O que quer Silas Malafaia?

silas-malafaiaDepois da entrevista de Silas Malafaia com Marília Gabriela no último domingo, dia 03, a apresentadora concedeu uma entrevista em que afirma que agora entende porque ele tem tanta audiência entre os evangélicos: é muito enfático, segundo ela. Afirmou ainda que, pela primeira vez, teve de manifestar sua opinião, contrapondo-se a um convidado do programa. O que Marília falou e sentiu é importante porque desvela a estratégia de Malafaia para tornar-se o líder que hoje é.

Dentre os principais televangelistas brasileiros, Silas Malafaia tem alguns diferenciais em relação aos outros. As práticas religiosas de R.R. Soares, Edir Macedo e Valdemiro Santiago nasceram ancoradas na tradição taumatúrgica do pentecostalismo brasileiro. Grosso modo, o que eles acrescentaram aí foi a Teologia da Prosperidade e a exacerbação do discurso maniqueísta da “guerra espiritual”. Ao contrário do pentecostalismo clássico (Assembleia de Deus, Congregação Cristã e outras) as neopentecostais focaram como inimigos as religiões de matriz africana, e não apenas o catolicismo (embora o caso do “chute na santa” por um bispo da IURD em 1995 tenha sido um ponto alto na relação tensa entre a Igreja Católica e o emergente protestantismo neopentecostal brasileiro).

Silas Malafaia emergiu nesse contexto como um desconhecido. Sendo pastor de uma das igrejas mais fundamentalistas do Brasil, a Assembleia de Deus, ele não se destacou por práticas de curandeirismo como os outros nem pela disputa contra as religiões africanas. Ele encontrou em seu estilo polemista e em sua retórica belicosa um caminho para se tornar uma das principais lideranças desse segmento. Paralelamente, ele também abraçou a Teologia da Prosperidade, tendo percebido o quanto isso é oportuno num país de economia emergente e de segmentos sociais cada vez mais numerosos que vem ascendendo à condição de classe média no Brasil desde o início da década passada.

O seu público não é o mesmo de outros televangelistas. O público de Edir Macedo e Valdemiro Santiago vêm especialmente dos extratos mais pobres economicamente, são pessoas que, em sua maioria, estão buscando ascensão social. Já o público de Malafaia é mais escolarizado (e ele gosta muito de enfatizar isso), já está na classe média, é mais exigente. Em uma entrevista recente, após a reportagem da Forbes que o incluiu entre os pastores mais ricos do país, ele afirmou que gasta muito mais pra abrir uma igreja do que o Valdemiro Santiago, porque ele sempre abre uma igreja pronta, com climatização, som da melhor qualidade, entre outras coisas. Além disso, ele valoriza salarialmente seus pastores, pagando escola dos filhos, plano de saúde e, às vezes, até faculdade no exterior. Por outro lado, exige deles boa capacidade de argumentação e resultados em termos de números de fiéis.

O público de Malafaia é o mesmo de Estevam Hernandes e R.R. Soares. Mas para concorrer com eles, aliou-se a outros nomes da Teologia da Prosperidade: Mike Murdok, Morris Cerullo, Renê Terra Nova. Com os dois primeiros, aprendeu a investir na própria imagem, usando estratégias de marketing para projetar a si mesmo e à sua igreja no mercado religioso brasileiro – não uso mercado aqui no sentido pejorativo, mas no sentido sociológico de que há uma pluralidade de tendências religiosas em nossa sociedade e que cada uma delas lança mão de várias estratégias para aglutinar seguidores. No caso do neopentecostalismo, essa concorrência é ainda mais acirrada, pela quantidade de igrejas que surgem anualmente nas várias regiões do país. Além disso, aprendeu com eles a investir em livros e discursos de auto-ajuda e a fazer campanhas financeiras desafiando a fé das pessoas e estimulando-as a doar. Malafaia também fundou uma editora e comprou horários na TV aberta, o elemento mais indispensável para concorrer com outras lideranças religiosas carismáticas que já estão lá.

Para ele, estar na mídia é uma questão de sobrevivência no ramo. Por isso ele precisava de algo que fizesse os holofotes estarem constantemente voltados para ele. E encontrou isso no discurso anti-homossexual. Comprando uma briga com o movimento LGBT (outro segmento que também ascendeu junto com os neopentecostais), Malafaia pretendia não apenas estar na mídia, mas fazer algo que nenhum outro líder protestante ainda conseguiu: unir os evangélicos em torno de um líder. E você apenas pode unir segmentos tão heterogêneos criando um inimigo, uma ameaça comum. Não importa que o inimigo seja imaginário, o importante é que as pessoas comprem a ideia. Nesse sentido, ele segue o exemplo de Pat Robertson nos Estados Unidos que, na década de 1960, criou a Maioria Moral (Moral Majority) para combater o feminismo, o divórcio, o aborto, o homossexualismo, a cultura secular.

Malafaia usa o discurso contra o homossexualismo como plataforma para conseguir essa projeção em nível nacional entre os evangélicos. O objetivo vai além: alcançar poder para intervir diretamente nas decisões políticas do país, criando um grupo forte e coeso para fazer lobby junto ao Congresso, ao Senado e à própria presidência da República. A Igreja Católica sempre fez isso, mas nunca deram muita atenção. Suas idas a Basília para discursar na Câmara ou na Esplanada dos Ministérios tem por objetivo criar essa ponte entre o público evangélico e o poder. Por isso ele tem criticado outros líderes religiosos por não o apoiarem em sua cruzada contra a legalização do casamento homossexual.

Embora tenha conseguido avançar bastante em seus objetivos, Malafaia tem esbarrado na resistência dos evangélicos brasileiros de se unirem em torno de um líder. Por outro lado, à medida que ele e outros líderes protestantes avançam, ocupando vagas na Câmara junto à bancada evangélica e legislando em torno de princípios religiosos, a democracia e a laicidade do Estado tendem a perder com isso. A nova classe média brasileira é predominantemente desescolarizada e conservadora e tem sido interpelada por esses discursos a tornar-se militante de causas antisseculares. Após as eleições de 2010, esses líderes têm percebido a força de sua atuação junto a esses segmentos. A médio e longo prazo, as consequências sociais da ação de Malafaia e de outros líderes pentecostais no Brasil podem ser devastadoras. A junção de religião e política historicamente sempre foi uma ameaça às liberdades individuais e na jovem democracia brasileira é um fantasma que está sempre por perto.

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85 comentários sobre “O que quer Silas Malafaia?

  1. Valdir Santos R. Coimbra 06/02/2013 / 23:33

    Ótimo texto.Parabéns!

    • Robson 24/08/2014 / 19:15

      Olá professor Bertone,

      Gostaria de lhe agradecer por ter desmascarado aquele senhor fascista denominado Olavo de…sei lá o que.

      A intolerância religiosa vem ganhando contornos cada vez mais definidos e preocupantes. Outro dia, me deparei com um vídeo no youtube no qual há um pastor fundamentalista proveniente de uma denominação neoevangélica – Aliança do Calvário – e para minha surpresa notei que ele consegue ser mais fundamentalista que Malafaia e, já consegue arrastar milhares de “ovelhas” para atender seu ideário protofascista. Veja só o que ele diz acerca da cristandade no mundo e, posteriormente, do Pós-Modernismo:

      Gostaria de saber a sua opinião acerca desses fatos.

      Abraços

    • Bertone de Oliveira Sousa 24/08/2014 / 20:21

      Robson, na verdade essas preleções não são protofascistas, são apenas fundamentalistas e há vários representantes dessa corrente de pensamento não apenas em igrejas mais recentes, mas em outras também. Agora o perigo é quando esse tipo de discurso se alinha a posições políticas de direita porque a intolerância subjacente pode virar legislação e solapar importantes conquistas democráticas. Isso é que não se pode permitir que aconteça. Há alguns anos, fiz um estudo desse assunto aplicado à Assembleia de Deus:

      http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf6/10Bertone.pdf

    • Robson 27/08/2014 / 2:39

      Professor, quer dizer que um Pastor apregoando que os conceitos mais autocráticos da bíblia devam ser o molde do pensamento social, ou seja, uma engenharia social ensejando a formação de novas bancadas evangélicas anti-humanistas, contra partidos de esquerda e legislando de acordo com seus interesses reacionários não é fascista? Eu acho que esse discurso elucidará o que tento dizer:

    • Bertone de Oliveira Sousa 27/08/2014 / 15:55

      Robson, o anti-humanismo é uma das principais características do fundamentalismo religioso e já escrevi sobre essa relação aqui. Como eu disse, eles tentam adotar no Brasil as estratégias que a direita religiosa tem feito nos Estados Unidos desde a década de 1960; essa é a principal fonte de inspiração deles. O fascismo, no que pese sua orientação anti-democrática, é uma ideologia laica e a fusão de religião e política que esses pregadores defendem não é fascista, embora alguns de seus ideais possam em determinados momentos convergir. Mas nem sempre essa relação é clara. No Brasil, as igrejas pentecostais em peso apoiaram a ditadura militar, mas a ditadura não era fascista. O que eles defendem se aproxima mais de um retorno a concepções pré-modernas, quando não havia separação entre religião e esfera pública de modo que a segunda se subordinava à primeira, o que conferia à religião um grande poder de dissuasão e perseguição. Seu anti-humanismo é essencialmente um combate aos elementos da modernidade que conferem aos indivíduos independência de ação e pensamento. Leia o artigo que te indiquei.

