O perigoso mundo das Testemunhas de Jeová

testemunhasQuase todos já devem ter se deparado com aquelas pessoas simpáticas, bem vestidas, que batem à sua porta e começam a falar sobre “um novo céu e uma nova terra”. Elas mostram folhetos bem ilustrados com pessoas vivendo felizes no Paraíso e anunciam sua revista chamada “A Sentinela”. Aparentemente bastante atraente e inofensivo. Mas o que a maioria não sabe é que a adesão ao discurso desses religiosos que se identificam como “Testemunhas de Jeová” poderá significar o fim da vida social e anos de lavagem cerebral. Romper com isso trará sobre o ex-fiel juras de maldição, exclusão (já que ele praticamente não tinha amigos fora do grupo) e muitas vezes renegação pela própria família. Esses grupos sectários pouco se expõem, o que dificulta saber como eles vivem e no que realmente acreditam. Coloco aqui uma matéria da revista Sábado (o link para o texto completo está ao final desta postagem) que fala sobre um grupo de mais de 600 pessoas que deixaram essa religião e hoje contam as coisas de que eram obrigadas a se privarem para serem considerados dignos do Paraíso. A seita já marcou várias datas para o fim do mundo, ou “Armagedom” como eles acreditam (que não é necessariamente um fim no sentido de extinção, mas de uma luta final entre o bem e o mal).

A seita foi criada na segunda metade do século XIX nos Estados Unidos por Charles Russel. O objetivo é basicamente o mesmo de todos: voltar às verdades bíblicas das quais as outras denominações se “desviaram”. Peter Berger definiu seita como a organização de um grupo contra um meio que consideram hostil ou descrente. O grupo então se fecha em um corpo de doutrinas e vê o restante da sociedade como inerentemente má ou pecadora, passível da ira divina, que inevitavelmente sobrevirá sobre eles. As seitas de orientação cristã usam as noções de pecado e santificação como forma de dar legitimidade discursiva aos neófitos e manter os que já são seguidores.

Quando estudei a Assembleia de Deus pude perceber o quanto esses grupos milenaristas roubam a autonomia dos indivíduos lhes inculcando medo da perdição, da perda da salvação, da ira divina, do pecado. A noção de pecado é muito importante nessas religiões porque ela cria um sentimento de culpa que tende a manter essas pessoas em estado de amedrontamento. É um mecanismo de controle do comportamento que em alguns segmentos é usado de forma mais ostensiva do que em outros. Embora entre as “Testemunhas de Jeová” não haja crença no inferno, o medo de não entrar no Paraíso e da extinção leva os fiéis a a viverem obsessivamente apegados ao estudo e difusão da doutrina.

A saída do grupo pode acarretar diversos efeitos psicossociais em decorrência do sentimento de solidão, de auto-culpabilização e da hostilidade advinda do grupo que se está deixando. Sair de uma seita nunca é fácil porque ela exerce controle sobre toda a vida individual e coletiva dos indivíduos. As seitas, assim como as religiões instituídas, são agências reguladoras do pensamento e da ação, mas com a diferença de que na seita a regulação tende a ser mais totalizante, devido ao rígido controle que exercem sobre os sujeitos. Através de uma busca na internet o leitor pode encontrar diversos sites e fóruns de ex-testemunhas de Jeová que buscam se ajudar mutuamente, ao menos no sentido de encontrarem um espaço para desabafar e pessoas com quem possa interagir. O leitor deve clicar no link abaixo com o título da matéria para acessar o texto completo sobre a seita.

O mundo desconhecido em que são educadas as Testemunhas de Jeová

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23 thoughts on “O perigoso mundo das Testemunhas de Jeová

  1. Marília 21/12/2012 / 11:36

    Pois é, tenho um amigo que foi expulso do grupo por causa que foi dedado por outro colega que estava bebendo em um sábado a noite, ele não pode mais conversar com os membros da igreja e a relação com a família é estranha, já que a mãe acha que ele está adorando o capeta e se enfiando no mundo mundano. É uma lavagem cerebral realmente o que acontece, eles levam a bíblia a cabo e ainda querem pegar nosso tempo explicando-a. Não tenho nada contra, mas qualquer coisa que leva ao extremismo e fecha os olhos das pessoas faz mal e não acaba bem , renuncia-se a vida e o que ela lhe proporciona pra seguir algo do que nem sabe se no intimo acredita ser real.

