Da social-democracia ao neoliberalismo

Eduard Bernstein
Edward Bernstein

O Estado de Bem-estar Social (ou Welfare State) foi uma das conquistas políticas mais importantes do século XX. Embora não haja consenso acerca de sua origem, podemos dizer que situa-se entre as décadas de 30 e 50. Sua atuação também não foi homogênea, diferenciando-se de acordo com a região onde funcionou (América do Norte e Oceania, Europa nórdica, continental e Grã-Bretanha).

De todo modo, o Welfare State se constitui em um Estado de proteção social e sua emergência está relacionada à crise econômica de 1929, ao modelo keynesiano de planejamento estatal e à social-democracia – uma vertente de origem marxista que objetivava alcançar mais justiça social dentro do próprio capitalismo, ao invés de uma transformação radical e revolucionária, como propunha originalmente a teoria de Marx e o leninismo.

Nesse sentido, a social-democracia não propunha a supressão da economia de mercado nem da propriedade privada, mas a extensão do papel do Estado no sentido de redução da pobreza, do desemprego, além de direitos trabalhistas. Um dos principais teóricos dessa vertente foi Edward Bernstein que, juntamente com os fabianos ingleses, adaptava as ambições socialistas a um programa revisionista dentro do capitalismo; o objetivo era, segundo Zygmunt Bauman, um importante sociólogo polonês contemporâneo, o “aperfeiçoamento” gradual, mas permanente, no lugar de uma reforma revolucionária, de um só vez, do status quo. Contemporâneo de Lênin, Bernstein não acreditava na pretensão cientificista do materialismo de Marx e, sem abandonar a perspectiva socialista, dedicou-se a reformulá-la.

A longo prazo, o projeto do Welfare State se mostrou mais eficaz do que o projeto do marxismo-leninismo. A própria dinâmica dos acontecimentos históricos pôs em cheque o diagnóstico de Marx acerca da existência de uma classe potencialmente revolucionária a cumprir seu papel na história de construção de uma sociedade sem classes. Ao invés disso, as lutas trabalhistas do século XX serviram mais como elementos de estabilização do equilíbrio da ordem capitalista do que da demolição de sua estrutura.

Sobre a eficácia do Welfare State, é novamente Bauman que fala: A democracia baseia-se no capital da fé que o povo tem no futuro e na autoconfiança otimista em sua capacidade de agir, e o Estado social foi historicamente eficiente em levar essa confiança a parcelas da sociedade às quais ela permaneceu fora dos limites durante a maior parte da história. O Estado social fez da auto-confiança, e da fé na possibilidade de acesso a um futuro melhor, uma propriedade comum a todos os seus cidadãos.

Nessa perspectiva, o Welfare Sate foi um elemento catalisador da democracia e dos direitos do cidadão, além de ter atuado a partir da mobilização sindical e da luta política de classes. Os resultados até hoje podem ser observados: os países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são aqueles onde o Estado social mais obteve êxito, como Suécia, Finlândia, Noruega, Países Baixos, Austrália, entre outros. A qualidade de vida está ligada ao nível educacional da população, ao planejamento familiar e consequente redução populacional, ao incremento da secularização (aumento do índice de desfiliação religiosa e redução da atuação da religião na esfera pública ou privada. Em alguns países a religião, especialmente a cristã, está mesmo em vias de desaparecimento).

No entanto, a partir da década de 1980, com o advento do neoliberalismo, temos visto a desmontagem sucessiva do Estado social em vários países, bem como a perda de direitos trabalhistas e sociais e a drástica redução do papel do estado nas atividades econômicas. Os resultados têm sido o aumento do desemprego e a crescente perda de autonomia do Estado-nação para as grandes corporações multinacionais. O  neoliberalismo iniciou no mundo anglo-saxão e pôs em marcha projetos de privatização de serviços antes controlados pelo Estado, mercantilização e desmobilização da força de trabalho, ascensão da visão neoconservadora de que o Estado é prejudicial à liberdade econômica, tendo como eixo teórico as concepções de Hayek e da Escola de Chicago, especialmente Milton Friedman. A redução do papel do Estado retira das instâncias representativas as decisões sobre os rumos da economia, colocando-os sob a tutela de agentes internacionais e alheios aos interesses trabalhistas. O enfraquecimento dos sindicatos e dos partidos ligados ao mundo do trabalho foi outra consequência da ascensão dos conservadores ao poder. A visão dominante passou a ser a de que os gastos governamentais com políticas sociais são onerosas e prejudiciais ao mercado. O resultado disso é o aumento do corporativismo e da exclusão social.

A nova era predatória do capitalismo globalizado não esconde sua face: segundo matéria veiculada pela Folha de S. Paulo, hoje, 1% da população adulta detém quase a metade da riqueza mundial. As porcentagens são mais avassaladoras quando se aumenta o foco: os 10% mais ricos detém 85% da riqueza mundial, e os 50% mais pobres detém apenas 1% dessa riqueza. Uma das principais características da política neoliberal é o esvaziamento da noção de cidadania e a redução dos indivíduos ao papel de consumidores. O alijamento de amplas parcelas da população global desse status está na raiz dos conflitos multiculturais analisados em profundidade por autores como Manuel Castels, Bauman, Canclini, Stuart Hall, Homi Bhabha e outros.

Novamente, Bauman explica: […] o significado de “cidadania” tem sido esvaziado de grande parte de seus antigos conteúdos, fossem genuínos ou postulados, enquanto as instituições dirigidas ou endossadas pelo Estado que sustentavam a credibilidade desse significado têm sido progressivamente desmanteladas. O Estado-nação, como já mencionamos, não é mais o depositório natural da confiança pública.