  2. Jonatan 07/02/2013 / 1:08

    Em meados dos anos trinta o governo americano decidiu por datas de vencimento em seus medicamentos (por incrível que pareça nada tinha) foi o ínicio dos “direitos dos consumidores” isso impulsionou todo o tipo de “direitos”: direitos de igualdade da mulher, direitos das minorias raciais, dos homosexuais…Foi criado uma bolha: tudo ofende, tudo magoa, o direito de livre expressão é reprimido, posso ser rotulado de machista ou homofóbico por simplesmente me expressar contrário a determinados assuntos, mesmo não tendo a conduta discriminatória (trabalho com um colega homosexual sem problemas).
    Já o Silas Malafaia é um influenciador das massas, o que quer que fale pode causar muito dano, influenciando seus seguidores à discriminação ou a ira das minorias as quais ele comenta.

    • Bertone Sousa 07/02/2013 / 11:18

      Jonatan,

      sua analogia não foi feliz. Historicamente, não há relação entre os direitos de minorias e direitos dos consumidores. A raiz vem antes, com a Declaração dos Direitos do homem. No século XX isso foi posto em xeque: quem tem direitos? O homem branco, de classe média, escolarizado? Aí entra a discussão sobre minorias sociológicas e a importância das políticas afirmativas. E a cultura do “politicamente correto” (que talvez foi o que você quis levantar) também é outra. É importante analisar essas questões separadamente. Não que elas não tenham relação, mas é preciso ser mais cauteloso pra não se cair no senso comum.

  3. Gabriela 07/02/2013 / 10:25

    Nossa, muito bom mesmo. Vou divulgar pra ver se mais gente lê isso! 😀

  4. Bárbara Dias 07/02/2013 / 10:54

    muito preocupante a força política que esse cara tem,convenhamos que ele é um ótimo influenciador,não sei se poque fala bem ou se é por não deixar o outro falar rs…

    • Bertone Sousa 07/02/2013 / 11:25

      Bárbara,

      as duas coisas influenciam. Ele usa a eloquência pra intimidar. Ele faz isso sempre, no programa do Ratinho, na Câmara, em qualquer lugar. O pior é ele forçar os evangélicos a entrarem na política pra fazer militância. Isso realmente é preocupante.

  5. Uma abordagem temática interessante, e bastante perspicaz para compreendermos as intenções não só de Silas mais de muitos outros que se projetam na mídia por meio de polêmicas que lhes possam render processos, mas, maior que isso rendem-lhes muitos fiéis, dizimistas, mantenedores de suas obras evangelizadoras. Muitos são os que buscam esse tipo de discurso próprio do Malafai, possui uma tonicidade conveniente ao discurso também dos tradicionais e conservadores assembleianos, porém tira sua responsabilidade da “reta” quando compara seus argumentos com, Novelas, Filmes, Folhetins, diz que seu discurso jamais será tendencioso não podendo influenciar e manipular sues seguidores, ora essa, as ovelhas que não seguem seu líder são desgarradas, não obedientes, se ele é tão veemente em suas colocações, extremamente perigoso à uma sociedade igualitária e democrática de fato, não apenas na política, imagina, mesmo que seus adeptos possuam alguma instrução escolar, podem não ter liberdade de pensamento, e seguem o que ele diz, o discurso que ele propaga em sua igreja, é a força do convencimento…..e ele quer ter isso mesmo que a força de um debate vencido pela modernidade e ultrapassado, ignorante do ponto de vista dos avanços conquistas na convivência social. Eu assisti a entrevista, garanto que ainda teremos muitos diálogos sobre as opiniões, desse nada despreparado, líder evangélico no Brasil…..espero ter contribuído…..

    • Bertone Sousa 07/02/2013 / 16:14

      Cristiano,

      como você disse, ele é muito perspicaz, sabe onde bater e em quem bater. É aconselhado por pessoas bem conceituadas, não age sozinho. Ele sabe a força de um discurso e negar não ser manipulador faz parte da estrategia. Ele apela à “ciência” e à tradição para unir as pessoas, porque sabe que pela religião apenas não é possível. Nisso ele é moderno. É um modernismo reacionário e antissecularista nesse caso, como no movimento do Pat Robertson e no próprio movimento que originou o fundamentalismo nos Estados Unidos no início do século passado.

      Obrigado pela visita e pela contribuição. Abraço.

      • eu é quem fico envaidecido por ter participado de uma discussão tão interessante e empolgante, para quem trabalha com a temática das religiões e discursos religiosos no Brasil e no mundo, vc é um excelente pesquisador….ainda bem que foi meu professor…rsrsr abraço….

  6. Felipe Mendes 07/02/2013 / 13:59

    Não se trata de militäncia. É como o pastor mesmo disse, o Estado é laico, mas não é laicista. Isso ilustra muito bem o que anda acontecendo neste país. Uma legião de neoateus ignorantes e palpiteiros, que não tem cultura nenhuma, não sabem nada de religião nem de ciëncia, e ficam papaguando ESTADO LAICO para lá e para cá. Meu caro Bertone, respeito muito sua crença, até porque percebemos que vocë tem cultura e fala sobre o que sabe. O que me aborrece são esses ateus que nunca leram um livro na vida, e ficam repetindo o que dawkins fala… O direito, as instituições democráticas, as artes, a literatura, a moral, a ética, o conhecimento antigo… tudo isso foi guardado e remodelado pelo cristianismo. É muita ingratidão desses ateus burros. Abraços

    • Bertone Sousa 07/02/2013 / 16:28

      Felipe,

      você saiu um pouco do foco. O neo-ateísmo é outra questão e também tenho minhas críticas a algumas de suas posturas que já expressei aqui no blog. Sobre a frase do Malafaia de que “O Estado é laico, mas não é laicista”, é vazia de conteúdo. A militância nesse caso é uma referência ao fato de os evangélicos estarem sendo atraídos para a política não pela discussão de temas que interessem ao conjunto da sociedade, mas por temas que interessam a eles especificamente. Você pode dizer que os homossexuais e outros grupos também. Mas no caso dos homossexuais há a questão da minoria sociológica e da necessidade de garantir direitos civis a esses grupos. Isso não é uma bandeira contra os evangélicos ou qualquer grupo religioso. Eles tomaram a frente na causa por mania de perseguição. Nesse caso, ao querer que o Estado legisle em favor de grupos religiosos e em detrimento de outros grupos, há sim, uma inserção ilegítima da religião na política que é muito prejudicial ao Estado laico. Em seus discursos, Malafaia tira o foco disso e confunde militância contra minorias com cidadania.

      Só mais um comentário sobre algo que você mencionou:
      “O direito, as instituições democráticas, as artes, a literatura, a moral, a ética, o conhecimento antigo… tudo isso foi guardado e remodelado pelo cristianismo”.

      Não foi só o Cristianismo que produziu arte, literatura e conhecimento. Outras religiões também. No alvorecer da modernidade, os cristãos ocidentais pegaram dos muçulmanos noções de navegação, medicina, filosofia (traduções de obras clássicas), algarismos, entre outras coisas. Cuidado com essa visão reducionista.

    • Naruê S. Brito 12/02/2013 / 15:44

      Felipe, desculpe te desmentir, mas é, sim, militância. Para quem já leu Hannah Arendt e entende o mecanismo do poder totalitário, o discurso de Malafaia é transparente. Assim como o nazismo foi um projeto de dominação e a identificação do judeu (ciganos, homossexuais etc) como inimigo foi só um expediente de conveniência para a ascensão do grupo de Hitler, a identificação do homossexual como inimigo é um instrumento para a ascensão do próprio Malafaia (e não, veja bem, dos grupos evangélicos neopentecostais).
      O jeito mais simples de arregimentar seguidores e criar uma massa que segue cegamente um líder é a vitimização do público-alvo (os potenciais seguidores) e a identificação de um inimigo em comum, do qual o líder irá proteger a massa vitimizada. O MEDO do que o inimigo irá fazer com essa massa faz com que esta voluntariamente dê poder absoluto ao líder.
      Acha que estou exagerando? Veja o exemplo da Alemanha nazista. Primeiro passo foi identificar um inimigo MAIOR, o judeu. Segundo foi mostrar o quanto a massa de alemães “comuns” era oprimida e perdia riqueza e oportunidades de emprego POR CAUSA dos judeus. O terceiro passo todos já conhecemos: Hitler ganhou poder absoluto sobre a Alemanha, e o povo apoiou lei marcial e o fim de liberdades civis não só para os judeus como para todos os alemães.
      Outro exemplo: George W. Bush e o confronto com o mundo islâmico. Identificou-se um inimigo, o Islã, e instilou-se medo pela ameaça física (os muçulmanos querem destruir os EUA e têm armas de destruição em massa para isso) e social (eles se dedicam a destruir o “American Way of Life”). Voilà: o povo americano concordou em perder direitos básicos como o habeas corpus e quando se cogitou de restringir outras liberdades civis, quase 50% da população foi favorável.
      Agora veja o discurso de Malafaia: O homossexual é o inimigo. Ele ameaça a própria sobrevivência de vcs (“Pela preservação da espécie humana”). Vcs precisam da minha proteção contra esse inimigo.
      É claríssimo o projeto de poder e o uso do homossexual como inimigo é só um instrumento.
      Antes que vc responda, sou profundamente religioso e defendo a laicidade do Estado.
      O discurso do “Estado é laico mas não é laicista” beira a afirmação de que o “Estado é republicano, mas não é republicanista”.
      Em tempo: o expediente retórico de “não odeio o homossexual, odeio o homossexualismo” só cola pra quem não percebe a armadilha retórica. Odiar o fator que vc mesmo considera como definidor de uma pessoa é odiar a pessoa que vc define como tal. Seria como dizer “não odeio o negro, odeio sua negritude”… não dá pra dissociar.

