Espiritismo: religião sim, ciência não

chico xavier 7O espiritismo é, atualmente, uma das religiões que mais crescem no Brasil. Segundo o último censo do IBGE eles representam dois por cento da população e estão concentrados, majoritariamente, nas regiões Sul e Sudeste. Apesar do baixo percentual, se comparado a católicos e protestantes, a quantidade de pessoas que professam o espiritismo vem crescendo substancialmente no Brasil nos últimos anos. É a religião com o maior número de adeptos alfabetizados. Mas uma de suas características é que pretende afirmar-se não apenas como religião, mas também como ciência. Não é raro ver seus adeptos defenderem essa posição. Eles pretendem que a mediunidade e a comunicação com os mortos sejam pressupostos científicos. Mas, que conceito de ciência poderia de adequar a essa visão? O “x” da questão está nas características que assumiu desde sua fundação.  

Desde Galileu e Descartes, a modernidade fundou o pensamento científico como método por excelência de investigação da natureza. Até o século 19 a maior parte dos cientistas não via oposição entre essa investigação e a crença em entidades sobrenaturais que regiam o mundo. O espiritismo moderno fundado por Allan Kardec (cujo nome verdadeiro era Hippolyte Léon Denizard Rivail) nasceu no contexto em que a sociedade europeia vivia a euforia do cientificismo. Enquanto os positivistas anunciavam a criação de uma “religião da humanidade” pautada nos ideais da racionalidade científica, os dogmas da Igreja Católica perdiam terreno para o anticlericalismo dos intelectuais e movimentos revolucionários e de sociedades secretas como a maçonaria e a teosofia.

Respondendo aos desafios de seu tempo, Allan Kardec (que adotou esse nome por acreditar ser a reencarnação de um antigo sacerdote druida) não apenas funda uma religião como também produz toda uma concepção teórica em que pretendia expor sua doutrina com base no método experimental, sugerindo que a conversação com espíritos é não apenas algo natural, mas também objetivo, racional, passível de observação, de evidências empíricas, agregando todos os elementos de uma doutrina científica. A crença na comunicação com os mortos e na vida após a morte não é algo recente na história humana e os registros mais antigos dão conta de que existem há pelo menos 30 mil anos. Através de Platão, a filosofia antiga também criara uma concepção de mundo e de homem baseada na dicotomia espírito e matéria. No diálogo Fédon, Platão analisa o corpo como prisão da alma, sendo esta anterior à existência corpórea e sobrevivendo a ela.

O que Kardec fez no século 19 foi adaptar essa dicotomia e a doutrina da reencarnação ao modelo cientificista de sua época. Seguindo a tradição hindu, Kardec acreditava que a reencarnação proporcionaria ao espírito passar de uma condição inferior à mais elevada, sendo cada ciclo uma nova oportunidade de aperfeiçoamento e aprendizagem. Incorporando princípios da biologia evolucionista e depois do darwinismo ele postulava que o espírito jamais reencarnaria no corpo de um animal, jamais voltaria a um estágio inferior, sendo sua marcha sempre progressiva, afirmou em “O livro dos espíritos”. Mas ao mesmo tempo em que tenta incorporar as doutrinas científicas de seu tempo para dar legitimidade a sua obra, Kardec também coloca os problemas sociais como sofrimento, guerras, injustiças sociais e pobreza como causas unicamente espirituais. Dessa forma, o espiritismo legitima os desajustes sociais, naturaliza-os e retira dos agentes históricos as responsabilidades por sua existência.

Devido ao fascínio que as elites brasileiras tinham pela França, não tardou para que o espiritismo adentrasse aqui. A transposição do kardecismo para o Brasil o fez sofrer algumas modificações e a principal delas talvez tenha sido a predominância do aspecto religioso sobre o filosófico. O espiritismo nasceu do descontentamento com a religião hierarquizada, com a hegemonia do clero. Mantendo-se distante de querelas teológicas, valorizava a liberdade individual e cultivava a tolerância a outros credos, além de não sujeitar seus adeptos a rígidas normas de conduta, posturas que mantém até hoje. Não por acaso muitos intelectuais se filiam a essa crença. No entanto, as reinterpretações da doutrina não impedem que os espíritas brasileiros continuem a considerá-la “científica”, incorporando, inclusive, tendências contemporâneas como a mecânica quântica. Essa obsessão cientificista está tão fortemente enraizada na doutrina espírita que dificilmente seus adeptos podem perceber os equívocos nela presentes.

Mesmo a mediunidade não pode ser considerada um fenômeno científico como pretendem. Waldo Vieira, amigo e parceiro de Chico Xavier, já denunciou os casos de fraude que envolviam suas atividades de psicografias. Em um vídeo disponível no Youtube ele conta que as pessoas mandam cartas com informações e detalhes para o médium colocar nas mensagens psicografadas e conclui que tudo é “jogo de carta marcada”. No vídeo ele diz:

Você sabe que essas mensagens psicografadas da pessoa que morreu assim, eles mandam uma carta com os detalhes pra pessoa colocar na mensagem psicografada. Tem médium que tá recebendo essas mensagens até hoje. Eu nunca recebi uma mensagem assim. Agora o pior disso é aquilo que eu falo pra vocês, a natureza humana não falha. Quando eu deixei o movimento espírita, mandaram umas cartas dessas pra mim pra eu receber a mensagem pra pessoa. Eu queimei as cartas, só pra não envolver ninguém. Então eles mandavam: o apelido dele é esse, a tia que ele gosta é essa, a madrinha dele é a fulana, ela mora assim e assim; o avô que ele gostava muito morreu no ano tal. Agora, eles mandavam essas cartas com tudo já mastigado pra você colocar. Tudo é carta marcada, jogo de carta marcada. […] Todo mundo que vai estudar isso acaba vendo porque vai encontrar isso aí. […] Tem médium até hoje que ainda tá recebendo essas coisas e fazendo aí um auê, né. Isso dá ibope, sabe, o processo é o seguinte: faz média com muita gente, etc. Então, a mãe faz média, o médium faz média, o centro espírita faz média, é um monte de coisas.

Essa fala de Waldo pode revelar apenas a ponta do iceberg que é o universo de fraudes espíritas. Ele faz questão de enfatizar que não participava disso, ou como se diz no jargão popular, tira o dele da reta, mas deixa escapar que recebia as cartas e as lia porque detalha seu conteúdo. Outro aspecto importante dessa fala é que ela explicita que a predisposição das pessoas para acreditarem no médium as leva a participar de uma espécie de pacto fraudulento fornecendo detalhes da vida do ente querido falecido. A fragilidade emocional certamente as deixa vulneráveis à sugestão e ao embuste e nesse sentido é muito sintomática sua frase de que “a natureza humana não falha”.

Ele também diz no início do vídeo que isso não abarca todos os casos de psicografia, mas apenas uma parte. A frase “tudo é jogo de carta marcada” não é surpresa pra quem tem uma postura cética em relação à prática da mediunidade, mas o fiel espírita, cético para com outras religiões mas não em relação à sua própria, reluta para não aceitar isso como uma prática corriqueira ou recusa-se a questionar as bases de sua crença. A ausência de um controle metódico do que se faz no ambiente espírita ou nos casos de psicografia e o próprio empenho dos fiéis para escamotear essas questões torna difícil para qualquer pessoa honesta compreender o que de fato ocorre abaixo da superfície.

No livro “O mundo assombrado pelos demônios”, Carl Sagan fez a seguinte observação:

Como é, pergunto a mim mesmo, que os canalizadores nunca nos dão informações verificáveis que nos são inacessíveis por outros meios? Por que Alexandre, o Grande, nunca nos informa sobre a localização exata de sua tumba, Fermat sobre seu último teoremaa, James Wilkes Booth sobre a conspiração do assassinato de Lincoln, Herman Goering sobre o incêndio do Reichstag? Por que Sófocles, Demócrito e Aristarco não ditam as suas obras perdidas? Não querem que as gerações futuras conheçam as suas obras-primas?

Recentemente, pesquisadores da USP divulgaram um estudo realizado em conjunto com outros cientistas de uma universidade na Filadélfia em que investigavam o que acontece com um médium quando entra em estado de transe. Descobriram que nos momentos em que realizam psicografia, por exemplo, o hipocampo esquerdo e o lóbulo frontal (responsável pelo raciocínio, planejamento e linguagem) apresentavam baixa atividade. Isso era perceptível nos mais velhos, que exercem a atividade há mais tempo; nos mais jovens essas áreas do cérebro continuavam a manter atividades normais, o que segundo os pesquisadores, indica que essas pessoas faziam maior esforço para realizá-la.

Mesmo as EQM’s (ou experiências de quase morte), narradas por pessoas que afirmam a sensação de terem saído do corpo após um estado de coma ou inconsciência, não são atividades paranormais consideradas definitivas para a ciência. Para alguns cientistas, essas experiências são resultado da liberação de endorfinas pelo cérebro como uma preparação para a morte. A vontade de acreditar deixa as pessoas vulneráveis à sugestão, o que é compreensível, pois afinal, para muitos seria insuportável a vida sem a noção de continuidade. Como numa brincadeira de faz de conta usamos as crenças religiosas para tentar enganar a morte, mesmo que pra isso as pessoas façam vista grossa ou ignorem o charlatanismo e a duplicidade dos que fazem canalizações, comunicações com os mortos, o que for. De qualquer forma, a ciência nada tem a ver com essas crenças.

É fato que a ciência não tem todas as respostas paras as questões existenciais, mas tentar transformar dogmas religiosos em doutrinas científicas é uma atitude espúria e desnecessária e os espíritas não são os únicos religiosos a fazerem isso. Ideias como reencarnação ou imortalidade da alma estão além de nossa capacidade de verificação empírica e são exclusivamente objeto de fé pessoal, assim como as noções de Deus, ressurreição, vida extraterrestre, etc. Isso não quer dizer que a ciência seja refratária à religião, pois nasceu dela e dialoga com ela. Mas não é igual a ela: a ciência investiga, experimenta, testa, mede, contesta, postula – essa é a postura científica e o espiritismo está fundamentado antes em dogmas incontestáveis do que nessa postura. Por exemplo: acredita-se que seus textos fundacionais (obras de Allan Kardec) sejam revelados e está pautada em crença na salvação (daí a valorização da caridade), numa divindade, em hierofanias (manifestações do sagrado), além de prescrições e interdições éticas e morais. Ora, sabemos que a ciência não trabalha com verdades reveladas nem com perspectivas salvacionistas ou pressupostos espirituais de natureza religiosa. A ciência moderna reconhece apenas a existência de matéria e energia no universo e não corrobora qualquer afirmação de continuidade da vida após a morte ou existência de seres imateriais.

Pode-se mesmo falar em “fé científica”, mas o que designamos por isso é bem diferente de uma fé religiosa. Como dizia Carl Sagan, afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. A pretensão dos espíritas de tratar sua religião como ciência não faz sentido para um credo que possui dogmas, livros revelados e se apresenta a partir de um arcabouço de crenças religiosas, pois nada disso diz respeito ao conhecimento científico. A ciência pode nos precaver de charlatanismos, da sugestão e da desonestidade de líderes e tendências religiosas, mas uma vez que também não pode nos prover de um sentido último para a existência, pelo menos no sentido de uma continuidade da vida após a morte, as religiões podem preencher essa lacuna para aqueles que se contentam com suas explicações e significados; contudo, sua iniciativa de usurpar um lugar junto à ciência é espúria. Religião e ciência não falam sobre as mesmas coisas, não usam a mesma linguagem para explicar o mundo e não são complementares.

