Olavo de Carvalho e a pieguice intelectual brasileira

astrologo-olavoResposta ao vídeo True Outspeak de Fevereiro de 2012. 

Olavo de Carvalho vem exercendo uma influência crescente nos últimos anos pela divulgação que tem feito de suas ideias na internet.  Olavo é hoje o principal representante da extrema direita no Brasil e há décadas vem condenando tudo o que entende como esquerdismo com abordagens tacanhas e reducionistas. Ele se considera filósofo, é doutor em nada, se considera melhor e superior a todos os professores de Filosofia no Brasil e frequentemente destila sua verborragia iracunda contra Marilena Chauí, Paulo Ghiraldelli, Emir Sader, Leandro Konder e outros intelectuais de esquerda por quem nutre profundo ódio. Também se considera o maior representante da alta cultura no Brasil, num inequívoco gesto de loucura megalomaníaca, além de ainda ser bajulador de ditadores de direita, incluindo o fascista espanhol Francisco Franco, a quem considera de “conduta exemplar”.

Olavo é fundador e proprietário do site Mídia sem Máscara, que reúne vários colunistas de extrema direita que escrevem com o único propósito de denunciar o esquerdismo e o que acham ser planos da esquerda para a tomada do poder mundial. A partir de teorias conspiratórias de dirigentes mundiais que ele toma por esquerdistas, escreve e pronuncia discursos e mais discursos para demonstrar que os movimentos sociais de nossa época são apenas peças de um quebra-cabeça que tem como estrutura a montagem de uma ditadura mundial anti-cristã. Isso porque uma característica de Olavo é um forte fanatismo religioso, além de ser defensor intransigente do alinhamento entre religião e política, como aconteceu durante a ditadura de Franco na Espanha.

Olavo pensa o mundo apenas a partir da dicotomia esquerda e direita, sendo que a segunda está sempre certa e a primeira sempre errada. Ele reproduz os jargões da Guerra Fria de que o comunismo é o mal, é anticristão e agora revelou sua face abortista, gayzista e outros “istas” que ele não tem o menor receio de incluir no pacote. Enaltece o golpe de 64 como o movimento que impediu o Brasil de se tornar comunista e lamenta o fato de os militares não terem erradicado completamente a esquerda do país.

Acompanhei durante algum tempo as postagens do Mídia sem Máscara e seu programa semanal True Outspeak.  Rapidamente se pode perceber o quanto seu pensamento está entravado em querer provar a ferro fogo que o outro lado está sempre errado; ao mesmo tempo em que critica as posturas totalitárias dos grupos e partidos de esquerda, ele age de forma inversamente proporcional e não tolera nem suporta nada que possa chamar sua atenção.  Olavo nutre profundo desprezo por Lula, Dilma e pela sociedade brasileira. Não consegue falar de outra coisa que não sejam teorias de conspiração e suas “análises” sociais ficam engessadas em todo esse extremismo ideológico. Como pretenso filósofo e jornalista, o homem é um embusteiro.

No início do ano de 2012, enviei-lhe uma carta levantando alguns questionamentos sobre suas posturas, principalmente por ele se colocar na condição de “filósofo”, ao que ele respondeu da forma que lhe é característica: com xingamentos, desqualificação intelectual do interlocutor (todos os que não concordam com ele são adjetivados de analfabetos, burros, vigaristas, vagabundos e por aí vai). O que ele pensa é: se os esquerdistas não dialogam, não relativizam suas ideias, os conservadores também não devem fazê-lo. Com isso ele se embrenha no mais completo dogmatismo e se fecha a qualquer possibilidade de diálogo com a alteridade. Diálogo que não poderia mesmo ser possível para quem considera os militantes de esquerda como terroristas e inerentemente stalinistas.

Quando levantei a questão da concentração de renda no capitalismo ele teve o cinismo de afirmar que não há concentração de renda no capitalismo. Quando Olavo chama seus interlocutores de vigaristas ele parece estar lhes atribuindo sua própria característica. Não sou anticapitalista nem anticomunista, nem militante esquerdista como ele erroneamente me rotulou. Mas não preciso me apegar a um pensamento ranheta e unilateral e avaliar o mundo como um pedante que pensa ter todas as respostas para tudo. Além de tudo, Olavo mistura religião e política e reafirma velhos dogmas da Escolástica. Não é à toa que não existem textos científicos no Mídia sem Máscara, apenas palpites de conservadores iracundos.  

Curioso também é o perfil dos admiradores de Olavo que postam comentários a seus vídeos no Youtube ou a seus textos na internet: não passam de bajuladores e são tão dogmáticos quanto ele – afinal se não fossem não poderiam suportar suas preleções. Algumas dessas pessoas são seus alunos em um Seminário de Filosofia que ele ministra. Pude ver algumas dessas aulas no Youtube, que não passam doutrinações conservadoras. Olavo de Carvalho representa o que há de mais mesquinho no pensamento político brasileiro, representa uma extrema direita derrotada e ressentida.

Embora se considere um grande intelectual, sua principal obra, “O Imbecil Coletivo”, é apenas a manifestação em dois volumes desse ressentimento; coisa de palpiteiro, como ele mesmo gosta de se dirigir a seus adversários. Olavo não pode ser levado a sério; se postas em prática, suas ideias conduziriam à ascensão de um irracionalismo que poderia nos levar a uma verdadeira “Idade das Trevas”. Felizmente seus seguidores são tão confusos quanto sua mente dogmática – são a expressão maior da pieguice intelectual brasileira.

A pedido de alguns leitores decidi comentar o vídeo-resposta de Olavo ponto por ponto. O motivo de eu não tê-lo feito antes se deveu ao fato de o vídeo ser muito mais um ataque pessoal do que uma argumentação propriamente dita. Uma chuva de insultos (e isso Olavo conhece muito bem), uma forma de intimidação para dar a impressão de estar “humilhando” seus opositores. Para minha surpresa, muitos de seus admiradores vieram aqui repetir as ofensas e deixar outras que não aprovei; gente da mais baixa estirpe, ignorá-las é o melhor a se fazer. Mas ao contrário de Olavo, não vou aqui usar esse expediente nem devolver os palavrões, por três motivos: primeiro, não é de meu feitio argumentar com base em ofensas pessoais; xingar é a coisa mais fácil e apenas pessoas medíocres fazem isso quando são questionadas ou contrariadas. Segundo, por respeito a meus leitores, que são pessoas inteligentes e não acessam este espaço para ler baixarias; por isso comentários ofensivos não são aprovados, pois não pretendo transformar esse espaço num palco de esculhambações. Terceiro, seus xingamentos não me ofendem, eu ficaria muito preocupado se fosse elogiado por ele, mas o fato de ele ter se ofendido tão facilmente com alguns questionamentos apenas mostra sua incapacidade de lidar com a diferença. Em várias partes do vídeo Olavo me chama de “moleque”. Eu poderia devolver todos os insultos, mas em nome de quê? Xingar alguém como Olavo é como agredir um bêbado; além do mais, respeito seu estado senil. Então comecemos. Sua fala será colocada em negrito e itálico, minhas respostas em fonte normal. Clique aqui para ver o vídeo completo de Olavo. As partes referentes ao meu e-mail serão colocadas entre aspas dentro de sua fala:

Essa semana recebemos aqui um e-mail de um professor de história da Universidade Federal do Tocantins, Bertone de Oliveira Sousa, que está reclamando sobre o conteúdo das minhas matérias. Diz ele aqui: “ao ler os textos e assistir aos vídeos de seu site, algumas questões me pareceram muito preocupantes. O site critica de forma unilateral tudo aquilo que compreende como esquerdismo, incluindo aborto eutanásia e homossexualismo”. Em primeiro lugar aqui, seu Bertone é o seguinte: você já escreveu para o vermelho.org para reclamar que eles criticam unilateralmente tudo o que compreendem como direitismo? Não. Então quer dizer que no Brasil já se tornou normal você ter milhares de sites de esquerda que criticam a direita e você tem um de direita que critica a esquerda aí é muito preocupante, o homem está muito preocupado.

Como falei acima, acompanhei durante um bom tempo os programas de rádio de Olavo e as postagens de seu site. E a razão de eu ter enviado este e-mail foi porque tentei acreditar em sua honestidade como pretenso jornalista. E num ponto ele tem razão: não enviei algo semelhante ao vermelho.org por um motivo simples: não leio o vermelho.org. Não acompanho esses sites que fazem jornalismo militante por considerar que esse tipo de polarização já perdeu o sentido. Além disso, a distinção entre direita e esquerda se tornou muito volátil nas últimas décadas para que uma ou outra sejam criticadas a partir de classificações estanques. Mas não quer dizer que sejam sempre iguais, há diferenças e já escrevi sobre isso aqui no blog.

Não sou simpático à esquerda do tipo PSTU da mesma forma como não sou simpático à direita que denega tudo o que não seja conservador, como é o caso do senhor Olavo de Carvalho e seguidores. Mas isso não significa neutralidade. Já escrevi aqui no blog que pessoalmente sou mais simpático à esquerda, por ser mais crítica e autocrítica,  prezar mais pela inclusão social, ter posicionamentos mais decisivos contra a desigualdade, o racismo, a má distribuição de renda. Mas não sou militante nem me prendo a abordagens redutivas apenas para não criticar uma visão de mundo. Isso não quer dizer que a esquerda esteja sempre certa; também não deixo de criticar suas pretensões ditatoriais, quando se manifestam, nem mesquinharias dos que apenas almejam poder e privilégios e essas atitudes não são apanágio da esquerda ou da direita. Reconhecer isso é não ser maniqueísta, não ser limítrofe.

“No que diz respeito a Olavo de Carvalho, é estarrecedor vê-lo defender alguém como o pastor Silas Malafaia”. Eu quero dizer o seguinte: o pastor Silas Malafaia só pode ser atacado, não pode ser defendido? Isso quer dizer que a imprensa inteira tem que ser unânime, descer o cacete unanimemente no sujeito e ninguém pode dizer uma palavrinha a favor dele, mesmo em casos onde ele esteja manifestamente correto como nesta acusação espúria e boboca, aliás, que um promotor fez a ele de que ao dizer que a Igreja Católica tinha que cair de pau naqueles que fazem chacota do Cristianismo, o promotor entendeu que cair de pau significa agredir fisicamente, quer dizer,  fazendo de conta que não entende. Quer dizer, eu não posso defender o Silas Malafaia nem neste ponto? Isso não quer dizer que o Silas Malafaia esteja certo em tudo, que não mereça ser criticado sob certos aspectos, mas toda pessoa que pode ser criticada publicamente também tem que poder ser defendida, ou você não sabe disso? Parece que ele se escandaliza de que não haja uma unanimidade total e ainda reclama de que nós falamos mal unilateralmente. Quer dizer que falar mal unilateralmente do pastor Silas Malafaia tá certo. Ora, pensa um pouco, rapaz, volta pra escola, vai aprender.

Eu não disse que o pastor tem que ser criticado unilateralmente. Inclusive, desenvolvo pesquisas sobre o protestantismo e reconheço que há preconceitos da sociedade com relação aos evangélicos, por uma série de razões: o protestantismo chegou ao Brasil tardiamente, teve dificuldades de inserir-se na cultura católico-brasileira, seu ascetismo sempre foi visto com desconfiança pelo conjunto da sociedade e, desde o final da década de 1980, a crescente inserção dos pentecostais na mídia e na política partidária tem acarretado animosidades entre eles e outros grupos. Mas, se há preconceito com relação aos evangélicos ou a determinados segmentos evangélicos, esse preconceito também é uma via de mão dupla, já que os protestantes também denegam determinadas práticas e comportamentos e pretendem universalizar seus valores.

A minha crítica deveu-se ao fato de Olavo, que afirma ser filósofo, fazer uma defesa ingênua do pastor. Por defesa ingênua me refiro à sua falta de acuidade em analisar o conjunto da situação. O fato a que ele se refere é o seguinte: na parada LGBT de 2011, manifestantes usaram imagens de santos católicos com lemas como “Nem santo te protege, use camisinha”, “amai-vos uns aos outros”. Posteriormente, a Igreja Católica, na pessoa do bispo Dom Odilo Scherer, se manifestou criticando o desrespeito dos manifestantes para com seus símbolos. Depois, Malafaia, em seu programa de televisão, criticou a Igreja Católica por não ter se manifestado (sendo que já havia) e questionou em tom iracundo o porquê a Igreja não descia o porrete nesses caras. Um promotor então tomou a iniciativa de processar o pastor porque suas palavras poderiam ser interpretadas de forma literal por algumas pessoas e desencadear atos de violência contra homossexuais. Ora, em diferentes ocasiões, evangélicos já cometeram agressões físicas contra manifestantes de outras religiões, por exemplo, especialmente afro-brasileiras. A forma como o pastor Malafaia fez seu discurso poderia também gerar atos de intolerância.

E por que o pastor entrou num assunto que dizia respeito à Igreja Católica? Todos conhecem os embates entre Malafaia e o movimento homossexual e isso tem lhe rendido nos últimos tempos ampla visibilidade midiática. Analisei esse assunto no texto “O que quer Silas Malafaia?”. Como disse, não estava afirmando que o pastor não pode ser defendido, apenas estava questionando o fato de Olavo deixar de analisar um conjunto de situações e interesses (e é claro que a militância LGBT também tem os seus, mas esse não era o caso da questão, o caso eram os interesses específicos do pastor). Não me escandalizei com a falta de “unanimidade total da imprensa” – e aqui ele me atribui palavras que eu não disse – mas com sua ingenuidade intelectual. Mas Olavo é um teórico da conspiração, fanático religioso e radicalmente contrário a movimentos sociais que reivindicam direitos a minorias (o leitor pode ver mais sobre isso no artigo “A importância das políticas de ação afirmativa”, neste blog, Tema “Política”), por isso não é de estranhar que ele se recuse a avaliar essas questões por outros ângulos. E aí ele começa a usar sua arma principal: a calúnia, a ofensa pessoal. Mandar voltar pra escola, estudar, ou seja, coisas medíocres vindas de alguém medíocre.

Depois, ele continua citando meu e-mail para comentá-lo:

“Daí ele diz isso: “…ou, pior ainda, em afirmar em um de seus artigos a idoneidade de Francisco Franco”. Eu digo: olha meu filho, vá estudar. Você estude a vida pessoal dos famosos ditadores de direita, como Franciso Franco, Pinochet ou nosso Castelo Branco, Médici, dá uma olhada na conduta pessoal deles e depois compara com a conduta pessoal desses que você adora, que você é um puxa-saco de Fidel Castro, de Mao Tsé-Tung, vai ver. Mao Tsé-Tung era um estuprador, estuprador de meninos e meninas, Stálin a mesma coisa e aqueles que não aceitavam ir pra cama com Mao Tsé-Tung morriam. Dá uma olhada na conduta pessoal e vê. Eu não sou nenhum puxa-saco de Franciso Franco, mas olha, desse ponto de vista, pelo menos, o ponto de vista da moralidade pessoal, não há comparação possível. Agora, Francisco Franco não pode ser defendido nem nos pontos onde ele é obviamente melhor que os outros. Tem que ser a crítica unilateral, ou seja, a unilateralidade da esquerda deve predominar e não pode ser contestada nem num pequeno site da internet, é isso que você pensa seu Bertone. Quer dizer, é isso que você transmite aos seus alunos? Quer dizer que a idoneidade, a honestidade coincide com a unilateralidade da esquerda, que não pode ser contestada, não pode ser desafiada jamais. Quer dizer, é esta a história que você ensina pra ele rapaz, desgraçado?