      • Naira Brandão 13/02/2013 / 20:14

        Naruê, não tenho hábito de me manifestar na rede mas o que tu escreveste é fantástico. É exatamente o que penso, é o grande medo – a manipulação popular. Em pequeno grupo tinha colocado minha opinião sobre o Sr. Silas Malafaia citando as circunstâncias que culminaram no Holocausto. Vi gente jovem exultante pelo discurso desse Senhor, O risco é grande e preocupante. Parabéns pelo teu texto.

  7. Rogerio Beier 07/02/2013 / 15:09

    Olá Bertone, excelente texto. Estava querendo publicá-lo no Hum Historiador dando os créditos, evidentemente, e colocando links para o seu blog. Você autoriza?

    Um abraço,

    Roger

  8. Jonatan 08/02/2013 / 17:34

    Bertone,

    Ignorância minha! Agradeço pela correção educada dessa minha “pérola”…

    O que temo na liderança de Malafaia é o fato dele ser “ficha limpa” no campo evangélico, diferente do Valdomiro, RR Soares e do Macedo que sustentam acusações de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, o pastor Silas Malafaia utiliza seu prestígio para interesses que fogem do foco cristão. Sua frase explica bem isso.

    “os evangélicos estarem sendo atraídos para a política não pela discussão de temas que interessem ao conjunto da sociedade, mas por temas que interessam a eles especificamente. “

    • Bertone Sousa 08/02/2013 / 17:47

      Jonatan, tá tranquilo. A gente tá aqui pra trocar ideias mesmo. Sobre a fuga do foco cristão que você menciona, trabalho numa perspectiva teórica de conceituação das igrejas neopentecostais como religiões pós-cristãs. Elas se afastam de temas historicamente vinculados ao Cristianismo (caridade, renúncia, ascetismo) para positivar a vida material, transferindo as recompensas da fé para esta vida. Uma vez numa palestra alguém me perguntou se isto seria um “desvio” da essência do Cristianismo. Respondi que as ciências sociais não analisam dessa forma; essa é uma versão fundamentalmente teológica.

      • Munhoz 08/02/2013 / 22:31

        Texto realmente muito bom, Bertone. Acho que é nessa linha que você conseguirá mostrar-se a frente (ou acima) dos seus críticos. O tema é atual e merece toda a atenção. Acho bacana esse trabalho de levar a “academia” para fora e discutindo assuntos cotidianos para que a sociedade tenha contato com o conhecimento livre. O que importa realmente é a instigar a reflexão e estabelecer o debate.

        Só dando um pitaco pontual e de leigo, já que sou mais envolvido com História Política e Teoria e conheço muito pouco de História das religiões, não concordo com o termo “pós-cristão” para empregar às correntes neopentecostais, por não existir ruptura com o cristianismo, mas apenas interpretações diferentes para o livro sagrado. Não creio que a Teologia da Prosperidade esteja assim tão distante do princípio da “predestinação” de correntes protestantes cristãs. Assim, a properidade terrena seria apenas um sinal de que o “indivíduo” é escolhido por Deus. Mas, obviamente, essa discussão é mais densa que isso.

        Abraços!

      • Bertone Sousa 09/02/2013 / 1:11

        Munhoz,

        minha proposta é realmente essa. Levar a discussão numa linguagem mais acessível a esse pessoal em formação, especialmente nessas temáticas. Também gosto de Teoria e História Política, mas só acompanho algumas discussões, não faço pesquisa nessas áreas.

        Em relação ao pós-cristão, o Pierucci usou o termo pós-protestante. Nesse caso eu sigo a discussão do Bauman quando fala de religião pós-moderna, o que não implica uma ruptura, mas uma releitura da Bíblia e redefinição das práticas religiosas a partir de elementos da modernidade vistos como ameaçadores. No caso do Bauman, ele se refere mais especificamente ao fundamentalismo. As neopentecostais (o termo é brasileiro e não anglo-saxão, o que gera uma certa dificuldade de fazer a ponte entra as práticas dessas culturas) vem desse meio e mantém uma tensão com a esfera secular por positivar a cultura secular ao mesmo tempo em que negativa outras práticas religiosas concorrentes, como a umbanda e os cultos de origem orientais.

        Há uma diferença entre o tipo de ética analisado pelo Weber, porque aqui é uma ética de consumo e não de entesouramento, além da flexibilidade dos padrões de comportamento, diferenças substanciais entre essas práticas e as do pietismo e metodismo, por exemplo.No neopentecostalismo já não há ênfase na noção de escolha do calvinismo, mas na própria fé do indivíduo, historicamente uma adequação ao modelo econômico neoliberal. O indivíduo tem uma certa autonomia em relação a Deus, pode pressioná-lo, exigir, determinar, termos que são muito usados na literatura desses televangelistas. Não é realmente uma ruptura com o modelo cristão (como o pós-moderno não rompe com o moderno – a discussão tem que passar necessariamente por aí), por isso não vejo problema no uso do termo pós. Há um cultivo do efêmero, o trânsito religioso, o uso ostensivo dos meios de comunicação, a propaganda. A discussão realmente é longa, mas creio que há diversos elementos pra se conceituar como pós-cristã as práticas neopentecostais. Valeu pelo comentário, bem instigante.

        Abraços

  9. Jonatan 08/02/2013 / 19:58

    Bertone,

    Nunca concordei que “caridade, renúncia” ou outras qualidades sejam uma característica exclusiva do cristianismo, historicamente sim, mas toda forma de religião prega isto, mesmo o ateísmo. O triste não é a fuga do foco tão somente em “bondades” mas no empobrecimento do teor de “salvação” e “perdição” do cristianismo também nas doutrinas de santificação (não querendo entrar no campo teológico). “Positivando a vida material, transferindo as recompensas da fé para esta vida” anula completamente o foco de uma vida espiritual que era pregada antigamente, isso para mim não é cristianismo.

    • Bertone Sousa 08/02/2013 / 21:38

      Jonatan,

      não são características exclusivas do cristianismo, mas mencionei o ascetismo que, dentro da abordagem weberiana, inclui o ideário salvacionista e a consequente redução da pregação sobre a danação eterna.

  10. Jonatan 08/02/2013 / 23:49

    Bertone,

    Entendo o ascetismo como renúncia, neste caso concordamos que o neopentecostalismo tem se afastado de temas como esse, suas pregações são cada vez mais brandas e sem exigências, puro auto-ajuda…
    Já a sociologia weberiana vou necessitar de uma aula, em poucas palavras.

    • Bertone Sousa 09/02/2013 / 1:13

      Jonatan,

      aí você me pegou; em poucas palavras realmente não consigo explicar um tema tão vasto como a sociologia weberiana.

  11. lalala 12/02/2013 / 17:58

    Pra mim ele é o cara mais PERIGOSO do Brasil!

  12. 'Lorena Asevedo 12/02/2013 / 18:52

    Sensacional. Religiosos em geral estão condicionados a não darem atenção e nem considerar NADA além da doutrina que seguem. Essa semana por exemplo, com a renuncia do papa, onde fica claro o colapso do catolicismo, muitos catolicos insistem nao existir crise nenhuma, mesmo diante de diversas escândalos de pedofilia, críticas sobre a posição da Igreja em assuntos capitais da modernidade, casamento gay e outras pendências históricas. Tenho muito med do futuro.

  13. Victor Hugo Pereira de Oliveira 12/02/2013 / 19:30

    Meu amigo, tu só escreveu besteira lá em cima.
    Quando se aceita Jesus, a pessoa recebe um espírito orientador dentro do corpo dela.
    Este espírito é conhecido como: Espírito Santo e ele ensina, capacita, protege, cura.
    O que vc buscou tem nada a ver com o Silas, ele é usado por Deus, assim como eu sou usado por Deus, assim como outros irmãos em Cristo são.
    Leia a bíblia, busque a compreender, não saia falando besteira, relações de argumentos modo pones, de simples estrutura dedutivos. Utilização de tautologias.
    Eu já fui ateu como vc um dia e nunca fui feliz, sou feliz hoje em dia com Jesus e busco a cada dia seguir o evangelho dele, as cartas.
    Jesus foi o plano de Deus e só há vida completa com Deus.
    Não devemos seguir religiões, crenças, padres, bispos…, nada vinda do homem.
    Devemos seguir apenas a Jesus Cristo, buscar na bíblia como ser igual a ele.
    Vc apela sobre o dízimo: quanto custa uma saúde, segurança, família estruturada, paz, felicidade, ser amigo de Deus? Não há dinheiro! Quanto que você gasta com mulheres, cervejas, coisas que sempre irão manter vc frustrado e infeliz? (a sensação de sempre incompleto.)
    Deus capacita e vai sempre capacitar e não há conhecimento humano, não há causas científicas que entenda o que Deus diz e quer.
    Eu sou contra o homosexualismo, mas nunca faltarei com o respeito a um homosexual.
    Não tenho que ser a favor de pessoas que querem me forçar a ser a favor delas e não me respeitam. Não é que eu concorde que um homem deveria em vez de ficar com outro homem que eu seja homofóbico, tenho amigos que são gays.
    Eu tenho nojo do corpo de outro homem, acho muito mais bonito e atraente um corpo de uma mulher, isso quer dizer que eu seja homofóbico? Isso quer dizer que eu seja radical? Isso quer dizer que se em um gruppo eu passar a Palavra da bíblia eu seja um ladrão?
    Se Deus me abençoar conforme vem me abençoando, eu ficar próspero, roubei de fiés?
    Assim como vc eu estudo, trabalho, pesquiso. Porque eu tenho que ser como vc, quando Deus me usa eu vejo exemplos de personágens citados como vc fez com o Silas?
    Jesus não pediu dízimo, ele pediu que peguemos tudo o que temos e que distribuísse aos pobres.
    Você não deve ir a uma igreja, vc é uma igreja, Deus Espírito Santo habita dentro de vc e capacita vc, lhe orienta e o muda por dentro.
    Amigo, leia a bíblia antes de julgar ou condenar ou falar besteira dos outros.
    Eu amo Jesus cristo, amo a Deus e sei que estou no caminho certo.
    Faça este argumento baseado na bíblia e não somente em coisas que vc catou no mundo e disse ter a ver.
    O que Jesus mais ensinou é que devemos crer Nele.
    Em Primeiro Coríntius Paulo diz que não devemos ser de Apolo, Paulo, pregadores, devemos ser de Cristo, nosso batismo foi para Jesus Cristo.
    Em Romanos Paulo diz que devemos mudar nosso interior, nosso coração, pois Deus nos julga por nosso coração e arrependimento significa metamorfose, trasnforrmação, por isso nascemos de novo, nos tornamos filhos de Deus.
    Enquanto vc for pensar como o homem estará errado, enganando a sí mesmo, será um tolo.
    Eu estudei no Colégio Militar do Rio de Janeiro, estudei na Marinha do brasil, tenho três faculdades, só comecei a viver de verdade e a ser feliz com Jesus Cristo, ele me deu uma empresa, me deu felicidade, me fez realizar sonhos, sou judoca de alto rendimento saindo de uma depressão de 6 anos, saindo do cigarro e da bebida.
    Eu rompi os ligamentos laterais do meu joelho e o desloquei e em dois dias estou