Texto editado em 02/11/2015

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62 thoughts on “Espiritismo: religião sim, ciência não

  1. Bruno Ribeirk 09/03/2013 / 21:44

    Chico Xavier dizia que o espirito iria de manifestar sempre em um corpo branquinho. Muitos ocultistas também aderiram à seita espírita, como também maçons do séc XIX animados com o progressismo.abracos

  2. Munhoz 11/03/2013 / 15:12

    Texto bastante elucidativo. Muito bom, Bertone!

  3. Lisa 11/03/2013 / 19:58

    Elucidativo aonde? Tu ao menos leu os livros da codificação antes de escrever esse texto ai? Você fala de charlatões. Já viu um médium em “ação”? Pois é, dúvido muito. Charlatões são pastores, que exigem dinheiro daqueles que muitas vezes não tem nada em casa. O espiritismo não faz nada além de pregar o amor de Deus. Você fez o texto inteiro amigo, ERRADO. Quer saber porque? Espiritismo (e você saberia disso se tivesse se informado) é DOUTRINA, não religião.

    • Bertone Sousa 11/03/2013 / 21:07

      Lisa”,

      eu não escrevo sobre o que não conheço. A sua reação é a mais previsível de alguém que se sente contrariado com críticas. E o que te faz pensar que charlatanismo existe apenas na religião dos outros, mas não na sua? Os pastores que “exigem dinheiro de quem nada tem em casa” também pregam o amor de Deus. Uma coisa não tem a ver com outra e esse nem é o foco do texto. E se você acha que esse texto inteiro está errado, argumente. E sim, o espiritismo é religião. A explicação que as religiões dão de si mesmas e as explicações que as ciências sociais fazem das religiões não são a mesma coisa. Não sou eu que estou desinformado. Você precisa estudar se quiser argumentar nesse campo.

    • JOSILENE FRANÇA 20/03/2016 / 17:59

      CONCORDO COM A LISA,, ATÉ ONDE SEI O ESPIRITISMO É UMA DOUTRINA E NAO UMA RELIGIÃO

      • Maicon 25/10/2016 / 13:44

        Doutrina não é uma especie de deixar a pessoa fora da casinha, com medos fobias e etc, apesar de pregarem a caridade, nao passa de uma farça que se pegar pessoas com cabeças fracas caem em depressão e tantas outras doenças psicologicas

  4. Mira Santini 13/03/2013 / 23:23

    O que eu gosto em você Bertone é que você consegue desagradar católicos, evangélicos, ateus e agora os espíritas. Muito democrático e parabéns pelo excelente texto.

    • Bertone Sousa 14/03/2013 / 1:13

      Pois é Mira, e as pessoas se zangam tão facilmente. Obrigado por ler e comentar.

  5. Bruno Ribeirk 14/03/2013 / 15:09

    Perfeito, Bertone. O único ponto que discordo é que, na minha concepção, a verdade com V maiúsculo existe, sim.

  6. Bruno Ribeirk 14/03/2013 / 20:15

    Partindo da idéia de Descartes e Kant, a verdade em si, isto é, a verdade com V maiúsculo é externa ao ser humano. Mas eu me refiro não no sentido filosófico, mas no campo das ciências sociais. Fatos sociais e históricos, concorda?

  7. Bertone Sousa 14/03/2013 / 20:25

    Não, Kant retomou a crítica de Hume, que refutou a concepção de Descartes de ideias claras e distintas. Em ambos (Hume e Kant), nossa estrutura mental é que determina o que entendemos por realidade. Em ciências sociais é que essa concepção não pode ser usada mesmo. Fatos sociais e históricos sempre estão ligados a uma consciência epocal e a versão dos historiadores também.

  8. Bruno Ribeirk 14/03/2013 / 20:51

    Mas aí vira uma confusão retórica. Não é verdade dizer por exemplo, que o holocausto de fato ocorreu? Será que uma interpretação de um historiador nazista deve ser levara em conta? A versão desse historiador deve prevalecer?

  9. Bertone Sousa 14/03/2013 / 20:56

    Essa é uma das principais discussões que existem hoje (e que se arrasta há décadas) na historiografia.

  10. Bruno Ribeirk 14/03/2013 / 21:29

    Bertone, desculpe minha ignorância histórica, mas ouvi uma repórter citar Jerusalém como “A terra dos judeus, muçulmanos e cristãos”. Mas Jerusalém não fica dentro do Estado judeu e,por isso, deveria ser a terra dos judeus e nao dos muçulmanos e cristãos?

    • Bertone Sousa 14/03/2013 / 21:43

      Bruno, esse não é o foco do texto. Vamos nos ater ao tema do texto.

  11. Jonatan 15/03/2013 / 19:19

    Bertone,

    É adepto ou simpatizante do Cientismo?

    • Bertone Sousa 16/03/2013 / 1:42

      Jonatan, acho que você quis dizer cientificismo ou cienticismo, que são as expressões mais comumente usadas em português. No sentido que o termo tem na língua inglesa, sim, mas não no sentido positivista. O que considero importante, nesse caso, é distinguir ciência de pseudo-ciência, dar nome aos bois. Isso é necessário pra se evitar confusões conceituais.

  12. Deyb 17/03/2013 / 21:02

    Vale ressaltar que o espiritismo(termo criado por Kardec), foi uma seita dentro do movimento espiritualista que se expandia na Europa e na América no século XIX, e sua doutrina básica, a reencarnação, encontrou forte resistência por parte dos espiritualistas europeus(anglo-saxões) e dos norte-americanos. A doutrina kardecista só encontrou eco nos países latinos, sobretudo no Brasil, onde ainda cresce de maneira significativa entre grupos tidos como letrados, contrastando com o resto do mundo, onde está em franca decadência. Na França, berço da doutrina, está esquecida. O espiritismo é um fenômeno, na atualidade, eminentemente brasileiro.

  13. Deyb 17/03/2013 / 21:08

    Artur Conan Doyle, ao escrever a história do movimento espiritualista até o início do século XX, deu pouco atenção ao espiritualismo francês, dando a entender que a obra de Kardec, apesar de ter tido boa aceitação na França, não teve impacto sobre o restante do movimento, que restringiu, de forma geral, à própria França. O grosso dos espiritualistas ingleses e americanos rejeitaram sua doutrina principal. E isso parece que continua até os dias atuais…

  14. Deyb 17/03/2013 / 21:14

    A o traduzir a obra de Doyle, os kardecistas brasileiros, inapropriadamente, traduziram o termo espiritualismo por espiritismo, o que, de certa forma, é um erro crasso, ou má-fé. Doyle não era espírita, e pelo teor da obra que escreveu não nutria muita simpatia por Kardec. Sua caracterização do espiritualismo francês foi meramente descritiva. E nenhuma obra de Kardec consta entre os livros que o influenciou dentro do espiritualismo. Kardec era uma figura secundária do movimento, apesar de sua influência posterior.

  15. Vanderson 30/03/2013 / 1:14

    Uma pequena correção: não existe dogma algum no espiritismo. Por isso não há o que se falar sobre “dogmas incontestáveis”.

    Outra questão: “A ciência moderna reconhece apenas a existência de matéria e energia no universo e não corrobora qualquer afirmação de continuidade da vida após a morte ou existência de seres imateriais.” Concordo plenamente contigo quando diz que não é provado cientificamente esses dois pontos. Porém já há várias pesquisas no campo científico sobre a hipótese da existência da alma e na vida após a morte. Agora somente o tempo para afirmar algo sobre isso.

    Abraço.

    • Bertone Sousa 30/03/2013 / 1:24

      Vanderson,

      toda religião está fundamentada em dogmas que são repassados como verdades reveladas a seus fiéis, e a reencarnação é dos um principais dogmas sobre os quais está assentado o espiritismo, assim como o dogma de “evolução” espiritual. Dizer que o espiritismo é “racional” (como alguns o fazem) ou que não contém dogmas é auto-engano de pessoas que forçosamente atribuem cientificidade a suas crenças religiosas.

      Sobre a outra questão, a ciência estuda as hipóteses sobre alma e vida após a morte, mas até agora nada pôde afirmar de conclusivo por ausência de evidências. Pesquisar é diferente de provar; nem todo objeto de pesquisa apresenta evidências passíveis de comprovação científica e, até o momento, esse tem sido o caso desses temas.

      • Vanderson 31/03/2013 / 23:36

        Bertone, você está enganado quando diz que toda religião está fundamentada em dogmas (pelo menos em relação ao espiritismo). O espiritismo tem um cunho muito mais filosófico do que religioso. Há algumas discussões entre os estudiosos do espiritismo em relação a esta questão do espiritismo ser considerado também como religião. Uns entendem que também pode ser considerado como religião pela questão da etimologia da palavra, do religare, religar a Deus. Outros porém, entendem que não pode ser considerado como religião justamente por essa questão levantada por você: os dogmas. O espiritismo se baseia em princípios, e não dogmas. Dogma é dado como indiscutível e incontestável. Princípio é uma acepção fundamental em que algo é baseado ou de que derivado. Então como pode-se afirmar que o espiritismo possui dogmas se o próprio Kardec disse: “Se algum dia a ciência provar que o Espiritismo, está errado em determinado ponto, abandone este ponto, e fique com a ciência.” ? Justamente por isso que o espiritismo é baseado em princípios, e não em dogmas (reencarnação e evolução não são dogmas). Peço, por gentileza, que leia este artigo:

        http://www.espiritualidades.com.br/Artigos/S_autores/SILVA_NETO_SOBRINHO_Paulo_tit_Reencarnacao_dogma_dos_espiritas.htm

        “Sobre a outra questão, a ciência estuda as hipóteses sobre alma e vida após a morte, mas até agora nada pôde afirmar de conclusivo por ausência de evidências.”

        Mais uma vez concordo contigo. Mas como você mesmo disse, até agora nada podemos afirmar sobre tais possibilidades, ou seja, pode ou não pode existir.

        “Pesquisar é diferente de provar; nem todo objeto de pesquisa apresenta evidências passíveis de comprovação científica e, até o momento, esse tem sido o caso desses temas.”

        Quando usei o termo “pesquisa”, quis me referir ao aprofundamento do assunto. Talvez o termo mais correto seria “estudo”. Realmente há uma barreira muito grande que impede o avanço da ciência nessa questão para se provar a existência dos espíritos, que é a análise em laboratório. Por se tratar de um corpo anímico que possui vontade própria, o teste em laboratório fica prejudicado. Porém, há outros campos que podem ser explorados para para se evidenciar tal fato, como por exemplo a Terapia de Vidas Passadas que vem sendo estudado e analisado com seriedade; dentre outros.

        Caso queira se aprofundar no tema e aprender um pouco mais sobre o espiritismo, acesse estes sites:

        http://www.espirito.org.br
        http://www.paulosnetos.net
        http://www.apologiaespirita.org/apologia/index.php

        OBS: Realmente não coloquei esses sites por acaso. Eles realmente sanam muitas dúvidas sobre o espiritismo. Vale a pena conferir, e peço que o faça.

