Fascismo e comunismo: resposta a um blogueiro histérico

Leonardo Bruno não cansa de escrever textos abjetos. Mas meu interlocutor é muito desonesto intelectualmente. No novo texto que escreveu em seu blog Conde Loppeux de la Villanueva em 01/02/2013 e intitulado “Cansando meus leitores com professores de história”, ele vem, como já é de seu feitio, com uma chuva de argumentos ad hominem. Mas além da desonestidade, há outra coisa: a ignorância de princípios elementares de Teoria da História. Acontece que Leonardo Bruno não é um historiador de formação, mas um diletante que consome livros anti-comunistas. Até aí tudo bem: há pessoas que consomem livros antirreligiosos, anti-capitalistas e por aí vai. O problema é que ele faz um verdadeiro espetáculo de horror ao arrotar superioridade intelectual, algo que ele parece sentir uma profunda necessidade de estar continuamente reafirmando, como se estivesse querendo aplausos frequentes de sua plateia.

Quando mencionei sua ignorância de Teoria da História, me referi ao seguinte aspecto: há diferentes interpretações para os mesmos fatos. Quando você faz uma pesquisa histórica, uma das primeiras coisas é levantar o estado da arte de seu objeto de estudo; ou seja, conhecer as principais obras e pesquisas já realizadas sobre o tema. Nesse processo, é comum você encontrar interpretações dissonantes, resultante daquilo que Michel De Certeau chamou de “lugar” (não como referência geográfica, mas institucional) do historiador. Isto é, mesmo que analisem as mesmas fontes, as interpretações dos historiadores dependem de sua vinculação institucional, de seu posicionamento ideológico, de sua formação acadêmica, suas referências culturais, entre outros fatores. O importante, nesse caso, não é a objetividade da pesquisa (algo que não existe em ciências sociais), mas o rigor metodológico e o aprofundamento e resultados da pesquisa em contato com as fontes. Ao ignorar esse aspecto tão importante da operação historiográfica, Leonardo Bruno toma determinadas interpretações como as únicas válidas, qualificando ridiculamente as demais como mentirosas. Essa prática, no entanto, não é dele apenas; como falei na postagem anterior, é algo que ele e outras pessoas aprenderam com Olavo de Carvalho. Vamos ao que ele diz:

É interessante notar que em seu último artigo, chamado “Quem são os fascistas?, publicado em seu blog, no dia 31 de janeiro de 2013, Bertone de Sousa não identificou nenhuma raiz ideológica que me ligasse ao fascismo. Não soube mesmo identificar o que é o fascismo. Na pior das hipóteses, apelou à falácia do espantalho. Cria-se uma caricatura, para achincalhá-la, quando na prática, mal refutou os argumentos do oponente.

O que torna Olavo de Carvalho e seus seguidores, incluindo Leonardo Bruno, fascistas? Embora queiram passar a imagem de liberais, não o são. Sua obsessão anticomunista os levou ao polo oposto da ideologia que criticam: o totalitarismo de direita. Olavo costuma render loas a ditadores de direita, incluindo o fascista Francisco Franco. Ora, se defendo um ditador fascista, como não estou defendendo o regime político que ele personificava? Por outro lado, muitos textos do Mídia sem Máscara são taxativos em sua afirmação da necessidade de imposição de uma visão de mundo alinhada aos ideais da direita e a exclusão total da esquerda do jogo político; ali está explícita forte intolerância e ódio ao pensamento divergente. Se o leitor já tiver lido o livro “Nem com Marx nem contra Marx” de Norberto Bobbio, um importante cientista político do século passado e que não era marxista, compreenderá melhor minhas palavras. Ali há uma coletânea de artigos escritos em diferentes épocas em que o autor discute como e porquê dialogar com o marxismo. A apologia do fascismo está escancarada em vídeos de Olavo de Carvalho e em vários textos do Mídia sem Máscara. Muitos jovens são atraídos pelo discurso deles por sua máscara liberal. Ledo engano. Logo se tornam militantes raivosos, achando que todos os que discordam deles também são militantes raivosos tramando complôs para tornar o mundo comunista.

Outra falácia de Leonardo Bruno é dizer que não identifiquei o que é o fascismo. Aqui entra um elemento de sua desonestidade intelectual. O fascismo está definido em meu texto, mas como não é o mesmo conceito que ele acha correto, ele apenas nega que eu o tenha definido. É o mesmo artifício retórico que ele usa pra dizer que não é fascista. Continuemos.

O que é uma “extrema-direita”? É espantoso que um professor de história, cujas credenciais devam ser científicas, caia numa panfletagem vulgar, quando a questão é rebater seus críticos. Quando afirmo “científicas”, reitero que os conceitos devem ser analisados de forma rigorosa e não através de um subjetivismo que engane o leitor. Ademais, qual o problema em refutar, ridicularizar ou desqualificar uma obra quando ela é ruim e não tenha qualidades literárias ou intelectuais?

Leonardo Bruno está chamando de panfletagem vulgar uma opinião divergente da sua. E ele não quer ser chamado de totalitário. O fascismo em meu texto não está sendo definido com base em “subjetivismo enganoso”, mas num diálogo com um autor especialista no assunto no Brasil. Curioso é que Leonardo Bruno, que nunca publicou nada em sua vida, desqualifique autores renomados como Leandro Konder, Daniel Aarão Reis Filho e Eric Hobsbawm apenas porque não eram de direita. Com isso ele mostra uma visão dogmática e reducionista dos fatos históricos. Eric Hobsbawm, por exemplo, se tornou mundialmente conhecido por suas pesquisas em História Contemporânea, em que se destacam as quatro eras (das Revoluções, do Capital, dos Impérios e dos Extremos), além de um estudo sobre o nacionalismo no século XIX, uma importante obra sobre a História Social do Jazz e vários outros livros de referência para a compreensão de aspectos do mundo contemporâneo. Agora dizer que pessoas como ele “não tinham qualidades intelectuais” é de uma ignorância e cinismo risíveis. Nenhum intelectual sério age dessa forma. Daí o leitor veja porque digo que Leonardo Bruno é desonesto intelectualmente. Ele não precisaria negar a importância da obra dele e de outros autores por não serem de direita. Pelo contrário, o cotejamento de suas obras com a de outros escritores seria importante e enriqueceria bastante o debate. Ao invés disso, ele prefere uma visão unilateral e dogmática.