A pior coisa que existe é fazer pré-julgamento das pessoas e espalhar inverdades sobre elas. Olavo é declaradamente direitista e na sua ambição de provar que sua visão está sempre correta ele não tem escrúpulos em fraudar a história. O que foi a Guerra Civil Espanhola e quem ajudou os nacionalistas de Franco a chegarem ao poder? Os mesmo Hitler e Mussolini que Olavo diz que eram de esquerda, comunistas. Se eles eram comunistas, como puderam ter apoiado os nacionalistas contra os comunistas? A república espanhola foi proclamada em 1931 com o fim da monarquia. O governo republicano era liderado por socialistas e buscou introduzir reformas como a redução do latifúndio e a laicização do país. No entanto, o novo governo enfrentou fortes adversidades provenientes de greves trabalhistas e tentativa de golpe militar. Franco, que havia servido no Marrocos, aglutinou em torno de si o apoio de monarquistas, da Igreja, dos latifundiários e de um partido fascista conhecido como Falange. Depois de uma violenta guerra civil ele conseguiu chegar ao poder em 1939, apoiado pela Alemanha nazista e a Itália fascista. Seu governo foi marcado por forte repressão à oposição de esquerda, prisões, torturas e mortes.

A falácia da equiparação entre fascismo e comunismo é uma das principais teses defendidas por essa gente e também já escrevi sobre o assunto em outros artigos aqui no blog. Quer dizer que não importa as milhares de pessoas que Franco mandou torturar e fuzilar, se ele não “comia criancinhas”, então possuía uma conduta exemplar? Esse vídeo que já possui mais de um ano apenas serviu pra me provar que Olavo é uma fraude intelectual. Ele se coloca como liberal e conservador, o que é uma grande mentira. Conservador, sim, ele é, mas não liberal. Olavo de Carvalho é fascista e sua defesa de um ditador como Franco é uma prova contundente disso. Ademais, este senhor está sempre se colocando a favor de golpes militares e ditaduras de direita e só um tonto não perceberia o quanto há de fascista em seus discursos. Olavo não defende Estado mínimo nem liberalismo nenhum. Ele não defende abertamente o nazismo porque sabe que isso lhe traria uma série de complicações, mas em essência seu pensamento é totalitário, antidemocrático e antiliberal. É avesso ao diálogo e suas leituras filosóficas são todas redutivas. Mais adiante o leitor verá que ele vai elogiar Médici, Castelo Branco, Pinochet; são estes, como Franco, os modelos de governantes que o inspiram. Não é à toa que seus seguidores são todos entusiastas de ditadores de direita e já os vi inclusive defender Mussolini e seu regime. Eles negam que são fascistas apenas para enganar pessoas sugestionáveis.

Mas ele não defende esses facínoras apenas porque acha que eles eram bonzinhos em casa, mas porque não eram comunistas. Quer dizer que matar e torturar no comunismo é desumano, mas num governo não comunista não é? E esse sujeito ainda não quer ser chamado de fascista? E quem está falando em Stálin ou Mao Tsé-Tung? Ou melhor, quem está defendendo esses ditadores? Aqui o devaneio do pesudo-filósofo se coloca à frente de sua argumentação para desqualificar o outro como apoiador de genocidas. Quanta coisa rude e desnecessária foi dita neste vídeo! Olavo só pode defender ditadores de direita se fizer seus ouvintes acreditarem que o outro é defensor de ditadores de esquerda, então ele esquece a história, se apega a pontos isolados da vida desses chefes de Estado e parte novamente pra difamação. A mesma tática em todos os argumentos, algo cansativo e deplorável. Quanto a meus alunos, Olavo, eles são instruídos pra não se tornarem intolerantes como você, mas também não se tornarão devotos de Stálin nem de Mao Tsé-Tung porque não sou limítrofe a ponto de omitir os crimes que esses regimes também cometeram. Ademais, é de conhecimento geral que quem xinga num debate perde a razão. Seria preciso dizer mais alguma coisa?

Daí disse ele: “Ora, isso é deixa”… ele escreve errado pra caramba, é um analfabeto, “isso é deixa de levar em consideração a memória traumática que a sociedade espanhola guarda da ditadura franquista, chegando a manifestar seu protesto contra uma das instituições que mais a apoiou, a Igreja Católica, quando da última visita do papa àquele país”. Sociedade espanhola? A sociedade espanhola ainda é maciçamente católica e quem protestou foi lá meia dúzia de organizações de esquerda, ou você não é capaz de comparar, ou você acha que qualquer gritaria de esquerda representa a sociedade espanhola? Pois vocês esquerdistas são especialistas nisso, em usurpar a voz dos outros, você organiza lá cinco ONG’s pagas com o dinheiro do George Soros, faz um barulho e diz: isto é a sociedade civil. Vocês fazem isso o tempo todo.

Esse texto foi um e-mail que escrevi de forma rápida. E num e-mail às vezes você não tem o cuidado de fazer uma revisão gráfica como se estivesse escrevendo um artigo, então no verbo “deixar” terminei esquecendo o “r”. E um e-mail curto demanda uma resposta também pela mesma via, isto é, outro e-mail. Dedicar um programa de rádio de uma hora pra esculhambar alguém por causa de um breve e-mail é uma resposta desproporcional e desnecessária. Foi um erro por digitação rápida, não um erro de grafia por desconhecimento da norma da língua. Mas pra ele tudo é motivo pra se fazer tempestade num copo d’água. E aqui mais uma vez ele inverte as coisas: embora cerca de 75% da população espanhola se declare católica, o percentual de praticantes é muito inferior a isso. E mais de 20% da população não possui nenhuma religião. A sociedade espanhola segue a tendência de crescente secularização e indiferença religiosa que ocorre no restante da Europa. E ninguém está usurpando a voz dos outros. A memória traumática é uma característica de sociedades que viveram longos períodos sob regimes repressivos e a ditadura franquista era oficialmente católica, por isso há uma ojeriza de setores da sociedade em relação à Igreja.

Mas Olavo não entende a discussão sobre memória porque ele não lê Paul Ricouer, ele não lê essa discussão teórica. E é claro que foram movimentos de esquerda que organizaram o protesto; além de a Espanha ter sido um dos países mais afetados pela recessão econômica e possuir uma das mais altas taxas de desemprego na Europa, a visita do ex-papa Bento XVI, com todas as regalias e privilégios merecia, sim, ser alvo de denúncias e protestos. A visita custou quase cinco milhões de euros aos contribuintes, além dos custos com segurança e emergência médica. (Fonte: Dn Globo) Segundo o Portal Terra, os custos totais do evento eram de cerca de 100 milhões de euros e tudo custeado com verba pública. Isso ele jamais iria falar, claro, seu conservadorismo católico ranheta e sua obsessão antissecularista não poderiam permitir. E não foi por meia dúzia de pessoas. Havia cerca de 120 padres naquele protesto em 2011, além de 2.500 manifestantes. Os padres que aderiram à manifestação não estavam protestando contra o papa, mas contra os gastos e o desperdício de dinheiro público. Em um país com uma das taxas mais altas de desemprego na Europa, qualquer pessoa de bom senso saberia que isso é um desperdício gratuito. E pensar que Olavo diz ser “jornalista”. Ninguém precisa deixar de ser católico para criticar essas circunstâncias, mas Olavo não está nem um pouco preocupado com essas questões, ele não faz jornalismo, apenas propaganda ideológica e por isso omite qualquer coisa que possa arranhar a imagem da Igreja ou da direita, não importa onde e nem os fatos e se limita a espalhar desinformações maquiada de jornalismo.

“Como historiador”, você não é historiador coisíssima nenhuma, você é um professor de história. Você não escreveu nenhuma obra historiográfica que mereça atenção, você é incapaz de escrever a história de um time de futebol. “Como historiador, não posso de notar outras absurdidades históricas como na afirmação de Olavo de Carvalho de que houve mais distribuição de renda na ditadura militar brasileira do que em anos recentes”. Você estudou as estatísticas da época de hoje? Não, não estudou. Então o que o sujeito faz é o seguinte, é a típica de esquerdista. Quando ele vê uma coisa que o desagrada, ele expressa a sua perplexidade, o seu escândalo, o seu espanto. E ele fica tão espantado que ele não precisa argumentar contra o outro, é assim. Você expressa o seu espanto de maneira a dar a impressão de que o que você está falando é tão óbvio que não pode ser discutido, porque se começar a discutir você vai se dar muito mal. Então você chega e diz ah, é muito preocupante, eu estou aqui chocado. Ora, você tá é fazendo teatro. Você não é capaz de discutir comigo mas nem cinco minutos, rapaz. Como historiador, você não é historiador merda nenhuma, porra.

Essa parte é absolutamente risível. Se eu discordo dele não sou historiador, mas se estivesse concordando eu seria? Pra começar, o que define um historiador é, além da formação na área, a realização e publicação de pesquisas. Por enquanto, tenho um livro publicado sobre a trajetória da Assembleia de Deus e vários artigos científicos em revistas indexadas pela CAPES, como resultado de minhas pesquisas de mestrado e doutorado. Um dos objetivos dos cursos de pós-graduação stricto sensu é qualificar os discentes para a realização de pesquisas e as revistas especializadas existem para a divulgação desses trabalhos em forma de artigos científicos, por isso possuem corpo editorial e normas de publicação. Desde que iniciei o mestrado, em 2008, tenho buscado me inserir com êxito no debate acerca do protestantismo no Brasil, uma discussão que ainda é recente em nossa historiografia. Mas Olavo não deve saber nada disso porque ele não é formado em nada, nunca publicou artigo em revista nenhuma e seus livros não são referência pra nada que se queira produzir com algum rigor científico.

Olavo estudou filosofia sozinho apenas pra fazer fofocas e polêmicas rasteiras. Como também não se formou em nada, não está nem aí pra questões teórico-metodológicas, apenas para suas obsessões conspiratórias e anti-comunistas. Veja o leitor também que ele me dirige perguntas e ele mesmo as responde por mim. Deve estar tentando fazer uso de suas habilidades astrológicas, mas nem pra isso elas lhe servem. Meu e-mail não tinha a pretensão de levantar um debate, mas alguns questionamentos a ele. Sobre o fato de o Brasil ter crescido mais em anos recentes do que durante a ditadura militar, isso está muito bem documentado e quem for buscar essas informações históricas irá encontrar. Já escrevi sobre isso aqui no blog no artigo “A Confusão mental dos seguidores de Olavo de Carvalho”.

Além das taxas elevadas de inflação e desemprego, o regime militar deixou uma dívida externa de US$ 90 bilhões, um valor 3.400% mais elevado do que era em meados dos anos cinquenta. O PIB cresceu mas a distribuição de renda minguou em escala proporcional, havendo forte desvalorização do salário mínimo. Por isso a década de 80 foi chamada de “década perdida”. Esse foi o legado que o regime militar deixou, além de não ter realizado nenhuma reforma agrária e ter sucateado a educação pública. Mas a partir de 1994, o país começou a recuperar-se. FHC conteve a inflação, no entanto os programas sociais de seu governo foram de baixo alcance e não faziam jus ao nome de seu partido; por isso o governo Lula ampliou os programas sociais de concessão de bolsas, uma forma de transferência direta de renda. Isso aqueceu o mercado, elevou o padrão aquisitivo de milhões de pessoas, o país não se atolou na crise e possibilitou que esse amplo contingente saísse de fato da miséria. É claro que o país não virou um paraíso e ainda há muitos problemas estruturais; mas do ponto de vista da inclusão social e da distribuição de renda, isso de fato foi ampliado no governo Lula.

Também temos visto uma redução drástica do trabalho escravo que ainda teima em existir no Brasil e uma fiscalização maior de órgãos governamentais para inibir essas ações. As pessoas que criticam programas sociais como o Bolsa Família sequer sabem do que estão falando e reproduzem o senso comum de que os beneficiados não querem trabalhar ou de que o o programa é uma esmola do governo para garantir votos. Esses programas são uma forma de complementação de renda e de empurrar as pessoas para a atividade econômica; é graças a eles que o Brasil tem dado certo, que os empregos formais e as pequenas empresas têm aumentado, alavancando a economia e o poder aquisitivo de muita gente. Além disso, direitos trabalhistas também têm se estendido a amplas parcelas da população que antes não os possuíam. Com a consciência de seus direitos, os trabalhadores se munem de mecanismos para evitar abusos por parte dos empregadores e para planejar sua vida. A direita brasileira é tão estúpida que sequer sabe criticar alguma coisa e mira justamente o que está dando certo e o que o país mais necessita, que são os programas sociais. E que fatos Olavo apresenta pra afirmar o contrário? Nenhum, nada. Apenas bravatas de alguém que não suporta que a esquerda tenha chegado ao poder democraticamente e se mantenha nele democraticamente promovendo inclusão social. Apenas acusações infundadas. Não era eu que estava fazendo teatro, era ele.

O Brasil que Olavo quer é o Brasil da ditadura, dos arrochos salariais, do analfabetismo, da vigilância e controle das universidades e onde pobres e negros não têm acesso a elas, o Brasil das torturas, onde não existem direitos humanos e trabalhistas nem programas sociais, o Brasil sem reforma agrária, dos latifúndios improdutivos, onde o pobre e o camponês são massacrados mas o governo se vangloria de ter impedido o comunismo. É isso o que este senhor fascistoide quer e lamenta que tenha terminado. Felizmente este câncer mora há muitos anos fora do país, assim como outro chamado Diogo Mainardi e outros que são farinha do mesmo saco. E que morram lá mesmo.

Olha aqui eu não sou historiador profissional, mas eu pelo menos participei da equipe de uma obra monumental sobre o exército na história do Brasil em três volumes, publicada pela biblioteca do exército. Então eu tenho alguma obra historiográfica da qual, como diria o Lula, eu possa me gambar, e você? Você escreveu a história de uma escola de samba, rapaz?

Acredito que ele deva ter visto meu currículo Lattes, porque não me apresentei como professor de uma universidade no e-mail. Então ele viu que tenho livro e artigos publicados, mas ele diz isso pra fazer gracinha, fazer teatrinho. Procuro fazer o melhor nas pesquisas que desenvolvo, por isso sei de meu potencial e da qualidade dos trabalhos que produzo e nesse aspecto tenho muita tranquilidade. O que este senhor entende de operação historiográfica eu não sei, mas não deve ser lá grande coisa, já que nem em Filosofia ele escreve algo que seja razoável.

Sua pretensa obra filosófica é pífia. A única coisa que se aproxima de uma discussão acadêmica é a “História Essencial da Filosofia” em 32 fascículos. São livretos contendo entre 40 e 50 páginas e vendidos na Livraria Cultura pelo preço de R$ 77,00 cada um. O preço é extorsivo e a obra não vale isso. A maior parte dos filósofos sequer é apresentada de forma a dar uma visão minimamente abrangente de seu pensamento. Em alguns fascículos a maior parte do texto é composto de respostas a perguntas de seus alunos do Seminário de Filosofia, muitas das quais fogem completamente ao foco do pensador em questão, se limitando a meras divagações sem aprofundamento. No site da Editora, a É Realizações, a coleção completa é vendida ao preço exorbitante de R$ 2.464,00. Seria um grande desperdício de dinheiro pra quem quer se iniciar na história da Filosofia. Com esse dinheiro, o leitor poderia comprar muitas obras de fôlego disponíveis em língua portuguesa, de autores brasileiros e estrangeiros como Sofia Vanni Rovighi, Jean Pierre-Vernant, a clássica obra da “História da Filosofia Ocidental” em quatro volumes de Bertrand Russel (hoje disponível apenas em sebos virtuais), a recente “Introdução à História da Filosofia” de Marilena Chauí, que além de uma abordagem aprofundada, contém várias indicações de leituras adicionais ou os doze volumes de História da Filosofia de Nicola Abbagnano, e ainda sobraria dinheiro suficiente para o leitor comprar várias obras clássicas de filósofos de todas as épocas, indispensáveis para sua formação intelectual.

Então aqui: “…ainda silenciar sobre a participação da sociedade no governo Goulart”. Participação da sociedade no governo Goulart? Eu sei é que a sociedade brasileira, esta sim, em peso, saiu às ruas na maior manifestação pública que já houve, pra pedir a derrubada do governo Goulart e apoiar o golpe militar. Isso aconteceu, ou você não sabe, você não é capaz sequer de consultar a mídia da época, rapaz. E se você pegar a manifestação como as Diretas Já, foi fichinha perto do que aconteceu na época. Vai estudar um pouco, rapaz.

