalin deu-se no campo da Questão Nacional(um termo mais educado e vanguardista que os bolcheviques usavam para “raça”, até hoje na Rússia pergunta-se sobre a “nacionalidade”, isto é, sobre a procedência étnica). O país que você chama de “totalitário” permitia o divórcio, ao contrário do Brasil, possuía milhares de jornais independentes, possuía críticas(como visto na música de Yuz Aleshovskiy e nas obras literárias de Bulgákov) e possuía eleições diretas e transparentes, exceto para o cargo de premier, proposta de Stalin rejeitada pelos demais membros do partido, como bem nos mostra o prof. Grover Furr, da Montclair University. O país que você chama de “totalitário” tinha casamentos entre pessoas de nacionalidades diversas, enquanto nos EUA negros e brancos não podiam se casar. Aliás, enquanto os EUA nem mesmo sonhavam em ter um presidente negro, a URSS já tinha um no soviete de Moscou, o jamaicano Robert Robeson, um dos milhares de imigrantes dos Estados Unidos que foram morar e trabalhar na União Soviética nos anos 30. Logo que país é “totalitário”? Enquanto o cinema americano fazia filmes nefastos como “The birth of a nation”, que apresentava negros como estupradores e criminosos, usado por décadas como filme de doutrinação no Ku Klux Klan, a URSS fazia filmes como “O circo”(Tsirk), que ridiculariza e debocha do racismo.

    É lamentável ver um professor como o senhor cair na mesma ladainha de Olavo de Carvalho & Cia ao falar em “genocídio para com a própria população”. Essa ideia não é apenas absurda, como absolutamente ilógica. A URSS era um país com carência de mão de obra, ela chegou a ter que importar mão de obra americana, que país com perdas consideráveis numa guerra civil iria querer “destruir sua própria população”? Ora, os nazistas aniquilaram os judeus na Alemanha e isso pode ser constatado por dados demográficos. A URSS, na época de Stalin, cresceu em milhões por ano. A população de russos, bielorrussos e ucranianos, longe de diminuir, cresceu, conforme nos mostram historiadores como A. Zemskov. De onde o tirou dados tão absurdos sobre tal “genocídio”?

    Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento jurídico sabe que “genocídio” é extermínio de povos. A ONU reconhece apenas dois genocídios, o dos judeus e o dos armenos. Há alguns não reconhecidos, por exemplo, a América não é mais habitada por americanos originais, mas por anglo-saxões que se denominam americanos. A Rússia é habitada por russos, Belarus por bielorrussos e a Ucrânia por ucranianos. Um estudo que reuniu mais de 5 diferentes historiadores, na American History Review, provou a fraude dos “milhões de mortos na URSS”. Está aqui o estudo: http://sovietinfo.tripod.com/GTY-Penal_System.pdf

    Há inúmeros estudos, a maioria em línguas estrangeiras, que provam a farsa das “milhões de vítimas do socialismo”, um produto da mitologia anticomunista que carrega em suas entranhas a Inquisição: http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html

    É por essas e outras que, infelizmente, a esquerda no Brasil não vai para frente, pois em vez de produzir conhecimento, ela prefere ficar refém do anticomunismo e reproduzir preconceitos e o discurso reacionário e genocida(esse sim genocida), empregado no extermínio de povos, para produzir tiranias intolerantes e excessivamente repressivas! Em vez de pesquisarem outras versões, preferem ser sectários quanto a uma versão. Em vez de pesquisarem “se Stalin matou”, preferem dizer que “stalinismo não é comunismo”. Faço minhas as palavras do magíster americano, “ainda estou para encontrar um crime, pelo menos UM, cometido por Stalin”, nome que não em vão, foi considerado como o 3º maior da Rússia numa pesquisa em 2008, após mais de 50 anos de mentiras e calúnias! Pelo visto, um fantasma ronda o mundo, o fantasma do stalinismo.

    • Bertone Sousa 27/08/2013 / 7:26

      Cristiano, não estou escrevendo ladainha não. Já existe uma bibliografia imensa mostrando os crimes de Stálin e é lamentável que ainda existam pessoas como você dispostas a defendê-lo. Stálin foi responsável pela morte de pelo menos vinte milhões de pessoas dentro do território que governava; mandou assassinar quase todos os seus colegas de partido que participaram da revolução e você o considera democrático por causa de filminhos que “debochavam do racismo”. O regime não apenas era totalitário, marcado pelo culto à personalidade, fonte da mobilização social e dos trabalhadores, controle da vida pública e privada pelo Estado, rígido controle da economia, o único partido existente era a única opção de ascensão social e envio de dissidentes para campos de trabalhos forçados e fuzilamentos, como também o regime inspirou os modelos chinês e norte-coreano também. No caso da China, já é conhecida a veneração que Mao tinha por Stálin e seu regime antes, é claro, da ruptura. E a Coreia até hoje é um bastião do estilo stalinista de governar, onde até mesmo a arquitetura é fortemente influenciada. Enfim, se você quiser continuar defendendo um regime genocida e avesso a liberdades individuais, vá em frente. Mas esse seu pensamento é péssimo, muito perigoso e de uma confusão mental enorme. Aqui, não faço propaganda de regimes, levanto discussões históricas, esclarecimentos. Não é o seu caso. Então creio que não há muito o que dialogarmos.