Não sou em quem qualifico a esquerda de stalinista. Ela mesma faz questão de pensar assim. Não posso ser culpado se a história revela um passado criminoso e totalitário nas hostes esquerdistas. Se até os ditos esquerdistas “moderados” possuem um chavão stalinista bem surrado, e nutrem simpatias por burocracias opressivas e regimes tiranetes, o jeito é denunciar a prática e dizer na lata: são stalinistas sim! Mas não custa nada lembrar um aspecto artificioso e desonesto dessa linguagem. A esquerda teima em jogar para Stálin todas as culpas do Partido Comunista ou de outras facções de esquerda, quando na prática, toda a ideologia de esquerda tem no radicalismo, na onipotência do Estado, no genocídio e na violência, sua regra comum, seu estado ideológico natural e essencial.

Aqui mais uma vez ele é reducionista. O marxismo do século XX foi um movimento bastante heterogêneo. Quando Kruschev denunciou os crimes de Stálin em um Congresso do PCUS em 1956, muitos intelectuais de esquerda como E.P. Thompson e o próprio Hobsbawm não teceram mais elogios a Stálin. Os social-democratas não defendiam um Estado onipotente. Rosa Luxemburgo, por exemplo, discordava do conceito de centralismo democrático de Lênin. Os intelectuais da Escola de Frankfurt nunca foram pró-soviéticos. Sartre também não era stalinista, assim como Hannah Arendt e vários outros intelectuais que dialogavam com Marx. A afirmação dele é uma inverdade grosseira.

Cito várias obras aqui, para meus leitores, que corroboram com algumas teses de que o fascismo é um movimento com sólidas origens socialistas e revolucionárias. Joachim Fest, o grande biógrafo de Hitler, afirmava que o nazismo era a “revolução alemã”, a “revolução contra a revolução”, ou seja, a revolução alemã, anti-bolchevista, anti-iluminista, porém, romântica, idealista. Entretanto, essa revolução mescla tanto o nacionalismo racista, como o socialismo, já que o próprio Hitler afirmava ter aprendido com os movimentos socialistas, a militarização da sociedade e o partido de massas. Cabe acrescentar que o nazismo carrega, paradoxalmente, alguns elementos do iluminismo, como a crença na ideologia do progresso através da depuração racial. A essência mesma do nacionalismo fascista é revolucionária e populista, völkischer. Raramente houve um movimento que mudou tão radicalmente a estrutura da sociedade alemã como o nazismo, no sentido de um nivelamento completo das relações sociais.

John Lukacs, historiador húngaro, afirma que Hitler era um revolucionário nacionalista e um socialista, que soube canalizar as tendências do seu tempo. Richard Overy, em seu famoso livro, “Os Ditadores”, faz uma assimilação entre os regimes nazista e comunista, vendo muitas semelhanças entre os métodos do nacional-socialismo alemão e do bolchevismo, tanto na economia, como na propaganda e na sociedade civil. Os economistas Friedrich von Hayek e Ludwig von Mises também associam o fascismo ao socialismo. O movimento fascista, na verdade, tem várias faces e uma amálgama de tendências políticas das mais contrastantes. Ela associa alguns valores aparentemente “direitistas”, como o nacionalismo, embora canalize também outros elementos comuns da esquerda, como a organização de massa, uma vanguarda revolucionária condutora da sociedade militarizada pelo Partido e a centralização quase total do poder estatal. Na verdade, há vários movimentos fascistas, com inúmeras origens, que vão do revolucionarismo extremo, como ocorreu na Itália e principalmente na Alemanha nazista, como alguns grupos de reação ao comunismo, que mesclavam socialismo e tradição, como a Falange Espanhola. Reduzir a compreensão do movimento fascista a categorias simplórias de “esquerda” e “direita” não explica o fenômeno. Obscurece-o.

Aqui ele faz uma confusão de abordagens e conceitos. Vamos por partes. Primeiro, o próprio Hobsbawm afirmou que os fascistas eram revolucionários da contrarrevolução (olha só, concordando com um autor que Leonardo Bruno utiliza e ele nem sabe, que ingênuo!).  Segundo, o que o nazi-fascismo tinha em comum com o comunismo? O culto ao Estado e à personalidade, a mobilização das massas e sua militarização (nisso ele acerta). Mas, diferentemente do comunismo, o nazi-fascismo era anti-iluminista. E as suas raízes são conservadoras. Ao mesmo tempo que buscam cooptar as massas que poderiam cerrar as fileiras dos partido comunistas, também são apoiados pela grande burguesia, pelo capital monopolista, como demonstrou Leandro Konder numa citação que coloquei na postagem anterior. A elite da sociedade alemã inclusive sequer se preocupava com o crescimento do movimento nazista, pois não os considerava tão ameaçadores às suas propriedades quanto os comunistas; eles já conheciam a diferença entre os dois movimentos. Os banqueiros e empresários judeus foram expropriados, não os alemães. Os historiadores são unânimes em afirmar que, não fosse pela Grande Depressão, Hitler e seu partido teriam permanecido na obscuridade. Quando a economia alemã colapsou, ele ofereceu patriotismo e planos de ação firmes contra a crise, o que garantiu votação expressiva a seu partido até ele se tornar chanceler. Terceiro, a noção de revolução e transformação social no marxismo é bem diferente do que propõe o nazi-fascismo. Este é mais conhecido por suas práticas do que pelo detalhamento de seus programas políticos.