Mandar o outro “estudar”, “voltar pra escola” é a típica atitude de pseudo-intelectuais arrogantes que tentam impor sua versão monolítica dos fatos. O período da história brasileira compreendido entre 1946 e 1964 foi bastante conturbado do ponto de vista político e social. Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, em 1961, as Forças Armadas já se articulavam para tentar impedir a posse de Goulart. O fato de ele estar viajando para a China na ocasião foi razão suficiente para que os setores conservadores o considerassem uma ameaça comunista. O golpe militar só não aconteceu três anos antes, em 1961, por causa da reação dos setores populares e reformistas, além de alguns militares contrários ao golpe e da ação de movimentos operários e sociais. Mesmo assim, Goulart teve de aceder à institucionalização do parlamentarismo que durou até o início de 1963.

No poder, Goulart lançou um conjunto de propostas conhecido como Reformas de Base, que compreendia os setores agrário, urbano, educacional, fiscal e administrativo. Nenhuma dessas reformas tinha a ver com socialismo, mas, ao contrário, objetivavam desenvolver o capitalismo brasileiro. Todos os países ricos e industrializados que chegaram a esse patamar tiveram de fazer reformas nesses setores para proporcionar o crescimento econômico. No caso do Brasil, uma reforma agrária jamais havia sido feita que atendesse a ampla demanda nacional. Nossa formação histórica baseada na monocultura, no latifúndio e na escravidão que durou três séculos ainda reverberava na zona rural, até porque a industrialização brasileira durante a República não representou uma mudança substancial nessas relações, mas a acomodação da elite latifundiária à nova conjuntura.

Um dos principais pontos da proposta de reforma agrária do governo era o Estatuto da Terra que pretendia estender os benefícios da CLT  ao trabalhador rural. Além disso, previa-se a criação de uma superintendência com status de ministério estatal para planejar e executar as medidas da tal reforma. Paralelamente, as Ligas Camponesas se organizavam para fazer frente às ações dos proprietários de terras, buscando assistência jurídica, financeira e econômica dos seus filiados. No Nordeste, as Ligas chegaram a contar com cerca de 50 mil associados. A grilagem e a contratação de pistoleiros por fazendeiros para assassinar camponeses era uma constante de tensões em várias regiões do país, especialmente o Nordeste. Além do movimento sindical e dos partidos de esquerda que buscaram ampliar a mobilização popular em favor das Reformas de Base, também surgiu em 1962 a Ação Popular (AP), no interior da Igreja Católica e inspirada no humanismo cristão. Por isso, a organização e crescimento das Ligas Camponesas terminaram desencadeando diversas manifestações conservadoras no país ligadas à Sociedade Rural Brasileira, a Federação das Indústrias de São Paulo, associações comerciais e OAB que se opunham à reforma agrária e buscavam aglutinar as classes médias contra as ações do governo.

Em 13 de março de 64, Goulart realizou um comício para cerca de 200 mil pessoas que se mobilizaram para apoiá-lo e alguns para pedir o fim da política conciliatória. Portanto, houve mobilização social dos dois lados, tanto dos nacionalistas e da esquerda, como dos ruralistas e industriais que encontraram nas classes médias importantes forças de atuação a favor das articulações golpistas. Reduzir a participação social apenas a estes últimos é mutilar a história e recortar os embates sociais que se travaram no período. Veja o leitor que ele não se alonga nos assuntos porque não teria argumentos para defender suas posições reducionistas. Ele não toca na questão da concentração fundiária, da importância das reformas para o capitalismo brasileiro nem vai para uma discussão histórica séria ficando apenas na superficialidade de suas opiniões.

“Em temas recentes os colunistas…” Ah, ele quer falar nas propostas de reforma educacional que foram podadas pelo golpe. Reforma educacional? Olha, eu conheço, por exemplo, a história da Universidade de Brasília, e se não fosse depois o professor Azevedo entrar pra botar ordem na putaria que os caras tinham arrumado, essa universidade nem existiria mais. “Os colunistas parecem ignorar completamente os efeitos da crise econômica nos países ricos, como o aumento do desemprego”. Como, nós falamos disso o tempo todo? E a crise econômica foi causada por gente como você, foi causada por esse pessoal que sobe no governo e quer legislar e controlar tudo e criaram leis que forçavam os bancos a emprestar dinheiro a quem não podia pagar. E fizeram isto porque isto foi um plano esquerdista concebido já na década de 1950, com a ideia que se você forçasse a previdência social e os bancos a conceder mais direitos do que estavam concedendo na época, haveria a destruição, quer dizer, a previdência social iria ruir, os bancos iam ruir e criar uma crise econômica. Essa crise foi inteirinha montada por gente de esquerda. Você nunca ouviu falar de estratégia Cloward-Piven, você não sabe nada a respeito, moleque…

Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira eram dois intelectuais de visão democrática que ajudaram a erguer a UnB. O que ele falou sobre a Universidade de Brasília é estupidamente risível. Isso é o melhor que ele tem a dizer? Ele chama de putaria um ambiente acadêmico de discussão democrática dos problemas nacionais. Em cada “argumento”, o pseudo-filósofo demonstra ser tão pulha que chega a se tornar ridículo. Sobre a questão das causas da crise econômica: o grande problema de pessoas narcisistas como o senhor Olavo é pensar que somente eles sabem de tudo e têm as informações. Em matéria de teoria da conspiração ele se tornou um especialista, tão “especialista” que ficou paranoico e falando tal quantidade de asneiras que foi expulso até mesmo de jornais de direita. E mesmo neste ponto ele está errado. A estratégia Cloward-Piven a que ele se refere foi um plano político elaborado na década de 60 por dois sociólogos americanos (o plano leva seus nomes) que, resumidamente, defendiam uma sobrecarga do sistema previdenciário para forçar uma crise de grandes proporções, conduzindo à implementação de políticas de combate à pobreza por meio da criação, por parte do governo federal, de uma renda para ajudar aos pobres.

Mas não foi bem isso que provocou a crise. E para que eu não seja chamado de “unilateral”, vou remeter o leitor para um site de direita com um texto de um historiador de economia dos Estados Unidos, Gary North, que, mesmo sendo conservador, não é teórico da conspiração (clique aqui para acessar o texto). Logo no início ele diz:

Para o conspiracionista conservador, mudanças sociais devem ser explicadas como sendo o resultado de uma conspiração.  Em seu mundo, um pequeno grupo de poderosos globais — sempre chamados de “eles” — controlam tudo.  “Eles” dão as ordens.  “Eles” decidem tudo que deve ser feito.  Mudanças sociais sempre vêm de cima.  “Eles” são oniscientes. 

O conservador adepto de teorias da conspiração compartilha com o socialista e com o comunista uma enorme confiança no poder do intelecto em dirigir as relações da sociedade.  Eles atribuem a um comitê planejador central a capacidade de prever o futuro quase que perfeitamente, de estruturar as instituições sociais de modo a alterar esse futuro em benefício próprio, e de implementar seus planos de maneira absurdamente eficaz, sendo capazes de sobrepujar o interesse próprio de bilhões de agentes econômicos.

Eles acreditam em Deus.  Esse Deus é a conspiração.

A partir de então North argumenta como o sistema financeiro está organizado de modo a sofrer crises financeiras periódicas e que isso não tem relação com um projeto dos globalistas (que muito menos são esquerdistas, como diz Olavo) mas ao próprio mecanismo de funcionamento da economia com seus Bancos Centrais. É uma interpretação plausível, embora não seja a única. A formação de ciclos de acumulação seguidos por crises é um apanágio da economia capitalista não apenas no século 20, mas ao longo de sua trajetória. Não sou leitor de Ludwig von Mises, mas vale indicar ao leitor do blog o livro “O Longo Século XX” de Ghiovanni Arrighi, um trabalho de fôlego sobre o assunto, uma discussão histórica sobre os ciclos de acumulação de capital, tendo como plano de fundo teórico o conceito de Longa Duração de Braudel e a ênfase nas disputas territoriais como forma de mostrar o caráter limitado da expansão do capitalismo até o presente contexto. Como falei em outra postagem, o dogmatismo de Olavo e sua obsessão de querer denunciar tudo como uma super conspiração mundial da esquerda são motivos pelos quais ele não consegue superar suas próprias limitações reducionistas nem consegue ser respeitado academicamente.

“O site silencia grosseiramente sobre os problemas da concentração de renda no capitalismo”. Concentração de renda no capitalismo? Faz favor, porra. Concentração de renda, isto é na União Soviética, isto é na China. Na China tem até hoje, quer dizer, porque o Partido Comunista concentra a renda na sua mão. Quer dizer, concentração de renda supõe que você tenha uma autoridade que controle a economia e daí só quem tem acesso ao governo são os amiguinhos do governo é que se beneficiam disso e isso é exatamente o que você esquerdistas fazem. Você pega o anuário da Hriday Foundation, que é o índice de liberdade econômica no mundo e você veja, compare lá os números. São números oficiais da ONU e de outras instituições que mostram que onde tem melhor distribuição de renda é nos países capitalistas, não nos socialistas. Aliás, nos socialistas não têm distribuição de renda nenhuma, tem é trabalho escravo, ou você não sabe disso? Agora ele fala isso como se fosse uma coisa que não precisa ser discutida, não precisa ser provada. É autoprobante.

Se alguém quer ser conservador, não precisa abandonar esta condição para admitir que há concentração de renda no capitalismo. O conceito que ele expôs é de concentração de poder, implicando também a esfera econômica, mas concentração de renda não se restringe a isso. Concentração de renda implica um processo pelo qual o lucro proveniente da acumulação de capital e/ou de outros rendimentos confluam para um grupo, que pode ser uma família, uma casta, uma ou mais empresas, um grupo de empresários, banqueiros ou industriais, um segmento localizado numa região específica, dependendo do contexto da abordagem que se queira fazer. De forma deliberada, ele associou concentração de renda apenas a concentração de poder de forma a passar a imagem ilusória de que apenas em sociedades de forte centralização política, como as nações comunistas, pode haver desigualdade de renda. Depois as pessoas não querem acreditar quando digo que Olavo é desonesto intelectualmente. Como domina bem a dialética erística, ele se utiliza de artifícios retóricos para dar a impressão de que está correto, mas partindo de conceitos equivocados ou redutivos. Como seus admiradores são intelectualmente fracos, ficam deslumbrados com isso.

Veja o leitor que nem toquei no assunto da União Soviética e da China e ele leva pra esse lado. O homem está tão absorto em uma retórica belicista que não consegue dialogar fora dessa polaridade. Vou pegar como exemplo inicial o texto do próprio Gary North que indiquei acima. Ele mesmo mostra, a partir de uma discussão de Pareto no fim do texto, que a riqueza é centralizada mesmo quando há distribuição e isso é uma lógica que perpassa tanto o capitalismo quanto o socialismo. O leitor que estudar o nascimento da modernidade durante o processo de transição do feudalismo para o capitalismo e também o período posterior à primeira e segunda Revolução Industrial poderá ter maior clareza das raízes desse processo de concentração de renda, com cercamentos, desapropriações, êxodo rural e as precárias condições de trabalho nas primeiras fábricas. Em O Capital, Marx problematizou isso discutindo como a falência das manufaturas e dos pequenos produtores, além da desapropriação dos camponeses, gerou um exército industrial de reserva no alvorecer do capitalismo cuja utilidade era manter os salários baixos ao mesmo tempo em que praticamente toda a família trabalhava para incrementar a produção. A inexistência de leis trabalhistas no contexto favorecia os abusos e castigos físicos de patrões contra empregados. O movimento operário surgiu em decorrência disso.

No século 20, os países desenvolvidos, especialmente no pós-Segunda Guerra, tiveram de repensar o que fazer com os pobres, foi aí que nasceu o Estado de Bem-estar social, uma alternativa que se interpunha entre o extremo da revolução socialista e o depauperamento engendrado pela não intervenção do Estado. Os países capitalistas do chamado Primeiro Mundo passaram a distribuir renda de forma mais equitativa depois que repensaram o papel do Estado. Movimentos trabalhistas e intelectuais marxistas não ortodoxos como Edward Bernstein foram importantes nesse processo, como também foram importantes os acontecimentos posteriores à crise econômica de 1929 com a ascensão dos totalitarismos e subsequentes ameaças às liberdades democráticas.

Num contexto de globalização como o nosso, em que coexistem sociedades pós-industriais e sociedades que ainda vivem da caça e da pesca e levando em conta as desigualdades entre as nações no tocante a formações históricas, descolonizações, guerras civis ou com estrangeiros e corrupção endêmica em determinadas sociedades, a concentração de renda se torna um fator gritantemente elevado como mostra esta reportagem. Agora como resolver ou atenuar esses agravantes ainda é uma incógnita já que o socialismo se mostrou uma alternativa desumana e inviável e a elevação do padrão de consumo global tem de ser pensada a partir de políticas de sustentabilidade. Alguns advogam a criação de uma moeda e de um parlamento mundiais como forma de resolver os conflitos e as crises, mas se isso resolveria o problema da miséria e da pobreza extremas ainda é uma questão que permanece em aberto.

E já que ele falou na ONU, vamos aos dados. A Universidade Federal de Campina Grande divulgou um estudo realizado por um órgão das Nações Unidas (clique aqui para acessar) que mostra que mais da metade da renda mundial está concentrada nas mãos de apenas dois por cento da população. Um trecho de estudo diz o seguinte: “Quase 90% da riqueza do mundo está sob o controle de moradores da América do Norte, Europa e dos países de renda elevada na região Ásia-Pacífico, como o Japão e a Austrália”. Além disso, uma parcela significativa da população mundial não possui rede de esgotos, água encanada, condições minimamente razoáveis de moradia entre outras coisas. Em sua fala o que ele fez foi desviar o foco do assunto pra voltar a falar de União Soviética e socialismo. É claro que houve muita concentração de renda também no Estado Soviético e todos os outros estados socialistas. Porque nesses países, ao invés de haver redistribuição de riquezas, o que houve foi apropriação delas pelo Estado, ao invés de socialização, estatização. E, de fato, o poder absoluto concentrado nas mãos do estado gerou uma espécie de servidão coletiva contemporânea, na medida em que a propriedade individual, a criatividade e o empreendedorismo foram vetados à sociedade, gerando conformismo e baixa produção de bens de consumo, o que a longo prazo causou a desestruturação daquele modelo de planejamento.

Mas esse não era o foco do que eu afirmava. O comunismo morreu e juntamente com ele o modelo centralista e totalitário que representava. O homem é monomaníaco, repete a mesma coisa dezenas de vezes e ainda pretende com isso ser chamado de intelectual. E quem foi que disse que alguma coisa não precisa ser provada? Aí estão os dados, há estudos da própria ONU sobre isso. No livro “A Corrida para o Século XXI” (Editora Companhia das Letras, 2001), o historiador Nicolau Sevcenko cita dados do Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de 2000, que mostra a disparidade entre países ricos e pobres. No texto, ele está elencando os aspectos negativos da globalização como a ampliação do tráfico de drogas, o aumento da criminalidade, mortalidade infantil e instabilidade financeira. Em países mais pobres como o Brasil, a adoção de políticas neoliberais na última década do século passado acarretou o agravamento desses problemas. Baseado no relatório da ONU, Sevcenko faz o seguinte comentário:

“Entre 1990 e 1998 a renda per capita caiu nos cinquenta países mais pobres e aumentou nos 28 mais ricos. Cerca de 1,2 bilhão de pessoas, o que equivale a um quinto da população mundial, vivem em nível de miséria absoluta. Cerca de duzentas crianças morrem por hora nos países do Terceiro Mundo, em consequência de desnutrição e de doenças banais, para as quais a cura seria simples, desde que houvesse recursos de atendimento” (página 43). O fato de Olavo recusar-se a admitir isso como uma criança mimada deveria ser suficiente para que qualquer seguidor dele que tivesse vergonha na cara jogasse seus livros no lixo e o denunciasse como uma fraude.