  14. Victor Hugo Pereira de Oliveira 12/02/2013 / 19:32

    E estou andando.
    Vc vai postar que sou mentiroso, que sou ladrão?
    Vai postar que sigo sociólogo, ratzel, lablache, iventar que fui para marte que sou muito inteligente mais o q?
    Cara pára de ser inimigo de Deus, me apresenta na bíblia, prova que a bíblia não existe, continua sendo inimigo de Deus pra tu ver só.
    Abraços e a paz do Senhor Jesus,

    • Bertone Sousa 12/02/2013 / 19:40

      Victor,

      você não precisava ter escrito tanta coisa pra dar uma demonstração tão grande de idiotice. Você pode ter frequentado essas instituições mas nunca aprendeu a interpretar um texto. Com “três faculdades” você não aprendeu nem a escrever corretamente! Meus leitores são inteligentes e gostam. Não escrevo para analfabetos funcionais. Você é daqueles crentes que só aprendeu a decodificar as palavras que estão na Bíblia. São pessoas ingênuas e sugestionáveis assim que formam o rebanho, a massa de manobra desses líderes. Você não consegue compreender essa leitura; no seu caso, nem coisa mais simples daria.

  15. daniell miranda 12/02/2013 / 20:26

    Você esta de Parabéns com a postagem…
    eu vi a entrevista e li uns 3 ou 4 post’s sobre este assunto desde então e confesso que o seu foi o mais explicativo! parabéns!

  16. cirlene oliveira 12/02/2013 / 20:38

    Excelente texto vou divulgar no face muito bom parabéns

    • Bertone Sousa 12/02/2013 / 20:41

      Cirlene, obrigado pela visita e pela ajuda na divulgação. Abraço.

  17. Victor Hugo Pereira de Oliveira 12/02/2013 / 21:35

    Cara, eu te amo, Jesus ama vc, continua sem receber crítica, disse o que estava no meu coração e o quanto é maravilhoso estar com Deus, o quanto é bom seguir a ele.
    Sobre minhas faculdades, sobre o que sou, Deus me capacitou tudo e permitiu que eu fosse algo.
    Sobre seu texto: é mentiroso, mal desenvolvido, preconceituoso, vc descrimina os crentes o que não o trna científico e sem estrutura nenhuma.
    Pelo nível de resposta que vc deu, demonstrou o nível de pessoa que é.
    Sou contra os homosesuais. (Direito meu.)

    • Bertone Sousa 12/02/2013 / 21:47

      Victor,

      a resposta que escrevi foi a mais adequada e esse seu comentário só confirma o que eu disse. Não gosto de rotular as pessoas, mas você é um típico evanjegue. Existem muitos por aí e não escrevo pra vocês. Há evangélicos que leem meus textos e sabem discuti-los. Você não sabe interpretar um texto, cara. Se “Deus te capacitou” então te capacitou muito mau, com inteligência zero. Volte a estudar e dessa vez se capacite você mesmo, teus diplomas só servem como atestados de burrice.

      Não volte mais.

      • MarcioRivas 14/02/2013 / 22:53

        hahahahah Já sei onde o Silas tirou o seu diploma de psicologia, na mesma faculdade do tal Victor Hugo esse de aí encima. Muito bom o seu texto caro Bertome, desfrutei muito de ler-lo, e as suas respostas são muito esclarecedouras. Muita paz.

  18. Diego 12/02/2013 / 22:02

    Engraçado como as críticas recaem somente sobre evangélicos. Será que estaríamos vivendo a Evangélicofobia?!?! Sim, Evangélicofobia! Por que não? Se tudo que é analisado e criticado torna-se uma manifestação de preconceito e não aceitação, podemos dizer que este texto, totalmente direcionado àqueles que se opõe aos preceitos cristãos, em especial aos preceitos protestantes, é um texto pejorativo e manipulador, ou melhor, um texto que fomenta a Evangélicofobia.

    O texto trata de líderes de um segmento religioso – os quais possuem pensamentos próprios e liberdade de expressão – como se tais fossem cabeças de uma engrenagem que levaria o país à ruína, o que, por evidente, é uma sórdida mentira.

    Se todos os problemas sociais fossem os relatados no texto – problemas estes inexistentes, ao meu ver – o Brasil seria verdadeiramente uma potência mundial.

    Autores deste tipo exigem algo que eles próprios não oferecem, ou seja, aceitação.

    • Bertone Sousa 12/02/2013 / 22:16

      Diego,

      o que você está dizendo é que você pode criticar os outros mas os outros não podem criticar você. Essa é a típica mentalidade religiosa fundamentalista que não aceita qualquer forma de oposição e querem a imposição, para toda a sociedade, do que acham que é certo; aí inventam teorias de conspiração e neologismos (“evangélicofobia”) pra se colocarem como vítimas. Mas meu texto é sociológico e não de militância, como você não conseguiu perceber, porque você vê o mundo dividido entre nós (os bonzinhos) e eles (os maus). Não existe perseguição a evangélicos no Brasil; pelo contrário, é um grupo religioso que tem até muitos privilégios. Então leve essa conversa fiada pra outro lugar porque aqui não cola.

      E o texto não é pejorativo ou preconceituoso. É crítico. São coisas diferentes. A proposta do blog é analisar as religiões (e outros temas) a partir de uma perspectiva histórico-crítica. Quem não sabe lidar com isso e nem discutir, que também não fique choramingando.

      • Diego 13/02/2013 / 12:46

        No mínimo você recai sob a mesma premissa que levantou. Primeiro: diz que eu afirmei que posso criticar os outros mas os outros não podem me criticar, no entanto, após ler a minha crítica, você logo se ofendeu, de modo que não pode exigir algo que você mesmo não observa. Segundo: não disse em lugar algum que não posso ser criticado. Terceiro: seu texto leva o leitor a crer que a longo/médio prazo o país será contaminado pela filosofia dos mencionados líderes, causando uma espécie de destruição. Quanta baboseira num texto só… rsrsrs Parece que você não conhece a história do nosso país, ou se faz de bobo para fomentar, sim, a Evangélicofobia. Evangélicofobia, sim, por que não? Algum problema quanto a isso? Afinal, tudo no mundo de hoje se traduz em fobia… Vide homofobia, a qual menciona no texto com outras palavras, etc. É até compreensivo este afã todo, pois você deve está advogando em causa própria, não é?! rs

        Ha… e mais, quem parece choramingar aqui é você… Não aguenta uma crítica que logo se ofende.

        Na verdade pouco importa para mim o que pensa ou deixa de pensar.

        Conversa fiada é esse seu texto aparentemente científico, que de científico não tem nada.

      • Bertone Sousa 13/02/2013 / 14:52

        Diego,

        o único que está ofendido aqui é você. Se o que eu penso não importasse pra você, você não comentaria o texto. Meus leitores são inteligentes, sabem interpretar e discutir esses textos e esse não é, definitivamente, o seu caso. O texto não é apologia a nenhuma causa, mas pra você nenhuma explicação serve porque é incapaz de entender. Então você parte pra tentar ofender como já é típico de quem não sabe discutir ideias. Burrice é uma coisa que enche o saco e você tem de sobra. Não escrevo pra ignorantes, portanto não volte mais, pois não me darei mais o trabalho de responder outro comentário seu.

  19. Martoli 12/02/2013 / 22:08

    Bertone, parabéns pelo texto!

    Tens razão em muitos pontos, principalmente quando trata de uma possível união dos evangélicos para seguir um determinado pastor, como o Malafaia. Sou evangélico e afirmo que isso nunca acontecerá.
    Malafaia não é o porta voz dos evangélicos, apesar de defender o que nós acreditamos, contudo, do jeito dele, com o temperamento dele e etc… (o que não ajuda muito)
    O fato é que todo extremo é perigoso, se evangélicos estão na câmara e no senado e no seu entender isso irá trazer malefício para a sociedade, se lá estivessem apenas ativistas de qualquer seguimento, teríamos o mesmo efeito. Sabes tbm que o movimento LGBT não é inimigo apenas do Malafaia mas também do que ele defende, a bíblia. Então o inimigo não é imaginário.
    Creio que vc sabe disso, mas lendo os comentário julgo que seja necessário enfatizar que nós evangélicos não odiamos os gays e tampouco somos homofóbicos. O que a bíblia nos ensina é não fazer acepção de pessoas e o Deus em que acreditamos tbm não faz. O evangelho é bem mais simples do que parece.