O historiador britânico Archie Brown escreveu uma densa obra sobre a história do comunismo. Nela, ele dedica um capítulo a definir o que é o comunismo e elenca algumas características:

1. O monopólio do poder do Partido comunista;

2. Centralismo democrático (termo essencialmente leninista e que integrou todos os regimes comunistas);

3. Posse não capitalista dos meios de produção;

4. Domínio de uma economia de comando, em oposição a uma economia de mercado;

5. Propósito de construir o comunismo (isto é, uma sociedade sem classes e sem Estado) como objetivo final e legitimador;

6. Existência de um movimento comunista internacional e o sentimento de pertencimento a ele.

O historiador inglês, que não é marxista, inclusive dialoga com Hobsbawm e outros autores marxistas e não-marxistas. Isso é uma construção historiográfica, o cotejamento de obras, análise das fontes frente ao que já foi dito e proposição de novos problemas. Leonardo Bruno não compreende essas coisas e fala uma porção de asneiras, anacronismos, asserções infundadas, se apropriando até de forma ilegítima da obra de alguns autores.

Inclusive ao caracterizar os regimes comunistas, Archie Browm nos dá uma dica importante: “O termo ‘comunista’ deveria ser usado com precisão e parcimônia. Não deveria ser aplicado indiscriminadamente a qualquer governo que contenha marxistas nem a ditadores do Terceiro Mundo que empregaram uma retórica vagamente marxista”.  Olavo de Carvalho e sua trupe não cansam de chamar de comunistas os regimes populistas que vigoram na América Latina. Já chegou mesmo a dizer que o Brasil vive um regime totalitário sob o governo do PT. Alguém que fale tamanha bobagem não pode jamais ser levado a sério. É um fanfarrão.

Embora o Estado fascista fosse totalitário, ele não era anti-capitalista. Era anti-liberal como o comunismo. Hitler admirava Stálin e sua capacidade de comando e eliminação da oposição, mas isso não tornava o nazismo igual ao comunismo. Ao contrário, a rivalidade entre os dois ditadores e os dois regimes os levou a uma guerra sangrenta a partir de 1941. O socialismo possui como perspectiva final o fim das classes sociais, do Estado e a unidade da humanidade, bem diferente do nazismo que objetivava eliminar as raças que considerava inferiores e jamais propôs a abolição do Estado. O comunismo não é uma ideologia racista, pelo contrário, o internacionalismo é uma de suas principais características.

Em relação a Hayek, no livro O Caminho Para a Servidão, o que ele faz é uma defesa das liberdades individual e econômica e mostra como o fascismo e o socialismo se assemelhavam em sua oposição a ambas as liberdades. Ele mostra a semelhança dos dois regimes em relação à sua oposição ao liberalismo político e econômico, mas não afirma, em nenhuma parte, que os dois regimes sejam a mesma coisa. No capítulo intitulado Planejamento e Democracia, ele escreve:

“Os vários tipos de coletivismo, comunismo, fascismo, etc., diferem entre si na natureza do objetivo para o qual pretendem dirigir os esforços da sociedade. Mas todos eles diferem do liberalismo e do individualismo por quererem organizar toda a sociedade, e todos os seus recursos, para este fim unitário, e por recusarem a reconhecer esferas autônomas em que os fins do indivíduo são superemos”.

O que ele faz é uma análise dos Estados totalitários, ou coletivistas como os chama em sua oposição ao Estado direito, à democracia e às liberdades individuais. Quando compara o regime da Alemanha nazista ao soviético, Hayek comenta que, originalmente, o socialismo pretendia ser internacionalista e democrático, que eram dois elementos que causavam ojeriza aos nazistas. Mas à medida que a classe dirigente soviética foi se afastando desses ideais, uma aproximação com a extrema direita foi inevitável. Hayek não coloca as duas ideologias como iguais, mas mostra como os acontecimentos históricos do entre-guerras as aproximaram politicamente. De fato, Stálin procurou esconder de todos a ascendência judaica de Lênin (inclusive proibindo a irmã dele de se pronunciar sobre isso), como também não se opôs ao antissemitismo europeu, apesar das fortes advertências de Trotsky sobre a ameaça que representava a ascensão de Hitler e seus seguidores.  Sobre o pacto germano-soviético, Geoffrey Blainey o coloca como um acordo oportunista entre os dois ditadores e assinala que “suas ideologias eram muito diferentes e as ambições territoriais colidiam […]. Na verdade, com tal acordo, ele [Hitler] poderia mais facilmente apanhar Stálin desprevenido”. Parece que Leonardo Bruno tem uma séria dificuldade de interpretação ou é apenas um cínico querendo atrair atenção.

Depois Leonardo Bruno escreve:

Segundo alguns autores, o anti-semitismo alemão era muito restrito aos nazistas. O anti-semitismo foi bem menor do que se imagina. A propaganda alemã anti-judaica não comovia o alemão médio, mais preocupado com seu bem estar do que com as diatribes raciais de Hitler. O que fazia o alemão médio admirar Hitler foi o fato de ele ter destruído o Tratado de Versalhes, de fazer da Alemanha uma nação respeitável e temível para as outras potências inimigas. Hitler modernizou o país, criou o paraíso estatal do bem-estar social, com direitos trabalhistas e, ainda, deu a segurança, para uma nação que nunca soube conviver em uma sociedade democrática. Ademais, será que Garibaldi e os italianos eram “fascistas”, por que reunificaram a Itália, criando uma nação problemática? Ou Bismarck, por ter criado a nação alemã, em 1870, sob os auspícios da Prússia? Puros nonsenses.

Mentira que o antissemtismo era restrito aos nazistas. Historicamente, o antissemistismo existe na Europa desde a Alta Idade Média. Antes mesmo de existir partido nazista, Nietzsche, em suas obras do século XIX, já criticava acerbamente o antissemitismo alemão (o mesmo Nietzsche que os nazistas deturparam para legitimar sua ideologia). No livro “O Medo à Liberdade”, Eric Fromm mapeou as raízes mentais do nazismo até a Reforma Protestante.

Quando critiquei o artigo de Olavo de Carvalho por ter ficado no meio de caminho em sua abordagem do nacionalismo, não me referi obviamente a Bismarck e Garibaldi como fascistas, mas quis dizer que o nacionalismo desses países deve ser estudado desde a sua unificação, pois no contexto da Segunda Revolução Industrial, a chegada tardia de Alemanha e Itália à corrida imperialista acirrou a rivalidade com outras potências europeias e consequentemente à corrida armamentista que resultou na Primeira Guerra Mundial. E aqui Leonardo Bruno se faz de cínico e me atribui palavras que não disse.