Não sou anticapitalista nem adoto uma visão de mundo maniqueísta com relação a qualquer assunto, isso é uma questão de informação. Mas ninguém precisa ser anticapitalista pra informar essas coisas. Até a Revista Veja, ícone do jornalismo direitista no Brasil, já veiculou uma matéria sobre isso. E pra constatar isso ninguém precisa ser stalinista ou comunista. Para ele, bilionários, empresários, governos, todos são comunistas a urdir uma conspiração mundial contra as liberdades individuais e o cristianismo. Não sei como este senhor ainda não tomou veneno de rato achando ser ele próprio um agente da tal conspiração. Em toda a sua fala ele me atribuiu coisas que não disse para cantar de galo e passar a ideia de que estava abafando. É uma postura tão infantil, tão mesquinha, ainda mais por parte de um senhor com mais de sessenta anos que chega a dar vergonha alheia. Se essa forma de debate desonesta e insultuosa é o que agrada a ele, isso já evidencia o caráter deformado e neurótico desse homem.

“Também é curioso que os artigos sobre a América Latina têm como preocupação central fazer apologia das ditaduras militares que grassaram no continente, minimizando o impacto sobre suas vítimas quando comparadas ao stalinismo ou ao maoismo.” Como minimizar? O impacto foi menor, foi incomparavelmente menor. Você não vai poder comparar um Pinochet e muito menos os nossos ditadores militares ao Fidel Castro ou a qualquer ditador de esquerda no mundo. Não é que nós estamos minimizando, nós estamos dando os números que estão registrado historicamente, ou você não sabe? Você vai querer comparar as três mil vítimas do Chile, do governo Pinochet no Chile, com setenta milhões da União Soviética, com setenta milhões da China? Você vai querer comparar, sou eu que estou minimizando? Quer dizer que eu que estou fazendo o número três mil ser menos que setenta milhões, ou você não aprendeu aritmética?

Minimizar aqui não foi colocado no sentido de comparação aritmética, mas no sentido de que os colunistas do site silenciam sobre os abusos cometidos nas ditaduras militares latino-americanas, enfocando apenas o que aconteceu em outros regimes. É fato que o comunismo foi a maior tragédia humanitária do século 20 em termos de vítimas humanas, como o provam as mortandades da Revolução Cultural, do Grande Salto à Frente, do Holodomor e do Camboja. Mas isso não significa que tenhamos que celebrar ditaduras militares apenas porque não eram comunistas. A revolta expressa nos artigos dos colunistas do MSM e de outros sites de direita com a Comissão da Verdade, por exemplo, evidencia que o que está em jogo não é apenas a crítica do comunismo enquanto regime totalitário, mas também a não aceitação de que um governo de esquerda democraticamente eleito possa instituir legalmente uma comissão para investigar os homicídios e torturas cometidos por militares durante o período em que estiveram no poder. E aí eles fazem uma inversão da situação alegando que guerrilheiros assaltaram bancos e fizeram outras coisas, como aquele argumento de que não foi o cachorro que mordeu o homem, mas o contrário. Na cabeça limítrofe dessas pessoas, as vítimas são os algozes e os algozes são os mocinhos.

Quanto às sociedades que vivenciaram totalitarismos de esquerda, que criem suas comissões da verdade, investiguem seu passado recente, encontrem, julguem e punam os responsáveis pelas mortes de milhares de pessoas. Não temos o poder de fazer isso por eles, mas podemos julgar aqueles responsáveis pela morte de outros milhares de pessoas em nosso território. Se, durante a Guerra Fria, diversos segmentos da esquerda foram omissos com relação a abusos cometidos em regimes comunistas, hoje, alguns segmentos da direita conseguem ser ainda piores e perder a razão no debate por não entenderem que a conjuntura mudou e que se eles podem criticar Lula, Dilma e outros agentes é porque vivemos em uma democracia, a mesma democracia que os militares derrubaram e que esses conservadores apoiaram. Agora choram como viúvas de um regime autoritário porque se recusam a ser vistos de outra forma que não a de heróis.

O fato de regimes comunistas terem vitimado milhões de pessoas algures é motivo suficiente para silenciarmos com relação aos abusos cometidos pelas ditaduras militares em nosso continente? É motivo para considerarmos essas milhares de vítimas insignificantes apenas porque alguém acha que se os militares não tomassem o poder os comunistas o fariam? E aqui entra a mesma questão com relação a Franco: matar e torturar num regime de esquerda não pode mas num de direita pode? A tortura e a morte perpetradas por regimes autoritários não são abusos de direitos humanos independente de qual bandeira ou ideologia eles estejam atuando? Que tipo de liberal é esse que denuncia abusos em ditaduras de esquerda mas silencia com relação aos abusos em ditaduras de direita? Tire o leitor suas próprias conclusões.

 “Em um de seus programas Olavo fala de abordagem ideológica, que ele define como abordar um assunto defendendo apenas o lado que interessa à pessoa, chamando a atenção para os problemas advindos desse tipo de abordagem, ao que eu pergunto: essa crítica não deveria ser aplicada ao próprio site e seus cronistas pela forma como as matérias são selecionadas e redigidas?” Olha aqui, primeiro o site foi feito para compensar a hegemonia esquerdista. Então nós não temos que dar aos esquerdistas no nosso pequeno site a chance que eles não nos dão na Folha de São Paulo, no Estadão, no Globo e em parte alguma. Então que nós estamos tentando é criar, vamos dizer, pelo efeito de contraste, um pouco, um mínimo, mínimo, mínimo de equilíbrio nessa discussão. Então, se todos os sites repartissem o seu espaço, dando espaço para todas as vozes, para todas as modalidades de pensamento ideológico então, sim, nós faríamos o mesmo, mas não tem sentido. Se o nosso site é feito justamente para formar um contraste e criar o mínimo de equilíbrio indispensável, o mínimo de confrontação indispensável, então é claro que a sua crítica não é procedente. Ademais, você está confundindo duas coisas: o pensamento ideológico não se define por defender um lado, todo mundo defende um lado, não é este o problema. O problema da abordagem ideológica é que ela proíbe, ela veta a possibilidade de você levantar outras perspectivas, não necessariamente perspectivas que se opõem a ela politicamente. Porque o simples fato de você equacionar uma situação, tem aqui uma direita, tem aqui uma esquerda, tem que ter os dois lados. Isso aí cientificamente é bobagem. Quer dizer, a confrontação de ideologias opostas não tem nada a ver com a confrontação de várias hipóteses científicas, ou você confunde as duas coisas? Você está confundindo a simples honestidade num debate político, que é dar voz, direito de voz a todas as facções, com a confrontação científica de hipóteses, que é do que eu estava falando.

Ideologia é um termo que pode ser definido de diferentes maneiras. Minha pergunta foi pertinente porque algumas semanas antes desse programa ele tinha definido abordagem ideológica como um tipo de abordagem unilateral. Foi então que, acreditando que ainda restava alguma honestidade intelectual em Olavo, resolvi escrever a tal carta finalizando com esse questionamento. A resposta à minha pergunta seria um contundente sim. O que é publicado no site é apenas o que se restringe à visão conservadora de seus autores, ou seja, para eles, admitir que há concentração de renda no capitalismo, que é importante julgar os crimes cometidos pelos militares quando estiveram no poder, entre outras coisas, seria fazer uma concessão aos não conservadores. Então, baseados no que acham, de que os não conservadores apenas escrevem o que lhes interessa, eles resolveram também adotar a mesma postura, mesmo que para isso tenham que jogar a história no lixo e tergiversar em torno de um único tema: tudo é uma conspiração comunista mundial. E chamar a Folha de São Paulo, o Estadão e O Globo de jornais esquerdistas é de matar.

Se ele quer formar um contraste, tudo bem, vivemos numa democracia com plena liberdade de expressão e o próprio fato de eles poderem negar isso já é uma prova de que há. Mas ao invés de criar um equilíbrio, eles estão polarizando o debate e só um tonto não percebe isso. Não existe diálogo quando se polariza o debate, o que existe é isso aí que ele fez: mesmo quando alguém tenta dialogar, a outra parte está tão embebida de extremismos, que imediatamente parte para a agressividade, calúnias e insultos. Sobre a questão de a confrontação de ideologias não ter relação com a confrontação de hipóteses científicas estou de acordo. Não existem textos de teor científico no MSM, apenas de militância ideológica. Em relação à ciência, o que fazem é uma negação pueril e infundada da ciência moderna, haja vista que misturam esse tema com religião. Mas o que se pode esperar de alguém que nunca passou pela universidade e não tem a menor preocupação com metodologia? Se ele afirma que outros espaços na mídia não lhe dão a oportunidade de se pronunciar, está mentindo. Olavo já foi colunista de outros jornais como O Globo mas perdeu esses espaços. Até hoje ele demonstra ter um profundo ressentimento por isso e, como defesa, chama esses periódicos de “esquerdistas”. Hoje Olavo vive isolado nos Estados Unidos, de onde ministra seu reles Seminário de Filosofia e escreve textos narcisistas e conspiracionistas para o Diário do Comércio e o MSM.

Aí estão os fatos e suas repercussões. O que torna fácil refutar as afirmações de Olavo é sua desonestidade intelectual. Apesar de ele querer cantar de galo na internet como um grande intelectual, na prática é um grande impostor, não por ser de direita, mas por ser desonesto mesmo, por repassar informações deliberadamente falsas da história e somente pessoas muito incautas podem dar crédito ao que ele diz. Não me alonguei mais para não tornar a leitura enfadonha e também porque ele não apresentou argumentos consistentes que tornasse necessária uma argumentação mais expressiva. Quando faltam argumentos e educação sobram grosserias e é basicamente isso que contém o vídeo. Além disso, qualquer um que tenha uma leitura razoavelmente embasada em história perceberá a desonestidade em seus discursos e textos, a tendência monomaníaca e o extremismo ideológico. Os que são inteligentes, que sabem que essa divisão direita/esquerda é uma retórica vazia de Guerra Fria, que essas tendências não são estanques e não veem essa divisão de forma maniqueísta, perceberão ainda o anacronismo de sua retórica bem como de todos os colunistas do Mídia sem Máscara e de outros sites de extrema direita.

Ademais, Olavo representa uma direita estúpida, intolerante, totalitária, saudosista  da ditadura e de regimes fascistas, laudatória da Idade Média, de tudo o que é anticientífico e de teocracias cristãs. É um sujeito que foi expulso de todos os espaços e vive no isolamento e na internet fazendo de tudo pra chamar a atenção, criando polêmicas e distribuindo ofensas gratuitas. Seus seguidores são, em sua quase totalidade, brucutus apedeutas que seguem à risca o mesmo estilo fanfarrão de seu mestre. Olavo aprendeu uma frase que usa para referir-se a seus interlocutores mas transformou-a em sua própria filosofia de vida: “acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”. Quando chama seus adversários de vigaristas, repetidores de chavões, totalitários, todas as calúnias que faz aos adversários podem ser encontradas em sua própria personalidade, em sua própria retórica. Numa era da informação como a nossa, espalhar inverdades e desinformação é uma maneira eficaz de causar confusão mental em pessoas intelectualmente fracas e isso ele faz com muita destreza.

Não compreendo porque algumas pessoas têm medo de debater com Olavo, ou talvez elas apenas adotem a correta postura de ignorá-lo. Ele não tem muitos argumentos e rapidamente parte pra isso que o leitor viu: intimidações e calúnias. Chama as pessoas do que elas não são apenas para pretender ter alguma razão no “debate”. Em termos de análise social, fora de alguns elementos de teoria de conspiração, facilmente identificáveis e refutáveis, ele não possui muita profundidade e com algum aperto logo se exacerba. Ele é muito fraco em história e só argumenta no sentido de tentar desviar o foco do assunto para fazer ataques pessoais. Seu narcisismo chega a ser risível e vergonhoso por acreditar que os outros não estudaram nem sabem de nada, somente ele. Quem ler os textos de Olavo no Diário do Comércio não verá análises sérias da conjuntura política ou econômica atual, mas auto-bajulações, como alguém que está continuamente querendo afirmar-se e buscando um reconhecimento forçado e tentando desacreditar a todos os intelectuais de seu país. Chega a ser uma atitude desesperada por parte dele. Confesso que senti dó quando o ouvi dizer que não sou historiador porque ele estava com raiva do que escrevi. Irritar-se tão facilmente é uma demonstração inequívoca de fraqueza. E argumentar com base em insultos é uma postura de pessoas medíocres e desequilibradas. Como alguém pode ser tão tacanho e pueril a ponto de apelar para tanta baixaria? E seus seguidores seguem a mesma tendência.

Tenho recebido diversos comentários de olavetes enfurecidos com minhas postagens. É notória a incapacidade dessas pessoas de argumentar, vindo apenas vomitar insultos e não sendo nem mesmo possível publicar seus comentários. Fico imaginando que o “grande” legado de Olavo Carvalho, assim como de outros jornalistas de extrema direita como Reinaldo de Azevedo será uma turba de ignorantes insensatos. Embora essas pessoas façam muito barulho na internet são inexpressivos politicamente e as eleições provam isso. Qualquer pessoa que não seja limítrofe perceberá que este senhor é um embuste e me admira que muitos o sigam cegamente sem fazer nenhuma análise crítica do que ele diz. Me admirava, aliás, porque depois que passei a receber seus comentários só pude constatar o quanto são mentecaptos. É a condição lamentável daqueles que não estão interessados em conhecimento e buscam mais a imagem de um líder para fazer militância extremista e receber doutrinação ideológica.

Leia também neste blog:

Olavo de Carvalho: um filósofo para racistas e idiotas

O leitor pode conferir outros textos sobre Olavo no Tema que leva seu nome no menu lateral do blog.

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120 comentários sobre “Olavo de Carvalho e a pieguice intelectual brasileira

  1. Luis Afonso 11/09/2012 / 14:27

    A sua confusão é patente: Se auto-entitula neutro (nem capitalista, nem comunista), mas come na mão de todos os chavões comunistas sem questionar.
    Sobre o fato de Olavo usar livros “estrangeiros” para provar o que diz, isso deve mesmo provar que Olavo é um radical, pois cita livros que nunca são publicados por aqui.. Claro, livro que não é publicado aqui é por que é radical de direita. Só os fascistas é que lançam livros nos Estados Unidos. Aqui não. É tudo nice people, como o Battisti que acabou de ser recebido de braços abertos. Ao fim e ao cabo, a tua pretensa “neutralidade” ou é fingida, ou tu precisas urgentemente abrir a porta do alçapão e começar a aprender algo do mundo real…

    • bertonesousa 12/09/2012 / 16:51

      Luis,

      em nenhum momento disse que sou “neutro”, apenas que não sou militante, o que está muito longe de ser “neutro”. E não demonizo essa ou aquela filosofia colocando em sua conta todos os males da humanidade, como fazem os fanáticos de direita ou de esquerda. Vocês veem o mundo a partir de lentes míopes e acham que isso é o “real”. Também não disse que os livros que ele lê são “fascistas”. Sua fala confirma meu texto: vocês têm a mente confusa e mania de perseguição, o que mostra que seu “mundo real” só existe na sua cabeça e das outras olavetes.