No Brasil, por outro lado, o Estado social nunca chegou a vigorar em sua plenitude. As formas autocráticas e oligárquicas de exercício de poder no século XX (a República Velha, o Estado Novo, o regime militar e as democracias populistas) pouco fizeram para atenuar a tensão entre capital e trabalho, além de confundirem o exercício da coisa pública com interesses privados. A adoção do modelo neoliberal na década de 90 e a busca pela estabilidade monetária com a criação do plano real foram realizadas a expensas do depauperamento da população e em detrimento de direitos sociais e trabalhistas.

No plano internacional, o neoliberalismo, o desmonte do Estado social e a crise iniciada em 2008 tem acarretado a ascensão da extrema direita nos países mais fortemente afetados pela crise. Esse panorama corrobora a análise de Octavio Ianni em Capitalismo, Violência e Terrorismo de que o neoliberalismo recria as condições e os ingredientes do nazi-fascismo. Para ele, o predomínio exacerbado da lógica do capital conduz, sob vários aspectos, a uma crescente administração das atividades e ideias de indivíduos e coletividades. Malgrado os discursos sobre democracia, o crescente predomínio das corporações transnacionais, a desmobilização da força de trabalho e a racionalidade instrumental se impõem como organizadoras das regras do jogo, restando ao conjunto da sociedade a integração ou marginalização compulsórias ao modelo econômico que se impõe como fim da história. Ianni observa que a luta desbragada do neoliberalismo contra a social-democracia favorece a fabricação e a generalização de ideologias, organizações e práticas nazi-fascistas.

Seu diagnóstico final não é promissor. Para ele, essa concentração de renda e poder pela globalização generaliza as desigualdades e intolerâncias de todos os tipos. Desenvolvem-se fundamentalismos religiosos, políticos e culturais, por meio dos quais se manifestavam o europeísmo, o americanismo, o cristianismo e o ocidentalismo, apresentados como diferentes e superiores às formas socioculturais asiáticas, africanas e latino-americanas. […] O mundo todo revela-se atravessado pelo desemprego estrutural, as subclasses, o pauperismo, a lumpenização, a xenofobia, e etnicismo, o racismo, o fundamentalismo, o terrorismo de Estado, a criminalização de setores sociais subalternos, a satanização dos outros.

Todo esse processo diz respeito ao que Bauman denomina de radical privatização do destino humano – o desmantelamento das liberdades individuais, dos direitos sociais e dos dispositivos de bem-estar. O neoliberalismo prega o Estado mínimo; no entanto, esse Estado é mínimo para os cidadãos, que veem seus direitos cada vez minguados e suas liberdades individuais ameaçadas pelo medo da anomia. O Estado neoliberal, porém, é máximo na cobrança de tributos e na garantia de privilégios das grandes corporações. Sem a social-democracia os pobres ficarão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Guerras, conflitos e crises são frequentemente fabricados para manter essa situação, enquanto sindicatos e partidos são cooptados no jogo do poder e as classes se pulverizam em categorias e grupos que reivindicam questões pontuais ou o reconhecimento de suas identidades, à espera de que as mudanças que almejam venham de cima.

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60 comentários sobre “Da social-democracia ao neoliberalismo

  1. Nelson 27/01/2013 / 15:23

    O estado bem estar social está em franca decadência a 20 anos, um modelo onde metade da populção trabalha para sustentar a outra métade jamis dará certo, ou eles desmontam esse modelo insano ou não vão sair da crise, alias, foi esse modelo que quebrou a Europa. Todo modelo de esquerda é insustentável. Veja só os tigres asiáticos, que adotaram o liberalismo, são as econômias mais sólidas do mundo hoje e a que mais crescem. Pode ter certeza, que se eles adotar o estado de bem estar social como fez a Europa em 30 anos vão quebrar.

    • Bertone Sousa 27/01/2013 / 17:05

      Nelson,

      o Estado social não é anti-liberal, não fosse por ele muitos países europeus não teriam alcançado a qualidade de vida que hoje possuem. O fato de a crise econômica ter atingido alguns países que adotavam o Estado social não significa, necessariamente, que ele seja ineficaz. Dizer que é insustentável apenas por ser de esquerda não subsiste a um exame histórico. O Estado social praticamente erradicou a pobreza e o desemprego em alguns países. Uma coisa importante que o Estado social propõe é pensar a proteção aos mais pobres e sua integração, coisa que a direita conservadora simplesmente abandonou com o neoliberalismo.

      • Nelson 27/01/2013 / 20:41

        Acho que eles pecam pelo excesso de cuidados ao cidadão, mimando demais e os tornando muito dependente do estado. Como eu postei no final, eles cobram altos impostos, mais tem umas das economias mais livres mundo, uns dos melhores lugares para se fazeer negócio, lá não tem essa astrovenga chamada CLT, eles resolvem tudo pela mediação, acordos. Nme sempre baixos impostos é sinal de liberdade, China tem 20% de carga tributária, Russia tem 13% e México 13% e nem por isso tem grande IDH e nem prosperidade, pois são altamente regulamentados, coisa que os países europeus não são. Já o Brasil tem de pior, altos impostos e burocrácia altissíma, um empresário paga 2 salários ao trabalhador por causa dos encargos e burocrácias.