Sobre a referência que faço a Leandro Konder, ele diz:

Bertone de Sousa não quer ser levado a sério ao citar esse notório dinossauro comunista chamado Leandro Konder. O que esperaríamos de Konder, senão a cantilena stalinista, endossada pela inteligentsia de esquerda, de que o fascismo era uma ideologia do capitalismo agonizante? Ele me lembra de uma conversa que tive com minha professora de história, quando falávamos sobre Revolução Russa. Eu pensava que ela iria citar Richard Pipes, Robert Conquest, Simon Sebag Monteriore, Isaac Deutscher ou Alain Besançon. Que nada! Ela me citou Daniel Aarão Reis Filho e ainda achava que merecia ser levada a sério!

Nenhum pesquisador respeitado acredita nessa lenga-lenga marxista. Os estudos sobre o assunto mostram que as elites tradicionais desconfiavam do fascismo e, em muitos aspectos, o detestavam. Nas eleições de 1932, Hitler teve menos apoio dos empresários do que os partidários nacionais-alemães de Alfred Hugenberg. A aristocracia junker e as elites empresariais achavam Hitler subversivo demais. Inclusive, Hitler teve que enfraquecer internamente a cúpula do exército, para controlá-lo, sob pena de um golpe de Estado. Em suma, tudo que Bertone nos apresenta é uma vulgata soviética solenemente ignorada e repudiada por uma boa parte dos historiadores e especialistas sobre o assunto.

Aqui entra o que comentei no início do texto, a ignorância de teoria da história de Leonardo Bruno. Ele não sabe como se dá a operação historiográfica e fala essas bobagens. Veja o argumento que ele usa contra Leandro Konder: ad hominem. “Dinossauro”, “senil”, coisa de quem não tem o que dizer. O fato de ele não levar a sério historiadores que não possuem sua visão de mundo prova que Leonardo Bruno não é sério, é apenas um militante. E depois outra pior:

Leandro Konder, como um bom marxista, repete a velha patacoada stalinista de sempre. Não podemos nos preocupar com ele, logo que está velho e senil. O problema é a falta de critérios das pessoas jovens, preguiçosas mentais, que não estudam. Os fascistas, em nenhum momento, defendiam o capital. O tal “capital monopolista” era o Estado monopolizando a economia e obrigando aos empresários a trabalharem para o governo. Os nazistas e fascistas não davam a mínima para as aspirações da burguesia. Pelo contrário, se esta burguesia fugisse da linha dos interesses partidários do Estado, poderiam ter suas propriedades confiscadas. Foi o que de fato ocorreu na Alemanha nazista. Ademais, os fascistas italianos continuaram anti-clericais, mesmo com a Concordata assinada com o Papa Pio XI. Em 1931, Mussolini ameaçou estatizar os colégios católicos e grupos de camicie nere invadiam igrejas católicas e faziam pilhagens. Em suma, o Sr. Bertone precisa fugir da bitolação marxista das universidades.

Quem não concorda com ele (incluindo autores renomados) é preguiçoso e não estuda. Quanta desfaçatez e fanfarrice! É claro que o capital estava presente nos dois países. Henry Ford apoiou Hitler. Outros banqueiros e industriais também. E não, os fascistas não continuaram anti-clericais; Mussolini tratou de abafar isso cooptando a Igreja Católica. Em 1922 os camisas negras organizaram a famosa “Marcha sobre Roma”. O Rei Vítor Emanuel recorreu a Mussolini para que ele controlasse a multidão. No livro, “Biografia não autorizada do Vaticano”, Santiago Camacho escreveu: “Os fascistas estavam convencidos do interesse social de um sentimento como o religioso, que é um vínculo comunitário nas massas. O próprio Mussolini sentiu-se muito surpreendido em 1922 diante da imensa multidão que esperava na Praça de São Pedro a eleição de Pio XI: ‘Olhe esta multidão de todos os países do mundo. Como é que os políticos que governam as nações não se dão conta do imenso valor desta força internacional, deste poder espiritual universal?’ Assim, apesar de seu declarado ateísmo, Mussolini não desejava destruir o que existia, mas ir, progressivamente, modificando-o, reinterpretando-o…”. O Tratado de Latrão e a subsequente relação amistosa entre a Igreja Católica e o Estado italiano fascista já são bem conhecidos para darmos mais detalhes aqui. O que Leonardo Bruno faz é usar um palavreado sem fundamentação histórica.

Uma prova disso é que em um texto anterior, também sobre mim, ele diz que o “o marxismo cultural é pior do que o fascismo. É uma espécie de patrulhamento ideológico que relembra o romance apocalíptico de Orwell, 1984”. O marxismo cultural foi uma iniciativa de alguns intelectuais europeus de enxugar a teoria do economicismo e dar enfoques mais aprofundados a questões culturais sem colocá-las de forma reducionista dentro do esquema infra/superestrutura. E. P. Thompson, que mencionei atrás, foi um dos principais. Sua obra Costumes em Comum: estudos sobre a cultura popular tradicional, alia bastante erudição com uma perspectiva inovadora a partir do diálogo com outras disciplinas. Na obra ele analisa questões como economia e moralidade, venda de esposas,  Rough music. A obra de Thompson se tornou um marco até mesmo para a História Cultural. Outros autores como Michelle Perrot e Raymond Williams também se destacaram. Há ainda outra vertente, a dos Estudos Culturais, que tem em nomes como Stuart Hall, Edward Said, Homi Bhabha seus principais representantes. São autores que trabalham temas como pós-colonialismo, identidades culturais, pós-modernidade, entre outros. Parece que Leonardo Bruno não leu nenhum deles e fala sem conhecimento de causa. Os Estudos Culturais e a História Cultural (especialmente a francesa) contribuíram decisivamente para uma renovação na historiografia europeia e brasileira, ampliando o leque de objetos e as possibilidades de abordagem da pesquisa histórica. Chamar isso de “patrulhamento cultural” é de uma ignorância sem limites, e comparar ao romance de George Orwell, pior ainda. Ele leu bons autores, mas faz um uso completamente inadequado deles. A questão principal vai além do que você lê, mas como você assimila essas leituras, o uso que faz delas e o cotejamento com outras leituras. Ele fica na interpretação reducionista, fragmentária. Fico imaginando quanta coisa podre há na cabeça desse rapaz. E é lamentável que haja muitas pessoas como ele por aí.