    • Bertone Sousa 12/02/2013 / 22:27

      Martoli,

      o “inimigo” é imaginário, sim. Malafaia usa o discurso contra os homossexuais pra projetar-se como líder e promover seus candidatos; isso vai além de simplesmente criticar projetos de lei. Ele ganhou muita visibilidade com tudo isso (talvez até mais do que ele imaginava no início) e está sabendo usá-la para seus interesses particulares. O texto é claro sobre o uso político que ele está fazendo da situação para contornar justamente o que você disse, que ele não representa os evangélicos. Quando falo de efeitos prejudiciais me refiro à confusão entre política e religião que a bancada evangélica e alguns televangelistas fazem e que não é de agora, vem da constituinte de 1988, há estudos sobre isso. Há uma forte mania de perseguição no protestantismo brasileiro. No passado, de fato, eles lutaram muito por legalidade e reconhecimento. Hoje, contudo, esse tipo de discurso sobre perseguição não tem mais razão de ser, é mera retórica vazia e simulação de vitimização.

      Usar a Bíblia (ou qualquer livro sagrado) para transformar grupos sociais que não se adequam a ela em inimigos é uma atitude muito perigosa que só resulta em intolerância; a história abunda de exemplos disso. A legalização do casamento gay em nada vai prejudicar a liberdade de expressão dos evangélicos. Mas esse é o problema dos segmentos fundamentalistas: eles não se conformam em ter liberdade para seus cultos, mas eles também querem que a liberdade de outros grupos cesse ou seja muito restrita. E quando eles tentam intervir nos poderes Executivo e Legislativo para isso aconteça representa, sim, uma ameaça à democracia e ao estado laico.

  20. Martoli 13/02/2013 / 10:40

    Bertone, da mesma forma que o discurso do Malafaia pode inflamar os protestantes mais fanáticos não somente contra o movimento LGBT mas tbm a todos homossexuais e que não fazem parte deste movimento, o mesmo acontece com ativistas e representantes LGBT, que atacam não somente o Malafaia mas a todos os evangélicos, e não estou fazendo nenhum tipo de vitimização. O movimento LGBT tbm faz uso politico como é de direito de qualquer grupo social, e como destaquei anteriormente se fossemos orientados somente por um grupo social teríamos sérios problemas da mesma forma.
    Concordo que a legalização do casamento gay em nada vai prejudicar os evangélicos, e não é de interesse dos protestantes cessar a liberdade de outros grupos, pq se assim fosse, não conseguiríamos sequer que um gay entrasse numa igreja evangélica. Mas a PL122 deixa muito claro a grande vitimização que o movimento LGBT alega ,e procura aprovar leis exclusivas que nenhum outro grupo social tem.
    A bíblia transforma as pessoas que acreditam e seguem o protestantismo, toda vez que ela causou/influenciou intolerância ao longo da história foi usada como escudo para proteger outros interesses na maior parte deles capitalista inclusive pela igreja católica e quem dela se beneficiava, não é o caso do momento.

    • Bertone Sousa 13/02/2013 / 11:59

      Martoli,

      você não entendeu o foco do meu texto. No caso dos homossexuais existe a questão da minoria sociológica, como também é o caso dos negros e das mulheres (lei Maria da Penha), o que não pode ser aplicado a grupos religiosos. No final você faz uma confusão de religião com outras coisas. Meu texto não é sobre isso, você levou pra outro lado que não tem relação.

      • Martoli 14/02/2013 / 22:16

        O seu texto é muito bom por sinal e facilita bastante a compreensão do foco.
        O que a PL122 quer está além do que a lei Maria da Penha prevê, e não precisa ser aplicado a grupos religiosos, isso é fato.
        Mas não entendi Bertone e gostaria que vc sinalizasse onde há confusão de religião com outras coisas?
        Em nenhum momento comentei algo que não tivesse ligação com seu texto e tbm com os comentários que vc teceu a outros leitores. Li todos com bastante calma….

      • Bertone Sousa 14/02/2013 / 22:37

        Martoli,

        quando falo de confundir religião com outras me refiro à sua referência de que a “bíblia transforma a fé das pessoas que acreditam e seguem o protestantismo”. Entendo que é sua fé pessoal, mas não analiso a questão por essa ótica; minha abordagem é essencialmente sociológica e histórica, o que você colocou vai pro campo da fé, da teologia. Sempre faço essas distinções justamente pra evitar a perda de foco e a ideia de militância ou proselitismo.

        Sobre a outras questão o que quis falar foi o seguinte: há uma distinção entre minoria sociológica e minoria numérica, por isso comparei com a lei Maria da Penha. Mulheres não são minoria numérica, mas são sociológica. É a condição existencial de grupos a que são negados direitos. São coletividades que vivenciam variadas formas de exclusão social: mulheres, negros, homossexuais, indígenas, entre outros. Nesse sentido, o polêmico kit gay, por exemplo, não era pra ensinar homossexualismo nas escolas como o Malafaia e outras pessoas alardearam, mas faz parte de uma política afirmativa que tem por objetivo reduzir o preconceito contra esse grupo social, assim como as cotas pra mulheres em partidos políticos no passado era pra reduzir o preconceito com a participação delas e as cotas pra negros e índios nas universidades também. A lei Maria da Penha também foi uma forma de proteção. A legalização do casamento homoafetivo é um reconhecimento da mudança de noção de família. Quando Malafaia falou na entrevista que não acredita que um casal gay possa criar um filho com integridade, é preconceito. Na entrevista ficou claro que ele não tem como comprovar isso e se fechou em sua própria opinião. A questão não é que se está privilegiando um grupo em detrimento de outros, mas que se está buscando reduzir o preconceito contra um grupo social. É diferente da lei Maria da Penha porque as políticas afirmativas visam combater diferentes tipos de preconceito pra diferentes grupos sociais.

  21. Mariane Lopes 13/02/2013 / 15:05

    Ótimo texto, sob todas as perspectivas! Só não irei entender porque as pessoas que seguem essa ou aquela religião querem impor sua doutrina a nós, que não consideramos a bíblia, alcorão ou livro dos mortos como livro sagrado! O que não se entende no Brasil é que a liberdade de expressão não dá o direito de ofender, perseguir ou discriminar alguém e que a liberdade religiosa não pode ser usada como arma para impor uma doutrina! Os evangélicos não entendem que essa perseguição a nós, gays, lésbicas, travestis, transsexuais e transgêneros em termos civis nada tem a ver com sua religião, se o estado é laico o porque dessa perseguição a uma minoria? Seria como Hitler perseguindo os judeus na Alemanha: uma minoria que ameaçava uma maioria massacrante? Será mesmo que nós, uma minoria que é vitima de todo tipo de violência e abusos realmente somos uma ameaça? Mas somos uma ameaça ao que? À religião? Ao Estado? Quanto à religião, cada tem a sua, cada um acredita no que quer, quanto ao Estado, posso e devo, enquanto cidadã brasileira, ter meus direitos concedidos.

  22. FELIPE SAMPAIO 13/02/2013 / 16:50

    JÁ VI ESSA HISTÓRIA ANTES…CAIO FÁBIO DO SÉCULO XXI…AGUARDEM

  23. Andressa 14/02/2013 / 11:39

    Tem crente querendo dar uma de sociólogo agora inventando até palavra nova, evangelicofobia. Era só o que faltava.

    • Bertone Sousa 14/02/2013 / 11:45

      Andressa,

      o pior é que nem estudou e quer vir aqui discutir na base da ofensa. Aí tenha dó. Além disso o tal Diego mandou vários comentários ofensivos usando outros nomes. O que ele não sabe é que o IP do computador vem junto com o comentário e é fácil desmascarar. É incrível como tem pessoas que não sabem debater nem lidar com críticas e se empregam em aporrinhar os outros.

  24. Jonatan 15/02/2013 / 3:08

    Bertone,

    Creio em um Deus e já nos confrontamos antes mas me envergonho dos evangélicos acima…

    • Bertone Sousa 15/02/2013 / 10:59

      Jonatan,

      é aquela coisa… existem pessoas e pessoas em todos os segmentos.