      • Bertone Sousa 27/01/2013 / 22:24

        Nelson,

        essas questões precisam ser avaliadas historicamente. Quando o Estado social foi posto em prática e, antes disso, quando foi teorizado, havia um amplo abismo social em seus países de origem. Não se trata de mimos, mas de garantir qualidade de vida e trabalho à sociedade. Nos Estados Unidos, por exemplo, até o início dos anos 90, mães solteiras recebiam um auxílio mensal de 377 dólares do governo. Com o avanço da política neoliberal, elas perderam o auxílio e seus filhos passaram a ser enviados para orfanatos. Ou seja, na prática era uma forma de o governo afirmar a inadequação dessas mulheres para criarem seus filhos. Ano passado a BBC mostrou uma matéria de como a crise atingiu centenas de trabalhadores lá. Ao perderem seus empregos e suas casas, muitos foram morar em áreas florestais em tendas de acampamento. Na prática o desmonte do Estado social leva ao esmagamento dos mais vulneráveis.

        Sobre o Brasil, na Europa os movimentos trabalhistas sempre foram mais organizados, como os fabianos. Aqui, eles foram sufocados pela ditadura varguista e os trabalhadores cooptados pela lógica paternalista do governo. Se você ver o link que te mandei, a autora explica como o Estado desenvolvimentista brasileiro falhou em resolver esses entraves por não ter feito as reformas necessárias a isso (agrária, educacional e tributária), o que explica essa diferença que você colocou em relação à Dinamarca.

    • Marcus Canesqui 20/03/2017 / 17:02

      Engraçado é que o empresariado americano odeia o modelo político chinês, mas adora a mão de obra barata que lhe é proporcionada. O empresariado odeia pagar impostos, mas não pensa duas vezes em pedir ajuda ao Governo quando está quase quebrando.

      • Marcus Canesqui 20/03/2017 / 17:07

        Acho que o Nelson está certo. A CLT é uma aberração. Deveríamos aboli-la e a Lei Áurea também, junto com a reforma da Previdência… aí sim… ficará lindo.

  2. Nelson 27/01/2013 / 14:27

    É impossível se implementar o estado de bem estar social sem um país ser rico antes e só é rico através do liberalismo.

    • Bertone Sousa 27/01/2013 / 17:20

      Nelson,

      a ideia de que o Estado social não poderia ser implantado em países não desenvolvidos é um mito. Ademais, a maior parte dos países que inovaram em termos de política social nem estavam nessa condição. Mesmo o modelo desenvolvimentista dos Tigres Asiáticos que você mencionou se beneficiam de um tipo específico de Estado social que alguns estudiosos chamam de “estado do Bem-estar social desenvolvimentista”. Recomendo a você a leitura desse artigo com informações mais detalhadas sobre a questão:

      http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582011000100004&script=sci_arttext

      • Nelson 27/01/2013 / 20:43

        Veja as onformações no final sobre Dinamarca vs Brasil
        Lá uma pessoa demora uma semana para abrir uma empresa, aqui demora 120 dias. Um absurdo..

  3. Nelson 27/01/2013 / 15:34

    Claro que de todos os males o menor, não vamos comparar esquerda latina com esquerda européia. A esquerda latina ainda está em 1917, ainda falando em revolução e não tem nem metade da consciência e honestidade dos gringos. Lá são bem democráticos, como acontece na Inglaterra a 200 anos, um sobe e outro desce, direita e esquerda, um conserta o erro do outro. Aqui, esquerda sonha em aniquilar direita fazer todo tipo de políticas atrasadas e populismo barato.

  4. Nelson 27/01/2013 / 15:36

    Comparar esquerda europeia com esquerda latina, é comparar um celualr daqueles antigos tijolão com Ifone.

  5. Nelson 27/01/2013 / 15:49

    Abertura de empresas:

    Dinamarca:

    * Número de procedimentos: 4
    * Duração (dias): 6
    * Custo (% RNB per capita): 0,0

    Brasil:

    * Número de procedimentos: 16
    * Duração (dias): 120
    * Custo (% RNB per capita): 6,9

    Dinamarca:

    * Índice de dificuldade de contratação: 0
    * Índice de rigidez de horários: 20
    * Índice de dificuldade de demissão: 0
    * Índice de rigidez trabalhista: 7
    * Custos de Redundância (semanas de salário): 0

    Brasil:

    * Índice de dificuldade de contratação: 78
    * Índice de rigidez de horários: 60
    * Índice de dificuldade de demissão: 0 (??? deve ser mentira)
    * Índice de rigidez trabalhista: 46
    * Custos de Redundância (semanas de salário): 46

    Dinamarca:

    * Pagamentos (número): 9
    * Tempo (horas por ano): 135
    * Contribuições e impostos sobre o trabalho (% lucros): 2,2
    * Outros impostos (% lucros): 5,0
    * Aliquota de imposto total (% do lucro): 29,2

    Brasil:

    * Pagamentos (número): 10
    * Tempo (horas por ano): 2600
    * Contribuições e impostos sobre o trabalho (% lucros): 41,3
    * Outros impostos (% lucros): 6,6
    * Aliquota de imposto total (% do lucro): 69,2

    Comércio entre fronteiras

    Dinamarca:

    * Documentos para exportar (número): 4
    * Tempo para exportar (dias): 5
    * Custo para exportar (US$ por contêiner): 744
    * Documentos para importar (número): 3
    * Tempo para importar (dias): 5
    * Custo para importar (US$ por contêiner): 744

    Brasil:

    * Documentos para exportar (número): 8
    * Tempo para exportar (dias): 12
    * Custo para exportar (US$ por contêiner): 1540
    * Documentos para importar (número): 7
    * Tempo para importar (dias): 16
    * Custo para importar (US$ por contêiner): 1440

    Carga Tributaria Dinamarca – 49% Brasil – 33%
    Funcionalismo Publico Dinamarca 29% dos trabalhadores – Brasil 9% dos trabalhadores
    Gastos com proteção social Dinamarca 40% do PIB – Brasil 13% do PIB
    Sindicalização Dinamarca 90% dos trabalhadores Brasil 18% dos trabalhadores
    A Dinamarca possui a maior central sindical do planeta.