Aí estão os fatos. Quanta desinformação essa gente espalha e quantas mentes sugestionáveis eles arrastam para si! Discursos extremistas sempre tendem a atrair mentes sequiosas por uma causa pra lutar. Inventam um inimigo e o imaginam em todos os lugares, dão-lhes poder quase absoluto e proferem discursos e mais discursos alarmistas e sem base sociológica. Leonardo Bruno gosta de me chamar de stalinista. Não há neste blog ou qualquer outro artigo meu uma só linha onde eu faça apologia a Stálin ou a qualquer regime comunista que vigorou em qualquer lugar. Felizmente ele não está numa escola ou universidade inculcando ódio e formando outros fascistóides como ele. É um ignorante, se acha muito sabichão, mas não passa de um tolo.

ATUALIZAÇÃO FEITA EM 05/02/2013

Não existem versões acabadas e definitivas da história, por isso ela está sendo sempre reescrita. Cada geração propõe novos problemas, novas fontes podem ser descobertas e outras interpretações são colocadas na mesa de discussão. A História não é um campo de estudos fechado, dialoga com as outras ciências sociais. Não conhecemos os eventos do passado diretamente, nós os conhecemos através das interpretações dos historiadores. Quando lemos um livro de história, não estamos lendo um relato fiel e desinteressado do passado, mas uma construção, uma reconstituição feita por um historiador. Só conhecemos o passado pelas lentes dos historiadores (o leitor pode ver mais sobre isso em meu texto “Para quem é a história?”, aqui neste blog). E os historiadores, ao escreverem sobre o passado, também colocam no papel suas perspectivas ideológicas, seus preconceitos, seus conceitos, sua formação cultural. A historiografia se constitui pelo intenso debate entre diferentes concepções, diferentes enfoques. Nenhuma perspectiva histórica é neutra, porque o historiador fala a partir de sua situação temporal e espacial, lançando mão de recursos teórico-metodológicos vigentes em seu tempo, que podem se tornar obsoletos em outra época ou serem reconceitualizados. Mesmo as fontes que os historiadores usam não estão isentas disso; acessamos o passado indiretamente, através de vestígios deixados pelas pessoas que viviam em outras épocas. Esses vestígios são chamados de fontes históricas. E as fontes nem sempre falam a verdade. E como os historiadores sabem disso? Através de métodos de crítica das fontes, que vão desde a datação, passando pelo cotejamento com outras fontes, crítica textual, entre outros.

Leonardo Bruno ignora completamente isso e fala com o pedantismo extremista de um analfabeto em Teoria da História. Ele fala em objetividade, algo que simplesmente não se discute mais em historiografia. A noção de objetividade foi uma pretensão cientificista do positivismo do século XIX, especialmente a partir de Augusto Comte, que almejava equiparar a história ao mesmo grau de imparcialidade das ciências naturais, como a Física. Hoje, mesmo nas ciências naturais, a ideia de objetividade e imparcialidade não é um consenso. Ao ignorar isso, ele acredita que os autores que lê e admira falam a verdade absoluta e despreza, de forma que nenhum intelectual sério faz, qualquer outra perspectiva. Sua visão limítrofe o torna, como demonstrei, reducionista. Foi o que eu quis dizer quando falei que sua ausência de formação em história o torna ignorante nessas questões. Ele se defende, dizendo que fez pós-graduação. Ora, se ele graduou-se em direito e fez pós-graduação lato sensu (especialização) em história, ainda assim isso não significa nada, pois mesmo numa graduação de quatro anos, um curso não consegue abarcar o enorme leque de estudos e conceitos que formam as diferentes áreas da ciência histórica. Uma pós-graduação lato sensu dura em média 18 meses, onde o aluno vê algumas disciplinas e conclui com uma breve monografia. Hoje esse tipo de pós-graduação está praticamente desacreditada, sendo valorizada mais a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado). Leonardo Bruno nunca desenvolveu uma pesquisa histórica; seu interesse pela área é apenas diletantismo. Ademais, seu interesse é para fazer militância e o militante não está interessado em diálogo e pesquisa, mas em fazer propaganda. Ao agir assim, ele comete o erro de achar que todos agem da mesma forma. Ele acha o tempo inteiro que está “acabando com alguém”. Ele usou vários fakes para deixar comentários em meu blog. Em um deles, falando em terceira pessoa, alegava estar decepcionado comigo e elogiava a si mesmo como tendo sido “devastador”. Leonardo Bruno realmente foi devastador, mas em baixarias, apenas isso. Fico pensando: que sujeito é esse que fica usando fakes para vir aqui se elogiar?

Ele até poderia criticar alguns autores e pesquisadores por usarem apenas referências marxistas (e esse não é o meu caso). Mas duas coisas o fazem perder a razão: primeiro a esculhambação de seus discursos; segundo, o fato de ele cair no polo oposto, ou seja, ver o mundo dividido apenas entre esquerda e direita, taxando sempre seus oponentes de totalitários e stalinistas. Rotulações e mais rotulações estão presentes de forma constante em seu estilo de escrever.