  11. Cristiano Alves 27/08/2013 / 1:32

    Quanto aos dados demográficos, a fim de que esse comentário não fique parecendo “panfletarismo”, há várias fontes que corroboram o que digo como “Naselynye Sovetskogo Soyuza” de E. M. Andreev, citada aqui:

    http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2011/02/especial-anticomunismo-e-terrorismo-por.html

    O mais interessante sobre os antistalinistas, em realidade anticomunistas, é que nem mesmo eles chegam a um consenso:

    http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2011/02/historia-afinal-quantos-milhoes-o.html

    Constitui uma verdade inexorável o fato de que hoje na Rússia há mais russos morrendo do que na época de Stalin, conforme nos mostra o historiador Alexander Zemskov:

    http://apaginavermelha.blogspot.com.br/2011/11/mundo-nao-se-derruba-um-colosso-com.html

  12. Cristiano Alves 27/08/2013 / 1:59

    “como na Albânia, China, Camboja e Coreia”

    Lamento informá-lo professor, mas exceto pela Albânia, o modelo chinês era totalmente diferente do soviético e da Revolução Russa, atraindo considerável parte da burguesia nacional chinesa, por isso as 4 estrelas na bandeira chinesa(as menores representando as classes partícipes), por isso a China tornou-se uma “República Popular”, e não uma “República Socialista”. A única coisa que o sistema desses países tem em comum é a ausência de qualquer genocídio neles.

    No caso do Camboja, o mais notável, o único “genocídio” a respeito do qual se pode falar é o dos Estados Unidos contra o povo cambojano. O Khmer Vermelho nem mesmo se dizia “comunista”, mas “revolucionário”:

    “We are not communists … we are revolutionaries” who do not ‘belong to the commonly accepted grouping of communist Indochina.”(Ieng Sary, 1977, quoted by Vickery, Cambodia: 1978-1983, p. 288).

    Segundo a revista “Problems of communism”, uma publicação dedicadamente anticomunista, os bombardeios da USAF deixaram um rastro de mortes de 600 mil a 1 milhão de mortos no Camboja! Pol Pot, longe de ter sido um “ditador comunista”, na realidade foi um oportunista que inclusive chegou a gozar do apoio dos governos de Reagan e M. Tatcher, que armou o país até os dentes. O apoio dos EUA a Pol Pot foi informado num artigo de um jornalista australiano na revista CAQ, “The long secret alliance: Uncle Sam and Pol Pot”:

    http://msuweb.montclair.edu/~furrg/pol/pilgerpolpotnus.pdf

    • Bertone Sousa 27/08/2013 / 13:09

      Cristiano,

      qualquer manual de história que trate do século XX e comente a revolução chinesa, mostrará como o regime chinês de Mao Tsé-Tung foi inspirado na ditadura stalinista. E como não houve genocídios? Ou isso é má-fé ou desinformação crônica. O Grande Salto à Frente e a Revolução Cultural implicaram nisso. A questão de nomenclatura entre República popular ou socialista não é relevante porque o que conta é a ideologia professada pelo partido que tomou o poder, e isso também serve pra Coreia e o Camboja. No caso deste último, o Khmer Vermelho deixou cerca de dois milhões de mortos em menos de uma década, o que implicava em um terço da população do país. O comunismo foi a maior tragédia humanitária do século XX e manteve esse perfil onde quer que tenha se estabelecido, com expurgos, extermínios, concentração de riqueza e poder pelo partido, supressão de liberdades individuais e institucionalização de uma religião de Estado obrigatória. Pra mim, o que você escreveu é panfletagem. Pessoalmente, não faço nem gosto desse tipo de militância. O militante em geral não é aberto a discussão histórica, mas apenas ao que pode corroborar sua crença no partido, líder ou ideologia. O problema da militância é a acomodação à propaganda e a tendência ao sectarismo. Ninguém precisa deixar de ser marxista por isso, mas não reconhecer em Stálin um genocida e no regime soviético o totalitarismo é muita desinformação, dada a gama de material bibliográfico sobre essas questões. De minha parte, vou parar por aqui, essas discussões tomam tempo e nunca levam a lugar algum.

  13. Augusto César Mazdaki 27/08/2013 / 11:18

    Muito me espanta um professor universitário falar em uma concepção histórica tão idealista e religiosa, como é a que se utiliza da categoria de “totalitarismo” — um conceito polissêmico que tem origens na teologia cristã e que, aplicado à esfera política, requer uma operação baseada num esquematismo abstrato que faz uso de elementos históricos isolados da realidade para colocar regimes fascistas e a URSS em uma mesma categoria, servindo mais aos interesses dos intelectuais da era da Guerra Fria do que a uma análise fundamentada na realidade concreta.

    • Bertone Sousa 27/08/2013 / 23:45

      Augusto, agora imagina você sendo professor e falando essas bobagens sem fundamento; os pobres alunos teriam diarreia mental. É cada um que vem aqui querendo dar aulinha do que não sabe que está na hora de começar a bloquear comentários que não apresentem um nível mínimo de inteligência, como o seu.

  14. Cristiano Alves 28/08/2013 / 14:22

    Vamos por partes:

    “qualquer manual de história que trate do século XX e comente a revolução chinesa, mostrará como o regime chinês de Mao Tsé-Tung foi inspirado na ditadura stalinista”

    Eu quero que esses manuais me mostrem pelo menos um estudo econômico que provem isso. Aliás a própria denominação de “ditadura stalinista” já revela uma tremenda desinformação.