    • Fernando Souza 12/04/2013 / 22:20

      Teacher Olasninho

      Em primeiro lugar quero pedir desculpas pelas palavras sem acentuacao pois meu teclado esta com defeito. Em varios artigos e videos publicados na internet, o pseudo duble de filosofo e vigarista Olasno de Carvalho(Olasno=Olavo+Asno) defeca pela boca teorias sobre as mais diversas areas do conhecimento humano bem como as regras que regem as relacoes humanas no mundo atual. A Historia ja presenciou o surgimento de inumeros charlatoes e vigaristas ao longo de seu curso, mas nunca houve alguem que pudesse chegar perto do autointitulado “filosofo” Olasno. Em materia de mentira, vigarice e charlatanismo, Olasno eh imbativel e esta num patamar superior e inalcansavel da burrice humana. Senao vejamos: Olasno proclama aos 4 ventos que ninguem pode acreditar na Teoria da Evolucao e que nao ha evidencias que possam comprova-la. Nao bastasse isso o vigarista contumaz afirma que a Teoria da Relatividade, as Leis de Sir Isaac Newton e outras ideias e trabalhos brilhantes de espetaculares mentes humanas nao sao validas. Vigarista mentiroso. A humanidade so alcancou o atual estagio devido ao esforco de cientistas inteligentissimos que precisaram conviver e vencer ideias retrogadas e falsas, a maioria delas embasadas em puro fanatismo religioso. Olasno afirma tb ser capaz de provar que certas teorias nao existem, como a Primeira Lei de Newton, a Lei da Inercia. Burro imbecil. Se nao ha inercia como ele explica que um corpo nao esteja em movimento? Ha! Ja sei! Olasno explica tudo atraves da sua “fantastica” e “revolucionaria” teoria da “Paralaxe Cognitiva”. Se a ciencia e os cientistas que proporcionaram o desenvolvimento humano sao falsas, por que o “filosofo” picareta nao apresenta evidencias contrarias e provas cabais sobre suas teses idiotas e sem nenhum ebasamento cientifico?
      Mas a picaretagem e a vigarice nao param por ai. Na sua ansia de explicar os problemas e questoes envolvendo a mente humana, o pequeno Olasninho(perdao pela redundancia) profere diversos cursos sobre estudos das mais diversas areas do conhecimento humano. Engracado. Nunca tinha visto um vigarista exercer tantas “profissoes” como Olasninho o faz: Medico, Engenheiro, Fisico, Psicologo, Historiador, Filosofo, Advogado, Administrador, Economista, o sujeito se arroga sabedor de tudo, absolutamente tudo em todas as areas do conhecimento humano. Entretanto, a mais “impressionante” “habilidade” do burro Olasno eh aquela na qual ele afirma ser capaz de fazer previsoes sobre o futuro, tudo gracas ao seu “poder” de “astrologo”! Sim, o sujeito eh “astrologo”, inclusive disse que pode fazer “previsoes” sobre qualquer coisa, tais como desastres naturais que possam acontecer no planeta. Incrivel nao? So nao entendi como eh que ele ainda nao ficou rico, pois ja que pode prever o futuro por que nao joga na Mega-Sena? Parece que o pequeno Olasninho aprendeu tudo com o seu grande mestre Walter Mercado. Ligue dja!!! As “Olasnetes” podem ficar tranquilas pois o Guru da e chefe da Seita Olasniana ja deixou ate um trabalho postumo feito em vida. Quem quiser conhecer Os “Postulados” de Olasninho basta ir no link a seguir e conferir alguns pensamentos do Asno mor: http://medicoanimosico.blogspot.com.br/2012/03/olavo-de-carvalho-o-palhaco-mor-da.html
      O que Olasninho escreve e produz sobre o conhecimento humano e ciencia nao causa surpresa a mim e a ninguem. Esta perfeitamente de acordo com as cretinices que o imbecil costuma zurrilhar enquanto esta pastanto. Afinal de contas, faz juz ao seu proprio nome: Olasno de Carvalho.

    • Vinícius M. 09/09/2013 / 14:59

      Bertone, parabéns pela coragem em responder a este senhor e pela lucidez; texto extremamente bem fundamentado. Realmente é preciso muita boa vontade para puxar uma briga com Olavo de Carvalho, um velho caduco e senil que acredita que George Soros, os Rockefeller, a ONU, a Folha e muitos outros órgãos e pessoas estão a serviço do seu marxismo espantalho. O erro mais básico dessa gente é reduzir tudo que se distancie do conservadorismo burro e estático a “marxismo”; não ser igual a eles é ser marxista, ou no mínimo, estar sob o poder do “marxismo cultural”.

      Olavo é um ignorante e palpiteiro e arrogante, como se vê nas baboseiras que fala sobre física ou biologia (e seus fetos abortados da Pepsi cola). O pior é que se alguém vai apontar erros no que ele diz, ele logo ergue a pompa e o topete e começa a xingar os outros, e se responder de novo – que ousadia! – você está a serviço dos comunistas.

      O mais assustador é ver que essa figura assustadora vem conseguindo cada vez mais adeptos, e infelizmente muito do capital que conseguiu foi a serviço dos seus opositores, indignados com as suas baixarias e covardice, acabaram-lhe dando a atenção que tanto choraminga para ter. Pergunto-me se o melhor não seria ignorar este senhor, suas difamações e vigarices; mas infelizmente a semente já foi plantada, e outros Olavos e olavetes hão de surgir cada vez mais nos próximos anos, a desserviço do bom senso.

      • Vinícius M. 09/09/2013 / 15:02

        ignorante, palpiteiro e arrogante * / covardia **

    • junior29omni 14/01/2015 / 0:43

      o dono desta página deve ser o que ele é, sempre. SEM SE PREOCUPAR COM O “TÍTULO” dos outros pensadores. Seja você, e não tente DISPUTAR COM AQUELES QUE SE SENTEM “SUPERIORES” isso é vaidade.

      Na tentativa de disputar quem sabe mais, O APÓSTOLO PAULO, escreveu em sua carta aos romanos, o seguinte: “DIZENDO-SE SÁBIOS, TORNARAM-SE LOUCOS…” – Romanos 1:22
      .
      Todos temos o direito a liberdade de expressão. Não convém “DISPUTAR” quem é melhor…Isso é bobagem.

  2. karlos 12/12/2012 / 12:48

    Bertone que a transcendência te de alguma luz pois realmente tomaste um lado,e estas perdido,infelizmente como você há milhões e por isso tanto sangue de inocentes foi derramado.

    • Bertone Sousa 13/12/2012 / 21:08

      Karlos,

      o lado que escolhi foi o do conhecimento, do questionamento e da crítica, por isso não me grudo a extremos de direita e esquerda, mas avalio as coisas como historiador, não como militante cego. O Olavo condicionou vocês a associarem marxismo/comunismo a gulags e vocês caíram nessa. Estude a história do marxismo e dos movimentos trabalhistas e tire suas conclusões. Leia Norberto Bobbio, “Nem com Marx nem contra Marx” (isso pra citar um autor não marxista) e veja o que é analisar um tema com inteligência. O Olavo de Carvalho é um parasita que se alimenta de mentes fracas e predispostas a acreditarem (há pessoas assim na direita e na esquerda e quem é inteligente não se deixa levar por esses extremismos).

      • karlos 17/12/2012 / 8:27

        Dizes que és neutro,então leia o jardim das aflições e o imbecil coletivo de Olavo de Carvalho.Olavo não é extremista tem uma cosmovisão católica e muita bem fundamentada,tendo a ver o mundo sem negar o que somos.e infelizmente falamos muito e ouvimos pouco.O problema todo chama-se Antonio Gramsci ele criou o manual,o resultado não sera bom,pois a médio prazo haverá mais cacique que índios.Não tenha medo da leitura mas não tenha inveja de uma pessoa que leu e ensinou muito do que tu.mas continue esse é o caminho.

      • Bertone Sousa 17/12/2012 / 22:48

        Karlos,

        não é neutralidade. O marxismo está morto. Só vocês não perceberam isso.

  3. karlos 18/12/2012 / 23:34

    Bertone o MARXISMO não esta a morto,eles são como camaleões agora mesmo dominam a china, metade da américa do sul, metade da europa,e se preparam para a governança mundial,fique com Deus que ele te ilumine,pois veras mais do que eu com certeza pois és mais jovem,mas lembra-te,o pior cego é o que não deseja ver.
    Ps:não pense que empresários são contra o comunismo,existem muitos que ao contrario são fervorosos defensores do comunismo.

    • Bertone Sousa 19/12/2012 / 0:23

      Karlos,

      em nenhum lugar onde os comunistas chegaram ao poder este foi exercido por trabalhadores. Na União Soviética, os bolcheviques eram quase todos burgueses. O comunismo enquanto ideia de construção de uma nova sociedade baseada em justiça social está morto. Essa era a bandeira do marxismo. Ninguém em sã consciência acredita mais nisso. A ilusão acabou e o que sobrou foi o pesadelo do totalitarismo. Esse pesadelo está sempre à espreita e não é uma característica só do comunismo. A extrema direita tem ganhado credibilidade na Grécia com a crise, assim como em outras partes da Europa.

      O que está acontecendo é a desintegração do Estado de Bem-estar social e dos direitos trabalhistas. Veja por exemplo, a última visita da Dilma na Europa. Enquanto ela defendia a manutenção dos direitos trabalhistas, a Merkel defendia o contrário. Nossos pobres ainda são mais pobres que os europeus, mas é graças à intervenção do Estado que ainda não atolamos na crise. Chamar isso de comunismo é confundir tomada com focinho de porco.
      Governança global? Não dá pra falar de governança global num mundo onde o Estado-nação ainda é uma ideia muito forte. Você precisa desintoxicar sua mente. Leia o Bauman, já é um bom começo.

      • John 13/08/2013 / 10:50

        Eu me pergunto quando veremos um texto de esquerdistas em crítica ao anticomunismo sem o uso da palavra “fascista” (usada 11 vezes nesse texto, muitas vezes usadas 3 vezes em um mesmo parágrafo).
        Usar “fascista”, “extrema direita”, “ditadura” e outros desses termos da moda, de forma tão vazia, para simplesmente serem usados como xingamento à alguém pelo único motivo deste ser contra o comunismo, o socialismo, aos progressistas ou qualquer outra atribuição que você faça de seu próprio pensamento não condiz com alguém que tenta passar algum conhecimento sobre filosofia, história e sociologia. Isso é apenas desonestidade intelectual e generalização burra, deixe disso. Faça uma profunda análise interna que você se dará conta de que tenho razão.
        Você tem que entender que o uso de palavras do tipo “extrema direita” é feito apenas para suscitar alguma emoção (nesse caso, negativa) no interlocutor, pura acepção do tipo publicitária. Essa palavra, nesse caso, significa apenas a sua subjetividade, o seu símbolo, e não seu significado verdadeiro e original. Você sabe muito bem disso.
        Esse tipo de situação em que se trata essas palavras dessa forma serve apenas para a criação de generalizações perversas e ofensivas para o simples convencimento arbitrário com o motivo de vencer um debate.

        Prof. Bertone. Você diz que o marxismo está morto, porém 9 a cada 10 frases suas podem ser facilmente encontradas nos chavões da literatura marxista dos anos 30. “Nossos pobres ainda são mais pobres que os europeus, mas é graças à intervenção do Estado que ainda não atolamos na crise.”; “Não dá pra falar de governança global num mundo onde o Estado-nação ainda é uma ideia muito forte.”
        Mesmo assim tens razão, o marxismo está morto, todavia o marxismo cultural segue firme e forte em cabeças como a sua(e de toda esquerda latinoamericana).

      • Bertone Sousa 13/08/2013 / 13:15

        John,

        “fascista” e “ditadura” não são termos da moda, são conceitos históricos, que nem de longe são usados de forma “vazia” no meu texto, mas estão nesta tréplica em articulação ao foi dito no vídeo. Há muita pessoas que são contra o comunismo e não são fascistas. E o fato de você achar que “extrema direita” é usado para “suscitar emoção”, não significa que eu o tenha usado com este propósito no texto. E nem há “generalizações perversas”. Vejo que você ficou muito ofendido com o texto, mas não consegue provar a falsidade de nenhuma das afirmações que estão aí. E nem há nenhum chavão dos anos 30 aí. Você está tão entupido de ideologias que não consegue mais sequer distinguir as coisas e entender um texto argumentativo.

      • andré 29/12/2013 / 18:52

        Essa foi demais: “graças a intervenção do estado que ainda não atolamos na crise”. Faça-me um favor, leia algum livro do economista Ludwig Von Mises. Já ouviu falar? Se o que você disse no segundo parágrafo acontecesse: “desintegração do Estado de Bem-estar Social” e as nações do mundo parassem de utilizar o capitalismo de estado e aderissem a economia de mercado e ao estado mínimo (ou mesmo ausência de estado) estaríamos com níveis muito menores de desigualdades sociais e econômicas! Você começou lendo os livros errados, ainda é tempo de mudar o rumo. Bom estudo!

      • Bertone Sousa 29/12/2013 / 19:01

        André, quando vejo alguém falar em “livros errados” quando se trata de ciências sociais, logo sei que estou tratando com um mentecapto.

    • Oluap 16/05/2013 / 18:57

      Concordo com vc…
      Creio que julgar o comunismo ou até mesmo o capitalismo como estáticos, é reduzir-se à ingenuidade, bem como também, subestimar os intelectuais que estão por traz de seus conceitos e de suas mobilidades ao longo dos tempos.

  4. Ronaldo 01/05/2013 / 0:10

    Olá,gostei muito das coisas que li por aqui,principalmente aquelas que dizem respeito a Olavo de Carvalho e sua obra…Eu moro na periferia e não terminei sequer o ensino médio(parei no terceiro),mas estou com a cabeça nos estudos novamente e, ler textos e artigos com a profundidade própria de um bom documento histórico- filosófico é tarefa não tão fácil de encontrar em matéria de informação em rede…Por isso,apreciando seus escritos e críticas e conseguindo enxergar as luzes de uma boa reflexão sobre vários temas,venho te parabenizar!Gostei muito dos seus textos,como faço para ter mais informação sobre os seus artigos?Gostaria que me indicasse também bons livros para aprender a história da filosofia e história geral,um abraço Bertone,e mais uma vez:parabéns!

    • Bertone Sousa 01/05/2013 / 1:06

      Ronaldo,

      obrigado, se puder ajude a divulgar. O apoio dos leitores é sempre um combustível pra continuar escrevendo. Sobre a história da filosofia, além desses livros que eu indiquei no texto, leia a “História da Filosofia” de Julián Marías. Como manual introdutório é um livro clássico. Adquira também em sebos virtuais os volumes da Coleção “Os Pensadores” da Editora Nova Cultural, são muito bons. Abraços.

  5. joelbrando 09/06/2013 / 21:44

    Não o li o texto, mas concordo. Essa maldita proliferação de pequenos “olavinhos” cuspindo idiotice em todos cantos é sofrível. Este homem acha que a Pepsi usa fetos humanos na composição de seu produto.

    • igormorgado 16/12/2013 / 23:19

      Nao leu o texto, mas concorda? Depois disso ai qualquer coisa que voce escrever é pura merda.

  6. decio thomas machado 27/06/2013 / 19:29

    Caro bertone, exemplar sua crítica a Olavo de Carvalho. esse charlatão, fascista, pseudo intelectual é um câncer que se impregna na mente daqueles que não tem espírito crítico. Há um tempo acompanho esse lixo intelectual e fico muito feliz de ver uma crítica bem feita ao walter mercado brasileiro. grande abraço

  7. Tarcisio Cardoso 11/07/2013 / 18:22

    Ótimo texto. Apensar de concordar com varias visões do Olavo, principalmente no tocante a agenda globalista (“teoria” da conspiração), o texto “valou minha alma”. Já estava passando da hora de alguém fazer uma critica tão boa como esta sobre Olavo..

    • Bertone Sousa 11/07/2013 / 18:42

      Tarcísio, mesmo em matéria de teoria da conspiração ele erra feio.