    • Marco Túlio de Carvalho Rocha 03/07/2015 / 17:25

      Falar de fracasso da social-democracia é como dizer que o time que lidera o campeonato está ameaçado de ser rebaixado.
      Critica a social-democracia, mas compara o Brasil com país social-democrata para exaltar as maravilhas do último.
      Portugal, Espanha e até a Grécia eram ricos quando se tornaram social-democratas? Sim, pois até a falida Grécia ostenta índices sociais melhores do que o Brasil.
      Os asiáticos são liberais? Japão e Coreia do Sul não possuem transportes e educação públicos?
      Os que elogiam o “Estado minimo” se esquecem da África: é lá o continente coalhado de “Estados mínimos”.
      Os que elogiam o “Estado mínimo” a partir da experiência dos EUA se esquecem de que:
      a) a experiência norte-americana nunca será repetida por outro país: simplesmente não há recursos materiais para outra grande nação consumir tanto quanto os EUA;
      b) os EUA são um país de grandes desigualdades; os Estados mais desenvolvidos dos EUA são os que possuem vasta rede de proteção social, com ensino público, saúde e, em alguns casos, até renda mínima.
      Tenho visto um gráfico de uma fundação patrocinada pelo Partido Republicano que inclui entre os países de tradição liberal os países nórdicos e a Europa: cruz credo! O pior é que conseguem convencer meia dúzia de que esses países são o que são por causa de políticas liberais.
      Há algum país que, tendo sido social-democrata, abandonou a social-democracia?
      Do jeito como falam, até parece que o Grand Old Party vem sendo sucesso de bilheteria nos EUA?
      Uai, não foi a política do GOP que criou a crise de 2008?
      Não foi Obama que tirou os EUA da crise e que se reelegeu graças a isso?
      O GOP não está fora do poder há quase 10 anos nos EUA?
      Francamente, lavagem cerebral tem limite.

  6. Plábio Desidério 27/01/2013 / 20:49

    Olá Bertone.

    Texto pertinente, coaduna com o conteúdo que estou trabalhando no primeiro período dos cursos da área de Gestão e Negócios, bem paradoxal, pois esses cursos tem uma motivação liberal. Uma questão interessante é a “entrada” do Brasil na agenda neoliberal, realizada principalmente no governo FHC. Num país que nem chegou a conhecer efetivamente o Welfare State, se viu obrigado a seguir a cartilha neoliberal, desmontando o Estado e provocando rupturas nos espaços públicos e procurando estabelecer a hegemonia do indivíduo, ou mesmo de um self made man tropicalizado. Quando o seu interlocutor (Nelson) diz que os tigres asiáticos são liberais, ou se tornaram “desenvolvidos” devido ao liberalismo, está cometendo um anacronismo e um erro histórico. Países como Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura tiveram uma participação extremamente ativa do Estado na formulação de políticas econômicas. Talvez, a partir da crise de 1997, especialmente a Coréia do Sul tenha adotado políticas liberais, mas com um custo social grave, como por exemplo, o aumento considerável do suicídio entre os jovens. Na verdade o silogismo do liberalismo é uma falácia, mesmo nos países considerados liberais, a participação do Estado é muito forte. Na verdade o neoliberalismo deslocou as prioridades do Estado: no lugar de criar uma rede de proteção social e minimizar os efeitos do capitalismo (lembrei de Thomas Hobbes) ele passa a proteger o mercado financeiro. Um economista sul coreano e que tem discutido isso é Ha-Joon Chang. No seu livro Chutando a Escada ele diz que os países desenvolvidos querem que os países pobres desregulamentem a economia, para crescerem, porém eles não fizeram isso quando estavam no seu período de crescimento. Portanto, agora, os países ricos obrigam os países pobres a seguirem regras que eles não seguiram no passado, isto é, chutam a escada, para que os países menos desenvolvidos não possam subir.

    • Bertone Sousa 27/01/2013 / 22:45

      Plábio,

      um dos grandes problemas para o Brasil e a América Latina como um todo que vivenciou o Welfare foi esse. O Estado era grande, mas não era social. Outro dia vi uma entrevista do FHC na TV Câmara, ele dizia que quando chegou na presidência o Estado era muito amplo, administrava muita coisa e isso onerava demais os cofres públicos. Aí ele falou o quanto as privatizações foram importantes para o desatrofiamento do Estado. É claro que ele sempre ressalta o lado mais suave do processo. Curioso é que mesmo com as privatizações as políticas sociais continuaram ineficientes. No discurso dele passa despercebido que o combate à inflação e a criação do real não foram pra atender demandas sociais, mas a exigências de agências internacionais pela estabilidade da moeda. É claro que ele não vai mencionar a pressão dos organismos internacionais como o Banco Mundial no início dos anos 90 pela redução do papel governamental em diversas esferas.

      Foi bom teres tocado na questão do papel do Estado no liberalismo. Em Capitalismo e Liberdade o Milton Friedman comentou que numa economia liberal o Estado tem um papel importante na manutenção da ordem e para o próprio funcionamento da economia. Isso ele pegou do Hayek, como várias outras coisas no livro. É um estado que promove regulação para os grandes agentes econômicos.