      • Bertone Sousa 01/04/2013 / 1:38

        Vanderson,

        esse ranço de o espiritismo querer se afirmar como “sistema filosófico” e “científico” ao invés de religioso se deve ao contexto em que nasceu, que expliquei no texto. Mas existe uma diferença nas interpretações que as religiões dão a si próprias e nas interpretações que as ciências sociais dão a elas. Nesse caso, há dogmas sim no espiritismo que lhe dão uma identidade enquanto sistema religioso. Chamar a isso de “princípios” é apenas um eufemismo. No espiritismo, as ideias de salvação, Deus, reencarnação, existência de alma imortal são dogmas incontestáveis e várias de suas escrituras, notadamente as de Allan Kardec, são tidas como sagradas porque reveladas. Isso não são características de uma teoria filosófica ou científica, mas de uma doutrina religiosa.

        O espiritismo possui um direcionamento ético, princípios morais, noções de certo e errado, a ciência não tem nada disso. A ciência é descritiva e explicativa, não normativa. O fato de você dizer que o espírito “é um corpo anímico que tem vontade própria” é uma definição religiosa sem validade científica. Se a ciência conseguir provar, por exemplo, que o espírito é uma radiação eletromagnética, então isso deixa de ser um fenômeno sobrenatural para se tornar uma entidade física.

        A frase de Allan Kardec que você citou não se aplica aqui. Veja: se você diz que Deus falou contigo ou que você viu um espírito, a ciência não tem como provar que você está errado nem que está certo. Isso é um ato de fé. A ciência não vai provar que Moisés não viu Deus na sarça ardente, ou que o mar Vermelho não se abriu para os hebreus passarem, isso é questão de fé. Da mesma forma, não há nenhuma garantia de que “terapias de vidas passadas” não passem de um grande engodo. Sobre a questão de espíritos, ainda não se passou do patamar de crenças pessoais ou sugestão para a pesquisa empírica. Há realmente muita pesquisa investigando o assunto, como há muita gente confundindo religião com ciência para fazer afirmações estapafúrdias.

        A ciência não reconhece, repito, nenhuma entidade imaterial que interaja com a matéria, até porque do ponto de vista científico, essa interação não é possível ou pelo menos não poderia ser estudada porque não poderia ser analisada pelas leis da física. Há pesquisas na área da neurociência que estudam a possibilidade de a mente sobreviver à morte física. Agora o fato de a própria mente não ser uma entidade física e nem poder ser estudada de fora pra dentro dificulta muito as coisas. O que vejo é que os espíritas misturam muito religião com ciência e fazem uma confusão enorme com isso. Esses links que você mandou provam isso. Mas fora da crenças e das publicações vinculadas à própria religião, não há nada que possa provar outra coisa além da matéria.

  16. Vanderson 01/04/2013 / 12:11

    Bertone, pelo visto você não se deu ao trabalho de entrar nos sites que eu indiquei. Uma pena pois eles vão te dar uma ideia maior e melhor do que é o espiritismo. Você diz que o espiritismo possui um ranço de querer se firmar como sistema filosófico e científico e cita o seu texto. Desculpe-me, mas para entender realmente o espiritismo, não basta ler, mas sim estudar (Kardec dizia isso justamente pelo fato de alguns detratores quererem desmentir o espiritismo sem ao menos se darem o trabalho de estudá-lo.).

    Mais uma vez você insiste em dizer que a reencarnação é um dogma. Mas você ignorou o significado da palavra dogma e da palavra princípio para poder afirmar isso. Mostre-me que dogma não quer dizer que algo é indiscutível e incontestável que sua opinião estará certa. Vou repetir a frase de Kardec: “Se algum dia a ciência provar que o Espiritismo está errado em determinado ponto, abandone este ponto, e fique com a ciência.” Por acaso se algum princípio do espiritismo fosse um dogma como você diz, ele poderia deixar de ser seguido já que Kardec diz para ficarmos com a ciência se ela provar o contrário? Não há lógica em querer afirmar o contrário já que dogma deve ser seguido e pronto, coisa que não há, repito, não há no espiritismo.

    Em relação a você dizer que o espiritismo não tem nada de ciência, deixo um link de um texto que fala um pouco sobre isso (apesar do título ser: A ciência desmente o espiritismo?):

    http://www.paulosnetos.net/index.php/viewdownload/5-artigos-e-estudos/4-a-ciencia-desmente-o-espiritismo

    Esse texto vai elucidar de uma forma muito melhor do que eu a relação espiritismo x ciência.

    “A frase de Allan Kardec que você citou não se aplica aqui. Veja: se você diz que Deus falou contigo ou que você viu um espírito, a ciência não tem como provar que você está errado nem que está certo. Isso é um ato de fé. ”

    Ato de fé? Supomos que você seja um cientista cético e você presencie um fenômeno mediúnico (ou algum fenômeno paranormal). Após isso, lhe caberia como cientista analisar a conjuntura toda e provar se o que aconteceu não foi armação ou charlatanismo. Isso seria um ato de fé? Obviamente eu dizer por exemplo que nesse momento estou vendo um espírito poderia ser algo da minha mente já que não há testemunhas. Mas e se houvesse? Nesse mesmo site que te passei tem um texto muito interessante que fala sobre os acontecimentos na casa das irmãs FOX. Vários céticos e pessoas de outras religiões foram conferir para tentar desmentir e não conseguiram até hoje.

    “Da mesma forma, não há nenhuma garantia de que “terapias de vidas passadas” não passem de um grande engodo.”

    Veja se isso pode dar pelo menos uma certa credibilidade ao assunto:

    “A maioria das pessoas não faz a menor ideia do que se anda fazendo a respeito das
    pesquisas sobre a reencarnação. Os religiosos sempre querem levar essa questão para o lado religioso. Ora, a existência da reencarnação não é uma questão religiosa, mas apenas uma das leis da Natureza. E como lei da Natureza, mais cedo do que muitos pensam irá ser provada com absoluta certeza. A grande parte dos pesquisadores, inclusive, diga-se de passagem, não são espíritas, normalmente lutam para vencer conceitos (ou preconceitos) anteriores, mas a razão fala mais alto e acabam divulgando o seu trabalho.

    Podemos, por exemplo, citar o Professor, Dr. Ian Stevenson, médico psiquiatra, nascido
    em Quebec, a 31.10.1918. Conforme nos informa Dr. Hernani Guimarães Andrade, em seu
    livro Você e a Reencarnação, Dr. Stevenson possui as seguintes credenciais: “Carlson
    Professor de Psiquiatria” e Diretor de Divisão de Estudos da Personalidade na Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos. Diz, Dr. Hernani que este pesquisador já levantou 2600 (dois mil e seiscentos) casos sugestivos de reencarnação. O objeto de pesquisa do Dr. Stevenson são crianças que se lembram espontaneamente de outras vidas. (ANDRADE, 2002, p. 101)

    Nessa mesma linha de pesquisa podemos citar o Dr. H. N. Banerjee, Diretor do
    Departamento de Parapsicologia da Universidade de Rajasthan, Índia, que em 25 anos de
    pesquisa conseguiu catalogar mais de 1.100 (mil e cem) casos.
    Merece ser também citado o Dr. Brian Weiss, psiquiatra e neurologista de renome,
    formado pela Columbia University, professor Catedrático de um dos mais conceituados
    hospitais americanos, o Mount Sinai Medical Center.
    O físico francês Patrich Drouot, doutorado pela Universidade Columbia de Nova York,
    pesquisa há mais de 15 anos a reencarnação.
    Dra. Edith Fiore, psicóloga, com doutorado na Universidade de Miami. Pertence à
    Associação Americana de Psicologia, à Sociedade Internacional de Hipnose, à Sociedade
    Americana de Hipnose Clínica e à Academia de Hipnose Clínica de San Francisco.
    A Dra. Helen Wambach, psicóloga, autora do livro “Recordando Vidas Passadas”, onde
    relata o resultado da regressão a vidas passadas realizadas em 1083 (um mil e oitenta e três) pacientes. Essa pesquisa é interessante porque a Dra. Helen, estabeleceu cerca de dez datas escolhidas no período compreendido de 2.000 a.C. ao ano de 1.900, para as quais dirigia seus pacientes. Buscou coletar dados sobre sexo, aparência, vestuário, ambiente, alimentação, tipo de moeda usado para cada data que seu paciente, em hipnose, era conduzido a ir para reviver suas experiências de outras vidas. Montou vários gráficos estáticos, dos quais tirou várias conclusões e se espantou, por exemplo, pelo fato da divisão dos sexos (49,4% de mulheres e 50,6% dos homens) e a distribuição das densidades populacionais nesse período coincidirem com os argumentos da Biologia e com os dados estatísticos atualmente aceitos.

    Especificamente no Brasil, podemos citar o pesquisador Hernani de Guimarães Andrade,
    mineiro de Araguari, formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de
    São Paulo (USP), cujo interesse o fez entesourar conhecimentos na área da Física, Biologia,
    Cosmologia e Parapsicologia. Autor de vários livros, entre eles: “Espírito, Perispírito e Alma”,
    “Matéria Psi”, “Morte – Uma Luz no Fim do Túnel”, “Morte, Renascimento e Evolução”,
    “Parapsicologia Experimental”, “Parapsicologia Uma Visão Panorâmica”, “Poltergeist: Algumas
    Ocorrências no Brasil”, “Psi Quântico”, “Reencarnação no Brasil”, “Renasceu por Amor”,
    “Transcomunicação Através dos Tempos”, e finalmente, o mais recente, “Você e a
    Reencarnação”.
    Importante o trabalho científico dos psicólogos paulistas Manoel Simão e Júlio Peres,
    que com a ajuda da tomografia computadorizada, buscaram desvendar qual a área do cérebro que atua no momento que uma pessoa está em regressão. Para isso fizeram o mapeamento cerebral de alguns dos seus pacientes, durante as sessões de regressão, usando aparelhos de tomografia computadorizada. Os exames revelaram que a área do cérebro ativada é a área da memória. A parte que comanda os circuitos da imaginação, durante a regressão, não entra em atividade. Isso vem justamente confirmar que a regressão não é fruto da imaginação como dizem nossos críticos.
    Uma pesquisa inédita que vem sendo realizada no Brasil por João Alberto Fiorini,
    delegado de polícia, que trabalha na Agência de Inteligência do Paraná. Como Fiorini acha ser possível confirmar a reencarnação utilizando como evidência a impressão digital, sua pesquisa caminhou para este objetivo. Embora, apesar de ainda estar iniciando suas pesquisas Fiorini, já conseguiu catalogar três casos.
    Vejamos o que Hermani de Guimarães falou sobre o futuro das pesquisas sobre reencarnação:

    À semelhança do que se passou com as afirmativas de Aristarco de Samos
    (300 a.C.), de Nicolau Copérnico (1473-1543), de Giordano Bruno (1550-1600)
    e de Galileu Galilei (1564-1642), acerca da esfericidade e movimento da Terra e
    dos planetas ao redor do Sol, a teoria da reencarnação também será aceita com
    uma lei da Natureza. Pelos nossos cálculos, este evento ocorrerá até mais ou
    menos no ano de 2010.'”

    Acho que isso é suficiente tanto para mostrar que não se trata de um engodo, pois seria desqualificar os pesquisadores, como também para mostrar que há outros campos que estão sendo explorados.

    Peço também que dê uma pesquisada sobre o físico Amit Goswami. Ele levanta questões muito interessantes, como por exemplo um possível erro da ciência em não considerar a existência de um plano espiritual e somente a matéria (e anti-matéria) tornando-a limitada no avanço de estudos ligados a essa questão.