  8. Pra Marcilene Almeida 20/07/2013 / 8:11

    Olavo está contribuindo com o “emburrecimento” de pessoas que estão acostumadas a comprar pacotes prontos e consumi-los. É mais cômodo. Pesquisar, alimentar nosso senso crítico, buscar respostas é mais trabalhoso. Porque a cada “resposta” novas perguntas surgirão. Então ele apresenta suas “teorias de pacotes e fascículos” explorando até pessoas que querem aprender, mas caem no golpe e são doutrinados, tolidos da liberdade de argumentar. Porque se ele trata um historiador dessa forma imagina como não se reporta a um de seus alunos que ousar questionar algo, começar um debate, contradizer suas ideias e abrir uma discussão em aula; porque é o “normal” de um ambiente ensino-aprendizagem. Há tempos já superamos esse “preto no branco”, alguns insistem em ficar nele. Conspiração? Oh! Os senhores feudais ainda pensam que o feudo existe e se levantam para “proteger” sua propriedade. Aceitem o momento histórico que vivemos, os avanços tecnológicos e sociais. Porque a cada dia mais “índios” se tornam “caciques” porque em sua busca descobrem que não há um “inimigo comum”, não há “feudo” e podem ser “senhores” de si mesmos.

    • Henrique 07/10/2013 / 20:28

      Apesar de discordar totalmente da sua visão e de seus leitores, respeito-o pelo fato de ter se dado ao trabalho de ler e acompanhar algumas publicações do Olavo. Ao menos isso foi feito.
      Todavia, me responda algo: uma pessoa que apanha todo dia, TODO DIA, desde criança, como uma forma de “aprender”, transmitirá o que ao seu filho quando adulta? Após 30 anos de “tortura”? Pensei sobre. Isso ocorre com boa parte dos acadêmicos de hoje. Boa parte deles leram artigos, livros, etc, com um forte viés esquerdista imputado inconscientemente há muito tempo atrás e que vem se perpetuando culturalmente desde então e hoje qualquer sinal de “conservadorismo” ou “direita” é praticamente um crime.
      É óbvio que para vcs ele é um “lunático”, um “falastrão”: alguém que critica há tudo e a todos (inclusive a direita, à qual ele empresta sua voz): Ele vai contra tudo o que vocês acreditam como certo (o que vem sendo tido como certo a séculos e o que vocês aprenderam ser o certo), isto é, formação “acadêmica” como sinônimo de intelectualidade (o que é uma grande mentira), um “debate” que quase não existe mais, uma vez que HÁ uma unanimidade de opinião quanto aos “conservadores”, etc.
      Outra pergunta: Você acredita mesmo que 50 anos lendo uma vasta bibliografia das mais diversas vertentes resultariam em teorias conspiratórias e “achismos”? É um tanto ilógico do meu ponto de vista. E por essa razão é de se esperar o comportamento do Olavo com relação a qualquer um que queira “esboçar” um debate com ele. Coloque-se em seu lugar:você estudou durante anos as mais diversas áreas do conhecimento, daí vem um professor que não estudou um terço do tempo que você e quer “debater”? Não é de se espantar sua postura. (a qual por sinal, vc criticou, criticou e acabou adotando uma semelhante).
      Aos leitores que não pensam duas vezes antes de falar merda sem ter lido um livro ou qualquer outra produção bibliográfica dele (e isso serve para qualquer autor), por favor, usem o tempo que gastaram pra criticar para ler algo que fundamente melhor suas respectivas críticas!

  9. Pra Marcilene Almeida 20/07/2013 / 8:13

    Olá Bertone. Sem perceber digitei um “não podem ser senhores de si mesmos” no fim do primeiro comentário que fiz. Por favor, considere o segundo corrigido com “podem ser senhores de si mesmos”. Obrigada.

    • Bertone Sousa 20/07/2013 / 11:59

      Oi Marcilene,

      está registrada a correção. O pior que o que não falta são pessoas que gostam de canga no pescoço para serem guiados pelos outros, sugestionáveis terminam se deixando levar por essa retórica agressiva. Costumo dizer que pessoas como ele são derrotados ressentidos que elaboram um mundo imaginário à parte transformando todos em inimigos. Infelizmente há muitas pessoas ingênuas e desinformadas para dar crédito a essas coisas. Obrigado pela contribuição.

  10. Aparecido Lima 06/08/2013 / 23:48

    Prof. Bertone.
    Você deixou a impressão de ser neutro ou, no mínimo, relativista acerca das ideologias aqui apresentadas. Disse que nunca leu vermelho.org porque não acompanha esses sites que fazem jornalismo militante “por considerar que esse tipo de polarização já perdeu o sentido”. Mas por qual motivo, então, acompanha publicações do Olavo na internet? Segundo o que escreveu acima, ele não representa a face mais perigosa e radical da direita?

  11. alethos 13/08/2013 / 11:01

    Concordo plenamente contigo, em várias coisas, principalmente nas respostas estruturais ao Olavo, mas difiro de ti ao sinalizar o Estado como salvaguarda. Não tenho tempo de instrumentalizar uma resposta acorde ao seu nível intelectual, mas deixo um pensamento a respeito. “Da mesma forma que o Estado não deixou o Brasil afundar na lama da crisis mundial, ele não deixa o país decolar. A divida pública é pequena mas a divida interna é monstruosa, logo sem crescimento isso só terá um fim, e você sabe qual é.”

  12. Vinicius 18/08/2013 / 4:38

    Meus parabens professor. Sou professor, Geografo e doutorando. Tambem sou catolico, e a tempos procuro algo coerente e fundamentado. Seja pelo viés social, economico, cultural e religioso, tenho muito medo do estrago que o Olavo tem feito. Na Igreja por exemplo, pessoas e até uns poucos padres que o seguem tem disseminado ódio ao ponto de cristãos agirem agressivamente, expressando um paradaxo total sobretudo ao proposito ao qual o Papa Francisco veio ao Brasil. Isso me assusta, pois como católico nao quero uma Igreja “xiita”. Ja no ponto de vista histórico, sobretudo após as manifestações de Junho parece que ta sendo disseminado o temor da Guerra fria novamente, oriundo da paranoia desse Olavo. Eu aprendi na minha modesta formação de casa o seguinte: que numa discussão, o primeiro que se exalta e xinga é quem ta sem a razão… ou seja, em muitos embates por ai inclusive com amigos meus, tenho sofrido isso. As pessoas sequer dão ouvidos a sua versão, e ja te apedrejam. Tenho muito medo desse fundamentalismo. Enfim, Meus parabéns, e espero contribuir muito ao debate e poder contar contigo. Forte abraço!

  13. José Vasconcelos 18/08/2013 / 15:25

    Faltou um conceito que talvez pudesse ilustrar melhor o perfil do “filósofo”, o de Esquizofrenia. Criar um mundo totalmente interior, só dele…esquizofrenia! Parabéns pela disposição; sabemos como é difícil argumentar contra tipos assim.

    • Bertone Sousa 19/08/2013 / 20:55

      Ricardo,

      isso mesmo; a caracterização como capitalismo de Estado é uma das principais vertentes usadas hoje. Mas definir o regime como “comunista” também carrega algumas especificidades, como na abordagem de Archie Brown. Falei sobre isso no texto “Fascismo e comunismo: resposta a um blogueiro histérico”, categoria “História”.

      • Ricardo Lênin 20/08/2013 / 15:04

        Vou procurar, companheiro. E essa surra que você deu naquele fascista valeu cada segundo de leitura.

        Obrigado

    • igormorgado 16/12/2013 / 23:32

      Ao ver Chomsky falar, independendemente se voce concorda com ele ou nao, voce ve um intelectual aberto a discussões. Compare agora com Olavo?

  14. Leo Carlos 19/08/2013 / 14:28

    “a clássica obra da “História da Filosofia Ocidental” em quatro volumes de Bertrand Russel (hoje disponível apenas em sebos virtuais)”

    Ganhou meu carinho ao citar essa maravilhosa obra e esse maravilhoso autor

    • Bertone Sousa 19/08/2013 / 20:53

      Leo, esse foi um dos primeiros manuais de História da Filosofia que li, logo no início de minha graduação. A obra é clássica, vale a pena a leitura.

  15. Marcus Antônio Sander Júnior 30/09/2013 / 2:03

    Prof. Bertone, estava quase caindo na conversa do Olavo de Carvalho, após assistir vídeos na internet. Depois comecei a ler o livro com a coletânea de artigos, que tem sido interessante, mas não pode ser tido como o detentor da verdade, como ele apregoa. Até que, ao procurar um contraponto, em pesquisa às opiniões sobre o Olavo de Carvalho, encontrei o seu site, o que representou um oásis de lucidez no deserto das falácias. Parabéns pela iniciativa corajosa e obrigado por abrir os nossos olhos com argumentos lógicos e bem fundamentados.

  16. Duke de Vespa 05/10/2013 / 16:59

    Beltorne, muito bom o seu post, parabéns. Acho que tua postura de enfrentar o Olavo com argumentação embasada é a mais correta. Tipos como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo são extremamente perigosos, pois incitam o ódio e comportamento intolerante. Eles fazem a cabeça de muita gente e gozam de grande popularidade na internet. Portanto, precisam ser desmascarados, e não ignorados. Gostaria muito de ver o Janine aceitando o convite do Olavo para um debate. Seria interessante…
    E a propósito, parabéns pelo blog. Estou gostando muito dos textos. Já adicionei aqui nos meus favoritos.

    • Bertone Sousa 05/10/2013 / 18:30

      Duke, é verdade, só se pode desmascarar essa gente demonstrando a falsidade de seus argumentos. Obrigado pelo apoio, se puder ajude a divulgar. Abraços.

  17. Paul Gregory Frank 12/11/2013 / 10:11

    QUALQUER NOS DIAS DE HOJE QUE DEFENDER GOVERNOS COMO O NOSSO ATUAL,SERIA O MESMO QUE DEFENDER LENIN,MAO,FIDEL E UM CONTRASENCO ABSURDO VER UM PROFESSOR DEFENDER ALGO COMO ISSO,E POR NOSSAS INSTITUICOES DE ENSINO ESTAREM CONTAMINADAS POR EDUCADORES COMO ESTE QUE NOSSAS INSTITUICOES CHEGARAM AO FUNDO DO POCO,INFELIZMENTE,AMANHA SEREMOS A VENEZUELA DE HOJE,DEPOIS DE AMANHA A VENEZUELA DE HOJE SERA CUBA,E ASSIM SUCESSIVAMENTE ATE A AMERICA DO SUL TRANFORMAR NO0 INFERNO QUE QUE VOCES QUEREM VIVER…..PERGUNTE AO POVO CUBANO E AO POVO NORTE KOREANO SE ELES VIVEM FELIZ ENJAULADOS,PERGUNTE AO POVO QUE VIVEU NESSE REGIME NA ANTIGA URSS E NA EUROPA ORIENTAL ,YUGUSLAVIA E OUTROS QUE EXPERIMENTARAM ISSO…..E UM ABSURDO UM PRFRESSOR PREGAR A FAVOR DE UM DESGOVERNO COMO NOSSO……INFELIZMENTE….NOSSO PLANETA ESTA FICANDDO INABITAVEL….

    • Bertone Sousa 13/11/2013 / 0:15

      Paul, vou deixar seu comentário para diversão dos leitores inteligentes. Você é um exemplo claro da ignorância e da burrice transformadas em virtudes.

  18. Israel Machado Caldeira 16/11/2013 / 21:41

    Professor por que você tem medo de se declarar de esquerda, de centro você não tem nada. Acho que você faz parte do modismo que assola nossas universidades. No seu tempo já havia as cotas?

    • Bertone Sousa 17/11/2013 / 11:47

      Israel, por que você comenta o texto sem ter lido? Ou sem ter lido com atenção? Minha nossa, olavetes são mesmo muito burros, por mais que se explique as coisas, não entra na cabeça deles.

      • Cesar Jr 20/02/2014 / 14:08

        Prof. Bertone, não entra porque parte da doutrinação ideológica, como você bem sabe, é a “blindagem” e atrofia do pensamento crítico (que já não era lá muito desenvolvido pra começo de conversa) dos “recrutas”. Estou no segundo curso na USP, e vejo muito esse tipo de comportamento dos dois “lados” da discussão polarizada rasa. É triste ver pessoas inteligentes se reduzindo a papagaios ideológicos, sem coragem de pensar e arriscar topar com as inevitáveis e por vezes terríveis contradições da nossa História, e de encarar o fato de que não há ainda solução pronta indiscutível para a organização econômica e social do mundo. Mas como a vida não é só de lamentos, agradeço você “deixar os comentários para diversão dos leitores inteligentes” e os “exemplos claros da ignorância e da burrice transformadas em virtudes”. Apesar de não me considerar (e não ser) um estudioso dos temas sociais, não é necessária tanta inteligência assim para, quando cansado de lamentar a estupidez dos olavettes, poder rir de tais excrescências.

  19. Ademir 22/11/2013 / 10:08

    Sinto muito amigo, me solidarizo com a vergonha que Olavo lhe fez passar. Mas retenha apenas o conselho que ele te deu, de forma bem ríspida é verdade “volte a estudar”…
    E nao será a CAPES, CNPQ e a Universidade Publica que servirão de parametros para seu sucesso nessa empreitada, mas sim a sua consciência…
    Olavo tem muito a acrescentar, sao anos de estudos, basta apenas ter humildade e paciência com a forma que ele ensina…

    • Bertone Sousa 22/11/2013 / 16:51

      Ademir, não é vergonha ser insultado por um fascista. Na prática, o que Olavo fez foi cometer crime de injúria e difamação, violando os artigos 139 e 140 do código penal brasileiro, aproveitando o fato de morar fora do Brasil, o que lhe dá vazão para violar a constituição sistematicamente. O que fiz foi fornecer subsídios para que outras pessoas não caiam no mesmo engodo que você caiu. Além disso, ele não pode ter anos de estudo, pois abandonou a escola na quarta série. O que ele tem, sim, são anos de militância anti-marxista e doutrinação ideológica. O que você e outros olavetes falam da universidade apenas mostram que estão seguindo o mesmo caminho que os nazistas: o desprezo pela academia os levou a queimar livros que não se coadunavam com suas convicções ideológicas, algo que vocês somente não fizeram em todo o país por não terem alcançado hegemonia política. A universidade ensina o diálogo, coloca as pessoas diante da contrariedade, da necessidade da busca antes de qualquer pretensão intelectual. E veja como você está exatamente no caminho contrário. Você acha que possui a verdade, o porto seguro e não aceita qualquer contrariedade porque foi doutrinado pra isso.

  20. Ademir 25/11/2013 / 14:40

    Olá Bertone,
    Alguns pontos:
    Primeiro, você sabe o que é facismo?
    Quando você diz que Olavo é facista você está provando que nao sabe o que a palavra significa, mas usa a palavra como xingamento, como a maioria dos nossos estudantes universitários (a proposito você é estudante?).
    Segundo, quando você tenta enfatizar os aspectos legais da situação que não pretendo analisar, pois nessa mesma página você chamou um visitante de burro, o que não te tornaria superior moralmente ao que você denuncia.
    Apenas dá a entender que ainda valem para os homens o velho argumento das crianças:”vou contar para minha mãe”.
    Terceiro, nao presuma que eu caí em algum engodo, realmente existem pessoas que endeusam o olavo de carvalho, mas definitivamente nao é meu caso. Embora qualquer pessoa de juizo perfeito saberia que ele é um dos melhores intelectuais brasileiros em atividade, senao o melhor. Entre ele e você, não preciso nem dizer quem leva vantagem disparadamente.
    Quarto, se você é maior de idade e frequentou uma universidade e não percebeu que a educaçao não é sinonimo de escola e vice-versa, nao vou tentar convece-lo através dos diversos argumentos sociologicos, históricos e filosoficos.
    Quinto, se você acredita que a universidade (especialmente a pública) favorece o diálogo, fico na dúvida se você mora no planeta terra e tem acesso a uma, em especial às areas de humanas. Existe pelo menos um estudo que mapeou através das citações em trabalhos acadêmicos, a ideologia hegemonica que comungam docentes e discentes, nem preciso dizer o resultado, ou preciso? Afora isso, é só colher a impresao in loco…
    Sexto, nazismo também se tornou xingamento na boca dos estudantes universitários há muito tempo. Você deveria saber que o nazismo é filho bastardo do comunismo, assim como o facismo, basta sabermos dos acordos da URSS com a Alemanha para dividir uma parte da europa, antes da segunda guerra… Basta saber ainda que Mariguella e Prestes se ajoelhavam ante a URSS e que até hoje Cuba, China etc sao modelos para nossos políticos de esquerda. Leia Hanna, Churchill, Oswaldo Peralva… Logo essa associaçao da sua parte é descabida, acredito que olavo (doido do jeito que é) ama mais os livros do que a ele mesmo, ao contrário dos seus incultos críticos.