    Há muitos manuais de história mentirosos, na minha época de escola li num livro de Lauro Machado Coelho(O fim da União Soviética) que na URSS e no Leste Europeu “o rock era proibido”. O detalhe é que minha banda favorita de rock, o BI-2, foi formado na época da URSS. O detalhe é que basta uma busca no Youtube para encontrar bandas soviéticas como o Kinó, Samotsvety(que até fazia apresentações na TV) ou o Czewony Gitary, da Polônia.

    “E como não houve genocídios? Ou isso é má-fé ou desinformação crônica”

    Má fé é dizer que “houve uma coisa” sem poder prová-la! “Diccere et non probare est non diccere”, sabiamente ensina o brocardo jurídico. A ONU reconhece apenas dois genocídios, o dos armênios e dos judeus. Como falar em “genocídio”? Cadê os dados demográficos que pelo menos “evidenciam” tais genocídios? Cadê os enormes cemitérios para comportar 50, 100 ou 500 milhões de mortos que tais “livros de história” defendem? Esses dados são tão ridículos e mentirosos que chegam a dizer que “a URSS matou 100 milhões” numa época em que sua população era de 170 milhões, isto é, a quase totalidade de sua população adulta! Se incluirmos os 27 milhões de mortos na IIGM, os russos precisariam de uma máquina de clonagem como a dos filmes de Hollywood ou reproduzir-se como coelhos!

    Não é preciso ser nenhum “sábio” para perceber o óbvio, basta ter alguma noção de matemática! Não há nenhuma prova de tais genocídios, do contrário, há apenas contra-provas!

    “A questão de nomenclatura entre República popular ou socialista não é relevante porque o que conta é a ideologia professada pelo partido que tomou o poder”

    Claro que é relevante, pois embora um partido tenha tomado o poder, isso não quer dizer que esse partido seja “monolítico” ou que tenha enfrentado as mesmas condições que outro partido. Na URSS foi uma classe que fez a revolução, na China foi mais de uma classe e essa por sua vez aceitava o PC como representante de seus interesses. Na URSS foi feita uma curta concessão para o capitalismo, na China essa concessão é feita até hoje. O socialismo pressupõe a completa abolição da propriedade privada, e essa não é a política da China(em tese, até 2050).

    “No caso deste último, o Khmer Vermelho deixou cerca de dois milhões de mortos em menos de uma década, o que implicava em um terço da população do país”

    Mentira, eu já provei aqui, inclusive com fontes anticomunistas, que esse argumento é FALSO! Se eu alegasse isso citando apenas “fontes comunistas”, aí sim você poderia alegar que eu estava sendo “panfletário” e “parcial”, o que não foi o caso! O NY Times não é e nunca foi uma “fonte comunista”, a “Problems of communism” é tão reacionária quanto o Mídia Sem Máscara, essas duas fontes admitem que a maioria dos mortos no Camboja se devem ao bombardeio dos Estados Unidos, e não ao “genocídio do malvado Pol Pot”.

    “O comunismo foi a maior tragédia humanitária do século XX”

    Maior que o nazismo inclusive? Thomas Mann já alegava, sabiamente, que quem faz uma afirmação tão bizarra dessas já foi contaminado pela ideologia fascista. Foi no sistema socialista que milhares de pessoas foram libertadas da miséria e do analfabetismo. Hoje Cuba tem um sistema de saúde exemplar, a URSS produzia mais livros do que Alemanha, Reino Unido, Japão e França juntos! Aliás os russos, na era soviética, eram conhecidos por serem o povo que mais lia! E essas informações podem ser corroboradas na obra de Anna Louse Strong, The Stalin Era, jornalista americana que morou 20 anos na URSS até ser expulsa de lá(o que descarta qualquer acusação de “propagandismo stalinista”). O progresso industrial, social e tecnológico da URSS é atestado por nomes como H. G. Wells, Maurice Hindus, Sidney e Breatrice Webb, pelo embaixador dos EUA na URSS Joseph Davies, dentre outros. Esse progresso tecnológico, econômico e social não se limita à “opiniões pessoais”, sendo materializado através de dados de estatísticas e coroado com o fato de um camponês trabalhador ter sido o primeiro homem no espaço, Yuriy Gagárin!

    “manteve esse perfil onde quer que tenha se estabelecido, com expurgos, extermínios, concentração de riqueza e poder pelo partido, supressão de liberdades individuais”

    O socialismo foi estabelecido através de uma revolução e revoluções não são feitas com “abraço e aperto de mão”, são feitos com luta, com sangue, por isso que Estados revolucionários costumam ter a cor vermelha em sua bandeira. Foi assim na Revolução Americana e quem é Washington hoje nos EUA? Um herói! Quem é Robespierre hoje na França? Há até institutos com seu nome em Paris!

    Concentração de riqueza pelo partido? Os membros do Partido ganhavam praticamente o mesmo que um operário comum, isso nos é mostrado por historiadores não comunistas como Edward McNell Burns(A história da civilização ocidental). Quando Stalin morreu, seus bens deixados foram um uniforme, seu cachimbo, alguns livros e um par de botas, todos hoje em museu!

    Somente corruptos concentravam renda no sistema soviético, e ao menos na época de Lenin e Stalin tais indivíduos eram eliminados através de expurgos, os mesmos que você condena!

    “e institucionalização de uma religião de Estado obrigatória”

    Mentira! Se institucionalizou, cadê a lei? Não tens vergonha de mentir, professor Bertone Souza? A Constituição da URSS de 1936 estabeleceu a liberdade de culto como um de seus princípios. Aliás nessa época as maiores religiões eram o cristianismo, islamismo e judaísmo. No caso da Igreja Ortodoxa, a maior do país, após centenas de anos da abolição do Patriarcado, este foi restaurado durante o governo de Nikolay II e durante o de Stalin, quando foi eleito o Patriarca de Moscou e Toda a Rússia Sergius I. Após ele houve ainda os patriarcas Alexiy I e Alexii II.