    “O que vejo é que os espíritas misturam muito religião com ciência e fazem uma confusão enorme com isso. Esses links que você mandou provam isso. Mas fora da crenças e das publicações vinculadas à própria religião, não há nada que possa provar outra coisa além da matéria.”

    Camarada, com certeza não deu tempo de você ler o conteúdo dos sites indicados. Então você não pode dizer que esses links provam o que você disse no parágrafo supra-citado. Ao contrário, prova que você não leu nada. E se você acha que realmente prova ao contrário, traga para nós sua refutação. Mais uma vez eu repito, não basta ler sobre o espiritismo, porque ler qualquer um pode. Há de se estudar a fundo assim como qualquer outro assunto para podermos afirmar algo contrário sobre ele.

    “[…] Portanto, como dizemos frequentemente, o estudo sério do
    Espiritismo tende a destruir as crenças verdadeiramente supersticiosas. Na
    maioria das crenças populares, quase sempre, há um fundo de verdade, mas
    desnaturado, amplificado, são os acessórios, as falsas aplicações que
    constituem, propriamente falando, a superstição. (KARDEC, 2000b, p. 155).”

    Tenha uma boa tarde.

    • Bertone Sousa 01/04/2013 / 18:03

      Vanderson,

      claro que não li tudo, mas algumas coisas. Aliás, já conheço alguns sites de divulgação espírita, inclusive já tinha lido o José Reis Chaves, que é colunista de um desses sites aí. O que acontece é que você se sujeitou a uma verdadeira lobotomia para acreditar nessas coisas aí.

      É claro que as doutrinas essenciais do espiritismo são dogmas e o fato de você querer negar isso mostra sua completa ignorância do que seja religião e de como ela se manifesta. Ou você acha que a ciência prega salvação, ética, conduta moral certa e errada? Se você fosse honesto, reconheceria que o espiritismo é um sistema religioso. Essa pretensão de cientificidade está relacionada à absorção de ideais do positivismo e do evolucionismo do contexto em que a religião nasceu. Vejo que você está vindo aqui só fazer propaganda. O que os espíritas fazem é panfletagem religiosa travestida de ciência. Pseudo-ciência pura. Onde você viu uma definição científica de espírito como “corpo anímico que possui vontade própria” se não foi no catecismo de sua religião? Chegar aqui vomitando links e mais links de panfletagem religiosa qualquer um pode fazer e não quer dizer nada. Você se entupiu de doutrinação religiosa e esqueceu de estudar de verdade em que consiste a pesquisa científica, como opera e como trabalha com evidências. Há também dezenas de links na internet mostrando que o espiritismo não tem fundamentação científica nenhuma e que poderia colar aqui. Pela sua negação do dogma, até parece que o espiritismo aceita como verídicas pesquisas que rejeitam por falta de evidências científicas os dogmas da reencarnação, de vidas passadas, de evolução espiritual. Se houvesse honestidade entre os espíritas, reconheceriam que a ciência simplesmente não prova nada disso, não tem, até o momento, como afirmar a veracidade. A ciência não prova que algo não existe, isso não faz sentido. Não faz sentido querer “provar”, por exemplo, que não existem unicórnios, fadas, duendes, dragões. A ciência se cala sobre o que está fora de seu campo de ação. Mas ninguém viu ou pelo menos jamais provou a existência desses seres. Então, se alguém afirma que existem, é sua crença pessoal e querer transformar isso em verdade científica é fraude.

      A neuro-ciência tem sim desenvolvido inúmeros estudos acerca do que acontece com a mente na hora da oração, da meditação, dependendo do credo religioso, e tem mostrado como o cérebro reage nesses momentos, como tem mostrado o que acontece com o organismo quando as pessoas alegam ter sido “curadas”. Por exemplo: em momentos de meditação ou oração, o lobo parietal do cérebro escurece, fazendo a pessoa perder a noção de tempo e espaço e levando-a a sentir uma sensação semelhante a uma unidade com o cosmo. Também tem mostrado que ações de fé ajudam o cérebro a liberar serotonina contribuindo para a regeneração de células ou o desaparecimento de variados males físicos. Nesse caso o que se coloca é que há um efeito placebo. Mas para a ciência nada disso se trata de fenômenos espirituais ou sobrenaturais, mesmo que alguns não possam ainda ser explicados. Como eu falei, a ciência não reconhece entidades imateriais que interajam com a matéria. Você chamar isso de Deus, espírito, é questão de fé pessoal. Para a ciência uma proposição só é científica se puder ser explicada pelas leis da física. Pesquisas científicas também já mostraram que experiências religiosas produzem no cérebro efeitos alucinógenos semelhante ao de drogas. A questão gira em torno do estudo da mente e de como o cérebro reage a esses estímulos.

      O fato de vários físicos quererem provar a existência de um mundo espiritual no sentido de imaterial não significa que consigam, como de fato não têm conseguido. O fato de um físico (você citou, mas há outros) propor que a ciência está errada em não reconhecer a existência de um plano espiritual além da matéria, não quer dizer que ele tenha evidências pra isso. A ciência não faz afirmações conclusivas sobre isso não é por causa de um complô ou de uma conspiração contra as religiões. Muito pelo contrário, há muitos pesquisadores, mesmo não religiosos, abertos à possibilidade da existência de Deus ou de entes sobrenaturais, mas do ponto de vista da pesquisa empírica nada pôde comprovar isso. Como nenhuma experiência de regressão até agora provou a existência de “vidas passadas”, ou reencarnação. Toda essa verborragia espírita de querer forçar evidências usando apenas retórica não passa de blá-blá-blá.

      Você está querendo provar no grito, como todo espírita faz, que sua religião é “ciência” e não é, meu caro. Nem chega perto de ser um sistema filosófico. Estudo o espiritismo também, por isso sei o que estou dizendo. Não sou eu que tenho que provar que reencarnação não existe, é você que tem que provar que existe. O ônus da prova é seu, e até agora você só fez rodeios, citou nomes e links que não provam nada. Vejo que estudar pra você é aderir a essa lobotomia, fazer essa confusão mental de religião e ciência; entendo que só por esse meio alguém poderia aceitar que o espiritismo é ciência, mas honestamente, tudo isso continua sendo objeto de fé pessoal. Como você está fazendo mais propaganda do que qualquer outra coisa, encerro por aqui ou teríamos que continuar nos repetindo.

  17. strodrigo 05/04/2013 / 10:36

    Vanderson, tente ser mais conciso ou fica difícil ler tudo o que você escreve ! Ninguém tem tanto tempo assim….

    Vim apenas tentar esclarecer um pouco a ideia que você formou de Dogma. tentando dissociá-la do espiritismo. Dogmas são pontos centrais de uma doutrina e que são indiscutíveis. Sim, essa é a definição formal de dogma, porém o equívoco está na sua interpretação da definição. Indiscutível nesse caso, não significa insolúvel. A Igreja católica dissolveu diversas de suas doutrinas ao longo da história, esse não é o ponto.

    Veja, para se atribuir qualquer critério científico ao espiritismo precisamos, precisamos identificar se no espiritismo o acúmulo ou abandono de conhecimento ou prática é sistematicamente validado pelo método científico. O fato de se abandonar idéias que foram desmentidas pela ciência, não tornam os espíritas mais “cientistas”, apenas mais sensatos.

    Todo ensinamento ou “estudo” dentro do espiritismo parte do ponto de que espíritos existem e são transcendentes e partem daí. Ou seja temos aqui dois “dogmas”, ou seja duas idéias que foram aceitas e difundidas sem terem sido postas a prova, não foram “discutidas”.

    Ninguém dentro do espiritismo põe a prova se espíritos existem de fato. Mesmo que não existam fatos para sustentar essa hipótese. Isso faz da crença em espíritos um dogma.

  18. Marcelo Jensen 02/05/2013 / 22:16

    Bertone,

    Seu texto é bem informativo, porém sua pesquisa sobre Kardec não foi tão profunda, e aqui no brasil tivemos um grande conhecedor de Kardec chamado Herculano Pires, o qual na Obra Agonia das Religiões cita “Kardec recusou-se a falar em Religião Espírita, sustentando que o Espiritismo é doutrina científica e filosófica, de consequências morais. Mas deu a essas consequências enorme importância ao considerar o Espiritismo como desenvolvimento histórico do Cristianismo, destinado a restabelecer a verdade dos princípios cristãos, deformados pelo processo natural de sincretismo religioso que originou as igrejas cristãs”.

    • Bertone Sousa 02/05/2013 / 22:29

      Marcelo,

      essa visão é algo que se depreende da leitura das obras do próprio Kardec. Mas, historicamente, a ideia de restabelecer algo ou retornar às origens de um credo perpassaram inúmeros movimentos religiosos ao longo do tempo. Por isso, como eu disse acima, há diferenças na forma como as religiões veem a si mesmas e na forma como são definidas a partir de uma visão externa como a das ciências sociais.

  19. Dantas 31/05/2013 / 23:06

    Bem Bertone,

    Achei bom o seu texto, mas veja como até mesmo naquilo que parece de mais certo, pairam dúvidas e incertezas. O próprio pseudônimo do Prof Rivail, Alan kardec, que o movimento espírita brasileiro tem como certo ser inspirado numa encarnação como druida, pode não ser verdadeira, certa vez vi um estudo em que se questionava tal versão, usando-se inclusive documentos do século XIX e testemunhos de amigos íntimos de Kardec, que sequer sabiam disso, mas a versão hegemônica em terras tupiniquins é essa.

    Outro ponto que me chamou a atenção foi seu debate com o Vanderson e quando disse no seu texto ser espúrio transformar dogmas religiosos em princípios científicos. Penso haver dois pontos:

    De um lado, o Espiritismo nasceu num século, em que os paradigma científico podia abarcar uma doutrina Espírita, assim como tinha em seu bojo eugenia, racismo, frenologia, geração espontânea etc. Creio que não houve nada de espúrio num homem do século XIX interpretar certa realidade, conforme o saber típico do seu tempo. Desconfio até que o discurso que vemos reproduzido hoje nos centros é um eco das concepções que se davam a dogma, ciência, religião e o modo como Kardec as interpretava no século retrasado, além, claro, como estratégia discursiva de legitimação etc.

    Obviamente que estamos no século XXI e os limites entre ciência e religião, realidade objetiva e transcendente foram redefinidas e para mim, como espírita, o Espiritismo lida sim com a esfera religiosa do sagrado e da transcendência e isso não lhe diminui em nada. Na verdade se os próprios espíritas lessem com cuidado, perceberiam que Kardec não comete a imprudência de igualar espiritismo e ciência, embora ele tivesse a firme convicção de que no futuro as investigações iriam revolucionar a ciência. Veja o que ele diz em sua introdução ao Livro dos Espíritos:

    “(…) As ciências ordinárias assentam nas propriedades da matéria, que se pode experimentar e manipular livremente; os fenômenos espíritas repousam na ação de inteligências
    dotadas de vontade própria e que nos provam a cada instante não se acharem subordinadas aos nossos caprichos.
    As observações não podem, portanto, ser feitas da mesma forma; requerem condições especiais e outro ponto de partida. Querer submetê-las aos processos comuns de investigação é estabelecer analogias que não existem. A Ciência, propriamente dita, é, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se
    ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter. O ESPIRITISMO É O RESULTADO DE UMA CONVICÇÃO PESSOAL (…)” (grifo meu)

    Pelo que vejo nos dias atuais a própria parapsicologia não é vista como ciência em muitos círculos, além de possivelmente, não ter muitas fontes de subsídio a suas pesquisas. Vejo na atualidade muitos ataques de grupos céticos aos espíritas.