      • Juliana 07/01/2016 / 16:09

        Mas não foi com essa estabilidade da moeda (do suposto neoliberalismo de FHC) que o Brasil pode, enfim, ser visto em ascensão e, seguidamente, em queda por conta da volta do Estado “social-democrata” desenfreado?
        Não entendo como a melhoria econômica do país não é vista como uma demanda social. Ela é o início das demandas sociais! Um país pobre não pode se ajudar, isso é básico, até para mim que sou leiga no assunto. O problema é que nossa política social-democrata não busca verdadeiramente o bem estar social, ela flerta fortemente com o comunismo barato do alto controle estatal – pequenas benesses aos cidadãos e inúmeras vantagens aos “pais” do povo.
        A social-democracia para dar certo tem que estar mais próxima do liberalismo do que do comunismo. Não precisa ser filósofo, sociólogo ou economista para saber disso. Basta viver nesse país.

  7. Nelson 28/01/2013 / 10:44

    Os estado tem que ter uma participação mínima, cuidar da educação, saúde e seguranças. A partir do momento que os estado foge disso e quer fazer um papel que não é dele, acontece uam anomalia. Os tigres asiáticos fazem um papel mínimo, mais muito bem feito, eles investiram rios de dinheiro em educação, cobra baixos impostos sobre ganhos de capitais, desregulamentaram a econômia. Os países escandinavos, não se envolveram na segunda guerra, isso ajudou muito. Vale resaltar que eles não são estados socialistas, são estado social, capitalismo de estado.

  8. Bruno Ribeiro 28/01/2013 / 19:29

    Bertone, a social democracia ainda é um sistema perverso. Trata o indivíduo como uma criancinha mimada pelo Estado, além de favorecer o coletivo em detrimento do indivíduo. Cada um deve buscar seu sucesso. A partir do momento que o Estado se apropria da educação, lazer, cultura e outros elementos outrora da vida pessoal da sociedade, não há mais liberdade alguma.

    • Bertone Sousa 28/01/2013 / 19:39

      Bruno,

      esta sua opinião da social democracia está baseada em que fontes? Digo: que autor ou pesquisador afirma que na social-democracia não há liberdade e que se trata de um modelo coletivista que infantiliza os indivíduos? O Nelson aí acima, que afirmou quase a mesma coisa que você, além de não ter apresentado uma discussão teórica, sequer clicou no link do artigo que lhe mandei.

      • Bruno Ribeiro 28/01/2013 / 19:44

        Tirei essa fonte do blog do Conde Loppeux de la Villanueva. Está bom assim ou vc pode me indicar outras?

      • Bertone Sousa 28/01/2013 / 19:51

        Bruno,

        nenhum olavete é uma fonte que preste porque eles não fazem pesquisa e sim militância apenas. Fontes estão indicadas aí no próprio texto. Leia também o artigo que indiquei ao Nelson aí acima.

  9. Bruno Ribeiro 28/01/2013 / 22:51

    Já que você entende de religião, responda: qual sua opinião a respeito da Teologia da Libertação? É o tal do Marxismo Cultural ou então Marxismo Cristianizado. Mas Marxismo Cristianizado nao seria a mesma coisa que Nazismo Filosemita? Já que o marxismo prega o ateísmo?

      • Bruno Ribeiro 29/01/2013 / 0:58

        Você pode dar uma resposta satisfatória, ao invés de debochar de seus leitores?

      • Bertone Sousa 29/01/2013 / 11:20

        Bruno,

        não se trata de deboche. Vou te dizer uma coisa, embora não pareça ser o seu caso, mas pra esclarecer: muitos olavetes vêm aqui fazer trollagem porque não toleram que alguém escreva textos criticando seu mentor. O Nelson, por exemplo, comentou aqui e depois vi que também comenta no blog que você citou. Quando levantei questões no debate ele se esquivou e não leu o texto que indiquei para discutirmos e continuou repetindo a mesma coisa.

        Observei que o Olavo estimula em seus seguidores um culto à sua personalidade e com isso ele tem formado um batalhão de militantes prontos a fazerem qualquer coisa por ele. Embora queiram passar a ideia de liberais bonzinhos, eles defendem a imposição de uma visão direitista e a extinção da oposição, o que só pode ser feito sob um regime totalitário, já comentei isso em outros posts aqui. São fascistas. O caso do Leonardo Bruno do blog que você citou é um. É um demente, um completo psicopata com quem não é possível sequer debater. Não faz outra coisa a não ser xingar e insultar a tudo e todos que não sejam como ele. É um caso patológico de intolerância. Se você não for um troll ou um fake meu conselho pra ti é sair dessa. Essas pessoas são limítrofes e não tem nada de importante a oferecer. Nem a direita dialoga com esses caras.

        Sobre o Marxismo cultural há uma extensa bibliografia e alguns autores eu mencionei aí no texto ao final de um parágrafo. Não tem nada a ver com nazismo, qualquer associação é apenas farsa discursiva. Há também artigos do Stuart Hall que você pode baixar na internet. Dê uma lida nesses autores e depois volte.

  10. Bruno Ribeiro 29/01/2013 / 18:52

    Na verdade o Hayek humilha Keynes…

      • hgjgames 19/06/2016 / 9:57

        Porque burrice?

        Eu não diria que um humilha o outro pois isso é meio infantil, mas também acho que Hayek estava certo.

  11. Bruno Ribeiro 29/01/2013 / 21:07

    Bertone o que acha das cotas raciais?

    • Bertone Sousa 29/01/2013 / 21:41

      Pra quem acha que “Hayek humilha Keynes” é estranho perguntar sobre cotas raciais.

  12. Fernando 30/01/2013 / 0:44

    Já é um erro escrever “neoliberalismo” quando percebemos que o “neo” nunca foi tão usado para rotular pejorativamente uma ideologia: “neoliberalismo”, “neoateismo”, “neocomunismo” etc. Poderia falar apenas “liberalismo” e ser mais imparcial, já que, desde o título, percebe-se a tendência ideológica de seu autor.