  2. Marcelo 25/05/2013 / 21:16

    Caro Bertone Souza

    Tive um aluno, dois anos atrás, em uma turma do terceiro ano do ensino médio, muito inteligente, estudioso, alegre e participativo em minhas aulas de História (assim como em outras disciplinas). Não era caxias nem quadradinho. Uma simpatia… Tanto que, como eu era coordenador daquela sala, o nomeei como um dos monitores da turma. Algo que ele desempenhou muito bem. Em dado momento, entrei de licença médica e me afastei de minhas turmas.

    No ano seguinte, estava caminhando perto da estação do metrô do bairro onde moro e haviam algumas Testemunhas de Jeová distribuindo seus folhetos. Um deles me chamou pelo nome. Tratava-se de meu ex-aluno. Continuava simpaticíssimo. Ele disse que, como entrei de licença, não deu tempo para ele apresentar seu credo religioso e me convidar para uma reunião. Conversamos um pouco e depois cada um tomou seu rumo.
    Diante do que é conhecido a respeito das Testemunhas de Jeová, e que você expôs de forma bem sintética, confesso que sempre sinto um pesar quanto a trajetória futura deste jovem, caso ele se interesse em fazer um curso superior (algo que esta religião não recomenda aos seus membros) e seguir a vida por sua própria conta, errando e aprendendo conhecer outras pessoas e ideias e os tremendos obstáculos que seus “irmãos de fé” podem colocar diante de seu caminho… Espero que ele tenha forças para criar um distanciamento crítico de sua cosmovisão e relativizá-la. Em suma, pensar por conta própria.

    Abraço.

    • Bertone Sousa 26/05/2013 / 1:01

      Marcelo,

      realmente eles têm muitas interdições que podem prejudicar o desenvolvimento pessoal dos membros, além de proibirem tratamentos que podem custar uma vida, como é o caso da transfusão de sangue. Mas como a matéria mostra existem grupos de apoio para as pessoas que saem sem ter outros conhecidos fora do círculo religioso. Isso é um ponto positivo para quem em algum momento desejar se desvincular. Obrigado pelo comentário.

      Abraço

  3. Aline 10/01/2014 / 11:51

    Eu sou desassociada e sofro muito com isso.. me sinto presa a mim mesma porque nao tenho familia mais minha sogra e sogro nao falam comigo minha mae e irma nao vem a minha casa.. a situaçao só mudaria caso eu voltasse para a organização e além do mais se eu não fizer isso minha vida já está perdida porque vou ser destruida no armagedom. Entendem o que é isso? Isso é um transtorno que muitos na minha situaçao enfrentam minha familia inteira é dessa religião e ninguem fala comigo.. sou sozinha.. sempre tenho crises de panico. e as vezes da vontade de sumir. Sinto raiva porque se nao presto pra ser filha, irma e nora agora.. porque tenho que voltar para ser? DECEPCIONANTE

    • Bertone Sousa 10/01/2014 / 22:26

      Aline, é até difícil pra quem é de fora imaginar o sofrimento de quem passa por essa situação, pois muitas vezes buscar apoio em outro grupo apenas não é suficiente, devido à crise interior que a pessoa também sofre. Essa é uma das consequências mais deploráveis do controle total que alguns grupos religiosos tentam exercer sobre os indivíduos, a ponto de deixa-los completamente isolados socialmente caso saiam da seita. Desejo intensamente que você consiga dar a volta por cima e superar toda essa situação opressiva. Abraços.

      • Daniel 06/01/2015 / 22:26

        Professor, o que pensa acerca da CCB – Congregação Cristã do Brasil? Pergunto isso porque a maioria dos membros que conheço dessa denominação têm pensamentos ultraconservadores e de direita às vezes pendendo para a extrema-direita.
        Essa agremiação é muito pouco discutida nas academias e é relativamente antiga.

      • Bertone de Oliveira Sousa 06/01/2015 / 22:31

        Daniel, é verdade, é uma igreja pouco discutida. Mas já existem alguns trabalhos acadêmicos sobre ela, dispersos e pouco divulgados, é verdade, mas poucos para a importância que ela tem. Acontece que é uma igreja fechada a pesquisas, o que torna difícil estudá-la. Mas requer um texto falar sobre ela, pretendo fazer isso em breve.

  4. Elizeu Josias DE Souza 09/02/2014 / 18:46

    Professor Bertone, ótimas considerações, eu fui criado como Testemunha de Jeová, posso dizer que minha infância foi feliz no seio de uma comunidade unida numa cidade pequena em Minhas Gerais.