    Lendo sua réplica nao entendo como o Olavo te deu atençao, se até eu que sou um ignorante confesso, percebo que você sabe tão pouco…

    Caso seu problema seja ignorancia o remédio é o estudo, se for hipocrisia o tempo vai fundir essa máscara ao seu rosto senão se livrar dela logo e, por fim, caso seja vaidade seu problema, tente se desarmar, pois voltaremos todos ao pó.

    • Bertone Sousa 25/11/2013 / 16:06

      Ademir,

      adoro quando há um leitor, que por conta da burrice, fica se mordendo de raiva assim, dá chilique e solta essas pérolas de olavete analfabeto.

  21. Igor Muniz 30/11/2013 / 1:49

    Bertone, Olavo é um desqualificado. Um réptil que se pudesse matava todos os que discordam da sua visão “cristã” de mundo. Mas não fique na defensiva porque é assim que eles gostam! Veja a resposta que o Pirula fez a ele. Acho que se chama “O bravo sem trabalho”. Abraço

  22. brokencupsband 15/12/2013 / 19:26

    Olavo de Carvalho: o mestre dos espantalhos. Nunca vi tanta falácia dessa natureza quanto em seus textos. “Tá meio quente, né?” “Então, quer dizer que cê acha que sob o regime do Stalin não era quente?! Vá Pá Porra! O cara estuprava cavalos!”, etc.

    Valeu pelos seus textos. Muito legal o blog!

    • Bertone Sousa 15/12/2013 / 19:38

      brokencupsband, obrigado. E sobre a dica de correção já fiz no texto. Abraço.

  23. Leandro 17/12/2013 / 17:17

    Olá Professor Bertone!
    Parabéns por ajudar a tirar essa loucura desse velho embusteiro e louco, tive a infelicidade de comprar um livro dele, “Tudo que você precisa saber para não ser um idiota”, eu só li a respeito da ciência, onde ele fala da evolução, ao qual ele afirma que Darwin estava errado e que a teoria da evolução é assassina, meu Deus, quando li isso fechei o livro, que agora me arrependo profundamente por ter comprado. 1º esse cara só leu a obra e não entendeu nada, absolutamente nada sobre o que é descendência com modificação (evolução), mas como ele é esquizofrênico paranoico, e de ultradireita, ultra super mega full conservador, obviamente não vai concordar jamais, por tanto, se ele quer a refutação de uma teoria que hoje não o é uma simples teoria, mas embasada e fundamentada em diversos testes. E esse babaca, ainda tem coragem de chamar Dawkins de charlatão.

    Obrigado, vamos divulgar a besteira desse babaca.

    • Bertone Sousa 17/12/2013 / 19:49

      Leandro, quem toma Olavo como referência pra qualquer coisa, ou é um pobre coitado incauto sugestionado ou um militante conservador que encontrou nele um suporte ideológico. Nos dois casos há um culto à personalidade dele. Olavetes não aprendem mais, mas outras pessoas quando leem textos como esse podem aprender e evitar cair nesse engodo. Por isso, se puder ajude a divulgar. Abraço.

  24. Leandro 17/12/2013 / 20:24

    Ah!…E uma outra ainda que ele disse, que a relatividade de Einstein esta errada também, e ele afirma que o correto é o Geocentrismo, onde essa ideia a muito já foi demonstrada que estava incorreta, eu não sei bem que século foi essa teoria, mas ainda hoje ele diz que é a verdadeira, deve ter mais um ou dois caras que falam o que ele diz o que é extremamente absurda. Ele deveria de ler um pouco de Marcelo Gleiser, Hawkins. Têm uma pagina no face, que eu creio deve ser seguidor do mesmo, só não vou lembrar o nome, eu quase ia entrando nisso, creio que eu estava entrando junto a esse embusteiro, mas ainda bem que voltei a mim.

    • Bertone Sousa 22/12/2013 / 11:53

      Ácrata, gostaria apenas que colocasse o devido crédito de autoria.

  25. Daniel Coimbra 26/12/2013 / 22:42

    Oi, Bertone! Já leu o livro “In Defense of Global Capitalism”, do suéco historiador da economia Johan Norberg? Achei um livro interessante! Cito ele aqui pois você falou de globalização ali perto do final do texto. 🙂

    • Bertone Sousa 27/12/2013 / 1:50

      Daniel, já li uma resenha. A abordagem tem elementos interessantes, mas penso que, nessas questões, abordagens centradas na apologia ou apenas na rejeição deixam muito a desejar.

  26. Jonatan Freitas 10/01/2014 / 19:03

    Bertone,
    Não sei se isto é publicável, mas vamos lá…
    Por consideração ao meu irmão olavita com tristeza leio Olavo vez ou outra no Face: “esquerdista merece uma rola no cú” “socialistas deveriam parir pelo cú”
    Lamentável como se semeia o ódio, independente sejam de direita ou esquerda, pouco me interessa. Sou conservador, tendo para a direita, mas este tipo de atitude não compactuo.

    • Bertone Sousa 10/01/2014 / 22:18

      Jonatan, essa postura vinda da direita ou da esquerda só mostra o quanto a mente dessas pessoas é obtusa. Como você já deve ter acompanhado aqui, já fui atacado pelos dois lados, que usam a mesma retórica de teor agressivo quando você não está alinhado a eles. Digo que é o cultivo da burrice mesmo. Quanto mais distância a gente mantiver dessa gente, melhor.

  27. Paulo 09/02/2014 / 15:51

    Prezado Prof. Bertone,
    Parabéns por sua defesa crítica e sincera, muito honesta sob o ponto de vista intelectual.
    Embora eu concorde com muitos artigos e ideias do Prof. Olavo – dos quais eu também aprendi muitas coisas – também percebi imenso narcisismo e arrogância da parte dele, revelado com toda a nitidez em seus vídeos, onde por exemplo apela para toda a baixeza quando confrontado por suas ideias, numa atitude incompatível com a usual sutileza com a qual escreve.
    Entretanto, eu fui atraído ao trabalho do Prof. Olavo quando comecei a buscar respostas para compreender todo este quadro brasileiro de crise educacional, declínio ético e moral, inversão de valores, criminalidade em alta, cultura deteriorada, além da tão odiada corrupção generalizada e falência de nosso projeto de país (substituído por projetos de poder dos partidos) – e como nosso país está refém das classes políticas.
    Muito do que eu li, do Prof. Olavo, fez todo o sentido para mim, como peças de um quebra-cabeça complexo que se encaixam, e cujas outras peças eu permaneço em busca de respostas. Somando-se à outras leituras, como palestras do jornalista Yuri Bezmenov (Tomas Schuman, ex-agente KGB), de repente muita coisa fez todo o sentido para mim, como uma venda que cai dos olhos e cuja avaliação permaneço a me aprofundar, sempre analisando criticamente e evitando pensamentos unilaterais e manipuladores.
    Minha pergunta para o Sr. é: existe, na sua opinião, uma subversão socialista em curso em nosso país? Estamos caminhando para um Estado Bolivariano?
    Agradeço desde já pela sua opinião. Um abraço.

    • Bertone Sousa 09/02/2014 / 17:29

      Paulo, na verdade não. O modelo chavista não vai se expandir para além da Venezuela. Cuba é uma ditadura que definha desde o fim da Guerra Fria. No Brasil, o PT não tem um programa de governo socialista, o PT agradou a banqueiros, empresários e camadas de baixa renda, por isso está há onze anos no poder, e se mantém no poder dentro das regras do jogo democrático. Esse é o problema do Olavo: ele fala e reproduz informações completamente disparatadas, como dizer que o PT é totalitário apenas com base em sua aversão pessoal por Lula e companhia e que Fidel foi o mandante do assassinato de Kennedy, por exemplo.

  28. Alexandre 17/02/2014 / 20:25

    Olá professor,
    Não concordo com o Olavo em relação às suas opiniões sobre evolucionismo, geocentrismo e fetos na pepsi, acho meio ridiculo, mas não podemos jogar fora a análise política que ele faz que esclarece tudo o que acontece hoje no Brasil, e que ele vem falando desde 1990, quem lê seus artigos fica difícil não ver clareza em seus argumentos e conhecimentos. outro problema é criarmos essa dicotomia de que quem defende suas idéias se torna um Olavete manipulado, isso nao tem nada a ver e vejo que sua postura no texto é de aversão a isso também. Acho que ele está certo e tem provas de que o programa politico da america latina, brasil, venezuela, cuba, bolívia, argentina, equador é o mesmo. Me desculpe, mas só não enxerga quem não vê. É só voce ver o video que Lula fez agora defendendo Maduro na “guerra” que está lá na Venezuela. Acontece que quando voce cria um conflito pessoal com uma pessoa (e acho que ele que começou a te tratar de forma errada), você acaba negando todas suas idéias pelo sentimento e não pela razão. Abraço

    • Bertone Sousa 17/02/2014 / 21:29

      Alexandre, os erros de Olavo com relação à atuação das esquerdas na América Latina se devem a sua concepção equivocada de totalitarismo e sua recusa em distinguir as duas faces desse conceito, a direita e a esquerda. Por outro lado, neste e em outros textos, chamei exaustivamente a atenção para o extremismo ideológico presente em seus discursos que associa todos que não estão alinhados a um determinado corpo de ideias e crenças a uma conspiração mundial maléfica de longa duração que marcha sob a bandeira vermelha do comunismo revolucionário. Os regimes políticos dos países que você mencionou são tão diferentes quanto à natureza e métodos de governabilidade que colocá-los num mesmo balaio para daí extrair uma conspiração meticulosamente orquestrada é, no mínimo, um grande disparate. A questão não é “não vê quem não quer”, a questão é que a incompreensão da história latino-americana por parte de muitas pessoas, bem como da conjuntura política que levou à ascensão das esquerdas no continente, essa ignorância leva muitos a acreditarem em suas diatribes. Por isso é mais fácil saber que ele está equivocado sobre o evolucionismo, o geocentrismo e os fetos da pepsi, por exemplo. Desse modo, minha divergência com ele não se deve a um conflito pessoal, não é à toa que este texto foi escrito sem o recurso do ataque pessoal, mas da argumentação histórica embasada. Tomei a mesma atitude quando discuti com ele acerca da questão do papel do governo americano na preparação do golpe de 1964 no Brasil (veja a categoria História). Na categoria História você também poderá acessar um texto que escrevi sobre teorias de conspiração que ajuda a entender porque tantas pessoas aderem ao discurso dele com base nesses elementos que você levantou. Recomendo que leia. Abraço.

  29. Marcio De Souza Tkd 25/02/2014 / 0:26

    Não sou tão conceituado como você, mais ainda sim, também acho que você ficou em cima do muro. Acho que deve ter chorado ao escrever esse texto. Só lembre que como você apoia a esquerda, existe quem apoia a direita. Acho que você ficou lúcido com a resposta do Olavo. Embora ele ñ tenha o “pedigree” que você tem, ele tem um grande conhecimento. Assim como tentas colocar o teu pensamento ele também o pode fazer. Agora dizer que por discordar somos extremistas ou incitamos o ódio, é demais, não? O q penso é: que nenhum ditador, seja ele bom ou ruim, deveria estar no poder. O poder é para o povo e pelo povo. Não para deixar como está em Cuba, China, Bolívia, Venezuela. Ninguém tem o direito de se proclamar imperador, rei, presidente por séculos de um país, o povo tem que escolher seja ele bom ou ruim. Sempre será a população que dará o veredicto final.

    Abraços

  30. Gabriel Martins 04/03/2014 / 2:40

    Bertone Sousa fui apresentado à seu blog recentemente e gostaria de parabenizá-lo pelo brilhante texto. Contrariamente a este sujeito que se define como “filósofo” o que é uma afronta aos verdadeiros filósofos, o que vi ao longo de seu texto foram argumentos muito bem fundamentados e bem expostos, mas creio que o pseudo-intelectual de miolo mole que é o Olavo não estaria preparado para apreciá-los.

    Você acaba de prestar um grande serviço ao rebater as idiotices pronunciadas por este energúmeno que tenta a todo custo passar-se por filósofo e grande intelectual aos olhos das pessoas.

  31. gabriel 06/03/2014 / 19:46

    que texto maravilhoso!

  32. brunno marcondes 18/03/2014 / 0:10

    Parabéns prof. Bertone. A sua resposta contribui para que possamos ver um outro lado da questão, que não o dos supostos conservadores de direita, que como dito pelo sr, acreditam terem sempre razão. Texto bem fundamentado, com ótimos links. É triste ver que no Brasil quase não temos mais uma direita pensante.

  33. André Nor 09/04/2014 / 22:35

    Muito bom o texto, parabéns. Da próxima vez que eu for falar sobre olavetes, direitistas ou esses pentelhos que só malham o PT e o esquerdismo recorrerei a algumas de suas palavras, ok, por preguiça retórica, mas não de pensamento. O sr. Olavo faz o que eu chamo de “filosofia a pontapés”, talvez uma inveja da filosofia a marteladas do bigode. É incrível como há tontos/incautos que comprem seus livros, suas ideias e sua tática puramente agressiva. É claro que esse idoso não fala exclusivamente asneiras, há cerca de 10% que de conteúdo que se salva, mas é tão nojento o restante do texto que não vale a pena se prolongar nessa leitura quando há tantos outros textos, mais belos, informativos, sinceros e embasados por aí.
    Coisas que precisamos saber para não sermos idiotas: o argumento ad hominem atrai os juvenis, todo fanatismo enfada as mentes mais seletivas e o reacionário é alguém que teme a dinâmica da sociedade livre e do futuro imprevisível.

    • Bertone de Oliveira Sousa 09/04/2014 / 23:48

      André, obrigado. Gostei do “filosofia a pontapés”, cai bem pra ele. Pode repassar à vontade, ainda mais com tanta gente se achando iluminada depois de ter lido “O mínimo que você precisa saber…” por aí.

      • Henrique 07/05/2014 / 8:04

        Bertone, vc disse q realizou estudos q concluiram evidências sobre a diminuição da pobreza e o aumento do crescimento econômico através de programas sociais do atual governo e anterior, como o bolsa família, entre outros. Gostaria q me mostrasse essas suas pesquisas. Obrigado.

      • Bertone de Oliveira Sousa 07/05/2014 / 11:38

        Henrique, você já deixou comentários aqui como Rodolfo Kirk e Darkeye999. Se continuar a usar pseudônimos seus comentários serão apagados conforme a política de comentários do blog. Já divulguei estudos sobre o tema aqui, é só pesquisar.

      • Henrique 07/05/2014 / 12:16

        Bertone, não tive a intenção de fazer spam, tenho o costume de usar nomes diferentes para as variadas contas q uso em outros sites, e adquiri o hábito de usar nomes aleatórios para fazer comentários. Em nenhum momento tive o intuíto de prejudicar ou avacalhar com o blog, q aliás, é ótimo; apenas fiz perguntas simples e rápidas q possuem alguma relação com o tema, q por final, não foram respondidas…

      • Bertone de Oliveira Sousa 07/05/2014 / 14:39

        Henrique, entendi que não era a intenção, por isso não bloqueei os comentários. Isso é só para que o espaço de comentários não fique bagunçado.
        Sobre sua pergunta, não realizei pesquisa própria sobre o tema; o que fiz foi postar links de alguns estudos para um leitor que fez uma pergunta semelhante à sua nesta postagem:

        https://bertonesousa.wordpress.com/2013/10/07/por-que-marx-ainda-assusta-os-conservadores/

        É possível encontrar na rede outros artigos sobre o impacto e a importância de políticas de distribuição de renda como o Bolsa Família na rede. Mas o importante é entender primeiro o que são e para que servem essas políticas e essa incompreensão que faz com que muitas pessoas fiquem no senso comum com a ideia de “sustentar vagabundos” ou coisa do tipo. Nem mesmo o pensamento liberal é redutivo a esse ponto. FHC e Lula sabiam disso.