  25. Luis Bruno 15/02/2013 / 14:58

    Prezado Sr.Dr .Bertone de Sousa , li seu artigo sobre a repercussão sobre o pastor Silas Malafaia e acho que o senhor acabou cometendo alguns equívocos sobre as ideias do pastor.
    ” Para ele, estar na mídia é uma questão de sobrevivência no ramo. Por isso ele precisava de algo que fizesse os holofotes estarem constantemente voltados para ele. E encontrou isso no discurso anti-homossexual. Comprando uma briga com o movimento LGBT (outro segmento que também ascendeu junto com os neopentecostais)”
    De fato Silas Malafaia entrou em atrito com organizações LGBT (que não representam todos os homossexuais ) e com todas as entidades de esquerda que apoiam o gayzismo (que jamais deve se confundir com os homossexuais,pois são na verdade um grupo de militantes ) , o fator primordial para esse conflito,foi Silas Malafaia ter exposto em publico o PL 122,um projeto de lei para emendar a lei 7.716 ,que expunha pontos muito polêmicos como esse aqui “Artigo 16º, parágrafo 5ª: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”
    .Silas mostrou o problema desse artigo a pouco mais de 2 anos,a questão não é a punição por “ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória,”quanto isso não há problemas, e sim por ” de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.” esse é um dos principais problemas desse artigo,pois o que seria “ordem filosófica”? pois numa argumentação sem falácias poderia se cabível de punição ,pelo menos foi essa a versão apresentada do projeto,antes de sofrer as devidas modificações .Note que se esse artigo problemático do projeto não fosse apresentado e não houvesse modificações. Abriria precedentes para processos judiciais por militantes dessas organizações sem ser necessariamente por homofobia e sim por seus oponentes discordarem filosoficamente e moralmente desse movimento.
    Outra falha que é interessante e que também foi exposta por Malafaia é esse aqui ” “Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares ou locais semelhantes abertos ao público. Pena: reclusão de um a três anos.”
    Esse ponto embora não seja tão problemático, porém dentro de uma visão liberal-libertária a propriedade privada incluindo o estabelecimento, não possui uma função social e sim de atender o seu dono, o dono possui a liberdade de atender quem ele quiser e de como decide utilizar seu estabelecimento(desde que não o utilize para cometer crimes) e decidir quem pode ou não entrar nele ,e também definir os comportamentos que são ou não permitidos lá , pois ele é o dono do estabelecimento, é ele que paga as despesas do mesmo se o estado quiser legislar sobre como estabelecimento deve funcionar , que o estado passe a pagar todas as despesas do mesmo .
    Outro ponto que também observo que ouve um entendimento errôneo é esse aqui
    ” Malafaia usa o discurso contra o homossexualismo como plataforma para conseguir essa projeção em nível nacional entre os evangélicos. O objetivo vai além: alcançar poder para intervir diretamente nas decisões políticas do país, criando um grupo forte e coeso para fazer lobby junto ao Congresso, ao Senado e à própria presidência da República. A Igreja Católica sempre fez isso, mas nunca deram muita atenção. Suas idas a Basília para discursar na Câmara ou na Esplanada dos Ministérios tem por objetivo criar essa ponte entre o público evangélico e o poder. Por isso ele tem criticado outros líderes religiosos por não o apoiarem em sua cruzada contra a legalização do casamento homossexual.”
    Não vejo problemas em Malafaia criticar o homossexualismo ou homossexualidade ,pois um militante LGBT pode criticar as doutrinas do cristianismo sem nenhum problema , a questão é que o próprio Malafaia já afirmou publicamente que não pretende ingressar na política e mesmo que algum dia venha a ingressar ,não vejo problemas nisso,pois vivemos em uma democracia , um ambiente onde todos os cidadãos (ateus,religiosos,progressistas,conservadores,esquerdistas ,liberais e etc) têm direito de defender seus pensamentos e ideias , se o que Malafaia está fazendo,pode levar os conservadores políticos a catalizarem suas atenções para decisões vindas de movimentos progressistas,isto é totalmente válido,desde que essas decisões possam prejudicar uns e beneficiar outros ,como prentendia-se no artigo do PL122 “de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.” e que só depois da ação política dos conservadores, houve mudanças nesse projeto, quanto ao casamento gay é algo muito polêmico ,até mesmo em nações liberais como Inglaterra e Estados Unidos o assunto gera muita discussão, eu particularmente sou indiferente quanto a isso, se quiserem se casar ,que se casem ,agora não exijam que isso se torne algo incriticavél ,pois o casamento querendo ou não é uma convenção social adotada por casais heteros ,com o interesse de constituir família,ainda que por muitas vezes se dissolva , só acho que essa conveção deveria se estender a os gays,por eles pagarem impostos ao estado.
    Outro equívoco que observei nesse artigo foi esse aqui ” Embora tenha conseguido avançar bastante em seus objetivos, Malafaia tem esbarrado na resistência dos evangélicos brasileiros de se unirem em torno de um líder. Por outro lado, à medida que ele e outros líderes protestantes avançam, ocupando vagas na Câmara junto à bancada evangélica e legislando em torno de princípios religiosos, a democracia e a laicidade do Estado tendem a perder com isso. A nova classe média brasileira é predominantemente desescolarizada e conservadora e tem sido interpelada por esses discursos a tornar-se militante de causas antisseculares. Após as eleições de 2010, esses líderes têm percebido a força de sua atuação junto a esses segmentos. A médio e longo prazo, as consequências sociais da ação de Malafaia e de outros líderes pentecostais no Brasil podem ser devastadoras. A junção de religião e política historicamente sempre foi uma ameaça às liberdades individuais e na jovem democracia brasileira é um fantasma que está sempre por perto.”
    Malafaia não possui a intensão de se tornar líder dos evangélicos ou representar os evangélicos,pois se o movimento LGBT não conseguiu e nem consegue representar os homossexuais em geral, não será Malafaia que conseguirá a proeza de representar um grupo religioso tão complexo e fragmentado como os evangélicos. Concordo que nos ultimos anos a bancada evangélica ficou mais estruturada, porém não vejo isso como uma ameça a laicidade do estado muito menos a nossa querida democracia,pois como falei uma democracia é um ambiente onde todos os cidadãos podem defender suas ideias , da mesma forma que eu acho legítimo a presença de progressistas no cenário político,porque não convidar os conservadores para esses debates, pois vivemos numa sociedade conservadora e ao mesmo tempo democrática, não acho que isso fira a laicidade, pois se um ateu defensor de uma agenda de esquerda pode se candidatar porque um religioso que defenda principios conservadores não o pode ? , outra consideração que quero expor é que não concordo que o que Malafaia e outros líder conservadores estão fazendo possa ser devastador , até porque o que eles defendem é apenas a valorização da família e de valores morais , não enxergo eles querendo que outros engulam isso , pois segue esses principios quem quer , já o movimento LGBT como já mostrei nem sempre prentende guardar seus valores só pra si , pois já tentou através do kit-gay ,expor sua agenda para crianças , e com aquele polêmico artigo no pl122 , coisas que não conseguiram, isso sim poderia ser prejudicial a sociedade ,o que a bancada evangélica propõe é discutir justamente essas questões .Defender uma política unilateral ,onde só um grupo político tem autoridade para dicutir e defender uma agenda é declarar o fim da política e da democracia , e isso ao meu ver está muito longe do interesse da bancada conservadora evangélica.
    OBS:. não sou religioso, tenho minha divergências quanto a Silas e a Bancada evangélica , porém não pode deixar de ver alguns pontos equivocados em seu articulo.

    • Bertone Sousa 15/02/2013 / 17:35

      Luis,

      não, não é nada disso. A questão não gira em torno de “entidades de esquerda que apoiam o gayzismo”. Isso é teoria de conspiração rasteira, só serve pra polarizar o debate e criar mais confusão. A questão diz respeito a políticas afirmativas para minorias. Pra evitar ser redundante, leia meu último comentário para o Martoli aí acima. Essas mudanças não acontecem da noite pro dia. O kit-gay não tem a ver com agenda ou coisa do tipo; é uma forma de combater o preconceito. Preconceitos têm raízes histórico-culturais e precisam ser trabalhados no âmbito da educação para que as novas gerações repensem essas práticas e possam ajudar a criar alternativas para sua superação. A PL também não tem essa conotação, Malafaia foi que atribuiu a ela um tom alarmista para chamar a atenção para sua causa.

      Sobre o uso político que ele faz disso, é algo muito claro. As políticas afirmativas não visam promover militância contra outros grupos. Na verdade a militância partiu de Malafaia e seu grupo contra os homossexuais, não o contrário. Em uma entrevista recente, ele criticou a Igreja Católica por não combater também essas questões. Acontece que a Igreja Católica sabe que essas políticas não objetivam cercear nenhuma liberdade religiosa. Ela é contra o homossexualismo por uma questão doutrinária, teológica, mas não faz disso uma plataforma política pra combater outros grupos. Certamente há clérigos que também devem ser bem radicais em seus posicionamentos contrários a isso. Mas pelo menos até agora eles não tem se levantado para pretender falar em nome da Igreja.

      Você escreveu: “Malafaia não possui a intensão de se tornar líder dos evangélicos ou representar os evangélicos,pois se o movimento LGBT não conseguiu e nem consegue representar os homossexuais em geral, não será Malafaia que conseguirá a proeza de representar um grupo religioso tão complexo e fragmentado como os evangélicos”.

      Acontece que você tem que avisar isso a ele. Malafaia não é bobo, ele sabe das dificuldades que essa empreitada acarreta e ele também sabe que o futuro dele como televangelista depende das polêmicas que fazem com que sua imagem permaneça na mídia. O discurso anti-homossexual que ele usa não é um fim, é um meio, pois através disso ele poderá concorrer em condições de igualdade com outros líderes protestantes no mercado religioso brasileiro e fora do Brasil (o programa dele já é transmitido pra dezenas de países com dublagem em inglês) e também barganhar com outras esferas de poder fora do âmbito estritamente religioso, como a mídia e o próprio campo político. E ele já está fazendo isso: já participa de negociações com a Rede Globo, já lançou com êxito vários candidatos nas últimas eleições e pretende continuar fazendo isso para os cargos eletivos mais altos.

      Nesse sentido a bancada evangélica tem um papel importante com Magno Malta, Feliciano e outros o apoiando. No frigir dos ovos, o que está em jogo são interesses bem maiores e você precisa olhar para além de meras polêmicas midiáticas, perceber com o olhar sociológico que permite ver de uma perspectiva mais ampla. No Brasil, interesses religiosos sempre estiveram de alguma forma enlaçados ao Estado. Os protestantes apenas chegaram atrasados nessa questão, mas com muito vigor. Isso vai muito além de simples defesa de opiniões num ambiente democrático. Ele não precisa que os evangélicos o apoiem como um papa. O que ele precisa, e ele está conseguindo, é comprem a ideia de combater um inimigo votando em candidatos evangélicos. Com isso ele polariza o discurso político e a questão política descamba para a retórica da militância religiosa a antissecularista. E nisso a influência dele poderá, sim, ser muito devastadora, pois o que acontece é que estão sendo minadas as bases do estado laico, na medida em que a política é ostensivamente usada como meio de promover interesses particulares de líderes religiosos.