    Aliás, segundo o arcipreste Sergey Vishnyevskiy, “Stalin foi a espada de retribuição do povo russo”. Segundo o Arcebispo Luka(Voyno-Yasenetskiy), santo ortodoxo e médico, disse certa vez que curvava-se a Stalin por sua grande contribuição à Rússia, por seu governo ter desenvolvido o país.

    “Pra mim, o que você escreveu é panfletagem… O problema da militância é a acomodação à propaganda e a tendência ao sectarismo”

    Não, o que VOCÊ ESCREVE é panfletagem!!! Panfletagem é quando eu digo que uma coisa é verdadeira só por que está no panfleto da minha tendência política ou militância. Eu não sou militante do capitalismo, mas citei aqui o The New York Times como fonte. Eu não sou militante do anticomunismo, mas citei a Problems of Communism admitindo que foram os EUA(e não Pol Pot) que mataram milhões de cambojanos.

    Todas as informações que passo aqui não respaldadas por fontes, por documentos, por dados estatísticos, isso não algo que eu “acho” como você faz em seus debates. Isso sim é panfletagem! Panfletagem é dizer que uma fonte é ruim por que “não respalda meu pensamento”, sem ao menos investigar a veracidade ou não de seu conteúdo!

    “É cada um que vem aqui querendo dar aulinha do que não sabe”

    Ah claro, ninguém sabe de nada. As dezenas de livros que leio desde os 14 anos, em 3 línguas diferentes, não são conhecimento nenhum! Sua bibliografia é completamente nula! Quem sabe é o sábio professor Bertone Souza, que nos ensina em seus comentários que o The New York Times é um “panfleto comunista”! Que nos ensina que uma revista ultrarreacionária como a “Problems of communism” é “panfleto comunista”. Que ensina seus alunos a serem intolerantes com qualquer opinião que não corresponda às suas crenças pessoais!

    O professor Bertone Souza, que mentiu aqui em várias oportunidades(como provei em minha postagem), deveria tentar fazer um esforço para ser mais honesto. O que posso recomendar ao professor é que assista a um filme alemão chamado “Die Welle”(A onda), excelente para entender como surge um movimento fascista. Qual a diferença alguém que diz que ideia são falsas por que “integram o bolchevismo judeu” e alguém que diz que são falsas por que “integram o malvado stalinismo”?

    Quando o indivíduo rejeita toda a opinião diferente sem ao menos conhecê-la, estudá-la ou analisá-la, isso tem nome, se chama fascismo! Talvez por isso o professor encontre seu bode expiatório no magíster georgiano, pois é mais fácil dizer que “o outro reprime” a aceitar seus próprios erros!

    Se quiser fique a vontade para bloquear meus comentários, de todo jeito serão publicados em meu site, A Página Vermelha, e em meu vlog, A Voz do Comunismo, com mais de 900 mil visualizações!

    O professor aqui adora falar de Olavo de Carvalho, mas pelo menos este último, a despeito de seus argumentos escatológicos, tem a decência de vestir a camisa daquilo que defende!

    • Bertone Sousa 28/08/2013 / 22:20

      Cristiano, vejo que de um debate de ideias, você descambou para o insulto e a baixaria, sem que eu tivesse me reportado a você dessa forma. Então vou te responder à altura do que você merece. O fato de você ter ficado tão irritado com um texto que critica Lênin demonstra o quanto é intolerante.

      Quando visitei seu site, a Página Vermelha, achei aquilo uma coisa típica de militante boboca, mas não perdi meu tempo tentando refutar aquelas asneiras simplesmente porque aquilo não me atinge. Quando visito um site como o seu, eu simplesmente nunca mais volto lá. Você é apenas um extremista de esquerda como outros extremistas de direita com quem já discuti aqui. Não escrevo pra militantes, porque militantes como você são limítrofes, não entendem de história e somente usam o que pode servir de propaganda ao regime que vocês veneram. Nem adianta discutir com gente como você, porque por mais que você explique alguma coisa, o sujeito parte pra isso aí que você fez, o insulto. Vou responder pela última vez para esclarecer aos leitores do blog sobre o que é o comunismo, e essas nuances com as quais você faz uma confusão infernal.

      “Eu quero que esses manuais me mostrem pelo menos um estudo econômico que provem isso. Aliás a própria denominação de “ditadura stalinista” já revela uma tremenda desinformação”.

      Eu mesmo vou citá-los e detalhar aqui pra você. Você deveria ler “O Passado de uma ilusão”, de François Furet, “Civilização Ocidental: uma história concisa” de Marvin Perry e “Ascensão e Queda do Comunismo” de Archie Brown, pra começar. Há no mercado vários outros livros e biografias além desta de Service que comentei aqui escritos a partir de novas fontes que têm vindo a público. Vamos à definição de genocídio. No “Dicionário de nomes, termos e conceitos históricos” de Antonio Carlos do Amaral Azevedo, lê-se o seguinte:

      “Genocídio: termo composto pelo vocábulo grego ‘genos’ e o latino ‘caedere’, que significa ‘matar’. Esse termo foi pela primeira vez empregado, em 1944, pelo professor Raphael Lenkim, para designar a política praticada ou tolerada por um governo visando a eliminação em massa de grupos étnicos, religiosos, econômicos ou políticos. […] Em 1948, a ONU aprovou uma Convenção sobre o genocídio que vem a ser um documento dos mais importantes para a sociedade humana. […] A partir de então são considerados como genocídio: a) extermínio de grupos; b) danos graves, físicos ou mentais, a membros de grupos; c) atentados contra comunidades étnicas visando sua dispersão, temporária ou definitiva; d) prática para impedir o nascimento de novos membros do grupo; e) remoção compulsória de crianças para outros grupos”.