Minha discussão com Leonardo Bruno serviu para que eu tirasse uma conclusão importante: é sempre uma grande perda de tempo discutir com extremistas. Os extremistas pensam em termos de polaridade e quando veem pessoas que divergem de suas opiniões, automaticamente os consideram apoiadores de genocidas e de gulags. E ele escreve mais um texto sobre mim, afirmando que usei apenas autores marxistas em minhas digressões. Completamente inverídico. Neste texto dialoguei com autores sem vínculo com o marxismo como Hayek, Archie Browm, Geoffrey Blainey. O fato de ele ser desonesto a esse ponto na discussão inviabiliza completamente a continuidade da mesma. De minha parte, essa discussão nem teria acontecido não fosse pelas calúnias e ofensas à minha pessoa escritas por ele que me forçaram a estas defesas. Muitas vezes ele isola frases de meus textos para lhes dar outro sentido e a partir disso argumentar com base em algo que não disse. Ele age como moleque, não como homem.

Leonardo Bruno não se limita apenas ao expediente da argumentação ad hominem para denegrir seus interlocutores, mas também lança mão de inúmeros insultos e achincalhamentos numa baixaria sem fim para alegar ter razão. Lembro-me de uma vez ter assistido a um documentário que mostrava imagens reais de um julgamento nazista. Não era bem um julgamento como nós conhecemos, era uma sessão de violência psicológica, onde o juiz proferia contra o réu sucessivos palavrões, intimidações, vilipendiando sua pessoa, seu caráter, sua honra. Sua intolerância é explícita. Seus textos estão mais para manifestações de ódio do que para embates teóricos. E ao invés de repensar suas práticas, ele zomba dizendo que me faço de vítima. Seu mau-caratismo e a baixeza de suas asserções são manifestos. É inconcebível que alguém se preste a fazer vis acusações, como também é assustador que o Sr. Leonardo Bruno não canse de xingar incessantemente pessoas que ele não conhece e infame o interlocutor pelo simples prazer de espalhar contra ele a ignomínia, levando as discussões para muito além de embates teóricos, mas também para o campo do ataque pessoal mais rasteiro possível. Seria no mínimo insensato de minha parte continuar dando atenção a seus argumentos. Seu caráter está exposto em seus próprios textos para que qualquer leitor possa conferir.

De minha parte, espero que essa discussão e meu outros textos sobre Olavo de Carvalho e o site Mídia sem Máscara possam contribuir para levar alguns leitores à reflexão e a verem o perigo que implica cair em uma visão de mundo dogmática e reducionista; é a cegueira intelectual da armadilha de sempre ver os outros como totalitários e a si mesmo como liberal e esclarecido, sem se dar conta de que às vezes você está na mesma condição de quem pretende acusar, apenas no polo oposto. Não sou militante esquerdista, ao contrário do que falsamente fui rotulado. Mas não deixo de dialogar com o marxismo, que é uma importante corrente teórica para pensarmos o mundo contemporâneo, como também não deixo de dialogar com outros autores não marxistas e o leitor pode perceber isso pela análise deste texto. Pensar com autonomia é algo que não acontece da noite pro dia e nem se apegando cegamente ao pensamento de uma pessoa ou de um grupo. Poucas pessoas conseguem pensar além de dogmas que absorveram ao longo da vida; e isso diferencia pessoas inteligentes daquelas que apenas pensam que são.

Anúncios

20 comentários sobre “Fascismo e comunismo: resposta a um blogueiro histérico

  1. Jonatan 02/02/2013 / 12:47

    Bertone;

    “Aqui, esquerda sonha em aniquilar direita fazer todo tipo de políticas atrasadas e populismo barato.” De seu interlocutor Nelson

    “o Mídia sem Máscara são taxativos em sua afirmação da necessidade de imposição de uma visão de mundo alinhada aos ideais da direita e a exclusão total da esquerda do jogo político”

    Tenho acompanhado a discurção sua e de vários leitores e os comentários são ambíguos, nem parece que estou num país democrático onde o mau necessário é a covivência entre as oposicões políticas! A esquerda foi eleita democraticamente…(sou de direita)
    Seu texto, diferente do último (quem são os fascistas?) foi mais tênue, as réplicas foram mais civilizadas e explicativas. Até entendo que o conde atacou a sua pessoa e teve de responder no mesmo nível, ele o acusa de ter o chamado de “racista”, não encontrei nenhum texto dele fazendo referências racistas.

    • Bertone Sousa 02/02/2013 / 17:51

      Jonatan,

      eu nem iria escrever esse texto, mas precisava fazer essa exposição. Fui mesmo mais incisivo no texto anterior porque não deixa de ser revoltante a postura dele de sempre fazer xingamentos. Não tem ética, respeito, nada. Debate não é isso que ele faz.

      Sobre o uso de “racista” na verdade a expressão correta seria preconceito. Pra não ser injusto corrigi isso no texto anterior. Nesse caso pode-ser falar que ele tem preconceito por minha origem social e pelo lugar onde moro ao usar vários termos depreciativos. Os textos dele sobre mim são explícitos nesse sentido. No caso da primeira linha do terceiro parágrafo do texto anterior, o correto seria “visão etnocêntrica” e não “visão racista” que também corrigi. Não acredito que ele seria capaz de retirar as ofensas à minha pessoa de seu blog. Isso é lamentável, parece que ele acha essa forma de agir muito bonita.

      No caso da minha afirmação sobre o mídia sem máscara acerca de imposição vejo muita intolerância. O problema não é denunciar o que eles consideram intolerância da esquerda, mas eles também caem no extremo oposto ao fazerem isso. Prova disso é querer classificar o PT como totalitário, não aceitando que houve, como você disse, eleições democráticas dentro das normas do Estado de direito.

    • ejedelmal 05/02/2013 / 11:56

      Para acabar com a sanha do Condetta é só chamá-lo de um dos “apelidos” com o qual ele batiza os outros (só não o chame de rola-bosta porque ele vai se achar melhor que o Tio Rei)
      No Blog do Mensalão disse que havia seido desafiado e peidou, e acrescentei que tratáva-se de um milagre, haja vista que é necessário ter pregas para peidar.
      A “Raquel Piazt” (outro pseudônimo do Condetta) ficou nervozinho e partiu para o típico palavrório. Virou motivo de piada.