  26. Jonatan 15/02/2013 / 19:10

    Bertone,

    Creio em Deus de acordo com as sagradas escrituras e não posso concordar com essa mescla político religiosa. É certo que vai argumentar que a igreja sempre esteve de alguma forma envolvida no meio político (há menções históricas em seus textos) e realmente está. Porém não há referências nas cartas apostólicas sobre política, a igreja primitiva nunca se envolveu nisso, a coisa surgiu bem mais tarde.
    O sistema religioso se desvirtuou agregando para si a militância político religiosa, as denominações hoje são influentes no Estado porém o seu sangue afinou em suas bases espirituais.
    É minha maneira ortodoxa de pensar.

    • Bertone Sousa 15/02/2013 / 19:23

      Jonatan,

      o Cristianismo realmente não nasceu como proposta de reforma política, mas de transformação do ser humano pela via espiritual (como foi o Budismo antes dele). Acontece que Jesus falou pros discípulos que o Reino de Deus estava logo na esquina e que alguns deles não iam morrer antes que ele chegasse. Não fazia sentido envolver-se na política se o Reino de Deus iria chegar logo logo, assim como não fazia sentido acumular propriedades e bens, daí aquele trecho tão conhecido de Atos que faz referência ao comunal de bens entre os cristãos. O tempo passou e o Reino não chegou nem o Cristo voltou, então as coisas tiveram que ser reinterpretadas. O Reino passou a ser espiritual e não mais um evento a intervir diretamente na história. A Teologia teve de ser feita, ela praticamente não existia, então muitas coisas ficaram pendentes, grupos muito heterogêneos vivendo praticamente da tradição oral. Com o tempo a aproximação do poder foi não apenas inevitável como necessária. Independente de te considerares ortodoxo ou não (lembrando que a Igreja Católica também é “ortodoxa”) compreender essas mudanças históricas é necessário se tu quiseres ter uma visão mais abrangente e fundamentada desses processos.

  27. Jonatan 16/02/2013 / 2:47

    Bertone,

    Meu conservadorismo não se enquadra ao da igreja católica romana, o catolicismo hibridou-se com o império romano adotando uma monarquia “césariana”, Jesus ensinou que não deveria haver um maioral entre os seus dicípulos. Já a bandeira do protestantismo não tremula mais, se organizaram teológicamente, ambas igrejas hoje são muito parecidas, quase não se vê a diferênça. Meu conservadorismo se refere a “imutável Palavra de Deus”, Palavra esta que o sistema religioso “adequou” com o tempo, de “imutável” para “mutável”.
    A ”aproximidação do poder” seria mesmo “inevitável” ou “necessária”? Note o Budismo que você mesmo citou: nunca politizaram ou centralizaram e mesmo assim se difundiu, sem mortes ou imposições.

    De fato voce me abriu um bom leque histórico.

    • Bertone Sousa 16/02/2013 / 16:58

      Jonatan,

      como eu já te disse, a ideia de que a Bíblia é “imutável” é idealismo, ou uma questão fé, não tem base histórica. O Novo Testamento é um amálgama de outras tradições. Há um concepção de Deus radicalmente nova e diferente do Antigo. Todas as vertentes religiosas são híbridas e se tu criares outra, também será. Desde a Reforma. muitas denominações surgiram para voltar à “pureza” da igreja primitiva. Idealizam um passado estanque no tempo, retirando-lhe as especificidades epocais e os condicionamentos históricos. Agora que o Cristo ensinou o desapego à riqueza e poder, isso é fato. Mas as coisas mudam, e a mensagem já começou a mudar logo com Paulo; foi ele que criou a igreja com suas hierarquias e rigidez doutrinária.

  28. Jonatan 16/02/2013 / 22:21

    Berone,

    Ao que parece esse meu idealismo é como dar murro em faca, mas é uma questão de fé.

  29. Deyb Vieira 17/02/2013 / 22:57

    Parabéns pelo Blog profº Bertone. Estou aprendendo bastante ao ler suas postagens. O mais interessante é que conheci seu blog por intermédio da polêmica que vc travou com o Leonardo Bruno. Vou divulgar seu blog em outros espaços…

  30. nelson muniz 03/03/2013 / 20:48

    Bertone, fico imaginando como se sentiria o Silas Malafaia ao ver-se desnudado como vc o fez de forma tão transparente. Nossa! Parabens, professor! Fico feliz e aliviado ao ver pessoas analisar esse que pode ser o pior pesadelo de muitos homossexuais. Mas, ele mesmo está se perdendo em suas falácias. Tem um video do Dr. Frank Java(psicologo) em resposta a um video do Silas atacando o CFP e ao Eli Vieira, o geneticista. Cara, ali se mostra o quanto esse pastor é desonesto intelectualmente. Este psicologo desmonta todos os argumentos do pastor quando cita Freud. Só assistindo, o titulo é MalafaiaxPsicologia. Valeu..

    • Bertone Sousa 04/03/2013 / 1:07

      Nelson,

      desonestidade intelectual ele tem demais. Ele quer usar a ciência pra legitimar os próprios pontos de vista mas se esquiva do debate. Contra o Eli Vieira ele apenas usou argumentos ad hominem e intimidações, a mesma estratégia que adota com todos que divergem dele. Assisti ao vídeo que você mencionou e é muito interessante. Seria importante colocar o Malafaia pra debater com pessoas assim, que têm fundamentação teórica e segurança no que dizem. Vou publicar o video aqui no blog. Obrigado pela contribuição.

  31. vinicius 21/03/2013 / 1:01

    Olha, sou um crente/protestante/evangélico/pentecostal e tenho uma coisa pra te dizer sr. Bertoni: PARABÉNS. Não sei se o sr. é a ateu – acho que talvez seja agnóstico -, mas conseguiste fazer uma análise cirúrgica e acurada da figura do Silas Malafaia. Bem, conheço a saga da família Malafaia a anos. O Silas foi professor de teologia do meu pai e estudou psicologia na Gama Filho com meu tio. Aliás, meu tio me disse que ele era super anti-social e ficava num canto da sala isolado – talvez para não se contaminar com a promiscuidade do ambiente universitário. Bem, qualquer pentecostal conhece o Malafaia e não se surpreende com a sua ascenção na mídia, mas sim como ele ascendeu. Ele sempre pregou tudo que ele prega hoje desde os anos 80 – não mudou quase nada -, desde quando ele começou a pregar na televisão aos sábados. Sempre chamou atenção pelo seu comportamento destemperado e às vezes desiquilibrado em suas pregações, que até já foi interpretado como inadequado para um cristão. Sua figura apareceu para a mídia brasileira pela primeira vez em 1995, quando a Globo e a Record travavam uma guerra santa, que culminou no episódio do chute na santa no dia da padroeira do Brasil. Malafaia, ainda com cabelo partido no meio e com seu característico bigode, saiu em defesa do Bispo Macedo contra os ataques da anti-evangélica e imoral Rede Globo no programa 25 hora da Record. É importante frisar que sua a defesa a Macedo era patética e que mais tarde eles viriam a se tornar desavenças irreconciliáveis. Com o passar dos anos ele passou a ocupar cada vez mais o espaço de seu programa com temas polêmicos e com críticas de reportagens que geralmente difamavam evangélicos na imprensa. É muito fácil mostrar que um minoria religiosa de comportamento excludente é às vezes tratada com preconceito pela imprensa. Um episódio que nunca me esquecerei foi quando ele num de seus programas teria insinuado que estava tendo as contas de suas empresas investigadas e quase que pedia para ser preso injustamente para posar de mártir evangélico, ou seja, sempre quis aparecer – dizem até que ele ficou com inveja do Bispo Macedo quando este foi preso. Ele sempre foi bem-visto praticamente em todo o meio evangélico como um homem de deus que pregava o evangelho, mas sua unânimidade foi quebrada em meados dos 2010 quando ele começou a se influenciar por aquilo que era conhecido por combater, a teologia da prosperidade. A cada vez que ele convidava um pastor americano no seu programa para vender bíblia de mil reais em troca de uma benção sua reputação ficava mais queimada entre os evangélicos em geral – principalmente os de origem reformada. Seu portal de notícias, o Verdade Gospel, foi feito em resposta a toda uma chuva de críticas que ele começou a receber da blogosfera evangélica. Alguns sites passaram a ter uma verdadeira implicância contra ele. Por incrível que pareça, desde que ele se “vendeu” seus programas se multiplicaram na tv e ele ficou mais famosos entre os não-evangélicos. Quando surgiu a PL 122, Malafaia achou o que sempre procurou, ou seja, uma briga que ele podia mostrar para todos – e não só para os evangélicos – que havia uma lei que afrontava à democracia e à família. Nesse ponto devo admitir que repudio a PL 122 por tê-la lido e entendido que ela realmente criaria problemas para muita gente. Por ter brigado contra a PL 122, Malafaia, que além de pastor é um cidadão que tem o direito de se expressar, se transformou no inimigo número 1 do movimento gay, e acredito que era exatamente isso que ele queria. Do nada, ele começou a ser perseguido pelo movimento gay, que sempre tentou distorcer suas afirmações para acabar com seu programa. Malafaia não é nenhuma mente engenhosa ou um Hitler, como teria dito um comentário aí em cima. Ele já cometeu erros bisonhos ao apoiar candidatos que o trairam na primeira oportunidade – se bem que nas últimas eleições ele mostrou que ficou bem esperto, apoiando candidatos não-evangélicos vitoriosos que defendiam sua agenda. A visão dele é que a política atual não tem a representatividade suficiente dos segmentos evangélicos ou das outras forças conservadoras brasileiras. A maioria dos evangélicos acredita que a família está sendo sucessivamente atacada e se surpreende com a forma em que estão sendo marginalizados com a subversão dos valores da sociedade. É para esse público, que vê diariamente o preconceito contra eles crescer que o Malafaia aparece brigando por aquilo que todos acreditam e que ninguém quer colocar a cara a tapa para brigar. A investida dele se consiste num oceano azul, uma vez que a igreja católica e o exército não tem vontade para brigar por aquilo que a maioria silenciosa acredita. Ele não prega o ódio aos gays, ele não pode fazer isso porque seria esmagado e porque perderia toda a sua moral entre os cristãos. Desafio qualquer um que está lendo esse blog a perguntar a qualquer um desses agressores de homossexuais musculosos quem é Silas Malafaia – não se surpreendam se a resposta for um exclamado “Quem?”. A briga dele é com o movimento gay, pois esse é radical para a maioria da população e é um inimigo que, além de ser fácil de caricaturizar, é um chamariz de atenção. Ele jamais será um papa evangélico, no máximo um Pat Robertson exaltado. Ele parece o tipo de pessoa que precisa de uma polêmica, e neste sentido, até esse post neste blog já lhe é um sucesso. Desde já, obrigado e saiba que estou te seguindo e compartilhando. Fique com deus.