      Se você quer citar a ONU deveria se informar melhor. A política de Stálin de repressão aos Kulaks foi um dos capítulos mais tenebrosos do início de seu governo. Sua ordem de coletivização e liquidação desses camponeses como classe resultou em milhões de deportações, inclusive dos mais pobres, para trabalhos forçados. O regime que você deifica obrigava as pessoas a delatarem umas às outras e até mesmo a matar. No livro que mencionei de Marvin Perry, terceira edição da Martin Fontes, página 360, diz o seguinte:

      “O horror da coletivização forçada quebrantou o ânimo até mesmo dos oficiais mais rígidos. ‘Sou um velho bolchevique’, soluçou um coronel da polícia secreta a um passageiro de trem; ‘atuei na clandestinidade contra o czar e depois lutei na guerra civil. Será que fiz tudo isso para ter agora de cercar as aldeias com metralhadoras e ordenar a meus homens que atirem indiscriminadamente com multidões de camponeses? Oh, não, não!”

      A coletivização soviética engendrou uma forma terrível de servidão coletiva contemporânea. Na Ucrânia, onde a resistência foi maior, milhões de pessoas foram deixadas à míngua para morrerem de inanição, além de muitos terem sofrido abuso e serem perseguidos pelas autoridades. A maioria deles não eram “burgueses”, eram pessoas que tinham uma pequena propriedade, pequenos camponeses. Entre 5 e 7 milhões de pessoas morreram vítimas de terror stalinista naquele país, o que é confirmado, de forma ainda mais detalhada, no artigo cujo link coloquei para o Bruno aí acima. Marvin Perry inclusive observa: “Não importava que os camponeses ucranianos perecessem, desde que o país pudesse se fortalecer! Além disso, Stálin apreciou a oportunidade de punir os ucranianos por sua deslealdade durante a guerra civil e sua resistência à coletivização”.

      Archie Brown, em Ascensão e Queda do comunismo observa acerca do mesmo evento:

      “A coletivização forçada e a revolta maciça no interior tiveram consequências terríveis. Milhões de camponeses foram arrancados de suas terras e, no fim de 1930, pelo menos 63 mil chefes de família haviam sido presos e executados. Muito mais de um milhão de kulaks foram deportados entre 1929 e início de 1932. A coletivização aconteceu mais rapidamente na Ucrânia do que na república russa, e quando a fome atacou, como resultado da requisição de grãos pelo Estado e dos tumultos no interior, a Ucrânia foi especialmente atingida. No verão de 1933, cerca de cinco milhões de pessoas haviam morrido. Corpos jaziam à beira das estradas e houve casos de canibalismo. A fome atingiu seriamente o norte do Cáucaso e o Cazaquistão, além da Ucrânia, e foi resultado direto das políticas de Moscou – a combinação de coletivização compulsória e apreensão dos grãos por autoridades centrais para alimentar as cidades e até para exportação, enquanto as pessoas no interior morriam de fome”.

      Isso foi um dos maiores genocídios da história. O número de vítimas pode ter superado inclusive o do Holocausto nazista, em cerca de 6 milhões de judeus. Isso por ordem do homem que mandou assassinar praticamente todos os dirigentes que participaram da revolução de 1917 e até a morte não cessou com desterros, prisões compulsórias, condenações com provas forjadas e assassinatos em sua obsessão pelo poder absoluto.

      Agora o sr. Cristiano deve ter provas de que todos esses historiadores estão mentindo, num complô para “denegrir” a imagem de seu queridinho Stálin, e não se sabe porquê ele ainda não as apresentou ao mundo, inclusive em congressos internacionais de história contemporânea ou em publicações científicas; ou então o sr. Cristiano não passa de mais um idiota que, além de não entender como funciona a operação historiográfica, fica na internet falando baboseiras dignas de uma olavete. Cristiano deve ser mesmo um grande pesquisador para provar que virtualmente todos os grandes historiadores do mundo nos últimos vinte anos estão errados em suas pesquisas sobre os massacres e genocídios ocorridos na União Soviética. Só falta ele nos mostrar onde estão esses seus grandes trabalhos historiográficos.

      Sobre a questão do rock, o sujeito é tão idiota que acha isso uma grande vantagem. Desde o realismo socialista, toda manifestação cultural soviética envolvia o culto à personalidade de Stálin. O jazz, por exemplo, foi proibido após sua ascensão ao poder e ficaram apenas algumas bandas para fazer propaganda do regime. Há um texto interessante sobre isso aqui:

      http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-rock-and-roll-na-uniao-sovietica

      “Claro que é relevante, pois embora um partido tenha tomado o poder, isso não quer dizer que esse partido seja “monolítico” ou que tenha enfrentado as mesmas condições que outro partido. Na URSS foi uma classe que fez a revolução, na China foi mais de uma classe e essa por sua vez aceitava o PC como representante de seus interesses. Na URSS foi feita uma curta concessão para o capitalismo, na China essa concessão é feita até hoje. O socialismo pressupõe a completa abolição da propriedade privada, e essa não é a política da China(em tese, até 2050)”.