  2. Jonatan 03/02/2013 / 16:40

    http://saraiva13.blogspot.com.br/2011/09/como-entrar-em-desacordo-e-argumentar.html

    Bertone,
    Talvez o senhor já conheça, para quem não conhece copiei a “piramide da argumentação” para o estudo. Sei que foge da linha central do assunto mas me senti na obrigação de postar.
    A pirâmide tem sete degraus, vamos nos manter do quinto degrau para cima…
    Observe que o “Ad Hominem” está lá embaixo.(não é o seu caso professor)

    • Bertone Sousa 03/02/2013 / 19:03

      Jonatan,

      não conhecia a tal pirâmide. Mas valeu por postar. Acontece que minhas discussões com olavetes me obrigam às vezes a pegar pesado com alguns deles, como o Bruno aí acima. Ele pegou um comentário meu sobre uma característica da historiografia e aplicou a algo que nem sequer é discutido no texto. Ele nem prestou atenção no foco da postagem, que é uma discussão teórica e conceitual. Aí tem hora que você tem que ignorar pirâmides e dar um chega pra lá. Sem falar que alguns vêm aqui mesmo só fazer trollagem.

  3. Jonatan 03/02/2013 / 19:42

    Bertone,

    Li algumas colunas do conde, os textos são bem articulados porém as réplicas para os questionamentos dos leitores são bombardeadas de “estúpido” “idiota” “pigmeu” e por aí vai…
    Não posso levar a sério alguém que ostenta intelectualidade e desqualifica os questionamentos com insultos e intimidações morais…puro Ad Hominem…
    Vamos virar essa página.

    • Bertone Sousa 04/02/2013 / 2:07

      Jonatan,

      pois é, o que acho curioso é que os leitores dele, ao invés de também fazerem essa crítica, ainda endossam esse tipo de atitude. É baixo, deselegante, feio, pra dizer o mínimo. De minha parte, tenho alunos e outras pessoas sérias que acompanham e recomendam este blog em suas páginas. Particularmente penso que ética e respeito são o mínimo que você deve ter para adquirir a credibilidade das pessoas, e digo sem querer ser moralista ou coisa do tipo. Não é de meu feitio debater trocando xingamentos. Como você disse, vou virar essa página e não vou mais responder às provocações dele. Pra mim já chega e quem quiser um debate que faça de forma limpa e educada.

      E só pra registrar: descobri que o Leonardo Bruno tem usado vários fakes pra deixar comentários em meu blog. Sei disso porque o IP do computador do usuário vem junto com o comentário. E o IP dele é o mesmo de Luiz Vaz da Silva e Daniel Leal, que escreveram nas postagens anteriores. O “Luiz Vaz” escrevia criticando o Conde e sempre deixando links para as postagens em que ele falava de mim e incitando uma resposta. E agora o mesmo ‘Luiz” veio aqui me desprezando e enaltecendo o “Conde”, foi então que resolvi comparar os IP’s e a ficha caiu. O “Daniel Leal” escrevia me criticando e super-elogiando o “Conde”. Já tinha aprovado e respondido alguns comentários deles e deletei agora ao perceber a farsa. Há também o fake “Conde Loppeux” que também usa um e-mail diferente que o Leonardo Bruno comumente usa. Ou seja, o rapaz é mais desonesto do que eu pensava, o que faz ele cair ainda mais no meu conceito; definitivamente, não vale mesmo a pena.

  4. Cátia 19/07/2013 / 21:30

    Caro professor Bertone,
    Nunca tinha ouvido falar em Olavo de Carvalho. A primeira vez que assisti a um vídeo feito pelo “filósofo e jornalista” achei de um tremendo mau gosto. Penso como você: ainda que o Olavo diga algo que se aproveite, minimamente, sua expressão é tão grosseira, deselegante, baixo nível que fica impossível lhe dar alguma credibilidade…
    Após começar a assistir a um dos vídeos entitulados True outspeak começei a ficar nauseada com tanta verborragia sem sentido, palavras de baixo calão e narcisismo patológico que me veio a seguinte pergunta: será que não há críticos ao Olavo? Daí, apareceram os seus textos na minha pesquisa rápida na internet.
    Estou aqui apenas para parabenizá-lo pelos textos em que responde às várias excrescências propaladas pelo Olavo e prosélitos.
    E contente por chegar até seu nome! Seu blog é um dos que adicionei em meus favoritos.
    Ao final e ao cabo, o Olavo serviu para alguma coisa produtiva para mim!!!
    Parabéns!
    Parabéns!

    • Bertone Sousa 19/07/2013 / 21:49

      Cátia,

      obrigado e seja bem-vinda ao blog. De fato não são muitas pessoas que tem se dado ao trabalho de expor as fraudes intelectuais dele e tenho recebido apoio de várias pessoas que, como você, chegam aqui por meio de mecanismos de pesquisas. Felizmente não são todos que se deixam levar por essa verborragia agressiva e baixa como você bem mencionou. Ele inclusive já me insultou em um de seus programas. Escrevi uma resposta no texto “Olavo de Carvalho e a Pieguice intelectual brasileira”. Por isso estamos juntos. Você também pode fazer a assinatura pra receber os novos posts por e-mail. Novamente obrigado, se puder ajude a divulgar. Abraços.

    • Hora Feres 27/06/2015 / 15:53

      Assino em baixo e junto com a kátia, acrescentando apenas que o tal Olavão fuma tanto enquanto disfere seus impropérios à la “samba do criolo doido” que deixou-me duplamente nauseado, só de vê-lo e ouví-lo, entendo que no séc 21, alguém que a cada treze minutos ascende uma droga letal chamada cigarro, é um suicida em potêncial, que não tem quase nada de positivo ou de bom para passar para alguém qua ama a vida e o seu próximo, e depois ele mostrou nesse vídeo uma coleção de armas sofisticadas de caça (dizendo que o seu hobby é caçar animais “selvagens”) contando com empáfia que fica horas escondido no topo de árvores esperando indefesos ursos silvestres passarem para abatê-los com suas armas mortiféras…como faço parte dos “Direitos dos Animais”, uma ONG que tenta concientizar o animal humano sobre a violencia e estupidez praticada cotidianamente contra os animais em geral… passei a considerá-lo um assassino psicotico digno de um enquadramento penal…