  32. André 29/03/2013 / 10:35

    Parabéns professor. Artigo espetacular ! Muito bem escrito e tua visão sobre a realidade é extremamente aguçada e refinada. Gostei muito das tuas observações. Silas Malafaia é de fato talvez o mais perigoso dos atuais falsos profetas. Macedo desgastou-se e está em franco declínio. O mesmo pode-se dizer do casal Hernandez. Santiago é muito baixo e simplista. Atinge um percentual da população que tende até mesmo a ser reduzido. E Soares faz cara de bom moço mas não chega a incomodar muito. Seu negócio é comer pelas beiradas e minar a mensagem de Jesus de uma forma progressiva e constante. Para mim é o que prega mais heresias. No entanto a visão que o professor teve sobre a ambição de Silas Malafaia é perfeita. Exatamente isto. Pretende ele ser o líder evangélico “confiável” e possivelmente um pastor/candidato a qualquer cargo político.

  33. Val de Carvalho 16/04/2013 / 12:11

    Endosso as palavras do professor sobre o camaleão Gospel Silas Malafaia que pretenciosamente pretende ser o “representante” dos cristãos do Brasil. Um sujeito que muda de lado a todo instante e que já esteve em todos os púlpitos e já defendeu e atacou em momento diferentes as mais espúrias, divergentes e repugnantes doutrinas.

  34. Natan Generoso 19/08/2013 / 11:40

    Excelente texto, mas o pano de fundo é ainda mais complexo. Basta ver a força política em que as chamadas “minorias desprezadas” têm no país.

    São ideais baseados na nova esquerda americana, que ganharam força a partir da década de 60. A velha esquerda, acreditava que o proletariado salvaria o mundo, um ideal já velho e acabou por ser descartado. A nova esquerda acredita que as minorias salvarão o mundo.

    Pois bem, é um conflito de forças antagônicas. Só o tempo dirá em que esse conflito resultará.

  35. Roberto Raposo 14/11/2013 / 18:09

    Parabéns! Muito sensato! Gostaria de dizer uma coisa: Pior que a falta de laicidade nas leis de um estado é a falta de laicidade (ou tolerância) dos seus cidadão. Líderes religiosos sempre atacaram ferozmente nessas duas “frentes”. Cada um com o seu “ministério”, mas todos com o mesmo objetivo. Alienar para usar. A raça humana sempre foi assim. Por conta disso, passa por momentos de liberalismo e momentos de opressão. Cada um com seus “prós” e seus “contras.” Atualmente estamos avançando na direção da ignorância, da intolerância e da opressão, graças a conceitos “politicamente corretos” mas, no meu ver, socialmente erradíssimos. Exemplos: Crianças não podem mais ser reprovadas nas escolas. Isso dá origem a uma geração de analfabetos funcionais; Cota para esse, cota para aquele, Isso destrói o “mérito”. A verdade nua e crua está morta. Tornou-se ofensa! Assim, dia após dia, vai-se perdendo a capacidade de mudar o curso da história. Um processo lento, mas de certa forma, natural. Pessoas nascem sem instrução. É muito mais fácil mantê-las assim do que dar-lhes conhecimento e senso crítico. Pior! Depois de instruídas, não são manipuláveis! Infelizmente,acredito que, se nada for feito urgentemente, nosso filhos e netos poderão viver numa teocracia, e talvez, quem sabe, nosso bisnetos ou tataranetos se tornarem iluministas… Duvidam? vejam a história recente do Irã!

  36. José Urbano Silva 01/10/2014 / 14:23

    Caro professor, parabéns pelo seu equilíbrio e imparcialidade. Também sou formado em História, e entendo que a ciência avança quando encontra profissionais formadores de opinião mas que repassam ao leitor o juízo de valor. Saúde, sorte e sucesso!

    José Urbano
    Caruaru – PE

  37. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/08/2015 / 2:46

    Silas Malafaia emergiu nesse contexto como um desconhecido. Sendo pastor de uma das igrejas mais fundamentalistas do Brasil, a Assembleia de Deus,

    Uma dúvida a respeito desse trecho,sim a Assembleia de Deus é uma das igrejas mais fundamentalistas do Brasil,apesar que na minha opinião menos que a Deus é Amor,e Congregação Cristã do Brasil,tenho uma tia que frequenta a Assembleia de Deus,de uma igreja ligada a CGADB,e ela me disse que ao menos entre a liderança dessa CGADB,o Malafaia é visto como um liberal,por ter saído dessa organização,e ter abolido da sua igreja,o chamado legalismo,o senhor me falou em outra resposta que o termo legalismo não é usado academicamente,mas os pentecostais chamam de legalismo,o apego a lei de Moisés do Antigo Testamento,com regras doutrinárias em relação a roupa,maquiagem,uso dos meios de comunicação,etc.Então pode se dizer que o Silas Malafaia,comparado a esses outros líderes é menos fundamentalista?Por ter abolido de sua igreja,as doutrinas que proíbem os fiéis de usarem determinadas roupas,usarem maquiagem,ou de assistirem a televisão,ele mesmo usa a televisão como forma de divulgar suas pregações,diferente dos pastores da CGADB,da Deus é Amor e da CCB,então de fato ele é mais ´´liberal´´ que esses outros pastores?

  38. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 22/08/2015 / 2:52

    E o senhor como escreveu em seu perfil,também já foi um membro da Assembleia de Deus,então deve observar muito melhor que eu,que existem essas diferenças em relações as doutrinas que se dizem respeito aos usos e costumes que existem entre a ala da CGADB e o Silas Malafaia,pois eu nunca frequentei essa igreja,o que conheço é através de minha tia,então por isso te pergunto se o Malafaia é menos fundamentalistas que esses pastores e os pastores de outras denominações do pentecostalismo clássico que adotam as mesmas regras de comportamento em relação aos usos e costumes,essa afirmação procede?

  39. Gabriel Tavares 07/12/2015 / 20:53

    Professor Bertone Sousa,o senhor acredita que Silas Malafaia continue com bastante influência no meio evangélico durante os próximos anos?E seja considerado sua principal voz?Porque pesquisei sobre a história da religião evangélica no Brasil,e descobri que um pastor presbiteriano chamado Caio Fábio exerceu papel semelhante durante os anos 80 e 90,até que foi descoberto que ele mantinha um relacionamento extraconjugal com sua secretária,motivo pelo qual foi excluído da própria Igreja Presbiteriana,e perdeu toda a sua influência,hoje lidera um movimento chamado ´´Caminho da Graça´´ no qual prega em sua própria casa em Brasília para poucas pessoas,com influência bastante reduzida,o senhor acredita que pela perspectiva atual,que só se descobrissem algo da mesma natureza em relação a Malafaia,que só isso o faria perder sua influência?Porque ele continua participando de programas televisivos,nesse ano participou do Programa do Ratinho,e sendo ouvido por suas opiniões políticas,está apoiando o processo de impeachment contra Dilma,o senhor acredita que assim como foi o caso de Caio Fábio,e de outros pastores norte americanos como Jim Bakker e Jimmy Swaggart,só se descobrissem um caso extraconjugal dele,que o faria perder seu poder e influência?

  40. Gabriel Tavares 07/12/2015 / 21:08

    E pelo que eu li de Caio Fábio,foi que ele foi um líder com um perfil bem diferente de Malafaia,protestante tradicional presbiteriano,chegou a realizar projetos sociais no Rio de Janeiro,como a Fábrica Esperança,localizada na favela de Acari,que pelo que eu li ofereceu educação,e muitos projetos culturais para as crianças da favela,sendo responsável por diminuir a violência no local,e politicamente era muito mais próximo de lideranças de esquerda progressista,como Leonel Brizola,Anthony Garotinho,e mesmo de Lula,a quem anunciou apoio em seu programa de TV,em uma época que outras lideranças evangélicas como Edir Macedo,diziam que Lula era ´´o diabo´´,a besta,coisas do gênero,em minha opinião,Caio Fábio foi uma liderança evangélica mto melhor que Malafaia,mas o senhor acredita que só se descobrissem um caso de adultério de Malafaia,como descobriram de Caio Fábio,que este viria a perder sua influência no meio evangélico?

  41. Gabriel Tavares 07/12/2015 / 22:44

    O que o senhor acha que pode fazer Silas Malafaia perder sua popularidade e influência no meio evangélico?

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