    Bem, critica é normal, mas me parece ter havido um recrudescimento da oposição, acho que a questão é social: eles, céticos e espiritas, ocupam o mesmo nicho social e o crescimento de um grupo implica na redução do outro.

    Quanto ao Waldo Vieira, olha não querendo envenenar o poço, nem sou chiquista, mas acho que é sempre bom fazermos uma crítica das fontes e as versões dele, que eu tenha visto, sempre apresentava incoerências. Tanto que nos grupos céticos que visito, sempre que certo caso não possa ser enquadrado em conhecimentos prévios como cartas dos parentes, apelasse a capacidades incomuns do Chico: grande poder de empatia, persuasão, memorização (até telepatia) para justificar.
    No final, a verdade já estava definida A PRIORI por estes apologistas, a questão era só fazer os recortes e juntar indícios para prová-la e colocar as incoerências debaixo do tapete.

    Contudo, o que eu acho mais problemático é que via de regra os grupos que usam o testemunho do Waldo não o problematizam, aliás é estranho que em tantos anos de engodo, repetido milhares de vezes, o Waldo seja a única testemunha e no caso do Chico, privacidade devia ser um luxo que ele não tinha. Inclusive no caso do perfume que ele colocava escondido fingindo ser espiritual, segundo a versão do waldo o CX era tão displicente que o deixava numa gaveta do seu quarto que estava aberta. Tão displicente e só ele viu e sabia. Olha Bertone, não sou especialista, mas em outros casos, como do Sai Baba, por exemplo, temos dezenas de testemunhos.

    • Bertone Sousa 01/06/2013 / 12:14

      Dantas,

      reconheço que há essa polarização entre céticos e espíritas com relação a essas questões. Alguns de meus textos são polêmicos e provocativos e às vezes as discussões terminam esquentando por conta disso. Suspeito quando espíritas conduzem pesquisas sobre seu próprio credo; não que eles não possam fazer pesquisa séria e de boa qualidade, mas, nesse caso, a linha que separa a mera militância do distanciamento necessário ao pesquisador é muito tênue. O que considero importante é não descartarmos nenhuma possibilidade, inclusive a do Waldo de estar certo (já que conviveu muitos anos com o Chico) e a do Chico realmente ter essas habilidades nada sobrenaturais pra fazer seu trabalho. O que chamei a atenção para questões como a definição de espíritos foi sua não adequação pra o que hoje compreendemos como leis da física, mesmo que coloquemos a questão da física quântica no assunto. Alguém pode até utilizar conceitos como esses para dizer que universos paralelos são mundos espirituais que não podemos enxergar a olho nu por estarmos presos a um corpo material. Há muita coisa que pode ser dita, até com bastante coerência discursiva mas, como dizia o Sagan, afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias.

      Bem, mas não precisa ir até o Sai Baba pra falar de testemunhos. Aqui no Brasil o Valdemiro Santiago apresenta isso exaustivamente e diariamente na televisão. Ontem ele mostrava o testemunho de uma mulher eufórica que alegava possuir sete tipos de câncer e ainda tinha as fotos. O que ela fez? Tomou um copo com água durante a oração do apóstolo e foi curada. Então, verdade? Mentira? Penso que isso vai da formação e das motivações de cada um. Para ela, acreditar que foi um milagre, um ato sobrenatural, vai dar um sentido à sua vida, motivação pra viver melhor. Pro Valdemiro vai render mais capital religioso entre seus fiéis. Há coisas, de fato, que não podemos atribuir explicações convencionais pelo menos de imediato, por isso vai da motivação (ou sugestionabilidade, dependendo do contexto) de cada um aderir ou não a determinados sistemas de crenças. O fato é que todos eles disputam nossa adesão e lançam mão de boas estratégias para isso.

  20. Dantas 03/06/2013 / 0:36

    Bertone,

    Obrigado pela atenção e no geral não discordo, mesmo por que também acredito que a adesão a qualquer sistema de crenças é uma questão de convicção pessoal, mas do que a posse de uma Verdade atemporal, universal, tangível e irrefutável. Todavia veja que em muitos casos o crente se vê assim, como possuidor da Verdade.

    Neste ponto, nem alguém o dito cético se encontra imunizado, é muito comum se ver ateus que acreditam na ciência como verdade ahistórica e atemporal, construindo todo um sistema de valores em cima de “verdades científicas” e construindo sentidos para a existência (os únicos verdadeiros).

    Permita-me dar um exemplo, existe uma comunidade de humanistas racionalistas na net que combatem a militância gay. Qual minha surpresa ao constatar que um dos seus argumentos era que a biologia mostrava de modo inequívoco que o sexo vaginal era o padrão natural, havia uma flora bacteriológica no anus que parecia desaconselhar o sexo anal. Parei para pensar na lógica deles e cheguei as seguintes conclusões:

    1- os defensores destas posições não são pessoas sexualmente bem sucedidas, afinal, se fossem, saberiam que mesmo numa relação hetero existe muito mais que penetração vaginal: há preliminares, jogo de sedução, toques, carícias,posições etc que nem sempre se resumem ao papai e mamãe ou ao desejo de gerar filhos,, muitas vezes nem há penetração vaginal.

    Mesmo num casal, casado de acordo com os ritos religiosos, a maioria das relações visam o prazer, puro e simples. Além de sabermos que há muitos indícios históricos de que felação, sexo anal etc são universalmente conhecidos e usados com gosto pela humanidade. Vi certa psicóloga evangélica falar, para escândalo dos conservadores, que o cantico dos canticos é uma ode ao sexo oral e ao amor mundano entre homem e mulher. Há um versiculo onde a amada diz que a semente (semen) de seu amado é doce em sua boca. A tradução tenta mascarar isso usando traduções mais delicadas como seu fruto em meus lábios, Silas Malafaia diz que era um beijo, mas a outros detalhes picantes que desmentem a tese mais pudica, etc.

    2- Este tipo de justificativa é bem mais perniciosa que podemos imaginar por que pode em ultima instância servir de base para controle da intimidade das pessoas, não só dos homossexuais, como dos heteros também que deveriam se limitar doravante ao papai e mamãe, o resto seria desvio da normalidade. Tudo isso, Bertone, travestido de discurso científico, um discurso que estabeleceria a linha entre o Normal e o Desvio e que tem como consequência, a meu ver, o controle dos indivíduos.

    Eu já fui ateu, mas quando vi o crescimento desta vertente biologizante, autoritária e desumana passei a sentir repúdio. Quer dizer, foi um dos motivos, nunca me senti bem ao lado dos céticos militantes com seu desejo de mostrar que os outros eram errados e que nós eramos uma elite: sem medo da morte, psicologicamente fortes, intelectualmente superiores ( vi muitos deistas mostrar erudição superior) etc. Como se isto tivesse qualquer sentido, se o destino comum do homem é a sepultura. Curioso é que um livro de mais de 2000 anos atrás, o Eclesiastes biblico, também fala isso, no final o homem não tem qualquer vantagem sobre os animais, nem o sábio tem sobre o tolo, o buraco final é o mesmo …

    Quanto ao caso Waldo, não discordo que devemos analisar todas as possibilidades, nem digo que seu testemunho deva ser jogado no lixo. Não era este meu objetivo, mas mostrar que toda fonte de conhecimento tem que ser problematizada, coisa que os grupos ditos céticos não fazem, quando lhes é conveniente, se igualando aos crentes. Se levarmos ao pé da letra do vídeo do Waldo Vieira vamos pensar que CX nos 10 anos de convivência com ele, não se utilizou de cartas de parentes para fazer suas psicografias, mas depois de seu afastamento talvez, ele foi enfático que falou pro Chico não topar com isso e que não rolava, quando ele estava em Uberaba. Aliás, todos seus testemunhos, que eu vi, primam pela estrutura:

    1- o Waldo é a referência ético-moral, o movimento espírita é imoral. A consequencia lógica é que sua projeciologia é a voz legítima da espiritualidade.
    2- Ele impunha ao Chico sua reta moral, logo enquanto ao lado dele não havia farsas.
    3 – Se ele participou de certa sessão ou prática espiritual era legítima, mas se ele não estava era farsa.
    4- Ao mesmo tempo ele se coloca como o interlocutor privilegiado, o amigo mais intimo, para dizer quem era ou não CX, como se quisesse se beneficiar do carisma do Mito que se tornou CX e/ou não pudesse se afastar por completo das experiências que viveu com ele, embora em todo seu discurso ele sempre tenha que estar por cima da carne seca: ele nunca erra, o erro é dos espiritas ou do Chico.

    Por óbvio que a questão não é fazer julgamento moral de Waldo Veira, mas não podemos desvincular a versão de alguém de seus interesses e perspectivas. Os sites e blogs céticos pecam a meu ver propositalmente neste ponto.

    Outra coisa que salta aos olhos é que sempre que não existe a possibilidade de enquadrar os casos de CX em artimanhas ordinárias, tipo: ler cartas dos parentes, se utilizam da “suposição” de que o medium tinha memória incomum, muitas vezes psicografava dezenas de cartas, telepatia , criptominese (esta é a explicação quando o volume de psicografias estava além da capacidade ordinária de memorização) etc, Via de regra a análise é generalista do tipo: espiritos não existem, ele fez uma carta com detalhes conhecidos por familiares, logo teve acesso por cartas … Isso sem haver estudo do caso em concreto.

    Certa vez vi num blog cético um kra dizendo que podia escrever, graças a treino, com os olhos fechados como CX (nem duvido disso) e com as duas mãos em simultâneo, blz. O problema é que ele não mostrava essa habilidade, nem mostrava video para provar, muitos, espiritualistas ou não, começaram a pedir que ele matasse a cobra e mostrasse o pau, sempre se esquivou. O mais curioso é o modo como muitos céticos lidaram com a questão: “é obvio que este tipo de coisa pode ser feito com treino, o fato dele não mostrar não invalida o que diz” etc . Quando sabemos que se um religioso alegar certa habilidade e não fazê-lo iria tornar-se objeto de críticas daqueles senhores, ou seja, a humanidade não muda dois pesos e duas medidas…

    Concordo que estudos de espiritas sobre seu credo não são confiáveis, mas o estudo feito por militantes céticos, pelo que tenho visto, não são também selos de confiabilidade, pelo contrário. Em ambos os casos não são isentos, embora eu acredite que alguém 100% neutro (se existisse) não teria o menor interesse em pesquisar, contudo estas versões parciais de um lado ou outro podem ajudar a dar-nos um quadro mais amplo da Realidade a longo prazo.

    Finalizando, a frase de Sagan: “afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias”, para mim é retórica. Se eu invocasse diante dele o Satan Ghost (lembra do Jaspion?) possivelmente ele ainda assim proporia alguma suposição para dizer que o o bicho era fruto de hipnose, histeria coletiva, sei lá. O que eu tenho acompanhado nas discussões na rede ou da História da Ciência mostra que nenhum ser humano quer estar errado e vai produzir quantas explicações ad hoc para revalidar sua cosmovisão, quantas forem necessárias. Mudanças ocorrem via de regra, quando se opera a renovação de gerações no meio científico e não simplesmente por existir evidencias em contrário.