      Será que você não sabe que o capitalismo na China foi permitido a partir das reformas de Deng Xiaoping, não? Onde foi que esse sujeito fez o ensino médio? Até em aulas de geografia humana a gente aprende isso. E de onde você tirou que uma classe fez revolução em um lugar e outra em outro? Ele fica tergiversando pra fugir do assunto e nem apresenta argumentos sólidos. O que define um regime como comunista é o monopólio do poder por um partido comunista, o centralismo democrático, a posse não capitalista dos meios de produção (nesse caso, a China não se enquadraria neste item após as reformas econômicas), economia de comando, propósito de construção do comunismo como realização histórica final e a noção de pertencimento a um movimento comunista internacional. Os dois últimos arrefeceram e praticamente desapareceram após o fim da URSS.

      Sobre o Khmer Vermelho, você não provou nada. O Khmer Vermelho era uma organização declaradamente comunista que levou a noção de luta de classes ao extremo, inclusive punindo com a morte relações sexuais fora do casamento e consumo de álcool. Embora o exército americano tenha bombardeado o país sob as ordens do presidente Nixon, isso nem de longe ocasionou todas aquelas mortes no país. O número de dois milhões é aproximado, segundo Archie Brown: “Não há concordância sobre o número exato de pessoas que morreram nas mãos do Khmer Vermelho – na maioria assassinadas, embora mortas também de fome. Mas um cálculo de dois milhões é amplamente considerado provável. […] Em 1979, 42 por cento das crianças cambojanas haviam perdido pelo menos um de seus pais. Em 1989, 38 por cento das mulheres adultas do Camboja eram viúvas, enquanto 10 por cento dos homens eram viúvos, porque embora muitas mulheres também tenham sido executadas, o número de homens mortos era muito maior”.

      “Maior que o nazismo inclusive? Thomas Mann já alegava, sabiamente, que quem faz uma afirmação tão bizarra dessas já foi contaminado pela ideologia fascista. Foi no sistema socialista que milhares de pessoas foram libertadas da miséria e do analfabetismo. Hoje Cuba tem um sistema de saúde exemplar, a URSS produzia mais livros do que Alemanha, Reino Unido, Japão e França juntos! Aliás os russos, na era soviética, eram conhecidos por serem o povo que mais lia! E essas informações podem ser corroboradas na obra de Anna Louse Strong, The Stalin Era, jornalista americana que morou 20 anos na URSS até ser expulsa de lá(o que descarta qualquer acusação de “propagandismo stalinista”). O progresso industrial, social e tecnológico da URSS é atestado por nomes como H. G. Wells, Maurice Hindus, Sidney e Breatrice Webb, pelo embaixador dos EUA na URSS Joseph Davies, dentre outros. Esse progresso tecnológico, econômico e social não se limita à “opiniões pessoais”, sendo materializado através de dados de estatísticas e coroado com o fato de um camponês trabalhador ter sido o primeiro homem no espaço, Yuriy Gagárin!”

      Quando falo de tragédia humanitária me refiro à quantidade de vítimas que comunismo fez ao longo do século XX. E até mesmo quando você fala dos aspectos positivos, você peca por sectarismo. A URSS foi o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo, é fato, mas a educação era apenas um instrumento de inculcação dos dogmas do partido e do culto à personalidade. A propaganda era intensa e chegava mesmo a deificar a imagem do ditador. Marvin Perry cita como exemplo um escritor em 1935 que disse:

      “Séculos passarão e as gerações vindouras irão nos considerar como os mais felizes dos mortais, os mais afortunados dos homens, pois (…) tivemos o privilégio de ver Stálin, nosso inspirado líder. Sim, e nós mesmos nos consideramos os mais felizes dos mortais, por que somos contemporâneos de um homem que nunca teve igual na história do mundo. Os homens de todas as épocas chamarão teu nome, que é forte, belo, sábio e maravilhoso. Teu nome está gravado em cada fábrica, cada máquina, cada lugar da terra, e no coração de todos os homens”.

      Isso conduz ao tema da questão da religião no país. Embora a constituição previsse liberdade de culto, na prática isso não existia. Muitos templos religiosos foram transformados em agências do partido, sacerdotes foram presos, submetidos a trabalhos forçados e muitos foram executados. O comunismo aboliu as demais religiões porque instituiu o culto ao líder, a própria ideologia foi transformada em doutrina religiosa, na medida em que seu caráter “científico” foi tido como inquestionável, não passível de críticas e de contestações. Eric Hobsbawm, um dos principais historiadores marxistas do século passado, chegou mesmo a afirmar que seus livros eram proibidos na União Soviética. Esse modelo de culto da ditadura stalinista sobrevive hoje na Coreia do Norte, regime que copiou em detalhes as características daquela ditadura, com a diferença de perpetuar-se como uma dinastia.

      Isso não exclui o fato de a URSS possuir uma tecnologia de ponta, não é isso que está em discussão, até porque até mesmo a Alemanha nazista possuía uma ciência e tecnologias avançadas, e isso não tornava o regime mais humanista. Cristiano delira ao mudar de assunto pra não admitir a monstruosidade do regime que ele cultua e quer defender a todo custo. O pior é que você é igualzinho às olavetes, não é um intelectual, mas um tolo que faz panfletagem e fica nervoso quando alguém mostra os equívocos de sua argumentação.