    • Bertone Sousa 30/01/2013 / 11:05

      Fernando,

      você demonstra não conhecer nem a história do liberalismo com esse comentário. Quem define o que é certo e errado?Há toda uma discussão histórica sobre o conceito de neoliberalismo. O termo não é usado em sentido pejorativo, mas para diferenciar fases e contextos históricos do pensamento liberal. E não existe imparcialidade nas ciências sociais; vai estudar, rapaz.

      • Fernando 30/01/2013 / 12:36

        Mas o seu esquerdismo você não consegue esconder…

      • Bertone Sousa 30/01/2013 / 17:14

        Sabe Fernando, eu me envergonho de ter você como leitor neste blog. É muita burrice pra uma só pessoa. Não volte mais.

      • Paula Araújo 30/01/2013 / 17:26

        Olá, Bertone. Muito interessante o texto. Eu só gostaria de fazer algumas observações complementares: 1) O Estado de bem estar social vigorava até 2002 na Islândia. Contudo, com a crise mundial, tiveram de aderir ao capitalismo financeiro para se salvar. 2) O mundo ficou plano. Hoje em dia você vê até na Índia centros capitalistas dos mais variados campos de empreendimento. Acredito que a social democracia esteja um pouco ultrapassada. Mas gostaria de saber sua oponião. Parabéns pelo post. Abraços.

      • Bertone Sousa 30/01/2013 / 17:55

        Paula,

        as pessoas cometem um erro quando pensam que há um modelo liberal de tipo ideal, que não intervém na economia. O Estado liberal intervém, mas não a favor dos mais pobres, pois acredita que a livre concorrência e competitividade gera equidade social, o que historicamente é inverificável. O liberalismo foi visto como ultrapassado quando o Estado teve de intervir na economia pra solucionar o colapso iniciado em 1929. Não por acaso a obra de Hayek, O Caminho para a Servidão, que foi originalmente escrita em 1944 permaneceu na sombra por longo tempo. O capital financeiro e especulativo considera oneroso investir na pobreza por isso desestimula governos a fazê-lo. As crises (a da década de 70 como a atual) é um mecanismo para pressionar essa mudança. A economia capitalista é cíclica, produz crises quando precisa ou quer renovação.

      • Paula Araújo 30/01/2013 / 18:02

        Bertone, eu pensei que a crise de 1929 fosse por causa da expansão de crédito dada pelo Banco Central, e não por culpa do liberalismo.

      • Bertone Sousa 30/01/2013 / 18:11

        Não, foi uma crise de superprodução.

    • André 19/06/2014 / 2:46

      Paula Araújo. A Islândia também sofreu com a crise de 2008 e esta foi o estopim de uma revolução em 2011/12 que rejeitou as políticas de austeridade, nacionalizou os bancos e prendeu políticos e banqueiros.

  13. Jonatan 30/01/2013 / 19:44

    Um comentário: Leio todas as colunas e todos os comentários deste Blog, não me atrevo a comentar sobre política mas aprecio os debates, alguns acalorados, fico imaginando como seria se não houvesse a ferramenta de moderação…

    • Bertone Sousa 30/01/2013 / 21:25

      Jonatan,

      ainda bem que existe essa ferramenta porque a quantidade de comentários ofensivos que recebo aqui não é brincadeira. Fico pensando como a internet, apesar de ser um importante meio de comunicação, também pode favorecer a disseminação da barbárie.

  14. Jonatan 30/01/2013 / 23:58

    Bertone,
    Isso não me surpreende, suas colunas atraem uma chuva de olavetes…

  15. marcia 15/04/2014 / 9:01

    olá, Bertone muito interessante tds esses comentários mas hoje em dia sua opinião mudou ou continua mesma ?

  16. marcia 15/04/2014 / 9:07

    Bertone, como você difere as referencias ente neoliberalismo e social democracia. .

  17. marcia 15/04/2014 / 9:20

    Bertone , perdão quis dizer diferenças entre a neoliberalismo e social democracia nos dias de hoje ?

    • Bertone de Oliveira Sousa 16/04/2014 / 12:57

      Márcia, a social democracia praticamente não existe mais e o conceito de neoliberalismo se diluiu muito. Hoje temos modelos mais mistos, como ocorre no Brasil, com forte intervencionismo estatal mas sem se configurar como uma social democracia. Alguns economistas trabalham com conceitos como socialismo de mercado ou capitalismo de estado, que não são conceitos tão recentes. Mas ainda há alguns autores que discutem o neoliberalismo atualmente, como o David Harvey.

  18. Francisco de Assis Dorneles 17/04/2015 / 21:03

    Boa noite Bertone, gostei muito do teu texto. Quero fazer alguns questionamentos sobre o governo petista e a social democracia. A primeira, até que ponto o governo petista implantou uma modelo de governo social democrático ? Dentro desta relação com a economia nelo liberal globalizada, ate que ponto este modelo de economia tem poder sobre o governo petista ? Finalizando, como você avalia a social democracia não somente no Brasil, bem como na América Latina. Que futuro caminha a mesma ?