    Obrigado pela atenção e desculpe o tamanho do texto

    • Bertone Sousa 03/06/2013 / 1:45

      Dantas,

      em geral as discussões entre ateus e religiosos na web são muito pobres e resultam apenas em denegação mútua, quando não em insultos. Já vi alguns ateus de internet falarem coisas absurdas do tipo “religião é irracional”, chavões da idade da pedra que repetem como grandes verdades que acham ser científicas. Aqui mesmo no blog já tive problemas com um cara ateu porque chamei a atenção dele para o teor agressivo de seus comentários aos religiosos. Depois ele voltou sua agressividade contra mim, bloqueei seus comentários até ele não voltar mais. Tem uma galera jovem que acha o máximo se declarar como ateus mas isso tá fora de moda. Entendo também o que você diz sobre a pretensa superioridade de muitos que se acham ateus. Pra mim isso é burrice e nem levo a sério.

      Aqui procuro dar aos textos um viés de discussão histórica. E o objetivo desse texto foi provocar mesmo. Vários segmentos religiosos buscam legitimar-se cientificamente e isso é uma postura moderna. Mas isso também não carregaria uma visão idealizada da ciência como um saber superior, em termos de escala de valores mesmo, a ponto de algumas religiões buscarem sua legitimação para adquirirem mais capital social na disputa com outros credos? Essa visão novecentista da ciência ainda perpassa nossa percepção acerca dela. É claro, a ciência foi capaz de melhorar muito nosso padrão de vida, mas permanece incapaz de nos fornecer um sentido último para a existência, coisa que as religiões fazem muito bem. Mas pode haver uma série de problemas quando as religiões tentam legitimar-se cientificamente. Mas não são apenas céticos que usam a ciência para contrariar a religião; as religiões também a utilizam como acham conveniente.

      E nesse campo não existem pessoas cem por cento neutras. Quando falei de distanciamento não referi a neutralidade, mas à postura do pesquisador de não confundir convicções pessoais com hipóteses científicas. Isso também não quer dizer que alguém tenha de abandonar suas crenças para pesquisar alguma coisa, até porque são motivações pessoais que nos levam a pesquisar alguma coisa. A ciência também não é monolítica, é um verdadeiro campo de força onde agentes concorrem e disputam entre si a validação de determinados pressupostos. Quanto ao Waldo, digamos realmente que ele tenha todos esses interesses; isso não torna, necessariamente, sua afirmação inválida. O que podemos perguntar é: se ele diz que o CX fazia isso, que garantia temos de que ele também não o faz? Pesquisadores de ciências humanas que trabalham com a umbanda chamam a mediunidade de “estado alterado de consciência”. Isso não explica a mediunidade, é apenas um termo confortável academicamente quando não se consegue dizer o que exatamente é aquilo.

      Sobre a afirmação do Sagan, essa é uma afirmação muito válida quando se quer provar alguma coisa cientificamente. O caso da existência de Deus é um. Há muitos bons argumentos a favor e contra. Stephen Hawking negou explicitamente a existência de Deus em seu último livro e ele fez isso como uma conclusão de décadas de pesquisas. Outros têm bons motivos para afirmar o contrário. Outro cientista disse que se não temos como medir num aparelho a existência de Deus, nem prová-la pelas leis da física que temos, então talvez essa não seja uma questão científica. Isso não significa que tenhamos que cessar a busca, significa apenas que podemos nunca encontrar uma resposta, pelo menos não pelos meios que estamos buscando. O que eu quis dizer foi que o sobrenatural não é mensurável e explicável pelo que compreendemos como leis da física, o que o torna não científico. Isso é diferente de dizer que o sobrenatural não existe, até porque só chamamos de sobrenatural o que não podemos explicar por esses meios. Religião e ciência não são necessariamente antagônicas, mas compreendem o mundo a partir de métodos diferentes, afirmam uma realidade a partir de critérios diferentes. A meu ver, isso em nada desmoraliza a religião; pelo contrário, engrandece seu papel como força criadora e cultural, como instância afetiva e simbólica que ela é.

  21. Norma 04/06/2013 / 23:49

    Os dois se completam.Cada um desempenhando seu papel.

  22. falazeus@yahoo.com.br 05/06/2013 / 0:07

    Bertone,

    Em primeiro lugar, gostaria de corrigir um erro crasso meu: eu disse projeciologia, quando na verdade o Waldo criou a Conscienciologia.

    Quanto a questão da neutralidade e do distanciamento só quiz apimentar a questão, por que falar simplesmente ser pouco confiáveis ou suspeitar de estudos de crentes tendo por campo de pesquisa objetos de sua crença seria injusto, além de colocar uma áurea de legitimidade científica, quase natural nos céticos (ou seria cético a certo sistema de crenças?) e ateus, ofuscando destes também terem suas motivações e crenças que o tornam tão tendenciosos e parciais quanto um espírita.

    Bem vejo que não era aquele seu objetivo, mas conhecendo o público, imagino que seria esta a interpretação de muitos, daí minha intervenção. O que me leva a outra constatação, a de que neste campo de disputas heterogêneo que é a Ciência, aquele tipo de discurso exclusivista serve para despojar o outro da palavra e marginalizá-lo, considerando que são conceitos científicistas que norteiam muito de nossa visão atual da realidade e legitimam amiúde até ações políticas.

    Desculpe-me insistir no caso Waldo Vieira, mas tive a impressão que não fui claro e conciso anteriormente. Meu objetivo não é invalidar o testemunho do Valdo, mas chamar a atenção para o questionamento crítico de qualquer fonte e ao fato disto não ocorrer, via de regra, nos meios céticos, ao menos não os que eu tenho frequentado.

    1- Como sabemos o ato de rememorar não é cronológico-linear, nem uma fotografia da realidade vivida, mas um processo criativo de continua reelaboração. Via de regra a memória tem que se evocada e no contexto daquela palestra o Waldo estava falando de casos de “estrelismos” maternos, quando da morte de um filho, quando lhe questionaram sobre o Caso da medium Célia do Carmo que recebia psicografava milhares de cartas para mães e ele não conhecia, disse que com certeza muitas mães a buscavam querendo induzir a psicografia, mas nem não seria o caso de todas. Ele diz evocando-se a memória de Chico:

    “A mesma coisa aquelas mensagens que o Chico recebia. Você sabe que essas mensagens psicografadas, da pessoa que morreu assim, eles mandam a carta com os detalhes para a pessoa colocar na mensagem psicografada, né?”

    (…)

    “Agora, ó… se você observar, lá em Uberaba, na minha época, o Chico não recebia essas mensagens. Por que é que ele não recebia? Porque eu falei com ele: ‘Olha, se tiver isso, eu caio fora já!’ Se você agüentar um tempo eu sigo as coisas pra melhorar a sua vida aqui e todo o trabalho. ”

    1.1 Levando em conta que antes de Uberaba CX morava em São Leopoldo e eles não se conheciam e que depois não tiveram mais contato, resta saber se seu testemunho quer dizer: que ambos fraudavam por que psicografavam juntos 2- Chico não fraudava, por que Waldo impôs sua presença moralizadora. Mas será que todas as famílias mandam cartas com informações dos parentes mortos? Ou a maioria? Pouco provável, por que geralmente a hipótese mais trabalhada é a de que assessores espíritas iam a cata de informações para permitir a fraude.

    2- Waldo é claro que a mediunidade do CX era autentica, o que parece indicar que ele não desacreditava de suas psicografias, o que desacreditaria a mediunidade dele também. Todavia ele é categórico que Chico não tinha mediunidade de efeito físico, tanto que nesta mesma palestra fala que havia fraude do CX no caso do perfume espiritual que seria produzido pela irmã Sheila.

    Na verdade Bertone, observando a estrutura do discurso dele, suas contradições e omissões, sua história e do movimento espírita, da qual fez parte, é possível que haja muitas possibilidades: só CX frauda, só Waldo mente,os dois fraudam e mentem, ambos são mediuns, mas Waldo tinha ciúmes de CX e muitas outras variações. O problema é que o uso de cartas ou de assessores não é aplicável a todos os casos.

    Geralmente, eu leio sites cético chamado obras psicografadas e falhas do espiritismo que no geral são bons. No primeiro tem dois foristas costumazes que são advogados e já rechaçaram sem problemas diversos casos de testemunhas favoráveis a CX sob a alegação que a prova testemunhal é a “prostituta das provas”, mas aceitam sem maior exitação esta prostituta se ela dançar conforme sua música, no final, o que vale é a convicção a priori que cada um tem.

  23. Carlos Gomes 29/07/2013 / 17:39

    Estou tentando ser espírita, porque para ser efetivamente um espírita, temos que nos conhecer intimamente e nos reformar, seguindo as leis naturais e imutáveis, que estão gravada nas nossas conciências, domando nossas imperfeições e más inclinações. Por isso sou feliz em estar tentando. Se isso é religião, filosofia ou ciência, não me importa. E acho que todos vocês, com a inteligência que possuem, deveriam tentar o mesmo, se melhorarem como gente, como irmão do outro, idependente de serem ateus, agnósticos, católicos, espíritas, protestantes, budistas, induistas, muçulmanos, não importa o credo, o que importa e a cada dia aprendernos como podemos ser melhor, para o próximo, e por consequencia, para nós mesmos. O resto é consequencia disso, e o que o espiritismo me ensina, baseado nos Evangelhos de Jesus, me levam a raciocinar que faz sentido seguir esse caminho. Como bem disse o Nazareno, há muitos caminhos que levam ao Pai, assim como também há muitas moradas.

  24. Kaio Iorio 29/08/2013 / 23:38

    Cara, Darwin não defendia uma visão progressista das espécies. Quem fazia isso era Lamarck. Para Darwin não é do pior para o melhor. Não existe isso. A evolução darwinista é como se fosse uma árvore com vários ramos. Uma bactéria é tão “boa” quanto um homem se estiver bem adaptada ao seu meio ambiente.

    • Bertone Sousa 30/08/2013 / 0:00

      Kaio, por isso mencionei a biologia evolucionista e não apenas o darwinismo como influência. De todo modo, o conceito de seleção natural a partir da sobrevivência dos mais aptos também implica no desenvolvimento de características adaptativas mais complexas pelos organismos.

  25. homemsemsobrenome 25/09/2013 / 22:50

    Muito bacana seu texto, Berrtone.

    Fui espírita por uns anos e, embora tenha certa simpatia por eles, não consigo deixar de me contrapor a essa noção de espiritismo como ciência e a certas opiniões que sustentam. Acho curioso que uma religião que tenha uma base intelectual bem menos sofisticada que o catolicismo, por exemplo, seja tão confiante nos seus pressupostos como sendo mais racionais que as demais religiões.