    Quando minha família se mudou para uma cidade maior no interior de São Paulo (1993), eu já estava no começo da adolescência e confesso que foi uma transição muito difícil, já que as Testemunhas de Jeová locais pareciam mais fanáticas, excludentes e intolerantes.
    Mais adiante vi o quanto essa organização causou celeumas na vida de minha família, o quanto o separatismo dessa organização faz as pessoas se distanciarem de seus familiares. Na adolescência comecei a refletir que éramos distantes de nossos avós, tios, primos etc., que chamávamos quase sem perceber de ‘’mundanos’’ – sendo nós fiéis a Jeová só poderíamos nos relacionar com os ‘’irmãos’’.

    Felizmente meu pai, ainda que apenas alguns anos antes de sua precoce morte conseguiu reverter o processo, afastou-se dessa igreja e reconciliou-se com a família e que família maravilhosa. Eu ainda passaria por maus momentos, já que só conhecia gente dessa religião e trabalhava para um ancião, fui praticamente coagido a me recusar a prestar o serviço militar obrigatório. Nenhum ancião me disse que eu estava renunciando boa parte de meus direitos e que inclusive teria problemas para me ingressar em universidades, conselhos de classe, concursos e até emprego.

    Sob pressão de meus pais e dos anciãos recusei o serviço militar o que me deixou numa espécie de limbo civil por vários anos. Enquanto isso havia a velha doutrinação da época (hoje praticamente abandonada) contra as universidades, a filosofia e tudo que fosse ‘’sabedoria mundana’’ – a partir da leitura de um livro ‘’O Mundo de Sofia’’, eu que já estava com mais de vinte anos e este era o primeiro livro que não era nem escolar e nem da organização Testemunha de Jeová que eu lera na vida. Afirmo que tal leitura despertou-me para a curiosidade intelectual, descobri que Darwin não era o embusteiro qual as Testemunhas de Jeová queriam me fazer crer, e que o relato do Gêneses não se tratava história factual.
    Assim sendo dissociei-me dessa organização em 2005 e instruí um processo administrativo junto a Junta do Serviço Militar para reaver meus direitos civis, que felizmente graças à benevolência do Estado Democrático de Direito foram restabelecidos.

    • Bertone Sousa 10/02/2014 / 0:40

      Eliseu, é interessante como a Filosofia expande nosso horizonte e ajuda a romper com determinados vínculos e visões de mundo e o medo subjacente a essas crenças. Eu te parabenizo por ter superado essa fase.

      • Daniel 08/01/2015 / 11:34

        Professor, tenho ainda uma última pergunta: Em sua avaliação, quais serão as consequências políticas dos ataques perpetrados pelos radicais islâmicos em Paris?

  5. Silvana 14/09/2014 / 1:10

    Olá professor,
    Meu nome é Silvana, fui criada praticamente neste religião desde os 10 anos, e saí com 31 anos, fui pioneira, não sei se sabe o que é isso, mas são pessoas que dedicam naquela época nao sei hoje 70 horas do seu mês pregando as pessoas. Eu era uma aluna bastante esforçada queria fazer faculdade mas me diziam que não era apropriado fazer e larguei meus sonhos por um bom tempo. Fui bastante devota dessa religião, gastava muito mais tempo que o necessário, mas sempre me senti infeliz, achava que não estudava o suficiente por isso me sentia assim. As pessoas na religião diziam que eram felizes e eu achava que o problema era comigo. Fiquei triste pois fui repreendida por um desliz que cometi, pois fiz algo na organização sem consultar os anciãos, recorri mas todos deram razão aos anciãos, um ancião chegou a me dizer é sua palavra contra a de um ancião e a palavra de um ancião vale mais. Depois deste episódio, deixei de frequentar a religião, li livros que antes eram condenados pela organização, o que me abriu os olhos e comecei a pesquisar outros pontos que falavam dos ensinamentos das testemunhas de jeová e hoje sou feliz, nunca me senti tão feliz na vida. Se eu estivesse lá não teria filhos, não teria me casado, é uma religião preconceituosa, tanto aos pobres quanto aos negros. Condenam você a fazer faculdade mas sempre escolhem os melhores preparados para fazerem discursos nos congressos realizados. Para voce ir a Betel tem que ter Ensino Superior. No fundo eu não gostava tinha medo de sair, hoje tenho medo de voltar.

    • Bertone de Oliveira Sousa 14/09/2014 / 14:00

      Silvana, e veja pelo comentários que seu caso não é algo raro. Fico feliz que você tenha conseguido sair e ter uma vida social estável fora do ambiente dessa religião, porque muitos infelizmente voltam por falta de apoio ou de estrutura emocional para se manter longe. Obrigado pela contribuição. Abraço.