      Sobre a questão da proximidade do modelo chinês com o soviético, Brown também prova isso. Somente num período de quatro anos, entre 1949 e 1953, a quantidade de chineses executados pelos comunistas foi de, no mínimo, 800 mil pessoas. O Grande Salto à Frente foi terrivelmente pior, ocasionando cerca de 30 milhões de mortes somente entre 1958 e 1961, e isso pegando as estatísticas mais baixas. E é claro que houve concentração de riquezas nesses países, porque as riquezas não foram socializadas, mas estatizadas. É por isso que Perry Anderson dizia que, na época da Guerra Fria, alguns intelectuais britânicos afirmavam ser socialistas não por causa da União Soviética, mas apesar dela.

      E sobre o Olavo de Carvalho, eu o critico como extremista de direita como critico extremistas de esquerda como você. Aprendi com Aristóteles a arte do equilíbrio e da moderação, coisa que vocês claques nunca entenderam. Você acha que por alguém criticar o Olavo tem que estar no outro polo e ser um militante comunista. Quanto ingenuidade! Você é muito mais parecido com ele, só que no polo oposto e mantenho distância de ambos. Esse partidarismo e sectarismo não me agradam nenhum pouco e escrevo pra pessoas que querem aprender. Já recebi muitos aqui como você que vieram tentar me converter e saíram com três pés.

      Você acha que porque cita o The New York Times não está fazendo panfletagem? Você parece que não entende nada de fontes históricas, não sabe o que é estabelecer diálogo com autores, analisar uma conjuntura por diferentes perspectivas e vem aqui encher o saco. Você não sabe nem o que é história, rapaz, é só um moleque petulante a escrever asneiras de forma quixotesca e patética. Leia, estude e assim não passará vergonha. Eu poderia trazer abordagens de autores como Hannah Arendt, o François Furet que mencionei no início e até o próprio Hobsbawm. Mas pra você isso basta. Neste blog estou deixando de debater com militantes como você, pois aos poucos tenho constatado o quanto a estupidez desses tipos é irremediável. E não volte mais aqui, não perderei mais tempo te respondendo outra vez.

  15. Nelson 30/08/2013 / 6:41

    Nunca se matou tanta gente como o comunismo. Nunca se matou tanto comunismo quanto os próprios comunistas, Quando acontece revolução, no outro dia eles começam a matar uns aos outros e perseguir as outras vertentes ideológicas como os sociais democratas. A esquerda inglesa( trabalhista) e americana( democratas) odeiam comunistas. Se você chegar para um deles e dizer que é comunista, capaz de apanhar.

    • Bertone Sousa 30/08/2013 / 12:37

      Nelson, e quando você tenta mostrar isso usando autores renomados e trabalhos históricos sérios, que eles nem sequer leram, vêm aqui te chamar de fascista e mentiroso. Aí não dá; um pé na bunda desses caras é o melhor que se pode fazer.

  16. Nelson 30/08/2013 / 23:31

    Bertone,

    acho que o Cristiano vive no mundo Alice. Ele deveria pegar um avião e visitar um país da antiga cortina de ferro, não vai encontrar uma pessoa que não teve um parente morto ou preso, pessoas que passaram anos na prisão sem nem mesmo saber o motivo. Veja o que é o leste europeu hoje em especial a Rússia. A Rússia é um país altamente corrupto, violento, xenófobo, com uma população com 1\4 de alcoolatras, um lugar onde imigrantes são espancados no meio da rua a luz do dia por Skinheads com benção do governo. Só em Moscow existe 50 mil neo nazistas. Isso foi o resultado de 70 anos de um regime brutal que massacrava seu próprio povo. Imagina uma pessoa com sua familia, teve que trabalhar anos para ter sua terrinha sem fazer mal a ninguém la no campo, de uma hora pra outra tem suas terras confiscadas, seus filhos mandados pra campos de trabalhos forçados e sua família morta.

    • Bertone Sousa 31/08/2013 / 11:50

      Pois é Nelson, é por isso que minha paciência pra debater com esses tipos é pouquíssima. Há muitos anos eu também admirava o Lênin e a União Soviética, mas estudei e vi o quanto aquilo tudo foi uma grande tragédia que custou a vida de milhões de pessoas inocentes apenas para solidificar o desejo de poder de alguns homens. O comunismo foi não apenas a ilusão da igualdade absoluta, como tentou alcançá-la suprimindo liberdades individuais. A crença de estar cumprindo “leis da história” tornava os indivíduos descartáveis se se considerasse que eles estavam se opondo a esse ideal; o partido personificava a classe trabalhadora traduzindo uma espécie de “vontade geral” pela qual deveria se organizar a vida coletiva. Cristiano é um jovem stalinista que se recusou a aprender que esses regimes não foram construídos por e nem para os trabalhadores. Mas como ele não é leitor do blog veio aqui só fazer propaganda.

  17. Nelson 31/08/2013 / 16:28

    “e quando você tenta mostrar isso usando autores renomados e trabalhos históricos sérios”

    Isso ai está vastamente documentado em livros baseados na abertura dos arquivos de Moscow. Com mandados de matança em massa ao próprio punho por Stalin, com a assinatura dele lá registrada.