    Inclusive, faz um tempo escrevi uma resenha sobre o manual de filosofia de Herculano Pires, anotando seus problemas, se quiser ler eis:

    http://aoinvesdoinverso.wordpress.com/2013/08/19/resenha-os-filosofos-herculano-pires/

  26. rafael 29/09/2013 / 1:34

    A nossa ciência está baseada apenas nos nossos 5 (cinco) sentidos físicos. Jamais ela será capaz de comprovar o que é Imaterial, está MUITO longe disto! Para se ter uma ideia, Kardec já falara, e não só ele, que a matéria existe em formas tão sutis que escapa a percepção dos nossos sentidos e a de qualquer instrumento, ou seja, ela existe em planos que não o físico, mas que é matéria mesmo assim. E que a ciência só comprova apenas o plano físico. Que dirá o Espírito!!! E o Espiritismo tem o seu lado científico, chamado de ESPIRITISMO CIENTÍFICO, que estuda a ciência extra-física, fora do nosso plano físico, que é a matriz que corporifica a nossa ciência. Tudo o que a nossa ciência já comprovou, está para comprovar e o que é uma hipótese, Espíritos da codificação de Kardec, sempre souberam e afirmam que estamos próximos, mas não tanto, de comprovarem o Fluido Cósmico Universal…

    • Bertone Sousa 29/09/2013 / 15:03

      Rafael, sua fala apenas prova o quanto a religião pode turvar a mente dos indivíduos. Como outros espíritas com quem discuti acima, você apenas confunde alhos com bugalhos. Leia mais a história do pensamento científico fora dos catecismos de sua religião, que entenderá melhor.

  27. Tatiana Lorentz 18/03/2014 / 18:06

    Caro Bertone Sousa.
    Agradeço seu artigo pois realmente me agradou bastante em todos os pontos levantados, pois citou vários dos esclarecimentos feita pela própria Doutrina dos Espíritos.
    Suas colocações são muito bem vindas, pois coloca informações que podemos acrescentar as nossas dúvidas diárias a respeito dos estudos das obras básicas, o pentateuco.
    Se a doutrina podem trazer certas informações relevantes ou que aquete dúvidas do senso comum, porque não nos informa ou esclarecem pontos misteriosos na recente História da humanidade… etc.
    São tantas as questões, suas, minhas e de inúmeros outros espíritos que como você mesmo coloca não caberia em um simples post na internet.
    Vejamos que o senhor como estudante das religiões nos informa que a Doutrina em questão não é ciência, o que óbvio ! Pois qualquer estudante que se digna por sua seriedade em empenhar-se sabe que, a Doutrina Espíritista, se apoia em 3 bases, religião, filosofia e ciência. Simples assim !
    Lembrando que estou a colocar minha opinião baseada no seu artigo, pois se eu ou qualquer outro fosse acrescentar comentários ou as dúvidas de tantos outros, bem já sabemos que não haveria caracteres suficientes !
    Ao que cabe sobre a ciência no seu artigo, bem sabemos nós estudantes que estão sendo respondidas pela própria, e que emancipação da alma ou os chamados desdobramentos e mais ainda conhecidos popularmente como EQM’s, os passes magnéticos aplicados nas casas espíritas, entre tantos outras manifestações físicas, são estudadas e estão sim sendo comprovados, este último que citei há uma pesquisa da nossa USP sobre o passe magnético comprovando a eficácia cientificamente.
    Mas e o resto todo ? O resto todo cabe a fé e a filosofia, dado o que já falamos que a Doutrina não se apoia em apenas um pé. É realmente interessante como não se pode desconectar um terço do todo, não se pode tirar dizer o que não é de algo que não se explicou cientificamente AINDA, e como esse ainda é levado em consideração por tantos adeptos.
    Sabe como ? Creio que sim o senhor sabe ou melhor SENTE, pois o senhor se encaixa perfeitamente no perfil de um iniciante da nossa doutrina.
    Gostaria que lesse esse meu comentário, já que seu artigo já tem algum tempo e até então esse estudo da USP que coloquei ainda não fora divulgado, e seria interessante de alguma forma para o senhor acrescenta-lo aos seus estudos.
    E o convido a conhecer melhor a Doutrina da Caridade, não a doutrina da ciência filosofia e fé, pois não estudamos exatamente isso, estudamos a nossa melhora moral através da moral deixada pelo nosso Mestre.
    É do que se trata a religião do Amor, da Caridade e da Benevolência, a parte científica vem da certeza do que sentimos, não SOMENTE dos experimentos científicos que tanto quer entender. Quando fala do Chico Xavier, não importa somente a questão mediúnica, e sim o que foi realizado através dela, o trabalho de amor realizado por ele.
    Se o científico não é verdadeiro então o resto todo é uma farsa ?? Que seja !!
    Mas convido o senhor a trabalhar apenas seu lado moral, a parte que não fala SOMENTE em mediunidade, ou o que foi trago pelos espíritos, se desligue disso, já que sabe como faze-lo, tente trabalhar seu íntimo, a história pregada através do pilar da fé.
    Pois é disso que a Doutrina Espírita se trata ! Não da evolução passada e sim da evolução que estamos vivenciando, cada um de sua forma. E o senhor da sua também, uma PROVA real que posso lhe dar é como eu encontrei seu artigo que tanto prega a desvinculação da ciência, foi através de uma dúvida minha encontrei seu artigo que levantas tantas outras dúvidas para tantas pessoas que tiveram e ainda terão esse acesso.
    Como disse acima o senhor é sim um iniciante espírita e mais, é um divulgador dela seja de qualquer forma ! Continue, seu trabalho é muito bem vindo de verdade. A espiritualidade agradece.
    Com carinho Tatiana.

    • Bertone Sousa 18/03/2014 / 19:31

      Tatiana,

      entendo a sua vontade, como das pessoas que te doutrinaram, de que sua fé religiosa não é apenas uma fé, mas uma ciência. Essa forma de pensar o próprio credo, do qual muitas vertentes religiosas lançam mão para afirmar sua superioridade frente a outras e oferecer um porto seguro, é um recurso conhecido para quem estuda história das religiões na cultura moderna. Quando leio comentários como o seu fico pensando como, infelizmente, uma escolarização deficiente associada à forte doutrinação religiosa, pode gerar uma confusão mental nas pessoas. Para algumas pessoas, explicar o que é ciência e religião é inútil, pois elas querem que sua religião seja ciência, e em suas mentes seu querer é um decreto. Eu não culpo você, pois você foi iludida e não pode mais aprender. Mas outras podem, usam artigos como esse como incentivo para outras leituras e evitar os enganos oriundos desse tipo de doutrinação.

  28. Mario 26/05/2014 / 19:01

    Por que tanta discussao a respeito de uma religiao,filosofia,ciencia, doutrina ou sei la mais o que “revelada” no seculo XIX, por “espiritos superiores” do seculo XIX, baseada em conhecimentos do seculo XIX,no preconceito do seculo XIX ?
    De la pra ca tanta coisa mudou, novos conhecimentos surgiram na filosofia, ciencia, comunicacoes e os espiritas insistem em ficar parados no tempo, com medo de questionar as ideias de Kardec como se fossem verdades absolutas, inquestionaveis. Na europa e estados unidos essas ideias nao vingaram porque o pessoal e muito mais estudado, critico. Aqui no Brasil qualquer ideias pega por falta de senso critico, conhecimento profundo e inteligencia.
    Para mim, o espiritismo nao passa de mais uma ideologia de elite para dominar o povo. A propria ideia de reencarnacao surgiu na India para os “superiores” das castas mais altas manter controle sobre as castas mais baixas e assim justificar e manter o seu poder.
    Em um livro de Kardec ( A Genese ) ele chega a afirmar que negros, asiaticos e indios sao “espiritos inferiores”, “atrasados”.
    Isso e um absurdo racista. Quem e superior para ele?
    Apenas o branco europeu.
    Ou o espiritismo se renova completamente ou esta fadado a desaparecer porque nao acredito que esteja crescendo como dizem. Eu observo exatamente o contrario. Quem e que esta interessado em querer saber que esta no mundo para pagar “erros” de outras vidas, sofrer para se purificar, se renovar interiormente de acordo com os padroes espiritas?
    Vai ver que e por isso que o pessoal procura os evangelicos. O papo deles e outro. Nao sou evangelico e nem os estou defendendo, mas…
    Eu ja percebi que com esse pessoal espirita, espiritualista nao se pode dialogar. Eles se fecham em suas “verdades” e nao aceitam a menor contestacao e ainda te chamam de “espirito inferior”.
    Eles deveriam prestar mais atencao no que esta acontecendo no movimento espirita porque tem muito centro dito Kardecista que esta virando casa da mae joana.
    Eu sinceramente acho tudo isso uma bobagem.

  29. Rafael Pissolato 15/07/2014 / 16:52

    O Espiritismo é baseado na fé. O máximo que ele tem de científico são alguma boas práticas que pegou emprestada da metodologia científica, tal como observar fenômenos e fazer anotações com o que se observa. Nada mais.

    A ciência também é baseada na fé. A base da ciência é a causalidade, ou seja, a relação de causa e efeito. Em um experimento científico, provoca-se uma causa e observa-se o efeito. Repete-se isso N vezes obtendo-se sempre o “mesmo resultado” (entre aspas porque precisão infinita não existe), e então ACREDITA-SE que se fizer mais vezes, vai continuar dando o mesmo resultado. Ninguém repetiu um experimento infinitas vezes para ter certeza que o resultado será realmente sempre o mesmo.

    Então, uma prova científica é a mesma coisa que nada no campo filosófico! A certeza científica é a mesma da certeza espírita, no sentido de que ambas são baseadas na fé. E cada uma tem a sua utilidade, o Espiritismo no campo moral e a ciência no campo prático.

    Mas isso não impede que uma possa servir de inspiração para a outra. Apesar de não ser nenhuma vantagem para o Espiritismo dizer que ele é científico, pois seria o caso de uma fé suportada por outra fé, o que é muito frágil.

    • Bertone de Oliveira Sousa 15/07/2014 / 17:21

      Rafael, é verdade que podemos falar de fé em ciência, mas num sentido bem diferente de como opera a fé religiosa. Fala-se de “fé” em ciência muito mais como metáfora, para designar a expectativa de que determinadas proposições possam ser confirmadas. Isso não é a mesma coisa do que a fé representa para devotos de um determinado credo, incluindo, é claro, o espiritismo. Por isso seu comentário está equivocado.

      • Rafael Pissolato 16/07/2014 / 16:43

        Ok, então vamos descartar a palavra fé e reescrever o conceito utilizando a palavra premissa.

        A ciência tem como base a causalidade. A causalidade assume a premissa de que, se repetirmos um experimento N vezes sempre obtendo o mesmo resultado, o experimento N+1 tem 100% de chances de dar o mesmo resultado. E toda a ciência é construída em torno de uma premissa que tem a pretensão de adivinhar o futuro.

        O Espiritismo assume a premissa da bondade e da justiça infinitas de Deus. Toda a doutrina é baseada nesta premissa, incluindo a reencarnação e o progresso contínuo dos espíritos, sem precisar fazer uso da ciência e da causalidade pra nada.

        Então, no fim, tudo depende daquilo que você prefere acreditar. Se você acredita na premissa de um Deus infinitamente justo e bom, e se isso está relacionado com o seu senso de moral, então o Espiritismo vai ser uma fonte de inspiração na sua vida.

        Por outro lado, se você prefere acreditar na premissa de previsão do futuro, dado que você se sentiria muito inseguro vivendo em um mundo não-determinístico, então a ciência será o seu porto seguro. Pessoalmente, acho esta última opção muito pobre, e a ciência deveria ser utilizada apenas como uma ferramenta de propósitos práticos, para dia-a-dia.