    • Bruno 10/11/2015 / 13:05

      Olá, Silvana!
      Tenho irmãs que estão sofrendo lavagem cerebral por essa seita. Pode me dizer o nome dos livros que leu que ajudou a sair dessa?
      Demais pessoas, sintam – se a vontade para responder também.

  6. luiz pereira 25/10/2014 / 20:05

    repuguinante

  7. sergio 05/01/2015 / 14:04

    Boa tarde, muito interessante esse depoimentos inclusive de pessoas que conheceram a verdade biblica, o que me deixa mais triste é saber que estao no mundo de satanas mesmo depois de ter conhecido a palavra de jeova o Deus verdadeiro eu conheço a organizaçao e essas queixas relatadas nos comentarios sao algo bem pessoal pois a organizaçao das testemunhas de jeova e contituida por membros que tem suas açoes e práticas totalmente baseada na biblia e quando se trata de se priva do mundo, vcs que fizeram parte da organizaçao sabem muito bem que esse mundo nao tem nada a nos oferecer em sentido espiritual um mundo de prostituiçao de droga de capitalismo de super valorizaçao material sem concideraçao com o ser humano ninguem respeita ninguem um mundo de guerras ipoctras religiosos que abusao das crenças de pessoas ingenuas e etc.
    Talvez por ser imperfeitos e falhos pecadores que procuramos nos afasta do mundo nao das pessoas mais sim das praticas mundanas para que possamos agradar de todo coraçao nosso todo poderoso criador jeova Deus acatando os ensinamentos deixados na biblia por nosso salvador jesus cristo.
    Gostaria de deixa uma pegunta: vcs acham que estao realmente mais feliz no fundo do coraçao no mundo de satanas mesmo tendo conhecimento da verdade? Desde ja obrigado pela oportunidade!

    • fernando 16/01/2015 / 15:59

      eu me sinto muito feliz sem religião alguma, quando vieram a minha casa fazer estudos biblicos, começaram a criticar todos os meus atos, não poderia fazer capoeira não poderia torcer pra nenhum time, não poderia falar mais com amigos que não seguiam a religião, então isso só aprisiona e não liberta.

      Eu me sinto muito mais feliz agora que eu não me prendo a valores religiosos

  8. sergio 05/01/2015 / 14:26

    So mais uma observaçao, senhorita silvana mensionou em um trecho de seu comentario que nao podemos cursa uma faculdade e em outro trecho mensionou que para irmos em betel prescisamos ter curso superior. Pelo visto ouve uma contradiçao ai né sendo assim nao devemos conciderar tal comentario para mim isso é apostasia.

    • homemsemsobrenome 02/02/2015 / 13:02

      É a contradição do discurso religioso que ela está ressaltando. Dá uma relida lá.

    • Bruno 10/11/2015 / 13:06

      Pela maneira que você escreve, dá pra ver que nem o ensino fundamental vocês cursam…

  9. Leonardo 27/11/2016 / 22:45

    Eu tinha uma namorada a gente se amava e depois de um tempo ela começou a frequentar a igreja testemunha de Jeová, resumindo ela me largou pq eu sou do “mundo”. . Comecei fazer estudos da bíblia com um ancião por uns 8 meses mais ou menos, pra tentar voltar com ela e aprender sobre Deus…. No fim a gente continua separados e parei de fazer estudos…. E É difícil quando alguém te deixa por conta de uma religião, as pessoas mexem com sua cabeça.

  10. Antonio Carlos da Costa Andersen 17/12/2016 / 3:56

    Karl Max tinha uma certa dose de razão quando dizia que a religião é o ópio do povo, não compartilho totalmente deste pensamento, mas conheci pessoas T. J., que eram e continuam sendo completamente atrapalhados mentalmente, a tal ponto que uma moça que trabalhou comigo me perguntou o que eu achava da religião dela (T.J.), fui muito franco com ela, e o que isso resultou, perdi uma amizade, e pelo que lí acima eles continuam atrapalhados mentalmente e pior ainda não sabem escrever, e se metem a serem donos de uma verdade que não existe. Professor meus sinceros cumprimentos pela seu posicionamento.

  11. Lorena 22/02/2017 / 23:15

    Pessoal, eu conheço muito bem essa religião. O que posso dizer é q muitas vezes…algumas pessoas precisam da religião…precisam fazer parte de um grupo, ter uma fé, ter valores de moral, e tudo o que é ensinado lá é bom…não se ensina nada de ruim. Então a religião tem o papel de tornar as pessoas melhores. Porém quando vc tem maturidade, alegria, alta estima, perspectivas pra vida, você não precisa deste grupo.

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