  5. Cristiano Alves 11/08/2013 / 14:08

    Olá, professor Bertone Sousa! Há um pequeno equívoco com o seu texto quando você alega que “Stalin não se opôs ao antissemitismo europeu”. Stalin se opunha a qualquer forma de racismo, aliás, em 1936 ele promulgou uma Constituição que criminalizava a prática do racismo em seu artigo 123, diga-se de passagem, tema da minha monografia de Direito. Stalin sobre o antissemitismo, definindo-o como um “vestígio do canibalismo”, um “proveito para o capitalismo” e prática punível com a pena de morte na URSS:

    “National and racial chauvinism is a vestige of the misanthropic customs characteristic of the period of cannibalism. Anti-semitism, as an extreme form of racial chauvinism, is the most dangerous vestige of cannibalism.
    Anti-semitism is of advantage to the exploiters as a lightning conductor that deflects the blows aimed by the working people at capitalism. Anti-semitism is dangerous for the working people as being a false path that leads them off the right road and lands them in the jungle. Hence Communists, as consistent internationalists, cannot but be irreconcilable, sworn enemies of anti-semitism.
    In the U.S.S.R. anti-semitism is punishable with the utmost severity of the law as a phenomenon deeply hostile to the Soviet system. Under U.S.S.R. law active anti-semites are liable to the death penalty.” Joseph Stalin. “Reply to an Inquiry of the Jewish News Agency in the United States”. Works, Vol. 13, July 1930-January 1934. Moscow: Foreign Languages Publishing House, 1954. p. 30.

    O discurso de Hruschov mencionado aqui é um discurso desconhecido pela esmagadora maioria da comunidade acadêmica. É muito fácil dizer que “Hruschov denunciou os crimes de Stalin”, sem ao menos conhecer suas declarações e verificar sua autenticidade. Denúncia é uma coisa que qualquer pessoa pode fazer(como o Conde faz com o autor dessa página), isso não as torna necessariamente verdadeiras. Hruschov denunciava Stalin como “antissemita”, apesar deu ter provado ser falsa a afirmativa(além dessa declaração e de suas práticas em combate ao antissemitismo, Stalin tinha um genro judeu, Lazar Kaganovich). O professor Grover Furr, da Monclaire University, publicou um livro onde ele refuta ponto por ponto as afirmações de Hruschov, mostrando que 61 de suas 63 acusações são falsas.

    • Bertone Sousa 11/08/2013 / 21:32

      Cristiano,

      há outros elementos que precisam ser levados em conta nessa questão porque o antissemitismo estava difundido na Rússia bem antes da Revolução. Embora Stálin tenha feito esse discurso, adotou posturas reticentes no combate ao antissemitismo como, por exemplo, ao proibir a irmã de Lênin, Ola Ulyanova, de divulgar a ascendência judaica de Lênin. Além disso, há diversas referência que falam sobre ações de combate a judeus durante o regime de Stálin, como neste site: http://www.morasha.com.br/edicoes/ed43/stalin.asp

      Um trecho diz: “Em 1947, foi oficialmente iniciada uma campanha anti-cosmopolita, direcionada quase que exclusivamente contra intelectuais e cientistas judeus. Nessa ocasião, o jornal “Pravda” – porta-voz oficial do governo – publicou editoriais que acusavam os intelectuais judeus de serem “cosmopolitas”. Milhares de intelectuais, cientistas, líderes políticos, bem como judeus de todos os setores da sociedade, foram publicamente humilhados, demitidos de seus cargos, interrogados, ameaçados e presos, sumariamente. Muitos outros, executados”.

      Mansur Mirolav, da Associated Press, fez a seguinte menção: “Um breve período de promoção da cultura judaica, que começou sob Lênin, terminou no início dos anos 1930, quando Stalin orquestrou expurgos anti-semitas entre os comunistas e traçou um plano para transferir todos os judeus soviéticos para uma região na fronteira com a China”. O link é esse: http://www.folhadodelegado.jex.com.br/artigos%20de%20outros%20autores/museu%20de%20moscou%20coloca%20raizes%20judaicas%20de%20lenin%20em%20exposicao

    • Bertone de Oliveira Sousa 17/03/2015 / 13:09

      Carlos, Constantino é outro que acha que nazismo era de esquerda, em resumo, é outra besta quadrada direitoide e olavete.

  6. Bento 04/05/2015 / 16:04

    É impressionante o grau da desinformação espalhada pelo Olavo de Carvalho, e mais chocante ainda o fato de que a propaganda dele atrai tanta gente. A impressão que eu tenho é que muitas pessoas querem se sentir bem dividindo o mundo entre “bons” e “maus” e acreditando estar do lado dos “bons”, e com isso aceitam qualquer porcaria que reforce essa ilusão, ignorando a pesquisa histórica que mostra a falsidade desse dualismo. Seja qual for a explicação, é desesperador observar a ignorância de tantas pessoas letradas e às vezes até muito cultas.

  7. Mário SF Alves 02/10/2015 / 18:53

    “O que esperaríamos de Konder, senão a cantilena stalinista, endossada pela inteligentsia de esquerda, de que o fascismo era uma ideologia do capitalismo agonizante? ”
    ___________________________
    E ponto final. Traiu-se até a medula ao negar essa obvidade lógica.

    Aceite um abraço e parabéns pela exposição de seu arrazoado, naturalmente libertador. Valeu.

  8. Guilherme Mello Sant'Anna 02/09/2016 / 1:12

    Adorei esse texto. Está salvo entre os favoritos do meu navegador. Já era hora de alguém expor esse panfletista olavette de quinta categoria.

  9. Alan 22/02/2017 / 10:14

    O blog ainda está ativo? Porque eu acredito que esse blog seja o que expressa mais imparcialidade política e ideológica da internet brasileira (e eu conheço dezenas de blogs). É parcial para quem não sabe interpretar textos ou ler seletivamente os mesmos. Caramba! Eu fico indignado. Tenho 20 anos e sou mais evoluído intelectualmente do que essses extremistas que devem ter o dobro da minha idade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s