    • Bertone de Oliveira Sousa 17/04/2015 / 21:32

      Olá Francisco,

      na verdade o PT não é propriamente um partido social-democrata, mas adotou algumas medidas desse teor quando chegou ao poder, como a criação do Bolsa Família, os programas de concessão de bolsas para estudantes de baixa renda, a expansão do emprego, a extensão de direitos trabalhistas a empregadas domésticas, além de também ter adotado um ponto positivo da política social norte-americana, que foi a criação de cotas étnicas nas universidades. Agora isso não chegou a se tornar em uma implantação de um modelo social-democrático. Um partido que deveria defender essa bandeira seria o PSDB, mas o PSDB traiu a social-democracia e seus programas de governo são essencialmente neoliberais. E aí também entra um problema, nem todos no PT tem essa visão, assim como na base aliada; e como nossa democracia depende de um arranjo político, de o governo ter maioria no Congresso para aprovar suas medidas, uma série de barganhas políticas surgem daí para atender a variados interesses, que nem sempre coincidem com as necessidades da sociedade. Por isso os serviços públicos e a infraestrutura do país continuam precários. Daí, ao invés de melhorar essas questões e fazer reforma tributária, aumenta-se absurdamente os impostos para amenizar a desaceleração da economia, afetando diretamente o padrão de vida dos trabalhadores. Agora não vejo a socialdemocracia com um futuro promissor aqui no subcontinente. Com esses escândalos de corrupção, o PT está chegando no limite do desgaste e não deve mais vencer eleições. E também na maior parte dos países da região, há uma mistura de desenvolvimentismo e populismo que a longo prazo não é boa, porque o projeto de poder de alguns agentes e partidos termina prejudicando a condução da economia, principalmente porque, como no caso do Brasil, há uma oposição e uma classe média histórica e visceralmente avessa a essas medidas sociais de redução da desigualdade.

  19. Francisco de Assis Dorneles 18/04/2015 / 16:31

    Gosto da tua forma de enxergas as coisas. Não sou filiado ao P.T mas vejo que você se identifica com uma politica de governo que trabalhe o social. Particularmente também defendo esta bandeira.
    Políticas sociais reduzem as desigualdades sociais, produzem cidadania e constroem uma nação de todos, e não de poucos.
    Disse não ser filiado ao P.T para afirmar que voto e não sei se ainda votarei no P.T para futuros governos da esfera federal. Justamente por buscar adotar algumas medidas de uma social democracia. Você foi claro em me mostrar que o P.T não é propriamente um governo social democrata.
    Quanto ao PSDB hoje o vejo muito mais como defensor uma política direitista ligada aos interesses imperialistas norte americanos. Não sou comunista, é apenas a minha visão. E isto se tornou mais forte no embate com o P.T.
    A política neo liberal do PSDB talvez muito se deva ao FHC. Você sabe mais que eu, mas a tese teórica do FHC coloca que a América Latina sempre será periférica ao grande centro, E.U.A. Vejo esta ideia como uma ideologia de resignação e aceitação de um poder politico e econômico maior. Desta forma somente se pode baixar a cabeça e aceitar as determinações que vem de fora. Mata toda a perspectiva de uma NAÇÃO EMANCIPADA.
    Você fala da nossa política de acordos,coisa o Lula sobre fazer como ninguém, a citar com o Sarney, entre outros. Claro tivemos o mensalão para alimentar a oposição e conseguir votações.
    A nova bancada sustentada por eleitores ignorantes vem complicar ainda mais a vida da Dilma que não é nem um pouco habilidosa como é o Lula.
    Sou democrático e luto pela democracia. Mas Bertone devemos reconhecer que a democracia adotada por povos ainda analfabetos políticos e históricos, como é em nosso país, é um perigo.
    Basta ver o nível intelectual de parlamentares que chegaram ao Congresso. Cito como exemplo o delegado Valdir aqui em Goiás, sem comentários.
    Sou contra ditaduras, e isto é mais um absurdo da ignorância popular. Eleger políticos pela comoção popular é o pior dos atrasos. E mais que isto, é o pior dos caminhos.
    E Vargas o que você acha sobre ele ? Estou lendo a trilogia do Lira Neto e gostando muito. Vargas defendia o seu governo autoritário com justificativas como estas:
    ” O período ditatorial tem sido útil, permitido a realização de certas medidas salvadoras, de difícil, ou tardia execução dentro da órbita legal. A maior parte das reformas iniciadas e concluídas não poderiam ser feitas em um regime em que predominasse o interesse das conveniências políticas e das injunções partidárias. (Getúlio Vargas).
    Vejo avanços em nossa jovem democracia, não é momento de retrocessos. Precisamos superar este momento e avançarmos mais. Prefiro ver o cenário como algo que será superado para uma fase melhor.. Espero que não tardiamente.
    O PT hoje vive um dilema existencial, ou morrerá como sigla ou sairá fortalecido. É uma contradição eu sei, mas na política e na economia tudo é dinâmico.
    Desculpe-me por tantas linhas rs.

    • Bertone de Oliveira Sousa 18/04/2015 / 17:57

      Francisco, concordo que falta maturidade à nossa sociedade para conduzir a democracia. Temos um Congresso que é composto por grupelhos que atuam quase inteiramente alheios à sociedade, vivem de negociatas e fisiologismos. A oposição faz de tudo para sangrar o governo, mesmo que isso implique em perdas de direitos trabalhistas e conquistas sociais. O governo, que precisa de maioria, tem que viver de cooptações pra manter a base aliada. As pressões recentes do PMDB são um exemplo claro disso. PSDB e DEM continuam mostrando que não querem compromisso com políticas sociais. Aécio já disse que seu partido vai fazer de tudo para aprovar a PL da terceirização. A direita que vai às ruas, por outro lado, não sabe fazer reivindicações e pede por ditadura ou o fim da esquerda e suas manifestações são motivo de chacota pelas pérolas e ignorância histórica. Penso que a esquerda precisa se reorganizar, aprender com todos esses erros crassos que o PT está cometendo, porque, no final das contas, a sociedade não quer as políticas econômicas da direita, porque elas são sempre prejudiciais aos trabalhadores. Então quando a direita propõe esses retrocessos, a esquerda se torna a única alternativa viável. Mas precisa repensar suas estratégias e sua própria organização nesse momento para voltar a ter um apoio social consistente.