      • Henrique 07/05/2014 / 14:49

        Entendo. Obrigado. Continue com o excelente trabalho. Tenho uma página no facebook e frequentemente divulgo alguns artigos deste blog. Abraço.

  34. Georgia 09/05/2014 / 19:55

    Cheguei aqui por acaso, mas não pude deixar de comentar: comprei um livro do Olavo. Na verdade, ouvi falar dele aqui e ali, fiquei curiosa, achei uma promoção no submarino e recebi a peça em casa. Levei o Olavo para cama na tentativa de protelar a chegada do sono ao conhecer ideias tão polêmicas quanto às que me convenceram a comprá-lo. Bem, o efeito foi o oposto, pois não só apenas meu sono chegava antes do esperado, como eu bocejava só de abri-lo. Não conseguia avançar, achava aquelas páginas como um pastel, cheio de ventos revolucionários. Um floreio pedante para não dizer nada e 600 páginas que nunca vou conhecer, afinal desisti dele lá pela página 30.
    Contudo, sou uma leitora apaixonada e não aceitava que eu tinha comprado um livro que permaneceria fechado…Fiz novas tentativas, até que me dei por vencida.
    No final das contas, entendi que o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota é: não compre esse livro.

    • Bertone de Oliveira Sousa 10/05/2014 / 1:27

      Georgia, o mais curioso é que o título do livro já é um convite para idiotas que queiram parecer inteligentes. São textos rasos, com apelos a teorias conspiratórias para arrebanhar esse público. E pessoas que nunca leram praticamente mais nada o devoram em poucos dias e terminam pensando que descobriram a roda; aí haja paciência pra lidar com esses tipos na internet.

  35. Henrique 15/05/2014 / 2:58

    Parabéns pela paciência e coerência. Em minha faculdade tenho um colega q foi aluno no seminário de boteco de “filosofia” do olavo. É impressionante como o cara idealiza o farsante. Fica levando livros do “professor” embaixo do braço quase todo o tempo, também leva-os para sala de aula para os professores lêrem, subitamente começa a citar olavo em disciplinas q não há referência e relação, tentando se destacar com a filosofia de boteco, afinal, todos nas universidades são esquerdistas doutrinados pelo MEC. Acho engraçado quando olavo manda seus adversários à estudar e voltar para escola, ao mesmo tempo em q este não finalizou ao menos a 4a série. Não sou uma pessoa q deseja o mal à outros, mas espero q o filósofo de boteco tenha um câncer de pulmão bem violento, assim aprende a não xingar o pobre dráuzio varela(há um vídeo em q ele dedica para apenas isso) com o intuíto de desqualifica-lo. Rasgue o diploma, olavo. Opa, pera aí, ele não possui diploma. Continue publicando respostas à olavo, vc não mereceu oq lhe foi dito. Parabéns pelo site.

    • Bertone de Oliveira Sousa 15/05/2014 / 19:56

      Henrique, e esses olavinhos de universidades são piadas trágicas: acham que não têm que ler Marx e nenhum intelectual marxista ou que eles pensem que é/era de esquerda. Como o mestre, são pobres de conteúdo, só fazem barulho mesmo.

      • Henrique 16/05/2014 / 18:17

        Não duvido q esses limítrofes tenham “argumentos” para defender q a abolição da escravidão foi um erro. Os anencéfalos são totalmente contrários ao iluminismo, revolução francesa e qualquer outro tipo de movimento q leve este nome. Já vi por aí vários olavetes dizerem q a unica “revolução” q trouxe “avanços” e melhor “estruturou” a sociedade foi a industrial. E viva a escolástica!

      • Bertone de Oliveira Sousa 16/05/2014 / 19:59

        É possível levantar argumentos para defender qualquer coisa, até o linchamento de possíveis meliantes nas ruas. É por isso que determinadas opiniões são criminalizadas, porque são contra a dignidade humana ou são apologias a crimes. Quem já leu “Minha Luta” de Hitler tem muita clareza disso. Mas o público que Olavo mais atrai são racistas, homofóbicos, fanáticos religiosos e fracassados ou ressentidos de todos os tipos.

  36. Henrique 16/05/2014 / 20:24

    E para os olavetes e ultra-direitistas, se o indíviduo discorda de um mínimo aspecto mesmo usando argumentos, automaticamente passa a ser um stalinista abortista gayzista. As vezes gosto de ver os videos do olavo, pois me dá a certeza q sou mais inteligente q alguém.

  37. Fábio 21/05/2014 / 12:16

    Professor Bertone, também não concordo com o tom inflexível e ditatorial (militar) com o qual Olavo de Carvalho e outros (como o polêmico deputado Jair Bolsanaro) discorrem sobre suas opiniões, mas uma coisa é certa: na minha opinião, sejam políticos de direita, ou de esquerda, quando chegam no poder, se curvam às ordens e aos interesses da elite (multinacionais, grandes empresários, investidores) mundial e do Brasil também. O que o governo no poder faz é somente governar conforme sua ideologia. Mas é inegável que precisamos de uma maior presença das forças armadas e da polícia para nos proteger dos nossos próprios problemas, como a falta de segurança pública.
    Infelizmente o povo (o miserável, o pobre, a classe média) é sempre a mão-de-obra e a massa de manobra. O problema é muito complexa. Quando vai acabar, não sei. Vou arriscar um palpite: talvez quando acabar a ganância do ser humano e seu desejo de dominância.

  38. Bruno Reis 20/06/2014 / 20:26

    Bertone Souza, obrigado. Sinto-me na obrigação de postar um comentário elogiando seu trabalho. Antes, gostaria de escrever um pouco sobre mim, para justificar possíveis ingenuidades da minha parte. Tenho 24 anos, nasci em uma cidade do interior do Paraná e me dói dizer isso, ainda não cursei universidade, o que em breve espero poder dizer o contrário. O interesse pela política e pelas questões sociais do Brasil, até mesmo pela história do Brasil, brotou de certa forma tarde em mim, devido às dificuldades familiares, que não me impediram de forma alguma de estudar, longe disso, mas atrasou em grande parte o meu amadurecimento e visão de mundo, pela falta de acesso à informação. Mesmo momentâneamente longe do ambiente acadêmico, procuro me informar, ler sobre tudo e pouco a pouco, mesmo sozinho e sem orientação, tentando formar um caráter político digno. Prefiro fazer esse tipo de abordagem humilde do que vir aqui e pagar de bonzão na internet, entendedor de tudo, que sai cuspindo idiotices. Não é fácil entender a política. É preciso sim, muito estudo histórico para ter propriedade para falar. Não é um mero leitor eventual que pode fazer frente à absurdos proferidos por Olavo de Carvalho por exemplo. Pois bem, alguns meses atrás, nas minhas pesquisas e leituras na web (à qual tenho o máximo de cuidado de filtrar o que eu leio e acredito), acabo me deparando com o perfil de Olavo de Carvalho, o qual até aquele momento ainda não tinha sequer ouvido falar. Não tenho vergonha de dizer agora que de momento, ”encantei-me” com a abordagem e o tom direto do Sr. Olavo. Achei ”sensacional” as ideias das postagens, comentário que dias depois fiz com uma amiga. Mas passando os dias, os meses, as postagens começaram a me perturbar justamente por tom obcecado, rude, estúpido, com ideias extremistas sobre variados assuntos, sempre no mesmo tom ofensivo, recheado de palavrões. De repente, descubro que ele tem um ”Fã-clube”, denominado ”Olavettes”. No mesmo instante pensei: ”Que idiotice é essa, meu Deus? Tem algo de podre nisso, me cheira a lavagem cerebral”. Tudo que é cultuado demais, tudo o que se aproxima de fanatismo não pode ser saudável. Tudo tem dois lados e fui atrás de pessoas, pensadores, colunistas, professores, fossem quem fossem, que discordassem de Olavo de Carvalho. No meio da corda bamba mental, descobri que caí do lado certo.

    E reafirmei hoje, depois de algum tempo, caindo de paraquedista no seu blog, digitando no Google ”Olavo de Carvalho é um idiota”

    Ainda tenho um longo caminho do conhecimento a percorrer. Ainda sou uma criança em matéria de esquerda/direita. Talvez eu nem saiba definir que tipo de ideal eu tenho, mas posso dizer na minha ingenuidade, que estou do lado do que é justo, do que levará o Brasil avante. E Olavo nesse sentido está prestando um desserviço ao Brasil, sentadinho no seu escritório nos EUA. Não sei se é exagero compará-lo à besta do apocalipse, mas pelo menos na realidade brasileira é o que ele está representando. O que ele faz é uma coisa muito grave, preocupante com a cabeça de quem não sabe pensar. As sementes que ele está plantando infelizmente estão dando resultados, ainda que pequenos, como Felipe Moura Brasil por exemplo. O que não o torna menos grave, já que é também um disseminador de ideias e está atraindo seguidores afoitos na Veja.

    Peço desculpas pelo longo comentário, mas ainda assim, espero que você leia. Parabéns.

    • Bertone de Oliveira Sousa 20/06/2014 / 22:53

      Bruno, não apenas li seu comentário, como lhe agradeço por tê-lo postado aqui. E você fez uma observação importante: Olavo pode impressionar num primeiro momento, mas pela minha experiência o que observo é que a partir disso, quando você se aprofunda nas ideias dele, em geral só há dois caminhos: a rejeição crítica ou a recaída no fanatismo. Há um tipo de paranoia chamada monomania que pode ser identificada nele e em seus seguidores, que é a fixação em um assunto a partir do qual o indivíduo julga a todas as pessoas e situações. Ele próprio incentiva esse tipo de atitude. O vídeo que gerou esse texto, por exemplo, foi uma série de insultos a mim por ter levantado alguns questionamentos por e-mail, sem que eu o tivesse ofendido em nada; e essa é uma atitude corriqueira que ele já adotou com várias pessoas. Então comecei a publicar esses textos e felizmente tem alcançado vários leitores pelo Brasil como você.

      No mais, seja bem-vindo ao blog e desejo a você sucesso na escolha de um curso superior. Você está adotando a postura mais prudente, de busca de leituras, cautela nos julgamentos e isso é importante. Abs.

  39. Jason Sena. 05/10/2014 / 12:55

    Este homem projeta seus defeitos o tempo todo em seus adversários. Histéricos confusos são os seus seguidores, adjetivo que ele próprio usa para xingar a massa esquerdista. Extremista estúpido e arrigante.

  40. Carlos Alexandre 23/02/2015 / 8:40

    Pergunta: vocês são a favor da transformação da igreja católica em partido político?

  41. Duward 19/01/2016 / 1:09

    É preciso uma brigada anti-pseudocientistas e anti-pseudofilosofos para impedir que jovens caiam nas garras desses homens como Olavo. Eu mesmo se não tivesse estudado mais, me apaixonado pelo método científico e conhecido as pessoas certas antes de conhecer o Olavo com toda certeza acabaria sendo um dos seguidores cegos dele!

    É urgente pessoal, quem estiver realmente interessado entre em contato:

    Logos.canal1990@gmail.com

  42. Rodrigo Rodrigues 20/01/2016 / 15:09

    Prof. Bertone, acabei de assistir o video no qual o Olavo responde ao seu questionamento, com a típica linguagem tosca dele, o que reflete o seu descontrole. Ao ler esta sua matéria encontrei, como seria de esperar pela sua formação, um excelente texto, contendo argumentos muito plausíveis contra o sr. Olavo. Tenho uma visão de mundo predominantemente de direita, mas penso saber separar o joio do trigo, e Olavo com certeza não deve ser levado à serio por qualquer pessoa, ideologias à parte. Sou engenheiro, não tenho experiencia na área de história ou filosofia, sou apenas interessado no assunto, mas desde já parabenizo-o pelo seu texto

    • Bertone de Oliveira Sousa 20/01/2016 / 16:16

      Caro Rodrigo, obrigado por seu comentário. Felizmente ainda há pessoas que conseguem se esquivar dos reducionismos de esquerda e direita que vemos por aí e conseguem compreender uma discussão histórica sem questões ideológicas colocadas de forma apriorística. Abraços.

  43. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 10:41

    O meu comentário é meio inútil, mas recentemente li o livro “A vida sexual dos ditadores” em que o autor menciona de fato a perversão sexual de Mao Tse Tung e seus estupros,de Stalin não diz isso, mas insinua que talvez ele fosse bissexual,porque teria beijado a boca de um consul americano,o que na visão de um conservador católico como Olavo é um horror,talvez Olavo tenha tirado desse mesmo livro as acusações contra Mao e Stalin,porém o mesmo livro diz que Francisco Franco sofria de impotência sexual devido a um ferimento que sofreu em um combate no Marrocos qusando servia ao exército espanhol ainda jovem,e que sua própria filha era na realidade filha de seu irmão, ele não transava nem com a própria esposa,como poderia ser um estuprador se era impotente?Não é exemplo de moral,nem um mérito, Franco poderia sentir desejo de estuprar,mas nao levaria a cabo por não conseguir,nao é um mérito,exemplo de moral ,como Olavo diz,mas o pior não é nem isso,e sim ele justificar as execuções de Franco aos militantes de esquerda e lamentar que a ditadura brasileira não tenha feito o mesmo

  44. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 18:02

    Professor e o senhor encontra algum valor histórico em uma obra como “A Vida Sexual dos Ditadores “,ou o senhor acha perda de tempo ler essa obra?Eu achei boa as curiosidades, sexo pode ser usado como forma de poder,dominação, e com exceção do Franco que era impotente,to dos os ditadores retratados no livro, tiveram muitas amantes,nesse ponto sim pode ter um valor histórico, sociológico, ao abordar o sexo em uma relação de poder, machista,mas achei também ,como não pode deixar de ser,traços de um jornalismo ao estilo Nelson Rubens,ao entrar na vida privada dessas figuras, na faculdade só os estamos como homens públicos, não abordamos a relação deles com as mulheres

  45. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 18:11

    Há um jornalista que lançou recentemente um livro chamado “Marilyn e JFK”,o senhor leu?Acha que vale a pena?

  46. Gabriel Ramos Tavares de Pinho 25/01/2016 / 18:48

    Professor eu sempre pensei que a vida pessoal de governantes fosse inútil para o seu papel na história,mas folheando o livro que citei no post de acima,ele vai além de retratar o caso de Marilyn Monroe com o presidente JFK,vai na origem de ambos,do pai de Kennedy,Joe,milionário descendente de irlandeses e católico,que sofria preconceito na alta sociedade de Boston e por isso nunca pode chegar a presidência dos EUA,e por isso passou esse desejo para os filhos,o mais velho Joe Jr morreu na II Guerra Mundial,por isso a meta de ser presidente ficou para o John,o livro explpra inclusive a possibilidade de fraude nas eleições de 1960,já que Kennedy ganhou de Nixon por uma margem mínima,mesmo o livro não me parecendo espetacular,achei interessante am abordagem do preconceito contra o irlandês católico,as relações da família com a máfia que pode ter levado a morte de Kennedy,e a própria questão feminina na época,Marilyn foi uma das primeiras a explorar o corpo no cinema da época,estampou a primeira capa da Playboy,uma das primeiras sex symbols do cinema,mesmo sendo um aparente livro de fofoca,um historiador pode aproveita-lo e tirar questões históricas deste

  47. roberto 31/01/2016 / 11:49

    Esqerda? mais crítica e auto crítica…. ta louco…
    Gulags não são provas de que a imprensa controlada pela esquerda não é um perigo?
    não são provas de que a economia não pode funcionar sem liberdade? Que este negócio de economia planificada é uma falácia? um engodo para atrair pseudo intelectuais? A esquerda num pais não acumula capital? por qual motivo acha que escraviza o povo?

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