    É essa a monstruosidade que ele é partidário:

    • Bertone Sousa 31/08/2013 / 19:57

      Nelson, na verdade esse é um vídeo do canal do Cristiano no Youtube, onde está negando o Holodomor, tentando provar que as fotos referentes ao genocídio são falsificações nazistas para denegrir o regime soviético. O que vi foi um vídeo revisionista, que propõe não ter havido o tal acontecimento na Ucrânia. Mas apenas com base em algumas fotos não se desenvolve argumentos suficientes pra derrubar a tese do genocídio; além disso, me parece que o vídeo continua e ele abre caminho pra um apelo dramático à teoria conspiratória no final. O cara tenta negar um genocídio como teoria conspiratória apenas com base em alguma fotos. Como eu disse, esse sujeito nada entende de discussão histórica, fontes e outras questões pertinentes pra se levantar uma discussão desse teor. É a típica ação de negação apenas pela negação de militante.

  18. Nelson 31/08/2013 / 21:53

    Eu postei o video errado, o video é outro, de apenas uns 7 minutos.

  19. Lúcio Júnior Espírito Santo 03/09/2013 / 9:08

    kkkk! vcs anticomunistas não sabem nem onde andam com a cabeça! Leiam Mark Tauger, especialista em fome de West Virginia. Ele explica que o Holodomor teve causas naturais e critica o governo soviético, mas ele confirma que o Holodomor não foi um genocídio intencional.

  20. Macaque 28/07/2014 / 16:25

    Olá, o senhor poderia fazer um post sobre o Che Guevara? Uma figura, aparentemente, controvérsia.

    • Bertone de Oliveira Sousa 28/07/2014 / 19:21

      Escrevi algo sobre ele no texto “Cuba, o paraíso socialista”. Você pode acessar no tema Socialismo/Comunismo.

  21. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 09/10/2015 / 7:14

    Belo texto professor,e gostaria de te perguntar o que o senhor acha do anarquismo?Eu andei no ano passado,aqui em São Paulo participando de um grupo anarquista chamado Frente Independente Popular,ele surgiu depois das Manifestações de 2013,eu comecei a participar no fim do ano passado,o grupo pratica alguns belos atos,como um protesto pela violência policial que resultou na morte do vendedor ambulante Carlos Augusto no bairro da Lapa,http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2014/09/camelo-morto-por-pm-planejava-voltar-para-o-pi-e-assumir-vaga-em-concurso.html

    E também uma assistência a uma favela chamada Favela do Piolho, uma favela que havia sido incendiada,muitos acreditam que propositalmente,pois a prefeitura paulistana desejava desalojar os moradores para entregar a especulação imobiliária,fomos lá e levamos comida,colchão,roupas para as pessoas,e ajudamos a formar um comitê para que impedir que eles sejam desalojados da favela,o grupo teve essas belas atitudes,mas eu deixei o grupo por discordar de uma postura mais radical e extremista deles,como por exemplo achar que a PM é fascista,e a vilã,no protesto pela morte do vendedor Carlos Augusto,alguns integrantes do grupo,xingaram os PMS,ficaram discutindo,eu morri de medo de haver uma confusão ali,de a PM reagir com gás de pimenta e prender alguns,mas ainda bem que o protesto seguiu em paz e não houve casos de violência,sei de casos de violência que ocorrem quase que diariamente nas periferias das grandes cidades,e que há PMs corruptos e violentos,mas isso há em toda classe,em um encontro do grupo posterior ao protesto pela morte do camelô,alguns integrantes do grupo falaram que não consideram o PM como um trabalhador companheiro de classe,e sim que eles são fascistas,e só servem aos interesses dos burgueses,achei a postura do grupo bem extremista,eles também pregaram o ´´não voto´´,para no dia da eleição nem aparecerem na seção de votação,eu não concordei,por mais que não tenhamos bons políticos,eu preferi votar no menos pior,no caso a Dilma,o que senhor acha da postura desse grupo anarquista,e do anarquismo em si professor?Te sugiro escrever um texto sobre anarquismo.

    • Bertone de Oliveira Sousa 09/10/2015 / 11:42

      Gabriel, as ideologias da sociedade do trabalho, como o anarquismo, o socialismo e o fascismo estão todas superadas. Eram ideologias voltadas para as classes operárias, de propostas universais e focadas nas lutas de classes. Nossa sociedade não está mais focada nessas questões e as respostas universais das ideologias nascidas naquele contexto perderam seu valor.

      • Gabriel Ramos Tavares de Pinho 09/10/2015 / 18:23

        O senhor acredita que os trabalhadores dos dias de hoje,mesmo os que trabalham em piores condições,como os pedreiros e serventes de pedreiro,empregada doméstica,ou mesmo os peões de fábrica atualmente,e atendentes de telemarketing,que é um mercado vem crescendo e os operadores do telemarketing,ganham muito pouco,esses não podem ser considerados o proletariado.A luta de classes perdeu o sentido?

      • Bertone de Oliveira Sousa 09/10/2015 / 20:11

        Falar que o discurso universalista das ideologias do século passado não tem mais lugar, não significa que as relações de trabalho perderam completamente sua importância. Não perderam e exploração do trabalho ainda continua a existir. Continuam mas essas questões não são mais pensadas no âmbito da luta revolucionária, mas da ampliação de direitos e proteção dos indivíduos no modelo do que propunha a política social-democrata. Não existe mais uma noção homogênea de classe trabalhadora que justifique o uso de luta de classes como se fazia até meados do século passado. Por isso é um equívoco chamar essas pessoas que você mencionou de proletários; o uso banal dos termos termina fazendo as pessoas esquecerem seus sentidos históricos. Falei mais sobre essa questão de luta de classes no primeiro texto Notas avulsas, dá uma conferida lá.

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