      Em relação a Vargas, essa influência paternalista está até hoje aí na nossa política. Agora veja, num momento em que os Estados Unidos estão se recuperando da crise econômica, democratas e republicanos se uniram e concederam poderes a Obama para criar um grande bloco econômico com países das Américas e da Ásia e que abarca um contingente de um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas. Veja como quando se tratou de defender uma questão importante de interesse nacional, a oposição e a situação chegaram a um acordo pra uma medida que até se pode chamar de salvadora e sem que fosse preciso recorrer a qualquer coisa que pareça uma ditadura. Aqui, as conveniências partidárias sempre foram mais importantes do que os interesses nacionais e sempre atrapalharam as experiências democráticas. A esquerda tem um viés social e desenvolvimentista, mas a direita, como você disse, é resignada e não se importa em render o país a interesses estrangeiros.

  20. Francisco de Assis Dorneles 18/04/2015 / 20:58

    Bertone,obrigado pela gentileza em me esclarecer alguns pontos. Te confesso que ainda não consigo ver o Brasil como uma nação, um país de um só povo. Valorizo o trabalho de José Bonifácio em lutar para manter uma unidade nacional.
    Mas o nosso país, o nosso povo, tem uma alma rebelde e tão separatista. Dividimos o país por regiões, por Estados. A nossa política como você bem citou acima, não consegue incorporar uma política estadista. É uma verdadeira torre de babel o nosso Congresso. E nome do poder ninguém faz o sacrifício em nome da nação.
    A tua pontuação é clara referente aos E.U.A,pois as divergências entre democratas e republicanos, de certo modo, se calam respeitando o mandato do vencedor.
    Temos tanta riqueza em recurso naturais, e agora mais ainda, o pré-sal. Ma nada disto parece sensibilizar os nossos políticos. Ainda discutimos “o sexo dos anjos”.
    Ainda pregamos ideologias separatistas,somos divididos e facilmente dominados. Um grande império adormecido. E a nossa Educação que é com certeza o caminho de progresso vive jogado ao descaso.
    Ah,Brasil! Como és complicado. Inconscientemente sentimos falta de um espirito nacionalista, do sentimento de pertencimento, de um estadista ou de uma política estadista.
    Concordo com você a esquerda em nosso momento histórico é o único caminho, por isto precisa se reinventar. Citei o Vargas pela questão do nacionalismo, tirando o ditador e focando mais no estadista.
    Abraços, gostei da tua visão e critica social.

  21. Lorena Santiago 15/11/2015 / 23:49

    Não precisa nem fazer história quando se encontra um texto como esse na internet.

  22. Fernando Iago 07/01/2016 / 20:22

    Obrigado Bertone, antes eu tava no emaranhado de militância marxista, hhaha. Seus textos deram uma iluminada na minha ideologia. Entretanto, tem que se considerar o pq desses estados sociais terem dado certo somente em países de primeiro mundo. Em sua grande maioria colonizadores, os momentos históricos como esses não teriam contribuído para a facilidade maior de se chegar a esse patamar? Principalmente se considerar a exploração em países de 3ª mundo, os fazendo de sítios industriais, para os mesmos. Que é o caso de algumas indústrias americana ir procurar mão de obra barata (pra não dizer escrava) lá na China? É visível q um estado de bem estar social, principalmente em países de 1º mundo, melhora em muito a vivencia do cidadão, porém mesmo com essa melhora de vivencia a renda ainda, por números q vc mesmo apresentou no texto, é muito mal distribuída, sendo que, mesmo com condições mais dignas de trabalho, a força do mesmo ainda é usada pra enriquecer poucos. O certo é nos contentarmos com esse estado de bem estar, que dá mais dignidade ao cidadão, porém fechar os olhos para a enorme desigualdade de classes ? Ou seja nos contentar com essas “comodidades”.

  23. Rodrigo 21/01/2016 / 23:47

    Professor, gostei do seu texto, mas ainda tenho dúvidas. Gostaria de saber como esses países sociais democratas q vc citou chegaram nessa situação de bem estar. Qual o era o contexto político e econômico desses países? Quais medidas de fato foram tomadas? E, por fim, como seria possível no Brasil, atualmente, chegar a esse bem estar?

    Abraço.

  24. Eduardo 09/09/2016 / 15:44

    Ola bertone sousa tudo bom? Sou estudante de economia na universidade e queria saber se você poderia me passar nomes e autores que falem sobre social democracia, e como é a economia social democrata e de um estado de bem estar social, sera que poderia dar o nome de uns autores e recomendar alguns livros ? Desde já aobrigado.

    • Bertone Sousa 09/09/2016 / 21:24

      Eduardo, não há muitos bons livros específicos sobre socialdemocracia em nosso mercado editorial, é preciso recorrer a manuais mais abrangentes. Bauman, que citei aqui, faz vários comentários sobre o assunto em algumas de suas obras. Outra obra que faz uma boa contextualização, é “Continente sombrio: a Europa no século XX”, de Mark Mazower.

  25. Marcus Canesqui 20/03/2017 / 23:54

    Professor, onde posso aprender mais sobre o liberalismo, pois tenho um conhecimento raso do assunto e tem um mala no YouTube me enchendo o saco e gostaria de continuar a discussão mais embasado.

    • Bertone Sousa 21/03/2017 / 17:18

      Você tem que ler os autores mais importantes do liberalismo: Adam Smith, Hayek, Friedman, John Rawls, Fukuyama. Há diferenças importantes entre eles que só se apreende com uma leitura atenciosa de suas obras.

      • Marcus Canesqui 21/03/2017 / 23:11

        Obrigado professor. A linguagem é muito complicada? Digo em termos específicos?

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