        Por que estou falando isso? Porque seu texto dá a ideia de que uma possível utilização da ciência no Espiritismo agregaria valor à doutrina, mas na verdade aconteceria o contrário, pois seria adicionada mais uma premissa, e uma muito duvidosa. Mas no fim concordo contigo que as duas abordagens não tem relação, desde que não se diga que uma tem mais méritos do que a outra.

    • Bruno Oliveira 16/07/2014 / 12:05

      É como o Bertone disse, não é fé, misturar o vocabulário religioso com o científico é geralmente uma maneira de valorizar a religião desvalorizando a ciência.

      Fora que a expectativa em que a ciência está assentada não está baseada em nada, mas em teoria.

      Quando se espera a repetição de um fenômeno, espera-se com base numa teoria que explica por que esse fenômeno se dá da maneira como se dá, não por conta de uma mera crença na repetição de uma observação.

      • Rafael Pissolato 16/07/2014 / 16:46

        Bruno, a ciência está assentada na experimentação, e não na teoria. E quando você espera a repetição de um fenômeno, você faz uma aposta, você acredita. É impossível afirmar com certeza que haverá uma repetição exata do fenômeno, e mesmo depois do fenômeno não se pode fazer tal afirmação, pois como já disse, não existe precisão absoluta.

        Ou seja, sinto muito, mas quando se espera a repetição de um fenômeno, espera-se com base numa mera crença, no sentido de crer e acreditar.

      • Bruno Oliveira 17/07/2014 / 12:49

        Rafael,

        A experimentação e a obsevação estão baseadas em teoria. A ciência não observa por observar, mas observa segundo o escopo de uma teoria que surge e é transformada junto com a observação. Nenhum cientista vai ao laboratório pensando “vou observar um fenômeno”; ele tem uma ideia do que procura e daquilo que vai encontrar.

        Além disso, a repetição não pretende nem precisa ser absoluta, bem dizendo, cada nova repetição é agregada às demais para corroborar uma teoria que descreve uma regularidade percebida. E é só, mais que isso é filosofia.

        Quem trabalha com categorias absolutas é a religião e a filosofia, não a ciência.

        Você não está entendendo o que é ciência e por isso a está embananando com outras coisas.

  30. Alvaro Augusto Brandão 05/12/2014 / 17:02

    Caro Bertone,
    Estou espírita ser é dogma. Optei pela relatividade do tempo e espaço e pela obviedade da lei de conservação de massas. A harmonia é inquestionável e lei em evolução não é dogmática. Evito o absoluto e o estático. Parabéns pelas posições de saber e respeito.

  31. Muzenga 10/03/2015 / 1:37

    Os espíritas são extremamente conservadores e reacionários. Eles condenam quem gosta de beber, de se divertir. Para eles isso é “pecado mortal” “uma afronta a Deus”. Para eles sofrer é “muito bom, porquê purifica a alma de quem fez mal a seu semelhante em vidas passadas”. “Científico” aonde? É pior ainda que a Igreja Católica da época da Inquisição, com a única diferença que eles não queimam pessoas vivas. Só que eu acredito neles brother. Não, não sou mais espírita, estou me lixando para eles, inclusive tenho vontade de deitar a porrada nesses palestrantes de centro que só falam asneiras. Só que pensa bem: Porquê sofremos tanto nesse mundo? Eu acredito sim, que alguém nos criou. não é possível que a terra tenha se originado do “nada”. Mas não em um ser “maravilhoso, divino”(Deus), mas sim em algum ser de outra dimensão extremamente sádico, cruel, invejoso e perverso que nos criou unicamente com o intuito de nos fazer sofrer. Cientistas chegaram a conclusão de que somos na verdade, um jogo de computador, uma simulação. Vivemos em um mundo completamente simulado, aonde não existe livre-arbítrio. Somos controlados o tempo todo pelo sádico criador do jogo. Cientistas também fizeram um estudo, e descobriram que o cérebro humano, possui um hiato de segundos nas ondas cerebrais. Ou seja, são ondas de controle, somos na verdade, um computador de carne. EU não duvido nada. Eu acredito em vida após a morte. Só que nós pobres seres humanos, somos cobaias, escravos presos em nossas prisões(corpo humano) aonde esse idiota nos faz sofrer o tempo todo. Eu acho que é essa a realidade definitiva da vida.

  32. Fabiana 09/05/2015 / 18:02

    Ótimo texto. Parabéns.

  33. LENIMAR 22/10/2015 / 9:40

    Caro Bertone,
    Acabei, por “acidente”, em razão de pesquisa de determinado tema que não estava diretamente ligado ao seu artigo, acessando e lendo as suas manifestações e dos demais. Muito bom! parabéns a você pelo blog e a todos os participantes

  34. Jesiel Nunes 05/02/2016 / 8:05

    Bertone, parabéns pelo estudo, ótimo texto, muito elucidativo.

    E o que me deixou enojado, foi o Comentario dessa Tatiane, com um ar de superioridade. Na verdade isso faz parte do processo de alienação que espiritsmo causa nas pessoas.

    Perceba que o espirita defende com paixão a sua ” doutrina”, jamais eles pensam fora, jamais eles abrem uma possibilidade de tudo isso ser uma farsa. Isso não é ciencia e nunca será, A Ciencia é nula no sentido de analise.

    Parabens ae, e vou te desejar uma palavra que é fortemente usada pelas religioes kkkk

    Paz …

  35. Toffo 07/03/2016 / 7:59

    Olá, Bertone. Dos meus 62 anos de vida, pelo menos os primeiros 3/4 foram dentro do espiritismo, de uma família espírita, de pai e mãe, avós, irmãos, primos etc. Sempre tive curiosidade intelectual e, apesar de ter lido, relido, trelido, tetralido a obra de Kardec e as de CX que não eram autoajuda, bem como outras, desde a juventude eu sentia no íntimo acionado o botão da dúvida: afinal, era aquilo mesmo? Enfim, ter parado de fumar e tirado o espiritismo dos meus ombros me parece ter sido, ao menos, as duas únicas coisas sensatas que fiz em minha vida. Terminada essa digressão pessoal, gostaria de dizer que gostei do seu texto e das suas ideias e da maneira como as expõe. Infelizmente os céticos esclarecidos, como você, são minoria neste mundo.

    Não sei se é do seu conhecimento, e gostaria muito que fosse, mas o tema do espiritismo não é indiferente à academia. Muito ao contrário, existe uma vasta bibliografia, infelizmente nada em português, sobre ele, notadamente de historiadores, antropólogos e sociólogos dos EUA e da França, desde os anos 1990, dos quais tive oportunidade de ler alguns.

    Li “Laboratories of Faith – Mesmerism, Spiritism, and Occultism in Modern France”, de John Warne Monroe, historiador americano (Cornell University Press, 2008, tem versão em PDF), em que ele estuda as “fés heterodoxas” que foram surgindo a partir dos fenômenos das mesas girantes e dos “raps” americanos, dentre os quais o espiritismo de Kardec, no qual ele traça, com muita precisão e alicerce, os cerca de 40 anos em que o kardecismo surgiu, teve o esplendor e minguou no cenário científico da Europa. E a conclusão a que ele chega a respeito do esvaziamento do espiritismo é justamente o dogmatismo da doutrina espírita, com suas certezas positivistas, num mundo em que as incertezas da fragmentação do “eu” trazidas pelas teorias psicológicas dos primeiros anos do século 20 invadiram a cena como tsunami. Esse mesmo dogmatismo que, hoje, os espíritas do Brasil tanto refutam…

    Ele mostra uma visão para mim inédita do porquê o espiritismo existir: foi fruto da época e do lugar, ou seja, a França do Segundo Império e da Segunda República, com todas as suas contradições, seu autoritarismo, suas más condições sociais, uma condição um tanto particular que não consigo ver encaixada num Brasil do século 21. A própria questão da reencarnação é fruto das convicções pessoais de Hippolyte Rivail, trazidas desde os anos 1820 através de pensadores socialistas românticos como Saint-Simon, Pierre Leroux, Jean Reynaud, Fourier etc, que viam na reencarnação a única solução para a equalização de uma sociedade mais justa e menos desigual, dadas as péssimas condições em que vivia o proletariado francês na época. Homem de visão comercial e faro de marketing incomuns (o que os espíritas não sabem), Kardec aproveitou uma palavra corrente na língua inglesa da época, que estava dando sopa – ‘spiritism’, ou seja, a muvuca causada pelos fenômenos paranormais nos EUA e na Inglaterra, na versão original em inglês com sentido algo depreciativo – adaptou-a ao vernáculo ‘spiritisme’ e, bingo! Sucesso absoluto. Não foi Kardec que inventou a palavra, ela já existia. Ele teve a felicidade de aproveitá-la na hora e no lugar certos. Tanto isso é correto que, nos dicionários franceses, a palavra ‘spiritisme’ é indicada como anglicismo.

    Além de Warne Monroe, eu li ‘Samba in the Night – Spiritism in Brazil’ do antropólogo David Hess, em que ele descreve sua experiência como pesquisador nos diversos ambientes espíritas, dos mais ortodoxos aos mais misturados, e “Secular Spirituality: Reincarnation and Spiritism in Nineteenth-Century France” de Lynn L. Sharp (Lexington Books, 2006).

    Como vê, existe todo um mundo à frente, nada em nosso vernáculo. Os espíritas estão encerrados em seu mundo, com suas práticas mesméricas do século 18, suas águas bentas e sua visão cheia de certezas num universo em que a tônica é a incerteza!

    “Acreditar é mais fácil que pensar. Por isso existem muito mais crentes do que pensadores”!
    (Bruce Calvert)

    • Bruno de Oliveira 20/03/2016 / 21:24

      O que me atraiu inicialmente para o espiritismo foi justamente a ênfase dessa religião numa melhora constante, num esforço pessoal de ser mais, contudo, o próprio espiritismo acaba sendo colocado como uma exceção a isso e jamais pode ser reformulado. Com isso, ou você evolui e deixa de ser espírita, ou continua espírita e não evolui.

      Essa foi a última religião que larguei e, embora ainda tenha algum carinho por ela, não sinto mais sua falta.

      Hoje, olho para o que é o espiritismo no Brasil e só vejo uma religião entre outras, com os mesmos vícios e as mesmas virtudes.

  36. Helene 31/03/2016 / 20:13

    Você se equivocou sim, o espiritismo pode não ser considerado ciência, de fato. Mas não é dogmático, ele usa explicações filosóficas. E sim, não há comprovação pela ciência empírica. E não gente, o espírita não é reacionário. Você pode beber e até fumar se quiser, ele apenas diz que pra toda causa há uma reação. O cigarro traz danos à saúde. O espiritismo na verdade é uma religião bem livre. Só que tem pessoas que são presas à modelos internos de comportamento e depositam isso na religião. Eles não são a favor do uso de drogas como cigarro, já que faz mal à saúde, como falei. No entanto, você pode beber moderadamente (ou muito se quiser), ninguém te impõe nada. Eu não sou espírita, mas cresci na religião. Não tenho uma definição para Deus, mas acredito que exista algo além do que vemos. O universo é infinito, mas infelizmente temos um ego enorme. Pensamos que conhecemos tudo quando não conhecemos. É possível que haja, é possível que não. São possibilidades.

  37. carlos campos mariano 11/11/2016 / 15:27

    o que é mais complexo? dialogar com uma pessoa crente, um dito cético ou com uma pedra. eu não sei. porém existem as opiniões e bem distante de nós a VERDADE.

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